AUTÊNTICAS BORRECAS SEFARDITAS-TURCAS

AUTÊNTICAS BORRECAS SEFARDITAS-TURCAS

Se está à procura receitas sefarditas autênticas, só precisa de ver o canal da ‘ Sally That Girl In The Kitchen ‘.

Aqui ela mostra como fazer autênticas Borecas sefarditas turcas (pastéis de batata e queijo).

“Se nunca comeu uma autêntica Boreca sefardita turca, vai amar! Esta receita foi transmitida na minha família de geração em geração e é verdadeiramente uma iguaria sefardita turca! Eu vou ensinar como fazê-las exatamente como as minhas avós as faziam na Turquia, com o seu delicioso queijo Kashkaval e recheio de batata, e a sua crosta artesanal folhada. Depois de experimentar uma autêntica Boreca sefardita turca, você ficará viciado para sempre! Como sempre, os utensílios que você vai precisar e os ingredientes exatos com as respetivas medidas precisas estão listadas logo depois da minha introdução no vídeo.” (Vídeo em inglês)

Línguas judaicas

Línguas judaicas

Línguas judaicas:

O Midrash lista quatro razões pelas quais os filhos de Israel foram autorizados a deixar o Egito. Uma das quais é que eles não mudaram a sua língua. Preservar a língua única fortaleceu por gerações a conexão entre os judeus onde quer que eles fossem encontrados. Distinguiu os judeus e criou uma espécie de barreira que separava as ovelhas dos setenta lobos que as cercavam.

Das línguas judaicas usadas pelos judeus ao longo de gerações, as línguas ídiche e ladino são conhecidas. Mas, surpreendentemente, durante o longo exílio, o povo judeu usou dezenas de línguas diferentes, muitas das quais acabaram se extinguindo.

Árabe Judaico : o Árabe Judaico é uma língua de grande valor histórico judaico. Muitos livros importantes foram escritos nesta língua, incluindo os livros de Maimonides «Guia dos Perplexos», «Sefer Hamitzvot», etc.

Essa língua substituiu o aramaico e está connosco desde a época dos Geonim. Judeus de todo o mundo falavam a língua, que é principalmente árabe, mas também está entrelaçada com a língua sagrada e o aramaico. A língua árabe-judaica era escrita em letras hebraicas. Foi extremamente popular até há cerca de um século.

Com o francês se tornando a língua dominante em muitos países árabes, e após a partida dos judeus desses países, a língua morreu rapidamente. Agora, muitos esforços estão sendo feitos para preservá-lo e transmiti-la às novas gerações.

Ídiche – Esta é a língua que provavelmente sobreviveu mais tempo do que todas as outras línguas judaicas antigas. Ela se originou provavelmente há pouco mais de 1000 anos, e era falada entre os judeus Ashkenazi. Ao longo dos anos, com a expansão da comunidade judaica por toda a Europa, ela se dividiu em diferentes dialetos que caracterizavam as diferentes comunidades.

Ladino- O ladino teve origem em algum lugar da Espanha antes da expulsão. Nos anos em que a comunidade judaica floresceu e se tornou um dos maiores centros culturais do mundo, formou-se uma língua única dentro da comunidade judaica, que era baseada no espanhol, mas também incorporou a língua sagrada e o aramaico. A expulsão da Espanha não impediu o ladino; fez com que ele se espalhasse para outras áreas. Ao longo dos anos, muitas comunidades judaicas em todo o mundo, incluindo comunidades judaicas na Turquia, Grécia, Bulgária e muitos mais locais, juntaram-se ao grupo de falantes de ladino, e esta tornou-se uma das línguas judaicas mais famosas. Ao longo dos anos, principalmente após a destruição de comunidades durante as guerras mundiais e também após a emigração dos remanescentes que nelas permaneceram, a língua quase morreu. Nos últimos anos, surgiu um movimento dos últimos falantes da língua e seus descendentes, que se empenham em vários territórios para promover seu status e ‘reviver’ esta língua judaica especial.

Judeu provençal – Judeu provençal , também chamado de ‘Shoadit’, era a língua dos judeus de França que viviam na região da Provença. A língua foi preservada durante cerca de 700 anos e seus falantes tornaram-se mais raros com o tempo. O último falante foi um judeu chamado Armand Lonel, que morreu há cerca de 45 anos.

Em Homenagem a Dona Gracia, «A Senhora» – «A Rainha»

Texto de Jayme Fucs, guia de turismo cultural em Portugal e Israel.

Lá estava eu em Tiberíades, frente ao monumento em homenagem a Dona Gracia, que no ano 2010 comemorou 500 anos de sua vida. Observando o monumento, pensei: Como pode ser que tão poucas pessoas saibam sobre essa incrível mulher judia portuguesa! Por isso resolvi fazer este pequeno relato, que possa ajudar a resgatar seu legado e sua Memória. Quem foi Dona Gracia Mendes Hanasi? O que ela tem a ver com a Cidade de Tiberíades?

Dona Gracia Mendes nasceu em Portugal, em Lisboa, em 1510, de família de cristãos novos que foram expulsos da Espanha para Portugal em 1492. Dona Gracia era casada com D. Franscisco Mendes, cristão novo, dono de uma das maiores fortunas do mundo. Depois de poucos anos de casada, Dona Gracia se torna viúva, adquirindo toda a fortuna de D. Francisco Mendes. Os pais de Dona Gracia eram cristãos novos que, como muitos, guardavam em segredo os princípios judaicos em suas casas, e, mesmo com todas as dificuldades, conseguiram passar para os seus filhos esses valores.

Com a morte do marido, Dona Gracia vai ter em Portugal uma situação de respeito e destaque: a corte portuguesa vai depender muito de seus favores, e, com muita sabedoria e cuidado, Dona Gracia vai usar esse seu poder como forma de enfrentar a Inquisição em Portugal, exigindo certa liberdade e direitos para os cristãos novos. Essa situação vai levar Dona Gracia a ter que fugir de Portugal e transferir toda a sua fortuna para a Bélgica, onde, com ajuda de seu sobrinho, D. Yosef Hanasi, vai administrar seus negócios.

Na Bélgica a situação também fica muito ruim para Dona Gracia, pois os tentáculos da inquisição vão ameaçar seus projetos, tendo ela que fugir da Bélgica e se mudar para Veneza, e de lá para o Ducado de Ferrara (também no que hoje é a Itália), que dará a ela toda a sua proteção. Isso vai possibilitar a Dona Gracia voltar a praticar o judaísmo de forma aberta, e transforma Ferrara num refúgio para muitos cristãos novos em regresso ao Judaísmo. Vai ser em em Ferrara que Dona Gracia vai ajudar a traduzir o famoso Tanach de Ferrara em ladino, idioma usado entre os Judeus originários de Portugal e Espanha.

Mas a situação fica perigosa também em Ferarra, pois o Ducado sofre ameaça diretamente do Papa Paulo IV, que ameaça fazer uma intervenção bélica, o que vai levar Dona Gracia a ser convidada pelo Sultão Sulimão O Grande, em 1552, a transferir toda a sua fortuna e sua vida ao Império Otomano. O Sultão oferece a Dona Garcia garantias de poderes e regalias. Dona Gracia aceita o convite do Sultão, porém pede a cidade de Jerusalém para ser governada por ela. O Sultão nega o pedido de Dona Gracia, mas oferece em troca a cidade de Tiberíades.

Já vivendo no Imperio Otomano, Dona Gracia vai organizar, em 1556, um boicote ao porto de Ancona, situado dentro do território do próprio Papa Paulo IV, como represália pelo sofrimento e perseguições que os Bnei Anussim (cristãos novos) sofrem. Em Tiberíades, Dona Gracia vai construir as muralhas da cidade, vai abrir vários centros de estudos judaicos, constrói uma fabrica de seda e de lã, e, o mais importante, Tiberíades será um grande refúgio para os Judeus Bnei anussim, que voltam ao Judaísmo sob a sua proteção, sem a necessidade da conversão, e sim de retorno, como bem definiu o sábio Maimónides.

Dona Gracia faleceu em 1569. Era considerada para muitos judeus Bnei Anussim como «A Rainha», ou «A Senhora». Dona Gracia não conhecia o termo moderno de Sionismo, mais hoje, com a descoberta de sua fantástica historia toda documentada, podemos dizer que Dona Gracia foi a primeira percursora do Sionismo, antes mesmo de Thedor Hertzl! Ela já no seu tempo dizia que os Judeus deviam abandonar a diáspora e voltar a viver na terra de Israel. Finalmente, em 2010, Dona Gracia foi consagrada pelo governo de Israel por sua contribuição para o Estado Judaico moderno, e especificamente, para o desenvolvimento da cidade de Tiberíades. Existe uma reverência que até hoje é cantada pelos Bnei Anussim em homenagem a Dona Gracia – «A Senhora», ou como muitos gostavam de a chamar, «A Rainha.» Dizem que quando ela chegava às sinagogas dos Judeus Bnei anussim, Dona Gracia era colocada numa cadeira de honra e como reverência diziam: «Dona Gracia, Dona Gracia, Dona Gracia Nosso Amor / Dona Gracia Dona Gracia, Dona Gracia Por Favor»

YTZJAK LÓPEZ DE OLIVEIRA: UMA HISTÓRIA PESSOAL

Por trás de cada história estão as pessoas que as fazem acontecer. A história do centro de visitantes da Shavei Israel em Belmonte, Portugal, não é excepção. A pessoa por trás dele é Ytzjak López de Oliveira.

Ytzjak López de Oliveira é responsável pela Casa Anussim, o centro de visitantes da Shavei Israel em Belmonte, Portugal. Ytzjak nasceu em La Corunha, Galiza, Espanha. É descendente de Conversos (também chamados marranos) da «Raia», a zona fronteiriça entre Portugal e Espanha.

Depois de fundar a Comunidade Judaica Ner Tamid da Corunha, e sabendo a sua situação irregular no judaísmo, Ytzjak, um arquiteto paisagista de profissão, entrou em contacto com a Shavei Israel através do rabino Elisha Salas, que era na época o rabino da comunidade de Belmonte, Portugal. Sob a orientação e tutela do rabino Elisha Salas e o apoio inabalável da Shavei Israel, Ytzjak regressou ao judaísmo e continua estudando para expandir seus conhecimentos e aprofundar sua conexão com sua herança cultural.

– A minha casa, – explica Ytzjak, – que era originalmente o centro da Shavei Israel em Belmonte, ainda é um ponto de encontro para estudantes em processo de conversão e judeus em trânsito, que aqui, como o rabino Elisha me ensinou, receberão sempre umas boas-vindas calorosas no Shabat, feriados e em qualquer dia da semana. Ofereço-lhes principalmente comida sefardita, receitas de família e canções (até em Ladino), para que tenham boas lembranças da sua visita graças à Shavei Israel. –

Não deixem o Ladino morrer!

Não deixem o Ladino morrer!

Pensando racionalmente, o legado da judiaria medieval espanhola já deveria ter desaparecido há muito tempo. A comunidade judaica espanhola, a maior e mais influente da Europa daquele tempo, foi expulsa em 1492 e dispersa aos quatro ventos, distribuindo-se ao longo do Médio Oriente, dos Balcãs e do Norte de África. Poucas culturas podem ter esperança de sobreviver a um trauma coletivo tão catastrófico, tendo sido os seus membros obrigados a reconstruir as suas vidas em terras estrangeiras.

No entanto, e contra todas as probabilidades, as tradições culturais linguísticas e religiosas únicas dos judeus espanhóis continuam vivas, e Israel e o povo judaico deveriam fazer mais para proteger e desenvolver esta parte tão importante do património do nosso povo.

Pude vislumbrar um pouco deste valioso legado no seder deste ano, quando me juntei à minha nora e à sua família, parte da qual é de origem judaico-turca, para celebrar a narração  anual do êxodo do Egito.

Subitamente, quase sem aviso, fui exposto a novas canções, diferentes melodias e até excertos de leitura em ladino, ou judaico-espanhol, um dialeto emotivo onde se misturam termos em espanhol antigo, hebraico e aramaico.

Tendo crescido com os costumes e melodias asquenazitas habituais, foi enriquecedor poder conhecer outras tradições judaicas, vividas com brio, e tão autênticas e legítimas como as nossas. Com um pouco de imaginação, podemos até visualizar um grupo de judeus espanhóis exilados sentados à mesa do seder em Izmir, Nápoles ou Serajevo nos séculos XVI ou XVII, a entoar algumas das mesmas melodias. A história do Ladino reflete de muitas maneiras a história dos últimos seis séculos do povo judaico, que sobreviveu à expulsão, à assimilação e ao genocídio.

Tal como o Ídiche, a língua franca de muitos judeus asquenazitas ao longo de muitas gerações, o Ladino serviu como tela cultural, uma tela utilizada por muitos judeus sefarditas para compor poesia, dissertar sobre a Torá e  debater questões de importância cultural e mística, bem como para divulgar investigações nos domínios da História, da Matemática ou da Astronomia.

Talvez a mais conhecida obra escrita em ladino seja o Meam Loez, um comentário sobre a Bíblia que combina exposições talmúdicas, midráshicas e haláchicas, iniciada pelo rabino Yaakov Culi em 1730 em Constantinopla e continuada por outros depois da sua morte. A obra, que está traduzida ao hebraico e ao inglês [e também ao espanhol], tem ganho cada vez mais popularidade, tanto entre sefarditas como entre asquenazitas.

Durante centenas de anos, até ao Holocausto, o ladino era a primeira língua para muitos judeus sefarditas na região do Mediterrâneo. Mas o assassinato de grandes números de judeus falantes de ladino, em locais tais como a Grécia e a Bósnia, por parte dos alemães e seus cúmplices na época da 2ª Guerra Mundial, colocou em perigo o bem-estar e o futuro deste idioma.

As estatísticas sobre o número de falantes de ladino que existem no mundo hoje em dia variam entre apenas dezenas de milhares a duzentas mil. Mas como a NBC News comentou há dois meses numa reportagem, “O que é indiscutível é que a maior parte dos falantes nativos de ladino são pessoas mais velhas, e a maior parte dos seus filhos cresceu a falar outra língua”. Por outras palavras, a riqueza desta língua e cultura está em perigo de extinção se não forem empregues maiores esforços para a preservar.

Felizmente, estão a ser postas em prática algumas medidas para impedir que isto aconteça. Este ano, pela segunda vez, teve lugar no Centro de História Judaica, em Nova Iorque, o Dia Internacional do Ladino, um dia anual organizado pela Federação Sefardita Americana e outras entidades, que incluiu um festival dedicado à música e cultura ladinas. Também houve eventos similares em outras cidades.

O Ministério da Cultura Israelita tem a Autoridade Nacional para a Cultura Ladina, estabelecida pelo Knesset

em 1996, que concede bolsas para encorajar os estudantes a aprender a língua, patrocina traduções e produz livros e CDs com histórias e canções em ladino.

Alguns especialistas, tais como o Dr. Eliezer Papo, da universidade de Ben-Gurion, e o Prof. David Blunis, que lidera o programa de estudos ladinos na Universidade Hebraica de Jerusalém, têm estado a trabalhar há anos para aumentar o conhecimento da população geral acerca do ladino, dando cursos e escrevendo artigos e livros.

E os alunos mais corajosos até podem encontrar vídeos com aulas para aprender ladino no YouTube!

Mas por várias razões, este idioma não tem conseguido a atenção merecida, recebendo menos recursos e fundos que outros programas similares que têm por objetivo reviver o Ídiche. Chegou a hora de mudarmos isto e de a cultura e tradições sefarditas e ladinas serem salvas e fortalecidas com o mesmo ardor investido na preservação do património cultural asquenazita.

As organizações judaicas norte-americanas, em conjunto com o governo israelita, deveriam estar a fazer mais para manter o ladino e a sua cultura vivos e de boa saúde – porque o ladino e tudo o que ele engloba são parte integrante da longa e sinuosa passagem do nosso povo pelo palco da História. Permitir que ele desapareça ou se transforme num fóssil seria uma afronta à história judaica e uma perda cultural insubstituível.

Há mais de sete décadas, os nazis desferiram sobre o Ladino e a sua cultura um golpe quase mortal. Através da indiferença e da apatia, corremos o risco de que o golpe se revele fatal, o que não podemos permitir que aconteça.