Parashá da Semana

Bo

Pelo rabino Reuven Tradburks.

Ocorrem as pragas 8 e 9. Antes do dia 10, a morte do primogénito, são dadas as mitzvot de Korban Pesach e de Matza. O primogénito morre.  Os judeus são enviados para fora do Egito. São dadas Mitzvot para comemorar a importância do êxodo do Egito.

1a aliá (10:1-11): A oitava praga: gafanhotos. Moshe e Aharon vão ao Faraó: Haverá uma invasão de gafanhotos, que comerão toda a vegetação que ficou depois do granizo.  Vão-se embora. Os conselheiros do Faraó avisam-no de que o Egito está a caminho da destruição.  Moshe e Aharon são trazidos de volta. O Faraó diz: Vai e serve o teu De’s. Quem vai? Moshe responde: Jovens, velhos, homens, mulheres, animais. O Faraó recusa: Só homens. E os expulsa.

As pragas têm padrões. Um padrão nestas últimas pragas parece ser uma inversão da Criação. De volta à história da Criação: a luz é criada no dia 1. Os céus no dia 2. A terra e a vegetação no dia 3. Ao contrário, os gafanhotos comem toda a vegetação da terra. Chegam em enxames vindos do céu. Na escuridão, Moshe ergue a sua vara para o céu. E depois, não há luz. Como se o mundo do Egito estivesse a desfazer-se, de volta ao caos.

2ª aliá (10:12-23): O vento leste traz os gafanhotos. Escurecem a terra, comem toda a vegetação. O Faraó chama rapidamente Moshe e Aharon:  Pequei contra De’s, o vosso De’s. Rezem, para esta morte ser removida de mim.  Moshe reza. O vento traz os gafanhotos de volta ao mar. O Faraó não deixa sair o povo.  A 9ª praga: 3 dias de escuridão. Mas para os judeus há luz.

Embora não devamos ter um filho preferido, podemos ter uma praga preferida. As crianças gostam das rãs. A minha preferida é a escuridão. Pelo que diz sobre os judeus. Se está escuro no Egito por 3 dias – já agora, porquê 3 dias? Sobre nenhuma das outras pragas nos é dito quanto tempo duraram. Porquê a escuridão durou 3 dias?  Onde mais nesta  história surgem 3 dias? 

Moshe pediu ao Faraó que permitisse que os judeus viajassem 3 dias pelo deserto para servir a De’s. Se estiver escuro durante 3 dias – Perfeito! Saem, andam durante os 3 dias, e quando as luzes se acenderem, o povo judeu já estará junto ao mar. Porque não partiram sob a cobertura dos 3 dias de escuridão?

Porque esta história não é a história da marcha do povo judeu rumo à liberdade. Uma marcha para a liberdade teria um líder carismático, que reunisse o povo para lutarem contra as injustiças que lhes foram feitas, liderando um povo que anseia ganhar a sua liberdade.  Mas a história não é esta. Os judeus estão no Egito há 430 anos. Sem insurreição. Moshe tem 80 anos quando foi chamado para a sua missão – um pouco tarde na vida para liderar um povo.  Mas liderar o povo não é ideia dele; é-lhe imposta. Recusa-se. Moshe não é um líder carismático, um orador retórico suave, um mestre legislador. 

A história do Êxodo é a Sua história. Ele escolhe Moshe, contra a vontade do próprio, para ser o Seu peão. E repare nos judeus: podiam ter aderido logo – mas eles não são lutadores pela liberdade. Partem completamente pela vontade de De’s, não pela sua própria vontade. Quando tiveram a oportunidade de correr, não o fizeram. O líder relutante e os seguidores passivos só significam uma coisa: a sua redenção não foi um feito do povo, mas uma realização dEle.

3ª aliá (10:24-11:3): O Faraó chama Moshe: Ide servir a De’s, até mesmo os vossos bebés. Deixai só os animais para trás. Moshe responde: Precisamos de levá-los – não sabemos o que oferecer até chegarmos lá. Nunca mais me verás, ou morrerás. De’s diz a Moshe que depois da próxima praga vão ficar livres. E os egípcios vão equipar o povo com ouro e prata.

A justiça é um tema central da Torá. A injustiça da escravatura tem de ser corrigida – daí a promessa de que os egípcios darão ouro e prata, uma pequena compensação pela escravatura.

4ª aliá (11:4-12:20): Moshe conta ao Faraó sobre a praga iminente do primogénito. O teu povo vai implorar para que partamos. Moshe sai com raiva. De’s diz-lhe que o Faraó não vai ouvir. Moshe e Aharon recebem as instruções para o Korban Pesach: no dia 10do mês pegue um cordeiro para a família, guarde-o até dia 14, todo o povo judeu deve oferecê-lo, consumi-lo à noite, assado, com Matza e Maror, com o seu cajado na mão e sapatos nos pés. Entretanto, à meia-noite, vou atacar todos os primogénitos. Este dia e a sua celebração serão marcados eternamente. Durante 7 dias comam Matza; nenhum chametz deve ser comido durante 7 dias.

A Matza deve ser comida na noite do êxodo, antes da meia-noite. Mas eu pensava que comíamos Matza por causa da pressa do êxodo! E isso só acontece no dia seguinte. Rav Menachem Liebtag salienta que o seder na noite do êxodo é um jantar anti-Egipto. Os animais eram sagrados – assamos um. E o pão que sobe é um desenvolvimento egípcio. Todo o pão nestas partes do mundo é pão achatado – pitas, laffa. O pão em formas chiques é egípcio. Então, no seder no Egito – nenhum pão egípcio chique, apenas Matza.

5ª aliá (12:21-28): Moshe instrui as pessoas sobre Pesach, incluindo a marcação das portas com sangue. Não devem sair de casa naquela noite. Este feriado será cumprido para sempre; quando chegarem à terra, cumpram-no. Os vossos filhos perguntarão porquê; digam-lhes que é porque De’s passou sobre as nossas casas. As pessoas que ouvem estas instruções acedem e vão fazer exatamente o que De’s mandou a Moshe e a Aharon.

Imagine a fé necessária para seguir estas instruções. Ok, De’s prometeu que os egípcios primogénitos serão feridos no dia 15 à meia-noite. E com isso, vamos ser livres. Mas escravos a se prepararem descaradamente para abater os animais sagrados do Egito, não num dia, mas tomá-lo e guardá-lo por 4 dias, oferecê-lo e assá-lo? Porquê assá-lo em fogo aberto?  Não sei, estou a especular, mas não se pode esconder o cheiro de um churrasco. Toda a vizinhança o sente. Os judeus são ordenados a celebrar, sem vergonha, em plena exibição, queimando o que é sagrado para os egípcios, bem na sua cara – antes de serem libertados! 

E, para ampliar a confiança e a fé, saiba que vai cumprir isto para sempre. Antes do êxodo acontecer, já planeiam celebrá-lo para sempre. Isto é confiança. Fé. 

Quando Moshe instruiu o povo, as pessoas fizeram exatamente o que De’s mandou.  Uau!

6ª aliá (12:29-51): À meia-noite, todos os primogénitos do Egito morrem. O Faraó chama Moshe e Aharon e ordena-lhes que saiam para servir a De’s. Rapidamente, para todo o Egito não ser ferido. 600.000 homens adultos estavam entre os judeus que deixaram o Egito.  A massa foi assada como Matza, pois não podiam esperar que levedasse.  A estadia no Egito foi de 430 anos.  De’s diz a Moshe e Aharon as regras da oferta de Pesach: só escravos circuncidados, não empregados, todo o povo, não o tirem de casa, uma regra para todo o povo. 

O Êxodo do Egito é uma crença central: que De’s molda a história judaica, com uma yad chazaka e um braço estendido. Acreditamos num De’s todo-poderoso. Que nos deu a Torá. Mas que, além disso, tem um plano. Interveio nos assuntos do homem, trouxe-nos a Ele. A Mão de De’s na história tem sido demasiadas vezes, na verdade, obscurecida da nossa vista. Para onde nos está a levar, como é que Ele nos está a guiar? 

Nós, a geração privilegiada, (oh, quão privilegiada!) nós, que voltámos à nossa Terra, temos o verdadeiro privilégio de ler sobre a Sua Yad Hachazaka e o seu Zroa Netuya, a Sua mão forte e o Seu braço estendido – e podemos confirmar que, sim, afirmando que Ele guia sim o nosso povo, intervém sim na nossa história.

7ª aliá (13:1-16): De’s ordena: todos os primogénitos e animais do povo judeu serão sagrados para mim. Moshe diz ao povo: lembrai-vos deste dia, pois neste dia, De’s tirou-vos da escravidão com mão forte. Quando vierem à terra de Israel, cumpram o seguinte: comam matza durante 7 dias, libertem a casa de chametz, dizei aos vossos filhos que foi para isto que De’s nos tirou do Egito. E amarrá-lo-ás como um sinal no teu braço e como lembrança entre os teus olhos. Cada animal primogénito é uma oferta dedicada. Quando o teu filho te perguntar o que é isto, diz-lhe que De’s nos tirou do Egito. Prende isto como um sinal na tua mão e um guia entre os teus olhos, porque De’s nos tirou com mão forte. A história do Êxodo precisa de ser lembrada nos seus detalhes através de Mitzvot, incluindo colocar tefilin na mão, no nosso braço mais fraco, (pois Ele é quem tem o braço forte), e nas nossas cabeças. Porque todas as nossas ações e aspirações, para toda a História, precisam de ser guiadas por essa história do Seu amor, tomando-nos para sermos os Seus amados.

Rav Reuven Tradburks é o Diretor do Machon Milton, o curso de preparação para a conversão em inglês, uma parceria do Rabbinical Council of America (RCA) e da Shavei Israel. Rav Tradburks também é Diretor Regional para Israel da RCA. Antes da sua aliá, Rav Tradburks trabalhou durante 10 anos como Diretor do Tribunal de Conversão do Vaad Harabonim de Toronto, e foi rabino comunitário em Toronto e nos Estados Unidos.

Os 13 Princípios – 4º Princípio

4º Princípio: De’s é eterno

Como vimos anteriormente, uma vez que D’us não é e não tem um corpo, nada relacionado ao mundo físico pode ser aplicado a Ele. O sono e a vigília, a raiva e o riso ou alegria e a tristeza não se aplicam a Ele. Sempre que a Torá ou os profetas falam de D’us desta forma (antropomorfismo), eles o fazem de forma metafórica ou alegórica. E da mesma forma, não podemos aplicar a D’us os conceitos de nascimento ou fim. D’us não existe no tempo (ou, dito de outro modo, Ele existe independentemente do tempo). As ideias de começo, fim ou idade não se aplicam a Ele.

Perguntarmos «Se D’us criou o mundo, quem criou D’us?» seria como perguntar «Se o padeiro amassou o pão, quem amassou o padeiro?» O conceito de «amassar» aplica-se ao que o padeiro produz, mas não pode, por isso, ser aplicado à existência do padeiro. Da mesma forma, o conceito de criação não pode ser aplicado ao Criador. D’us é eterno. E tudo foi criado por D’us do nada, incluindo o tempo, que é uma das criações de D’us.

Há um ponto muito importante no campo do debate entre a Ciência e o Judaísmo que decorre desse princípio. Nós, judeus, nunca acreditámos na eternidade do universo. O quarto princípio da nossa fé afirma que «Somente D’us é eterno». Maimónides (1165-1204) escreveu: «Um princípio fundamental da Lei de Moisés é que o mundo foi criado por D’us a partir da inexistência absoluta. O que o leitor observa, que eu argumento repetidamente contra a eternidade do mundo, contra a opinião dos filósofos, é para demonstrar o caráter absolutamente [sobrenatural] da Sua existência, como expliquei e esclareci no Guia dos Perplexos».

Por que Maimónides enfatizou essa crença? Provavelmente começando com Aristóteles, filósofos e cientistas sempre negaram que o Universo tivesse tido um começo. Eles diziam que o universo era eterno e não havia ponto de partida (olam qadmon). Esta ideia começou a mudar apenas em 1930, quando Edwin Hubble descobriu que o universo estava se expandindo. Se o cosmos está se expandindo e não está se movendo em círculos como se pensava anteriormente, então ele deve ter tido um «ponto zero». Alguns anos depois, muitos cientistas criaram uma fórmula indutiva simples que afirmava que, se «rebobinarmos» o filme da expansão do universo, se andarmos para trás, chegaremos inevitavelmente a um ponto de partida, ao início do universo. A hipótese mais famosa sobre o assunto é o Big Bang, que na realidade, e embora isto não seja ensinado nas escolas, reafirma a ideia bíblica do «Princípio (Bereshit) do Universo», depois de a ciência o ter negado durante quase 25 séculos.

Agora bem, quando um cientista afirma que o Universo teve um começo a partir de uma «singularidade inicial de densidade infinita, contendo toda a massa e espaço-tempo do universo», mas sem a intervenção Divina, ele teria que ser capaz de demonstrar de onde veio essa singularidade. Embora, por definição, D’us seja eterno, em termos científicos é absolutamente necessário explicar como algo surgiu do nada. Essa pergunta sem resposta é, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles da teoria do Big Bang.

Mais uma coisa: Segundo o Rabino Chaim Pereira-Mendes (1852-1937), a eternidade de D’us também tem implicações nas nossas expectativas sobre a justiça Divina («Porquê coisas ruins acontecem a pessoas boas?», Etc.) Visto que D’us é eterno, a punição para os ímpios ou a recompensa para os justos podem ocorrer além dos prazos de nossas vidas limitadas. «O conhecimento de que D’us é eterno, especialmente quando combinado com o conhecimento de que Ele é omnipotente, nos ajuda a resolver um dos maiores enigmas da vida terrena, já que muitas vezes se observa que o homem bom sofre infortúnios e o mau vence… Mas quando entendemos que D’us é eterno, entendemos que Ele se encarregará, no tempo devido e à Sua maneira, nesta vida ou na vida futura, de beneficiar os justos e de castigar os maus, e assim fica resolvido este mistério e as suas aparentes contradições.»

O Rabino Bitton escreve há 8 anos a Halachá do Dia, um e-mail diário sobre a Torá, o pensamento judaico e particularmente sobre a história dos rabinos sefarditas. Veja o site: www.halakhaoftheday.org Em 2014 o Rabino Bittón começou a escrever a Halajá del Día em espanhol.

É rabino comunitário e líder religioso há mais de 25 anos, em Buenos Aires, Montevidéu e atualmente nos Estados Unidos, onde é rabino da congregação Shaare Rajamim, pertencente à UMJCA em Great Neck, Nova Iorque.

Parasha da Semana

Vaerá

Pelo rabino Reuven Tradburks.

A parshá Vaerá é a transição das promessas divinas para a ação divina. Depois da primeira recusa do Faraó no final da parashá da semana passada, De’s assegura a Moshe que vai libertar o povo judeu da escravidão e trazê-lo para a terra de Israel. Depois da relutância de Moshe, Moshe e Aharon são enviados ao Faraó. Ocorrem as primeiras sete pragas: sangue, rãs, piolhos, animais selvagens, peste sobre os animais, sarna, granizo. O Faraó responde em modo «pára, arranca» e começa por vezes por aceitar mas depois muda de ideias.

1ª Aliá (6:2-13): De’s responde firme e definitivamente à aparente futilidade da abordagem de Moshe ao Faraó no final da parashá da semana passada. Sou De’s, um nome desconhecido dos Avot. Prometi-lhes a terra de Israel. Ouvi o clamor do povo.  Lembro-me do pacto. Então diz ao povo: «Eu, De’s, vou tirá-los daí, salvá-los, resgatá-los, trazê-los a Mim, trazê-los para a Terra.» O Povo não ouve, devido aos seus fardos. De’s diz a Moshe para ir ao Faraó. Ele argumenta: o povo não me ouviu, como é que o Faraó vai me ouvir?

Nesta aliá, De’s estabelece a mais fundamental das crenças judaicas. Até agora, conhecemos De’s como Criador. E juiz (para aqueles que pecaram – Caim, o dilúvio, Sodoma). Como Aquele que promete a Avraham. Mas as Suas ações na atividade humana foram vistas apenas à distância. A promessa da terra não foi  concedida. Até Yosef interpreta a sua vida como De’s querendo salvar o povo judeu da fome – mas essa é a sua suposição, espreitando De’s por trás da atividade humana.

Tudo muda agora. Em vez de termos que procurar, espreitar os bastidores do Divino, Ele diz-nos exatamente o que vai fazer. Agora, pela primeira vez, De’s revela, em grande detalhe, o que está prestes a fazer. E acontece imediatamente. Ele diz a Moshe e ao povo com todos os detalhes exatamente o que vai fazer: tirá-los, salvá-los, resgatá-los, trazê-los até Ele, trazê-los para a Terra. 

E nas próprias pragas Ele diz o que vai fazer. E depois fá-lo imediatamente. É por isso que há 10 pragas. Ele quer demonstrar uma e outra vez que Ele está a controlar o mundo e, portanto, também, a História humana.

E o mais importante é que ele não está a castigar.  Ele está a trazer o Seu amado, o seu primogénito, até Ele. Disse a Noé que ia castigar o mundo. E fê-lo. Disse a Avraham que castigaria Sodoma e Gomorra. E fê-lo. Mas isto não é castigo. Isto é amor pelo seu povo. 

2ª Aliá (6:14-29): É delineada a linhagem de Reuven, Shimon e Levi. Incluindo o nascimento de Moshe e Aharon. Estes são os mesmos Aharon e Moshe que De’s ordenou que fossem ao Faraó.  Os que falam com o Faraó. 

A linhagem de Moshe parece ser apresentada para realçar que ele não é líder devido à sua linhagem. Não vem do primogénito, Reuven. Nem do primogénito de Levi. Nem mesmo do primogénito de Amram. Moshe não é líder em virtude da sua linhagem.

3ª Aliá (6:30-7:7): De’s diz a Moshe para ir ao Faraó.  Moshe objetou: Tenho a língua amarrada, como é que o Faraó vai me ouvir? De’s diz a Moshe: Estou a fazer de ti juiz do Faraó, e de Aharon, o teu porta-voz. Vou endurecer o coração do Faraó.  Ele não vai te escutar.   

Aqui começa o detalhe do que vai acontecer. Se se tratasse de medidas políticas normais, Moshe sabe que não seria bem-sucedido. Ele, fraco. Faraó, poderoso. Mas é-lhe dito que ele e Faraó são apenas peões nas Mãos de De’s.

4ª Aliá (7:8-8:6): Começam as pragas. Vai ao Faraó de manhã quando ele for ao rio.  Nisto saberás que Eu sou De’s. A água transformar-se-á em sangue. Moshe avisa o Faraó. Aharon bate na água; esta transforma-se em sangue. Os feiticeiros também o fazem. O Faraó não escuta. 2ª praga: vai ao Faraó e diz-lhe que De’s diz para deixar o povo ir servi-Lo. Se não, as rãs invadirão a tua casa, cama, fornos, as casas dos escravos. Aharon levanta a sua vara e as rãs invadem tudo. O Faraó chama Moshe e pede que ele reze para aquilo parar.

As primeiras 2 pragas, o sangue e as rãs, vêm da água. A água faz-nos imediatamente pensar na Criação: o Espírito de De’s pairava sobre as águas. A água é o começo: em Bereshit, é o começo do mundo.  Aqui, é o início do povo judeu.

E as pragas começarão pequenas e depois aumentarão. O que é inferior ao nível do solo? A água, que se reúne em terrenos mais baixos. As primeiras 2 pragas são da água. A 4 e a 5, os animais selvagens e a peste sobre os animais, acontecem em terra.  E a 7, a 8 e a 9, o granizo, os gafanhotos, e a escuridão, são do céu.

5ª Aliá (8:7-8:18): Moshe reza, as rãs param, o Faraó falta à sua palavra. 3ª peste: Aharon ergue a sua vara; homens e animais são atacados por piolhos. Os feiticeiros tentam imitá-los, sem sucesso; é a mão de De’s. O Faraó não escuta. A 4ª peste: Vai ao Faraó de manhã quando ele for ao rio. Diz-lhe: Haverá animais selvagens no Egito, mas não em Goshen. Nisto saberás que Eu sou De’s no meio da terra.

Seja quem for que decidiu onde termina uma aliá e começa outra terá comentado sobre essa escolha. Na nossa parashá faria sentido que as aliás terminassem bem e claramente, no fim de uma praga – no fim do parágrafo. Mas tanto esta aliá como a próxima terminam da mesma forma: «Para que saibam que sou De’s.» 

A 1ª, 4ª e 7ª pragas começam com Moshe encontrando o Faraó na água pela manhã. E cada uma repete a mesma frase: «Para que saibas…» O dia 1 é para que saibas que sou De’s. O 4º, para que saibas que sou De’s no meio da terra. E o dia 7, para que saibas que não há nenhum como Eu.

Estes são os 3 pilares da crença judaica. Há um De’s. Ele é o nosso De’s, ou seja, está envolvido no mundo. E Ele é Um.

6ª Aliá (8:19-9:16): Ocorre a praga dos animais selvagens. O Faraó concorda em permitir que o povo saia para celebrar no deserto. Moshe reza pelo fim da peste. O Faraó muda de ideias. A 5ª praga: Vai ao Faraó, os animais serão atingidos por uma doença, mas os do povo judeu não. O Faraó verificou, viu que era verdade. Mas endureceu-se-lhe o coração. A 6ª praga: Moshe, joga pó no céu em frente ao Faraó.  Tornou-se sarna de úlceras e bolhas nos animais e nas pessoas. De’s endureceu o coração de Faraó. 7ª peste: Moshe, vai ao Faraó de manhã. Com esta praga saberás que não há nenhum como Eu.  

Pragas 4 e 5, os animais selvagens e a peste sobre os animais atacam apenas os egípcios, não em Goshen.  Isto é para ensinar que De’s está envolvido na atividade do homem, distinguindo entre o mal e o bem. 

Transformar a água em sangue foi um ataque ao deus egípcio; com isto sabes que sou De’s. Aqui o ataque ao Egito é só para ensinar:  eu sou De’s, trabalhando no meio da terra.  E as últimas pragas vêm do céu – Ele controla o céu, os poderes, o cosmos.  Nada além dEle.

7ª Aliá (9:17-35): Vai chover granizo e matar tudo no seu caminho. Moshe levantou a sua vara e choveu granizo no meio de trovoada, com fogo. O Faraó chamou Moshe e Aharon: Pequei; De’s é justo. Reza para isto ser removido e eu deixo-vos ir. Moshe assim o fez. O Faraó recusou-se a deixar o povo sair.

Enquanto que as pragas têm uma ordem muito clara, as reações do Faraó não. Primeiro fica calmo, permitindo-lhes sair para celebrar.  Depois muda de ideias. Aqui, ele concorda que pecou. Esta é uma aceitação impressionante de responsabilidade.  Chamá-la-íamos de teshuva.  É contrita.  Mas depois muda de ideias.

Esta demonstração do envolvimento de De’s no mundo é sem precedentes, mas o homem continua a ser teimoso. 

A Parashá acaba depois de 7 pragas. As últimas três serão na Parashá da próxima semana.  O drama do Êxodo do Egito abrange 3 parshiot:  Vaera, Bo e Beshalach.

Esta história é a história mais notável da vida judaica. Menção diária nas nossas orações. No Shema. No Birkat Hamazon. Mencionada no Kiddush. E no Seder. Porque representa uma inovação radical na crença religiosa. De’s como Criador é uma crença central. De’s como juiz, que recompensa e pune, é uma crença fundamental.  Mas a noção de que De’s intervém no mundo, na formação da História humana, em trazer o povo judeu para Ele, para nos levar à terra de Israel – o De’s da História, é apresentado aqui. No nosso tempo somos mimados, porque vemos o De’s da História no nosso regresso à terra de Israel. Para nós é evidente.  Vemo-lo com os nossos próprios olhos.  O De’s da História é-nos apresentado aqui na nossa Parashá.

Rav Reuven Tradburks é o Diretor do Machon Milton, o curso de preparação para a conversão em inglês, uma parceria do Rabbinical Council of America (RCA) e da Shavei Israel. Rav Tradburks também é Diretor Regional para Israel da RCA. Antes da sua aliá, Rav Tradburks trabalhou durante 10 anos como Diretor do Tribunal de Conversão do Vaad Harabonim de Toronto, e foi rabino comunitário em Toronto e nos Estados Unidos.

Os 13 Princípios – 3º Princípio

3º Princípio: Como visualizar De’s?

«… שהבורא יתברך אינו גוף, ולא ישיגוהו משיגי הגוף ואין לו שום דמיון כלל».

O terceiro dos 13 princípios da fé judaica é: «De’s não tem corpo, nem Lhe podem ser atribuídas condições ou características humanas.»

Este ponto foi, nos tempos antigos, tão ou mais revolucionário que o monoteísmo, já que, no mundo pagão, todos os deuses eram representados como figuras humanas. Os deuses nasciam, morriam, lutavam, tinham apetites insaciáveis ​​e uma grande sede de poder. De certa forma, esses deuses foram concebidos na imaginação, à semelhança daqueles que os serviam. Para a mente pagã, um deus invisível era um deus inconcebível.

Mas: a Torá fala de De’s várias vezes em termos humanos. Por exemplo, «a mão de De’s»; «o braço de De’s»; «os olhos de De’s», etc. A tradição judaica explica que se trata apenas de metáforas, expressões cujo propósito é tornar o texto bíblico acessível até mesmo às mentes humanas mais simples, para as quais é muito difícil absorver conceitos abstratos.  

Existem muitas traduções da Torá, em todas as línguas. Sabe qual é a tradução oficial da Torá, de acordo com a tradição judaica? É a tradução para o aramaico escrita por Onquelos haGuer (Onquelos, «o prosélito», no ano 35-120 da Era Comum), composta sob a supervisão de um dos maiores rabinos do período talmúdico, o rabino Eliezer haGadol. Esta tradução é alternativamente chamada de Targum («A tradução» por excelência), Targum Onquelos ou Targum Didán. (Este último nome significa «A nossa tradução oficial».)

O primeiro objetivo do Targum é descodificar antropomorfismos, ou seja, explicar a que se referem as expressões que aparentemente atribuem uma imagem humana a De’s. Assim, por exemplo, o braço de De’s pode se referir ao Seu poder; a mão de De’s, aos Seus milagres; os olhos de De’s, à Sua supervisão permanente sobre os seres humanos, etc. Desta forma, e através do Targum, os Chachamim nos ensinaram que não devemos atribuir qualquer imagem ou semelhança humana a De’s, apesar das aparentes referências bíblicas.

Outro ponto importante: a Torá diz que HaShem criou o homem «à Sua imagem e semelhança». A tradição judaica, fiel à sua rejeição ao antropomorfismo, explica que a imagem e semelhança divina que o ser humano possui não é corporal. Refere-se ao facto de que os seres humanos, ao contrário de outros seres vivos, foram dotados de livre arbítrio. Temos impulsos, mas não nos limitamos a eles, podemos controlá-los. Podemos escolher entre fazer o bem e o mal. Esse poder, essa liberdade moral, é o que nos torna semelhantes a De’s, que é a epítome da liberdade (É o «Todo-Poderoso», que pode fazer tudo).

Neste tópico, resta uma questão que muitas vezes me colocam: Se De’s não tem imagem, como posso pensar em De’s quando oro a Ele? É errado imaginar De’s?

Imaginar ou visualizar De’s como um anjo, um ancião ou um gigante é típico do paganismo. Essas personificações são um reflexo enganoso da nossa imaginação, que projeta em De’s atributos humanos num nível superlativo. O que fazer então quando nos comunicamos com De’s, oramos a Ele e, de alguma forma, precisamos projetar alguma imagem em nossa mente? Acho que a resposta é muito simples: Quando nos referimos a De’s, nós, judeus, dizemos «HaShem», que em hebraico significa «O Nome». Como se disséssemos «Aquele cujo nome é indizível». Portanto, se nos for impossível abstrairmo-nos, ou concentrarmo-nos sem visualizar uma imagem específica na nossa mente, podemos visualizar o nome de HaShem, ou seja, as letras hebraicas do Seu nome.

Em suma, é um princípio fundamental da fé judaica saber que De’s não tem corpo, nem imagem, nem qualquer semelhança com o ser humano. Os atributos humanos que a Torá descreve são meras metáforas, expressões que tornam a Torá acessível aos níveis mais básicos da compreensão humana.

A distância entre a realidade divina e a humana é tão grande que a maneira pela qual o povo judeu se refere a De’s é chamando-O de HaShem, «O Nome». Quando oramos, devemos nos abstrair da projeção e devemos evitar que qualquer imagem ou figura que personifique HaShem entre em nossa imaginação.

No entanto, visualizar o nome de HaShem, as letras hebraicas do Seu nome, é uma forma aceite de pensar em De’s

O Rabino Bitton escreve há 8 anos a Halachá do Dia, um e-mail diário sobre a Torá, o pensamento judaico e particularmente sobre a história dos rabinos sefarditas. Veja o site: www.halakhaoftheday.org Em 2014 o Rabino Bittón começou a escrever a Halajá del Día em espanhol.

É rabino comunitário e líder religioso há mais de 25 anos, em Buenos Aires, Montevidéu e atualmente nos Estados Unidos, onde é rabino da congregação Shaare Rajamim, pertencente à UMJCA em Great Neck, Nova Iorque.

Parasha da Semana

Shemot

Pelo rabino Reuven Tradburks.

O povo judeu está no Egito.  Um novo Faraó preocupa-se com o tamanho do povo judeu. São estabelecidos decretos cada vez mais duros de trabalho árduo, infanticídio e, finalmente, afogamento ativo dos bebés do género masculino. Moshe nasceu e cresceu na casa da filha do Faraó. Depois de ver os judeus sendo maltratados, ele foge para Midian,  casa e se instala lá. Aos 80 anos, Moshe encontra o arbusto em chamas. De’s instrui-o a ir ao Faraó e exigir-lhe, em nome de De’s, que liberte o povo judeu.  Moshe, depois de  tentar  recusar esta missão, vai ao Faraó. O Faraó aumenta o peso dos trabalhos sobre os judeus. As pessoas queixam-se.   

1ª Aliá (1:1-17): 70  Bnei  Israel desceram ao Egito. Tornaram-se muito numerosos, enchendo a terra. Um novo rei que não conhecia Yosef subiu ao trono. Com medo que os judeus se juntassem aos inimigos do Egito, procurou enfraquecer o seu número. À aplicação de um imposto sobre o trabalho seguiram-se trabalhos forçados. Depois foi ordenado às parteiras que matassem os bebés judeus. As parteiras temiam a De’s e não seguiram a ordem do Faraó.

O livro de Shemot, do Êxodo, é radicalmente diferente do de Bereshit. Em  Bereshit seguimos a promessa de De’s sobre a dádiva da terra de Israel ao povo judeu. Era a história das  pessoas; Avraham, Yitzchak e Yaakov; Sarah, Rivka, Rachel e Leah. Depois,  Yosef e os seus irmãos. E sobreposta à história das pessoas está o refrão divino: «Dar-vos-ei a terra que prometi a Avraham». É quase como uma canção com um refrão: cada pessoa é um verso, com a promessa de De’s sobre terra sendo repetida como um refrão. Avraham e a sua vida, com a promessa de De’s  repetida. Yitzchak e a sua família, com a promessa de De’s repetida. Yaakov e depois a história de Yosef, com a promessa de De’s repetida. Em Bereshit as pessoas são os protagonistas, com De’s sempre presente,  mas de poucas palavras;  a promessa repetida.

Em Shemot, De’s e o Homem trocam de lugares.  É a história do controlo divino do destino judaico. Ele é o Realizador Principal, e o povo judeu,  mero ator. Já não se esconde com promessas repetidas.  Age, domina, controla, manipula. Inicia, comunica, comanda. Mais tarde, no Sinai, revela-se.

Temos que ler a narrativa perguntando-nos: este é o Homem ou este é De’s? O Homem está a agir por vontade própria, ou está apenas a parecer agir por si próprio, mas dirigido, conscientemente ou não, por De’s? Quando está Ele a guiar e quando não?  Muitas vezes é difícil dizer. 

O Faraó age para enfraquecer o povo judeu. Ações cruéis, incluindo assassinato. As parteiras temem a De’s, se recusem a matar. Não há menção às ações de De’s. Já vimos isto antes.  O nome de De’s está ausente, tanto na venda de Yosef, como aqui. O Homem faz um excelente trabalho de crueldade sozinho. De’s aparece quando chegamos ao fundo.

2ª  Aliá (1:18-2:10): As parteiras defendem as suas ações perante o Faraó. Moshe nasce, e é colocado na água, num cesto.  A filha do Faraó resgata-o. Miriam consegue que seja a mãe de Moshe a amamentá-lo.  Foi devolvido à filha do Faraó e chamado Moshe.

Quando Moshe nasceu, a sua mãe «viu que ele era bom». E foi colocado na água, embora num cesto. Estes dois elementos, água e «viu que era bom», lembram-nos imediatamente o primeiro dia da Criação. No início, «o espírito de De’s pairava sobre as águas» (Gênesis 1:2).  E quando a luz foi criada, «De’s viu a luz, que era boa». Moshe sendo colocado na água e sua mãe  «viu que ele era bom» pode ser a maneira de a Torá dizer que há uma nova história da Criação acontecendo: com o nascimento de Moshe, é criado um novo mundo para o povo judeu.

  Aliá (2:11-25): Moshe amadurece.  Sai para ver os trabalhos dos seus irmãos. Defende um judeu matando o seu agressor egípcio, e depois salva um judeu de um agressor judeu. Foge para Midian. Ajuda as filhas de Yitro, é recebido por Yitro, casa-se com Zipporah, tem um filho chamado Gershom,  «pois eu sou um estranho numa terra estranha». De’s vê o sofrimento dos judeus e lembra-se do seu pacto com Avraham,  Yitchak  e Yaakov.

Moshe dá o nome de Gershom ao seu filho, pelo significado «Sou um estranho».  A que terra estranha se refere?  Ser judeu no Egito?  Ou ser egípcio em Midian? Onde é o verdadeiro lar de Moshe?

A história até agora é a história das pessoas; De’s ainda não apareceu. Num mundo sem a presença de De’s, há pessoas boas e pessoas más. Faraó, mau. Parteiras, boas. Os pais de Moshe, corajosos. A filha do Faraó, boa. A irmã de Moshe, altruísta. Capataz egípcio, cruel. Judeus em luta, violentos. Yitro, acolhedor. 

E Moshe? Sai. Preocupado. Ajuda quem precisa de ajuda. Sente angústia, um estranho.

De’s aparece. O nome dEle aparece 5 vezes em 3 versos. Tudo muda agora. Ou talvez não. Toda a atividade humana até este ponto, foi orquestrada por Ele, ou é simplesmente as pessoas a fazerem o que as pessoas fazem, algumas boas, outras não?

4th  Aliá (3:1-15): Moshe e o arbusto em chamas. «Moshe, Moshe», «Hineni». De’s fala, Moshe encolhe-se. De’s diz-lhe: «Eu vi o sofrimento do meu povo.  Vou salvá-los do Egito e trazê-los para a terra do leite e do mel.  Vou mandar-te ao Faraó e ele vai libertar o meu povo do Egito.» Moshe refuta: «quem sou eu para ir ao Faraó? E o povo judeu vai perguntar quem me mandou. De’s diz: «diz-lhes que quem te enviou foi o De’s dos teus antepassados, Avraham, Yitzchak e Yaakov».

Toda a história da Torá muda aqui. De’s passa, de ser uma força invisível por trás da ação humana, a ditar diretamente a atividade humana. Ele diz a Moshe que vai tirar o povo judeu do Egito e trazê-lo para a terra de Israel. Até agora, o povo tinha a promessa da terra, mas tinha vivido apenas com a promessa, não com o seu cumprimento.  Eles não viram a Mão de De’s, mas sim detetaram-no por trás dos acontecimentos. Como disse Yosef: «De’s trouxe-me para o Egito para salvar a família.» Ele nunca ouviu isto. Ele olhou por trás do véu e detetou-o.

O véu é levantado. É dito a Moshe em detalhe exatamente o que vai acontecer. Os judeus serão enviados pelo Faraó. A história do Êxodo do Egito é um pilar da crença judaica porque é uma exibição flagrante e direta da Mão de De’s na nossa história. É a Sua Mão em plena exibição, não atrás do véu. 

Moshe está relutante porque  não  sabe digerir isto. Isto é diferente de qualquer outro momento, é um momento sui generis, sem precedentes. E, portanto, Moshe está reticente.

5th  Aliá (3:16-4:17): De’s continua: «Reúne o povo. Diz-lhes que os levarei para a Terra. Eles vão escutar. Vai ao Faraó. Sei que não vai me ouvir. Vou castigar os egípcios. Serás carregado de ouro, prata e roupa dos egípcios.» Moshe ainda está convencido de que o povo não vai acreditar nele. De’s dá-lhe sinais: a vara vira serpente e depois volta a virar vara, a mão vira leprosa e depois volta a ficar boa. E água vira sangue. Moshe refuta: «Não sou um bom orador.» De’s diz: «Sou Eu que dou a fala ao Homem. Vou mandar Aharon  contigo. Falará ele. Leva a vara.»

À medida que Moshe ouve mais detalhes e são-lhe dados sinais para trazer ao povo, aceita relutantemente ser o canal humano para a Mão Divina. Percebe que as suas fraquezas humanas são irrelevantes; ele é meramente um fantoche na mão do marionetista. Ah! E terá de lidar com os outros humanos – os judeus, o Faraó, – mas ele já sabe as suas respostas. Moshe embarca na mais importante exibição da Divina Providência da história.

6ª Aliá (4:18-31): Moshe recebe a bênção de Yitro para regressar ao Egito. De’s diz a Moshe que aqueles que queriam a sua morte já morreram. De’s diz-lhe para dizer ao Faraó: «De’s diz: “Israel é o Meu primogénito. Envia o Meu filho, pois, se não o fizeres, matarei o teu primogénito.”». Zippora  circuncida o seu filho. Aharon saúda Moshe. Reúnem o povo. O povo acredita que De’s os vai resgatar.

De’s acrescenta mais uma coisa a Moshe: «Israel é o Meu primogénito.» Como se dissesse: «Moshe, esta é uma história de amor. Vejo o povo judeu como o meu amado primogénito.» E a recusa do Faraó resultará num castigo divino. O nosso  ethos ocidental sente-se desconfortável face a estes princípios centrais do judaísmo: A Mão de De’s na História, o amor de De’s pelo povo judeu, e o castigo divino. Como disse o rabino Sacks,  z”l, «Era radical na altura e é radical hoje».

7ª Aliá (5:1-6:1): Moshe e Aharon dirigem-se ao Faraó, solicitando uma viagem de 3 dias ao deserto para uma celebração. O Faraó recusa. Aumenta a carga de trabalho. Surgem conflitos entre os trabalhadores judeus e os supervisores egípcios. Os judeus criticam Moshe por aumentar o seu fardo. Moshe queixa-se a De’s. De’s assegura-lhe  que, através de uma mão forte, o Faraó vai enviá-los.

Moshe encontra a desconfortável realidade dos seres humanos. O desenrolar do plano divino não impede a resistência. As pessoas  não  abraçam o plano divino de braços abertos. O Homem serpenteia enquanto o plano Divino se desenrola. Mas o plano, com efeito, desenrola-se.

Rav Reuven Tradburks é o Diretor do Machon Milton, o curso de preparação para a conversão em inglês, uma parceria do Rabbinical Council of America (RCA) e da Shavei Israel. Rav Tradburks também é Diretor Regional para Israel da RCA. Antes da sua aliá, Rav Tradburks trabalhou durante 10 anos como Diretor do Tribunal de Conversão do Vaad Harabonim de Toronto, e foi rabino comunitário em Toronto e nos Estados Unidos.