A relação da Unidade Judaica com a festa de Rosh Hashana, de acordo com a Chassidut

Rosh Hashaná é conhecido por muitos conceitos, desde “Yom HaDin” (o dia do julgamento) ao Primeiro dos ’10 dias de Teshuvá’ (retorno a D’us), como também o Dia da Criação – dos primeiros seres humanos. Mas qual seria sua principal essência?

Tudo o que a Torá nos diz sobre este dia é em relação ao Shofar. Este dia é conhecido na Torá como “Yom Zichron Teruah” (o dia da lembrança do toque do shofar). Parece que a principal Mitzvá (obrigação) de Rosh Hashaná é tocar/ouvir o shofar!

A Chasidut explica que a profundidade da mitzvah de tocar o shofar é, na verdade, coroar a D’us como nosso Rei e, como Rei de todo o Universo. Coroar a D’us implica a aceitação do “jugo divino” sobre nós mesmos. Em um nível mais superficial significa que aceitamos a responsabilidade de viver e cumprir os mandamentos de D’us, da melhor maneira que pudermos.

No ano de 5562 [1802], o Alter Rebe recitou um discurso chamado pelo nome da Parashá desta semana – que antecede Rosh Hashana – “Atem Nitzavim Hayom”. A essência desse discurso está no versículo “Buscai o meu rosto, o meu coração disse a ti, O teu rosto, Senhor, buscarei.” (Salmos 27:8). A palavra ‘Panim’- rosto – também pode ser lida como ‘Pnim’ – interior. Trata-se da mesma palavra, pronunciada de forma diferente. Assim, lendo mais profundamente este versículo, vemos que este nos ensina que, em Rosh Hashaná, cada judeu deve buscar seu lado mais íntimo nas profundezas de sua alma, para encontrar assim, a essência mais íntima de D’us aí, presente.

Em seu livro “Lev Hashamaim – Chaguei Tishrei”, Reb Shlomo Carlebach, discute o significado da citação talmúdica que menciona a declaração de Rav Kruspedai em nome de R. Yohanan: “Três livros são abertos [no céu] no ano novo, um para o completamente perverso, um para o completamente justo, e um para o intermediário. Os completamente justos são imediatamente escritos e selados no “Livro da Vida”, os completamentes ímpios são imediatamente escritos e selados no “Livro da Morte” (D’s nos livre) e o destino do intermediário é adiado até o Yom Kipur. Se, no Yom Kipur, forem merecedores, serão inscritos no livro da vida, se não forem, serão inscritos no livro da morte (D’s nos livre)” (Rosh Hashaná 16:)

Reb Shlomo questiona quem seriam esses “completamente justos”, e responde, que são os únicos que acreditaram com plena fé que, tudo o que D’s nos dá é “Bondade Grátis”, ou seja o maior nível de altruísmo, que não necessita absolutamente nada em troca! Confiam com plena fé que D’s é bom e está sempre querendo nos ‘fazer o bem’. Estes, têm completa confiança e fé de que D’s nos quer dar um Shana Tova – um ano bom – simplesmente porque Ele Quer Dar!

Isso nos ajuda a entender melhor a relação ‘rosto a rosto – interior a interior’. Seu chamado para “Buscai o meu rosto” desperta-nos para a busca mais profunda da essência da alma. Buscar, e sempre buscar, se conectar com a essência divina mais profunda que é seu “livre altruísmo”, sua bondade máxima! Mas quando um judeu atinge o nível de ‘Pnim el Pnim’ – de um ‘interior para outro interior’ e descobre que D’us é “essencialmente” bondade, em seguida, a pessoa passa a, também, querer fazer exatamente o mesmo, ser altruísta! Este busca se tornar um canal de bondade para D’us, buscando que o mundo inteiro conheça a bondade de D’us, compartilhando-a com todos. Este é o “Tzadik completo”, e este naturalmente é, de imediato, escrito e selado no “Livro da Vida”.

O Alter Rebe diz ainda que, quando nossas almas retornam para a nossa raíz, e então, estamos todos juntos “perante a D’s”, percebemos que a unidade ao lado da Kedusha (santidade) é a única e completa verdade. Percebemos assim, que, ninguém é completo sem o outro. Caso, D’us nos livre, uma única alma esteja faltando no Povo de Israel, então nos tornamos uma comunidade incompleta, e, mesmo cada indivíduo se torna incompleto. Cada indivíduo tem algo que ninguém mais possui e, portanto, todos e cada um são necessários para alcançar esta complenitude!

Assim disse Rabi Akiva: ” ‘Amar ao próximo como a ti mesmo’ este é o grande princípio da Torá!”. O Sábio Hillel disse: ” ‘O que é odioso para você, não faça aos outros’ esta é toda a Torá, o resto são explicações”. D’us deseja ter uma morada aqui na terra, o menor de todos os mundos, e a nós, Povo de Israel, somos os únicos que podemos fazer isto acontecer.

Reb Shlomo explica como isto se relaciona com a essência de Rosh Hashaná, o toque do shofar. O som do shofar é o som da respiração divina, é o som de Sua ‘bondade máxima’. Ouvir o som do shofar, é na verdade, ouvir a verdade de D’s e buscar nos relacionar com esta! É o som que permite buscarmos no nosso mais profundo íntimo aquilo que nos conecta com o Criador, aquilo que nos conecta com o resto do nosso povo e traz para nossa realidade e nosso ano, toda esta bondade máxima que temos guardada, coroando assim D’us como rei, e fazendo deste mundo uma moradia divina!

Baseado nos textos dos alunos da Yeshiva Simchat Shlomo

3 thoughts on “A relação da Unidade Judaica com a festa de Rosh Hashana, de acordo com a Chassidut

  • October 1, 2016 at 12:38 am
    Permalink

    Tenho lido semanalmente as Parashat Hashavua. Me sinto sendo elevado interiormente

    Obrigado!

    Reply
  • September 21, 2017 at 12:04 am
    Permalink

    Erev tov!
    Shana tovah!
    Shalom aleichem!

    Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published.