A história de Chaya: descobrindo as minhas raízes

Onde eu realmente pertenço

Muitas pessoas me perguntam porque emigrei para Israel… Que eu venho de um país muito bonito e tinha tudo o que precisava… O que me encorajou a tomar essa decisão crucial? Costumo responder com um grande sorriso: “Porque não há lugar como Israel!”

Eu tenho 30 anos, agora. Nasci e cresci em Puebla, uma cidade próxima à Cidade do México.

O meu pai é cristão, e a minha mãe não. Os meus pais  divorciaram-se quando eu era criança. Na maior parte da minha infância, eu fui mais próxima da família do meu pai.

Quando fiz quinze anos, comecei a passar mais tempo com a família da minha mãe. Eles eram diferentes de todas as outras famílias da área. Não trabalhavam aos sábados e não iam à igreja.

A minha mãe sempre me ensinou que havia apenas um De’s. Ela ensinou-me a ter fé e encorajou-nos, a mim e aos meus irmãos, a ler o Tanach. Isso ela aprendeu com os tios que a criaram, porque a sua mãe faleceu quando ela tinha quatro anos de idade.

O apelido [sobrenome] da minha bisavó era Valencia. Ela foi para o México vinda de Valência, Espanha. Achamos que ela era judia. Não temos registos para provar isso. Não temos registos de nascimento de nenhum dos seus filhos, em lugar algum. Não temos documentos. Apenas as histórias que ouvíamos na infância e o fato inegável de que a família da minha mãe aparentemente sempre manteve a fé judaica. No entanto, a minha mãe nunca explicou porquê ou de onde veio esse sistema de crenças. Ela nunca o chamou de judaísmo, mas acreditamos que ela nasceu judia.

Eles tinham certos costumes, como usar roupas conservadoras, e as mulheres usavam apenas saias. Incomum num ambiente secular, celebravam o Shabat aos sábados, em contraste com a maioria das outras pessoas. Eles tinham uma panela especial para leite e eram estritamente proibidos de consumir carne de porco e frutos do mar.

Todos nós fomos à escola com crianças cristãs, e ela deixava claro que, embora devêssemos respeitá-las, a elas e à sua fé, éramos diferentes.

Quando eu era criança e os meus amigos ou a família do meu pai tinham eventos nas suas igrejas, a minha mãe sempre hesitava em deixar-me ir. Dizia: “É melhor não ires.” Mas eu nunca entendi o porquê. Eu ia, porque queria estar lá pelos meus amigos e pela minha comunidade, mas sabia que eu nunca estava lá por observar a fé cristã.

Em Puebla, não havia comunidade judaica.

Eu sabia que me sentia diferente, mas nunca tinha visto uma comunidade judaica para poder saber onde eu realmente pertencia.

(…)

Escolhendo uma Vida Nova

Quando eu tinha dezoito anos, o meu rabino fez-me uma proposta: Ele disse que eu poderia vir para Israel e frequentar uma Midrasha. Ele queria que eu viesse a Israel para ver se gostava. Ele queria que eu visse se realmente queria ser judia.

Na época, embora eu soubesse que a minha família alargada estava a passar pelo processo e planeava fazer aliá, eu própria não tinha a certeza disso. Eu estava no processo de aceitar quem eu realmente era e de onde eu realmente vim. A questão era: Queria eu comprometer-me com essa identidade?

Eu poderia ter escolhido ser Noahida. Poderia ter acreditado em um só De’s, cumprido as sheva mitzvot bnei noach, e tido uma boa vida.

Eu tinha medo. Estava com medo de deixar para trás tudo o que conhecia. Eu estava a aprender coisas novas e estava a processar o que elas queriam dizer. Estava a tentar entender o que significaria cumprir todas as mitzvot. Parecia uma mudança radical. A pessoa pode acreditar numa fé, mas o estilo de vida era muito diferente. Eu nunca tinha passado tempo numa comunidade judaica. Tudo parecia tão estranho…

No final, escolhi viver pelo resto da minha vida como judia.

Fiz uma conversão completa aqui em Israel.

Sentei-me com sete rabinos de Bnei Brak. O meu rabino estava comigo e ajudou-me a comunicar, fazendo a tradução.

Eu estava com tanto medo. Não falava hebraico. Fizeram-me perguntas sobre chagim, kashrut, Shabat, os 13 princípios da fé.

Eu sabia todas as respostas e passei no exame.

O Mikveh foi muito bom. Foi uma experiência especial. Embora já tenham passado onze anos, lembro-me que chorei.

Depois tive uma mistura de emoções, mas no final cumpri a minha missão. Que de ali em diante, eu podia começar a viver. Podia ser quem eu realmente era.

(…)

Eu precisava de me converter novamente. A conversão que eu tinha feito não era reconhecida pelo Estado. Somente o Rabinato-Chefe de Israel tem permissão para fazer conversões e que a situação das pessoas que se convertem seja reconhecida pelo estado. Eu já era judia, mas para fazer aliá, eu precisava de fazer a conversão novamente através do Rabinato Chefe. Eu já o sabia com antecedência, mas era importante para a minha família que eu fizesse a conversão primeiro através do Beit Din de Bnei Brak.

Fui ao mikveh novamente. A conversão foi considerada “L’chumrah”. Depois de algumas semanas da minha primeira conversão, fomos ao Beit Din e no dia seguinte fomos ao mikveh.

O meu processo finalmente terminou.

Eu estava tão animada para começar minha nova vida!

Shavei Israel

Um dia, recebi uma ligação de alguém da Shavei Israel a perguntar-me se eu queria trabalhar para eles. Eu sempre quis trabalhar com Aliá e Olim. Eu estava feliz onde estava, fui promovida onde estava, mas a minha paixão era ajudar olim e partilhar a minha experiência.

Tive três entrevistas, e havia sete candidatos.

Fui escolhida.

Então, agora eu trabalho com o Ulpan de conversão da Shavei. Trabalho com as pessoas que estão a vir para cá, não apenas de países de língua espanhola e portuguesa, mas também pessoas que querem fazer aliá de todo o mundo. Eu giro os seus casos e a documentação. Como eu mesma fiz isso, e sei exatamente como é, sei como ajudá-los e orientá-los.

No ano passado, mais membros da família vieram do México para Israel. Fui eu que geri o processo para eles, através da Shavei Israel.

Foi tão difícil. O processo burocrático é tão difícil. Nem sempre se obtêm as respostas quando se quer, é preciso esperar até que o comité decida. Eles tiveram que esperar seis meses para saber se poderiam ou não se converter.

Eu ajudei-os a traduzir os documentos e a obter as recomendações. Obtive cópias da teudat zehut de todos os membros da nossa família que já vivem aqui, para ajudar a recomendá-los ao comité. Às vezes, o comité diz não. Quando acham que a pessoa não é um bom candidato ao processo.

Entendo o porquê de não poder ser toda a gente aceite, embora seja difícil. Eu vi casos em que as pessoas pedem para se converter porque querem vir para aqui por outras razões. Acabam por não cumprir a religião, ou querem vir para Israel para começar um negócio. Nem toda a gente está a querer fazer a conversão pela razão certa, de querer ser judeu.

Mas desta vez eles disseram que sim, e acredito que o apoio e o empenho da nossa família ajudaram na aceitação deles.

Graças a De’s eles terminaram. Eles farão Aliá em breve.

Agora tenho família a morar em Be’er Sheva, Ashdod, Ashkelon e Jerusalém. Temos mais de trinta membros da família aqui agora. Tios, tias, primos; famílias inteiras a casar, a ter bebés e a crescer aqui.

É incrível fazer parte deste novo capítulo na história da minha família.

Estes foram excertos de Chaya’s Story: Discovering My Roots – um capítulo do novo livro, Layers: Personal Narratives of Struggle, Resilience, and Growth From Jewish Women, publicado pela Toby Press, escrito por Shira Lankin Sheps, da The Layers Project Magazine.
A Chaya trabalha na Shavei Israel como Diretora dos Departamentos Bnei Anousim e Judeus Ocultos da Polónia e do nosso Centro Ma’Ani.
Leia o resto da história de Chaya e tantas outras histórias neste livro tão especial.
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