Bnei Menashe aprendem caligrafia

Bnei Menashe aprendem caligrafia

Abriu um curso especial na Galiléia para os imigrantes Bnei Menashe em Israel. ‘Sofrut’, ou arte da caligrafia, é a habilidade especial para transcrever pergaminhos sagrados judeus, como tefillin, mezuzot e outros escritos religiosos, incluindo pergaminhos da Torá. O curso abrange os aspectos haláchicos da sofrut, bem como os aspectos técnicos.

Na verdade, há dois cursos de seis meses a serem realizados ao mesmo tempo, um na língua Kuki, para imigrantes de Manipur, e o outro na língua Mizo, para imigrantes de Mizoram.
Os participantes do curso estão muito animados e estamos muito orgulhosos da sua iniciativa e compromisso em aprender essa arte tão antiga e complexa.
B’hatzlacha (desejos de sucesso) a todos os participantes!
Parasha da Semana – Beshalach

Parasha da Semana – Beshalach

Por: Rav Reuven Tradburks

O faraó persegue, o mar divide-se, o povo canta. O povo caminhou e reclamou por água em Mara, por pão e carne no Deserto de Sin e por água em Refidim. Amaleque atacou e foi derrotado.

1ª aliá (13:17-14:8) D’us guia os judeus na direção do Mar. Moshe leva os ossos de Yosef. Uma nuvem guia-os de dia, fogo de noite. D’us instrui-os a evitar a rota direta para a Terra de Israel, por medo de que o retorno ao Egito seja demasiado fácil. Em vez disso, acampai no mar para que o faraó se aperceba. Endurecerei o seu coração e ele perseguir-vos-á, para que o Egito saiba que Eu sou D’us. O faraó levou as suas carruagens de elite em perseguição dos hebreus.

A nossa parashá apresenta um novo capítulo na história do povo judeu: o capítulo da liberdade nacional. Uma nuvem pairou sobre o povo desde o momento em que foi dito a Avraham “o teu povo será afligido numa terra estrangeira por 400 anos”. 7 parashas completas, desde a venda de Yosef até agora, contaram a história dessa aflição.

Mas agora, com a liberdade, vem o desafio de viver. Ser um povo livre é um conceito maravilhoso, mas uma dura realidade. É quase mais fácil viver à espera da liberdade do que realmente ser livre.

Até D’us, Ele próprio, está preocupado com que o povo recue diante das incertezas da liberdade; desejarão o conforto das certezas da vida escrava. E vão querer voltar ao Egito. Por isso, Ele desvia-os para uma rota indireta.

2ª aliá (14:9-14) Quando o exército do faraó se aproxima, o povo fica com medo.  Clamam a D’us e dizem a Moshe: Porque nos tiraste do Egito para morrer no deserto? Teríamos preferido ser escravos no Egito do que morrer no deserto. Moshe diz-lhes para não temerem, pois estão prestes a ver a redenção de D’us.

O foco da Torá muda drasticamente. Houve 4 figuras principais nesta história: D’us, Moshe, o faraó e o povo judeu. Mas há uma que esteve ausente da maior parte da história: o povo judeu. Ouvimos muito pouco sobre o povo judeu em toda a história do Êxodo. Foi Moshe, sob a direção de D’us, que confrontou o faraó. Foi Moshe que recebeu as mitsvot antes da praga dos primogénitos. Tudo o que ouvimos dos judeus é que eles fizeram tudo o que D’us ordenou a respeito da oferta de pesach. Mesmo na dramática noite do Êxodo, quando o faraó ordenou que se fossem embora, ouvimos apenas que receberam ouro e prata e prepararam provisões, sem terem tido tempo para a massa crescer.

Onde estão a alegria e a celebração? E o medo, a preocupação, o medo do desconhecido, o medo da mudança, o medo da vulnerabilidade, o medo da vingança do faraó? E as emoções, os pensamentos do povo? Disso não sabemos nada — até agora.

Tudo isso muda aqui. Agora ouvimos falar das suas lutas e das suas preocupações. Porque até aqui, a narrativa tem sido da perspectiva de D’us – para ensinar a lição da Mão de D’us no mundo. Agora o foco muda para os judeus. Aprendemos as Suas lições. Agora temos que vivê-las. E isso leva-nos ao medo, à alegria, à incerteza, à decepção e à vulnerabilidade – tudo o que torna as pessoas humanas.

3ª aliá (14:15-25) D’us instrui Moshe a levantar a mão para que o mar se divida. E informa que endurecerá o coração do Egito para De’s ser glorificado através do faraó e da sua comitiva. E o Egito saberá que Eu Sou D’us. Moshe assim o fez; o povo entrou no mar por terra seca, com a água a formar muros de ambos os lados. Os egípcios foram atrás; pela manhã ficaram presos no mar.

A divisão do mar renova o tema da água como símbolo de recomeço. Água em destaque na Criação, no berço de Moshe no rio e agora. Início do mundo, início do Êxodo e agora, início da vida nacional judaica. A vida nacional judaica começa com os judeus a entrar na água. Já não são apenas os Seus milagres; participamos como parceiros no Seu plano, dando aquele primeiro passo na água.

4ª aliya (14:26-15:26) A água voltou e afogou todos os egípcios. O povo judeu viu os egípcios mortos, viu a Mão de D’us, temeu a D’us, acreditando Nele e em Moshe. Moshe e o povo cantaram Az Yashir: “Cantarei para D’us, a minha força, o meu salvador, o meu D’us. Ele é D’us da Guerra, a Tua mão é poderosa, a Tua mão vence os inimigos. As nações temê-Lo-ão. D’us reinará para sempre.” Miriam liderou as mulheres na canção. Moshe conduziu o povo ao deserto, até Mara. O povo reclamou por água. D’us instruiu Moshe a lançar um pedaço de madeira para adoçar a água.

Na grande canção no mar, temos a emoção liberada. O povo canta. A redenção divina exige uma resposta humana. De fato, quando citamos o êxodo do Egito na nossa tefila, mencionamos sempre a Shira – a história do Êxodo não está completa até o povo cantar.

Aqui encontramos alegria, apreço, euforia e fé. E apesar de todo o povo cantar com Moshe, o poema, curiosamente, está na primeira pessoa do singular: eu canto, a minha força (em algumas traduções não se nota, mas  “Azi”, é a minha força, tudo no singular.) Isto é pessoal, individual – meu, não nosso. Todos cantámos a canção no mar; mas no singular. O meu D’us salvou-me.

Na verdade, embora eu esteja apenas a especular, esta poderia ser a fonte para a frase na Hagadá “Cada pessoa é obrigada a ver-se a si mesma como tendo deixado o Egito”. Se formos exatos ao contar a nossa história do Egito, devemos notar que cada pessoa, individualmente, cantou pessoalmente a canção no singular: O meu D’us salvou-me, o meu D’us travou a batalha. E assim, se quisermos contar a história do Egito com precisão no seder, também devemos sentir individualmente o nosso lugar nesta história, assim como cada judeu individual a sentiu naquela época.

5ª aliá (15:27-16:10) Eles viajaram para o deserto de Sin. Reclamaram: Ah, se tivéssemos permanecido no Egito com fartura de pão e carne. O maná foi fornecido pela manhã: Juntai o suficiente para um dia; na sexta-feira para 2 dias. D’us apareceu numa nuvem.

A série de reclamações inicia essa coisa complicada que é ser um povo. Por mais sublime que a liberdade seja, as preocupações humanas são muitas vezes mais imediatas. O povo reclama por água, pão, carne, e novamente água. Moshe fica exasperado.

A frustração de Moshe é destacada para enfatizar quem é o verdadeiro Líder aqui. Toda a história do Êxodo é a história da intervenção divina. Ele é que nos libertou; Moshe apenas levantou o cajado. Ele dividiu o mar; Moshe apenas levantou o cajado. E Ele cuida de nós; Moshe simplesmente bateu com o cajado na rocha. Não é a história de Moshe, o líder carismático, que conduz o seu povo à liberdade. É a história de D’us, usando o Seu fiel servo para levar o Seu povo à liberdade. E para cuidar deles.

6ª aliá (16:11-36) A carne chegará à noite. Cada pessoa deve colher maná diariamente para as suas necessidades. Algumas pessoas guardaram-no para o dia seguinte; estraga-se. E alguns foram recolher no Shabat. D’us questionou: Até quando resistireis a cumprir os Meus mandamentos? D’us deu-vos o Shabat, portanto dá-vos o dobro na sexta-feira. Aharon, pega numa porção de maná para a guardares para sempre. O povo judeu comeu o maná durante 40 anos.

O Shabat precede a entrega da Torá. A Mitzvá do Shabat é o 4º dos Dez Mandamentos. No entanto, aqui, ainda antes do Monte Sinai, está a noção de Shabat. Prepara na sexta-feira o que vais precisar. Recolhe em dobro na sexta-feira. Não recolhas no Shabat, porque não vai haver.

Há uma ironia em dar o maná e o Shabat ao mesmo tempo. Durante 6 dias deves trabalhar. O sétimo é um dia de descanso. Mas eles estão a receber a comida caída do céu. Que trabalho está o povo a fazer durante os seis dias?

Aqui, num ambiente sem trabalho, há o Shabat. Não significa apenas um dia de descanso, depois do trabalho árduo da semana. É um dia sagrado, um encontro com a Shechiná. A ausência de trabalho é um meio para atingir o fim da concentração espiritual. Um dia íntimo com a Shechiná é significativo – seja depois de 6 dias de trabalho ou não.

7ª aliá (17:1-16) Não havia água em Refidim. O povo reclamou, assim como Moshe. Moshe foi instruído a bater na rocha; produziu-se água. Amaleque atacou em Refidim. Yehoshua derrotou Amaleque. É necessário registar uma memória desta guerra.

A justaposição da guerra de Amaleque com tudo o que veio antes é instrutiva. O Divino proporcionou-nos: redenção da escravidão, intervenção no mar, água, comida, carne, e novamente água. Parece que Amaleque está a atacar essa realidade. Um povo com um D’us que o protege e o provê – esse é um povo para eu atacar.

Os inimigos do povo judeu vêem-nos como o povo de D’us. Um povo protegido pela Sua Mão. Isso provoca inveja, ressentimento e negação. Sobre isso não precisamos de comentários.

Bnei Anussim – Passado e Presente

Bnei Anussim – Passado e Presente

O Centro Maani da Shavei Israel acolheu a fascinante palestra intitulada “Bnei Anusim, Passado e Presente”, pela nossa querida Edith Blaustein. É importante que, tanto a nível pessoal quanto nacional, não esqueçamos o passado do povo judeu; vamos aprender com ele para moldar o presente e, assim, moldar o nosso futuro.

‘Anussim’, plural para ‘anuss’, que significa ‘os forçados’ são os judeus que foram forçados a abandonar a Lei Judaica contra a sua vontade. É o termo legal rabínico aplicado a um judeu que foi forçado a abandonar o judaísmo contra a sua vontade e que faz tudo ao seu alcance para continuar praticando o judaísmo sob a condição de coerção. É normalmente aplicado aos judeus ocultos na era da Inquisição espanhola (mais comumente – e negativamente – referidos como ‘Marranos’).

O termo é derivado da expressão utilizada no Talmud, “aberrá be’ones” [Avoda Zara 54a]:

“Certamente, quando se trata de linhagem, todo o povo de Israel são irmãos. Somos todos filhos de um mesmo pai, os rebeldes (reshaim) e criminosos, os hereges (meshumadim), os forçados (anussim), e os prosélitos (guerim) que estão ligados à casa de Jacob. Todos esses são israelitas. Mesmo que eles tenham deixado De’s ou rejeitado-O, ou violado a Sua Lei, o jugo da Lei ainda está sobre os seus ombros e nunca será levantado.”

 

Veja a gravação da conferência (Em espanhol):

A segunda edição do sidur Bnei Menashe já está pronta!

A segunda edição do sidur Bnei Menashe já está pronta!

Um dos grandes projetos em que Shavei Israel está constantemente envolvida é escrever, publicar e fornecer livros e literatura necessários para as várias comunidades com as quais trabalhamos. Esses livros incluem livros de oração, livros de hebraico e estudo bíblico e outros. É uma enorme quantidade de trabalho, envolvendo pesquisa, tradução, transliteração, instruções, tradições e, claro, todo o trabalho necessário na publicação e distribuição. Mas é um trabalho de amor, e que é tão importante para nós e para as comunidades.

Com isso em mente, estamos muito felizes por anunciar, finalmente, a segunda edição, aqui em Israel, do Sidur Sefardita Bnei Menashe, com traduções e transliterações na língua Kuki,

O original, um projeto iniciado há quase dez anos, teve uma edição 5.000 cópias e esgotaram todas. Era claramente hora de imprimir mais, especialmente com a esperança de mais Bnei Menashe fazerem ali em num futuro próximo.

Esta nova edição, com 1.500 cópias, inclui uma bela carta de aprovação do rabino Yitzchak Yosef, rabino-chefe sefardita de Israel.

Michael Freund, Fundador e Presidente da Shavei Israel, disse: “Esperamos que os Bnei Menashe encontrem força e inspiração deste siddur, e oramos para que, através do mérito de servir a De’s com alegria, em breve testemunhemos a reunião de todos os dispersos de Israel para a nossa Terra, reunidos novamente como um só, em Sião.”

Tzvi Khaute, Coordenador de Bnei Menashe da Shavei Israel, disse sobre a nova edição: “Estou realmente emocionado por as 5.000 cópias da primeira edição terem esgotado e estamos muito felizes em trazer a segunda edição com a recomendação e bênção do rabino-chefe sefardita.”

O projeto de identidade judaica

O projeto de identidade judaica

The Jewish Identity Project: New American Photography” de Susan Chevlowe (2005) é um belo livro fotográfico para pôr na mesinha de café. Apresentando dez projetos fotográficos e de vídeo de artistas emergentes e em meados de carreira, todos encomendados pelo Museu Judaico, o livro apresenta uma série de discussões provocativas sobre a natureza da identidade judaica na América do século XXI. A autora, Susan Chevlowe, discute como os artistas exploram comunidades individuais para dissipar estereótipos da vida judaica contemporânea, e o colaborador Ilan Stavans disseca a diversidade dos judeus americanos no último século. Em luminosas entrevistas com os artistas, a colaboradora Joanna Lindenbaum fornece perspetivas sobre suas ideias e métodos.

Jaime Permuth escreveu ‘A Conversão de Carmen’ (2003), uma seção sobre Carmen Maria (Esther) Rodriguez, que é amiga de Shavei Israel. Originalmente de Cuba e agora morando nos Estados Unidos, ela partilhou recentemente sua história de conversão connosco.

A história de Carmen é contada através de fotos no livro. Embora o livro esteja fora de catálogo, Carmen deu generosamente à Shavei algumas cópias para ter no escritório, para as pessoas usufruirem delas.

Algumas citações de Carmen no livro destacam-se particularmente: “Um homem disse-me recentemente que eu provavelmente estava no Sinai. O que significa que eu também era uma alma judia naquela época.” E, “o que meus antepassados fizeram foi sobreviver espiritualmente, saindo da Espanha para não cortar seu vínculo eterno com a Magnificência confiada aos judeus no Sinai”.

Carmen dedicou um vitral em uma sinagoga aos sobreviventes do Holocausto que conheceu. Nele, diz: “Para Irene e Martin Staub, sobreviventes do Holocausto, de uma filha de judeus que fugiram da Inquisição, tudo pela nossa Amada Torá.”