Rosh Hashaná

Rosh Hashaná

Por: Rav Reuven Tradburks

Dia 1.
A leitura da Torá para o primeiro dia é Génesis, Capítulo 21, v. 1-34. Este capítulo descreve o nascimento de Yitzchak, a insistência de Sarah em mandar Yishmael embora, e a quase morte de Hagar e Yishmael no deserto antes de serem salvos. Conclui com um pacto feito entre Avraham e Avimelech em Beer Sheva.

1ª aliya (Génesis 21: 1-4). A promessa feita a Avraham e Sarah é concedida e Yitzchak nasce. Ao descrever o nascimento, a frase “como Ele disse” aparece 3 vezes nos 2 primeiros versículos. Esta é a razão pela qual se faz esta leitura em Rosh Hashaná. O tema Zichronot não é apenas que D’us se lembre, mas que Ele faz o que promete, age de acordo com o que diz. Ele concedeu a Sara o filho que havia prometido.

2ª aliya (21: 5-12) Sara diz “todos os que ouvirem sobre este nascimento rir-se-ão”. Daí Yitzchak. A história judaica começa com os incrédulos. Um riso, expressando o quão incrível é este nascimento. Sarah não sabia o quão incrível seria a nossa história. Sarah exige que Hagar e Yishmael sejam expulsos, pois só Yitzchak é o nosso futuro. Embora Avraham não goste disso, Hashem diz-lhe que Sarah está certa, pois Yitzchak é o futuro judaico. Embora valorizemos todas as pessoas, o destino judaico é diferente, o nosso povo é diferente e a nossa aliança com D’us é diferente.

3ª aliya (21: 13-21) Avraham acorda cedo para mandar Hagar e Yishmael embora. Eles vão para Beersheva. Ela não pode suportar ver a morte de seu filho, um anjo chama-a para que o seu filho seja salvo porque D’us ouviu a voz da criança; ele também será uma grande nação. Ela abre os olhos e vê água e eles bebem. Ele cresce e torna-se arqueiro. Esta é uma história paralela à Akeda que leremos amanhã: Passa-se no início da manhã, uma partida em viagem, com um filho, chegam perto da morte, o anjo chama, os olhos são abertos. Há um tema universal de Rosh Hashaná, de toda a criação de D’us. Existem grandes nações, como Yishmael. Mas o paralelo com a história de Yitzchak e a Akeda é para destacar a diferença. Existem muitas grandes nações. Yishmael torna-se um grande guerreiro. Mas é Yitzchak que continuará com a Aliança. Há apenas um povo judeu.

4a aliya (21: 22-27 Avimelech faz um pacto com Avraham porque “D’us está contigo em tudo o que fazes.” Esta também é uma promessa cumprida. Avraham recebeu a promessa de que teria um grande nome. A sua fama tornou-se realidade. D’us promete e cumpre as Suas promessas.

5ª aliya (21: 28-34) Eles chamam ao local “Beersheva”, da palavra juramento ou pacto. O pacto deles é um pacto terreno;  nosso é Divino.

Dia 2.
A leitura da Torá são os 24 versículos de Génesis, Capítulo 22. Esta história, a Akedat Yitzchak, o sacrifício de Isaac, é a expressão mais dramática de quão longe o homem está disposto a ir em sua lealdade a D’us. Apesar de ser uma história complexa de ordens contraditórias, a narrativa é muito bela na sua simplicidade. E dentro da simplicidade da história, o profundo e inabalável compromisso de Avraham é majestoso. A história termina com o carneiro, preso no arbusto pelos chifres; o shofar que usamos em Rosh Hashaná.

1ª aliya (Génesis 22: 1-3) D’us testa Avraham: Leva o teu filho amado e oferece-o em sacrifício. Avraham acorda cedo, levanta-se e vai com os seus ajudantes, com Ytzchak e com a lenha. O drama da história é desmentido pela formulação surpreendentemente simples: hineni, aqui estou eu. Ele acordou cedo, levantou-se e foi fazer o que D’us lhe pediu. A ausência de qualquer diálogo, de quaisquer perguntas de desafio a D’us, de discussão com Sarah, de explicação a Yitzchak, é impressionante. Esta simplicidade transmite a mensagem da simplicidade da lealdade de Avraham a D’us, pois esta história terrivelmente complexa tem uma raiz bastante simples. Essa simplicidade é um tema de Rosh Hashaná. Vivemos num mundo terrivelmente complicado: temos muitas perguntas sem resposta, questões teológicas, muitos desafios e confusão. Mas em algum nível muito profundo, somos simples na nossa devoção. Como o shofar: sem palavras, apenas um simples chamado do fundo das nossas almas.

2ª aliya (22: 4-8) Eles chegam ao local. Os ajudantes ficam para trás. Avraham e Yitzchak caminham juntos. Yitzchak pergunta onde está a oferenda. Avraham responde que D’us fornecê-la-á. E eles caminham juntos.

Eles caminham juntos. Essa união é irónica – pois Avraham sabe que deve sacrificar Yitzchak, enquanto que Yitzchak não sabe disso. Ou talvez saiba. Talvez ele realmente esteja junto com Avraham. Enquanto Avraham é testado, Yitzchak também o é. O papel de Yitzchak como oferenda voluntária é dramático. E como o pai do povo judeu, ele expressa a imagem do judeu quase destruído, mas que sobrevive.

3ª aliya (22: 9-14) Avraham constrói o altar, arruma a lenha, coloca Yitzchak no altar e pega na faca para matar o seu filho. O anjo interrompe-o, instruindo-o a não matar o seu filho, pois agora sabemos que não Me negarias nem mesmo o teu filho. Avraham vê o carneiro e o oferece-o no lugar do seu filho. Ele chama o lugar de “D’us verá”, “Yireh”, e chama-se “montanha na qual D’us é visto” (Har Hamoriah). O que mais pode ser dito sobre este momento poderoso e dramático? A montanha é chamada de “Ele vê” e “Ele é visto”. Duas direções: Ele vê-nos, nós vemo-Lo. Este episódio disse-Lhe muito sobre Avraham. Ele viu Avraham não apenas professar a fé, mas ser fiel. E a história fala-nos muito sobre Ele. O que não conseguimos perceber Nele permanece misterioso: porque fez Ele isso? Vemos e sabemos pouco dos Seus caminhos. Mas, ao mesmo tempo, há algo que vemos: a Sua misericórdia e a Sua fidelidade para connosco. Isso estava claro de se ver. Ele salvou Yitzchak e salvou Avraham de um momento traiçoeiro. O porquê permanece misterioso; mas a lealdade para connosco é demonstrada brilhantemente.

4ª aliya (22: 15-19) O anjo chama Avraham uma segunda vez. Ele é informado de que D’us jurou que se Avraham não Lhe negasse o seu filho, ele e os seus filhos seriam abençoados, seriam uma bênção e seriam um grande povo. Este também é um tema de Rosh Hashaná. A Criação do mundo foi uma expressão do desejo Divino de ter no homem um parceiro. A escolha de Avraham foi uma expressão mais íntima do desejo Divino por um parceiro específico entre os homens. E a expressão de bênção para o povo judeu é mais uma expressão da nossa aliança única. Rosh Hashaná não é apenas a majestade de D’us, mas a majestade do homem. Somos parceiros do Rei. Ele chega até nós, cria-nos, escolhe-nos, instrui-nos, abençoa-nos. Que mandato majestoso: ser parceiro, o parceiro íntimo do Rei.

5ª aliya (22: 20-24) Avraham é informado de que o seu irmão tem uma família completa de descendentes, incluindo Rivka. A próxima geração está agora pronta para aceitar esta grande aliança e tomar o seu lugar na história judaica.

 

 

Parasha da Semana – Nitzavim

Parasha da Semana – Nitzavim

Com a Parshat Nitzavim começamos 4 parshiot muito curtas que são a conclusão da Torá. Embora a parashá tenha apenas 40 versículos, o seu impacto emocional é difícil de igualar.

O Talmud diz que as maldições da Parshat Ki Tavo devem ser lidas antes de Rosh Hashaná. Nós não fazemos isso. Nós lemos Ki Tavo duas semanas antes de Rosh Hashaná e Nitzavim no Shabat antes de Rosh Hashana. Parece que a dureza das calamidades que cairiam sobre nós, conforme descritas em Ki Tavo, embora verdadeiras, são difíceis. Com que humor queremos enfrentar Rosh Hashaná? Com a dureza e seriedade da condenação que resultará da falta de lealdade à Torá? Ou com o otimismo e o incentivo da previsão de retorno da nossa parashá? O medo de Ki Tavo é temperado pela esperança e pelas garantias de Nitzavim.

1ª aliá (Devarim 29: 9-11) O Brit de Arvot Moav. O povo inteiro está reunido para entrar no pacto: homens, mulheres, crianças, carregadores de água e cortadores de lenha. Já tivemos outros pactos na Torá: Uma das alianças foi feita com Avraham; a outra no Sinai. O que é impressionante nesta aliança são 2 coisas: pessoas específicas e a palavra Hayom, que aparece 4 vezes em 6 versículos. Um acordo, ou uma aliança, feita com uma nação, pode permitir que nos ocultemos: «Isto não se aplica a mim pessoalmente, mas sim à nação. Cuidem vocês disso.» Moshe evita isso: vocês estão todos incluídos: homens, mulheres, gente comum. E isto não é uma informação antiga. É de hoje. Como se Moshe estivesse a dizer: «Eu não estou a fazer esta aliança no “meu” hoje – mas para vocês, leitores, esta aliança está a ser feita no “vosso” hoje.» Todos vocês estão dentro: gerações presentes e futuras. Sem ninguém se ocultar.

2ª aliá (29: 12-14). Para entrar na aliança; que D’us será o nosso D’us e nós seremos o Seu povo. Como foi dito aos Avot. Esta aliança é feita contigo aqui hoje e com aqueles que não estão aqui hoje.

O Talmud entende esta aliança como aquela que une todos os judeus com a noção de que «todos os judeus são responsáveis uns pelos outros – kol Yisrael areivim zeh b’zeh». Parece que há aqui uma extensão  da aliança, não apenas às pessoas presentes, mas a todas as gerações futuras, que gera a ideia de responsabilidade mútua. Todos nós estamos vinculados por esta aliança que abrange gerações.

3ª aliá (29: 15-28) Se existir entre vós alguém que siga um ídolo, racionalizando que é livre para seguir o seu coração, a consequência do vínculo especial desta aliança é que a sua deslealdade, a sua adoração de ídolos, será recebida com a ira divina. A destruição desta Terra por causa de sua infidelidade será tão profunda que as pessoas olharão para ela e ficarão chocadas com a sua total desolação. Reconhecerão que a sua deslealdade resultou nesta desolação e na sua expulsão desta Terra.

A descrição da terra de Israel como uma terra que mana leite e mel é difícil para nós, ocidentais: nós sabemos como é uma paisagem rica e verdejante, e a atual terra de Israel não é assim. A topografia rochosa de Israel, sem grama [relva] e sem árvores é chocante para os nossos olhos – estamos habituados a grama [relva] e árvores. Especialmente porque é a terra que mana leite e mel. Algo mau aconteceu com ela. O Ramban afirma que a terra não está permanentemente condenada a ser estéril e desolada. Enquanto permaneceu em mãos não-judias, a topografia permaneceu árida. Uma vez devolvida às mãos dos judeus, o verde retorna. Privilegiados são os olhos que viram o retorno do verde.

4ª aliá (30: 1-6) Quando fores expulso da terra para os 4 cantos do mundo, levarás a sério o teu destino no teu coração – e retornarás a D’us. Ele retornará a ti, retornando a ti para te reunir dos lugares distantes. Mesmo que estejas nos confins da terra, Ele vai reunir-te e tirar-te de lá, para te trazer de volta a esta terra.

Este é o parágrafo mais bonito de toda a Torá. É tão bom que fica partido ao meio, para o saborearmos melhor. É chamado de Parshat HaTeshuva, a seção do Retorno. A palavra retorno aparece 7 vezes. Nós para ele. Ele para nós. Nós damos um passo, Ele dá um passo na nossa direção. Mas o nosso primeiro retorno é descrito como «levarmos o assunto a sério no nosso coração». O início da teshuvá é ouvir os murmúrios do coração. E Ele é o nosso cardiologista. Ele conhece os murmúrios do nosso coração, por mais fracos que sejam. E dá-nos a força, a vontade de construir algo a partir dos nossos desejos mais profundos. Ele dança connosco, mas espera que nós demos o primeiro passo. Então dá-nos mais e mais força. Basta darmos esse passo.

5ª aliá (30: 7-10) E Ele implantará em ti o amor por Ele. E voltarás para Ele. E Ele ficará emocionado contigo porque o teu retorno é com sinceridade, de coração cheio.

Moisés escolhe palavras no Sefer Devarim que são palavras de afeto. Há muito amor e muito coração: amor a Hashem, todo o teu coração. Palavras e expressões como vida, bom, apegar-se a Hashem, hoje. Moshe não quer ser apenas professor de halachá. Ele também deseja ser o professor da nossa vida interior. Precisamos de orientação, não apenas sobre o que fazer, mas também sobre o quê e como sentir. Os nossos sentimentos: deixa-O entrar, com amor, com os sentimentos mais profundos do teu coração, todos os dias. A linguagem é notavelmente mais emotiva do que no resto da Torá. Moshe, mesmo antes da sua partida, tanto do seu papel de líder como deste mundo, deseja desesperadamente transmitir os seus sentimentos mais profundos e alcançar as nossas mais profundas emoções.

6ª aliá (30: 11-14) Pois esta Mitzvah não é demasiado sublime, como se precisasses de alguém para ascender os céus ou cruzar o oceano para a ir buscar. Pelo contrário, está muito próxima; nos teus lábios e no teu coração.

Este pequeno parágrafo é o mais bonito da Torá (ok, é um empate). Pode ser entendido como se referindo a toda a Torá. Como se dissesse: «Eu sei que a Torá parece assustadora; mas não é, é o verdadeiro “tu”» Ou pode estar a referir-se à Teshuva. Como se dissesse: «A mudança parece assustadora; mas não é uma mudança, é o verdadeiro “tu”» Temos essa expressão, o pintele yid. No fundo, todos têm uma conexão com D’us e com o povo judeu. Isso é exatamente o que este versículo diz: não precisamos de nos ajustar, para nos adaptarmos a uma crença em D’us. Precisamos de ser sensíveis, para sondar o nosso verdadeiro “eu”, para escavar fundo e descobrirmo-nos a nós mesmos. Está muito perto: nos nossos lábios e no nosso coração.

7ª aliá (30: 15-20) A vida e o Bem, a morte e o Mal estão diante de ti. A vida é consequência da lealdade às mitzvot. A destruição aguarda a falta de lealdade. O céu e a terra são testemunhas: a vida e a morte, a bênção e a maldição, estão diante de ti. Escolhe a vida.

Essas palavras são as últimas do longo discurso de Moshe. Ele continuará a falar sobre a transição da liderança. Mas essas últimas palavras são como uma esbatimento, uma diluição. Depois de tudo dito e feito, o que está em jogo nesta grande aventura das mitsvot é, nada mais, nada menos do que a vida ou a morte. E, com estas palavras, Moshe prepara-se para se despedir do povo. Nada mais há a dizer. Escolhe a vida.

Seminário poderoso para os Bnei Menashe

Seminário poderoso para os Bnei Menashe

Esta semana, dezenas de líderes comunitários Bnei Menashe, coordenadores, profissionais e funcionários da Shavei reuniram-se em Tiberíades para um importante seminário de um dia inteiro. Graças a Moti Yogev, o nosso contato em Nof Hagalil, este dia, patrocinado por Keren Kayemet L’Yisrael (KK”L) no seu Ya’ar Lavi, e facilitado por Tzvi Khaute, Dalia Netzer e Moti Yogev, foi um enorme sucesso.
Os desafios da comunidade foram abordados por profissionais. Foram abordados tópicos importantes, como vícios e a aquisição da língua hebraica, e foram sugeridas soluções, especificamente no que se refere à comunidade Bnei Menashe em Israel.
O rabino Mordechai Eliyahu fez um discurso e deu bênçãos para o ano novo, e Yitzchak Kolney fez uma importante apresentação sobre o património cultural Bnei Menashe, com belas fotos das suas tradições e cultura.
Ter todos juntos no mesmo lugar foi muito importante. Tanto para uma comunicação eficiente quanto para o estabelecimento de relações uns com os outros. Os professores são altamente profissionais e experientes. Um antropólogo falou sobre vícios e o que pode ser feito a esse respeito, e a importância do tratamento. Foram enfatizados os desafios da língua, como as dificuldades em conseguir emprego (ou o tratamento para vícios mencionado acima) para quem tem pouco ou nenhum hebraico.
Será criado um documento com o conhecimento adquirido no seminário, para uso das diversas comunidades, daqui para frente. O seminário ajudou a fortalecer e a dar aos líderes e coordenadores comunitários as ferramentas necessárias para continuarem seu trabalho com os Bnei Menashe. Esta é a primeira vez que fazemos algo assim. Os coordenadores ficaram emocionados e agradecidos, e estão ansiosos pelo nosso próximo seminário!
Um seder sefardita de Rosh Hashaná

Um seder sefardita de Rosh Hashaná

Por: RAHEL MUSLEAH

Quando se trata de Rosh Hashaná, algumas famílias de origem sefardita e mizrahi – como a minha, de Calcutá, na Índia – têm um segredo para partilhar com o resto do mundo judaico: um Seder Ano Novo diferente, com muito mais do que maçãs mergulhadas em mel. Na primeira noite da festa realizamos uma cerimónia especial em casa, durante a qual recitamos bênçãos sobre vários alimentos que simbolizam os nossos desejos para o próximo ano.

Todas as bênçãos neste ritual começam com as palavras yehi ratzon (que seja a vontade de De’s), e todas elas pedem presentes divinos de generosidade, força e paz. O ritual passou a ser conhecido como seder (ordem) porque as bênçãos são recitadas numa ordem específica. Ironicamente, essa ordem varia de acordo com o costume e a comunidade.

As origens do ritual remontam ao Talmud (Horayot 12a), onde Abaye discute presságios que têm significados e sugere que, no início de cada novo ano, as pessoas devem ter o hábito de comer os seguintes alimentos que crescem em profusão e assim simbolizam a prosperidade: abóbora, um vegetal parecido com feijão chamado rubia, alho-poró, beterraba e tâmaras.

É difícil saber como a cerimónia evoluiu dessa menção talmúdica para a sua forma atual. De acordo com Gilda Angel, autora do livro de receitas Sephardic Holiday Cooking, “Conta-se que quando o estudioso babilónico Hai Gaon (939-1039) saía da sinagoga em Rosh Hashana, os seus alunos lhe traziam uma cesta cheia de frutos diferentes sobre os quais ele recitava várias bênçãos e versículos bíblicos.” O rabino Baghdadi Hakham Yosef Hayyim (1832-1909) menciona a cerimónia na sua compilação da lei e prática judaica.

Tal como no seder de Pessach, no qual alimentos como ervas amargas e matsá simbolizam sofrimento e liberdade, no seder de Rosh Hashaná os alimentos que comemos também se tornam portadores de significado. Cada alimento simboliza um bom desejo para o próximo ano. Antes de cada alimento ser consumido há uma bênção especial para recitar, e muitas dessas bênçãos resultam de trocadilhos com o nome hebraico ou aramaico do alimento. A cada bênção, o aspeto mundano do alimento é adornado com um sentido de santidade, pungência e até humor.

Pode ler o artigo completo (em inglês) do website myjewishlearning clicando aqui

Um cargo novo para uma funcionária antiga

Um cargo novo para uma funcionária antiga

A Shavei Israel está orgulhosa e animada por ter nomeado uma nova diretora, Edith Blaustein! Mas embora Edith possa ser a nova diretora, não é nova na Shavei. Na verdade, Edith tem trabalhado arduamente em muitos aspetos da Shavei Israel durante os últimos 14 anos.
Edith Blaustein fez aliá para Israel da América do Sul em 2008. Nascida em Montevidéu, Uruguai, Edith, que tem um mestrado em educação, começou a sua carreira profissional como professora de História. Ela passou facilmente para a administração, com as suas habilidades naturais de liderança, impulsionadas por vários cursos em administração e organizações sem fins lucrativos. Depois de um período como diretora da Escola Yavneh em Montevidéu, Edith tornou-se diretora geral de toda a educação judaica em Santiago, Chile, supervisionando programas e currículos para 1.500 alunos. Por fim, por vários motivos pessoais, Edith decidiu fazer aliá.
Juntamente com o seu filho mais novo, que tinha apenas 11 anos na época, Edith mudou-se para Jerusalém, onde dois de seus quatro filhos já moravam. Em poucos meses, Edith conseguiu um emprego como vice-diretora da Shavei Israel, cargo que abrangia uma ampla gama de responsabilidades, desde ensinar na Machon Miriam, o nosso programa de conversão em língua espanhola, até trabalhar com o Rabinato, e nos recursos humanos da organização, que abrange todos os os elementos financeiros, como salários, pagar aos fornecedores, e tratar de aspetos legais como contratos com os trabalhadores.
Após 14 anos nesta posição, não é surpresa que Edith tenha sido nomeada Diretora da Shavei Israel, um papel que lhe é natural e ao qual é muito bem-vinda, sendo um complemento perfeito para o Fundador e Presidente Michael Freund.
A Shavei Israel cresceu tremendamente nos últimos 14 anos. Desde seu humilde começo no centro de Jerusalém até o escritório movimentado que agora fica no bairro de Givat Shaul, em Jerusalém, a organização fez grandes avanços, particularmente no processo de aliá para os Bnei Menashe. Edith esteve intimamente envolvida em todos os aspetos deste processo.
Claro, o trabalho com os Bnei Menashe foi apenas o começo. Bnei Anussim, programas de conversão, incluindo a abertura do programa em língua inglesa Machon Milton , e, uma das coisas mais importantes que a Shavei Israel fez nos últimos anos, abrir o Centro Ma’ani para preservar, promover e divulgar o património único e a cultura das várias comunidades com as quais a Shavei trabalha. Como Edith explica, “Ver o nosso trabalho a preservar as tradições e herança dos Bnei Menashe, dos judeus Kaifeng, Subbotniks, Bnei Anussim e mais, foi uma extensão incrivelmente importante do nosso trabalho, porque é crucial e muito significativo preservar as tradições que cada comunidade traz dos seus países de origem. A sua comida, música, cultura e todas as coisas especiais que acompanham isso.”
Depois de tantos anos dedicados, Edith tem muitas histórias para partilhar. Uma tem a ver com o seu trabalho próximo com o Ministério da Absorção. Como ela conta: “Trabalho em estreita colaboração com Avi Mizrahi, o nosso Diretor de Projeto para Bnei Menashe e Absorção. Temos que gerar muitas informações e relatórios para o Ministério da Absorção todos os meses, porque somos uma grande operação. A minha filha, que é contabilista, estava encarregada de todas as tesourarias da Agência Judaica, inclusive em Israel.
“Um dia ela disse-me: ‘Ima, conheci uma pessoa importante e estávamos a conversar sobre alguns dos problemas dos relatórios para o Ministério da Absorção. Ele disse que queria que eu conhecesse uma pessoa numa fundação com relatórios muito bons, mas que talvez eu já a conhecesse. Quem era? Edith Blaustein!” Enquanto isso, nem Edith nem Avi são contabilistas (a formação de Avi é de assistente social) e ainda assim eles tiveram os melhores relatórios!
Edith está muito animada com o ampliar das suas responsabilidades na organização. “Tenho muito cuidado para fazer tudo com precisão”, explica ela. “É uma Shavei Israel muito diferente de quando comecei, embora o novo papel seja em grande parte uma continuação do que já vinha fazendo. Ser mulher na função de ‘diretora’ não é tão fácil, tanto na perspetiva de se relacionar com outros em cargos semelhantes, como também no campo com as pessoas com quem trabalhamos. Por exemplo, os Bnei Menashe sempre foram um grupo muito patriarcal com valores patriarcais, então para eles nem sempre é fácil ver uma mulher nesse papel. Mas para as mulheres, é muito importante que elas me vejam nesse papel. Eles adoram e sempre querem tirar fotos comigo – é inspirador.”
Pessoalmente, as coisas mudaram e evoluíram para Edith também. Um mês depois de chegar a Israel, ela conheceu o Dr. Yehuda Scwartz, e estão casados ​​há doze anos. Além dos quatro filhos, ela agora tem sete netos.
Pensando nas suas esperanças e aspirações para a organização, Edith fica séria. “A Shavei Israel é uma organização sem fins lucrativos cujos recursos são provenientes principalmente de doações. Somos judeus e somos pessoas de fé; o tempo todo vemos milagres e vivemos por milagres. Não damos por certo que ‘tudo ficará bem’ porque temos muitos desafios. Oramos, por exemplo, para que possamos continuar a trazer os restantes 5.000 Bnei Menashe, para os reunir com as suas famílias e continuar a desenvolver a sua absorção na vida em Israel.
“E continuaremos com todas as outras comunidades incríveis com as quais trabalhamos, não apenas ajudando-as, mas preservando as suas preciosas tradições e património. Todo esse trabalho importante que fazemos são coisas das quais estamos muito orgulhosos.”
Ouça Edith Blaustein relatar uma das muitas experiências emocionantes que teve trabalhando na Shavei Israel:
https://youtu.be/mfsAIG_IrK0