Fundalmentamente Freund: Rock & Roll Sionismo

Por Michael Freund, Presidente e Fundador da Shavei Israel

 

De todos os lugares do mundo para se viver uma experiência sionista, o Rock & Roll Hall of Fame em Cleveland (EUA) parece ser o local mais improvável.

Andando pelos salões adornados com históricas lembranças como a jaqueta de ouro de Elvis Presley, o terno Ziggy Stardust de David Bowie e a motocicleta de John Cougar Mellencamp, é incrivelmente fácil ser puxado para um vórtice de nostalgia americana inspirado em alguns dos mais emocionantes sucessos musicais da última metade do século.

Continue lendo “Fundalmentamente Freund: Rock & Roll Sionismo”

Nada pode parar a Reuven: Soldado retorna à ativa após ser ferido por franco-atirador

Retirado do site Mako, um perfil de Reuven Tonung, soldado Bnei Menashe.

 
Já escrevemos sobre os Bnei Menashe, cuja identidade judaica foi reconhecida apenas nos últimos anos. Os Bnei Menashe têm vivido na Índia e [com a ajuda de organizações como a Shavei Israel] começaram a imigrar em grande número, nos últimos anos. Muitos deles servem em posições-chave no exército.

Um deles é o sargento-maior Reuven Tonung, suboficial da unidade de Kometz, encarregado de manter a cerca de fronteira.

reuven-tonung-1Tonung tem servido nas FDI (Forças de Defesa de Israel) por cerca de dez anos, e mesmo um ferimento sério causado por um sniper (franco atirador) não o dissuadiu de sua dedicação.

Tonung, um dos primeiros imigrantes da tribo de Menashe, chegou à Israel em 1998. Hoje vive em Kiryat Arba. Depois do ensino médio, ele estudou engenharia prática. Foi recrutado para uma posição de mecânico de automóveis e, em seguida, mudou de curso para estudos de sistemas de alerta.

Em 2008, vários meses depois de se juntar à unidade de Kometz, Tonung foi ferido na linha de serviço. Enquanto servia ao lado do Batalhão de Reconhecimento, Givati, ele foi atingido por um atirador enquanto tentava fechar a cerca de segurança em Gaza. No final de um longo processo de reabilitação de oito meses, durante o qual sua mão estava paralisada, ele decidiu voltar para sua unidade e continuar com o mesmo trabalho.

“As pessoas me diziam que eu era louco. Me ofereceram trocar de unidade, mas eu recusei. Disse que terminaria meu serviço corretamente, e no final decidi continuar e seguir carreira”, diz ele.

Desde que retornou à unidade, Tonung participou em todas as operações em Gaza – incluindo Chumbo Fundido, Pilar de Defesa e Margem Protetora. Em 2009, ele também foi premiado com uma recomendação do Presidente no Dia da Independência. Ocasionalmente, quando retorna ao mesmo lugar na cerca, ele lembra dos momentos dramáticos – mas continua trabalhando.

“Sempre quando me aproximo da cerca, tenho medo”, explica. “Mas quando começo a trabalhar fico mais relaxado. Entre dez a quinze minutos de trabalho, já estou bem. Você se acostuma com isso. Mesmo se ouvimos tiros, nos esfriamos e tentamos entender o que está acontecendo. O outro lado está sempre esperando por nós, eles sabem que estamos no caminho, e que  vamos chegar lá.”

Israel celebra seu Primeiro Dia da Aliá!

O momento não foi intencional, mas há uma certa presciência ao fato de que no próprio dia das controversas eleições norte-americanas da semana passada, Israel comemorou seu primeiro “Dia da Aliá”, enfatizando a unidade e um senso compartilhado de propósito.

O mais novo feriado no calendário nacional de Israel, instituído pelo Knesset (parlamento israelense) em junho deste ano, tem como significado reconhecer a importância da Aliá para Israel, junto com as contribuições cruciais que os novos imigrantes fizeram no desenvolvimento do Estado Judaico.

Em todo o país, na última terça-feira, 8 de novembro, as escolas realizaram aulas sobre a imigração para Israel, o Knesset organizou reuniões especiais e cerimônias aconteceram na sede do Chefe das Forças de Defesa de Israel e nos escritórios da Polícia de Israel.

O dia terminou com uma reunião no Centro Internacional de Convenções de Jerusalém com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman e a ministra da Imigração e Absorção Sofa Landver, assim como o presidente da Agência Judaica, Natan Sharansky. Os três últimos, sendo, também, imigrantes.

“Assim como eu, centenas de milhares de olim [imigrantes] chegam a Israel todos os anos por causa da mesma sensação de conexão com a pátria”, disse Landver ao Jerusalem Post. “Estou orgulhosa e animada que pela primeira vez, um dia para marcar a Aliá está sendo celebrado em Israel.”

A Shavei Israel em particular aprecia a instituição do Dia da Aliá.

Desde a fundação da organização, temos nos dedicado a promover uma verdadeira reunião internacional dos exilados. Nosso trabalho com comunidades judaicas na Índia, China, Europa e Américas ajudou milhares de judeus a se reconectar com sua herança e sua pátria.

E ainda não terminamos.

Vamos fazer o Dia da Aliá ser real para ainda mais judeus ao redor do mundo. Neste exato momento, 700 Bnei Menashe estão esperando para fazer a aliá. (Visite esta página para fazer sua doação e ajudá-los)

O primeiro-ministro Netanyahu resumiu o significado do dia. Aliá é “o propósito básico do Estado judeu e a realização das profecias bíblicas”, disse. “O povo judeu está retornando à Terra de Israel e construindo nela o Estado de Israel. Este é um grande feriado para todos os cidadãos israelenses, novos e velhos.”

Artigo escrito por uma descendente dos anussim de Portugal

“Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe.
Aonde fores irei, onde ficares ficarei!
O teu povo será o meu povo e o teu D-us será o meu D-us.”
(Rute 1:16)

image004

Esta histórica e famosa frase de Rute, personagem principal do livro bíblico que leva seu nome, normalmente é citada nas cerimônias de conversão ao judaísmo e aludida como um exemplo de fé e desprendimento de uma jovem gentia cuja bondade para com sua sogra seguiu-se exemplar.

Poucas vezes, contudo, Rute é citada como uma das grandes sionistas da antiguidade. Mas esta é, sem dúvida, uma faceta primordial de sua identidade, cujo DNA esteve presente no maior estadista judeu de todos os tempos, o inesquecível Rei David.

Das palavras de Rute a sua sogra Naomi (ou Noemi), é sempre inspirador o teor de fervor religioso da afirmação “o teu D’us será o meu De’s”, principalmente vindo de uma vida oriunda de uma cultura pagã e politeísta. Surpreendente, porém, é afirmação que a antecede: “O teu povo será o meu povo”. O que Rute realmente quis dizer aí?

Parece que esta grande mulher tinha muito mais conhecimentos judaicos do que se imagina. Uma das peculiaridades da fé judaica é exatamente que ela não inclui só uma religião no sentido habitual, onde se manifesta a crença em D’us e a decisão de obedecer as suas regras. Ser judeu é também fazer parte de um povo cuja identidade possui um diferencial dentre todas as nações da terra.

Há quem diga que a grande causa do antissemitismo através da história foi a afirmação judaica de povo escolhido, dando a conotação de preferido ou especial com relação aos outros povos. Uma observação atenta das Sagradas Escrituras, no entanto, nos dá a convicção de que esta escolha não foi discriminatória e sim imbuída de uma carga de responsabilidades muito maior do que qualquer outra nação da terra jamais possuiu. Ser um reino sacerdotal, um povo sagrado, com a missão de levar a palavra Divina para toda a humanidade, através de um comportamento exemplar, esta tarefa certamente nenhum antissemita, em qualquer momento, iria querer tomar para si. E mesmo Israel não conseguiu cumpri-la e sofreu duramente por isso, nas muitas diásporas e perseguições que sofreu. Mas isso é ser povo judeu ou, em última análise, povo de D’us. E Rute fez esta opção.

Este caráter sionista na personalidade de Rute trouxe para ela e para a sua herança familiar um resultado extraordinário. Ao unir-se à tribo de Yehudá quando se casou com o ancião Boaz, Rute consolidou a sua inserção no povo de Israel, gerando uma descendência política e profética de grande proeminência no passado e no futuro. Aos seus progênitos caberia a unificação dos israelitas sob um governo terreno de inspirações Divinas. Este é o reino dravídico, que não só se consolidou há mais de três mil anos, mas será estabelecido derradeiramente nos dias do Mashiach, que ainda está por se manifestar.

Como uma boa sionista, Rute olhou para Sião com olhos espirituais e fez a sua aliá sem hesitar, apesar das condições financeiras desfavoráveis, não só dela e de sua sogra, mas também para os pobres em Israel. “Não importa”, ela deixou subentendido para Naomi, “eu quero fazer parte deste povo e quero estar no lugar que lhe pertence, quaisquer que sejam as circunstâncias ou dificuldades. Posso trabalhar e o ‘Nosso’ D’us há de nos abençoar…” E não deu outra: Rute laborou no lugar certo e achou graça aos olhos de um certo Boaz, homem justo, íntegro e de muitas posses, com quem ela se uniu e prosperou, enfim.

Ser sionista requer ação. Um bom discurso sionista que não implique em uma atitude prática pró-Israel cai num vazio que acaba por negar-se a si mesmo. Israel, a terra, está intimamente ligada a Israel, o povo, e vice-versa. Um não existe sem o outro e um existe para o outro porque esta foi a escolha Divina. Por isso é que em nossos dias, quando os judeus começaram a voltar em massa para Israel, vemos os milagres se sucedendo, desde o deserto florescer até o destaque israelense nas mais altas tecnologias mundiais. Um exílio foi profetizado, mas também o foi um retorno e uma restauração e é isto o que está acontecendo hoje: o povo escolhido na terra que lhe foi dada gera bênçãos intelectualmente inexplicáveis.

E um bom sionista moderno há de reconhecer isto, valorizar e defender Eretz israel e para ela apontar e a ela retornar. E como Rute não temeu, assim o sionista moderno não precisa temer. E certamente colherá os frutos de sua decisão.

 

Pela jornalista Cláudia Boffa, descendente dos anussim de Portugal, natural do Brasil.

49 Anos Reconstruindo Jerusalém!

“E percorreram por toda a terra, e retornaram, ao final de nove meses e vinte dias, a Jerusalém” (Samuel 2 24:8)

A principio o verso do profeta Shmuel (Samuel) discorre sobre os emissários encarregados de realizar um censo do Povo de Israel na época do reinado de David, e que, depois de nove meses e 20 dias, percorrendo toda a terra e contando cada um e um do povo de Israel, enfim, retornaram a capital, a Jerusalém.

Contudo, existe outra maneira de interpretar este verso, como uma profecia de Shmuel sobre os dias que anteciparão a Redenção.

Em 1967, no dia 28 de Iyar, o pequeno exército de Israel vencendo uma guerra histórica contra 6 países árabes, alcança o lugar mais santo do judaísmo e liberta Yerushalaim!

Embora celebramos Yom Yerushalaim (o Dia de Jerusalém) na própria data hebraica da libertação, o dia seguinte – o 29 de Iyar -, seria também propício a comemoração, pois foi finalmente o primeiro dia em que Yerushalaim pertencia, novamente, aos judeus. Assim como em Purim celebramos o dia depois da vitória (“os dias em que repousaram de guerrar com seus inimigos” (Esther 9:22)).

Caso antecipemos 9 meses e 20 dias (como na profecia de Shmuel) de Yom Yerushalaim, alcançaremoso dia9 de Av, o dia em que nos enlutamos pela destruição dos dois templos de Jerusalém e como resultado, a expulsão dos judeus da cidade.

Sabemos, da profecia de Yeshayahu (Isaías 66:10), que:

“Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela se enlutaram”.

Se alegrarão por Jerusalém todos aqueles que por ela se enlutaram! Aqueles sentiram a falta de Jerusalém enquanto estiveram no exílio, se alegrarão ao vê-la novamente nas épocas de redenção!

E assim, entendemos a profecia que trouxemos acima, de Shmuel, da seguinte maneira:

“E (após) percorrerem por toda a terra (pelos quatro cantos do mundo), retornaram, ao final de nove meses e vinte(após terem sentido o luto de Jerusalém em 9 beAv), no Dia de Jerusalém! (o dia que seria conhecido como o Dia de Jerusalém!)”

A relação entre o luto por Jerusalém e a alegria por sua reconstrução, está profundamente conectada! O Talmud explica a profecia acima de Yeshayahu com o famoso dito “Todo aquele que se enluta por Jerusalém, terá o mérito de ver a alegria de Jerusalém!”.

O grande Rabino Kook explica porque o Talmud escreve que aqueles que se enlutam por Jerusalém terão mértio de ver sua alegria e não sua reconstrução – como faria mais sentido no contexto. O Rabino Kook responde que somente aquele que de verdade sentiu a falta de Jerusalém, entendeu sua importância para o Povo Judeu e se aprofundou na necessidade do povo de estar essencialmente conectado com este lugar santo, poderá sentir alegria, comemorando, assim, a construção de Yerushalaim. Pois ver, muitos verão a cidade ser reconstruída (como hoje em dia, o mundo todo vê) mas, infelizmente, não todos se alegrarão e agradecerão a D’s por este grande milagre!

E assim é.

Há 49 anos, de uma maneira totalmente impressionante, Israel venceu uma guerra contra 6 países árabes que preparavam aquilo que seria o segundo grande genocídio do povo judeu em menos de 30 anos.

De maneira milagrosa, o exército de Israel não somente venceu a guerra, como o fez em somente 6 dias, impondo de maneira decisiva a soberania sobre o território e mostrando a todos seus vizinhos – e todo o mundo – que os Filhos de Israel haviam voltado para nunca mais sair.

Evocando uma guerra bíblica, Israel ainda conseguiu garantir um cordão de segurança tanto no norte quanto ao Sul (Golan e Sinai) além de recuperar as cidades santas e históricas de Hevron e a cidade velha de Jerusalém! Finalmente, voltavamos a casa!

Em 1948, os judeus voltavam a Israel, quando ninguém podia entender como um povo praticamente aniquilado podia ter forças de se reerguer e revitalizar um sonho bíblico. O mundo estava em choque, mas entendia que era temporário, como sempre havia sido com os judeus no exílio.

Mas, em 1967, quando voltamos a Cidade Velha de Jerusalém de uma maneira tão milagrosa, o mundo ficou abismado. As profecias dos judeus estavam de verdade se realizando! Os cristãos e os muçulmanos tiveram que sofrer reformas internas dentro de suas ideologias, porque algo estava muito errado no que estava acontecendo.

1967 foi um marco histórico para a humanidade e todos ainda estão tentando entender por que. Mas nós sabemos que arrancar a soberania de Jerusalém dos judeus não representa ao mundo uma “justiça internacional com base na resolução 478 da ONU”. Trata-se de uma tentativa de se auto convencer que, o que está acontencendo com o Povo de Israel não é verdadeiro, que não estão voltando, que suas profecias não estão acontecendo.

E é por isso que nossos sábios definem o exílio do Povo de Israel como um “Chilul Hashem” – uma profanação do Nome Divino. Pois todo o momento em que os judeus estão fracos e dispersos entre as nações, isso dá espaço para outros pensamentos e religões que profanam o Nome de D’s. Mas quando os judeus voltam para sua casa e começam a reconstrui-la, isso é “Kidush Hashem” – Santificação do Nome Divino -. Pois, o mundo começa a perceber que existe somente duas opções, celebrar com o Povo de Israel o começo da redenção, ou guerrear até o ultimo momento tentando provar (a si mesmos) que se trata de mais uma coincidência do destino.

Que saibamos nos alegrar e agradecer a D’s por haver nascido nessa geração, na geração da vitória e não da derrota, da vida e não da morte, da Redenção e nao do Exílio!!

CONFIRA O VÍDEO DA RECONQUISTA DE JERUSALÉM:

O pai do sionismo sefaradita

O sionismo moderno é uma criação Ashkenazi, ou pelo menos o que a maioria das pessoas pensam. Afinal de contas, a Organização Sionista Mundial foi fundada na Europa em 1897 e dominada por judeus Ashkenazim, que também formaram as massas dos pioneiros que construíram a terra e, em seguida, declararam a criação do Estado.

Continue lendo “O pai do sionismo sefaradita”

O Assassinato de uma Sonhadora

Karen-Yemima-Mosquera-terror-victim-10.2014-300x300Um terrorista árabe assassinou a Karen Yemima Mosquera, uma convertida proveniente do Equador, mas não conseguiu destruir todos os seus sonhos.

Por Sara Yoheved Rigler

Karen Mosquera, que nasceu em uma família cristã, no Equador, tinha 17 anos quando sua pesquisa genealógica revelou que o lado de sua mãe era descendente de “conversos”, judeus espanhóis que haviam se convertido ao cristianismo no século XV, durante a Inquisição.

“Ela nunca aceitou os ensinamentos da igreja”, diz Yael Barros, uma brasileira, a melhor amiga de Karen no programa de estudos judaicos da Cidade Velha de Jerusalém. Yael está sentada em seu quarto, ao lado da cama que costumava ser de Karen, até ser assassinada em um ataque terrorista em uma das estações de trem em Jerusalém. Um terrorista árabe acelerou com seu carro em alta velocidade em direção a uma multidão de pedestres, matando um bebê de três meses de idade e ferindo gravemente Karen de 22 anos de idade.

downloadEla lutou contra o anjo da morte por quatro dias.

“Qualquer outra pessoa teria morrido com o impacto”, atesta Sabrina, uma prima de Karen que a viu com seus terríveis ferimentos na UTI do hospital. “Mas Karen Yemima esteve extremamente determinada. Ela lutou contra o anjo da morte por quatro dias”. No domingo 26 de outubro, Karen sucumbiu aos ferimentos, e naquela mesma noite foi enterrada no Monte das Oliveiras.

“Karen Yemima não sentia que os ensinamentos da Igreja eram verdadeiros”, diz a amiga Yael. “Ela me disse que quando começou a estudar a Torá e as Mitsvot, tudo começou a fazer sentido para ela. E estava muito feliz por poder estudar a Torá, como nunca esteve antes em sua vida.”

Converter-se ao judaísmo no Equador é um processo extremamente árduo. Não há tribunais de conversão e há muito poucos de estudos judaicos, especialmente em sua cidade natal, Guayaquil. Mas Karen sempre sonhou em ir para Israel.

Como era uma jovem muito inteligente, aos 18 anos, recebeu uma bolsa de estudos integral para a Universidade de Guayaquil, e, embora passasse o dia estudando psicologia, ela permanecia acordada durante a maior parte da noite estudando o Judaísmo, pela Internet. Através de uma amiga judia, Karen conheceu, on-line, o Rabino israelense, Gabriel Geiber, que também falava espanhol. Profundamente impressionado com o interesse intenso que Karen possuía, o Rabino Geiber começou a lhe ensinar através do computador. Karen começou a cumprir as Mitsvot, rezar as orações judaicas, fazer as bênçãos sobre os alimentos e vestir-se modestamente.

Sua mãe e sua irmã mais nova seguiram o exemplo. Como muitos descendentes de cristãos-novos, a mãe de Karen, Cecilia Rosa, observava alguns costumes que só mais tarde descobriu que eram judaicos. Por exemplo, Cecilia Rosa cobriu os espelhos da casa, quando um familiar faleceu, e de acordo com um antigo costume sefardita, quando cortava as unhas ou o cabelo, os queimava ao invés de descartá-los no lixo.

Às vezes, Cecilia Rosa acordava no meio da noite e Karen estava estudando Torá. Em uma ocasião ela a ouviu rogando a D’us: “Leve-me para Israel! Este é o meu país! É aí que eu vou me casar e ter filhos, e é aí que eu vou morrer e ser enterrada”.

Há cerca de um ano e meio, Cecilia Rosa sonhou duas vezes que sua filha Karen viajava para Israel. Em seus sonhos, ela viu um avião com a palavra “Israel” estampado na lateral e Karen puxando uma mala de rodinhas em direção ao avião. Com grande emoção, contou a Karen sobre seu sonho e acrescentou: “Eu quero lhe comprar roupas recatadas o suficiente para você usar em Israel.”

Esse foi o estímulo que Karen precisava. Apesar de estar inscrita em seu terceiro ano da faculdade, Karen disse: “Mãe, eu estou indo agora cancelar minha inscrição na faculdade e viajar para Israel.” Logo depois conseguiu chegar em Jerusalém, aonde o Rav Geiber conseguiu um alojamento e a oportunidade de ela estudar na instituição Machon Roni, localizada na Cidade Velha de Jerusalém. Como sua melhor amiga Yael lembra com admiração: “Ela era tão corajosa. Deixou tudo, sua família, seus estudos e chegou, sozinha, até aqui”.

Yemima-MosqueraAs portas do céu estão abertas

Durante um ano, Karen estudou o Judaísmo enquanto trabalhava limpando casas. Dessa forma pode economizar dinheiro para trazer sua família para Israel, que era outro de seus sonhos. E, de fato, sua família realmente viajou para Israel, mas em uma viagem que não seria paga pela poupança de Karen, mas pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel, que ajuda as famílias das vítimas do terrorismo a estarem presentes no funeral de seus entes queridos.

Cinco meses atrás, Karen se converteu, oficialmente, ao judaísmo, adotando o nome hebraico de, Yemima. Como Yael explica: “Quando uma pessoa entra no Mikve, as portas do céu se abrem. Karen Yemima naquele dia voltou tão animada ao quarto, ‘Agora eu posso pedir o que quiser! As portas do céu estão abertas!’. Era uma jovem tão alegre.”

Naquele dia, Karen Yemima publicou, orgulhosa, em sua página do Facebook: “Obrigado Hashem pelo dia em que vim para Israel! Pude ver um dos meus sonhos se tornar realidade. E eu espero estar aqui por muito tempo. Espero que minha família possa compartilhar comigo essa nova vida. Obrigado Hashem por nunca me deixar sozinha e seguir me dando forças a cada dia”.

“Karen Yemima era um exemplo para as outras meninas”, atesta Yael. Lembra de um dia em que o de estudantes caminhava junto pelo centro de Jerusalém. Tinhamos comprado sucos para tomar e enquanto corriamos para pegar o ônibus, as outras meninas murmuraram a bênção sobre o suco, antes de beber. Karen Yemima foi a única que parou no meio da calçada, fechou os olhos e deu graças a D’us com dedicação integral.”

Quando Karen Yemima e Yael tinham uma tarde livre, geralmente davam um passeio pela Cidade Velha de Jerusalém em direção ao Monte Sião. Lá elas se sentavam e observavam a paisagem: o antigo cemitério judeu no Monte das Oliveiras, onde estão enterrados inúmeros sábios judeus. Um dia, Karen Yemima exclamou: “Yael, quero morar aqui, casar aqui, ter meus filhos aqui. E eu quero morrer aqui. E eu sei que é impossível, mas podemos sonhar, certo? Meu sonho é ser enterrada no Monte das Oliveiras, porque quando o Messias vier, eu vou ser a primeiro a levantar-se para ir ao Templo Sagrado. Você pode imaginar o que seria isso?”.

Na quarta-feira 22 de outubro, Karen Yemima terminou seu serviço em uma casa e dirigia-se a uma aula de Torá. Ela desceu do trem na estação de trem de Givat HaTachmoshet e, inesperadamente, Abdel-Rahman Shaloudi, 21, que recentemente havia deixado uma prisão israelense onde havia cumprido pena por acusações de terrorismo, lançou seu carro contra uma multidão de passageiros do trem. Atropelou Karen Yemima, deixando-a gravemente ferida, matou um bebê de três meses e feriu muitas pessoas.

O terrorista destruiu o sonho de Karen Yemima de se casar e ter filhos, mas lamentavelmente seu sonho de morrer em Israel e ser enterrada no Monte das Oliveiras se tornou realidade nesta semana.

Retirado e traduzido do site Aishlatino.com