Chanukiá ou Menorá?

Pergunta: Qual a diferença entre a Menorá e a Chanukiá?

Resposta: A cada ano, a partir do dia 25 de Kislev (por volta de dezembro, no gregoriano), os judeus de todo o mundo celebram Chanuká, a festa das Luzes. A principal tradição religiosa de Chanuká é acender a Chanukiá. Algumas pessoas confundem a Chanukiá com uma Menorá, no entanto, existe uma diferença substancial entre ambas.

A Chanukiá é uma espécie de candelabro, com nove braços. Oito velas estão na mesma linha e a nona vela está fora de lugar, ou a uma altura diferente ou mesmo em uma posição diferente. Podem ser de todas as formas e tamanhos!

A Chanukiá representa o milagre dos oitos dias que as velas permaneceram acesas no Segundo Templo com somente uma pequena quantidade de óleo, encontrada depois da guerra com os gregos. A única vela que está fora de lugar é conhecida como a “vela dos serviços” ou em hebraico, “Shamash”. Este é usado para acender todas as outras velas na Chanukiá e deve ser a primeira vela a ser acesa.
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A Glória do Ícone

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Vayeshev

 

A Geração de Yaacov

O túmulo de Yossef, na cidade de Shechem
O túmulo de Yossef, na cidade de Shechem

“Estas são as gerações de Jacó, José tinha dezessete anos …”

Como sabemos, na Torá não existem pontos ou vírgulas, e, portanto, às vezes é possível mudar a leitura da frase, alterando a localização do ponto ou da vírgula, de acordo com alguns critérios herdados pela tradição jucaica oral. No caso do versículo acima, nossos Sábios movem a vírgula para depois do nome de Yossef (José), que faz com que interpretemos que Yossef, foi o principal ‘descendente’ de Yaacov. Apesar de haver tido onze filhos e uma filha, aquele que tinha herdado a personalidade de seu pai era, precisamente, Yossef.

Podemos entender isso pela simples razão de que Rachel, a mãe de Yossef, era aquela que estava destinada a ser a única mulher Yaacov, uma vez que se casou com Leah por engano, e as outras duas, Zilpa e Bila lhe foram atribuídas, por causa do desespero das esposas, que queriam possuir a maior representação na descendência de Yaacov.

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Como são vistos os animais pelo judaísmo?

imagesPergunta: Qual a opinião judaica sobre a proteção aos animais??

Resposta: O judaísmo dá grande importância ao tratamento adequado aos animais. A crueldade desnecessária para com os animais é estritamente proibida, e em muitos casos, é concedida a mesma sensibilidade aos animais, do que os próprios seres humanos (como o descanso no Shabat). O judaísmo sempre se preocupou com o bem-estar destes, mesmo quando grande parte do mundo não o fazia. O princípio básico por trás deste tratamento judaico, se chama “Tza’ar Ba’alei Chaim”, ou, sofrimento de seres vivos.
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Canaã, Judá, Palestina ou Israel?

2345985_571Pergunta: Qual a relação da Terra de Israel com o Povo Judeu?

Resposta: A história do povo judeu começa com Abraão e a história de Abraão começa, há 3752 anos, quando D’us lhe ordena deixar sua terra natal, e caminhar até a sua nova terra, (conhecida na época como Canaã). Esta é a terra hoje conhecida como Israel, chamada assim em nome do neto de Abraão, cujos descendentes viriam a ser o povo judeu.

Esta terra é muitas vezes referida na Bíblia, e em outros documentos da época, como a terra prometida, pela repetida promessa de D’us, que a daria para os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó (Israel).

Jacó para salvar sua família da fome que assolava a região, migrou para o Egito 215 anos após Abraão se assentar na Terra de Canaã. Deixando a região praticamente sem habitantes.

Os filhos de Israel viveram no Egito por cerca de 400 anos, aonde a maioria do tempo foram escravizados, impedidos de voltar para a terra de seus antepassados quando o período de fome passou. D’us então ordena Moisés e seu irmão Aarão, resgatarem seus irmãos, e os levarem de volta para a Terra Prometida. Após uma saída milagrosa, triunfal e histórica do Egito, o povo peregrina por 40 no deserto até, finalmente alcançar a Terra de Israel.

Os judeus tiveram que reconquistar a terra, pois grande parte daqueles que haviam chegado para ali habitar, não aceitaram sair, mesmo reconhecendo a promessa de D’us aos descendentes de Abraão. E então, em 1312 a.e.c, o Povo de Israel reconquistou a região e aí habitou por 726 anos, com anos de glórias, profetas, juízes, reis e até mesmo a construção do Grande Templo Sagrado de Salomão, em Jerusalém, capital do Povo de Israel.

Em 930 a.e.c, o reinado de Israel se dividiu em dois: Judá e Israel. Por causa da desunião do povo e do baixo nível espirtual que atingiram foram castigados com o exílio. As 10 tribos que faziam parte do Reinado de Israel foram exiladas pelo Rei Assírio, Sanheribe e a profecia diz que só voltarão a Israel nos tempos messiânicos. Já, o Reinado de Judá, composto basicamente pelas tribos de Judá e Benjamin, além dos Levitas e Cohanim que serviam no templo, seguiram vivendo na Terra de Israel, e assim, os descendentes de Israel, passaram a serem chamados de “Judeus”, ou seja, da tribo de Judá, a grande tribo remanescente!

Contudo, em 586 a.e.c, Nabucodonosor da Babilônia conquistou o território de Judá e levou grande parte dos judeus ao exílio na Babilônia, que durou cerca de 70 anos. Dário, descendente de Nabucodonor permitiu que voltassem a Israel e reconstruissem o Templo Sagrado destruído por seu bisavô. E assim, sob a liderança de Ezra e Nehemia, os judeus recontruiram o Segundo Templo Sagrado de Jerusalém.

Gloriosos tempos tiveram lugar no período do Segundo Templo, assim como os Macabeus, e as históricas revoltas contra os gregos.

Infelizmente os judeus novamente pecaram contra D’us e um novo exílio foi decretado, desta vez por muito mais tempo. No ano 70 da era comum, o Segundo Templo foi destruído, mas os judeus seguiram habitando a Terra de Israel até o ano 135.

Para provocar os judeus, os romanos começaram a chamar a região de Falestina (ou, Palestina), em nome dos tradicionais inimigos do Rei David e do povo, os Filisteus.

E então, a Terra de Israel, conhecida como Palestina, foi habitada por diversos povos e impérios. Nenhum que durasse mais de 400 anos e que desse a devida importância para a tão sagrada terra.

Embora os romanos tenham exilados a maioria do povo judeu, sempre existiu uma comunidade judaica habitando a região. Seja com os Bizantinos, os Árabes, nas Cruzadas, com os Otomanos e mesmo com os Britânicos.

E enquanto isso, para os judeus no exílio a Terra de Israel se tornou um sonho, de poder algum dia poder voltar e habitá-la. Pois, a terra de Israel é parte central no judaísmo. Uma parte substancial da lei judaica está ligada à terra de Israel, e só pode ser realizada lá. O Talmud indica que a terra em si é tão santa que simplesmente caminhando sobre ela, pode garantir a pessoa, um lugar no mundo vindouro. A viagem para Israel é chamada no judaísmo de “Alyah”, subida, uma vez que a pessoa ao chegar a Israel, subiu a uma terra mais santa.

Além de rezar sempre na direção de Jerusalém, as orações pedindo pelo retorno a Israel e a Jerusalém, são parte essencial nas rezas diárias, assim como em muitas observâncias de festas e eventos especiais.

Muitas tentativas de voltar a Israel durante o exílio foram executadas por diversos grupos de judeus, principalmente líderes espirtuais. Algumas das mais famosas são: a “Alyah dos 300 rabinos” (Baale Hatosefot), no século 13; A Alyah dos judeus que fugiram da Inquisição da Espanha e Portugal, no século 16; a Alyah dos Chasidim, no século 18 e a Alyah dos alunos do Gaon de Vilna no século 19.

Mas somente no final do século 19, com o aumento do antisemitismo na Europa que os judeus começaram a desejar urgentemente a soberania em seu país de origem e não mais passar pelas terríveis experências que vinham experimentando, como a Inquisição, pogroms e outras perseguições. Surgiu então o Sionismo moderno que começou a batalhar pela volta dos judeus a Sião, como é conhecida a cidade de Jerusalém.

Cerca de 500 mil judeus migraram para Israel com o Sionismo Moderno, até a subida do nazismo no poder. Após o terrível Holocausto, outros milhares se juntaram aos judeus na Terra de seus antepassados para decratar a independência do Estado de Israel e declarar que os judeus haviam voltado para sua terra, eram soberanos nela e de lá, não mais sairiam!

Hoje, com somente 66 anos, o Estado de Israel é um país de primeiro mundo, uma potência militar e a da onde sai, todo ano, as mais importantes contribuições para a humanidade. A terra que era um deserto no período que o povo não se encontrava soberano nela, é um dos parâmetros no mundo em agricultura, tecnologia e inovações científicas. Seu sistema de irrigação tem salvado vidas em diversos países da África e no Nordeste Brasileiro.

A maioria dos judeus no mundo hoje vivem em Israel, e mesmo as 10 tribos que os Assírios exilaram (e a profecia dizia que voltaria somente na época messiânica) estão voltando a habitar a Terra de Israel, e ajudando a formar este cada vez mais lindo lar do povo judeu!

Naomi Orkisa – de uma fazenda de cogumelos à um consultório odontológico

Durante o dia, ela trabalha em uma fazenda de cogumelos em uma colina nos arredores de Jerusalém. À noite, ela sonha com uma nova carreira: uma profissão em que não precise se inclinar tanto, como o faz nos campos.

Naomi Orkisa é uma das jovens e ambiciosas mulheres das quais a Shavei Israel está ajudando com os estudos no programa para auxiliares de consultório dentário e higienistas da escola odontológica do Hospital Hadassah. Naomi pertence a comunidade Bnei Moshe, uma pequena comunidade no Peru, fundada por dois irmãos católicos da cidade de Cajamarca, que, após terem lido e estudado a Torá, decidiram, em 1958, abraçar o judaísmo. A maioria da comunidade Bnei Moshe, desde então, se converteu ao judaísmo sob os auspícios do Rabinato Chefe de Israel e muitos, se mudaram para Israel.

Naomi cresceu em um lar muito pobre no Peru. A família fez o seu melhor para enfrentar às despesas através da venda de água – posuíam um poço no jardim e, já que não havia encanamento na área em que viviam, a água era uma mercadoria valiosa.

Desde que imigrou para Israel com sua família em 2004, Naomi, agora com 30 anos, tem sido responsável por cuidar de seus pais idosos, enquanto que, ao mesmo tempo, cuida de seu próprio filho. Agora que seu filho tem idade suficiente para ir para a escola, Naomi finalmente tem a oportunidade de melhorar a sua situação: tornar-se uma assistente dentária é um bilhete para fora da pobreza que a tem acompanhado por toda sua vida.

Mas dedicar tempo para assistir às aulas e estudar deixa muito menos tempo para se dedicar ao seu trabalho na fazenda de cogumelos. Isso significa uma queda significativa em seu salário (que chega a até 70%). E portanto nós da Shavei nos oferecemos para ajudá-la.

Temos corrido atrás de doadores que têm nos ajudado a realizar o sonho de Naomi e outras mulheres que também têm buscado uma vida mulher dentro de seu povo e habitando a Terra de Israel.

Esperamos conseguir continuar ajudando a estas fortes guerreiras a realizar seus sonhos!

O emissário da Shavei Israel para a Polônia ajuda uma família a dedicar um memorial para os judeus de Wolbrom que foram assassinados no Holocausto

Albert Narcissus y Rabbi Ellis en Wolbrom
Albert Narcissus y Rabbi Ellis en Wolbrom

Antes da Segunda Guerra Mundial, a população da pequena cidade polonesa de Wolbrom era mais de um terço, judeus. Contudo, até o final do Holocausto, os nazistas assassinaram quase toda a comunidade judaica local, cerca de 4.500 pessoas. Dos 7 membros da família Narcissus, apenas o mais velho, de 16 anos de idade, Naftali, sobreviveu, fugindo de Wolbrom antes que os alemães chegassem.

A presença de um Narcissus em Wolbrom reapareceu agora. Algumas semanas atrás, o filho de Naftali, Albert, que mora na Austrália, foi para Wolbrom para inaugurar um monumento que celebra as raízes de sua família na cidade. Quem o guiou em todo este processo foi o Rabino Yehoshua Ellis, emissário da Shavei Israel para Katowice. (Wolbrom está a cerca de 53 quilômetros de distância de Katowice)

O Rabino Ellis esteve envolvido com este projeto desde o início, ajudando-o a traduzir o texto para o memorial em hebraico, supervisionando onde colocá-lo no cemitério judaico de Wolbrom, localizando registros familiares e organizando um passeio em Wolbrom para a família, durante a emocionante visita.

O Rabino Ellis presidiu a inauguração do memorial, que teve lugar no dia 21 de julho de 2014. Os que vieram da Austrália eram: Albert e sua esposa Hedda, juntamente com seus filhos e netos. Também participou do evento o Sr. Steven D. Reece, presidente da Fundação Matzevah, que ajuda a manter e restaurar cemitérios judeus na Polônia.

O memorial está escrito em Inglês, hebraico e polonês: “Em memória de Abraham e Chaja Narcissus e seus entes queridos Leib, Harszela, Hiller, Luby e suas crianças, que morreram no Holocausto, e ao único sobrevivente, Naftali. Que sua memória seja uma bênção e suas almas tecidas na coroa da vida eterna.”

O avô de Albert Narcissus, Abraham, nasceu em Wolbrom em 1895, o quinto filho de uma família que comercializou grãos para a sua subsistência. “Hoje é um dia importante na história da minha família”, disse Albert na cerimônia, um memorial coberto por bandeiras israelenses e polonesas. “Este dia teria deixado o meu pai muito feliz e orgulhoso, porque garante a continuidade da família. Sem esta lápide, não haveria um lugar que a minha família e as gerações futuras, seriam capazes de visitar e entender o que aconteceu aqui.”

Os judeus de Wolbrom foram forçados a viver em um gueto durante os primeiros anos de guerra. Outros 3.000 judeus de Cracóvia chegaram a cidade durante este período, levando o gueto a uma grave superlotação e condições terríveis. A “liquidação” do gueto começou no dia 5 de setembro de 1942, quando a maioria dos judeus foram enviados para o campo de concentração de Belzec. Aqueles que permaneceram – cerca de 600 judeus, principalmente os incapacitados e os doentes – foram levados para a floresta ao sul da cidade e baleados pelos nazistas. Em novembro deste mesmo ano, a maioria dos judeus que estavam escondidos para evitar a deportação, bem como alguns membros da “polícia” judaica – algo como 200 pessoas – foram, então, capturados e mortos.

Depois da guerra, 300 judeus voltaram a viver em Wolbrom. Mas, finalmente, mais tarde emigraram da Polônia para Israel.

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