O que representa Moisés no Judaísmo? Líder, Profeta ou Messias?

downloadP: O que representa Moisés no Judaísmo? Líder, Profeta ou Messias?

R: Moisés (em hebraico “Moshe”) foi o maior profeta, líder e mestre que o judaísmo já conheceu. Maimônides ao enumerar os 13 princípios da Fé Judaica, considera entre eles, a crença de que as profecias de Moisés são verdadeiras, e que ele foi o maior dos profetas. É descrito como a única pessoa que conheceu D’us “face-a-face”, e o único ser humano que “conversou” com D’us diretamente, em linguagem simples, não através de visões e sonhos, como com outros profetas.

A narrativa de sua história todos conhecem, quem não a conhece, recomendo ler o livro Êxodus da Bíblia, assim como outros livros da tradição judaica, que contam sua história. Resumidamente, Moisés foi escolhido por D’us para libertar os judeus da escravidão do Egito e liderá-los até a Terra de Israel. Assim, com a ajuda de seu irmão Aarão, Moisés representou o povo de Israel frente ao Faraó e desencadeou as famosas 10 pragas contra todo Egito, que forçou a libertação de todo o povo. Moisés então liderou o povo para fora do Egito e através do mar para a liberdade, e assim, os trouxe para o Monte Sinai, aonde intermediou o contrato eterno dos Filhos de Israel com D’us, no maior evento da história, conhecido com o recebimebno da Torá. Moisés por não seguir minunciosamente as instruções de D’us em um episódio no deserto, foi castigado a não entrar na Terra de Israel com o Povo.

D’us no Monte Sinai revelou toda a Torá para Moisés que tratou de ensinar seus discípulos e todo o povo. Ele passou grande parte de sua liderança, escrevendo os primeiros cinco livros da Torá, através de pura inspiração divina. O restante de toda a sabedoria, Moisés passou oralmente para seus alunos, o principal deles, e aquele que se tornou seu sucessor, Josué, filho de Nun.

Mas apesar de todos estes incríveis feitos e ter sido esta pessoa incrível, o judaísmo faz questão de enfatizar que não foi o próprio Moisés o libertador ou redentor de Israel. Foi D’us que redimiu Israel através de Moisés. Moisés era apenas Seu porta-voz. O texto da Hagadá, do qual toda família judaica conta a partir dele a história da Saída do Egito, na Páscoa Judaica, nem sequer menciona o nome de Moisés. Isto para evitar que as pessoas erroneamente o idolatrem, confundido, D’us nos livre, D’us, com seu principal servo!

Desta maneira, pode-se dizer que Moisés foi uma da principais personalidades do judaísmo. O maior dos profetas e possivelmente o maior líder. Alguém que cumpriu com sua função no mundo de uma maneira exemplar. Mas o judaísmo acredita que todo e qualquer indíviduo pode chegar ao nível de Moisés. Assim como Moisés, existiram e existirão outras grandes figuras no Judaísmo. Uma delas é a figura do Messias, que ainda não foi representada e esperamos que seja em breve, por algum outro grande líder!

Qual é o simbolismo do pão trançado que os judeus comem no Shabat?

Pergunta: Qual é o simbolismo do pão trançado que os judeus comem no Shabat?download

Resposta: Não somente no Shabat, mas em todas as festas judaicas e ocasiões festivas se celebra uma refeição que é iniciada com o pão. O famoso “pão trançado”, é conhecido como Chalá. A Chalá pode ser tanto doce quanto salgado, sendo a salgada a mais popular. O pão é geralmente trançado, mas em determinadas festas e em diferentes culturas, isso pode mudar. Por exemplo, em Rosh Hashaná, no ano novo judaico, é um costume antigo prepara uma Chalá redonda (uma vez que o círculo simboliza o ciclo da vida e dos anos).

A palavra “Chalá” (retirada de Levítico 15:20) refere-se à porção da massa reservada para o Cohen (sacerdote), isto é, uma pequena porção da massa que é separada antes de ser cozida. Você pode ter visto a notação “Chalá foi tomada” em caixas de Páscoa matzá, indicando que essa regra tem sido seguido, que a parte challah foi tirada da massa, antes da matzá foi feita. Não estou certo de como o prazo para a parte removida passou a ser usado para o pedaço de pão feito após essa parte foi removida.

Como mencionado, o judeu é orientado a bendizer o alimento através do pão a cada refeição festiva que participar. Entretanto no Shabat, a bênção sobre o pão deve ser feita com duas “Chalot” (plural de Chalá) em cada uma das três refeições do Shabat, para lembrar da porção em dobro de Maná que recebiam no deserto ao sair do egito toda sexta-feira, para, desta maneira, não precisar trabalhar no Shabat!

O que é a “mãozinha” que muitos judeus usam como amuleto?

51mtNACWNKL._SY300_Pergunta: O que é a “mãozinha” que muitos judeus usam como amuleto?

Resposta: Esta “mãozinha”, tambem conhecida como Hamsa ou Hamesh, se trata de um amuleto muito popular no judaismo. Praticamente em qualquer loja de produtos judaicos você encontrará colares e pulseiras com esta mão invertida e o polegar com o mindinho apontando para fora. Muitas vezes, terão ainda um olho no centro da mão ou, mesmo, várias letras hebraicas no meio.

Não há nada exclusivamente judaico neste amuleto. As culturas árabes, muitas vezes se referem a ele como a “Mão de Fátima”, que, por sua vez, representa a “Mão de D’us”.

Por que esta se tornou um símbolo tão popular entre os judeus?

Não parece haver uma explicação muito precisa. Pode muito bem ser a influência da cultura árabe nos judeus sefaraditas ou mesmo um costume específico de uma região que acabou se espalhando. O que sim é comumente aceito é que este padrão de mão representa uma proteção contra o mau-olhado (a influência espiritual maligna causada pelo ciúme dos outros), E como o mau-olhado tem sido historicamente uma superstição popular entre os judeus, tal proteção deve ter se popularizado entre aqueles que queria se proteger de tal ameaça!

Chanukiá ou Menorá?

Pergunta: Qual a diferença entre a Menorá e a Chanukiá?

Resposta: A cada ano, a partir do dia 25 de Kislev (por volta de dezembro, no gregoriano), os judeus de todo o mundo celebram Chanuká, a festa das Luzes. A principal tradição religiosa de Chanuká é acender a Chanukiá. Algumas pessoas confundem a Chanukiá com uma Menorá, no entanto, existe uma diferença substancial entre ambas.

A Chanukiá é uma espécie de candelabro, com nove braços. Oito velas estão na mesma linha e a nona vela está fora de lugar, ou a uma altura diferente ou mesmo em uma posição diferente. Podem ser de todas as formas e tamanhos!

A Chanukiá representa o milagre dos oitos dias que as velas permaneceram acesas no Segundo Templo com somente uma pequena quantidade de óleo, encontrada depois da guerra com os gregos. A única vela que está fora de lugar é conhecida como a “vela dos serviços” ou em hebraico, “Shamash”. Este é usado para acender todas as outras velas na Chanukiá e deve ser a primeira vela a ser acesa.
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Como são vistos os animais pelo judaísmo?

imagesPergunta: Qual a opinião judaica sobre a proteção aos animais??

Resposta: O judaísmo dá grande importância ao tratamento adequado aos animais. A crueldade desnecessária para com os animais é estritamente proibida, e em muitos casos, é concedida a mesma sensibilidade aos animais, do que os próprios seres humanos (como o descanso no Shabat). O judaísmo sempre se preocupou com o bem-estar destes, mesmo quando grande parte do mundo não o fazia. O princípio básico por trás deste tratamento judaico, se chama “Tza’ar Ba’alei Chaim”, ou, sofrimento de seres vivos.
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Canaã, Judá, Palestina ou Israel?

2345985_571Pergunta: Qual a relação da Terra de Israel com o Povo Judeu?

Resposta: A história do povo judeu começa com Abraão e a história de Abraão começa, há 3752 anos, quando D’us lhe ordena deixar sua terra natal, e caminhar até a sua nova terra, (conhecida na época como Canaã). Esta é a terra hoje conhecida como Israel, chamada assim em nome do neto de Abraão, cujos descendentes viriam a ser o povo judeu.

Esta terra é muitas vezes referida na Bíblia, e em outros documentos da época, como a terra prometida, pela repetida promessa de D’us, que a daria para os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó (Israel).

Jacó para salvar sua família da fome que assolava a região, migrou para o Egito 215 anos após Abraão se assentar na Terra de Canaã. Deixando a região praticamente sem habitantes.

Os filhos de Israel viveram no Egito por cerca de 400 anos, aonde a maioria do tempo foram escravizados, impedidos de voltar para a terra de seus antepassados quando o período de fome passou. D’us então ordena Moisés e seu irmão Aarão, resgatarem seus irmãos, e os levarem de volta para a Terra Prometida. Após uma saída milagrosa, triunfal e histórica do Egito, o povo peregrina por 40 no deserto até, finalmente alcançar a Terra de Israel.

Os judeus tiveram que reconquistar a terra, pois grande parte daqueles que haviam chegado para ali habitar, não aceitaram sair, mesmo reconhecendo a promessa de D’us aos descendentes de Abraão. E então, em 1312 a.e.c, o Povo de Israel reconquistou a região e aí habitou por 726 anos, com anos de glórias, profetas, juízes, reis e até mesmo a construção do Grande Templo Sagrado de Salomão, em Jerusalém, capital do Povo de Israel.

Em 930 a.e.c, o reinado de Israel se dividiu em dois: Judá e Israel. Por causa da desunião do povo e do baixo nível espirtual que atingiram foram castigados com o exílio. As 10 tribos que faziam parte do Reinado de Israel foram exiladas pelo Rei Assírio, Sanheribe e a profecia diz que só voltarão a Israel nos tempos messiânicos. Já, o Reinado de Judá, composto basicamente pelas tribos de Judá e Benjamin, além dos Levitas e Cohanim que serviam no templo, seguiram vivendo na Terra de Israel, e assim, os descendentes de Israel, passaram a serem chamados de “Judeus”, ou seja, da tribo de Judá, a grande tribo remanescente!

Contudo, em 586 a.e.c, Nabucodonosor da Babilônia conquistou o território de Judá e levou grande parte dos judeus ao exílio na Babilônia, que durou cerca de 70 anos. Dário, descendente de Nabucodonor permitiu que voltassem a Israel e reconstruissem o Templo Sagrado destruído por seu bisavô. E assim, sob a liderança de Ezra e Nehemia, os judeus recontruiram o Segundo Templo Sagrado de Jerusalém.

Gloriosos tempos tiveram lugar no período do Segundo Templo, assim como os Macabeus, e as históricas revoltas contra os gregos.

Infelizmente os judeus novamente pecaram contra D’us e um novo exílio foi decretado, desta vez por muito mais tempo. No ano 70 da era comum, o Segundo Templo foi destruído, mas os judeus seguiram habitando a Terra de Israel até o ano 135.

Para provocar os judeus, os romanos começaram a chamar a região de Falestina (ou, Palestina), em nome dos tradicionais inimigos do Rei David e do povo, os Filisteus.

E então, a Terra de Israel, conhecida como Palestina, foi habitada por diversos povos e impérios. Nenhum que durasse mais de 400 anos e que desse a devida importância para a tão sagrada terra.

Embora os romanos tenham exilados a maioria do povo judeu, sempre existiu uma comunidade judaica habitando a região. Seja com os Bizantinos, os Árabes, nas Cruzadas, com os Otomanos e mesmo com os Britânicos.

E enquanto isso, para os judeus no exílio a Terra de Israel se tornou um sonho, de poder algum dia poder voltar e habitá-la. Pois, a terra de Israel é parte central no judaísmo. Uma parte substancial da lei judaica está ligada à terra de Israel, e só pode ser realizada lá. O Talmud indica que a terra em si é tão santa que simplesmente caminhando sobre ela, pode garantir a pessoa, um lugar no mundo vindouro. A viagem para Israel é chamada no judaísmo de “Alyah”, subida, uma vez que a pessoa ao chegar a Israel, subiu a uma terra mais santa.

Além de rezar sempre na direção de Jerusalém, as orações pedindo pelo retorno a Israel e a Jerusalém, são parte essencial nas rezas diárias, assim como em muitas observâncias de festas e eventos especiais.

Muitas tentativas de voltar a Israel durante o exílio foram executadas por diversos grupos de judeus, principalmente líderes espirtuais. Algumas das mais famosas são: a “Alyah dos 300 rabinos” (Baale Hatosefot), no século 13; A Alyah dos judeus que fugiram da Inquisição da Espanha e Portugal, no século 16; a Alyah dos Chasidim, no século 18 e a Alyah dos alunos do Gaon de Vilna no século 19.

Mas somente no final do século 19, com o aumento do antisemitismo na Europa que os judeus começaram a desejar urgentemente a soberania em seu país de origem e não mais passar pelas terríveis experências que vinham experimentando, como a Inquisição, pogroms e outras perseguições. Surgiu então o Sionismo moderno que começou a batalhar pela volta dos judeus a Sião, como é conhecida a cidade de Jerusalém.

Cerca de 500 mil judeus migraram para Israel com o Sionismo Moderno, até a subida do nazismo no poder. Após o terrível Holocausto, outros milhares se juntaram aos judeus na Terra de seus antepassados para decratar a independência do Estado de Israel e declarar que os judeus haviam voltado para sua terra, eram soberanos nela e de lá, não mais sairiam!

Hoje, com somente 66 anos, o Estado de Israel é um país de primeiro mundo, uma potência militar e a da onde sai, todo ano, as mais importantes contribuições para a humanidade. A terra que era um deserto no período que o povo não se encontrava soberano nela, é um dos parâmetros no mundo em agricultura, tecnologia e inovações científicas. Seu sistema de irrigação tem salvado vidas em diversos países da África e no Nordeste Brasileiro.

A maioria dos judeus no mundo hoje vivem em Israel, e mesmo as 10 tribos que os Assírios exilaram (e a profecia dizia que voltaria somente na época messiânica) estão voltando a habitar a Terra de Israel, e ajudando a formar este cada vez mais lindo lar do povo judeu!