FUNDAMENTALMENTE FREUND: CONSTRUAM UM MUSEU DA ALIÁ

MICHAEL FREUND

De fato, se olharmos para os últimos 70 anos, fica evidente que alguns dos momentos mais emocionantes de nossa nação foram aqueles que envolveram o resgate das comunidades judaicas da diáspora.

Nos anais da história judaica moderna, poucas histórias são tão épicas ou tão inspiradoras como a da reunião dos exilados dos quatro cantos da terra.

Desde o renascimento do Estado de Israel em 1948, mais de 3,2 milhões de imigrantes chegaram às praias da Terra Santa, de mais de 100 países de todo o mundo. Alguns vieram para cá fugindo da perseguição. Outros vieram motivados pelo sonho sionista ou convicção religiosa, ou animados pela esperança de criar uma vida melhor para si e suas famílias.

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Yom Kipur

Retirado do livro O ser Judeu, de David Hayim Halevi Donin

E falou o Senhor a Moisés dizendo: “No décimo dia deste sétimo mês, é Dia de Expiação. Tereis Santa convocação e afligireis as vossas almas (…) Nenhum trabalho servil fareis nesse dia, porque é Dia de Expiação. (…) Porque toda a pessoa que não se afligir nesse mesmo dia será separada do seu povo. E qualquer pessoa que fizer qualquer trabalho nesse mesmo dia, eu a destruirei de entre o povo. Nenhum trabalho fareis. É uma lei perpétua pelas vossas gerações onde quer que estejais. Será um Shabat de completo repouso para vós e afligireis as vossas almas, começando aos nove dias do mês ao anoitecer, do anoitecer ao anoitecer, guardareis o vosso descanso.”  (Levítico 23:26-32)

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Livro sobre a jornada de uma família Bnei Anussim da Espanha para Jerusalém – e o papel da Shavei Israel

Baruch Israel lembra que sua mãe costumava cantar o Hatikva, o hino nacional israelense, todas as noites antes de ir dormir, em Elda, na Espanha, onde Baruch cresceu. Era o sonho de sua mãe, Sarah, fazer aliá algum dia, sonho este que realizou em 2015 com seu filho e a avó de Baruch. Escrevemos anteriormente sobre o emocionante Bar Mitzvá de Baruch no Kotel aqui.

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Após um atraso de 10 anos, Yonatan e Shifra Haokip se casam!

Happy-couple-252x300Já compartilhamos com vocês, aqui na Shavei Israel, a história de Yonatan Haokip, um jovem Bnei Menashe, que sozinho, traduziu todo o livro dos Salmos para o Kuki, a língua dos Bnei Menashe. Agora, temos mais novidades para compartilhar – e lê-se bem em todas os idiomas: Yonatan acaba de se casar. E esta história é digna de destaque como mais uma grande conquista alcançada por Yonatan.

Yonatan conheceu sua pretendida esposa, Shifra, em 2001, quando os dois estudaram juntos no Centro ORT de Estudos Judaicos em Mumbai, na Índia. Se apaixonaram e prometeram um ao outro que iriam esperar até que fossem capazes de fazer aliá para se casar em Israel.

Shifra foi a primeira a dar um passo em direção a este sonho, em 2007, quando fazia parte do último grupo de Bnei Menashe com permissão para imigrar a Israel, logo antes de as portas da Aliá se fecharem abruptamente. Estas portas não reabririam até o final do ano passado, quando por meio de um lobby incessante por parte da Shavei Israel, a imigração foi reiniciada e um novo grupo de 274 Bnei Menashe chegou a Israel.

Yonatan havia seguido Shifra em 2009, mas não “oficialmente”. Como a Aliá da Índia não era possível no momento, ele apenas havia recebido um visto de turista para visitar Israel e, portanto, não estava elegível para receber a assistência dada aos Bnei Menashe pelo governo. Shifra e sua família começaram a aprender hebraico e passaram por um processo de conversão formal. Yonatan, enquanto isso, estudou na Yeshiva Machon Meir em Jerusalém. Voltou para a Índia, aonde passou o ano de 2011 como um “Parceiro” da Shavei Israel para a comunidade Bnei Menashe local.

Mas quando a Aliá dos Bnei Menashe foi retomada no final de 2012, o visto de Yonatan foi finalmente atualizado para uma licença completa de Residente Temporário. Junto com seus colegas Bnei Menashe, ele se mudou para Israel, morando no Centro de Absorção Givat Haviva, patrocinado pela Shavei Israel, e terminou sua própria conversão formal ao judaísmo. Estava então – finalmente – pronto para se casar com Shifra. O amor deste casal, embora distantes em alguns momentos, tinha permanecido forte por mais de uma década.

“É raro, mas é verdade”, diz Yonatan. “Estamos apaixonados por 10 anos, o que torna o casamento especial para todos os Bnei Menashe que conhecem o nosso amor e o nosso relacionamento.”

O casamento aconteceu em Migdal HaEmek, uma das duas principais cidades israelenses do norte que receberam os novos imigrantes Bnei Menashe. Como era o primeiro casamento Bnei Menashe que acontecia por lá, Yonatan contou que foi um evento repleto de personalidades, incluindo o prefeito, o vice-prefeito, parte da gestão da cidade, bem como o coordenador da Shavei Israel para os Bnei Menashe em Israel, Tzvi Khaute. O casamento foi realizado pelo neto do falecido Rabino Chefe de Israel, Mordechai Eliyahu.

Yonatan diz que ele e Shifra convidaram quase todos os Bnei Menashe de língua Kuki que vivem em Israel para o casamento, e a julgar pelas fotos, muitos se esforçaram para vir. E por que não? Uma história de amor como esta de Yonatan e Shifra não acontece todos os dias.

Parabenizamos Yonatan e Shfira e desejamos-lhes um caloroso Mazel Tov!

Perfil Shavei Israel: Fabian Spagnoli – uma questão de identidade leva de volta para casa, para Israel

03/06/2013

Fabian-Spagnoli-203x300Fabian Spagnoli não sabe por que o homem da pequena loja na Espanha disse isso. Spagnoli tinha ido comprar um cobertor novo para sua cama. O homem na loja olhou para ele e disse direto: “Você é judeu.” Spagnoli e o lojista começaram a conversar e os dois se tornaram grandes amigos. O lojista, que era judeu, começou a ensinar Spagnoli coisas sobre judaísmo, sinagoga e oração. “A vida é um mistério”, diz Spagnoli. “É um equilíbrio entre nossas vontades pessoais e o que D’s quer. Claramente, estava escrito que este homem tinha que me dizer isso. É algo que não é lógico. Além do materialismo.”

Seja qual foi o motivo, o resultado deste “curioso” encontro tem sido uma grande mudança de vida para Spagnoli, que no início deste ano mudou-se para Israel com sua esposa e sua filha de 10 anos. Spagnoli, 50 anos, está agora explorando suas raízes como parte dos Bnei Anussim (um descendente de judeus que foram convertidos à força ao catolicismo, cerca de 500 anos atrás, e que são muitas vezes referidos pelos historiadores pelo nome depreciativo de ‘Marranos’) no Machon Miriam Instituto de Shavei Israel para Conversão e Retorno.

Spagnoli já se sentia um peixe fora d’água muito antes do incidente do cobertor. Nascido na Argentina, sua família emigrou para a América do Sul da Suíça após a Segunda Guerra Mundial. Mas o avô de Spagnoli não era de lá também, ele nasceu na Itália e seu nome – Spagnoli – significa “povo da Espanha” em italiano.

 

“Eu tinha um problema de identidade real”, Spagnoli admite. “Quando eu tinha 15 anos, eu costumava me perguntar: quem sou eu? Quem são meus ancestrais? Eu não me sentia totalmente argentino já que costumava viajar a cada verão para a Suíça para visitar meus parentes que ainda estavam lá. ”

Para tornar as coisas ainda mais complicadas, o pai de Spagnoli, embora não descrevendo-se um judeu, revelou uma história da família: a razão pela qual os Spagnolis – “pessoas da Espanha” – estavam na Itália, era em primeiro lugar porque eles eram judeus que haviam fugido da Inquisição. O jovem Spagnoli ficou completamente confuso!

Após o colegial, Spagnoli viajou pela Europa à procura de um lugar de conexão, mas acabou por regressar à Argentina para estudar Direito. Foi lá que ele conheceu sua esposa. Em 2001, porém, a crise econômica na Argentina enviou os Spagnolis para sua própria diáspora pessoal. “Minha esposa estava grávida e perdi meu emprego. A empresa fechou.”, diz ele. Decidiram, então, se estabelecer na Itália, na pequena cidade de Perugia, cidade natal de seu avô. Abriram uma hospedaria com cama e café-da-manhã e assim Spagnoli se sentiu finalmente à vontade. Mas não era para durar!

As palavras de seu pai e do lojista espanhol continuam a reverberar. Ele sabia que era judeu. “Na Itália, todos os escritórios públicos e escolas tem uma cruz”, diz ele. “Eu não queria viver em uma cultura católica. O fogo dentro de mim ainda estava queimando.”

Ainda na Itália, Spagnoli conheceu a Shavei Israel através da Internet. Ele começou a participar de seminários para Bnei Anussim (ele viajaria até a Espanha, uma vez que a Shavei ainda não tinha começado o seu trabalho no sul da Itália).

Sua convicção era cada vez mais forte. Sua jornada o levou a se casar com uma mulher judia. E o seu passado não era de Bnei Anussim ou oculto como o dele: ela cresceu em uma área judaica de Buenos Aires e seu pai, um imigrante da Ucrânia, era membro completo da comunidade judaica de lá. Como resultado, os Spagnolis eram legalmente elegíveis para fazer aliá sob a Lei do Retorno do Estado de Israel.

“Essa é a magia da vida”, diz Spagnoli. “Primeiro, eu estou em um seminário para Bnei Anussim em Barcelona, e agora estamos aqui em Israel. Há uma parte da vida que nós mesmos podemos gerenciar e outra parte que está além de nós. Pode chamar de destino … Eu não gostava desta palavra. Mas, agora, estando aqui, acho que poderia ser isso. ”

A esposa e a filha de Spagnoli já estão em Israel há três anos, mas Spagnoli ficou na Itália para cuidar de seu pai doente, que também se mudou para a cidade de sua família. Quando o pai de Spagnoli faleceu no ano passado, seu filho finalmente foi capaz de fazer aliá.

Spagnoli agora participa das novas aulas de língua italiana no Machon Miriam em Jerusalém ministradas pelo mais novo emissário da Shavei Israel, o rabino Pinchas Punturello. E já encontrou trabalho em uma operadora de viagens que se aproveita de sua proficiência em espanhol e italiano para o trabalho. (A esposa de Spagnoli também trabalha lá).

“Foi um desafio contar aos amigos na Itália que eu estava vindo para cá”, ele confessa. “Eles disseram -, há uma série de problemas em Israel”. Spagnoli aproveita esta falta de conhecimento sobre o Oriente Médio para “explicar às pessoas como aqui realmente é” e por vezes faz a função de comentarista em Israel em vários programas de rádio transmitidos na Argentina. Seu sonho é ainda maior. “Eu gostaria de ajudar a abrir um canal de notícias 24 horas, como a CNN, saindo de Israel”, diz ele.

Neste meio tempo, ele diz estar muito satisfeito com a decisão que tomou de vir para cá. E ele está particularmente satisfeito que sua filha está crescendo em um ambiente israelense ao invés de “uma cultura não-judaica na Europa.” Em última análise, ele acrescenta, “não há nenhum outro lugar para ir”.

Ainda assim, Spagnoli não tem ilusões. “Agora que estamos em Israel, a parte romântica da história, o flerte e o namoro, acabaram. Eu vou trabalhar e tomo o ônibus como qualquer outro cidadão israelense”. “Nem sempre é fácil. Mas é sempre fascinante.”

“Todo mundo aqui tem uma história, um livro sobre eles”, diz Spagnoli. “Eu gosto disso. Porque eu tenho o meu livro, também.”