Parashat Chucat

A guerra com o rei de Arad  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O mais provável é que tudo isto tenha acontecido aos quarenta anos da saída do Egito. Quer dizer, depois do povo já ter sofrido vários golpes, das abundantes queixas do povo, do pedido de carne, dos espiões, de Corach, etc. Toda aquela geração de escravos que saiu do Egito já morreu. Também morreu Miriam, houve falta de água, morre Aarão e já tinha sido decretada a morte de Moisés.

Como se tudo isto fosse pouco, Edom, seus irmãos, comportam-se de maneira muito hostil e não os querem deixar passar pelo seu território para poderem entrar na Terra Prometida para finalmente se poderem instalar e deixarem de viver em tendas errantes. Edom desafia-os, mas Moisés, por ordem de De’s, comporta-se com Edom com fraternidade. Israel não vai começar uma guerra contra os seus irmãos.

Esta negativa de Edom faz com que o povo de Israel tenha que contornar todo território de Edom e dirigir-se a Moav (hoje em dia é a zona das montanhas do sul da Jordânia, em frente ao mar morto), um território muito quente, árido e montanhoso.

O rei de Arad toma coragem para lutar contra Israel, porque interpretou que o motivo pelo qual Israel não lutou contra Edom e se retirou foi porque o povo estava atemorizado, quer dizer, o que lhe dá força para lutar é supor que o povo de Israel está atemorizado e se sente débil.

Perante a ameaça do rei de Arad, o povo reage com elevação. Não acontece como nas vezes anteriores, em que se queixaram perante Moisés ou perante De’s. Não entram em pânico nem reagem hostilmente, quer dizer, não agem confiando na sua própria força.

Desta vez agem com muita emuná — fé em De’s. –  Não fazem apenas uma simples promessa, mas sim uma «promessa a De’s». É importante notar que não se trata de uma promessa comum. Pelos detalhes que se dizem na promessa vê-se que não foram impulsados por algo material, e que também já não têm a mentalidade de escravos que tinham ao sair do Egito. Falam com De’s na segunda pessoa: Se entregares, os entregares nas nossas mãos… quer dizer, sentem-se próximos de De’s. Também não se dirigem a Moisés para reclamar, mas sim sabem e são conscientes de que tudo depende de De’s.

E repetem o verbo duas vezes: Se entregares, os entregares nas nossas mãos. Quer dizer, «tu e só tu». Confiam em De’s e só em De’s.

Também notamos que tudo está escrito no singular, quer dizer, que todo o povo está unido.

Eles pediram a De’s que entregasse o rei de Arad nas suas mãos. De’s entregou-lho, mas não diz «nas suas mãos». Vemos que essa vitória não chegou de cima sem terem que fazer nenhum esforço. O povo esteve disposto a fazer a sua parte. Não pretendia que tudo lhe caísse no colo gratuitamente. O que está a acontecer agora é exatamente o contrário do que aconteceu com a geração dos espiões. Aqui eles estão dispostos a lutar e confiam em De’s.

Não estão a fazer uma guerra por interesse próprio. Estão dispostos a entregar todos os despojos de guerra a De’s, quer dizer, para eles é uma guerra em nome de De’s e pela honra de De’s.

Este é o motivo pelo qual, uma vez que ganharam a guerra, não entraram na terra de Israel. Com esta atitude conseguem mudar uma ideia que tinha começado a popularizar-se entre os povos de Canãa, pois já duas vezes o povo não guerreara, e os cananeus pensavam que era porque não podiam ou porque tinham medo. Aqui, com esta atitude, fica demonstrado a todos os povos que o motivo pelo qual eles não lutam é porque ainda não vão entrar na Terra Prometida. Quer dizer, santificam o nome de De’s, pois anteriormente, com o pensamento que reinava entre os cananeus, tinha-se profanado o nome de De’s, pois os cananeus supunham que De’s não podia contra eles.

Já houve um precedente de algo parecido com Abraão, quando ele foi resgatar o seu sobrinho Lot. Apesar de Lot não ser tão idealista nem seguir os caminhos de Abraão, vemos que Abraão saiu na mesma atrás dele e o resgatou. Os filhos de Abraão agem agora do mesmo modo. O rei de Arad tomou alguns cativos de entre o povo de Israel, e, do mesmo modo, o povo sai para os resgatar.

Por tudo isto é que De’s escutou a voz do povo. Israel lutou, destruiu-os e aniquilou-os a todos.

O lugar chamou-se Chormá – destruição – que era precisamente onde tinham caído os da geração dos espiões, que teimaram em ir à luta contra os cananeus, apesar de De’s ter decretado que não o fizessem, e ali nos diz a Torá que foram perseguidos pelos seus inimigos até Chormá. Isto mostra que se trata de uma geração diferente da anterior. Esta geração não teme, não se queixa perante Moisés, não esperam milagres, não se comportam como crianças, mas sim como pessoas com maturidade, e estão dispostos a entrar na Terra apenas quando De’s assim o determinar.

Vemos que os quarenta anos que De’s conduziu o povo pelo deserto serviram para acabar com todo esse povo queixoso e temeroso, a quem não importava tanto o caminho de De’s nem a sua vontade, e que preferiam comer carne e voltar para o Egito. Agora surge outra geração que é digna de entrar na Terra Prometida.

Parasha da Semana – Corach

Aarão e o Ketoret – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O texto conta-nos que todo o povo de Israel se queixou. Quer dizer, todos os representantes do povo vieram queixar-se de Moisés e Aarão. Vemos o que é algo muito grave.
A acusação é muito grave e drástica: Moisés e Aarão mataram o povo de De’s.
O povo atribui a Moisés e Aarão a morte destas pessoas. Não foi De’s que os matou, foram Moisés e Aarão.
Quando dizem que mataram o povo de De’s, não se estão a referir a Corach nem a Datan e Aviram, mas sim aos 250, pois os anteriores eram indivíduos, não eram «o povo». Além disso, entre os 250 havia representantes de todo povo. Eram pessoas de renome…
O que os levou a pensar assim foi o facto de terem sido Aarão e Moisés a sugerirem a prova do incenso. Eles pensaram que Moisés e Aarão os levaram a fazer algo que sabiam que os ia matar, de propósito, como aconteceu com os filhos de Aarão, quando um fogo de De’s e os matou. Eles pensaram que Moisés e Aarão os fizeram cair na armadilha para morrerem.
São vários os pecados destas pessoas:

  1. A queixa em si. Acusam diretamente. Não vêm perguntar ou investigar, o que mostra falta de confiança nos seus líderes e sentimento de zanga para com eles.
  2. Acusam-nos de terem matado o povo de De’s. Sugerem que Moisés e Aarão são injustos e que mataram pessoas inocentes.
  3. Dizem que mataram «o povo de De’s». Isto não é assim, eles não eram o povo de De’s. Povo de De’s são aqueles que são fiéis a De’s. Estas pessoas, tal como os 250 anteriores que se congregaram contra Moisés e Aarão, estão a revoltar-se contra De’s, portanto, não se podem denominar povo de De’s.
  4. Congregaram-se contra Moisés e Aarão. São insolentes e agressivos. Isto também denota uma falta de respeito perante os seus mestres e líderes.
  5. Estão a renegar de todo o bem que Moisés e Aarão fizeram por todo o povo desde que saíram do Egito.
  6. Põem em dúvida que aquilo que Moisés faz é por ordem de De’s.
    Esta acusação é muito grave, mas não suficientemente grave para causar a praga. Depois diz que «se congregaram», o mesmo termo utilizado para explicar o que fez Corach, que congregou o povo contra Moisés e Aarão, o que quer dizer que o assunto já está tomar um ar de rebelião popular. Antes tinha sido apenas uma queixa, agora já é mais desafiador, enfrentam-se a Moisés e Aarão e gritam-lhes que mataram o povo de De’s. Isto também mostra uma falta de respeito para com Moisés e Aarão.
    Perante esta situação, Moisés e Aarão dirigem os seus olhares para o santuário, como querendo aconselhar-se com De’s para saber o que fazer. É então que vêem que a Glória Divina se revela com fumo e fogo sobre o santuário.
    De’s diz-lhes que se afastem para poder destruir a congregação. Isto insinua que enquanto Moisés e Aarão estiverem entre eles, não haverá morte. São Moisés e Aarão que impedem a praga de começar, praga essa que matará o povo. Moisés e Aarão estão a salvar o povo, exatamente o contrário do que a congregação dizia sobre eles, que tinham matado o povo de De’s.
    Porque não pede e não intervém Moisés por eles para os salvar, tal como tinha feito em outras situações, quando a ira de De’s se acendeu contra o povo? O motivo é que Moisés não encontra nenhum argumento para poder defendê-los perante De’s. Nos outros casos havia argumentos válidos, e Moisés utilizou-os, mas aqui, Moisés vê que não tem nenhum fundamento para pedir por eles. É por isso que não reza por eles.
    O motivo pelo qual a salvação vai ser através do incenso é porque o povo pensava erradamente que o incenso era algo que matava, tal como aconteceu aos filhos de Aarão e agora aos 250 que também morrem perante De’s por um fogo, por oferecer incenso.
    Para tirar esta ideia errada do povo é que De’s vai utilizar precisamente o incenso para deter a morte. Para lhes demonstrar que não é o incenso que mata, pois aqui utiliza-se o incenso para salvar a vida.
    O que realmente mata é o pecado. Com os filhos de Aarão ou os 250, o que os matou não foi a oferta de incenso, como se este fosse algum “material radioativo“, cujo mero contacto produzisse a morte. O que acontece é que oferecê-lo fora do momento estipulado, isso é pecado, e por causa disso foram castigados com a morte. No entanto agora, Aarão, utilizando o incenso corretamente, vai salvá-los precisamente através dele.
    Porque é Aarão que vai com o incenso e não Moisés? Moisés quer limpar o nome de Aarão. Não quer que o povo pense mal dele. Não quer que o continuem a acusar. Moisés não se importa que sujem o seu próprio nome. O que quer é deixar limpo o nome de Aarão.
    A Torá diz que Aarão vai rapidamente deter a praga; exatamente o contrário daquilo de que o povo os tinha acusado: eles não matam o povo; pelo contrário, apressam-se a salvá-lo.
    Um ponto importante que é necessário sublinhar é que quando a Torá diz que Aarão ficou com o incenso entre os vivos e os mortos e a praga se deteve, diz-nos que Aarão fez Capará (Expiação) pelo povo com o incenso. Que quer dizer que fez Capará pelo povo?
    Este termo utiliza-se quando a Torá nos descreve o serviço de Yom Kipur, quando o sumo-sacerdote está frente ao cordeiro e faz Capará pela sua família e por todo o povo, e aí refere-se a que faz vidui, que quer dizer confessar todos os seus erros e arrepender-se.
    Portanto, aqui não se trata de Aarão colocar incenso e de repente a epidemia acabar; ele faz também vidui por eles, e agora que existe arrependimento e confissão do erro, então De’s perdoa-os e a praga detém-se. Com isto fica demonstrado que não são Moisés e Aarão nem nenhuma magia do incenso que mata; o pecado é que mata.
    Esta será também a mensagem da prova das varas. A vara de Aarão é a que vai florescer e dar frutos, enquanto as outras não. A vara representa a liderança. Normalmente, com a vara demonstra-se o poder; castiga-se, bate-se com ela. Mas no caso de Aarão, a sua liderança é justa, ao contrário das acusações do povo. Não só não é uma vara usada para bater ou castigar, mas é uma vara que chega a dar flores e frutos, quer dizer, uma liderança que é boa, suave e com frutos.

Parashat Shelach Lecha

A missão dos espiões  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

A primeira questão que temos que descartar é que Moisés tivesse alguma dúvida acerca de se tratar de uma boa terra. Portanto, o objetivo de Moisés ao enviar os espiões tinha que ser outro; o que ele pretendia era que o povo se entusiasmasse com a terra e se mostrasse desejoso de nela entrar.

Ele esperava que os espiões voltassem com a descrição da terra; é por isso que Moisés lhes diz que investiguem como é o povo que vive ali, se é forte ou fraco, se são muitos ou poucos. A intenção de Moisés não era uma questão de estratégia de guerra. Ele sabe que De’s está com eles e que De’s vai cumprir a Sua promessa de lhes entregar essa terra. O que ele quer demonstrar ao povo é que se trata de uma boa terra, que as pessoas que vivem lá são saudáveis e fortes; não se trata de uma terra que não fornece bom alimento ou bom clima aos seus habitantes. Além disso, ao dizer-nos que são muitos, isso demonstra-nos que há abundância e comida para todos.

O que Moisés pretendia também com o relatório dos espiões era que ficasse demonstrado que esta é uma terra que tem abundância de água e de frutos.

É por isso que é tão específico, e lhes diz que subam pelas montanhas. Como sabemos, a topografia da Terra de Israel tem uma cadeia montanhosa que atravessa o país de Sul a Norte, pela metade, desde Hebron até Haifa. A ideia de Moisés é que vejam a terra em geral. É por isso que lhes diz que vão pelas montanhas, porque desde o topo iriam poder observar em linhas gerais todo o país. Era uma missão que deveria ter durado poucos dias. No futuro, quando Josué envia dois espiões, estes regressam passados poucos dias, e, se não tivessem tido que se esconder do rei de Jericó, poderiam ter regressado ainda mais cedo.

No entanto, quando os espiões regressam ao cabo de quarenta dias, dão-nos um relatório detalhado de onde está instalado cada povo, falam-nos do Sul, do Oeste, (a zona costeira), do Este, (rio Jordão), e do Norte. Vemos que na realidade não andaram só pelas montanhas como Moisés lhes tinha recomendado, mas sim por todo lado, e foram muito específicos.

O que podemos ver claramente é que a intenção com que Moisés enviou os espiões era completamente diferente daquela que eles tinham em mente. Enquanto o objetivo de Moisés era incentivar o povo, os espiões tinham um objetivo de estratégia militar. Estavam preocupados pela guerra e por saber se tinham possibilidades de derrotar os cananeus.

Quando vêem que os povos da Terra Prometida são fortes e numerosos ficam desanimados, com medo, e contagiam o resto do povo dessa sensação.

Se prestarmos atenção veremos que no relatório dos espiões estão descritos os limites da Terra Prometida. Transmitem a ideia de que não vão ter por onde entrar; todas as fronteiras da Terra de Israel são impenetráveis; estão bem povoadas e bem defendidas. Em conclusão, não têm hipótese de poder entrar.

É devido ao facto de, na sua mente, terem um objetivo militar, que demoram tanto tempo. Deveriam ter voltado passados poucos dias, mas demoraram quarenta dias. É por isso que De’s se zanga com eles, e dá-lhes esse castigo dos quarenta anos. Além disso, esse lapso de tempo é o que vai permitir o surgimento de uma nova geração.

Isto poderia responder à contradição entre o que está escrito na nossa parashá e o que está escrito em Devarim. Aqui é-nos relatada a intenção com que Moisés enviou os espiões, para incentivar o povo. Em Devarim é-nos relatada a iniciativa do povo, que era uma questão de estratégia militar.

O que todo este acontecimento nos demonstra, é que aquela geração não estava pronta para entrar na Terra Prometida. Não é que De’s os tenha feito cair; tudo foi um nissaión, uma prova, para ver se estavam preparados. Tristemente, demonstraram que ainda não estavam preparados. Conservavam os seus medos e ainda não tinham suficiente confiança em De’s. É por isso que deverão esperar até que surja uma nova geração que esteja pronta para entrar na Terra de Israel.

Parashat Behaalotecha

A eleição do Sanedrin e o pedido de carne  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Logo que o tabernáculo foi instaurado e os Leviim foram consagrados para o serviço divino, instala-se um dilema na mente do povo (algo que ainda hoje em dia muitos se perguntam): «Se o povo não vai estar tão próximo de De’s, já que agora tudo se centra no tabernáculo, e além disso o povo não vai servir a De’s lá, mas sim quem servirá serão apenas os Leviim, então para quê esforçar-se tanto e impor-se tantas privações, se de todas as maneiras nunca vamos chegar ao nível de poder servir no tabernáculo e estar próximos de De’s?»

As pessoas do povo estavam dispostas a fazer um esforço e a privarem-se de coisas se com isso pudessem ganhar algo, quer dizer, chegar a um «bom posto», um status social melhor, ou uma categoria espiritual mais alta (Maamad), senão não se justificaria tanto esforço.

A resposta de De’s a este dilema é selecionar setenta sábios junto a Moisés para a condução do povo. Isto serve para demonstrar que não só os Leviim têm uma categoria elevada, mas sim que aqueles que andam pelos caminhos de De’s também podem chegar a um alto nível dentro do povo e, na realidade, essa é a verdadeira honra, já que o conseguiram por esforço próprio e não pela sua linhagem.

Portanto, o objetivo de De’s é que o povo chegue a este raciocínio. No entanto, ainda não se trata de um nível superior, porque o serviço divino deve ser lishmá (de forma desinteressada), e aqui a questão é: Para quê servir a De’s se não vou obter nenhum upgrade (subida de categoria) ou benefício extra?

Yehoshua não queria que as pessoas pensassem que se pode ter profecia enquanto se está no «acampamento», quer dizer, sem uma preparação adequada e um Perishut (isolamento) necessário.

É por isso que os setenta sábios selecionados tinham que estar à volta do tabernáculo, para que, dessa forma, todos vissem claramente que a profecia vinha de De’s, cuja presença se centra no tabernáculo. Se ficassem no acampamento e recebessem a profecia ali, então o povo, erradamente, poderia pensar que existe outra fonte de profecia e poder fora de De’s.

Agora bem: Porque é necessário que os setenta sábios que ajudarão Moisés sejam profetas?

Todos os líderes, inclusivamente no Sanedrin, podem enganar-se, mas alguém que tem Ruach Hakodesh é impossível que se engane. Dessa maneira pode dirigir o povo da forma mais correta possível.

E apesar da profecia ter acontecido a estes setenta sábios apenas uma vez nas suas vidas, isto foi suficiente para os iluminar ao longo de todo o caminho.

Rambam escreve, na introdução ao Guia dos Perplexos, que a verdade é como um relâmpago numa noite escura. Há quem fique encandeado pela intensidade do seu brilho, mas, depois de ele desaparecer, volta à mesma escuridão na qual estava submerso antes de o relâmpago ter aparecido. Outros, no entanto, ao receberem o raio de luz, não permanecem imóveis, cegando os seus olhos, mas sim aproveitam essa luz para poder ver os obstáculos que os aguardam no caminho, de modo a poder evitá-los e decidir o rumo dos seus futuros passos. Assim nos acontece a nós: Às vezes batemos de frente com um momento de verdade. Vemo-lo claro, patente, mas, passado o efeito do momento, voltamos à nossa vida rotineira, sem que essa perceção nos transforme no mais mínimo. Tal como quando vamos visitar alguém no hospital que tem problemas pulmonares devido ao fumo. É claro para nós que o cigarro é algo nocivo; talvez deixemos de fumar durante algumas horas. Mas depois, pouco a pouco, voltaremos aos nossos hábitos de sempre. Porquê? Porque nesse momento em que vimos as coisas claramente, não aproveitámos esse encontro com a verdade tomando as decisões necessárias, comprometendo-nos nesse momento a mudar algo no nosso comportamento.

É importante destacar que estes setenta sábios não eram pessoas comuns que de repente, magicamente, receberam um espírito especial, pois como é possível que o espírito passe de Moisés para gente comum sem preparação ou elevação espiritual alguma? Essa foi precisamente a admiração de Yehoshua, que os tomou por farsantes.

O que acontece aqui é que estas pessoas se prepararam; eram sábios, eram os líderes do povo, e portanto o mesirut nefesh (esforço) e a sabedoria prática que esse cargo lhes dava já os faziam especiais por si só. Então quando o Ruach descende sobre Moisés, trata-se de um nível de profecia inferior àquele que normalmente Moisés tinha, já que De’s se comunicava com ele diretamente e não através de nenhum Ruach.

Apesar disso, De’s não se revelou completamente, mas sim com uma nuvem, quer dizer, captaram mas não de forma perfeitamente clara, e sim como num dia com névoa, onde não se vê nitidamente. É claro que os setenta sábios não alcançaram o nível altíssimo da profecia de Moisés.

No que diz respeito ao pedido de carne por parte do povo, devemos saber que Moisés foi e será o ser humano que mais conhecia De’s, portanto, é impossível supor que Moisés pensasse que De’s não lhes podia providenciar carne. Então, como é possível que Moisés pergunte a De’s como será possível providenciar carne para todo o povo?

Na realidade, o que acontece, é que Moisés vê que o povo está com uma postura desafiante e atrevida. Pedem, exigem, e insistem em pôr De’s à prova constantemente. Então Moisés raciocina: Com uma atitude assim, por mais que lhes façamos as vontades, nunca vão estar satisfeitos.

De’s está de acordo com o que Moisés apresenta, mas responde-lhe que, se não lhes der carne, o povo vai pensar que a mão de De’s é limitada, quer dizer, que não lhes pode providenciar carne, e este tipo de raciocínio seria uma profanação do nome de De’s.

É por isso que De’s acede ao pedido de carne por parte do povo. Não se trata de que De’s lhes quisesse fazer a vontade ou cedesse aos seus caprichos, mas sim vai dar-lhes uma lição sem que por isso o nome de De’s se veja profanado.

Então De’s vai dar-lhes de comer carne, mas sob a condição de que o façam de um modo elevado. Não como o fazem os animais, mas sim que o façam como seres humanos.

Entre o povo, não todos aceitaram esta premissa, e teimaram em continuar com os seus caprichos, amontoando carne durante três dias e comendo selvaticamente, sem cuidar minimamente as pautas de higiene e saúde. Os que comeram como animais foram os que morreram.

Deste modo, por um lado, De’s demonstra-lhes que é todo-poderoso, e pode até providenciar carne no deserto, e, por outro lado, dá uma lição àqueles que agiram de forma selvagem, desafiante e atrevida, que insistiram em pôr De’s à prova constantemente. Esses são os que no fim foram castigados.

Parashat Naso

Bircat Cohanim – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Na Torá, o termo Brachá aparece em Bereshit 1:22, quando De’s abençoa os peixes, e depois também com Adão, que é abençoado por De’s. Aparentemente, refere-se a abundância, capacidade de se multiplicar. Depois voltamos a encontrar este termo com Abraão, Sara, Isaac, Jacob, Yosef, o povo de Israel, e posteriormente com Bilam, quando troca a maldição por bênção. Em Devarim 28, a Torá fala das bênçãos e das maldições. Aí repete-se dez vezes o termo Brachá, fazendo alusão a bênção de comida, paz, descendência, bem estar, etc. Em conclusão, podemos observar que as bênçãos se referem à abundância de bem em todos os sentidos.

Na Brachá dos Cohanim, não se explica nem se especifica muito; apenas diz: Que De’s te abençoe e te guarde. Podemos deduzir que, tal como nas demais passagens onde aparece a palavra bênção, aqui também se refere a uma abundância geral. Não está limitado a uma coisa em particular. Então Brachá é dar-nos tudo de bom.

Que nos guarde refere-se a cuidar e manter tudo isso que estava incluído com o termo Brachá.

Isto gera uma questão: se este versículo inclui toda a brachá — abundância de bem — e cuidar-nos para não perdermos todo esse bem, então para que fazem falta as duas bênçãos que vêm a seguir? Já está tudo incluído; o que vêm acrescentar os versículos seguintes?

A resposta a esta pergunta é que quando diz Que De’s te abençoe e te guarde, é o título, e agora vai especificar, vai desenvolver o que nos disse. Um versículo vai desenvolver o termo te abençoe e o outro vai desenvolver o termo te guarde.

Para entender a diferença entre ilumine o Seu rosto sobre ti, que se relaciona com te abençoe e o outro versículo, que diz torne o Seu rosto sobre ti, que se relaciona com te guarde, devemos analisar o contrário de cada um destes conceitos.

O contrário de ilumine o Seu rosto sobre ti é que De’s o despreze (Charon af) e o contrário de torne o Seu rosto sobre ti é que De’s oculte o seu rosto de ti (Ester Panim).

Portanto, que De’s nos ilumine quer dizer que não nos despreze, e que nos dê abundância, nos ilumine, e isto inclui o maior bem, que é o bem espiritual, por isso diz te agracie, e encontrar Graça aos olhos de De’s refere-se a estar num nível alto de espiritualidade.

Então: ilumine é dar e alcançar o nível alto da espiritualidade.

Depois, ao dizer torne o Seu rosto sobre ti, refere-se a que não estejamos no nível de Ester Panim, que é quando De’s se oculta. Ao não estarmos sob a Sua proteção, ficamos à mercê dos outros, que nos podem prejudicar. O que este versículo diz é que De’s não se oculte e que permaneçamos sob a Sua proteção. É por isso que acaba dizendo que nos concederá o Shalom, quer dizer, que De’s nos proteja, e então estaremos em paz e harmonia, tendo abundância de bem-estar físico e espiritual, estando sob a proteção de De’s e não à mercê dos demais.

Em resumo:

Que De’s nos envie grande abundância e que no-la conserve.

Que não nos despreze e nos dê abundância e que possamos alcançar um nível alto de espiritualidade.

Que não se oculte de nós, que nos proteja, para assim podermos estar em paz e harmonia.

Não há dúvidas de que quem abençoa é De’s, o que fica especificado ao dizer E porão o Meu Nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei.

O motivo pelo qual a bênção é através dos Cohanim é porque De’s quer que o povo seja consciente e saiba que Ele nos abençoa diariamente. Devido ao facto de não ser realista pretender que todos os dias surja uma voz celestial a pronunciar a bênção ao povo de Israel, De’s estipulou que aqueles que estão mais próximos ao Seu culto, os mais elevados espiritualmente, sejam eles a pronunciar, em nome de De’s, esta bênção. Desta maneira, o povo escutará diariamente a bênção de De’s.

O povo de Israel não é abençoado por si só, não se trata de algo genético; é tal como De’s estabeleceu no monte Sinai, quando fez um pacto com o povo e lhes disse: Se escutardes a Minha voz e cuidardes do Meu pacto, então sereis um povo seleto e elevado para Mim. Ao longo de toda a Torá, vemos que a bênção e a prosperidade prometidas por De’s ao povo de Israel são algo condicional; existirão durante o tempo que o povo transitar pelos caminhos de De’s.

Em hebraico, o termo Brachá escreve-se com as letras Beit, Reish e Caf. O valor numérico da primeira letra é igual a 2 , o da segunda letra é igual a 200 e o da terceira é 20. São números que falam de multiplicação e abundância.

Parashat Bamidbar

O censo e os Leviim – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

De’s, ao dizer-nos os limites da terra, fá-lo para que saibamos tudo o que temos que conquistar, mas também para que saibamos que só até aí se deve conquistar, e não mais. O nosso objetivo não é sermos imperialistas.
Nesta parashá encontramos várias coincidências: O povo no total são 603 mil pessoas; o valor numérico das palavras Bene Israel – “Filhos de Israel” é 603.
Diz-nos que havia 22.000 leviim e, em contraposição, havia 22.273 primogénitos, que são aqueles que foram trocados pelos leviim. Os leviim são poucos, quase 30% da população das demais tribos. Isto é assim porque o povo ia ter que os sustentar e dar-lhes territórios nas suas cidades. De’s não quis que fossem muitos para não se transformarem num peso para o povo, pois, se os leviim fossem muito numerosos, o povo, em vez de lhes dar o dízimo, iriam ter que lhes dar o 20% para os poder sustentar.
Se a Terra era dividida por goral — sorteio – , para quê saber quantos são em cada tribo?
Para demonstrar que o que saiu por goral — por sorteio — é o correto. Não só é necessário fazer Tzedek — justiça —, mas, para além disso, é necessário que essa justiça seja visível para todos.
Porquê quando eram contados os leviim no censo, contavam-se aqueles que tinham entre 30 e 50 anos, enquanto que, para o resto do exército (o resto do povo), eram contados desde os 20 aos 60 anos?
Isto é assim porque para o exército faz falta força física, enquanto que no santuário faz falta Shikul daat — maturidade inteletual e sensatez, e não ter maus pensamentos. É por isso que se preferia indivíduos mais maturos intelectualmente.
Como sabemos que agora o povo de Israel sai do monte Sinai para entrar na Terra de Israel? Se analisarmos mais à frente, quando a Torá nos relata que partiram do monte Sinai, notaremos que é a mesma data que diz aqui no princípio do livro Bamidbar, quando se ordena o censo. E aí vemos claramente que o povo se dirige à Terra de Israel. Para além disso, Moisés, nessa ocasião, tinha dito a Itró, seu sogro, que iam até a terra de Israel, tal como já tinha mencionado em Shemot.
Se vão para a terra de Israel, o mais provável é que tenham que preparar o exército para a luta e para a conquista, pelo que é lógico ter que os contar, para poder organizar o exército. Mas está escrito que De’s vai lutar por eles. Para quê então contar o povo para a guerra? A resposta é que, se bem que é De’s que nos faz triunfar, temos que fazer o nosso hishtadlut — o nosso esforço. De’s ajuda-nos derech hateva — de forma natural – , e não de forma milagrosa, tal como aconteceu por exemplo na Guerra dos Seis Dias.
Apesar de não ter sido de forma natural com o rei Ezequias, pois De’s feriu com uma peste os inimigos que estavam a sitiar a cidade de Jerusalém, de tal forma que todos os inimigos morreram e o povo de Israel não teve que lutar, nessa ocasião foi assim porque não havia outra opção para além do milagre.
Se bem que as tribos de Simeão e Levi receberam a mesma bênção por parte de Jacob (de que seriam dispersados entre as demais tribos), mais do que uma bênção foi uma reprimenda pelo que tinham feito ao povo de Shchem. Apesar disso, Levi melhorou até ao ponto de chegar a ser Nachalat HaShem — Herança de De’s –, enquanto que Simeão passou a ser a tribo menos numerosa. Isto foi assim porque perdeu muita gente por causa das diferentes pestes que De’s enviou ao povo como castigo pelas numerosas rebeliões que efetuaram no deserto, por exemplo com baal peor — idolatria. Isto demonstra que esta tribo estava muito envolvida nesses erros.
Qual é o objetivo do censo? Um reduzido número de indivíduos que servem a De’s, ou um grande povo que faz a vontade de De’s, não é o mesmo. É notavelmente mais louvável quando se pode ver uma pequena família no meio de um povo idólatra, que se desenvolve e se transforma num povo numeroso, conhecedor de De’s, e que se torna meritório de ouvir a voz do Criador. Que construa um santuário para Ele e que Ele se transforme no centro das suas vidas. Estes são os que foram denominados de tzivot HaShem— as Hostes de De’s – , e, tal como está escrito: Verov am, hadarat Melech – Quanto mais numeroso for o público, mais se notará o louvor ao Rei. Portanto, o facto de serem frutíferos e numerosos, isso, em si mesmo, já é um louvor a De’s.
Para além disto, o facto de serem tantos é uma prova de que De’s cumpriu o que tinha dito aos patriarcas, que se transformariam num povo muito numeroso.
Outro motivo é que, ao sermos conscientes de que se trata de um povo muito numeroso (aproximadamente 3 milhões de pessoas ou mais), torna-se mais notória a maravilhosa proteção divina, que não só tirou toda esta gente do Egito, como também os conduziu e os alimentou no deserto e os levou à Terra de Israel.
A tribo de Levi é quem leva o Aron — a Arca, ou seja, a mercavá — a carroça celestial, por isso se diz: Shuva HaShem (…) ribebot alfe Israel (Regressa, De’s, a residir entre as dezenas de milhares de Israel) Ribebot = dezenas de milhares. Ao dizer “dezenas”, no plural, devemos supor que pelo menos são duas, ou seja 20.000, e alfe = milhares, pelo menos dois, quer dizer 2000. No total são 22.000, que é o número dos integrantes da tribo de Levi.

Parashat Bechucotai

As bênçãos – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Em primeiro lugar, temos que analisar se todas estas coisas boas que nos são  prometidas são milagre ou são algo natural. Quer dizer, é normal a natureza comportar-se assim tão bem, ou não?

Nachmánides defende que a Torá está a falar de uma época milagrosa. A natureza geralmente não se comporta assim.

No entanto, para rabi Simcha Cohen, no seu livro Meshech Chochmá, não se trata de uma época milagrosa, mas sim esse é o estado normal da natureza. De’s criou a natureza para que ela funcione bem (chuvas boas e a seu tempo e não inundações, furacões ou desastres), mas, quando o ser humano não anda no bom caminho, então a natureza não se comporta como se deveria comportar. Os milagres existem para que não nos esqueçamos de que a natureza não é tudo, mas sim que há Alguém que está acima dela, que é quem a criou e quem a controla.

É possível que Nachmánides e Meshech Chochmá se não se contradigam, e que na realidade estejam a dizer o mesmo, apenas de ângulos diferentes. O milagre acontece quando as coisas deixam de agir como costumavam fazê-lo e passam a agir de uma maneira mais benéfica no momento em que se necessita. Hoje em dia (devido ao nosso estado atual), a natureza comporta-se como se comporta, e não vemos todas as coisas boas que a Torá nos anuncia aqui. No entanto, quando o povo se comportar da maneira correta, então a natureza deixará de agir assim e será muito mais benéfica.

O mais provável é que a Torá, quando fala de todas estas bênçãos no caso de nos mantermos fiéis à Torá, se refira a todo o povo e não a casos particulares. Prova disso é que a Torá expressa esta ideia no plural e não no singular.

No que diz respeito a quais são os requisitos para que nos aconteçam estas coisas boas, seria propício analisar outras passagens da Torá, onde ela nos fala de coisas parecidas, quer dizer, do bem-estar no caso de andarmos pelo caminho dos preceitos.

Isto acontece na parashá Ekev (Deuteronômio capítulo 7), em Ki Tissá (Deuteronômio capítulo 28) e no Shemá (Deuteronômio capítulo 11). Nas duas primeiras, a Torá fala-nos de efetuar os preceitos; não nos diz nada acerca da intenção, do pensamento ou do sentimento que devem acompanhar esses preceitos. No Shemá, fala-nos específica e claramente de fazermos as coisas sinceramente e com o coração. Mas, se observarmos com maior profundidade, notaremos que, na realidade, tanto em Ekev como em Ki Tissá a Torá também nos fala acerca da intenção sincera. Tal como diz o comentarista Seforno, em Vaikrá 26:3, o termo hebraico shamor— cuidar — refere-se também a cuidar de realizar os preceitos da maneira mais correta, e isto obviamente inclui um pensamento e um sentimento corretos.

Em conclusão, vê-se claramente que sempre que a Torá nos fala de uma recompensa por ter cumprido os preceitos, não se refere a cumpri-los de forma automática, sem reparar no sentido e na mensagem dos mesmos.

Porque não nos promete a Torá o bem maior, quer dizer, o mundo vindouro? Para responder a esta pergunta recorreremos às palavras de Rambam na introdução ao Perek Chelek: No entanto, o significado dos benefícios e das desditas que estão escritas na Torá é o seguinte: Ele assegura-te que se cumprires esses preceitos, ajudar-te-á a poder praticar os mandamentos de forma íntegra, retirando do teu caminho todo o tipo de obstáculos que te impeça de os realizar, já que é impossível ao Homem cumprir os preceitos[na sua integridade] estando doente, com fome ou com sede, como também não em época de guerra ou perseguições, portanto, De’s assegura que afastará todas estas coisas e nos manterá sãos e tranquilos para que, deste modo [possamos realizar os preceitos e] alcançar um conhecimento pleno, tornando-nos então meritórios do mundo vindouro.

Portanto, o objetivo desta recompensa pelo cumprimento dos preceitos não é atingir a abundância terrena ou desfrutar de uma vida longa e saudável; todas estas recompensas são um meio para poder cumprir a Torá plenamente.

Algo similar é expresso em Hilchot Teshuvá, capítulo 9.

Que quer dizer que “De’s andará entre nós”? Encontramos um texto similar a este, que nos fala metaforicamente de que De’s “andava” entre os homens. Refiro-me ao princípio do livro de Génesis (3: 8), quando a Torá nos fala do Jardim do Éden. Ali diz-nos que ouviram a voz do Criador, que andava no meio do jardim. Quer dizer, aqui diz-nos que, se cumprimos bem todos os preceitos, então vamos atingir um nível tão alto como o de Adão quando estava no Jardim do Éden.

E é precisamente este o objetivo da saída do Egito, quer dizer, deixar de servir e de ser escravos deste mundo. Dessa maneira atingiremos um nível superior, e então este mundo servir-nos-á a nós, como um meio para nos tornarmos meritórios da vida eterna.

Uma vez que atinjamos esse nível superior, então chegaremos ao nível de compreender que De’s é o centro da nossa vida. A isto se refere a Torá quando diz: Eu serei para vós De’s. \lsdpriority47