YTZJAK LÓPEZ DE OLIVEIRA: UMA HISTÓRIA PESSOAL

Ytzjak López de Oliveira é responsável pela Casa Anussim, o centro de visitantes da Shavei Israel em Belmonte, Portugal.

Por trás de cada história estão as pessoas que as fazem acontecer. A história do centro de visitantes da Shavei Israel em Belmonte, Portugal, não é excepção. A pessoa por trás dele é Ytzjak López de Oliveira.

Ytzjak López de Oliveira é responsável pela Casa Anussim, o centro de visitantes da Shavei Israel em Belmonte, Portugal. Ytzjak nasceu em La Corunha, Galiza, Espanha. É descendente de Conversos (também chamados marranos) da «Raia», a zona fronteiriça entre Portugal e Espanha.

Depois de fundar a Comunidade Judaica Ner Tamid da Corunha, e sabendo a sua situação irregular no judaísmo, Ytzjak, um arquiteto paisagista de profissão, entrou em contacto com a Shavei Israel através do rabino Elisha Salas, que era na época o rabino da comunidade de Belmonte, Portugal. Sob a orientação e tutela do rabino Elisha Salas e o apoio inabalável da Shavei Israel, Ytzjak regressou ao judaísmo e continua estudando para expandir seus conhecimentos e aprofundar sua conexão com sua herança cultural.

– A minha casa, – explica Ytzjak, – que era originalmente o centro da Shavei Israel em Belmonte, ainda é um ponto de encontro para estudantes em processo de conversão e judeus em trânsito, que aqui, como o rabino Elisha me ensinou, receberão sempre umas boas-vindas calorosas no Shabat, feriados e em qualquer dia da semana. Ofereço-lhes principalmente comida sefardita, receitas de família e canções (até em Ladino), para que tenham boas lembranças da sua visita graças à Shavei Israel. –

Desfasagem Parashiot

Perguntas:

O que são parashiot?

Quem as instituiu?

Quando começamos a ler a Torá?

Por que às vezes lemos uma Parashá em Israel e outra diferente na Diáspora?

O que acontece se um dia festivo coincide com Shabat?

Parashá traduz-se como o “caso”, “tema” ou porção” da Torá a estudar. É uma divisão do texto da Torá em partes, para facilitar a leitura da mesma. Cada parshá tem como nome a expressão ou palavra com a qual começa. Por exemplo, a Parshá Vaikrá tem esse nome porque começa assim: Vaikrá El Moshe vaidaber HaShem elav …(E o Eterno chamou Moisés e falou Hashem com ele…).

Cada parashá, por sua vez, é dividida em partes chamadas “aliot” (plural de “aliá”, que literalmente significa “subida”). Essas partes são chamadas aliot porque, para a leitura de cada parte, na sinagoga, é chamado um homem diferente, que sai fisicamente do lugar onde está sentado e se desloca (“sobe”) para o lugar onde está a Torá, para a “ler.” (Entre aspas, porque na verdade há na sinagoga um leitor de Torá, que lerá por ele.)

A Torá, no mundo judaico, é lida publicamente por partes: a cada semana corresponde uma parashah, e a leitura pública, na sinagoga, é feita todas as segundas, quintas e Shabat. Nas segundas e quintas é lida a primeira aliá da parashá, e no Shabat é lida a parashah completa.

Segundo o Talmud, este sistema de leitura foi estabelecido pelo escriba Esdras, após o retorno do exílio na Babilônia. Este sistema acontece em todas as sinagogas do mundo. A divisão por parashiot faz com que o mundo judaico se conecte, já que todos nós lemos a mesma parte pré-definida a cada semana, por ordem, de tal modo que, no final do ano, temos a Torá completa lida por inteiro.

Quando isso acontece, ou seja, quando chegamos ao fim da Torá, celebra-se uma festa, que é a festa de Simchat Torá. Nesta festa celebra-se o final de um ciclo de leitura e o começo de outro. Lê-se a última parashá, que é VeZot HaBerachá, e a primeira aliá da primeira parashá da Torá, que é Bereshit (que significa, precisamente, “no principio”, e nos relata o principio da Criação, sendo também precisamente o princípio da Torá).

Mas há exceções a este sistema de leitura: quando uma das três festas chamadas Shalosh Regalim (Pessach, Shavuot e Sucot) coincide com Shabat, lê-se a parte correspondente à festa, e não aquela que seria “normal” ler naquele Shabat, de acordo com a ordem das Parashiot. Por exemplo, este ano (5779), o primeiro dia de Pessach coincidiu com Shabat, pelo que, em vez de se ler a parashá Acharei Mot (que seria o normal, porque a anterior foi Metzorá), leu-se a parte correspondente à festa de Pesach, que se encontra na parashá Beshalach. Quando isso acontece, a leitura normal é retomada no Shabat seguinte. Neste caso, foi lida então Acharei Mot.

Por outro lado, devido à lentidão das comunicações e à ausência de tecnologia que existia no mundo antigo, os nossos sábios determinaram que fora de Israel, na diáspora, estas três festas (Pessach, Shavuot e Sucot) fossem celebradas com dois dias festivos consecutivos, e não apenas um como em Israel, para evitar que, por algum erro de cálculo, alguma comunidade isolada corresse o risco de se enganar no dia e celebrar o Yom Tov (dia festivo) no dia errado. Isto é, para cada feriado ordenado pela Torá, os sábios acrescentaram mais um dia para a diáspora.

Por esta razão, e embora, como eu disse, todo o mundo judaico leia as mesmas parashiot ao mesmo tempo, quando na diáspora o segundo dos dois dias festivos consecutivos coincide com Shabat, há um  desfasamento entre Israel e o resto do mundo judaico em relação à leitura da Torá.

Este ano, esse desfasamento ocorre esta semana, quando na diáspora estarão a ler Acharei Mot, enquanto em Israel já estaremos a ler Kedoshim. (Porque quando lemos Ajarei Mot em Israel, na diáspora leram a leitura do oitavo dia de Pessach, que não existe em Israel, porque em Israel apenas se celebram 7 dias de Pessach.)

Outra particularidade da organização da leitura da Torá em parashiot é o fato de existirem parashiot que podem ser lidas juntas. (Mejubarot). As razões para o estabelecimento desses “pares” de parashiot são complexas e estão fora do âmbito deste texto, mas pode dizer-se, para simplificar, que esses pares foram estabelecidos porque as semanas do ano não seriam suficientes para ler a Torá inteira, devido à própria duração do ano judaico e ao facto de que quando uma festa coincide com Shabat, não se lê a parashá correspondente ao Shabat mas  sim a da festa, como vimos anteriormente.

Graças à existência destas parashiot mejubarot, as leituras de Israel e da Diáspora serão igualadas novamente em agosto, (no 2º dia do mês hebraico de Av), quando as Parashiot Matot e Masei forem lidas juntas na diáspora. A partir desse dia, até novo desfasamento, estaremos novamente todos juntos.

Mas em pensamento estamos sempre! A nossa Torá une o povo de Israel no seu espírito e na sua devoção, mesmo que a sua leitura esteja temporariamente desfasada. É curioso pensar que, no que diz respeito à leitura da Torá, pode considerar-se que Israel, em certos momentos, está à frente no tempo, vivendo de certa maneira no futuro. Quem viajar da Diáspora para Israel numa dessas semanas e regressar ao seu país no Shabat seguinte, sentirá essa “viagem no tempo”, porque, quando regressar e ouvir novamente a mesma parashá, sentirá que viajar para Israel é como viajar para o futuro.

Shabat Shalom desde Israel,

Rabino Elisha Salas

Renascimento Judaico na América Central

Artigo por Rhona Lewis

É mais do que o corte de cabelo que transforma o bebé Yitzchak num rapaz. É mais do que o bolo cor-de-rosa e branco enfeitado com o número 12 que marca a passagem da Keren à idade adulta. É mais do que a Chupá, centros de mesa e danças por separado. É o renascimento do judaísmo e está a acontecer num cantinho longínquo do mundo — em El Salvador, na América Central. O rabino Elisha Salas tornou-se o rabino permanente desta comunidade em agosto deste ano e está lá para orientar estas pessoas, chamadas Bnei Anussim, na passagem pelos marcos da vida judaica.

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O emissário da Shavei Israel celebra o seu primeiro casamento em El Salvador

O dia 9 outubro foi um dia muito especial de alegrias consecutivas, muitas emoções e um ambiente de felicidade para as famílias da comunidade de Beit Israel, de San Salvador.

O rabino Elisha Salas, que recentemente começou a sua atividade como emissário da Shavei Israel para a comunidade local de Bnei Anussim, partilhou connosco algumas fotografias destes incríveis eventos, designadamente do casamento de Yehudit Bat Abraham e Moisés Hernández, o primeiro casamento celebrado pelo rabino Salas como rabino da comunidade de El Salvador.

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Mais uma visita do Rabino Elisha Salas à comunidae de Alicante, Espanha

O rabino Elisha Salas, emissário da Shavei Israel para Espanha e Portugal, foi mais uma vez a Alicante, Espanha, e passou uns dias muito produtivos com os seus alunos, com aulas e atividades várias para os Bnei Anussim da comunidae local. O programa incluiu aulas de judaísmo e de hebraico para adultos e crianças, serviços de shabat e um jantar comunitário.

Aqui ficam algumas fotos desses dias:

Herói do Dia

Ishai Salas, de 27 anos de idade, enfrenta o terror dos papagaios (pipas) incendiários em Sderot, que faz fronteira com a Faixa de Gaza, de onde são lançados papagaios (pipas) incendiários para atacar o território israelita. Ishai Salas, que combate incêndios há 5 anos, enfrentou mais de 50 incêndios nesta última onda de violência.

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Paz, Shalom, Salam, Fraternidade!

No passado dia 25 de Abril, o rabino Elisha Salas, emissário da Shavei Israel para Portugal e Espanha, participou, na cidade do Porto (Portugal), numa conferência intitulada “A Fraternidade na Europa das religiões do século XXI”.

Tratou-se de uma conferência organizada por um grupo independente de intelectuais e pensadores portugueses, com o propósito de explorar os vários contributos que as religiões monoteístas podem dar para a consecução do objetivo mundial de “agirmos uns com os outros em espírito de fraternidade”, tal como consta do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

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