Parashat Vaetchanán

O paradoxo do povo escolhido

Retirado do livro Mas allá del versículo, do Rabino Eliahu Birnbaum

Pois vós sois um povo santo para o Eterno vosso De’s. O Eterno vosso De’s escolheu-vos por povo Seu entre todos os povos que há sobre a face da terra. O Eterno comprazeu-se convosco e vos escolheu, não porque éreis mais numerosos que os demais povos, na realidade éreis o mais pequeno, mas sim porque o Eterno vos amava e porque quis cumprir o juramento que tinha feito a vossos pais. Por isso vos arrancou da mão do faraó, rei do Egito, redimindo-vos da casa da servidão. Tende em conta, pois, que só o Eterno vosso De’s, um De’s fiel que guarda o Pacto e é piedoso até à milésima geração com quem cumpre os seus mandamentos, e dá o seu merecido aos que o aborrecem… (Deuteronómio 7, 1-10)

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Parashat Pinchas

As festividades de Israel 

Retirado do livro Mas allá del versículo, do Rabino Eliahu Birnbaum

E no dia 14 do primeiro mês celebrar-se-á Pesach do Eterno. E o dia 15 desse mês será festivo. Durante sete dias comer-se-á Matzá. O dia primeiro será de santa convocação. Não fareis nele trabalho servil algum (…) Assim fareis os sete dias, oferecendo ao Eterno suas oferendas () E o dia primeiro do mês sétimo (Rosh Hashaná), será de santa convocação, não fareis nele trabalho servil. É dia que se celebrará ao som da trombeta () E o dia 10º do mesmo mês (Yom Kipur) será para vós de santa convocação. Afligíreis vossas almas e não fareis trabalho servil () E o dia 15 do mês sétimo será do mesmo modo de santa convocação (Sucot). Nele não fareis trabalho servil e celebrareis a festividade ao Eterno durante sete dias () E disse Moisés aos filhos de Israel tudo o que o Eterno tinha ordenado.“ (Números 29,1 – 39)

Esta parashá apresenta a sequência temporal dos acontecimentos da Torá; abre uma janela para o mundo fascinante das festividades, para que, através delas, conheçamos o seu significado e importância, assegurando assim a memória das tradições do povo judeu. Para além deste acervo de festividades que aparecem na Torá, existem outras que surgem e se tornam vigentes a partir das palavras dos nossos sábios, que fixaram normas e festividades em diferentes épocas, posteriores à entrega da Torá. As festividades da Torá e as estabelecidas pelos nossos sábios abrangem na sua totalidade os dias de alegria, invocação e memória do povo de Israel ao longo de todas as gerações.

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Parashá Korach

Retirado do livro Más allá del versículo, do rabino Eliahu Birnbaum

A rebelião em nome da ideologia

Corach, filho de Itzhar… e Datan e Aviram… encheram-se de soberbia e levantaram-se contra Moisés, acompanhados por duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, toda a gente de renome e conjurando-se contra Moisés e Aarão, enfrentando-os: “Atribuís-vos demasiado. Toda a congregação é santa e o Eterno está no meio dela. Porque então vos engrandeceis sobre o povo do Eterno?” Ao ouvir isto, Moisés prostrou-se com o rosto em terra e logo disse a Corach e à sua gente: “Amanhã o Eterno fará saber quem é Seu e quem é santo e quem quer a Seu lado, já que quem for escolhido por Ele poderá aproximar-se a Ele…” E a terra abriu a sua boca e engoliu-os, junto com as suas tendas e todos os seus pertences…”  (Números, 16, 1-35)

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Parashat Behaalotcha

A Menorá: símbolo de dinamismo e otimismo.

Por Rabino Eliahu Birnbaum

«E disse o Eterno a Moisés: “diz a Aarão: Quando acenderes as luzes do candelabro, fá-lo de modo a que alumiem para a frente” e Aarão assim o fez, orientando as sete luzes para a frente conforme a ordem dada a Moisés pelo Eterno. A feitura do candelabro era de ouro cinzelado martelo, tanto no seu tronco como nas suas flores, conforme o modelo que tinha mostrado o Eterno a Moiseés.» (Números, 8, 1-5)

A Menorá (candelabro) é um dos utensílios mais importantes do tabernáculo do deserto e do templo sagrado de Jerusalém. Estava construída de uma só peça de ouro puro e enfeitada com gravuras e flores que lhe davam um aspeto belo e imponente.

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Parashat Bamidbar

O exército do povo

Por Rabino Eliahu Birnbaum

«E disse o Eterno a Moisés no deserto do Sinai, no tabernáculo… “Fazei o censo de toda a congregação dos filhos de Israel, pelas suas famílias e suas casas paternas, tomando em consideração os homens de vinte anos para cima, ou seja, todos os que estão aptos para pegar em armas em Israel.» (Números, 1, 1-5)

O quarto livro da Torá, Bamidbar, o livro de Números, conta a história do povo de Israel nas suas deambulações pelo deserto, desde o segundo ano da saída do Egito, até o ano quarenta. O livro de Números é o livro da Torá mas variado no seu conteúdo. Nos três livros anteriores, é mais fácil encontrar o fio condutor: O livro de Génesis é o livro dos patriarcas e da sua história. O livro do Êxodo é o livro que narra o surgimento do povo. Levítico é o livro dos sacrifícios e da santificação. Mas o livro de Números está composto por diferentes temas, e não se centra num tema fundamental como os livros anteriores.

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Parashat Mishpatim

O monoteísmo ético.

«E estas são as leis que lhes darás. Quando comprares um escravo hebreu, servirá para ti seis anos, e no sétimo ano sairá em liberdade gratuitamente» (Êxodo, 21, 1-3)

Esta parashá, que inclui numerosas leis e mitzvot da religião judaica, aparece imediatamente depois dos Dez Mandamentos. Depois da entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai, o povo poderia ter considerado que estes continham a totalidade das suas obrigações religiosas e morais. A parashá Mishpatim vem ensinar-nos que, para sermos pessoas morais, não é suficiente cumprir os Dez Mandamentos. Também não é suficiente cumpri-los para executar todas as obrigações religiosas judaicas.

Os Dez Mandamentos, a parashá Mishpatim e todas as mitzvot foram entregues ao povo somente depois da sua saída do Egito. Se o povo de Israel tivesse recebido a Torá antes da saída do Egito, isso teria sido contra o plano divino, já que o objetivo da Torá coincide com o da liberdade. O objetivo da liberdade é ajudar o Homem a atingir um alto nível de moralidade de forma autónoma. A Torá é a “receita” do Eterno para que, através dela, o Homem alcance o seu propósito, tornando-se deste modo merecedor da sua imagem e semelhança divinas.

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Parashat Itró

O Homem e a fé no mundo moderno.

«E disse De’s estas palavras: “Eu sou o Eterno teu De’s, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás esculturas nem imagens do que há acima nos céus nem abaixo na terra nem nas águas debaixo da terra.”»

(Êxodo, 20.2-4) 

Nesta parashá encontramo-nos pela primeira vez com os Dez Mandamentos, que foram entregues ao povo de Israel como parte dos seus preceitos morais e religiosos. O primeiro dos Dez Manda

mentos refere-se à fé em De’s. Este primeiro mandamento afirma que o conhecimento de De’s é simultaneamente a negação dos ídolos.

De’s “apresenta-se” neste primeiro mandamento perante o povo de Israel, ensinando o preceito da fé em De’s. A sua apresentação é clara e concisa. “Eu sou o teu De’s, que te tirou da terra do Egito…” De’s apresenta-se como o De’s da História, um De’s pessoal, que é consciente do que acontece com o seu povo e não é alheio à sua situação.

Muitas personalidades tentaram definir o que é a fé. Mas apesar de se tratar de um conceito antigo, cada geração tenta defini-lo para o adequar às necessidades específicas do seu tempo.

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