Parashat Devarim

O vosso irmão Esav – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Antes de entrar na Terra de Israel, Moisés quer transmitir-nos uma mensagem muito importante.

Anteriormente, em Bamidbar 20, Moisés tinha enviado mensageiros ao rei de Edom, dirigindo-se-lhe muito fraternalmente e pedindo-lhe licença para passar pelo seu território a caminho da terra de Canaã. Edom recusa-se. Moisés insiste e tenta convencê-lo com palavras amáveis, mas Edom recusa-se novamente e posiciona-se frente a Israel em formação de batalha.

Moisés volta a repetir a História: Tal como Yaacov enviou mensageiros a Esav antes de regressar à terra de Canaã, Moisés envia mensageiros aos descendentes de Esav. São utilizadas palavras muito similares: Envía mensageiros, trata Esav como seu irmão, e é mencionada a terra de Seir. Isto é o que os sábios chamam Maasé avot siman le banim. (As ações dos patriarcas são um guia para os seus filhos).

Vemos que antes de entrar na Terra de Israel, os israelitas têm que passar pelo território de Esav.

Os israelitas vêm de um longo caminho, cansados, tendo andado durante 40 anos pelo deserto sem poder assentar, e agora que por fim estão tão perto, têm que ter em conta todos os caprichos de Esav, que se recusa a deixá-los passar? Qual é o mérito tão grande de Esav para De’s nos exigir que não o provoquemos nem lhe façamos o menor mal?

O Midrash Rabá diz-nos que Isaac deu a Esav uma só bênção («que pela sua espada viverá»), enquanto que Yaakov foi abençoado com 10 bênçãos. Então temos que ser muito cuidadosos em não lhe retirar esta bênção, caso contrário De’s retira-nos as nossas.

O que o midrash nos está a insinuar é que a bênção que Isaac deu a Esav deve ser respeitada. Por um lado, Isaac abençoou Esav para ele viver pela sua espada (quer dizer, que não seria vencido pela espada), e, por outro lado, Isaac abençoou Iaacov e fê-lo herdar a terra que De’s prometeu a Abraham. Agora bem: Se Iaacov enfrentar Esav, uma das bênçãos deixa de se cumprir: Se Iaacov ganhar, então Esav perde o seu poder militar e deste modo toda a sua autoestima cai. Por outro lado, também não pode deixar de se cumprir o que foi dito a Iaacov sobre a terra prometida a Abraham. É por isso que De’s quer evitar esta situação, e como Israel tem a possibilidade de entrar por outro lado, ordena-lhe que não provoque nem incite Esav.

Outro midrash diz-nos que o motivo pelo qual De’s faz questão de não enfrentarmos Esav é que Esav tem um grande mérito, que é o respeito ao seu pai.

Um terceiro midrash conta-nos que De’s quis recompensar Esav pela atitude que teve com Iaacov quando se reencontrou com ele, que não lhe fez mal, não o enfrentou, não se aproveitou da sua fraqueza nem fez uso ou exibiu a sua força. Ofereceu-se para lhe organizar uma escolta de proteção para o acompanhar e chama-o meu irmão. É por isso que agora De’s impede que Israel faça mal a Esav, e exige-lhe que o trate como um irmão.

Parashat Naso

Bircat Cohanim – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Na Torá, o termo Brachá aparece em Bereshit 1:22, quando De’s abençoa os peixes, e depois também com Adão, que é abençoado por De’s. Aparentemente, refere-se a abundância, capacidade de se multiplicar. Depois voltamos a encontrar este termo com Abraão, Sara, Isaac, Jacob, Yosef, o povo de Israel, e posteriormente com Bilam, quando troca a maldição por bênção. Em Devarim 28, a Torá fala das bênçãos e das maldições. Aí repete-se dez vezes o termo Brachá, fazendo alusão a bênção de comida, paz, descendência, bem estar, etc. Em conclusão, podemos observar que as bênçãos se referem à abundância de bem em todos os sentidos.

Na Brachá dos Cohanim, não se explica nem se especifica muito; apenas diz: Que De’s te abençoe e te guarde. Podemos deduzir que, tal como nas demais passagens onde aparece a palavra bênção, aqui também se refere a uma abundância geral. Não está limitado a uma coisa em particular. Então Brachá é dar-nos tudo de bom.

Que nos guarde refere-se a cuidar e manter tudo isso que estava incluído com o termo Brachá.

Isto gera uma questão: se este versículo inclui toda a brachá — abundância de bem — e cuidar-nos para não perdermos todo esse bem, então para que fazem falta as duas bênçãos que vêm a seguir? Já está tudo incluído; o que vêm acrescentar os versículos seguintes?

A resposta a esta pergunta é que quando diz Que De’s te abençoe e te guarde, é o título, e agora vai especificar, vai desenvolver o que nos disse. Um versículo vai desenvolver o termo te abençoe e o outro vai desenvolver o termo te guarde.

Para entender a diferença entre ilumine o Seu rosto sobre ti, que se relaciona com te abençoe e o outro versículo, que diz torne o Seu rosto sobre ti, que se relaciona com te guarde, devemos analisar o contrário de cada um destes conceitos.

O contrário de ilumine o Seu rosto sobre ti é que De’s o despreze (Charon af) e o contrário de torne o Seu rosto sobre ti é que De’s oculte o seu rosto de ti (Ester Panim).

Portanto, que De’s nos ilumine quer dizer que não nos despreze, e que nos dê abundância, nos ilumine, e isto inclui o maior bem, que é o bem espiritual, por isso diz te agracie, e encontrar Graça aos olhos de De’s refere-se a estar num nível alto de espiritualidade.

Então: ilumine é dar e alcançar o nível alto da espiritualidade.

Depois, ao dizer torne o Seu rosto sobre ti, refere-se a que não estejamos no nível de Ester Panim, que é quando De’s se oculta. Ao não estarmos sob a Sua proteção, ficamos à mercê dos outros, que nos podem prejudicar. O que este versículo diz é que De’s não se oculte e que permaneçamos sob a Sua proteção. É por isso que acaba dizendo que nos concederá o Shalom, quer dizer, que De’s nos proteja, e então estaremos em paz e harmonia, tendo abundância de bem-estar físico e espiritual, estando sob a proteção de De’s e não à mercê dos demais.

Em resumo:

Que De’s nos envie grande abundância e que no-la conserve.

Que não nos despreze e nos dê abundância e que possamos alcançar um nível alto de espiritualidade.

Que não se oculte de nós, que nos proteja, para assim podermos estar em paz e harmonia.

Não há dúvidas de que quem abençoa é De’s, o que fica especificado ao dizer E porão o Meu Nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei.

O motivo pelo qual a bênção é através dos Cohanim é porque De’s quer que o povo seja consciente e saiba que Ele nos abençoa diariamente. Devido ao facto de não ser realista pretender que todos os dias surja uma voz celestial a pronunciar a bênção ao povo de Israel, De’s estipulou que aqueles que estão mais próximos ao Seu culto, os mais elevados espiritualmente, sejam eles a pronunciar, em nome de De’s, esta bênção. Desta maneira, o povo escutará diariamente a bênção de De’s.

O povo de Israel não é abençoado por si só, não se trata de algo genético; é tal como De’s estabeleceu no monte Sinai, quando fez um pacto com o povo e lhes disse: Se escutardes a Minha voz e cuidardes do Meu pacto, então sereis um povo seleto e elevado para Mim. Ao longo de toda a Torá, vemos que a bênção e a prosperidade prometidas por De’s ao povo de Israel são algo condicional; existirão durante o tempo que o povo transitar pelos caminhos de De’s.

Em hebraico, o termo Brachá escreve-se com as letras Beit, Reish e Caf. O valor numérico da primeira letra é igual a 2 , o da segunda letra é igual a 200 e o da terceira é 20. São números que falam de multiplicação e abundância.

Parashat Bechucotai

As bênçãos – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Em primeiro lugar, temos que analisar se todas estas coisas boas que nos são  prometidas são milagre ou são algo natural. Quer dizer, é normal a natureza comportar-se assim tão bem, ou não?

Nachmánides defende que a Torá está a falar de uma época milagrosa. A natureza geralmente não se comporta assim.

No entanto, para rabi Simcha Cohen, no seu livro Meshech Chochmá, não se trata de uma época milagrosa, mas sim esse é o estado normal da natureza. De’s criou a natureza para que ela funcione bem (chuvas boas e a seu tempo e não inundações, furacões ou desastres), mas, quando o ser humano não anda no bom caminho, então a natureza não se comporta como se deveria comportar. Os milagres existem para que não nos esqueçamos de que a natureza não é tudo, mas sim que há Alguém que está acima dela, que é quem a criou e quem a controla.

É possível que Nachmánides e Meshech Chochmá se não se contradigam, e que na realidade estejam a dizer o mesmo, apenas de ângulos diferentes. O milagre acontece quando as coisas deixam de agir como costumavam fazê-lo e passam a agir de uma maneira mais benéfica no momento em que se necessita. Hoje em dia (devido ao nosso estado atual), a natureza comporta-se como se comporta, e não vemos todas as coisas boas que a Torá nos anuncia aqui. No entanto, quando o povo se comportar da maneira correta, então a natureza deixará de agir assim e será muito mais benéfica.

O mais provável é que a Torá, quando fala de todas estas bênçãos no caso de nos mantermos fiéis à Torá, se refira a todo o povo e não a casos particulares. Prova disso é que a Torá expressa esta ideia no plural e não no singular.

No que diz respeito a quais são os requisitos para que nos aconteçam estas coisas boas, seria propício analisar outras passagens da Torá, onde ela nos fala de coisas parecidas, quer dizer, do bem-estar no caso de andarmos pelo caminho dos preceitos.

Isto acontece na parashá Ekev (Deuteronômio capítulo 7), em Ki Tissá (Deuteronômio capítulo 28) e no Shemá (Deuteronômio capítulo 11). Nas duas primeiras, a Torá fala-nos de efetuar os preceitos; não nos diz nada acerca da intenção, do pensamento ou do sentimento que devem acompanhar esses preceitos. No Shemá, fala-nos específica e claramente de fazermos as coisas sinceramente e com o coração. Mas, se observarmos com maior profundidade, notaremos que, na realidade, tanto em Ekev como em Ki Tissá a Torá também nos fala acerca da intenção sincera. Tal como diz o comentarista Seforno, em Vaikrá 26:3, o termo hebraico shamor— cuidar — refere-se também a cuidar de realizar os preceitos da maneira mais correta, e isto obviamente inclui um pensamento e um sentimento corretos.

Em conclusão, vê-se claramente que sempre que a Torá nos fala de uma recompensa por ter cumprido os preceitos, não se refere a cumpri-los de forma automática, sem reparar no sentido e na mensagem dos mesmos.

Porque não nos promete a Torá o bem maior, quer dizer, o mundo vindouro? Para responder a esta pergunta recorreremos às palavras de Rambam na introdução ao Perek Chelek: No entanto, o significado dos benefícios e das desditas que estão escritas na Torá é o seguinte: Ele assegura-te que se cumprires esses preceitos, ajudar-te-á a poder praticar os mandamentos de forma íntegra, retirando do teu caminho todo o tipo de obstáculos que te impeça de os realizar, já que é impossível ao Homem cumprir os preceitos[na sua integridade] estando doente, com fome ou com sede, como também não em época de guerra ou perseguições, portanto, De’s assegura que afastará todas estas coisas e nos manterá sãos e tranquilos para que, deste modo [possamos realizar os preceitos e] alcançar um conhecimento pleno, tornando-nos então meritórios do mundo vindouro.

Portanto, o objetivo desta recompensa pelo cumprimento dos preceitos não é atingir a abundância terrena ou desfrutar de uma vida longa e saudável; todas estas recompensas são um meio para poder cumprir a Torá plenamente.

Algo similar é expresso em Hilchot Teshuvá, capítulo 9.

Que quer dizer que “De’s andará entre nós”? Encontramos um texto similar a este, que nos fala metaforicamente de que De’s “andava” entre os homens. Refiro-me ao princípio do livro de Génesis (3: 8), quando a Torá nos fala do Jardim do Éden. Ali diz-nos que ouviram a voz do Criador, que andava no meio do jardim. Quer dizer, aqui diz-nos que, se cumprimos bem todos os preceitos, então vamos atingir um nível tão alto como o de Adão quando estava no Jardim do Éden.

E é precisamente este o objetivo da saída do Egito, quer dizer, deixar de servir e de ser escravos deste mundo. Dessa maneira atingiremos um nível superior, e então este mundo servir-nos-á a nós, como um meio para nos tornarmos meritórios da vida eterna.

Uma vez que atinjamos esse nível superior, então chegaremos ao nível de compreender que De’s é o centro da nossa vida. A isto se refere a Torá quando diz: Eu serei para vós De’s. \lsdpriority47

Parashat Mishpatim

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Enviarei o meu anjo diante de vós

Eis que enviarei um anjo diante de ti, para te cuidar no caminho e trazer-te ao lugar que designei para ti. A ele obedecerás e a sua voz escutarás. Não te rebeles contra ele porque não o perdoará, já que o Meu Nome está nele. Mas se escutares a sua voz e cumprires os seus mandamentos, Eu serei inimigo dos teus inimigos oprimirei os teus opressores (…) Não te inclinarás perante o seus deuses, nem os servirás nem farás como eles fazem. Destrui-los-ás totalmente e as suas estátuas destruirás (…) E enviarei a Tzirá diante de vós e expulsará os povos jiví, cnaani e jití (…) Não pactuarás com eles nem com os seus deuses e não habitarão na tua terra, não aconteça que te façam pecar contra Mim, tentando-te a que sirvas os seus deuses.

A função do anjo é guiar o povo pelo caminho e conduzi-lo à Terra de Israel. Em princípio, este anjo apenas os iria guiar pelo caminho, mas ao terem feito o bezerro de ouro, agora o anjo não só lhes indicará o caminho, mas também será ele a aplicar a justiça, quer dizer, estarão nas mãos dele. No entanto, pelo mérito de Moisés, De’s continuou com o povo. É por isso que quando Moisés morre, vem um anjo, que é o anjo que Yehoshua vê.

A ideia é deixar bem claro que é De’s (através de um anjo) quem os conduz. Para que não pensem que são eles mesmos que farão as coisas e que lutarão e semearão o medo entre os inimigos, mas sim De’s.

O homem precisa de grandes exércitos para vencer. De’s não precisa disso. Fá-lo com a Tzirá, que são abelhas, pequenos insetos. Talvez se trate da vespa assassina de abelhas asiáticas (Vespa Simillima Xanthoptera). Esta vespa causa na atualidade uma média de 108 mortes por ano, devido ao choque anafilático que o seu veneno causa nos seres humanos.

Tal como foram enviados gafanhotos ao Egito, agora serão enviadas vespas aos povos de Canaã.
Por outro lado, o motivo pelo qual será a De’s a lutar por eles é porque De’s não quer que o povo se torne demasiado agressivo e belicista, afundado em guerras, ou, talvez, porque não quer que se cansem das guerras e façam a paz e convivam com os outros povos idólatras e malvados aos Seus olhos. Estes são os motivos pelos quais é De’s quem se encarregará dos inimigos e eles terão apenas uma pequena participação. As guerras são vencidas graças à ajuda de De’s. Às vezes será graças a um milagre manifesto e outras será através de uma influência de De’s menos exteriorizada.

Existe outro perigo latente, que é a assimilação dos filhos de Israel com os povos cananitas. É por isso que De’s quer evitar que se relacionem com eles ou que aprendam com eles. Esse é o motivo pelo qual lhes prescreve agora todas estas leis:

1 — Para se afastarem e se diferenciarem dos idólatras, e
2 — Para servir a De’s

Parashat Yitro

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Anochí HaShem

O primeiro versículo dos Dez Mandamentos começa assim: Eu sou o Senhor teu De’s, que te tirou da Terra do Egito, de casa da servidão.

Este versículo tem duas partes: A primeira é Eu Sou e a segunda é te tirou do Egito.

A pergunta que o Midrash faz é: Para que vem esta segunda parte?

Há quem diga que é a explicação de Anochí, quer dizer, é para quem pergunta quem é Anochí.

Isto está de acordo com Rabí Yehuda Halevi (Kusari). Para ele, se queres saber quem é HaShem, tens que saber HaShem é quem te tirou do Egito, é quem fez todos aqueles milagres.

Ramban (Nachmánides) diz, sobre Anochí, que se realmente queres saber quem é Anochí, tens que observar as Suas obras, e a Sua maior obra é a Criação. No Egito vimos os milagres, e estes milagres falam-me de um Criador que controla a natureza e altera-a quando quer. Portanto, quem é HaShem? Ele é Bore Olam, o Criador do Mundo e quem controla a natureza.

Rambam (Maimónides) define-O de uma maneira completamente diferente destas duas definições anteriores, e diz que o versículo não vem explicar quem é Anochí, sendo Anochí o próprio preceito, quer dizer, saber que De’s existe e é o soberano de tudo, que controla tudo e que tudo Lhe pertence, tal como mencionado no Sefer HaMitzvot. E como explica a continuação do versículo? Rambam defende, tal como explicado no Midrash, (Shemot Rabba secção 29:3): “Tirei-te para isto”, para tomares HaShem como teu De’s, teu Senhor. Por isso depois diz Mi beit avadim, quer dizer, antes eram escravos do faraó, agora são servidores de HaShem. Por outras palavras, De’s “obriga-nos” a receber a Sua Malchut, a reconhecer que Ele é o Rei, e se perguntarmos “Porque tenho que aceitar isso?” – Porque Ele te tirou do Egito; agora és dEle. Ele adquiriu-te.

Foi para isso que nos tirou do Egito (Para servir De’s neste monte): Para deixarmos de ser escravos do faraó ou de qualquer outra coisa deste mundo, e sermos servos de De’s, que é o mais sublime, e, dessa maneira, estarmos elevados por sobre todas as coisas deste mundo.

E porque diz Elokecha (teu De’s), e não Elokim (De’s)? Seria melhor utilizar o termo mais geral. Porque utilizar um termo tão particular?

Existem duas possíveis respostas a esta pergunta:
1) É como se De’s nos dissesse: “Tu viste tudo o que fiz, tu eras escravo, sobre ti recai mais do que sobre os outros a obrigação de aceitar Kol Malchut Shamaim, reconhecer que Ele é soberano.
2) Porque tirou apenas o povo judeu e não outros povos.

Parashat Bo

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

A conceção de De’s do faraó

Moisés apresenta-se perante o faraó e diz-lhe que Hashem, Eloke Israel o enviou, porque sabe que o faraó não iria perceber se ele dissesse somente Hashem.

O faraó entende que força (Elokim) é que os judeus chamam Hashem.

O faraó disse: “Quem é o Eterno para que eu o escute e envie Israel? Não conheço o Eterno, nem deixarei sair Israel”. Quer dizer, ele recusa três coisas: 1) Que De’s existe 2) Que De’s fala e 3) Que temos que servir a De’s.

Moisés diz-lhe que é obrigatório servir Hashem nosso De’s, e diz-lhe também que se não o servirem, De’s pode zangar-se com eles.

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Parashat Shemot

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Brit Milá

De’s diz a Moisés que todos aqueles que queriam matá-lo já morreram, portanto já se pode encaminhar na direção do Egito. Daqui aprendemos que se De’s não lhe tivesse dito isto, ainda não teria chegado o momento para sair. Mesmo que se trate de salvar todo o povo de Israel, mesmo neste caso, aplica-se a regra “A tua vida está primeiro”.

Antes de sair para o Egito, Moisés tem um grande dilema: levar a família com ele ou não? Todos os comentaristas analisam a intenção de Moisés (que queria que presenciassem a entrega da Torá, ou que queria convencer mais o povo de Israel), mas no que diz respeito ao ato em si, todos estão de acordo em que não esteve bem. O facto de levar a família obrigá-lo-ia a deslocar-se mais lentamente, pois vemos que tem que se ocupar deles: onde dormir, levar mais coisas, etc. Se tivesse ido sozinho poderia ter dormido em qualquer lado, ao ar livre, sob as estrelas, com uma pedra a servir de almofada (como Yaacov) e não perderia tanto tempo, e isto é o que De’s lhe insinua na profecia. Quando lhe diz que veja os sinais, refere-se às dez pragas, quer dizer que lhe está a insinuar que a saída do Egito não vai ser rápida, vai levar tempo, é necessário realizar as dez pragas e tu, Moisés, ainda por cima andas devagar? Para além disso diz-lhe que o faraó não os vai libertar facilmente, e tu ainda te atrasas? Mais ainda, diz-lhe que Israel é o primogénito de De’s. Vemos várias coisas deste conceito:

Não diz que o único filho de De’s é Israel. Todos os povos são filhos de De’s. Todos são criaturas de De’s. A diferença é que Israel é o primeiro que vai proclamar De’s neste mundo, assim como o primogénito é que quem proclama “pai” a um indivíduo. Então está por surgir um povo desta magnitude, e tu demoras em libertá-los?

No que diz respeito ao tema do Brit e ao episódio em que De’s quis matá-lo, este merece uma explicação à parte. Novamente Moisés está perante uma encruzilhada: nasceu o seu filho e ele não sabe se lhe deve fazer o Brit, devido ao atraso que isto implicaria (atrasar a sua viagem ao Egito, já que a viagem é perigosa para o bebé) ou não lhe fazer o Brit e seguir caminho. Das profecias anteriores, Moisés deduziu que tinha que se apressar e não perder tempo. É por isso que decide não lhe fazer o Brit agora, e é então que De’s se zanga. É possível que Moisés tenha adoecido com gravidade (e é a isto que a Torá se refere quando diz que um anjo o quis matar).

Se analisarmos o tema do Brit Milá, quando De’s lho transmite a Abraão, vemos que o Brit consta de duas coisas:

1) Que De’s é o mais importante para nós (Elokenu), quer dizer o tema da Emuná, e

2) O mérito pelo qual adquirirão a terra prometida.

Moisés agora está a ir para o Egito, para junto dos seus irmãos, exatamente para atingir estes dois objetivos, quer dizer, transmitir-lhes a fé em De’s e levá-los para a terra de Israel; precisamente as duas coisas pelas quais se estabeleceu o Brit. E logo ele, o líder, não faz o Brit ao seu filho? É por isso que De’s não lhe deixa passar essa falha.

Por isso Tzipora atira-lhe o sangue do Brit e desse modo Moisés salva-se, tal como na praga dos primogénitos, quando o anjo da morte via o sangue na porta, não matava nessa casa, e tal como diz “De’s passou e viu-os submergidos nos seus sangues” De’s disse: “Em (por) teus sangues viverás”. Diz “sangues” no plural porque se refere ao sangue do Brit e ao do sacrifício de Pesach. (O Midrash diz que Moisés fez o Brit a todo o povo antes de sair), tal como está dito no livro de Yehoshua, que todos os que saíram do Egito tinham o Brit já efetuado.

O objetivo da missão de Moisés não é só libertar o povo fisicamente, mas sim formar um povo baseado nos princípios de fé em De’s e dar-lhes a terra que foi prometida aos patriarcas, que é exatamente o que o Brit Milá insinua.