Alegria em servir a D’us

“… Porquanto não serviste ao Senhor teu D’us com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo. Assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído.” (Deuteronômio 28:47-48)

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Pobreza, caridade e revolução social

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Reê

 

Ao longo de todo o livro de Devarim somos ensinados a criar um modelo de sociedade na terra de Israel. Neste parashá tratamos do tema de pobreza, enquanto realidade que deve ser reconhecida e tratada.

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Rotina e Estrada

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Bamidbar

 

 

A Boa Rotina

Muitas pessoas temem sair da rotina. Constroem a sua volta um mundo repleto de paredes intransponíveis, que lhes permite viver uma vida tranquila, sem a necessidade de repensar seus princípios, sem ter de lutar contra os possíveis adversários que possam surgir. Em sua rotina preparam todo o necessário para superar os possíveis perigos sem esforços exagerados que desgastem seus recursos.

Sem dúvida, existem muitas vantagens neste tipo de vida tranquila, que permite concentrar as forças em desenvolver a criatividade, ao invés de desperdiçá-las, repelindo inconvenientes. Quando vivemos uma vida tranquila e pacífica, podemos nos dedicar ao que realmente queremos, sem ter que preocupar-nos com a extinção de incêndios inesperados.

Quando a vida é bem planejada, temos tempo para um estudo mais profundo da Torá, examinando cada item e detalhe separadamente, com suas condições e desvantagens sem misturar um com o outro, um estudo de laboratório.

 

 

A saída do Castelo

O problema começa quando saimos deste castelo, seja porque caíram as muralhas ou pois não foram o suficiente para repelir os perigos. E, então, devemos direcionar nossos caminhos para um lugar melhor. De repente, percebemos que nossas rotinas foram alteradas e, não podemos mais, seguir nossas vidas como planejado inicialmente.

Isso não significa que a nossa educação haja sido pobre, e nem que as lições não foram devidamente registradas em nossa personalidade. Em absoluto. Somos humanos, e isso significa, entre outras coisas, que podemos esquecer, nos cansar, nos distrair e perder a direção e o norte. E é precisamente por isso que são tão importantes as rotinas adequadas.

Por esta razão é tão perigoso perder a direção na estrada. Perdemos uma muralha e ainda não alcançamos umbusinessmanwalkingdownroad2a outra cidade muralhada. Anteriormente haviam ladrões que lançavam contra as caravanas, ou animais ferozes à espreita na vegetação rasteira esperando para pôr em perigo os pedestres.

 

 

Estradas Intelectuais

Isto também se reflete nos caminhos intelectuais e espirituais. Enquanto estamos envolvidos por paredes de conhecimento sólido e coerente, podemos nos desenvolver em silêncio, devagar e calmamente, como deveria ser.

Até uma parede cair ou sermos forçados a sair ao ar livre. E, então, nosso mundo intelectual ou espiritual é colocado em sério risco.

A rotina dos últimos séculos entrou em colapso. Embarcamos em uma viagem para o desconhecido.

As novas descobertas: primeiro a televisão e em seguida, a Internet; a globalização; a perda de privacidade; a exposição a idéias estrangeiras; imagens que penetram sem aviso prévio ou permissão em nossa privacidade; e etc. Isto tudo faz com que nossas muralhas desmoronem e, qualquer tipo de rotina positiva, seja seriamente alterada.

 

 

Instruções para a Estrada

Para isso temos instruções que nos ajudam a enfrentar os perigos da estrada. Do mesmo modo que, antigamente, saía-se armado para as viagens – especialmente aquelas realizadas a noite – se contratava um bom guia que conhecesse o caminho a se enfrentar e localizavam com antecedência uma fonte de água limpa para caso necessitassem refrescar-se. Do nosso jeito, mais moderno, também levamos um bom guia conosco para nos mostrar as fontes da vida, e que nos fornece orientação e incentivo. Devemos também conhecer as novas armas que nos permitem uma defesa eficaz. E devemos aprender a usá-las corretamente.

O livro de Bamidbar se trata do livro da estrada. Neste livro consta, por vezes de maneira encriptada – como é habitual nos livros da Torá – estas precisas instruções. Ele fornece as ferramentas e armas necessárias para percorrer o caminho sem medo. Nosso guia para chegar ao nosso destino sem sofrer danos desnecessários.

 

 

“Truques” Vitais

Já no livro de Gênesis, aprendemos do nosso patriarca Yaacov uma primeira orientação a se ter em consideração antes de sair ao desconhecido. No capítulo 28, ele deixou sua casa, fugindo do seu irmão, e ao despertar de um sonho profético se armou com uma promessa que lhe ajudaria a superar os perigos da estrada e de sua permanência no exterior.

Yaacov era somente uma pessoa, e estava bem preparado para enfrentar os perigos, mas não faltaram problemas. Quando se trata de uma população inteira, ou quando se trata de uma pessoa menos preparada, é evidente que a preparação deverá ser mais trabalhosa.

Na porção da Torá de Bamidbar aprendemos as primeiras lições. Em primeiro lugar, um censo. Um bom alpinista sabe que objetos tem guardado e sabe exatamente aonde estão, para que seja capaz de encontrar tudo o que precisar sem ter que perder tempo buscando. Cada coisa possui seu lugar e este lugar é acessível, e assim, sou capaz de encontrá-lo cegamente, mesmo sob estresse. Existem suficientes peças de reposição e estão em boas condições.

 
O Acampamento e suas Qualidades

A distribuição bem ordenada em um acampamento permite que o general saiba como usar suas tropas em caso de perigo. Pois cada um possui suas qualidades, únicas e específicas  e, geralmente, conhece e é capaz de usá-las no momento certo: um é um bom atirador, outro é um especialista em tecnologias e outro tem uma força física incomparável. Cada um com sua ‘segulá’, seu tesouro, sua capacidade específica. Não são as mesmas capacidades que possuem as tribos de Dan ,Yehuda ou Naftali. Cada um tem a sua missão no acampamento e o lugar aonde é possível desempenhar seu papel com o máximo de precisão.

E no centro do acampamento estavam os levitas, que substituíram os primogênitos para executar a função mais importante: cuidar do tesouro dos tesouros e transportá-lo corretamente com sua cobertura. É o tesouro espiritual, o contato direto com o Criador, que deve ser mantido em uma proteção adequada em tempos normais e mais ainda em tempos conturbados.

O livro de Bamidbar nos proporcionará mais detalhes, mais e mais truques vitais que nos permitam atravessar o deserto árido e enfrentar o perigo que nos ameaça. Em cada palavra e expressão estão os detalhes, em quase todas as letras que enriquecem o contexto e adicionam uma nova visão, um subtópico que será muito útil, e muitas vezes vital, em nosso caminho.

Uma Mensagem Nova e Forte

Comentário sobre a Porção Semanal de Korach

 

Uma grande pessoa

Korach não era uma pessoa qualquer. Primeiramente, pois era muito rico. Na tradição judaica, quando se diz que uma pessoa é muita rica, utiliza-se a expressão “rico como Korach”. Era um Quehatita, a família dos levitas encarregada de transportar as peças mais sagradas do tabernáculo, como vemos nos primeiros capítulos do livro. E nossos sábios ensinam que, o próprio Korach era um dos responsáveis por carregar a Arca da Aliança, e para alcançar este mérito era necessário possui valores muito elevados. De acordo com nossos sábios, ele tinha chegado a experimentar, inclusive, “Ruach Hacódesh” – Espírito de Santidade, referente a um nível abaixo da profecia, contudo próxima a ela, nível este alcançado pelo Rei David ao escrever os Salmos, e o Rei Shlomo ao escrever Eclesiastes ou o Shir Hashirim (Cântico dos Cânticos). Além disso, sabemos através do Livro de Crônicas (6:19-23) que dea linhagem de Korach, sairia o profeta Samuel, dezesseis gerações mais tarde, que a tradição indica ter, sozinho, alncançado as virtudes de Moshe e Aharon, juntos. Desta maneira, assumimos que muitas destas virtudes teriam sido herdadas de seus antepassados.

Como é possível, então, que uma pessoa de um nível espiritual tão elevado cometesse um erro tão grave?

Parece que, foi precisamente esta grandeza que o levou ao erro. Pois Korach cometeu um erro que somente uma grande pessoa pode cometer.
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Responsabilidade dos Adultos

Comentário sobre a Porção Semanal de Torá Emor

 

Avisar aos maiores sobre os menores

No início deste Parashá, a Torá usa uma expressão especial: “Diga aos sacerdotes, filhos de Aharon, e lhes diga”. Se trata de uma redundância imperdoável na Língua Portuguesa. Mesmo no hebraico bíblico, que não economiza nas redundâncias, esta parece especialmente estranha.

Isso fez com que os comentaristas aplicassem um significado especial, já no Midrash, e reafirmado pelo grande comentarista Rashi: Esta redundância nos ensina “a alertar os maiores sobre os menores.”18_10_2010_003101

O significado desta frase é que, recai aos adultos a responsabilidade de educarem seus filhos. Isto é óbvio, uma vez que todos entendem que os adultos devem educar as crianças. A obrigação de “ser frutífero e multiplicar-se”, como orienta a Torá no primeiro capítulo do Gênesis, não se limita a dar à luz a uma criança, e, em seguida, deixá-la crescer selvagem. Os pais têm a obrigação de educar seus filhos, para incutir nestes, valores e, ajudá-los a descobrir os poderes e as qualidades que possuem.

Este comando inclui a obrigação de avisar as crianças quando elas desviam do caminho certo, sempre com boas palavras para que estas estejam dispostas a aceitar as instruções paternais. Os pais devem se tornar bons conselheiros dos quais os filhos estão sempre dispostos a ir quando têm problemas ou dúvidas.

Portanto, é evidente que os pais são responsáveis pela educação dos filhos. Por que, então, se repete esta obrigação neste contexto?
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A Glória do Ícone

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Vayeshev

 

A Geração de Yaacov

O túmulo de Yossef, na cidade de Shechem
O túmulo de Yossef, na cidade de Shechem

“Estas são as gerações de Jacó, José tinha dezessete anos …”

Como sabemos, na Torá não existem pontos ou vírgulas, e, portanto, às vezes é possível mudar a leitura da frase, alterando a localização do ponto ou da vírgula, de acordo com alguns critérios herdados pela tradição jucaica oral. No caso do versículo acima, nossos Sábios movem a vírgula para depois do nome de Yossef (José), que faz com que interpretemos que Yossef, foi o principal ‘descendente’ de Yaacov. Apesar de haver tido onze filhos e uma filha, aquele que tinha herdado a personalidade de seu pai era, precisamente, Yossef.

Podemos entender isso pela simples razão de que Rachel, a mãe de Yossef, era aquela que estava destinada a ser a única mulher Yaacov, uma vez que se casou com Leah por engano, e as outras duas, Zilpa e Bila lhe foram atribuídas, por causa do desespero das esposas, que queriam possuir a maior representação na descendência de Yaacov.

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