Parashat Mishpatim

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Enviarei o meu anjo diante de vós

Eis que enviarei um anjo diante de ti, para te cuidar no caminho e trazer-te ao lugar que designei para ti. A ele obedecerás e a sua voz escutarás. Não te rebeles contra ele porque não o perdoará, já que o Meu Nome está nele. Mas se escutares a sua voz e cumprires os seus mandamentos, Eu serei inimigo dos teus inimigos oprimirei os teus opressores (…) Não te inclinarás perante o seus deuses, nem os servirás nem farás como eles fazem. Destrui-los-ás totalmente e as suas estátuas destruirás (…) E enviarei a Tzirá diante de vós e expulsará os povos jiví, cnaani e jití (…) Não pactuarás com eles nem com os seus deuses e não habitarão na tua terra, não aconteça que te façam pecar contra Mim, tentando-te a que sirvas os seus deuses.

A função do anjo é guiar o povo pelo caminho e conduzi-lo à Terra de Israel. Em princípio, este anjo apenas os iria guiar pelo caminho, mas ao terem feito o bezerro de ouro, agora o anjo não só lhes indicará o caminho, mas também será ele a aplicar a justiça, quer dizer, estarão nas mãos dele. No entanto, pelo mérito de Moisés, De’s continuou com o povo. É por isso que quando Moisés morre, vem um anjo, que é o anjo que Yehoshua vê.

A ideia é deixar bem claro que é De’s (através de um anjo) quem os conduz. Para que não pensem que são eles mesmos que farão as coisas e que lutarão e semearão o medo entre os inimigos, mas sim De’s.

O homem precisa de grandes exércitos para vencer. De’s não precisa disso. Fá-lo com a Tzirá, que são abelhas, pequenos insetos. Talvez se trate da vespa assassina de abelhas asiáticas (Vespa Simillima Xanthoptera). Esta vespa causa na atualidade uma média de 108 mortes por ano, devido ao choque anafilático que o seu veneno causa nos seres humanos.

Tal como foram enviados gafanhotos ao Egito, agora serão enviadas vespas aos povos de Canaã.
Por outro lado, o motivo pelo qual será a De’s a lutar por eles é porque De’s não quer que o povo se torne demasiado agressivo e belicista, afundado em guerras, ou, talvez, porque não quer que se cansem das guerras e façam a paz e convivam com os outros povos idólatras e malvados aos Seus olhos. Estes são os motivos pelos quais é De’s quem se encarregará dos inimigos e eles terão apenas uma pequena participação. As guerras são vencidas graças à ajuda de De’s. Às vezes será graças a um milagre manifesto e outras será através de uma influência de De’s menos exteriorizada.

Existe outro perigo latente, que é a assimilação dos filhos de Israel com os povos cananitas. É por isso que De’s quer evitar que se relacionem com eles ou que aprendam com eles. Esse é o motivo pelo qual lhes prescreve agora todas estas leis:

1 — Para se afastarem e se diferenciarem dos idólatras, e
2 — Para servir a De’s

Parashat Yitro

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Anochí HaShem

O primeiro versículo dos Dez Mandamentos começa assim: Eu sou o Senhor teu De’s, que te tirou da Terra do Egito, de casa da servidão.

Este versículo tem duas partes: A primeira é Eu Sou e a segunda é te tirou do Egito.

A pergunta que o Midrash faz é: Para que vem esta segunda parte?

Há quem diga que é a explicação de Anochí, quer dizer, é para quem pergunta quem é Anochí.

Isto está de acordo com Rabí Yehuda Halevi (Kusari). Para ele, se queres saber quem é HaShem, tens que saber HaShem é quem te tirou do Egito, é quem fez todos aqueles milagres.

Ramban (Nachmánides) diz, sobre Anochí, que se realmente queres saber quem é Anochí, tens que observar as Suas obras, e a Sua maior obra é a Criação. No Egito vimos os milagres, e estes milagres falam-me de um Criador que controla a natureza e altera-a quando quer. Portanto, quem é HaShem? Ele é Bore Olam, o Criador do Mundo e quem controla a natureza.

Rambam (Maimónides) define-O de uma maneira completamente diferente destas duas definições anteriores, e diz que o versículo não vem explicar quem é Anochí, sendo Anochí o próprio preceito, quer dizer, saber que De’s existe e é o soberano de tudo, que controla tudo e que tudo Lhe pertence, tal como mencionado no Sefer HaMitzvot. E como explica a continuação do versículo? Rambam defende, tal como explicado no Midrash, (Shemot Rabba secção 29:3): “Tirei-te para isto”, para tomares HaShem como teu De’s, teu Senhor. Por isso depois diz Mi beit avadim, quer dizer, antes eram escravos do faraó, agora são servidores de HaShem. Por outras palavras, De’s “obriga-nos” a receber a Sua Malchut, a reconhecer que Ele é o Rei, e se perguntarmos “Porque tenho que aceitar isso?” – Porque Ele te tirou do Egito; agora és dEle. Ele adquiriu-te.

Foi para isso que nos tirou do Egito (Para servir De’s neste monte): Para deixarmos de ser escravos do faraó ou de qualquer outra coisa deste mundo, e sermos servos de De’s, que é o mais sublime, e, dessa maneira, estarmos elevados por sobre todas as coisas deste mundo.

E porque diz Elokecha (teu De’s), e não Elokim (De’s)? Seria melhor utilizar o termo mais geral. Porque utilizar um termo tão particular?

Existem duas possíveis respostas a esta pergunta:
1) É como se De’s nos dissesse: “Tu viste tudo o que fiz, tu eras escravo, sobre ti recai mais do que sobre os outros a obrigação de aceitar Kol Malchut Shamaim, reconhecer que Ele é soberano.
2) Porque tirou apenas o povo judeu e não outros povos.

Parashat Beshalaj-Lições para aprender

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Lições para aprender

De’s fê-los voltar para que assim o faraó saísse em sua perseguição. Dessa maneira, depois de De’s lutar contra o faraó e o derrotar, o povo de Israel estaria totalmente libertado do Egito, pois já não teria que regressar ao fim de três dias como Moisés tinha dito ao faraó.

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Parashat Bo

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

A conceção de De’s do faraó

Moisés apresenta-se perante o faraó e diz-lhe que Hashem, Eloke Israel o enviou, porque sabe que o faraó não iria perceber se ele dissesse somente Hashem.

O faraó entende que força (Elokim) é que os judeus chamam Hashem.

O faraó disse: “Quem é o Eterno para que eu o escute e envie Israel? Não conheço o Eterno, nem deixarei sair Israel”. Quer dizer, ele recusa três coisas: 1) Que De’s existe 2) Que De’s fala e 3) Que temos que servir a De’s.

Moisés diz-lhe que é obrigatório servir Hashem nosso De’s, e diz-lhe também que se não o servirem, De’s pode zangar-se com eles.

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Parashat Vayishlach

Encontro com Esav

Questões

    • Por que Yaacob envia os mensageiros para Esav ?, Isso vai diretamente.

    • Por que ele diz a ele que estava com Labão e (de acordo com Rashi) que ele cuidou dos Mitsvot (preceitos), o que interessa isso a Esav ?.

    • Por que Yaacob divide seu acampamento?

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Parashat Vayetzé

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Diz-me em que pensas e dir-te-ei quem és…

Iaacov já tem quase 80 anos ou mais, e, no entanto, vemo-lo muito ativo.

Qual é a chave para Iaacov se manter fiel aos princípios de Abraão e Isaac apesar de estar em casa de Labão?

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Parashat Toldot

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Conhecendo Rivka

Rivka, mãe de Yaacov e Esav

A primeira vez que a Torá nos fala de Rivka é no fim da parashá Chayei Sarah, 24: 16, onde nos é dito que Rivka era linda, virgem e recatada.

Rivka sai sozinha para pastorear o gado. Tem uma personalidade dominante e sabe o que fazer, o que se torna evidente quando o servo de Abraão lhe pede água e ela oferece-se para dar de beber aos camelos também. Não é preciso que se lhe diga o que fazer; Rivka tem iniciativa própria. Isto não contradiz as leis do recato.

Rivka é rápida e ágil. Para além disso, ao pensar nos camelos, demonstra também a qualidade de ser bondosa e de ter piedade com os animais. Vemos que não se trata de uma bondade simples, mas sim de algo fora do normal. Rivka dá de beber sozinha a dez camelos, o que é uma tarefa árdua. Não se assusta com o trabalho pesado e com o esforço por aquilo que considera correto.

Depois perguntam-lhe se ela quer ir com o servo de Abraão ou não, o que nos demonstra que já em sua casa Rivka era conhecida como alguém que tem poder de decisão, que sabe o que quer e que tem opiniões próprias; não vai atrás dos outros. Talvez isso seja o que a vai ajudar a sair do mundo de idolatria e a abandonar tudo para ir atrás daquilo em que acredita, tal como fez Abraão.

Qualidades em comum com Abraão: Rivka fala pouco e faz muito. Pratica Chessed — bondade. Acolhe os convidados, deixa toda a sua família e a sua terra e vai para a terra de Canaã.

Em resumo: Personalidade forte, decide o que é importante, tem iniciativa e sabedoria prática, sabe desenvencilhar-se sozinha, tem segurança em si própria e autoestima. Quando lhe perguntam se quer ir ou não, responde de forma direta e concisa: “Sim, irei.”

Posteriormente encontra-se com Isaac. Desce do camelo e cobre o rosto. Isto não é mero recato; a torá não obriga a mulher a cobrir o rosto. Para além disso, se o tivesse feito por recato, teria coberto o rosto durante todo o caminho que fez com o servo de Abraão que a foi buscar. Rivka cobriu o rosto para começar uma relação de respeito e romantismo com Isaac.

Com Rivka, a Torá alonga-se para nos mostrar uma relação mais romântica e carinhosa com o seu marido, até ao ponto de nos contar que Isaac estava a brincar com Rivka, coisa que a Torá não faz com o resto das matriarcas.

É a única que viveu à sombra dos três patriarcas: Abraão, Isaac e Yaacov.

Quando a sua gravidez se complica, Rivka recorre a De’s. Alguns comentaristas dizem que rezou, e outros dizem que foi consultar De’s através dos profetas (Abraão ou os filhos de Noé). Mas em ambos casos Rivka recorre a Ele. Tem emuná — fé em De’s.

No que diz respeito à sua relação com os filhos, o amor de Rivka por Yaacov supera o seu amor por Esav, o que talvez se deva ao facto de Rikva ver que Yaacov era fiel ao legado de Abraão e Isaac, enquanto que Esav era um homem comum, que corria atrás do mundo material.

Se prestarmos atenção, notaremos que Rivka não tolera esta maneira de Esav se comportar. Nunca o chama “filho meu” ou “meu filho”, enquanto que chama sempre Yaacov “filho meu”, pois é ele quem segue os ideais com os quais ela se identifica, enquanto que Esav lhe recorda mais a casa de Labão e Betuel, de onde partiu.

No entanto, Rivka não é insensível a Esav, pois sofre muito quando tem conhecimento de que ele tomou esposas canaanitas.

Mas o seu amor por Yaacov faz com que Rivka perca a sua objetividade e leva-a a impelir o seu filho a enganar o seu pai para receber a bênção paterna.

Rivka provém de uma casa de engano e idolatria, o que se verá mais claramente quando Yaacov se hospedar em casa de Labão, irmão de Rivka. Mas apesar de tudo, Rivka sobrepõe-se e consegue mudar todos esses valores. Deixa a casa de Betuel e Labão para ser uma digna mulher da casa de Abraão e Isaac e ser a mãe de Yaacov.