Dezenas de pessoas participaram do painel sobre ‘Chuetas’ em Palma de Mallorca

Brian Blum

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa quinta-feira passada, véspera do Yom Kipur, o primeiro de uma série de quatro seminários patrocinados pela Shavei Israel para ‘Chuetas’ em Palma de Mallorca, foi realizado com sucesso. Os seminários adicionais acontecerão nos dias 17 de outubro, 14 de novembro e 12 de dezembro.50 pessoas da região de Palma, em sua maioria judeus e ‘Chuetas’ (conhecidos, também, pelo termo hebraico como Bnei Anussim: descendentes de judeus que foram obrigados a se converter ao catolicismo há mais de 500 anos atrás, e que os historiadores geralmente se referem a estes pelo nome depreciativo ‘Marranos’) participaram do seminário, que contou com um painel que envolveu a discussão se os ‘Chuetas’ devem voltar formalmente ao Judaísmo.

O painel incluiu: o emissário da Shavei Israel para a região, o Rabino Nissan Ben Avraham; Andreu Aguiló Diaz, um artista ‘Chueta’ que vive na área de Palma, e Miquel Segura, um jornalista ‘Chueta’ que voltou formalmente ao judaísmo com ajuda da Shavei Israel, em 2010. O painel foi moderado pelo conhecido historiador local e editor Lleonard Muntaner, que tem focado extensivamente nos judeus de Mallorca.

Segura, que organizou o evento para a Shavei Israel, comentou, durante o seminário, que toda esta série representa um verdadeiro marco para os ‘Chuetas’ de Palma de Mallorca. “Até agora, têmos realizado dezenas de conferências e simpósios, publicado muitos livros, e, todos, sobre o nosso passado. Na quinta-feira, abrimos um novo caminho. Nós dissemos: ‘vamos falar sobre a nossa identidade do futuro’. Os próximos eventos vão ter sequência a partir disso”.

Mais informações sobre seminários anteriores da Shavei Israel e sobre a vida judaica na região de Palma em geral, no site da Shavei.

 

Receita para Pessach desde Palma de Mallorca

Artigo publicado no site da Bnei Brit em Inglês: (http://www.bnaibrith.org/magazine/mallorca_recipe.cfm)

 

 

Mallorcan_Almond_Torte-300x212Gato de Amendoas

Um famoso autor e Chef, Antoní Piña, é uma das maiores autoridades na área da cozinha, nas Ilhas Baleares. Tem dedicado grande parte de sua carreira em descobrir e aperfeiçoar vários dos famosos pratos de Mallorca, assim como este delicioso bolo sefaradita, para Pessach.

As notas do Chef Piña se encontram no final da receita.

Receita:

Você pode moer as amêndoas ou comprar farinha de amêndoa!

Ingredientes:

2 xícaras + 1 colher de chá de farinha de amêndoa
1 + ¼ de xícara de açúcar
5 ovos
Cascas raladas de 1 limão
1 colher de chá de canela
1 colher de sopa de café (não instantâneo)
1 colher de sopa de óleo ou margarina
Um punhado de farinha de Matzá
1 colher de sopa de açúcar de confeiteiro

Procedimento:

– Pré-aqueça o forno a 180 graus.
– Passe a margarina ou o óleo num molde de assadeira e espalhe Farinha de Matzá sobre ele.
– Separe as gemas das claras.
– Bata as gemas com o açúcar até dobrar seu volume inicial.
– Em outra tigela bata as claras até que estas tomem consistência.
– Adicione as gemas as claras.
– Adicione a farinha de amêndoas, o café, a canela e as cascas de limão e misture bem.
– Asse a 180 graus nos primeiros 15 minutos, em seguida, abaixe o forno para 160 graus e deixe durante os próximos 25 minutos.
– Retire o molde do forno e deixe descansar por cinco minutos.
– Cuidadosamente retire o bolo do molde.
– Espalhe em cima o açúcar de confeiteiro.
– E sirva frio!

Notas:

Esta é uma iguaria da ilha de Mallorca, popular especialmente entre as famílias chuetas. Seus ingredientes, a forma e a qualidade da preparação refletem sua herança culinária judaica. Hoje, podemos encontrar suas origens refletidas, também, em outras comunidades sefaraditas.

Na Itália, ele é conhecido como “Bocca di Dama”, exceto que a versão atual é feita com farinha e este é servido na hora de quebrar o jejum de Yom Kipur. Na Turquia, surpreendentemente, é o mesmo que em Mallorca, mas com uma pequena mudança: os judeus turcos usam nozes ao invés de amêndoas e chamam de “Gato de Muez de Pesah”. No Marrocos é conhecido pelo nome de “Pallebe aux Amandes”, e como na Itália, é feito com farinha.

Estes exemplos confirmam que os judeus em toda a diáspora se adaptaram ao seu local de assentamento, mudando aromas, mas, mantendo-se fiel às mesmas tradições!