Uma nação, diversas faces

Michael Freund é o fundador e presidente da Shavei Israel – www.shavei.org – um grupo com sede em Jerusalém que ajuda e dá a mão a «judeus perdidos» que procuram retornar ao povo judeu. A Shavei Israel está ativa em nove países ao redor do mundo com uma variedade de comunidades incluindo os Bnei Menashe do nordeste da Índia, os Bnei Anussim (ou «Marranos») de Espanha, Portugal e América do Sul; os judeus subbotnik da Rússia; os «judeus escondidos» desde a era do Holocausto, da Polónia, os descendentes de judeus de Kaifeng, na China e outros. Além disso, Freund é correspondente e colunista do Jerusalem Post, e foi anteriormente vice-diretor de comunicações no Gabinete do Primeiro Ministro de Israel Binyamin Netanyahu, durante o seu primeiro mandato. Este artigo aparece na 7ª edição de Conversations, a revista do Institute for Jewish Ideas and Ideals.

Há mais de 20 anos, como estudante de licenciatura na Universidade de Princeton, encontrei-me a dividir quarto com um jovem luterano de Iowa, brilhante e religioso. Éramos, com certeza, uma dupla um tanto incomum, e ele nunca conseguiu entender o porquê de eu correr para os serviços de oração todos os dias, ou verificar os ingredientes de vários pacotes de comida. Mas ele era do tipo cosmopolita e estudioso, a sua mesa estava constantemente repleta de livros, e sua inteligência impressionante e curiosidade sobre o mundo originavam muitas vezes conversas intrigantes.

Por isso, quando lhe perguntei quantos judeus achava que moravam na América, fiquei bastante surpreendido quando ele respondeu, com toda a seriedade: – Deve haver pelo menos 50 milhões de judeus neste país. – Quando lhe pedi para explicar as bases do cálculo, o meu amigo encolheu os ombros e disse: – Bem, eu cresci numa cidade no meio da América. O nosso médico de família era judeu, o advogado do meu pai era judeu e o contabilista dele também. Há tantos judeus proeminentes em tantos campos, que simplesmente deve haver 50 milhões ou mais dos vossos por aí – Acrescentou. Somente depois de lhe mostrar um livro de referência que mencionava a população judaica mundial como sendo de aproximadamente 13 milhões, é que ele admitiu ter errado por muito na sua estimativa.

Costumo refletir várias vezes sobre essa conversa, uma vez que a mesma abordou algumas questões fundamentais, tais como a perceção sobre os judeus, o nosso papel na sociedade e o impacto que nós, como povo, exercemos sobre o mundo. Mas penso que isso, por sua vez, levanta outra questão, talvez até ainda mais importante, e que raramente é abordada com a seriedade que merece: Será que realmente interessa quantos judeus existem no mundo?

Tradicionalmente, é claro, nunca demos muita ênfase ao tamanho ou à dimensão do povo judeu. Nos últimos 2000 anos, vivendo à mercê dos outros, temo-nos concentrado mais na qualidade do que na quantidade. É por isso, possivelmente, que muitos judeus tendem a desconsiderar ou minimizar a importância dos nossos números, argumentando que o que realmente interessa é se estamos a trabalhar eficazmente para cumprir o nosso destino nacional. [I]

Mas eu acredito que esse modo de pensar é produto do exílio, uma função do facto de termos estado mais preocupados em sobreviver do que em prosperar, durante a longa e escura noite das nossas peregrinações em terras estrangeiras. Durante o processo, fomos perdendo de vista o papel importante que os números podem ter, e de facto têm, na vida de uma nação. E chegámos ao ponto de elevar a nossa fraqueza numérica até transformá-la num valor, infundir-lhe significado e agora considerá-la o ideal.

Nem as fontes nem a história judaica justificam essa visão, e está na hora de revisitarmos esta questão, não apenas porque é um exercício intelectual interessante, mas também devido à importância crítica que ela tem para moldar as políticas da nossa comunidade, o nosso futuro e a nossa visão do mundo.

É um princípio bem conhecido da crença judaica que o Criador escolheu o povo judeu para ser o Seu instrumento especial neste mundo. – E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa – [ii], disse De’s a Moisés para ele dizer a Israel antes de lhes entregar a Torá no Monte Sinai.

Mais tarde, no livro de Devarim, o relacionamento especial de Israel com De’s é descrito em termos ainda mais íntimos: Vós sois os filhos do Senhor vosso De’s (…) Sois um povo santo ao Senhor vosso De’s, e o Senhor vos escolheu para que sejam o Seu próprio tesouro, de entre todos os povos que estão sobre a face da terra. [iii]

A partir desses versículos, fica claro que De’s não escolheu apenas uma família ou uma pequena tribo para servir os Seus propósitos neste mundo. Ele escolheu uma nação inteira, o povo de Israel. Então, vemos que obviamente é necessário um conjunto mínimo de pessoas para realizar a nossa missão sagrada, senão Ele poderia facilmente ter colocado a responsabilidade sobre apenas algumas poucas pessoas.

Por outras palavras, os números são importantes. Os críticos muitas vezes atacam esta linha de pensamento, afirmando que ter quantidade sem qualidade é de pouco valor para garantir o futuro judaico. Mas o que eles não percebem é que o oposto é igualmente verdadeiro. Um povo judeu pequeno e encolhido, consistindo apenas de um pequeno núcleo de membros comprometidos, dificilmente será capaz de enfrentar os desafios e ameaças à nossa sobrevivência, sejam eles físicos ou espirituais.

E talvez seja por isso que De’s prometeu aos patriarcas Abraão, Isaac e Jacob que o povo judeu seria um dia tão numeroso quanto as estrelas do céu ou a areia da praia. Só então poderemos estar em posição de cumprir o nosso papel.

De facto, mesmo uma leitura superficial da Torá e dos seus comentários revela que a força demográfica do povo judeu é repetidamente enfatizada nas promessas de De’s aos nossos antepassados:

E farei a tua semente como o pó da terra, assegura De’s a Abraão, dizendo-lhe: De tal modo que, se alguém puder contar o pó da terra, também poderá ser contada a tua descendência. [iv] Rashi entende essa promessa como literal, não metafórica, e explica o verso da seguinte forma: Assim como o pó não pode ser contado, assim também a tua semente estará além da contagem. [v]

Promessas semelhantes foram feitas a Isaac e Jacob [vi], e, quando Moisés se dirigiu a Israel antes da sua morte, também profetizou que De’s iria multiplicá-los «mil vezes» [vii]. Isso, diz Netziv, é uma promessa que diz respeito à qualidade e também à quantidade do povo judeu. [viii]

Mais de um milénio depois, durante o período herodiano, o povo judeu de facto cresceu e tornou-se uma força considerável no cenário mundial. Como notou o historiador Paul Johnson:

Um dos cálculos é que, durante o período herodiano, houvesse no mundo cerca de oito milhões de judeus, dos quais 2.350.000 a 2.500.000 viviam na Palestina, constituindo assim os judeus cerca de 10% do império romano. Esta nação em expansão e a diáspora fervilhante foram as fontes da riqueza e influência de Herodes. [ix] (negrito do autor)

É interessante notar que, aproximadamente na mesma época, o censo que os historiadores descrevem como o mais antigo do mundo preservado até aos nossos dias foi efetuado na China, no oitavo mês do ano 2 EC [x]. Segundo esse censo, havia um total de 57,5 milhões de chineses, ou seja, sete chineses por cada judeu vivo da mesma época.

Saltemos para frente 2000 anos até o presente, e os números são, claro, bastante diferentes, com a China tendo subido para mais de 1,1 mil milhões de pessoas, enquanto os judeus não chegam a mais de 13 milhões de almas no mundo inteiro.

Escusado será dizer que a diferença é atribuível a todas as expulsões e perseguições que nos têm cabido em sorte, que eliminaram um sem-número de judeus, deixando apenas um pequeno remanescente do que poderíamos ter sido.

Esta triste realidade foi colocada ainda mais em evidência no ano passado, quando o ilustre demógrafo Sergio Della Pergola, da Universidade Hebraica, divulgou um estudo arrepiante que concluiu que, se não fosse pelo Holocausto, haveria 32 milhões de judeus no mundo hoje. [xi]

O Holocausto, escreveu ele, causou um golpe mortal, particularmente nos judeus da Europa Oriental, devido à sua estrutura especialmente jovem. Isso, disse ele, causou danos demográficos significativos a longo prazo com ramificações muito para além do que estimamos.

De fato, como Della Pergola notou, a percentagem de judeus no mundo está hoje em constante declínio. Enquanto que antes da Segunda Guerra Mundial havia oito judeus por cada mil pessoas não-judias no mundo, o número agora é de apenas dois por cada mil, e a tendência é decrescente.

Estes dados são uma lembrança oportuna e angustiante da destruição inimaginável que o Holocausto causou. Não só reivindicou os seis milhões que foram assassinados pelos alemães e seus colaboradores, mas também subtraiu os seus filhos, netos, e todos os seus descendentes, privando para sempre o povo judeu de milhões de preciosas almas. Por outras palavras, a abrangência dos assassinatos, ampliada ao longo do tempo, torna-se cada vez mais extensa e incompreensível.

Imagine um mundo com um povo judeu vibrante e vasto, com mais do dobro do seu tamanho atual, sem ser perseguido pela constante ameaça da diminuição demográfica e da assimilação.

Considere por um momento as riquezas culturais e espirituais que estaríamos a produzir, as poderosas contribuições intelectuais e cerebrais para a humanidade que poderíamos estar a efetuar, e começará a perceber a verdadeira dimensão do que se perdeu.

De algum modo, ao longo dos séculos, na diáspora, enquanto fomos sendo coletivamente destruídos,  parece que nos afastámos desta abordagem. Mas talvez agora seja o momento de começar a pensar novamente nela. Afinal, os números contam sim, seja no basquetebol, nos negócios ou na diplomacia internacional. E, para fazer a diferença no mundo e cumprir a nossa missão nacional divina na nossa qualidade de judeus, precisamos de ter uma «equipa» muito maior e mais diversificada à nossa disposição.

Isto significa que não só precisamos de nos esforçar mais para manter os judeus judeus, mas também precisamos de expandir os nossos horizontes e procurar maneiras, em conformidade com a halachá, de aumentar os nossos números.

Um bom lugar para começar seria com descendentes de judeus, com comunidades que têm uma conexão histórica com o povo judeu e que agora estão interessados em retornar. Estes incluem os Bnei Menashe do nordeste da Índia, descendentes de uma tribo perdida de Israel, os Bnei Anussim de Espanha, Portugal e América do Sul (a quem os historiadores se referem pelo termo depreciativo «Marranos»), os Judeus Ocultos da Polónia da era do Holocausto, e outros.

Sem terem culpa nenhuma, os antepassados destas pessoas foram retirados à força do povo judeu, e nós temos o dever, para com eles e para com os seus descendentes, de os incluir e de lhes dar a oportunidade de voltarem para casa. Fazer isso não só corrigirá um erro histórico, mas também nos fortalecerá, numérica e espiritualmente.

Isto não é uma chamada ao proselitismo, nem um apelo para começarmos a converter gentios. A ideia é abrir a porta aos nossos irmãos perdidos, conhecidos como Zera Yisrael («a Semente de Israel»), e reforçar o vínculo entre nós.

Veja, por exemplo, os Bnei Anussim, cujos antepassados foram convertidos ao catolicismo à força durante os séculos XIV e XV em Espanha e Portugal, mas que continuaram a preservar a sua identidade judaica em segredo ao longo de gerações e gerações. Cinco séculos depois, um número crescente dos seus descendentes está a sair das sombras, procurando recuperar a sua herança judaica há muito perdida.

É um fenómeno de proporções inéditas, que se estende de Lisboa a Lima e de Madrid ao México. Em todo o mundo de língua espanhola e portuguesa surgem cada vez mais pessoas a querer explorar as raízes judaicas das suas famílias, que muitas vezes foram enterradas sob o peso da história.

A verdadeira dimensão dessa herança judaica foi evidenciada pelas descobertas de um notável artigo académico publicado no American Journal of Human Genetics no final de 2008, no qual uma equipa de biólogos declarou que 20% da população de Espanha e Portugal tem origem judaica sefardita [xii]. Como as populações destes dois países somadas excedem 50 milhões, isso significa que mais de 10 milhões de espanhóis e portugueses são descendentes de judeus.

Estas não são especulações mirabolantes, mas sim resultados puros e duros saídos diretamente duma placa de Petri dum laboratório. O estudo, liderado por Mark Jobling, da Universidade de Leicester, na Inglaterra, e Francesco Calafell, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, analisou os cromossomas Y dos sefarditas em comunidades para onde os judeus tinham migrado após a expulsão de Espanha em 1492. As suas assinaturas cromossómicas foram então comparadas com os cromossomas Y de mais de 1.000 homens que vivem por todo o território de Espanha e Portugal. Como o cromossoma Y é passado de pai para filho, os geneticistas foram capazes de medir os dois grupos contrastando-os um com ou outro, levando à descoberta notável de que um quinto dos ibéricos é de ascendência judaica.

Pense nisso: é como se, de repente, um grande espelho tivesse sido colocado à frente de todos os espanhóis e portugueses, forçando-os a olhar para si mesmos e a ver a realidade da sua história nacional e individual.

Mas ainda mais interessante do que o que isto nos diz sobre o passado é o que pode dizer-nos sobre o futuro. Se Israel e o povo judeu empreenderem um esforço conjunto de estender a mão aos nossos irmãos genéticos da Península Ibérica, isso poderá ter um impacto profundo em vários de campos. O próprio facto de um grande número de espanhóis e portugueses ter ascendência judaica pode ter um efeito significativo sobre as suas atitudes em relação aos judeus e a Israel.

Como presidente da Shavei Israel, que trabalha com «judeus perdidos» ao redor do mundo, eu tenho visto isso várias vezes – quando uma pessoa descobre, ou redescobre, as suas raízes judaicas, desenvolve inevitavelmente uma certa afinidade com o povo judeu e uma maior simpatia por Israel e pelas causas judaicas. Obviamente, nem todos os milhões de descendentes de judeus vão querer ir a correr converter-se ao judaísmo ou tentar fazer aliá. Mas alguns, sem dúvida, retornarão ao nosso povo e fortalecerão as nossas fileiras.

A ideia de que estes «judeus perdidos» finalmente retornarão é antiga e está profundamente enraizada no pensamento judaico, mesmo que a maioria de nós não se aperceba disso.

Veja, por exemplo, a visão do profeta Isaías de que Naquele dia tocará um grande shofar e virão os que estavam perdidos na terra da Assíria e os que foram dispersos na terra do Egito, e se curvarão diante de De’s no monte santo em Jerusalém. [xiii] De acordo com Rashi, a primeira parte do versículo (os que estavam perdidos na terra da Assíria) significa aqueles que foram dispersos muito além do Rio Sambatyon [xiv], uma referência às Dez Tribos Perdidas de Israel que foram para o exílio há mais de 2700 anos [xv]. Por outras palavras: os seus descendentes, apesar de terem estado perdidos durante tantos séculos, na verdade regressarão.

O mesmo vale para os Bnei Anussim. O grande Don Isaac Abarbanel, que testemunhou a expulsão dos judeus de Espanha em 1492, escreve comovedoramente no seu comentário ao Sefer Devarim que muitos dos Bnei Anussim serão misturados entre eles [isto é, entre as nações] e considerados como eles, mas nos seus corações eles retornarão a De’s (…) e aqueles que deixam a religião [isto é, o judaísmo] por compulsão, sobre eles está escrito «e Ele retornará e os reunirá de entre os povos.» [xvi]

O ilustre rabino Tzadok HaKohen, de Lublin, vai ainda mais longe, afirmando que todos os descendentes de judeus retornarão um dia ao nosso povo. Na sua obra Resisei Layla, escreve que isso inclui até mesmo aqueles que são descendentes de judeus sem o saber: Porque de todos aqueles que são da Semente de Israel, ninguém será banido. [Xvii]

Desde o seu início, a nação de Israel foi dividida em 12 tribos, cada uma com as suas características, talentos e bênçãos únicas. De’s, na Sua sabedoria suprema, considerou necessário que o nosso povo fosse forjado em unidade através da diversidade, como uma orquestra composta de músicos diferentes, onde cada um toca o seu próprio instrumento, apesar de estarem todos a tocar a mesma música.

O mundo em que vivemos está a ficar cada vez mais pequeno, graças ao alcance da Internet. Para florescer nesta aldeia global, precisamos de judeus chineses, indianos e polacos tanto quanto de judeus americanos e australianos. Somos uma nação com muitas faces, e temos que aprender a fazer da nossa diversidade uma alavanca e a encará-la como uma força e não como uma fraqueza. Podemos nunca conseguir igualar a demografia da China, mas podemos e devemos procurar novas oportunidades de crescimento. É por isso que chegou a hora de empreender um esforço concertado de aproximação para com os descendentes de judeus.

O nosso estado precário como povo e as ameaças que enfrentamos no nosso país e no exterior assim o exigem. E assim o exige também, devo acrescentar, o nosso destino.

[i] Veja, por exemplo, Size is not the issue, de Jonathan Rosenblum, The Jerusalem Post, 8 de maio de 2009.

[ii] Shemot 19: 6

[iii] Devarim 14: 1-2

[iv] Bereshit 13:16

[v] Rashi, Loc. Cit.

[vi] Para a promessa a Isaac, veja Bereshit 26: 4; para a promessa a Jacob, Bereshit 28:14.

[vii] Devarim 1: 10-11.

[viii] Veja Haemek Davar de Netziv, Loc. Cit.

[ix] Paul Johnson, História dos Judeus (New York: Harper, 1988), 112.

[x] Denis Crispin Twitchett, Michael Loewe e John King Fairbank, The Cambridge History of China, Volume Um: The Ch’in and Han Empires 221 BC-AD 220 (New York, Cambridge University Press, 1986), 240.

[xi] Veja How many Jews would there be if not for the Holocaust?, Haaretz, 19 de abril de 2009.

[xii] S. Adams, E. Bosch, P. Balaresque, S. Ballereau, A. Lee, E. Arroyo, A. López-Parra, M. Aler, M. Grifo, M. Brion, The Genetic Legacy of Religious Diversity and Intolerance: Paternal Lineages of Christians, Jews, and Muslims in the Iberian Peninsula no American Journal of Human Genetics, Volume 83, Número 6, Páginas 725-736

[xiii] Isaías 27:13.

[xiv] Rashi, Loc. Cit. Para outros exemplos, veja o comentário de Radak sobre Jeremias 3:18 e o Metsudat David em Zacarias 10: 6.

[xv] Veja II Reis 18: 9-12.

[xvi] Veja Abarbanel sobre Devarim 30: 1-5.

[xvii] Veja Resisei Layla, letra Nun.

Quando os idosos revelam que são judeus nos seus leitos de morte, os filhos frequentemente retornam ao judaísmo

Mariusz Robert Opałko, segurando um pergaminho da Torá, e Michael Freund, no Muro das Lamentações, em Jerusalém, Israel, dia 9 de junho de 2013. A mãe de Opałko disse-lhe que era judia durante os seus últimos momentos de vida. (Cortesia de Shavei Israel)

De CNAAN LIPHSHIZ

(JTA) – Em poucos meses, Simone Azoubel vai realizar o sonho de se mudar para Israel com o marido.

Azoubel, judia de 56 anos, do Recife, no norte do Brasil, está a estudar vocabulário hebraico enquanto se prepara para a sua aliá, a palavra hebraica para designar a imigração de judeus a Israel.

Os preparativos são agitados, mas Azoubel encontra tempo para refletir sobre quanto da sua identidade e trajetória de vida deve à sua avó – designadamente, a revelação feita pela idosa no seu leito de morte sobre a sua ascendência judaica após décadas de indiferença e perseguição.

– A minha avó materna, Raquel, disse-me que queria ser enterrada com o seu povo, em vez de com o seu marido não-judeu, e que não queria flores na lápide – disse Azoubel, recordando o diálogo de 1999.

O incomum pedido colocou Simone, educada no cristianismo, no caminho de se conectar com o judaísmo, e levou-a, junto com vários outros membros da família, a tornar-se membro da comunidade judaica do Recife.

Esse abraçar do judaísmo no seu leito de morte por parte de Raquel, descendente de judeus sefarditas que tinham fugido da Inquisição Espanhola para a Turquia e depois se mudaram para o Brasil, não é único. E eventos como esse influenciaram o que significa ser judeu para inúmeras pessoas em lugares onde a identificação como judeu era perigosa.

O rabino-chefe holandês Binyomin Jacobs, educador e conselheiro de saúde mental, disse que falou com vários sobreviventes do Holocausto que revelaram as suas origens judaicas à medida que se aproximavam dos seus últimos dias de vida.

Para alguns daqueles que estão no seu leito de morte, a necessidade de se reunir ao judaísmo é interna, impulsionada pelo seu próprio sentido de pertença.

– Aproximando-se da morte, a pessoa concentra-se no que é realmente importante para ela, que geralmente é a sua identidade –  disse Jacobs. – [E enquanto morrer é]  assustador para muitas pessoas, ao mesmo tempo, é também uma libertação de outros medos, de coisas que já não a podem magoar –  acrescentou.

Um sobrevivente holandês do Holocausto que faleceu em 2014 acrescentou «Cohen» ao seu sobrenome pouco antes de morrer. – Foi uma bomba para a sua esposa e filhos não-judeus – disse Jacobs. Esse sobrevivente contou a Jacobs que manteve a sua identidade judaica escondida durante anos para os proteger.

Para outras pessoas que fazem confissões no seu leito de morte sobre o facto de serem judias, a motivação está enraizada no desejo de se aliviarem do fardo de carregar um segredo, ou consiste no desejo de orientar os seus descendentes na direção do retorno ao judaísmo.

Mariusz Robert Opałko, um advogado de 70 anos de Cracóvia, Polónia, também é Cohen, um descendente da casta sacerdotal, embora tenha descoberto isso há apenas 20 anos. Em 1999, no hospital, poucos dias antes da morte, a sua mãe Halina disse-lhe que ela e o pai de Mariusz eram ambos sobreviventes do Holocausto, cujas famílias tinham sido quase exterminadas. Halina revelou a Mariusz que o seu pai era Cohen e que o seu verdadeiro sobrenome é Lederman.

Numa entrevista ao o jornal israelita Makor Rishon, Mariusz Opałko recordou as suas palavras: – Eu sou judia e tu também. Se quiseres ser judeu, sê judeu. E senão, não. Ser judeu na Polónia é muito difícil. –

Halina tinha dito ao seu irmão, também sobrevivente, para contar a verdade a Mariusz se ela morresse antes de conseguir fazê-lo.

A descoberta teve um efeito tão profundo em Mariusz que ele começou a praticar o judaísmo. Em 2013, a Shavei Israel, organização baseada em Jerusalém dedicada a ajudar judeus como Mariusz a regressar ao judaísmo, organizou um bar mitzvah atrasado para Mariusz em Jerusalém, no Muro Ocidental.

– Primeiro pediu-me para eu me sentar, depois disse-me quem eu sou –  recordou ele, secando as lágrimas de emoção, numa entrevista em vídeo para a Shavei Israel depois da cerimónia. Mariusz participou de um curso sobre judaísmo organizado pela Shavei Israel.

O que resta dos judeus polacos pode estar prosperando hoje, mas os judeus da Polónia sofreram perseguição mesmo após o Holocausto, sob o regime comunista. O pai de Mariusz foi demitido do seu emprego em 1956, talvez porque era conhecido por ser judeu.

Somente depois da confissão de Halina, é que Mariusz (que adotou o nome judaico de Moshe) começou a reunir várias peças da história da sua família.

Lembrou-se de que, quando era criança, dois tios visitavam a sua casa todos os anos em dezembro e falavam alemão com os seus pais durante um jantar à luz de velas. Apenas em retrospetiva percebeu que as visitas eram celebrações secretas de Hanukkah e que a língua falada era Ídiche.

Mas o que a mãe de Mariusz lhe disse depois foi uma descoberta ainda mais surpreendente: A sua esposa, Maria, também era judia e também desconhecia as suas origens. Maria, que faleceu em 2003, confirmou isso com a sua própria família imediatamente após Mariusz lhe ter contado sobre a revelação da sua mãe. Mariusz e Maria tiveram um filho, Radek, que foi circuncidado quando tinha 25 anos, após a descoberta de ser judeu.

– Estou muito emocionado, –  disse Mariusz Opałko na sua cerimónia de bar mitzvah, que também foi a sua primeira visita a Israel – porque, durante toda a vida, os meus pais tiveram medo de me dizer quem eram. –

– Quando a revelação é feita perto da morte, muitas vezes é porque o revelador não quer ser o último elemento de ligação com o judaísmo. – Disse Michael Freund, fundador da Shavei Israel. – As últimas palavras podem servir como uma espécie de última vontade e testamento, e podem causar mudanças profundas nas vidas dos descendentes dos falecidos. – Explicou. A sua organização tem trabalhado com dezenas de pessoas, a maioria delas na Europa Oriental, que souberam do seu judaísmo através de um pai ou avô no seu leito de morte.

Ainda assim, Freund viu inúmeros casos em que apenas alguns dos descendentes são afetados de qualquer maneira discernível pelas revelações no leito de morte, enquanto os seus irmãos permanecem indiferentes.

Para Freund, isto sublinha como a revelação no leito de morte é, para os descendentes, apenas o começo de uma jornada cuja trajetória depende de circunstâncias individuais – incluindo como outros judeus reagem à descoberta.

– Mesmo após o Holocausto e décadas de repressão comunista, a centelha judaica recusa-se a morrer –  disse Freund. – Partilhar essas descobertas e revelar-se para o mundo pode ser intimidante, num momento em que o antissemitismo está em ascensão. O nosso trabalho é estender a mão e ajudar.

Não deixem o Ladino morrer!

Pensando racionalmente, o legado da judiaria medieval espanhola já deveria ter desaparecido há muito tempo. A comunidade judaica espanhola, a maior e mais influente da Europa daquele tempo, foi expulsa em 1492 e dispersa aos quatro ventos, distribuindo-se ao longo do Médio Oriente, dos Balcãs e do Norte de África. Poucas culturas podem ter esperança de sobreviver a um trauma coletivo tão catastrófico, tendo sido os seus membros obrigados a reconstruir as suas vidas em terras estrangeiras.

No entanto, e contra todas as probabilidades, as tradições culturais linguísticas e religiosas únicas dos judeus espanhóis continuam vivas, e Israel e o povo judaico deveriam fazer mais para proteger e desenvolver esta parte tão importante do património do nosso povo.

Pude vislumbrar um pouco deste valioso legado no seder deste ano, quando me juntei à minha nora e à sua família, parte da qual é de origem judaico-turca, para celebrar a narração  anual do êxodo do Egito.

Subitamente, quase sem aviso, fui exposto a novas canções, diferentes melodias e até excertos de leitura em ladino, ou judaico-espanhol, um dialeto emotivo onde se misturam termos em espanhol antigo, hebraico e aramaico.

Tendo crescido com os costumes e melodias asquenazitas habituais, foi enriquecedor poder conhecer outras tradições judaicas, vividas com brio, e tão autênticas e legítimas como as nossas. Com um pouco de imaginação, podemos até visualizar um grupo de judeus espanhóis exilados sentados à mesa do seder em Izmir, Nápoles ou Serajevo nos séculos XVI ou XVII, a entoar algumas das mesmas melodias. A história do Ladino reflete de muitas maneiras a história dos últimos seis séculos do povo judaico, que sobreviveu à expulsão, à assimilação e ao genocídio.

Tal como o Ídiche, a língua franca de muitos judeus asquenazitas ao longo de muitas gerações, o Ladino serviu como tela cultural, uma tela utilizada por muitos judeus sefarditas para compor poesia, dissertar sobre a Torá e  debater questões de importância cultural e mística, bem como para divulgar investigações nos domínios da História, da Matemática ou da Astronomia.

Talvez a mais conhecida obra escrita em ladino seja o Meam Loez, um comentário sobre a Bíblia que combina exposições talmúdicas, midráshicas e haláchicas, iniciada pelo rabino Yaakov Culi em 1730 em Constantinopla e continuada por outros depois da sua morte. A obra, que está traduzida ao hebraico e ao inglês [e também ao espanhol], tem ganho cada vez mais popularidade, tanto entre sefarditas como entre asquenazitas.

Durante centenas de anos, até ao Holocausto, o ladino era a primeira língua para muitos judeus sefarditas na região do Mediterrâneo. Mas o assassinato de grandes números de judeus falantes de ladino, em locais tais como a Grécia e a Bósnia, por parte dos alemães e seus cúmplices na época da 2ª Guerra Mundial, colocou em perigo o bem-estar e o futuro deste idioma.

As estatísticas sobre o número de falantes de ladino que existem no mundo hoje em dia variam entre apenas dezenas de milhares a duzentas mil. Mas como a NBC News comentou há dois meses numa reportagem, “O que é indiscutível é que a maior parte dos falantes nativos de ladino são pessoas mais velhas, e a maior parte dos seus filhos cresceu a falar outra língua”. Por outras palavras, a riqueza desta língua e cultura está em perigo de extinção se não forem empregues maiores esforços para a preservar.

Felizmente, estão a ser postas em prática algumas medidas para impedir que isto aconteça. Este ano, pela segunda vez, teve lugar no Centro de História Judaica, em Nova Iorque, o Dia Internacional do Ladino, um dia anual organizado pela Federação Sefardita Americana e outras entidades, que incluiu um festival dedicado à música e cultura ladinas. Também houve eventos similares em outras cidades.

O Ministério da Cultura Israelita tem a Autoridade Nacional para a Cultura Ladina, estabelecida pelo Knesset

em 1996, que concede bolsas para encorajar os estudantes a aprender a língua, patrocina traduções e produz livros e CDs com histórias e canções em ladino.

Alguns especialistas, tais como o Dr. Eliezer Papo, da universidade de Ben-Gurion, e o Prof. David Blunis, que lidera o programa de estudos ladinos na Universidade Hebraica de Jerusalém, têm estado a trabalhar há anos para aumentar o conhecimento da população geral acerca do ladino, dando cursos e escrevendo artigos e livros.

E os alunos mais corajosos até podem encontrar vídeos com aulas para aprender ladino no YouTube!

Mas por várias razões, este idioma não tem conseguido a atenção merecida, recebendo menos recursos e fundos que outros programas similares que têm por objetivo reviver o Ídiche. Chegou a hora de mudarmos isto e de a cultura e tradições sefarditas e ladinas serem salvas e fortalecidas com o mesmo ardor investido na preservação do património cultural asquenazita.

As organizações judaicas norte-americanas, em conjunto com o governo israelita, deveriam estar a fazer mais para manter o ladino e a sua cultura vivos e de boa saúde – porque o ladino e tudo o que ele engloba são parte integrante da longa e sinuosa passagem do nosso povo pelo palco da História. Permitir que ele desapareça ou se transforme num fóssil seria uma afronta à história judaica e uma perda cultural insubstituível.

Há mais de sete décadas, os nazis desferiram sobre o Ladino e a sua cultura um golpe quase mortal. Através da indiferença e da apatia, corremos o risco de que o golpe se revele fatal, o que não podemos permitir que aconteça. 

Uma nação, Diversas faces

Um despertar sem precedentes está ocorrendo em todo o mundo. Em diferentes áreas, os descendentes de judeus buscam retornar às suas raízes e abraçar sua herança. Durante os últimos 15 anos, através da Shavei Israel, a organização que lidero, cheguei à conclusão de que há multidões de pessoas cujos antepassados faziam parte do nosso povo e que agora retornam. Consequentemente, haverá uma mudança em vários aspetos, como o caráter, o contorno e até mesmo a cor do bairro judeu.

Desde os judeus de Kaifeng na China, cujos antepassados sefarditas viajaram ao longo da Rota da Seda, passando pelos Bnei Menashe do nordeste da Índia, que reivindicam a proveniência de uma tribo perdida de Israel, até aos “judeus escondidos” da Polónia do tempo do Holocausto, há multidões com uma conexão histórica com o povo judeu. Talvez o maior grupo de todos é o Bnei Anussim, a quem alguns historiadores se referem pelo termo depreciativo Marranos e cujos antepassados eram judeus espanhóis e portugueses forçados a converterem-se ao catolicismo nos séculos XIV e XV.

Académicos estimam que seu número em todo o mundo chega a milhões, e um recente estudo genético publicado em dezembro de 2018 revelou que 23% dos latino-americanos têm raízes judaicas.
Se formos sábios o suficiente para aproveitar a oportunidade e estender a mão a essas comunidades e fortalecer nossa conexão com elas, nas próximas décadas testemunharemos o retorno de centenas de milhares, e possivelmente mais, às nossas fileiras.

Os historiadores estimam que, durante o período herodiano, há 2.000 anos, havia aproximadamente 8 milhões de judeus em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a dinastia Han realizou um censo no ano 2 C.E, através do qual se descobriu que havia 57,5 milhões de chineses da etnia Han, e, se formos até o presente, encontramos números bem diferentes, com a China a abrigar 1,1 bilião de pessoas, enquanto o mundo judaico tem pouco mais de 14 milhões.

Durante os últimos 2.000 anos de exílio, perdemos incontáveis números de judeus, seja por assimilação ou por opressão. Muitos de seus descendentes agora choram por retorno. Este desenvolvimento é um testemunho do poder da história judaica e do triunfo do destino dos judeus.

“Precisamos começar a considerar a diversidade como algo que não é apenas bom em termos financeiros, mas também nacionalmente”

Diz-se que o mundo está ficando cada vez menor graças aos processos de globalização e crescente interdependência económica e estratégica. Para prosperar nesta aldeia global, o povo judeu precisará de judeus chineses e judeus indianos tanto quanto de judeus americanos e britânicos.

Isso significa que não só devemos fazer mais para manter os judeus judeus, mas também devemos começar a pensar em como aumentar nossos números, porque precisamos de mais judeus. Por que não retornar ao nosso passado coletivo e reivindicar aqueles que nos foram retirados por causa do exílio e perseguição? Muitos descendentes de judeus já estão batendo à nossa porta, então o que precisamos fazer é abri-la, para que eles possam voltar.

Para dizer a verdade, esse processo já está em operação. Com a aprovação do governo israelita, a Shavei Israel trouxe para Jerusalém mais de 4.000 Bnei Menashe, que fizeram Alia da Índia, bem como uma dúzia de jovens judeus chineses.

Quando olhamos para o futuro, à medida que essa tendência ganha força, fica claro que o povo judeu será uma nação mais numerosa e diversificada do que se poderia imaginar no início do século XXI.
Não devemos temer esta previsão, pelo contrário, devemos acolhê-la, porque, demográfica e espiritualmente, o povo judeu ficará mais forte por causa disso.

Esta não é uma forma de “atividade missionária”. Afinal, a ideia não é sair e convencer quem não está convencido; a ideia é abrir a porta para quem já está no processo de busca. Obviamente, nem todos irão escolher fazê-lo. Mas, ao criar um compromisso com essas pessoas, uma maior afinidade será criada por elas em relação a Israel e às causas judaicas, mesmo que prefiram permanecer católicas em Madrid ou orgulhosos protestantes no Novo México.

Cultivando sua identificação com as raízes judaicas, seja de um modo cultural, intelectual ou espiritual, o mínimo que será alcançado é expandir o número daqueles que olham com afeto e simpatia para os judeus e para Israel.

Mas podemos e devemos visar o mais alto. E já que os números contam, seja no basquetebol, nos negócios ou na diplomacia, para fazer a diferença no mundo e viver de acordo com nossa missão nacional como judeus, precisamos de uma equipa muito maior e mais diversificada.

Um “time” à nossa disposição, com grandes jogadores e um banco forte. Em outras palavras, precisamos de mais judeus.

Então, devemos começar a considerar a diversidade como algo bom, não apenas em termos financeiros, mas também nacionais. O facto de nem todos sermos parecidos, pensarmos o mesmo ou termos o mesmo passado ou a mesma cor de pele é um sinal de força para o povo judeu.

Então, à medida que um número crescente de descendentes de judeus em todo o mundo faz a longa jornada de volta para casa, recebamo-los de braços abertos, pois isso só enriquecerá ainda mais a intrincada tapeçaria de nosso povo.

FUNDAMENTALMENTE FREUND: CONSTRUAM UM MUSEU DA ALIÁ

MICHAEL FREUND

De fato, se olharmos para os últimos 70 anos, fica evidente que alguns dos momentos mais emocionantes de nossa nação foram aqueles que envolveram o resgate das comunidades judaicas da diáspora.

Nos anais da história judaica moderna, poucas histórias são tão épicas ou tão inspiradoras como a da reunião dos exilados dos quatro cantos da terra.

Desde o renascimento do Estado de Israel em 1948, mais de 3,2 milhões de imigrantes chegaram às praias da Terra Santa, de mais de 100 países de todo o mundo. Alguns vieram para cá fugindo da perseguição. Outros vieram motivados pelo sonho sionista ou convicção religiosa, ou animados pela esperança de criar uma vida melhor para si e suas famílias.

Continue reading “FUNDAMENTALMENTE FREUND: CONSTRUAM UM MUSEU DA ALIÁ”

Michael Freund na rádio AM

Nachum Segal, da Nachum Segal Network, entrevistou Michael Freund, o presidente e fundador da Shavei Israel, sobre a aliá dos Bnei Menashe e dos judeus chineses de Kaifeng, num programa de rádio ao vivo desde Jerusalém.

Continue reading “Michael Freund na rádio AM”

Os Judeus por Escolha De San Nicandro, Itália

Escondida em uma vila remota no sul da Itália, uma pequena e única sinagoga se ergue, controlada principalmente por mulheres. Tudo começou quase uma centena de anos atrás, quando o “profeta” Donato Manduzio se apaixonou com o judaísmo e reuniu uma comunidade de crentes. Depois que dezenas de moradores se converteram e fizeram Aliyah, aqueles que ficaram para trás eram em sua maioria mulheres, que se casaram com homens não-judeus locais. Juntos, eles continuam celebrando o Shabat e as festas, comendo exclusivamente kosher e estudando Torá. “Todos os dias quando oro”, diz Grazia Sochi, “eu sonho que estou no Kotel, o muro ocidental de Jerusalém”.

Continue reading “Os Judeus por Escolha De San Nicandro, Itália”