49 Anos Reconstruindo Jerusalém!

“E percorreram por toda a terra, e retornaram, ao final de nove meses e vinte dias, a Jerusalém” (Samuel 2 24:8)

A principio o verso do profeta Shmuel (Samuel) discorre sobre os emissários encarregados de realizar um censo do Povo de Israel na época do reinado de David, e que, depois de nove meses e 20 dias, percorrendo toda a terra e contando cada um e um do povo de Israel, enfim, retornaram a capital, a Jerusalém.

Contudo, existe outra maneira de interpretar este verso, como uma profecia de Shmuel sobre os dias que anteciparão a Redenção.

Em 1967, no dia 28 de Iyar, o pequeno exército de Israel vencendo uma guerra histórica contra 6 países árabes, alcança o lugar mais santo do judaísmo e liberta Yerushalaim!

Embora celebramos Yom Yerushalaim (o Dia de Jerusalém) na própria data hebraica da libertação, o dia seguinte – o 29 de Iyar -, seria também propício a comemoração, pois foi finalmente o primeiro dia em que Yerushalaim pertencia, novamente, aos judeus. Assim como em Purim celebramos o dia depois da vitória (“os dias em que repousaram de guerrar com seus inimigos” (Esther 9:22)).

Caso antecipemos 9 meses e 20 dias (como na profecia de Shmuel) de Yom Yerushalaim, alcançaremoso dia9 de Av, o dia em que nos enlutamos pela destruição dos dois templos de Jerusalém e como resultado, a expulsão dos judeus da cidade.

Sabemos, da profecia de Yeshayahu (Isaías 66:10), que:

“Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela se enlutaram”.

Se alegrarão por Jerusalém todos aqueles que por ela se enlutaram! Aqueles sentiram a falta de Jerusalém enquanto estiveram no exílio, se alegrarão ao vê-la novamente nas épocas de redenção!

E assim, entendemos a profecia que trouxemos acima, de Shmuel, da seguinte maneira:

“E (após) percorrerem por toda a terra (pelos quatro cantos do mundo), retornaram, ao final de nove meses e vinte(após terem sentido o luto de Jerusalém em 9 beAv), no Dia de Jerusalém! (o dia que seria conhecido como o Dia de Jerusalém!)”

A relação entre o luto por Jerusalém e a alegria por sua reconstrução, está profundamente conectada! O Talmud explica a profecia acima de Yeshayahu com o famoso dito “Todo aquele que se enluta por Jerusalém, terá o mérito de ver a alegria de Jerusalém!”.

O grande Rabino Kook explica porque o Talmud escreve que aqueles que se enlutam por Jerusalém terão mértio de ver sua alegria e não sua reconstrução – como faria mais sentido no contexto. O Rabino Kook responde que somente aquele que de verdade sentiu a falta de Jerusalém, entendeu sua importância para o Povo Judeu e se aprofundou na necessidade do povo de estar essencialmente conectado com este lugar santo, poderá sentir alegria, comemorando, assim, a construção de Yerushalaim. Pois ver, muitos verão a cidade ser reconstruída (como hoje em dia, o mundo todo vê) mas, infelizmente, não todos se alegrarão e agradecerão a D’s por este grande milagre!

E assim é.

Há 49 anos, de uma maneira totalmente impressionante, Israel venceu uma guerra contra 6 países árabes que preparavam aquilo que seria o segundo grande genocídio do povo judeu em menos de 30 anos.

De maneira milagrosa, o exército de Israel não somente venceu a guerra, como o fez em somente 6 dias, impondo de maneira decisiva a soberania sobre o território e mostrando a todos seus vizinhos – e todo o mundo – que os Filhos de Israel haviam voltado para nunca mais sair.

Evocando uma guerra bíblica, Israel ainda conseguiu garantir um cordão de segurança tanto no norte quanto ao Sul (Golan e Sinai) além de recuperar as cidades santas e históricas de Hevron e a cidade velha de Jerusalém! Finalmente, voltavamos a casa!

Em 1948, os judeus voltavam a Israel, quando ninguém podia entender como um povo praticamente aniquilado podia ter forças de se reerguer e revitalizar um sonho bíblico. O mundo estava em choque, mas entendia que era temporário, como sempre havia sido com os judeus no exílio.

Mas, em 1967, quando voltamos a Cidade Velha de Jerusalém de uma maneira tão milagrosa, o mundo ficou abismado. As profecias dos judeus estavam de verdade se realizando! Os cristãos e os muçulmanos tiveram que sofrer reformas internas dentro de suas ideologias, porque algo estava muito errado no que estava acontecendo.

1967 foi um marco histórico para a humanidade e todos ainda estão tentando entender por que. Mas nós sabemos que arrancar a soberania de Jerusalém dos judeus não representa ao mundo uma “justiça internacional com base na resolução 478 da ONU”. Trata-se de uma tentativa de se auto convencer que, o que está acontencendo com o Povo de Israel não é verdadeiro, que não estão voltando, que suas profecias não estão acontecendo.

E é por isso que nossos sábios definem o exílio do Povo de Israel como um “Chilul Hashem” – uma profanação do Nome Divino. Pois todo o momento em que os judeus estão fracos e dispersos entre as nações, isso dá espaço para outros pensamentos e religões que profanam o Nome de D’s. Mas quando os judeus voltam para sua casa e começam a reconstrui-la, isso é “Kidush Hashem” – Santificação do Nome Divino -. Pois, o mundo começa a perceber que existe somente duas opções, celebrar com o Povo de Israel o começo da redenção, ou guerrear até o ultimo momento tentando provar (a si mesmos) que se trata de mais uma coincidência do destino.

Que saibamos nos alegrar e agradecer a D’s por haver nascido nessa geração, na geração da vitória e não da derrota, da vida e não da morte, da Redenção e nao do Exílio!!

CONFIRA O VÍDEO DA RECONQUISTA DE JERUSALÉM:

Bnei Menashe correm a Maratona de Jerusalém!

Em poucos anos, a Maratona de Jerusalém já se tornou um dos imperdíveis eventos de corrida no mundo do esporte. Este ano, a Maratona estabeleceu um recorde, atraindo 30.000 corredores – de Israel e de todo o mundo. Participantes de 62 países se juntaram aos fãs de fitness incluindo o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat.

Este foi também o primeiro ano em que a Maratona incluíu membros da comunidade Bnei Menashe. O Rabino Gurion Sela e toda sua família – incluindo sua esposa e seis filhos – vestiram suas camisetas roxas da Maratona, colocaram seus números oficiais, e partiram em direção a linha de chegada.

A família Sela não tentou fazer a maratona completa de 42,2 km – a corrida/caminhada divertida de 1,7km da família, foi justamente na velocidade correta. Ainda assim, nada aponta mais para a integração da comunidade Bnei Menashe na vida de Israel do que uma participação como esta, numa essencial – ainda que relativamente novo – tradição de Jerusalém.

Parabéns à família Sela!

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A lista de países representados na maratona deste ano incluia o Uzbequistão, Argentina, Hong Kong, Áustria, Singapura, Turquia, Estados Unidos e Suíça. Foram sessenta corredores registrados, somente da China.

17 de Tamuz – O cerco de Jerusalém

Já se passaram muitos anos desde a destruição do Templo Sagrado, tanto o Segundo quanto mais, o Primeiro. E os judeus ainda choram por sua destruição.בית-מקדש-540x300-300x166

9 de Av é o aniversário da destruição, e três semanas antes desta data, em 17 de Tamuz, se destruíram as muralhas da cidade que permitiram a destruição de Jerusalém.

Esta data é também o aniversário da construção do Bezerro de Ouro, quando, ao descer do Monte Sinai e presenciar tal cena, o Mestre Moisés quebra as Tábuas da Lei.

Já se passaram muitos anos, e as pessoas não entendem o motivo do por que de tantas lágrimas. E ainda mais do Templo, que muitos o vêem, devido à grande ignorância, como um grande matadouro para matar animais nutrindo a alimentação de um deus sanguinário.

Portanto convêm rever um pouco a história e as informações que têmos, deste Templo.

 
O lugar de reunião

Primeiramente se trata do coração do povo, do coração da Terra de Israel. Sua principal missão é servir como um ponto de encontro entre o homem e seu Criador.

É verdade que o Criador preenche todo o universo, mas é falso o que alguns dizem que, se pode fazer o mesmo contato com Ele em qualquer lugar do mundo. Pois não nos referimos ao que, as pessoas chamam de “contato”. Nosso conceito de “contato” não se trata de uma boa “sensação”, não é enviar mensagens sem saber se estas foram recebidas, ou fechar os olhos e sentir um calafrio. Para considerarmos um “contato”, deve haver um diálogo. E acima de tudo, este “contato” deve produzir uma mudança na pessoa. A mensagem divina deve ser nítida, clara e focada.

Infelizmente, tudo isso desapareceu há mais de 2.400 anos, na destruição do Primeiro Templo. Desde então, temos apenas, sombras de um passado glorioso. Em toda história do Segundo Templo, já não houve mais tal contato. Muito menos, mais tarde, com a Diáspora.

Apesar de tudo isso, muitos judeus podem chegar a graus muito elevados de conexão com o Criador, embora que não sejam comparáveis aos do “contato profético”. Certamente, aqueles que acreditam ter tido um “contato” com o Criador se referem a esta conexão “moderna”, em que simplesmente percebem uma sensação de estar fazendo a coisa certa, uma visão turva para o futuro. Nada a ver com o que estamos falando.

 
Fraternidade

O grande “problema” da profecia é que, para chegar a esse nível é necessário seguir algumas condições que nem sempre estão em nossas mãos.

O livro Cuzari ensina que, é necessário que a maioria do povo de Israel esteja vivendo em seu país, a Terra de Profecia, e que estabeleçam um estado de fraternidade, uma união fraterna, que permita que a Presença Divina resida lá.

De fato, o Talmud nos ensina que a maioria dos profetas tiveram suas profecias, precisamente no Templo, em momentos em que todas as pessoaso visitavam juntas, como as festas de Peregrinação: Pessach, Shavuot e Sucot. A multidão se reunia em Jerusalém e tornavam evidente o sentimento de unidade necessário para que a Presença Divina paire sobre o Povo e assim, possam receber as mensagens divinas.

 
Uma minoria

Dissemos que a data de 17 de Tamuz, é tambem a data em que as Tábuas da Lei são quebradas, quando o Mestre Moisés desce do Monte Sinai e vê o Bezerro de Ouro. Um desastre cometido por aqueles que tinham aderido à parte do povo que tinha acabado de sair do Egito e ainda não eram capazes de compreender a diferença entre um reflexo da presença divina, como poderia ser o pilar de fogo e a nuvem que estavam em cima de Monte Sinai, com a representação física do Criador, que não existe.

Apenas uma pequena percentagem do povo participou, mas a maioria concordou em não protestar, e assim o fizeram. E, Arão, que era o líder na ausência de Moisés, ao invés de impedir a iniciativa, permite que um processo negativo tenha início, com a esperança de que o Mestre voltasse de seu encontro com o Criador para, então, restaurar a ordem.

É o perigo que existe quando se infiltram no povo, pessoas que simplesmente não entendem os princípios do judaísmo, pois sua adesão ao povo não foi suficientemente sincera ou não tinham a intenção apropriada. Ao longo da história judaica, alguns povos foram integrados ao povo judaico, tais como os idumeus, os guivonitas, e etc., que não vieram para amar o Criador, e nem para cumprir a Tora, mas sim por outros interesses pessoais. E então pode ser que suas almas não se ajustem as exigências do povo e exijam esforços especiais para reajustá-las, e enquanto não o fizerem, até mesmo o resto do povo sofre. Os neófitos que não estavam suficientemente preparados para receber a influência dos judeus em suas vidas, e nem os judeus de receber deles, agora se vêem em uma situação em que precisam renovar suas diretrizes nacionais, para que estejam muito claras.

 
Sangue Novo

Muitas vezes, a solução está precisamente nos novatos que chegam com um novo amor extraordinárias para com o Criador e a Torá, pedindo para fazer parte do povo de D´s e se trombam com as dificuldades de sê-lo, mas se esforçam para demonstrar sua boa-fé e sua vontade até que sejam aceitos.

Figuras como Ruth, a Moavita, os pais do Rabi Akiva, e o Profeta Ovadia (Obadias, etc.) são exemplos conhecidos. E muitos outros que vêm de todas as nações, e os descendentes dos judeus assimilados na Europa que se sentem “convocados” a voltar, trazendo este
“novo sangue” que muda o viés dos Filhos de Israel que, “estão cansados” e assim, recebem uma injeção de adrenalina quando conhecem os recém-chegados.

O dia chegará, e não está longe, quando as datas de luto se transformarão em dias de alegria e recuperaremos tudo o que perdemos quando Tábuas da Lei foram quebradas e o Templo Sagrado, destruído.

As árvores do Monte do Templo

Quem já visitou o Kotel (Muro das Lamentações), na Cidade Velha de Jerusalém, provavelmente terá reparado que no Monte do Templo, onde se localizavam os dois grandes templos do povo de Israel e é agora a Mesquita Dourada, há muitas árvores que “decoram” a esplanada.

De acordo com a Torá é proibido o plantio de árvores no Monte Moriá, o Monte do Templo, como está escrito: “Você não deve plantar para ti, Asherah (árvore de idolatria) ou qualquer tipo de árvore ao lado do altar de Hashem, seu D’us, que faras para ti.” (Devarim 16:21)

Lembro-me de uma vez, em uma das muitas vezes que tive o mérito de visitar o Kotel, me chamou, particularmente, a atenção às árvores que estão lá. Geralmente ia, rezava e seguia meu caminho, como a maioria. Mas desta vez foi diferente, algo especial me comoveu, e as árvores me fizeram sentir uma tristeza muito forte, me fizeram lembrar especificamente da falta da presença da Shechiná (Espirito Divino) entre o povo de Israel, o fato de que Hashem (D’us) não possui uma ”casa” ainda, e assim, o versículo “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Shemot 25:8) que não pode ser cumprido.

Como disse o rabino Moshe Ben Tov zt”l, (passamos um mês do segundo aniversario de sua morte), com lágrimas e um choro inexplicável, “minha cabeça se enche de orvalho “(Shir Hashirim 5:2) refere-se alegoricamente a Hashem (D’us), que não tem uma casa de refúgio, e portanto a sua “cabeça” está cheia de orvalho que cai à noite.הר-הבית-3-300x225

Orei com muita força naquele dia, e hoje lembrando o momento, posso compará-lo a uma famosa história contada pelo Gemara:

Uma vez, foram a Jerusalém Raban Gamliel, o Rabino Elazar ben Azaria, o Rabino Yehoshua e Rabi Akiva …

Quando eles chegaram ao Har Hatzofim (Monte Scopus) rasgaram suas roupas (de luto, como diz a tradição para todo aquele que vê o Monte do Templo sem o Templo Sagrado construído. Quando chegaram ao Monte do Templo viram uma raposa saindo do local mais santo do que era o Templo Sagrado (Santo Sanctuorum ou Santo dos Santos). Todos começaram a chorar e o Rabi Akiva riu.

Então indagaram, ‘por que você está rindo?’ Ele respondeu: ‘por que vocês choram?’ Disseram-lhe ‘sobre este lugar está escrito “e o estranho que se aproximar dele será morto” (Bamidbar 01:41) e agora as raposas andam por lá e não vamos chorar?’ “.

Rabi Akiva então disse, “por isso mesmo eu riu, pois está escrito:”E levarei como testemunhas confiáveis para Urias HaCohen e Zacarias Ben Ieberjiau” (Isaías 8:2), o que faz em Zecharia junto com Urias? Urias estava no período do Primeiro Templo e Zacarias, no segundo templo. Pelo contrário, o versículo mostra que a profecia de Zacarias, depende da profecia de Urias. Em Urias está escrito: “Portanto, por causa de você Sião será lavrada …” (Miquéias 3:12), e está escrito em Zacarias “e anciãos se sentarão nas ruas de Jerusalém” (Zacarias 8:4) até que não fosse cumprida a profecia de Urias (de desprezo ao local sagrado), estava com medo de que a de Zacarias (de jubilo e louvores do local) não seria cumprida. Agora que foi cumprido a de Urias, também sabemos que a de Zacarias será cumprida.”

Apos estas palavras, eles disseram-lhe: “Akiva você nos consolou! Akiva você nos consolou”.

Assim, acredito que devemos ver a realidade de hoje, e nos lembrar das palavras de Rabi Akiva. Devemos saber que esta situação é temporária e que, como a profecia de Urias foi cumprida, nós estamos começando a ver como a de Zacarias também está tendo lugar. Queira Hashem que em breve sejamos merecedores da construção do Terceiro Templo e que a data 9 de Av torne-se um dia de alegria e felicidade.

Um Bar Mitzvá Espanhol para os Bnei Anussim em Jerusalém

Quando a família e os amigos costumavam perguntar a Baruch Israel o que ele queria ser quando crescesse, ele não respondia como as outras crianças que especificavam uma profissão. Não era ser médico e nem advogado que Baruch aspirava. “Quando crescer, quero ser judeu!”, respondia enfaticamente.

O objetivo de Baruch finalmente foi alcançado. Nascido em Elda, no sudeste da Espanha, Baruch e sua família são Bnei Anussim – descendentes de judeus que foram forçados a se converter ao catolicismo ha cerca de 500 anos atrás – que hoje, terminaram o processo do retorno completo ao judaísmo e, para Israel. A família – Baruch, sua mãe e sua avó – mudaram-se para Israel em 2012 e a mãe de Baruch, Sarah, contou esta história, do sonho juvenil de seu filho, no Bar Mitzvá do próprio, realizado no início deste ano, perto de Jerusalém.

A família poderia nunca ter encontrado o caminho para Israel, se não fosse a ajuda da Shavei Israel. Sarah explica que sua mãe passou anos pesquisando para enfim encontrar “a verdade da existência de D’us. Ela buscou no vegetarianismo, na naturopatia, na yoga e mesmo em diferentes religiões”. Até que se encontraram com o emissário da Shavei Israel aos Bnei Anussim da Espanha, o Rabino Nissan Ben-Avraham e,”descobrimos nossa verdadeira identidade – e que esta necessidade de buscar a alma era uma expressão das raízes judaicas ocultas por tanto tempo”.

De repente, as tradições familiares misteriosas começaram a fazer sentido. Por exemplo, ambas avós mantinham em suas casas duas cozinhas, “uma que estava sempre limpa e outra que não era utilizada” uma possível ligação com as leis de Kashrut que exigem uma separação entre os alimentos de leite e os de carne. Outra possível “dica” estava na maneira como os utensílios da cozinha eram preparados para a Páscoa, o avô costumava ir, de vez em quando, limpar os potes e panelas da cozinha de uma maneira incomum, removendo todas as manchas e os imergindo em um panela de água fervente. “Lembro-me de dizer a ele, vovô, essas panelas são tão baratas, por que simplesmente, não compramos novas?” Sarah lembra.

A família nunca foi à igreja – outro costume estranho em uma pequena cidade espanhola, predominantemente católica – e acendiam velas em memória aos membros da família que morreram. Até mesmo o sobrenome da família, Pardo, é um sobrenome tradicional judaico, como Sarah, mais tarde, descobriu.

Em 2007, Sarah participou de seu primeiro seminário da Shavei Israel, realizado em Palma de Mallorca. “Este foi nosso primeiro contato real com outras pessoas com origens Anussim”, diz Sarah. Ela, então, voltou a participar de um segundo e um terceiro seminário em 2008 e 2009, e Baruch e sua avó viajaram para Israel, em uma viagem patrocinada pela Shavei Israel. “Todos estes encontros, juntamente com a equipe da Shavei Israel, nos deram o incentivo que precisávamos para poder seguir em frente”, diz Sarah.

Nesta altura, a família já estava vivendo um estilo de vida observante na Espanha. “Deixamos de comer todos os alimentos proibidos pela Torá, coloquei mezuzot em casa e começamos a guardar o sábado (Shabat). Baruch foi circuncidado por um judeu cirurgião e mohel”.

Baruch levou as mudanças numa boa. “Por causa de seu caráter pacífico, ele sempre teve muitos amigos”, Sarah continua. Ainda assim, ele era diferente das crianças a sua volta. “Se íamos a algum lugar visitar, ele não podia comer muitas das coisas servidas. Não podia mais celebrar os eventos escolares, tais como o carnaval, que se trata de uma festa, realmente, pagã, nem podia ir para a escola nos feriados judaicos”. Cada vez mais, “nossos familiares, amigos e vizinhos, que sabiam que praticávammos o judaísmo, nos diziam que deveríamos ir viver em Israel”.

Antes disso tornar-se uma realidade, porém, a família necessitava converter-se formalmente ao judaísmo. O Rabino Eliyahu Birnbaum, diretor educacional da Shavei Israel, ajudou com o aconselhamento a família. Mudaram-se, então, para Madrid, e depois de dois anos intensos, a conversão foi concluída sob os auspícios do rabinato-chefe de Madrid. “Nós seremos sempre sinceramente gratos ao Rabino Birnbaum”, diz Sarah.

A estadia em Madrid era financeiramente difícil para a família. Sarah não podia continuar com o trabalho que exercia em Elda, como auxiliar de enfermagem em um centro para pacientes com a doença Alzheimer. A mãe de Sarah, Shulamit, que tinha trabalhado a maior parte de sua vida na indústria de calçados de Elda, vendeu a casa da família para cobrir as despesas.

Até o momento em que a Aliyá finalmente aconteceu, “já não tínhamos mais dinheiro”, diz Sarah. Mas com os benefícios do Ministério de Absorção israelense e muito trabalho duro, a família têm sido capaz de enfrentar as despesas em sua nova casa.

Sarah trabalha em uma creche para as crianças da comunidade Bnei Menashe, enquanto participa das aulas do Ulpan em hebraico. (“Já estou no nível gimel, agora”, relata com orgulho). Baruch, enquanto isso, está prosperando muito rápido. “Ele tornou-se um israelense completo, com muitos amigos que gostam muito dele”, diz Sarah. Ele também está se saindo muito bem na escola, recebendo 100 nas aulas de Mishná, Torá e Talmud. “D’us nos enviou pessoas maravilhosas que se preocupam com nosso bem-estar.”

Entre estas pessoas maravilhosas está a família Dimri, companheiros e vizinhos que também falam espanhol, que trouxeram estes novos imigrantes para “debaixo de suas asas”, convidando-os para as refeições do Shabat e abrindo, completamente sua casa, para eles. Yonatan Dimri é o diretor da Yeshiva Netivot Yosef em Mitzpe Yericho e o “gabai” da sinagoga sefaradita local. A influência de Yonatan tem sido particularmente importante pois, afirma Sarah, Baruch cresceu sem pai (seus pais se divorciaram quando ele era muito jovem).

Assim, quando Baruch recebeu seu primeiro par de tefilin, foi Yonatan que lhe ensinou como colocá-los. A família Dimri também organizou todos os arranjos para a “hanachat tefilin” (colocação do Tefilin pela primeira vez) que antecedeu a celebração do Bar Mitzvá de Baruch, que aconteceu no Kotel (Muro das Lamentações), encenrrando com um “Kidush” festivo, que contu com a participação de 25 pessoas. Entre os convidados especiais estava o Rabino Moshe Ben-Dahan, quem a família conheceu, quando estavam de Madrid.

Sarah estava exultante ao ver seu filho celebrando o Bar Mitzvá em Israel, e cumprindo, assim, tantos sonhos – dela própria e o anseio de tantos antepassados Anussim. “Não há vida para a Neshama (alma) judaica, fora de Eretz Israel (Terra de Israel)”, diz Sarah. Ela conecta seu processo com o do patriarca bíblico Abraão, a quem D’us disse “Lecha Lech” – Saia de sua casa – e lhe orienta a ir a uma terra que lhe mostraria. “D’us nos disse, também, para levantar-nos e ir embora. Ele nos levou de Elda para Madrid e de lá para Israel!”

Para Baruch, a quem sua mãe cantava frequentemente o “Hatikva”, o hino nacional de Israel, antes de ele ir dormir quando estavam na Espanha, Israel tem sido nada menos do que um período de transformação. “Ele precisava ver que existia um lugar aonde, tudo o que estávamos aprendendo e praticando em casa, realmente existia. Foi realmente um presente do céu conhecer a Shavei Israel. Obrigado por se preocuparem com o Baruch … e por todos nós!”

Seguem abaixo, algumas fotos da celebração do Bar Mitzvá do Baruch, no Kotel:

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Tomamos o Muro das Lamentações por óbvio?

F130508YS76Ergue-se em silêncio, contemplativo, como uma sentinela que guarda seu posto, projetando força e um sentido dramático de história ao mesmo tempo que invoca os nossos anseios mais profundos sobre o destino dos judeus.

Como local mais conhecido em toda Jerusalém, é um símbolo que ressoa profundamente e, por vezes inescrutavelmente no coração de todos aqueles que sentem a suavidade de seu toque.

Na verdade, para aqueles de nós que nasceram após os acontecimentos milagrosos de 1967, da Guerra dos Seis Dias, é difícil conceber um momento em que o Muro Ocidental estava contaminado e inacessível, definhando sem esperança sob domínio estrangeiro.

Nós o visitamos sempre que queremos, livres para recitar qualquer oração, oferecer o máximo de glória ou derramar a quantidade de lágrimas que nossos corações possam desejar.

No entanto, foi somente ha 48 anos atrás, no dia de hoje, no 28º dia do mês hebraico de Iyar, que esta antiga relíquia do período do Templo Sagrado, foi devolvida para nosso povo, um evento que, desde então, é comemorado a cada ano como Yom Yerushalayim.
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A Luz de Jerusalém

western_wall_candles_hanukkahHoje, judeus do mundo todo completam um ciclo de acendimento de velas que, começou faz uma semana com uma vela e aumentando de forma gradual, termina hoje com 8 velas, finalizando assim, os 8 dias de Chanuka.

A festa comemora a incrível batalha do pequeno exercito hebreu de Jerusalém, liderados pelos Hashmonaim, contra o poderoso Império Grego. E o simbólico milagre do pequeno frasco de óleo encontrado entre os escombros do Templo, o único intocado, que deveria ser suficiente para acender por um dia o candelabro que iluminava o local mais santo do Templo, e assim, o local mais santo para a religião judaica, e durou por oito dias, tempo suficiente para conseguir mais óleo.

Não havia me caído a ficha, que estou morando na esquina do local aonde toda essa historia aconteceu. Ate que essa semana, vi um pai acendendo a vela com o filho nas ruas aqui de Jerusalém e estava contando a historia de Chanuka a seu filho e então disse “isso aconteceu com nossos tatataravos aqui mesmo, em Jerusalém”. Foi quando percebi. Há cerca de 2200 anos, nessa mesma época, neste mesmo local, tentaram impor aos judeus como eles deveriam ser, que costumes deveriam seguir, quais os procedimentos tomar, o que era certo e o que era errado. E por não aceitarmos, por querermos seguir a religião de nossos pais, nos atacaram, invadiram nosso templo e pela espada tentaram nos forçar a aceitar suas crenças!
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