A Kipá faz o homem?

Se você estiver procurando por um sinal claro de que o povo judeu esta mais dividido do que nunca, você pode simplesmente olhar para as cabeças dos homens.kipot1

Andando pelas ruas de Jerusalém, é difícil não notar a variedade de formas, cores e tamanhos de yarmulkes adornando as cabeças dos homens religiosos.

O observador mais atento pode descobrir informações sobre quem usa um quipá, de acordo com o estilo e a localização do solidéu da pessoa.

Um pequeno solidéu bordado na parte superior da cabeça geralmente representa a ortodoxia moderna, enquanto que o tamanho do solidéu bordado de uma tigela de sopa geralmente é preferido pelos sionistas da extrema-direita religiosa, como yeshivot associadas com Merkaz HaRav.

O solidéu preto é a escolha de muitos haredim (ultraortodoxos), no entanto, onde é colocado e se tem uma borda ou não, também podem definir a próprio pessoa.

A camurça é dita ser a mais neutra, sempre que preta ou azul. Qualquer outra cor será imediatamente exposta como uma interpretação mais liberal da halachá (lei judaica).

E a decisão de usar grampos para segurar o kipá no lugar tem muito simbolismo, porque muitas pessoas no mundo das yeshivot veem isso como um sinal “moderno”.

De fato, como ornitologia é para os pássaros e cosmologia para as estrelas, o estudo da kippot, ou “kipotología”, como eu chamo, é para o povo judeu.

E este é precisamente o problema.

Embora possamos acreditar que a quantidade de kippot é um símbolo da diversidade da vida judaica, o triste é que a decisão da pessoa sobre o uso da kipá, tornou-se uma rotulagem do mesmo, levando a outras conclusões, que podem ter pouca ou nenhuma conexão com a realidade.

A kipá que nós escolhemos, não tem nada a ver com o temor a Deus, a sua capacidade intelectual ou a integridade nos negócios, e menos tem a ver com o seu rigor no cumprimento das mitsvot. Julgar um judeu com base no tamanho ou formato do seu kipá não é apenas errado, mas tolo.

A kipá pode indicar como você quer que os outros te vejam ou a que grupo ou ”facção” quer pertencer. Mas qualquer coisa além disso é apenas especulação e nada mais.

De acordo com o Talmud, a cobertura de cabeça deve levar a pessoa a ter consciência de que D’s está acima dele. No Tratado de Kiddushin (31a), Rav Huna, o filho do rabino Yehoshua diz que “não se deve andar 4 côvados sem uma cobertura na cabeça.” Ela diz: “a Presença Divina está na minha cabeça.” Da mesma forma, no tratado de Shabat (156b), a mãe do rabino Nachman, o filho do rabino Isaac, instruiu que “você deve cobrir a cabeça para sentir o medo de D’s”.

Em ambos os casos é evidente que a cobertura para a cabeça é destinada a elevar a pessoa e não servir como uma forma de identificação de um grupo particular.

No entanto, temos a Kipá, e transformamos ela de um objeto espiritual para um definidor de critérios religiosos, diminuindo ela e nossos irmãos judeus no processo.

kipa_rewuvenPor alguma razão, eu não acho que isso é o que os nossos sábios queriam.

Eu sempre vesti meu Kipá como um símbolo de orgulho judaico e uma lembrança das minhas obrigações para com o Criador.

E, sim, também ajuda a cobrir a minha careca.

Mas tudo isso entre D-s e eu. Por que o resto tem que olhar para o meu solidéu bordado e colorido e desenhar todos os tipos de conclusões? No mundo de hoje, o fato de que um judeu escolha uma Kipa para se identificar como tal, já é por si só um ato de coragem e até ousadia. Existem milhares de lugares, desde as ruas de Paris ate a a estrada de Viena, onde a visão de um judeu orgulhoso com seu solidéu, ainda carrega olhos frios.

Então, vamos dar aos nossos amigos judeus o benefício da dúvida, ao invés de separa-los e tentar inseri-los em uma categoria ou outra.

A kipá faz o homem? A resposta, claro, deveria ser óbvio. Aos olhos de D-s o que conta não é o que está em nossas cabeças, mas dentro delas.

É hora de aprender com o Seu exemplo.

O significado das rezas: A Reza Pessoal – Noções sobre o Judaísmo

A Reza Pessoal

Em artigos anteriores, estudamos a reza”nacional”, focada nas necessidades do nosso povo. Contudo, certamente, existem problemas e questões puramente privadas das quais devemos orar e pedir ajuda ao Criador.

No Talmud, os Sábios nos instruem que podemos, e devemos, adicionar nossos pedidos específicos na reza da Amida. Dependendo da razão de cada um de nossos pedidos, devemos associá-los aos pedidos já existentes da Amida, tornando-os um pouco mais pessoal.

familia-haciendo-tefilc3a1-en-el-kotel-yerushalaim-jerusalem-jewishnet-mexico-la-red-judc3ada-mc3a9xico-conversic3b3n-al-judac3adsmo-ortodoxo-en-mc3a9xico-e1419097575365Deste modo, na bênção da saúde, poderíamos acrescentar um pedido de cura para um parente doente, e etc. Cada um dos nossos pedidos deve encontrar um espaço apropriado, e quando não somos capazes de “configurá-lo” corretamente, podemos acresentá-los na bênção final, na qual podemos incluir e adicionar qualquer questão que tenhamos.

Podemos aprender com o Rei David que, ao longo dos Salmos que escreveu, comparou sua situação pessoal com a fase da história nacional, que se desenrolava. Assim, o pedido permanece pessoal, mas é subjugado a uma capacidade nacional. Eu, como parte do povo de Israel, quero que meu povo tenha saúde, e é portanto, é imprescindível que este indivíduo em particular também seja curado e esteja em pleno estado de saúde. Desta forma é possível converter o problema nacional em algo muito mais pessoal, nos envolvemos muito melhor com os passos da história. Já não se trata de um problema abstrato mas sim, torna-se um problema pessoal: é essencial a existência de Saúde no povo e, portanto, o indivíduo deve ser curado.
Todo o dia orando

Tudo isso não nos impede de criar um sistema de conexão com o Criador, que abrange todos os momentos de nossas vidas. Os sábios dizem no Talmud que “oxalá que o homem reze todo o dia”, ou seja, esperamos que possamos ser capazes de manter contato com o Criador durante todos os momentos do dia. Esperamos ser capazes de buscar a verdadeira ajuda aonde realmente podemos encontrá-la.

Qualquer hora e qualquer lugar é adequado para estabelecer contato com o Criador. Qualquer assunto é apropriado: saúde física ou espiritual de um ente querido; pequenos problemas com vizinhos ou parentes; estudo e problemas de aprendizagem; dificuldades financeiras; e etc.

Assim, estabelecemos um contato contínuo com o Criador, algo que deveria ser a maior aspiração de qualquer pessoa, como aprendemos através da história de Yosef. A Torá descreve a vida de um escravo na casa de Potifar exclamando: “Vejo que o Senhor está com você e tudo que você faz, D’us traz sucesso” (Gênesis 39:3). Isso pode ser entendido como uma reação de Potifar às ações de Yosef, que continuamente pedia a ajuda divina em tudo o que fazia, e agradecia ao Criador por cada pequeno sucesso que alcançava.
Bênçãos de agradecimento

Além de pedidos especiais, importantes e indispensáveis existem, ​​também, as bênçãos de agradecimento que preenchem o dia de um judeu.

Existem bênçãos para praticamente tudo. Ao nos levantarmos de manhã, agradecemos ao Criador por haver nos dado um novo dia de vida, devolvendo a alma para o corpo deitado na cama. Agradecemos por abrir nossos olhos todas as manhãs. Agradecemos pelas roupas que nos cobrem, pelos sapatos em nossos pés, pela possibilidade de ser capaz de endireitar-nos e caminhar, de livrar-nos dos laços que nos prendem e que nos permite fazer uso da liberdade que nos concedeu.

Existe uma bênção para quando saímos do banheiro, depois de fazer nossas necessidades corporais: bênção esta que agradece a boa saúde, o bom funcionamento do nosso corpo, mas também a maravilha que representa o fato de que as pessoas são o convívio conjunto de corpo e alma, matéria e espírito , animal e divino.

Na primavera há uma bênção ao ver as flores das árvores e no inverno outras bênçãos ao se ouvir trovões, relâmpagos e arco-íris. Por um terremoto e por uma paisagem de tirar o fôlego, por uma criatura particularmente linda ou uma criatura que tenha sofrido alguma deformidade.

Existem também as bênçãos das quais rezamoscpara que nosso trabalho seja recompensado de maneira positiva e abundante, ou, agradecendo a abundância reservada.
Agradecer e Reconhecer

Nossos Sábios explicam que o nome “judeu” vem de Judá, filho de Yaakov. A Torá explica que o significado do nome é “agradecer”, expressado pela mãe ao ver o recém-nascido. Assim, qualquer judeu deve ser considerado uma pessoa ‘agradecida’.

Na verdade, o verbo “agradecer” em hebraico é idêntico a “reconhecer”. Quando digo “Modê ani” pode significar “Eu agradeço”, ou, pode ser, “Eu reconheço “. Reconhecer que o benfeitor é o Criador, é como agradecer a D’us.

Consequentemente, o judeu é aquele que reconhece que tudo vem d’Ele e é para Ele. Essa é a grande missão do povo de Israel: conectar os pontos de um mundo que parece muito desintegrado e conectá-los com o Criador do Mundo.

Fazemos isso através de todas estas bênçãos. “Você é Aquele que liberta os prisioneiros ”, “que levanta os caídos”, “que cura os doentes”. Do Criador provêm os terremotos e as chuvas. Agradecemos pela comida que comemos, a boa notícia que ouvimos e a oportunidade de celebrar suas festividades.
A intenção direito

O judeu deve aprender todas estas bênçãos, sendo que muitas destas podem pegá-lo de surpresa: de repente viu brilhar um relâmpago no céu nublado, ou um arco-íris a distância. Cada vez que quiser comer ou beber, é necessário reconhecer que tudo vem d’Ele, e não é o resultado de uma coincidência natural.

Ao recitar estas bênçãos, devemos lembrar a intenção adequada, já que um dos maiores perigos é que, depois de algum tempo, as bênçãos possam se tornar uma rotina prejudicial. Devemos preservar a inocência de uma criança nova descobrindo coisas novas, novos mundos em sua vida, e, assim, ir acrescentando sabedoria a experiência sabendo relacionar tudo, com o Criador.

Antes de concluir, é importante observar que a redação das bênçãos inclui o Nome Divino e Seu Poderoso Reinado Sobre o Universo, pois sem estas devidas menções explícitas na bênção, esta perde muito seu valor. Como filhos do povo de Israel, temos conhecimento do nome revelado aos nossos Patriarcas e Profetas, e também reconhecemos Seu completo poder sobre tudo o que acontece no nosso mundo e em qualquer outra galáxia.