Judeus e descendentes de Bnei Anussim celebram Purim na Itália, Portugal e El Salvador

Os judeus e Bnei Anussim das comunidades das quais a Shavei Israel trabalha na Itália, Portugal e El Salvador, entraram no espírito de Purim este ano – e os nossos fotógrafos conseguiram capturar o humor.

Vamos começar a nossa ‘turnê mundial’ pela Itália. Abaixo imagens do que aconteceu no início da semana passada em Palermo.

E aqui, o que rolou na comunidade italiana de Bnei Anussim de San Nicandro:

Viajando um pouco para o oeste, paramos em Portugal onde Purim foi comemorado com o emissário da Shavei Israel, o Rabino Elisha Salas:

Para nossa parada final, cruzamos o oceano e chegamos à El Salvador onde a comunidade de Beit Israel se destacou com dua festa de Purim:

Retrospectiva das Festividades: Yom Kipur e Sucot na Itália, Portugal e El Salvador

Como foram as festividades para você? Para os Bnei Anussim que celebraram na Espanha, Portugal e América do Sul, as festas judaicas foram um tempo de reflexão, inspiração, alegria e redescoberta.

O período das Grandes Festas já terminou (e a chuva pela qual oramos já começou a cair aqui em Israel!), mas não pudemos deixar de compartilhar algumas fotos do mês passado.

A preparação para Yom Kipur em Belmonte foi especialmente festiva com a chegada de dois coros – incluindo um coro de encantadoras crianças- que entreteram os moradores locais.

Seguem algumas fotos…

…e aqui alguns vídeos dos corais em performance!

Assim que Yom Kipur passou, os Bnei Anussim de Belmonte construíram esta Sucá:

A comunidade judaica em Palermo, Itália, nos enviou algumas fotos da Sucá que eles construíram este ano:

Mas a comunidade de Bnei Anussim de El Salvador ganhou a competição de Sucot deste ano. A comunidade Beit Israel de San Salvador estão muito orgulhosos da “moradia comunal” que construíram:

49 Anos Reconstruindo Jerusalém!

“E percorreram por toda a terra, e retornaram, ao final de nove meses e vinte dias, a Jerusalém” (Samuel 2 24:8)

A principio o verso do profeta Shmuel (Samuel) discorre sobre os emissários encarregados de realizar um censo do Povo de Israel na época do reinado de David, e que, depois de nove meses e 20 dias, percorrendo toda a terra e contando cada um e um do povo de Israel, enfim, retornaram a capital, a Jerusalém.

Contudo, existe outra maneira de interpretar este verso, como uma profecia de Shmuel sobre os dias que anteciparão a Redenção.

Em 1967, no dia 28 de Iyar, o pequeno exército de Israel vencendo uma guerra histórica contra 6 países árabes, alcança o lugar mais santo do judaísmo e liberta Yerushalaim!

Embora celebramos Yom Yerushalaim (o Dia de Jerusalém) na própria data hebraica da libertação, o dia seguinte – o 29 de Iyar -, seria também propício a comemoração, pois foi finalmente o primeiro dia em que Yerushalaim pertencia, novamente, aos judeus. Assim como em Purim celebramos o dia depois da vitória (“os dias em que repousaram de guerrar com seus inimigos” (Esther 9:22)).

Caso antecipemos 9 meses e 20 dias (como na profecia de Shmuel) de Yom Yerushalaim, alcançaremoso dia9 de Av, o dia em que nos enlutamos pela destruição dos dois templos de Jerusalém e como resultado, a expulsão dos judeus da cidade.

Sabemos, da profecia de Yeshayahu (Isaías 66:10), que:

“Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela se enlutaram”.

Se alegrarão por Jerusalém todos aqueles que por ela se enlutaram! Aqueles sentiram a falta de Jerusalém enquanto estiveram no exílio, se alegrarão ao vê-la novamente nas épocas de redenção!

E assim, entendemos a profecia que trouxemos acima, de Shmuel, da seguinte maneira:

“E (após) percorrerem por toda a terra (pelos quatro cantos do mundo), retornaram, ao final de nove meses e vinte(após terem sentido o luto de Jerusalém em 9 beAv), no Dia de Jerusalém! (o dia que seria conhecido como o Dia de Jerusalém!)”

A relação entre o luto por Jerusalém e a alegria por sua reconstrução, está profundamente conectada! O Talmud explica a profecia acima de Yeshayahu com o famoso dito “Todo aquele que se enluta por Jerusalém, terá o mérito de ver a alegria de Jerusalém!”.

O grande Rabino Kook explica porque o Talmud escreve que aqueles que se enlutam por Jerusalém terão mértio de ver sua alegria e não sua reconstrução – como faria mais sentido no contexto. O Rabino Kook responde que somente aquele que de verdade sentiu a falta de Jerusalém, entendeu sua importância para o Povo Judeu e se aprofundou na necessidade do povo de estar essencialmente conectado com este lugar santo, poderá sentir alegria, comemorando, assim, a construção de Yerushalaim. Pois ver, muitos verão a cidade ser reconstruída (como hoje em dia, o mundo todo vê) mas, infelizmente, não todos se alegrarão e agradecerão a D’s por este grande milagre!

E assim é.

Há 49 anos, de uma maneira totalmente impressionante, Israel venceu uma guerra contra 6 países árabes que preparavam aquilo que seria o segundo grande genocídio do povo judeu em menos de 30 anos.

De maneira milagrosa, o exército de Israel não somente venceu a guerra, como o fez em somente 6 dias, impondo de maneira decisiva a soberania sobre o território e mostrando a todos seus vizinhos – e todo o mundo – que os Filhos de Israel haviam voltado para nunca mais sair.

Evocando uma guerra bíblica, Israel ainda conseguiu garantir um cordão de segurança tanto no norte quanto ao Sul (Golan e Sinai) além de recuperar as cidades santas e históricas de Hevron e a cidade velha de Jerusalém! Finalmente, voltavamos a casa!

Em 1948, os judeus voltavam a Israel, quando ninguém podia entender como um povo praticamente aniquilado podia ter forças de se reerguer e revitalizar um sonho bíblico. O mundo estava em choque, mas entendia que era temporário, como sempre havia sido com os judeus no exílio.

Mas, em 1967, quando voltamos a Cidade Velha de Jerusalém de uma maneira tão milagrosa, o mundo ficou abismado. As profecias dos judeus estavam de verdade se realizando! Os cristãos e os muçulmanos tiveram que sofrer reformas internas dentro de suas ideologias, porque algo estava muito errado no que estava acontecendo.

1967 foi um marco histórico para a humanidade e todos ainda estão tentando entender por que. Mas nós sabemos que arrancar a soberania de Jerusalém dos judeus não representa ao mundo uma “justiça internacional com base na resolução 478 da ONU”. Trata-se de uma tentativa de se auto convencer que, o que está acontencendo com o Povo de Israel não é verdadeiro, que não estão voltando, que suas profecias não estão acontecendo.

E é por isso que nossos sábios definem o exílio do Povo de Israel como um “Chilul Hashem” – uma profanação do Nome Divino. Pois todo o momento em que os judeus estão fracos e dispersos entre as nações, isso dá espaço para outros pensamentos e religões que profanam o Nome de D’s. Mas quando os judeus voltam para sua casa e começam a reconstrui-la, isso é “Kidush Hashem” – Santificação do Nome Divino -. Pois, o mundo começa a perceber que existe somente duas opções, celebrar com o Povo de Israel o começo da redenção, ou guerrear até o ultimo momento tentando provar (a si mesmos) que se trata de mais uma coincidência do destino.

Que saibamos nos alegrar e agradecer a D’s por haver nascido nessa geração, na geração da vitória e não da derrota, da vida e não da morte, da Redenção e nao do Exílio!!

CONFIRA O VÍDEO DA RECONQUISTA DE JERUSALÉM:

Liberdade

Comentário sobre a Festa de Pessach

Pelo Rabino Nissan ben Avraham

 
Será que entendemos?

Nossos sábios nos garantem que a Torá é a nossa verdadeira liberdade.cego-surdo-mudo

É estranho dizer algo assim, quando sabemos que a Torá está repleta de mandamentos – 613, de acordo com a computação tradicional. Praticamente não nos permite nenhum tempo “livre”. Como podemos dizer que, precisamente a Torá, é a nossa liberdade?

A resposta clássica é q “você não entende o que realmente significa ser livre”. E isso pode irritar ainda mais…

Mas talvez seja verdade …
Sem desenvolvimento

O que significa “ser livre”? Poder fazer o que bem quisermos?

Eu, por exemplo, não sou livre para tocar guitarra ou piano… Já que não estudei música e não desenvolvi as qualidades que provavelmente não me faltaram, as desperdicei. Se eu tivesse estudado música, e tivesse passado horas e horas me esforçando, através de práticas e repetições intermináveis ​​para dominar as técnicas, seria agora livre para desenhar belas melodias de piano ou guitarra.

Os verdadeiros guitarristas e pianistas, e ainda mais os violinistas, devem passar muitas horas estudando e praticando para poderem alcançar essa liberdade de tocar belas melodias.

E quantas outras qualidades e habilidades eu possuo? Quantas destas foram devidamente desenvolvidas? É possível dizer que um homem cego não é livre para não ver a paisagem? É possível dizer que um mudo não é livre para falar? Não faz qualquer sentido! Quem não pode ou não sabe usar suas habilidades, não pode ser considerado livre ao usá-la, ou deixar de fazê-lo. A conclusão é simples:

Eu não sou livre!

Somente quando desenvolver minhas habilidades, poderei dizer propriamente que sou livre para usá-las ou deixar de usá-las.

Mesmo em questões que acreditamos não haver nenhum problema como, pensar, por exemplo, certamente estamos longe do certo. Existe uma técnica chamada “lógica”, que é a de pensar corretamente e a qual, muitos, não sabem usá-la corretamente.

Mesmo memorizar nossos estudos não somos completamente capazes: “estudamos para esquecer”, disse o Maharal de Praga, há 400 anos atrás. E isso não é nada bom.
Liberdade para ser bom

E agora, devemos considerar que estes são apenas “instrumentos” para desenvolver aquilo que realmente nos interessa: as virtudes e a nossa conexão com o Criador.

Não têmos o conhecimento necessário para desenvolver nossas virtudes. Não é suficiente “querer ser bom”, mas devemos querer aprender o que significa exatamente ser bom em tal situação e como ser em quaisquer outra. Quando todos são amigáveis, não é difícil ser bom com eles. O problema é quando são pessoas estúpidas ou mesmo não amigáveis, que desprezam sua bondade. O que você faz nessas situações? Você tem o conhecimento necessário para seguir sendo bom nestas condições?

No livro de Provérbios, lemos que a Torá nos ensina todas estas técnicas, e também as virtudes; no estudo da Torá – a Escrita, juntamente com a Oral – aprendemos o verdadeiro significado de ser bom. E como esta “bondade” é subdividida em muitas outras virtudes, cada qual para um caso diferente: para pobres e para ricos, vivos e mortos, doentes e o casal que se casar em algumas semanas, e etc.

Bondade, é claro, é apenas uma das muitas virtudes. Qual destas podemos esquecer ou menosprezar? Quando podemos dizer que “somos livres” para usar-las, ou não usar-las?
A Escravidão

Agora temos de tentar entender o que a “escravidão” significa. Existem diferentes tipos de escravidão, mesmo hoje.

Em primeiro lugar, está a ignorância. Um ignorante é um escravo trancado em um calabouço escuro, acorrentado à parede incapaz de se mover, apoiado de quatro sobre seus “cotovelos”. Não sabe a diferença entre o bem e o mal, a luz e a escuridão. Aqueles que “escolhem” viver na ignorância enganam a si mesmos, como se em seus anos de vida, não tivessem tido nenhuma meta que o Criador não tenha imposto.

Depois, há a família ou as pressões sociais. Nós coagem através de uma série de imposições com as quais não nos sentimos conectados. Embora sejam coisas boas, realmente. Mas nós não as escolhemos, seja porque não as entendemos ainda, ou porque nos incomoda que as imponham sobre nós.

A rotina é uma escravidão cruel. Não ser capaz de decidir a qualquer dado momento se devemos ir em frente ou se devemos voltar. Tornamo-nos escravos de alguns tipos de comportamento, sem nem mesmo sentir que se tratam de problemas sérios. Somente quando a rotina é sujeita a testes de validade podemos dizer que se trata de um instrumento positivo e necessário.

Quando a rotina chega a um extremo de “vício”, já está doente e vai precisar da ajuda de especialistas, medicação e tratamento especial para se livrar desta.
Os Tempos

Sem querer dizer que os tempos nos limitam ou nos escravizam, podemos dizer que existem momentos ideais para determinadas atividades. No período em que digerimos a comida após uma boa refeição, não é o melhor memento para se exercitar. O clima seco e quente não é o mais adequado para o plantio de uma árvore. Tudo tem seu tempo adequado, aque com as melhores condições, com melhores chances de sucesso.

A Torá nos ensina a santificar o tempo. Quando entendemos que este é o melhor momento para uma determinada atividade, e que, dentro de alguns poucos minutos, já não poderemos mais obtê-lo, o tempo se torna ouro puro.

Conhecem isso, muito bem, todos aqueles que estiveram frentes às portas da morte, percebendo que, de repente, lhes havia terminado o tempo. Nesta vida temos a oportunidade de agir, de fazer as coisas. Aquilo que o Criador nos impõe. Quando terminar este tempo, já não poderemos mais fazê-lo.

E em algumas épocas do ano, estão os momentos ideais para obter algum conhecimento ou capacidade que, em outro momentos, pode ser muito mais difícil, ou mesmo, impossível, de alcançar. Temos um tempo de alegria, na festa de Sucot. E temos, também, um tempo de liberdade.
A Época da Liberdade

Há 3328 anos atrás, as tribos dos filhos de Israel sairam da escravidão do Egito para se tornar um povo livre. Sua liberdade começou no próprio desejo de ser livre e querer aprender a desenvolver suas qualidades, assim como o fazemos nas sete semanas do Omer, que acontecem de Pessach à Shavuot. Estas são semanas mágicas nas quais podemos alcançar os melhores resultados com menores esforços, seguindo instruções milenares que já se mostraram eficazes.

A Festa de Pessach é chamada de “época da nossa liberdade”. E agora entendemos que não se trata, somente, de uma liberdade física, mas também, intelectual e espiritual. Nestes dias nos é mais fácil se livrar de todas essas amarras que tem nos impedido de progredir ou nos estancado no mesmo lugar.

A época propícia para se livrar dos grilhões da rotina, da opressão da coerção social ou da ignorância. Um tempo precioso que não deve ser desperdiçado e sim utilizado para iniciar o processo de liberação de nossa escravidão pessoal.

E nacional. O povo de Israel está sujeito a uma série de pressões internacionais, além de seus próprios problemas de ‘escravidão’ para as rotinas, preconceitos, falsas “tradições” medievais que, como dizem nossos sábios, temos a obrigação de erradicar de dentro de nós.

Precisamos urgentemente de um processo de libertação da ignorância nacional em assuntos espirituais. O estudo da Torá deve atingir o nível nacional. Não somente que mais pessoas, indivíduos, estudem a sagrada Torá, mas que seja feito a nível nacional. Que as questões políticas sejam analisadas de acordo com os critérios da Torá, através de uma visão divina.

Não têmos tempo a perder!

Iom Kipur

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E falou o Senhor a Moisés, dizendo: “Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação, tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor.E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso D’us. Porque toda a alma, que naquele mesmo dia não se afligir, será extirpada do seu povo. Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis, estatuto perpétuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. Sábado de descanso para vos será, então afligireis as vossas almas, ao nono dia do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”. (Levítico 23:26-32)

O dia anterior ao Yom Kipur é um dia de preparação para o jejum:

• deve-se separar o dinheiro para a caridade e levá-lo para a sinagoga aonde distribuirão entre várias instituições, seja de caráter religioso ou social.
• Uma vez que o Yom Kipur não expia os pecados cometidos uns contra os outros, a menos que a parte lesada tenha concordado em perdoar o autor do delito, este dia deve ser considerado “a data limite” para a reconciliação entre duas pessoas e para expressar arrependimento e pedir perdão. Não há diferença se o ato foi cometido através de coisas materiais ou por um insulto verbal. D’us não perdoa a não ser que a parte prejudicada tenha perdoado. De qualquer maneira, a pessoa que foi prejudicada deve sentir que é a sua obrigação conceder o perdão de todo o coração. Se teimosamente persistir na recusa, este é considerado cruel, por não ter se comportado como um filho digno do povo de Israel.
• A comida à noite, antes do jejum deve ser festiva. No entanto, não deve-se comer demais ou comer qualquer coisa que possa causar sede, pois isso tornaria o jejum ainda mais difícil.
• Antes de sair de casa para ir à sinagoga é costume que os pais abençoem seus filhos.

§ A Torá especifica que o jejum deve começar no nono dia do mês, ou seja que o Yom Kippur, na verdade, começa antes do pôr do sol, quando ainda há luz. E somente termina no anoitecer do dia seguinte. Esta “noite” não é o pôr do sol, e sim um pouco mais tarde, quando aparecem estrelas no céu. O tempo de espera depende da latitude geográfica (na parte sul da América do Sul estrelas geralmente aparecem no céu, em torno de 40 minutos após o pôr do sol).

§ O preceito bíblico “afligireis as vossas almas” é observado com um jejum total e completo, abstendo-se de toda a comida e bebida durante todo o período (aproximadamente 25 horas).

§ No que diz respeito a trabalhar, o Dia da Expiação segue as mesmas regras que o Shabat de todas as semanas, com as mesmas exceções do Shabat para caso a vida de uma pessoa esteja em perigo. O que é proibido no Shabat é proibido no Yom Kipur! Como está proibido jejuar no Shabat, uma vez que diminui a alegria deste dia especial, todos os outros jejuns que coincidirem com o Shabat são adiados ou antecipados para o domingo, ou para a quinta-feira; mas se o Yom Kippur coincide com o Shabat, deve-se jejuar neste dia e “afligir a alma”. Alguns explicam que jejuar com o próposito de expiação não contradiz as exigências do Shabat. Outros simplesmente acreditam que o Yom Kipur tem prioridade e baseam a sua opinião no fato de que Yom Kipur é chamado de “Shabat Shabaton”, o Shabat dos Shabat!

§ A Lei Oral nos ensina que, além da proibição de comer e beber, o preceito de “afligireis as vossas almas” significa também, sanções menos severas, como se lavar e banhar, ungir o corpo, usar sapatos (aplica-se apenas a sapato de couro) e ter relações sexuais.

§ Usar o vaso sanitário é proibido se o faz por prazer (shel ta’anug). Se for para limpar o corpo ou ao se levantar pela manhã, é permitido (kedarcó).

§ Uma pessoa que está doente ou cujos pés lhe doem, pode usar sapatos normalmente.

§ Crianças menores de nove anos de idade não têm permissão para jejuar, pois pode lhes ser prejudicial à saúde. A partir dos nove anos devem ser gradualmente acostumados a jejuar, cada vez mais por mais tempo, até conseguirem jejuar completamente. Meninas maiores de doze anos de idade e garotos maiores de treze, jejuam normalmente, como qualquer adulto.

§ O Yom Kipur pode ser profanado apenas por algum motivo de doença grave. O desejo expresso pela pessoa doente ou a opinião do médico devem ser os fatores determinantes para a concessão de tal dispensa. Em tais casos, a decisão deve ser tomada uma rabino.

§ Uma mulher que está dando à luz (desde o momento que começa a sentir as dores do parto) e durante os três primeiros días depois do nascimento, não está permitida jejuar, mesmo se insiste em fazê-lo. Do terceiro ao sétimo dia após o nascimento pode jejuar se quiser, mas pode, também, quebrar o jejum, caso sinta necessidade.

§ A reza que abre o Yom Kipur, é chamada de Kol Nidrei (todas as promessas) e possui um grande significado histórico e emocional. Assim como a reza que encerra o jejum, que é chamada de Neilá, que significa “fechamento”. Fora quando a pessoa volta para casa para descansar ou dormir, todo o período é dedicado a orações e preces.

§ O uso de roupa branca em Yom Kippur – roupas, vestido branco (kittel), chapéu branco – é para lembrar as mortalhas brancas (tachrichim) com as quais são enterrados os mortos, de acordo com o costume judaico, e assim despertar o coração do povo. O branco representa também a pureza e simboliza a promessa profética: “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se clarearão como a neve” (Isaías 1:18).

§ A conclusão do Yom Kipur é marcada por um toque único e prolongado do Shofar, que simboliza a “Quando soar prolongadamente o som do shofar…” (Êxodo 19:13), que marca a conclusão da Revelação no Sinai. Também para recordar a comemoração que se fazia com o shofar em Yom Kipur no início do ano Jubileo.

§ Depois de Yom Kipur, deve-se começar a se preparar para a festa de Sucot, quatro dias depois, construindo uma sucá e adquirindo as quatro espécies: lulav, etrog, hadas e arava.

Texto extraído do livro “El Ser Judío” por David Hayim Halevi Donin

Não Perder a Cabeça em Purim

file_0Os conselheiros, e a mulher, de Haman, lhe disseram: “Se Mordechai é a semente dos Yehudim… você vai cair diante dele” (Ester 6:13). Este verso é, superficialmente, incompreensível: os conselheiros dizem “caso ele seja da semente dos Yehudim…”, parece que existe uma dúvida se Mordechai é mesmo um Yehudi, embora conheçamos a história de que o decreto para matar todos os judeus, se materializou, precisamente, pois este próprio Mordechai recusou-se a se curvar perante Haman (ibid. 3: 6). Sendo assim, como se explica que tanto sua esposa quanto seus conselheiros, falavam com Haman, como se não tivessem certeza da linhagem de Mordechai?

Para responder esta questão, devemos voltar para a história do primeiro pai desta nação, Avraham Avinu. D´us ordena a Avraham a circuncidar-se, mas ao invés de fazê-lo imediatamente, Avraham foi se aconselhar com três de seus amigos mais próximos. Dois deles sugeriram que ele não o fizesse e, apenas o terceiro disse-lhe para não se preocupar e cumprir com a ordem do Criador, sem medo (Bereshit Rabá 42:8). Isso é muito intrigante! Em primeiro lugar, por que Avraham resolve se aconselhar quando recebe esta ordem, algo que não o faz em nenhuma dos demais comandos que recebe de Dús?! E uma vez já pedido o conselho, por que Avraham não escuta a maioria de seus amigos e não circuncida-se?

Consideremos, antes, a situação que precede a este Comando Divino: o Criador havia realizado um pacto com Avraham, o famoso, “Brit Ben HaBetarim”. Este mesmo criador de todo o Universo o “convidou” a uma aliança, aonde Deu Sua palavra, lhe prometeu proteção, e lhe garantiu uma porção no Mundo Vindouro (Rashi, Bereishis 15: 1). O sentimento mais natural naquele momento seria de orgulho e presunção! Ele havia acabado de assinar um acordo com, nada mais e nada menos, que o Todo-Poderoso! Lhe foi garantido tudo o que é mais importante, tanto no âmbito físico como no espiritual. O que mais ele poderia querer? Como podia sair desta embriaguez que, certamente, lhe abateu após sentir tamanho êxito? Avraham não “perdeu a cabeça”, manteve a cabeça baixa e foi pedir um conselho, como dizendo: “Eu não sou importante”, pois o menor necessita conselhos. Ou seja, a Avraham não foi permitido se tornar arrogante. A prova é que Avraham não foi se aconselhar, por necessidade, e sim para humilhar-se, uma vez que ignorou a opinião da maioria. Isto mostra, que seu único interesse era diminuir-se em seus próprios olhos e não sentir-se importante. Portanto, o “conselho” de seus amigos é completamente irrelevante (pois de qualquer maneira ele tinha a intenção de realizar a vontade do Todo-Poderoso, como o fez toda a sua vida), o importante para ele, era, na verdade, o ato de pedir um conselho.

Voltando a Haman, assim lhe disseram, sua esposa e seus conselheiros: “Caso Mordechai seja um verdadeiro descendente de Avraham, que se rebaixou, de modo a não ficar convencido, então você não poderá ir contra ele… no entanto, se ele é como qualquer outro homem, que depois de ser exaltado e elevado, por ter usado o cavalo e as roupas do rei, se enche de orgulho, com certeza você poderá ir contra ele, que, você prevalecerá”. A realidade era que Mordechai sabia que o segredo era não deixar o sucesso subir à cabeça, assim como nossos Sábios que, após desfilar pela cidade como um herói, ele voltou a vestir seu saco (uma roupa que desperta a Teshuva – despertar espiritual) e voltou a jejuar (16a – Tratado de Megilá). Em outras palavras, Mordechai não se vangloriou de sua nova posição.

Uma boa semana e um Feliz Purim!!

Extraído da Drashá do Rabino Michael Perets