Presidente da Shavei Israel: a Rainha Esther inspirou os judeus Anussim a preservarem sua fé

Fonte: JerusalemOnline

Em uma entrevista exclusiva com o JerusalemOnline, o presidente da Shavei Israel Michael Freund falou sobre a importância da história de Purim para os judeus Anussim que foram forçados a se converter ao catolicismo após a Inquisição espanhola, assim como seus descendentes.

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Como os judeus guardavam o Purim durante os tempos da Inquisição?

Apesar da perseguição implacável, os judeus encontraram uma maneira de observar o Purim durante a Inquisição espanhola.

Em 1391, massacres anti-judaicos varreram a Espanha, fazendo com que judeus fossem obrigados a escolher entre se converter ao cristianismo ou serem assassinados. Cerca de 20.000 judeus espanhóis se tornaram cristãos durante este período e muitos mais continuaram a converter ao longo do século 15, sob coerção. No entanto, muitos desses judeus que foram convertidos sob a espada continuaram a praticar o judaísmo em segredo. Isso perturbou muito os espanhóis, que viram que muitos judeus “escondidos” continuavam a fazer parte dos altos escalões da sociedade espanhola, como já eram desde a Idade de Ouro da Espanha muçulmana.marranos-300x261

Deste modo, em 1492, a rainha Isabel e D. Fernando expulsaram do seu reino todos aqueles judeus acusados de seguirem praticando a fé judaica. Em um primeiro momento, a Inquisição espanhola foi criada para caçar os judeus que continuavam a praticar sua fé em segredo. Cerca de 165.000 judeus fugiram da Espanha, 50.000 foram batizados e algo como 20.000 morrem, tentando deixar a Espanha em 1492. Enquanto isso, 31,912 “hereges” foram queimados nas fogueiras da Espanha, e outros 17.659 foram queimados em efígie – ou seja, simbolicamente, substituídos por um boneco de pano. Para os judeus secretos, conhecidos como “Anussim” – conversos ou marranos – que viviam sob o jugo da Inquisição e, portanto, em constante medo de que seriam descobertos, a festa de Purim tinha um significado especial, já que a Rainha Esther também foi forçado a praticar o judaísmo em segredo.

Para os Anussim da Espanha, Portugal e América Latina, Purim não era um dia de festa com crianças fazendo barulho e adultos consumindo álcool. Pois, se celebrassem desta forma, seriam descobertos pela Inquisição. Ao invés disso, os Anussim, que corriam perigo de vida, jejuavam por três dias, assim como a Rainha Ester jejuou quando os judeus da Pérsia foram ameaçados de aniquilação.

Como resultado, a Inquisição utilizou o Jejum de Esther como um indicador de judeus engajando-se em atividades religiosas “proibidas”. Além disso, um jejum de três dias não era considerado saudável. De acordo com Gabriel de Granada, um garoto de 13 anos de idade, interrogado pela Inquisição no México em 1643, as mulheres de sua família dividiam os três dias de jejum entre elas. Leonor de Pina, que foi preso pela Inquisição portuguesa em 1619, registrou que suas filhas jejuavam por três dias, durante o dia, enquanto durante a noite, comiam. Contudo, quando comiam, se abstinham de comer carne.

Estudiosos dos Anussim sustentam a idéia de que os judeus secretos de Espanha, Portugal e América Latina viram no jejum particular de três dias como um substituto para as Mitzvot públicas de: ler a Megilá na sinagoga e enviar presentes com comida para familiares e amigos – sendo estas ações que chamavam a atenção da Inquisição. O professor Moshe Orfali da Universidade Bar Ilan afirma que os Anussim jejuavam, muitas vezes, como uma forma de demonstrar o seu remorso por serem forçados a violar a Torá.

Curiosamente, os Anussim também transformaram a rainha Esther em “Santa Esther,” como um meio de disfarçar sua fé judaica durante a Inquisição. Os Anussim frequentemente ofereciam todas as suas orações para esta “santa”. Assim, mesmo que os Anussim hajam perdido muito de sua herança judaica ao longo dos séculos, eles nunca esqueceram a Rainha Esther, ou as palavras da Megilá que proclamam: “E esses dias de Purim nunca deixarão os judeus, e sua lembrança jamais será perdida entre seus descendentes”.

 

Por: Rachel Avraham, traduzido do site UnitedWithIsrael.org

O que é o “Livro de Esther” que se lê na festa de Purim?

PERGUNTA: O que é o “Livro de Esther” que se lê na festa de Purim?

downloadRESPOSTA:  A história da Rainha Esther que deu origem a festividade de Purim, é conhecida no judaísmo como “Meguilat Esther”, o pergaminho de Esther! Este é um dos cinco “pergaminhos” das escrituras bíblicas.

A história da Meguilá sucede na Pérsia entre os séculos 4 e 5, a.e.c. Esta relata a trama que envolveu o reinado do Rei Achashverosh (Xerxes I) que aprovou uma lei criada por seu principal conselheiro, Haman, que objetivava matar todos os judeus de todos os 127 reinados da Pérsia. Através de uma ação conjunta da Rainha Esther, esposa do Rei Achashverosh, de origem judaica e de Mordechai, outro conselheiro real, também líder da comunidade judaica da Pérsia, estes conseguiram anular o decreto, enforcar Haman e seus cúmplices, e salvar todos os judeus de um terrível genocídio. Neste momento foi decretado um dia de festa no judaísmo, para que, em todas as gerações se lembre o milagre de Purim e assim agradecemos a D´us por esta história e tantas outras que acontecem com o Povo de Israel!

Neste contexto e como parte desta lembrança, os sábios da Mishná, estipularam a leitura da Meguilá Esther, como leitura obrigatória para todos os judeus do mundo. E assim, tem sido nos ultimos 2300 anos! Continue reading “O que é o “Livro de Esther” que se lê na festa de Purim?”