O quê você faz quando encara de frente a inquisição espanhola?

“Ninguém”, a sátira Monty Python continua, “espera a Inquisição Espanhola”, e o mesmo vale para os visitantes do Museu do Prado em Madrid. Virando em uma esquina no segundo andar, os espectadores se deparam com a pintura de Emilio Sala Francés de 1889 “A Expulsão dos Judeus da Espanha”.

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Presidente da Shavei Israel: a Rainha Esther inspirou os judeus Anussim a preservarem sua fé

Fonte: JerusalemOnline

Em uma entrevista exclusiva com o JerusalemOnline, o presidente da Shavei Israel Michael Freund falou sobre a importância da história de Purim para os judeus Anussim que foram forçados a se converter ao catolicismo após a Inquisição espanhola, assim como seus descendentes.

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Os Anussim Retornam as suas Fronteiras

Entrevista com o Rabino Nissan ben AbrahamRabino Nissan ben Avraham

Lugar: a cidade de Barcelona na Espanha.

Tempo: aproximadamente 500 anos atrás.

Um grupo de pessoas entrou em segredo em um dos prédios não tão aparente em uma ruela a beira da cidade. O trajeto até o lugar não foi fácil, e o tempo todo se viravam para trás para ver se as pessoas que os perseguem, não estavam nos seus rastros.

 

As dezenas de pessoas que se amontoaram no sotão do prédio, não chegaram alí juntas. Cada uma veio de seu próprio lugar, e até mesmo tentou aumentar o trajeto o quanto possível, e tudo para esconder o destino e o objetivo de sua ida até alí.

Eles chegaram alí com o objetivo de participar de uma aula de Torá, o que era proibido a eles de acordo com as regras que lhes foram impostas pelo governo em seu país.

Eles eram os “anussim”.

Os judeus “anussim” eram, como sabemos, judeus para todos os efeitos, que escondiam em público sua religião, após restarem-lhes somente duas opções: ou abandonar sua terra natal, a Espanha, ou converter-se ao catolicismo e abandonar sua religião, e assim poderiam ficar na Espanha e viver por longas e longas gerações. A maioria dos judeus que respeitavam a lei, optaram obviamente, por abandonar o país. Porém, muitos deles resolveram aceitar a segunda opção e converteram-se, mas apenas de modo aparente, e as escondidas, estes judeus continuavam a praticar as mitzvot (preceitos de D-us), e são eles os denominados “anussim”.

Hoje em dia, Sefarad (Espanha em hebraico) e outros países ao seu redor, estão repletos de pessoas que afirmam ser descendentes dos tais “anussim” (bnei anussim – descendentes de marranos ou anussim). Grande parte deles, até mesmo, sustentam a prática, durante gerações, de alguns costumes, como acendimento das velas e outros, e isso para provar que eles são realmente descendentes dos “anussim”. Porém, obviamente, devido os anos que se passaram, já não é mais possível comprovar quem realmente é filho de uma família judaica de anussim e que não tenha se assimilado durante essas gerações.

O Rabino Nissan ben Abraham, ele próprio é descendente dos “anussim”. Quando ele descobriu esta realidade, fez de tudo para retornar as suas raízes judaicas anteriores. Ele viajou para Israel, ficou por aqui por alguns anos, e finalmente fez a conversão de acordo com a “Halachá” (lei judaica) e hoje é um judeu temente aos céus e respeita as leis. Há dois anos atrás, começou o Rabino ben Abraham, a ocupar a função de “Rabino dos descendentes de Anussim”, esta função é muito especial, pelo interesse e a sede que existe entre os “bnei anussim”, em aprender e conhecer mais sobre o judaísmo, a religião que seus antepassados respeitavam e pertenciam e que tiveram de abandonar para não perder suas vidas.

“Nasci no ano 5718 (1948) em Maiorca. Maiorca, explica o Rabino Nissan ben Abraham, é um ilha no Mar Mediterrâneo, em frente as praias espanholas e faz parte do território nacional espanhol. É um paraíso turístico visitado por muitos turistas o tempo todo. A cerca de 600 anos, houveram em Maiorca levantes anti-judaicos, partindo dos habitantes católicos da ilha. Nesses levantes, a comunidade judaica foi praticamente dizimada. Quase todos os judeus foram mortos e os que sobreviveram resolveram converter-se ao catolicismo, mas é claro que os seuscorações continuavam judeus e tentavam, a medida do possível, continuar praticando o judaísmo as escondidas.

Até o ano de 1661 existem comprovações claras de que os “anussim” praticavam o judaísmo na ilha de Maiorca. E isso é possível aprender de um simples fato – até então a Inquisição praticava os Autos de Fé contra os “anussim” em Miorca. No ano 1690 morreram 36 judeus anussim pela mão dos inquisidores em um Auto de Fé, situação que deixou os anussim sobreviventes e que ainda resistiam, em uma situação difícil e eles procuraram, a partir daí, não mais “irritar” os inquisidores. Assim, a partir desta data, não houveram mais Autos de Fé, o que presumi que não haviam mais judaizantes (pessoas que praticavam o judaismo) na ilha.

A comunidade de descendentes de “anussim” de Maiorca hoje em dia tem cerca de 10000 pessoas. É nessa comunidade que cresceu o Rabino Nissan ben Abraham até seus 20 anos. “Todos os descendentes de “anussim” que vivem na ilha hoje, são católicos fervorosos, porém eu pessoalmente sou considerado entre os habitantes da ilha judeu, e é melhor que seja assim. O tempo todo os católicos nos consideravam como judeus, na igreja chamavam os “anussim” de “judeus” e os chingavam. Apesar de não termos nunca sofrido nenhuma violência física, sempre fomos tratados diferentes e com inferioridade pelos habitantes católicos da ilha.

“Pelos sobrenomes, que são exatamente 14 essas famílias, era possível saber quem eram os “anussim”, e essa separação clara persistiu por mais de 500 anos. Apesar de algumas outras famílias teram se misturado com os católicos da ilha, essas 14 famílias específicas foram discriminadas e não conseguiram se livrar de seu carma, e eu digo graças a D-us”.

“Meu pai, foi um dos primeiros que se casou com uma mulher fora do grupo, fora da comunidade após 600 anos que eles não se misturavam. Assim, ficou claro que para que eu me tornasse judeu de fato, teria que passar pela conversão, o problema é que naquela época eu não sabia disso. No ano 1970 fundaram na ilha uma comunidade judaica da linha conservadora, mas que os judeus pareciam mais ortodoxos que conservadores. Passei a frequentar a comunidade, depois que os seus membros me receberam de braços abertos.

O rabino Ben Abraham tinha então somente 14 anos, e os membros da comunidade estavam preocupados com o que poderia pensar o governo da ilha, e no que estariam “doutrinando” aquele rapaz de 14 anos. Logo, pediram a ele que trouxesse uma autorização de seus pais para fazer parte nas orações, eventos e festas comunitárias. Quando o rabino contou a seus pais sobre sua frequência nas atividades da comunidade, eles não responderam e ele então, entendeu que o fato de não opinarem era uma autorização para continuar frequentando.

“Quando terminei o meu serviço militar em Maiorca com 20 anos, fiz minha Aliah (imigração para Israel), e fui viver na cidade de Afula onde estudei durante um longo tempo para fazer o meu Guir (conversão). Quando terminei o meu processo de conversão, continuei para os estudos de rabinato e consequentemente ao final deste recebi a Semichá (documento formal) de Rabino do Rabinato Chefe de Israel”.

Hoje em dia o Rabino Nissan Ben Abraham, mora em Shiló em Shomron (Samária), está casado e é pai de 12 crianças.

“No início trabalhei como professor no ishuv (pequenos vilarejos onde vivem famílias de colonos em Jedéia e Samária)e também fazia serviços como Sofer Stam (pessoa capacitada pelo Rabinato para escrever objetos sagrados, como Tefilin, Mezuzot, Miguilot, Sefer Torá). Hoje em dia trabalho na Organização Shavei Israel presidida por Michael Freund, a cerca de dois anos. Viajo durante duas semanas todo mês, nesse curto espaço de tempo tenho que estar em quatro ou cinco cidades diferentes, encontrar-me com descendentes de “anussim”, ensinar-lhes judaísmo e suas leis. Explico-lhes o que é o povo de Israel e qual o objetivo de cumprir as Mitsvot. Conheço, portanto, essas pessoas e posso afirmar que existem entre eles, famílias inteiras que tem casa cem por cento kasher, mas que não são famílias judias de acordo com a halachá, ainda”.

O Rabino Ben Abraham afirma também que existe uma diferança primordial entre as comunidades de “anussim” da Espanha e da Ilha de Maiorca. Maiorca era um lugar fechado, que deixa claro que os “bnei anussim”, casaram-se somente entre si, endogamia mesmo, e na minha opinião 99% dos descendentes de “anussim” na ilha são judeus mesmo, tanto que inúmeras vezes não pude sequer pedir-lhes que acendam a luz pra mim no Shabat. Entretando, os benei “anussim” da Espanha, talvez tenham preservado alguns costumes, mas não existe porém, nenhum testemunho de que tenham se casado entre si, ou que a mãe sempre se manteve judia. Por isso digo, na minha opinião, que ao contrário de Maiorca, 99% dos descendentes de “anussim” na Espanha não são judeus de acordo com a “Halachá”.

Especialmente na Ilha de Maiorca, onde existe um número grande de pessoas que pertencem ao grupo de descendentes dos “anussim”, e eles são quase que certamente judeus, essas pessoas não tem nenhuma intenção ou vontade de retornar a cumprir as mitzvot e isso porque? Eles ainda tem muito medo! Mesmo após, centenas de anos eles ainda tem muito medo. Explica o rabino Ben Abraham: “este medo existe sem nenhuma dúvida, mas não deveria existir por que não tem nenhuma lógica, quando falo sobre esse assunto com os anussim, eles negam completamente, e pra mim essa é a prova, pois eles tem medo do que dirão os seus vizinhos. Eu, obviamente, não posso andar pelas ruas dizendo para os bnei anussim voltarem a cumprir as mitzvot, é possível apenas dar aulas para aqueles poucos que nos procuram, na esperança de que eles divulguem e espalhem o que aprendem para as outras famílias de bnei anussim e quem sabe assim possamos trazer mais e mais almas judias que estão afastadas da prática das mitzvot.

 

Os Primeiros na Fila para a Cidadania Portuguesa: Sonhadores Judeus e Caçadores de Fortuna!

Debruçada sobre um monumento em homenagem a milhares de judeus mortos no massacre de 1506 em Lisboa, Danielle Karo (não é seu nome real) sentia um inchaço nos olhos.pasaportes-ciudadanía-del-dúo-11408424-300x199

Para Karo, uma poeta e analista de negócios americano, que é descendente de um dos maiores sábios do judaísmo sefaradita, o massacre não é apenas uma história antiga. É um emblema da perseguição que a motivou solicitar a cidadania portuguesa sob uma lei de 2013 que garante cidadania para os descendentes de judeus sefaraditas, o termo usado para se referir aos judeus que viviam na Península Ibérica.

“Eu acho que esta lei de Portugal é uma coisa bonita”, disse Karo, que pediu para ser identificada por um pseudônimo, pois trabalha, também, em países muçulmanos no Oriente Médio. “Mas quando eu penso na perseguição que a minha família sofreu lá, eu também acredito que é um dever de Portugal.”

Karo é a primeiro de cerca de 300 pessoas que solicitaram a cidadania nos termos da lei, de acordo com as comunidades judaicas do Porto e de Lisboa, que deverá supervisionar os pedidos de naturalização, para o governo. A lei, que entrou em vigor no mês passado, faz de Portugal o segundo país do mundo com uma lei de retorno para os judeus.

Para se qualificar a cidadania, os candidatos devem provar que pertencem a uma comunidade judaica sefaradita ou que possuem uma ascendência sefaradita. Devem, também, fornecer certificados provando que não possuem antecedentes criminais e uma certidão de nascimento autenticada pelo consulado Português, em seu país de residência, entre outros documentos. A lei não exige que os candidatos viajem a Portugal.

Até o momento, as comunidades do Porto e de Lisboa, são as responsáveis por certificar a ascendência sefaradita dos cerca de 200 candidatos. Em Lisboa, a maioria dos candidatos vêm de Israel, de acordo com José Oulman Carp, presidente da comunidade judaica da capital. Em Porto, 55 dos 100 certificados são judeus turcos, de acordo com um relatório de progresso lançado por esta comunidade no dia 31 de março.

Até o momento, as recorrentes não receberam uma resposta.

Karo, uma ávida viajante e ex-aluna da Universidade de Edimburgo, afirma ser descendente de Joseph Karo, um Rabino espanhol do século 16 que foi o autor de um dos principais códigos de lei judaica. Ela admite que além do gesto simbólico em resposta a deportação de seus ancestrais no século 16, um passaporte Português ajudaria com “algumas aplicações práticas”, tais como vistos automáticos de trabalho e estudo em todos os 28 membros da União Europeia.

Ainda assim, Karo insiste que a decisão de aplicar para a cidadania “é movida, principalmente, pelo lado emocional” orgulhosa de sua ascendência sefardita.

“É algo que é parte de mim, por isso apliquei imediatamente”, disse ela.

Políticos portugueses responsáveis pela legislação citaram motivações semelhantes. José Ribeiro e Castro, um político conservador que estava entre os co-autores da lei, disse que pretendia, com a legislação, trabalhar pela reparação tardia da expulsão de centenas de milhares de judeus da Península Ibérica nos séculos 15 e 16.

“Pela minha carreira política, sou muito grato por ter alcançado esta lei”, escreveu Ribeiro e Castro no mês passado em um Op-Ed no jornal “Público”.

Para alguns candidatos, a cidadania portuguesa significa uma oportunidade.

James Harlow, 52 anos, pai de três crianças na Califórnia e dono de uma empresa de tecnologia no Vale do Silício, disse a JTA, que a nacionalidade portuguesa lhe permitiria expandir o seu negócio na Europa. Dois judeus turcos, sócios nos negócios, disseram a JTA que estão considerando aplicar para a cidadania para que possam começar uma empresa de computadores nos Países Baixos.

“Para os jovens judeus turcos, a aquisição da nacionalidade portuguesa é uma questão de conveniência”, disse Cefi Kamhi, um ex-parlamentar turco e uma figura proeminente na minguante comunidade judaica da Turquia.

Como centenas de milhares de judeus sefaraditas, a família de Kamhi fugiu para Portugal, quando a Inquisição começou na Espanha, e teve que fugir novamente quando esta alcançou Portugal. Kamhi já solicitou a cidadania espanhola em um procedimento complicado iniciado na década de 1990, mas nunca foi naturalizado.

“Estou pensando em aplicar para a cidadania portuguesa, embora eu não precise disso por qualquer razão prática”, disse Kamhi. “Seria apenas um bom encerramento.”

No ano passado, o governo espanhol aprovou seu próprio projeto de lei para a naturalização dos judeus sefaraditas, muito mais permissiva que a versão de Portugal, mas a execução foi adiada devido a divergências sobre o procedimento. No próximo mês, a baixa Câmara do Parlamento Espanhol deve votar em uma segunda versão do projeto de lei, que instituiria critérios além daqueles exigidos em Portugal, incluindo a necessidade dos candidatos se submeterem a um teste de língua espanhola.

Assim como seus colegas portugueses, políticos espanhóis dizem que a lei se destina a corrigir um erro histórico. No entanto, como Espanha e Portugal lutam para sair de uma crise econômica que deixou os países com taxas oficiais de desemprego de 23 e 14 por cento, respectivamente, os estados ibéricos também pode ver nesta medida, um incentivo financeiro ao atrair os recém-chegados judeus.

“A Diáspora Sefaradita pode ser vista como uma grande piscina de potencial para beneficiar as economias de Espanha e Portugal, uma vez que a piscina pode atrair visitas, moradores e investimentos”, disse Michael Freund, fundador e presidente da Shavei Israel, uma ONG, sem fins lucrativos, com sede em Jerusalém que trabalha com programas de extensão para os descendentes de judeus sefaraditas.

Freund observou que os funcionários de turismo dos dois países costumam citar o incentivo financeiro abertamente, ao defender a expansão na rede de patrimônios históricos judeo-ibéricos.

Harlow, o requerente da Califórnia, não vê contradição entre os dois.

“Como líder de negócios no Vale do Silício, recebo de braços abertos a oportunidade de trazer capital, empregos e know-how para auxiliar no cultivo da região do Porto”, disse ele. “Talvez incluiria o cultivo de uvas moscatel ou azeitonas, assim como os meus antepassados fizeram mil anos atrás.”

Este artigo foi publicado originalmente no site da JTA.

JACOB LOPEZ, Palma de Mallorca,1672

A expulsão dos judeus de Oran

6a00d8349889d469e2014e8842c36e970d-800wiNo ano de 1672, encontramos um importante relato na história dos cripto-judeus de Mallorca, Espanha.

Um Navio chegou no porto de Palma de Mallorca com muitos judeus que fugiam do Norte da África. Fernando Fajardo, o Marquês de Vélez e protegido da rainha Mariana (mãe de Carlos ‘O Enfeitiçado’) tinha decretado a expulsão de 500 judeus que viviam na cidade de Oran, no norte da Argélia moderna, que estavam sob domínio espanhol desde que a cidade foi conquistada pelo Cardeal Cisneros em 1509. Mas, concordando com suas mudanças para a cidade portuária de Livorno, a nordeste da península italiana, que havia sido declarada porto livre em 1590.

Parece que um grande número de judeus já haviam estado em Mallorca, quase trezentos anos antes, após o assalto em Call em agosto de 1391, que causou a conversão forçada de centenas de judeus. Alguns conseguiram escapar, seja durante os motins sangrentos, seja nas semanas e meses que se seguiram e, apesar dos decretos que limitavam sua saída da ilha. Supõe-se que a maior parte chegou a Oran e de lá foram distribuídos entre outras cidades, como Ténès e Mostaghanem, todos na costa oeste da moderna Argélia.
Três anos de prisão

Devido à expulsão, o navio chegou carregado com uma dezena de judeus ao porto de Mallorca. Entre eles estava um jovem de cerca de 16 anos, chamado Jacob Lopez, que esperava encontrar sua noiva na cidade toscana. No momento em que o navio chegou ao Porto Pi, porto onde estavam ancorados os navios estrangeiros, os guardiões da Inquisição encarregados de monitorar a pureza da Espanha subiram no navio. Os judeus foram cuidadosamente examinados e os jovens despertaram as suspeitas dos guardas, sendo presos e permitindo que o navio continuasse seu caminho a Livorno, sem eles.

O menino permaneceu cerca de três anos na prisão, enquanto a Inquisição investigava seus detalhes. Após o envio de mensagens para 14 tribunais inquisitoriais na Península Ibérica, receberam informações de Madrid, sobre uma família Lopez, descendentes de judeus que fugiram em direção a Málaga e de lá para o Norte de África. Supostamente ali haviam abandonado o Cristianismo e teriam abraçado a fé de seus antepassados judeus.

Cruzando informações concluiu-se que Jacob era realmente Alonso Lopez, filho da família, que arriscou sua vida ao voltar para o território espanhol. Na verdade já tinham tentado sair de Oran vários anos antes, com a publicação do decreto de Fajardo, mas ao chegar ao porto de Nice, de onde continuariam a viagem até Livorno foram capturados por piratas e trazidos de volta à terra que habitavam, onde passaram vários meses na prisão, até que foram resgatados, e agora novamente se arriscavam no caminho à Livorno.
Relaxado ao braço secular

O jovem “marrano” não negou as acusações e afirmou que permaneceu fiel a sua fé ancestral. O Inquisitor Pedro de Aliaga apresentou documentos para Inquisitor Maior Rodriguez de Cossio, que assinou sua sentença de morte. Mas a Inquisição, como uma instituição religiosa que era, não queria matar ninguém, de modo que o réu foi considerado “relaxado ao braço secular”, permitindo a sentença.

No dia 12 de janeiro de 1675, multidões se reuniram perto da porta de Jesus, ao norte da cidade de Palma, onde estão hoje, provavelmente, os edifícios do Institut Joan Alcover na Avinguda Alemanha de Palma, ou talvez perto da faculdade Lluís Vives, onde estudei na minha juventude.

Jacob Lopez subiu à fogueira aonde mais uma vez rejeitou a oportunidade de se arrepender de sua apostasia ao cristianismo católico e permaneceu fiel ao judaísmo, para que então, ateassem fogo à estaca e o queimassem vivo.
Exemplo para os Cripto-Judeus

Seu exemplo repercutiu de imediato sobre as famílias dos descendentes de judeus, chamados xuetas, moradores da cidade, que haviam se convertido ao cristianismo três séculos antes. Logo eles se organizaram para exigir, em segredo, só para si, sua lealdade ao judaísmo. No entanto, dois anos depois, foram presos cerca de 270 “judaizantes” e então começaria a odisséia dos Xuetas Maiorquinos, mas isso é outra história!

Por que não o chamamos de Chaim Colombo?!

2054862_wa-300x284Em outubro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Manhattan, como fazem todos os anos, para celebrar o legado de Cristóvão Colombo, descobridor do Novo Mundo. Com pompa e cerimônia, manifestantes lotaram a Quinta Avenida, enchendo-na com uma série de fantasias, carros alegóricos coloridos e música animada, como parte do desfile do Dia de Colombo, realizado em Nova Iorque desde 1929.

Políticos locais e dignitários participaram, bem como pessoas de toda a área metropolitana, no que se tornou uma saudação popular ao patrimônio do país ítalo-americana.

Agora, no entanto, novas evidências convincentes sugerem que eles comemoraram a coisa errada por todo o tempo. Colombo, ao que parece, não era nem italiano nem espanhol e nem Português. Era – acredite ou não – um judeu.

Esta é, pelo menos, a conclusão a que chegou Estelle Irizarry, professora da Georgetown University em Washington, que estudou a gramática linguagem e sintaxe de Colombo em mais de 100 cartas restauradas, diários e documentos que escrevia.

Inconsistências na sua ortografia juntamente com numerosos erros gramaticais levaram Irizarry a crer que nem catalão e nem espanhol eram a língua nativa do grande navegador que veio de Aragão, no nordeste da Espanha.

Mas ela também encontrou no seu estilo e pontuação algo que correspondia com a do ladino, dialeto judeu-espanhol falado por judeus da Espanha. E, junto com outros aspectos de seus escritos, levou-a a concluir que Colombo era um judeu ou um converso (um judeu convertido ao cristianismo) que tentou esconder sua identidade.

Se Irizarry estiver certa, então talvez seja mais correto se referir ao homem apelidado de Almirante do Mar Oceano como Chaim, em vez de Cristóvão Colombo.

Antes de rir disso como apenas mais um exemplo de suposições banais, é interessante notar que o mistério por trás das origens de Colombo têm sido objeto de debate por muito tempo, e os historiadores continuam a discordar sobre os fatos mais básicos de sua vida.

O próprio Colombo era vago ao se tratar sobre sua herança, dizendo aos que perguntavam: “Vine de nada” – “. Eu vim do nada”. Como resultado, pesquisadores sugeriram diversas teses com as de que era filho de um genovês tecelão, filho ilegítimo de um duque Português ou mesmo um membro de uma família nobre grega.

Mas um grande número de estudiosos espanhóis, como Jose Erugo, C. Garcia de la Riega, Otero Sanchez e Nicholas Dias Perez, todos postularam que Colombo era um marrano, o termo depreciativo para os judeus convertidos à força ao catolicismo.

Os defensores desta teoria adicional incluindo o falecido caçador de nazistas Simon Weisenthal, cujo o livro de 1973 ”Sails of Hope” (‘Velas da Esperança , em português) argumentam que a viagem de Colombo de 1492 foi motivada por um desejo de encontrar uma nova pátria para os judeus na luz da sua expulsão da Espanha.

Diga o que quiser, mas as evidências são intrigantes. Columbo adotou o sobrenome espanhol Colon, que era comum entre os judeus na época. Após a sua morte, ele deixou parte de seu legado para um judeu convertido em Lisboa, e seu filho Fernando afirmou em uma biografia de seu pai que os seus antepassados “eram do sangue real de Jerusalém.”

A partida de Colombo em sua viagem à América coincidiu com o ultimato dado aos judeus da Espanha para deixar o reino para sempre, e os judeus e conversos apareciam entre os seus apoiadores financeiros, bem como de sua tripulação. Como o historiador Cecil Roth, notou em seu livro ‘The Jewish Contribution to Civilization’ (‘A Contribuição Judaica para a Civilização’, em português) é incontestável que o grande explorador tinha uma relação com a sociedade judaica e que os judeus eram intimamente associados com a sua investida desde o início.

Estes incluíram Luis de Santangel, descendente de judeus convertidos que forneceu a maior parte dos fundos para fazer a viagem, assim como Don Isaac Abravanel, o rabino famoso e financiador real.

Curiosamente, Roth observa ainda que quando Colombo chegou à América, “a terra foi avistada pela primeira vez pelo marinheiro marrano Rodrigo de Triana, e Luis de Torres, o intérprete, que tinha sido batizado apenas alguns dias antes da expedição, foi o primeiro europeu a pisar no Novo Mundo.”

Agora, você pode estar se perguntando: será que isso faz alguma diferença? Sera que alguém realmente se importa se Colombo era judeu em segredo? Acho que a resposta é um sim definitivo. Isso é mais do que apenas uma questão de curiosidade histórica. É um ponto de orgulho, e mais um exemplo convincente de como os judeus têm ajudado ao longo da história em fazer do mundo um lugar melhor.

Apesar de Colombo nunca ter descoberto a passagem para a Ásia que estava procurando, descobriu um mundo novo e expandiu as fronteiras do pensamento da humanidade, além de sua compreensão sobre o mundo. E a colonização que veio na sua esteira, finalmente abriu o caminho para o nascimento da América, com tudo de bom que tem acarretado.

Naturalmente, nós podemos nunca saber ao certo se Colombo era, de fato, um judeu. Mas certamente há fragmentos de evidência o suficiente para sustentar tal teoria, e para justificar a afirmação de que ele era de fato um dos “nossos”.

Então, ao invés de deixá-lo para os espanhóis, italianos e outros, reivindicar esta celebridade histórica, eu acho que é hora de Israel e os judeus do mundo fazê-lo também. Homenagens e exposições em museus devem ser organizadas e deve ser feito um esforço para destacar a origem judaica de Colombo.

Para um momento em que o anti-semitismo na América está em ascensão, e Washington está pressionando Israel a fazer concessões perigosas, seria bom lembrá-los da dívida que têm com aqueles que querem difamar.

Conferências sobre “Os Conversos” em Hervas

“Os conversos: A Difamação” – 18ª Edição

Hervás, de 3 a 6 de julho de 2014

De 3 a 6 de Julho se celebrará em Hervás a jornada de conferências sobre “Os conversos”, que cumpre sua 18ª edição.

Juntamente com as conferências será organizada uma série de atividades nas ruas do Bairro Judeu, com a participação dos moradores, além da tradicional peça de teatro, este ano é sobre a “Calúnia”, de Miguel Murillo.

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A aldeia de Hervás

A cidade de Hervás, surgiu no século XII, de uma capela localizada as margens do rio Santihervás, do qual origina o nome da cidade, construída naqueles dias por monges templários. Após a expulsão destes, no início do século XIII, um castelo foi erguido no local, passando a abrigar, então, várias famílias.

No século XV se estabeleceu em Hervás uma importante comunidade judaica adjacente ao rio Ambroz, fundada sob o patrocínio de San Gervasio e San Protasio, que dariam o nome para a cidade. Embora há aqueles que atribuem o nome à raiz latina da palavra “erva” (hierba). Os vestígios hebreus importantes que permanecem como um legado na cidade, são as ruas e os edifícios que compõem a, agora famosa, Judería de Hervás.hervas1

O castelo da Ordem dos Templários foi bastante importante nos tempos da Reconquista pelos reis de Castela, onde Hervás era somente uma vila no distrito de Bejar. Ambos Béjar e Hervás, passaram a depender do Señorío de Los Zúñiga, Duques de Béjar, até que, em 1816, por doação do rei Fernando VII, foi declarada uma Vila Livre e dona de uma jurisdição que era anteriormente objecto de Granadilla, “por ter todas as condições de ser uma das vilas mais felizes do reino”, como registrado no Real Privilegio de Exención y Villazgo.

Desde 1396, a vila pertencia à comunidade de Villa e de Tierra de Béjar, no Reino de Castela, passando depois a jurisdição da província de Cáceres, para depois conquistar a reforma administrativa em 30 de Novembro de 1833. Durante a Primeira República, a cidade se declarou Cantonesa, durante a Revolução Cantonal.

Sua localização é privilegiada e a atratividade do ambiente urbano é notável, tanto em relação a seus edifícios históricos e artísticos, quanto a textura popular e tradicional do traçado urbano.
A Judería

O judaísmo foi um bairro da cidade de Hervás (Cáceres) habitada pela comunidade judaica desde o século XIII até à sua expulsão, promulgada pelo Edito de Granada, imposta pelos Reis Católicos em 1492. Atualmente ainda é conhecida como Juderia, esta área da cidade.

hervas_4__400x200_q85O bairro é composto por ruas estreitas e casas com grandes saliências, varandas e uma abundância de materiais indígenas, como a madeira de castanheiro, adobe e granito. Se estende da Praça até o Rio Ambroz, na Ponte Fuente Chiquita. Os nomes das ruas ainda permanecem os mesmos, como Sinagoga, Rabilero e Cofradía.

Embora nada reste da sinagoga, a tradição aponta para a rua Rabilero, número 19. Neste edifício, havia uma galeria que se projetava para a rua, formando um arco, demolida em 1949. Outros edifícios relacionados com a comunidade judaica é a casa da Cofradía, que possui uma adega e um moinho de azeitona dentro, e o Hospital de Beneficencia, dirigido por judeus convertidos e situado na rua do Vado.

Com a promulgação do Edito de Expulsão pelos Reis Católicos em 1492, muitas famílias judias fugiram para terras portuguesas e outros tornaram-se cristãos, formando a Irmandade Católica de San Gervasio e San Protasio, e, que, se tornaria mais tarde a Cofradía de Nuestra Señora de la Asunción de Aguas Vivas. Os judeus se dedicaram principalmente aos ofícios de sapateiro, alfaiate, escriba e credor. Mesmo que também existiam aqueles que faziam as atividades artesanais, relacionadas principalmente a madeira, couro e alguns outros exemplos, como o vidro. Existem grande chances de que alguns dos que fugiram da Espanha em 1492 voltaram mais tarde para Hervás, quando foram forçados a se converter ao cristianismo, também em Portugal, alguns anos mais tarde.

Em 1969 foi declarado como sendo um conjunto histórico-artístico, e desde 1989 têm sido realizados vários trabalhos de restauração e conservação através das escolas e comércios da oficina, incluindo uma área dentro da Área de Reabilitação Integral. Finalmente, em 1996, a Câmara Municipal promoveu entre as diferentes cidades espanholas a criação de uma fort parceria que as reuniria, formando assim, a Rede de Juderías da Espanha, que ainda continua em vigor.
Conferências sobre os “conversos”

Desde 1997, a cada ano, durante um fim de semana de julho, se celebra uma conferência chamada de: “CONVERSOS: HERVÁS EM BUSCA DE SUAS RAÍZES”, de importância singular para todos, dadas as suas dimensões sociais, culturais e turísticas.

A cidade de Hervás, consciente do interesse geral no legado histórico que o povo judeu deixou na cidade, além da importância na promoção da cidade de Hervás e a região, divulgando assim a diversidade cultural da região de Extremadura, organiza em 2014, a 18ª Edição.

A riqueza da conferência é a participação dos moradores de Hervás, das quais a ausência não permitiria que fosse possível o sucesso e a continuidade do evento. São conferências em que, através de uma tradicional “Festa Popular”, envolve praticamente toda a população, direta ou indiretamente, que utilizam do Teatro como um meio de expressão, investigando e recriando costumes, comportamentos e eventos que ocorreram em Hervás no século XV e na primeira metade do século XVI.

Esta celebração ganhou reconhecimento no exterior recebendo o prêmio internacional “Mundo Teatro 99”, concedido pela Associação Cultural San Jordi, sob a tutela da governança da Catalunha, e o Prêmio “Diálogo de Culturas – 2009” em Montánchez (Cáceres).

Uma média de 400 habitantes por edição, dessa belíssima localidade do Vale do Ambroz, ao norte de Extremadura, situado entre os vales de Jerte, La Vera, Sierra de Gata e las Hurdes, tornaram possível consolidar e disseminar esta “Festa Popular”, no coração do Bairro Judeu, um dos mais bem preservados de toda a Rede de Juderías da Espanha e Caminhos de Sefarad, utilizando como um meio de expressão, as Artes Cênicas.
As Representações

Durante os últimos anos, mudanças foram introduzidas para facilitar a adaptação de os “Conversos” e implementar melhorias. Assim, têm se mostrado três peças dramáticas diferentes escritas expressamente para cada ocasião, usando elementos da história local: entre 1997 e 1999, foi “Os Conversos” e, entre 2000 e 2007, “A Conversa de Hervás”, ambas desenhadas pelo escritor argentino de origem judaica Solly Wolodarsky; e, a partir de 2008 até o presente, “A Estrela de Hervás,” do nativo de Extremadura, Miguel Murillo.

Também tem variado ao longo do tempo, a lista de diretores – desde Miguel Nieto a José Antonio Raynaud, passando por Jesús Sanabria e Teddy Ramírez – e o lugar das apresentações, até encontrarem o cenário único de Fuente Chiquita, no Bairro Judeu, em 2006 (previamente realizado na Plaza de Toros), coincidindo com o décimo aniversário de os “Conversos”, efeméride que foi acompanhada pela criação da “Comissão dos Conversos”, um corpo civil de caráter participativo que, desde então, permite a qualquer pessoa que queira, se envolver e participar ativamente.

Por outro lado, e durante todo esse tempo, têm ocorrido um envolvimento essencial de outras instituições que colaboram com a cidade de Hervás: o Governo de Extremadura (representando uma ajuda financeira média de 60-65% do orçamento total) e o Conselho de Cáceres (cerca de 10%).

Em 2008 “Os Conversos” alcançou sua 12ª edição, tendo ocorrido nos dias 26, 27, 28 e 29 de Junho.escenario-natural-fuente-chiquita

Embora tenha cumprido com os objetivos e aproveitado o local que ficou famoso neste aniversário para além das fronteiras da comunidade autónoma da Extremadura, têm se mantido um rico passado da cidade no Contexto Histórico do Bairro Judeu, afirmando claramente um interesse histórico-artístico, assim como a peça teatral em que, em ambas as atividades, participam centenas de moradors de Hervás, este ano, se incorporou algo transcedental que gostaria de acrescentar como mais um incentivo a beleza do evento: a Câmara Municipal de Hervás encomendou um texto dramático do escritor Miguel Murillo, autor de reconhecimento nacional, que respondeu com a peça “La Estrella de Hervás” que estreiou de maneira especial na 12 ª edição de os “Conversos”.

Miguel Murillo (Badajoz, 1953) é autor de inúmeras peças, incluindo “El reclinatorio” (1980), “Golfus de Emérita Augusta”, em colaboração com José Luis Alonsos de Santos, o “Armengol” (2002), prêmio nacional de teatro “Lope de Vega”, para citar apenas algumas destacadas, além de desenvolver atividades vinculadas a cultura de Extremadura: dirigiu a Editora Regional de Extremadura, foi secretário do programa “Extremadura Enclave 92” e na atualidade dirige o Consórcio Teatro “López de Ayala” de Badajoz.

Ao estilo de nossos clássico, como fizeram em seu tempos Shakespeare, Calderon e Lope, Murillo aceitou e desenvolveu a obra da única maneira possível: através da qualidade literária e da precisão histórica. Duas ferramentas essenciais para alcançar uma obra de arte a partir do passado de Hervás e desta área em particular, nas margens do rio Ambroz, onde são misturados perfeitamente magia e realidade, amor e ambição, humor e drama, de um teatro dentro do teatro. Ao estilo de “Romeu e Julieta”, para seguir com a comparação ilustre, este emocionante conto ecoa de longe através desta lenda de um património arquitectónico (quase) inalterado.