Parashat Vaetchanán

Objetivo do discurso de Moisés – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Esta parashá fala de muitos temas e é difícil estabelecer a relação entre eles. Qual é o fio condutor?

1º Parágrafo:

Servir a De’s. Não fazer figuras ou imagens de De’s. Não se trata de acreditar noutros deuses; refere-se a não dar formas ou imagens físicas a De’s, mesmo que o façam sem maldade e apenas por engano. Por isso devem recordar o momento em estiveram no monte Sinai, pois lá não viram imagem alguma.

2º Parágrafo:

Aqui diz-nos o que é que lhes sucederá se agirem contra De’s e fizerem idolatria. Faz alusão a um futuro quando se esquecerem de De’s e forem contra Ele, atrás de ídolos, abandonando-O. É por isso que lhes volta a repetir os Dez Mandamentos; para lhes recordar que só o Senhor é De’s. Não há outro fora dEle. Para que o indivíduo possa retornar do seu mau caminho, primeiro deve analisar a sua história e chegar a esta conclusão: Existe a possibilidade de voltar ao bom caminho. Uma vez que esta premissa estiver clara, então cuidará dos mandamentos de De’s.

3º Parágrafo:

Fala-nos acerca das cidades de refúgio. Entre os povos de Canaã, a vida não era muito valorizada. Vemos isto quando Abraão temia que Avimelech o matasse para ficar com a sua esposa, Sara. Agora que vão entrar na terra de Canaã, não devem adquirir essa má qualidade. É por isso que Moisés sublinha a importância de salvar a vida e fazer o que estiver nas nossas mãos para não ser derramado sangue inocente.

4º Parágrafo:

Até agora não lhes tinha dito quais eram os chukim e mishpatim. (No 1º parágrafo diz shemá el haChukim; agora diz shemá et haChukim.). Tinha falado em forma geral, agora fala de forma mais específica. A partir de agora vai especificar os preceitos. Moisés dá testemunho de que esteve entre eles e De’s no monte Sinai: Acreditastes em mim para eu ser intermediário entre De’s e vós. E comprometestes-vos a cumprir os preceitos, que são o vosso próprio bem.

5º Parágrafo:

Os Dez Mandamentos.

6º Parágrafo:

Moisés diz que se constituiu o intermediário entre o povo e De’s. Apesar de os Dez Mandamentos terem sido ouvidos pelo povo mais de perto, o resto dos preceitos e chukim também foram dados por De’s por intermédio de Moisés.

7º Parágrafo:

O Shemá Israel. Fala-nos de conhecer De’s, da unicidade de De’s de amar De’s com tudo o que possuímos. No parágrafo anterior falou-nos do básico e do que devemos fazer, mas agora diz-nos o principal, o resumo de toda a Torá.

8º Parágrafo:

Com todo o bem que há na Terra, não devemos esquecer-nos de De’s. Quando podem começar os problemas? Historicamente, o povo de Israel afasta-se de De’s e dos Seus preceitos quando está bem e não lhe falta nada.

9º Parágrafo:

Fazer o correto aos olhos de De’s para que a vida lhes corra bem. Outro motivo que os pode desviar é não fazer o correto perante De’s, quando são desconfiados e pedem provas da existência de Deus.

10º parágrafo:

Quando nos perguntarem para que são os preceitos, devemos responder que são para o nosso bem. É por isso que se deve explicar o sentido dos preceitos, o que há por trás dos preceitos, pois se estes se transformarem em algo técnico e ritual, sem haver entendimento da sua sabedoria, transformam-se numa carga e são desprezados.

11º parágrafo:

Não se assimilar aos povos da terra, mas sim destruí-los. Devem ser fiéis a De’s, pois estabelecemos um pacto com Ele e jurámos-Lhe fidelidade. O perigo é a assimilação. No que diz respeito aos povos idólatras, se eles não desejarem abandonar os deuses pagãos, então a solução dada é destruí-los. Por outro lado, recordar e ser fiéis ao pacto com De’s, pois são o povo escolhido.

Em resumo: Fala-nos das coisas que são importantes, que perigos esperam o povo de Israel e como os evitar.

Parashat Devarim

O vosso irmão Esav – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Antes de entrar na Terra de Israel, Moisés quer transmitir-nos uma mensagem muito importante.

Anteriormente, em Bamidbar 20, Moisés tinha enviado mensageiros ao rei de Edom, dirigindo-se-lhe muito fraternalmente e pedindo-lhe licença para passar pelo seu território a caminho da terra de Canaã. Edom recusa-se. Moisés insiste e tenta convencê-lo com palavras amáveis, mas Edom recusa-se novamente e posiciona-se frente a Israel em formação de batalha.

Moisés volta a repetir a História: Tal como Yaacov enviou mensageiros a Esav antes de regressar à terra de Canaã, Moisés envia mensageiros aos descendentes de Esav. São utilizadas palavras muito similares: Envía mensageiros, trata Esav como seu irmão, e é mencionada a terra de Seir. Isto é o que os sábios chamam Maasé avot siman le banim. (As ações dos patriarcas são um guia para os seus filhos).

Vemos que antes de entrar na Terra de Israel, os israelitas têm que passar pelo território de Esav.

Os israelitas vêm de um longo caminho, cansados, tendo andado durante 40 anos pelo deserto sem poder assentar, e agora que por fim estão tão perto, têm que ter em conta todos os caprichos de Esav, que se recusa a deixá-los passar? Qual é o mérito tão grande de Esav para De’s nos exigir que não o provoquemos nem lhe façamos o menor mal?

O Midrash Rabá diz-nos que Isaac deu a Esav uma só bênção («que pela sua espada viverá»), enquanto que Yaakov foi abençoado com 10 bênçãos. Então temos que ser muito cuidadosos em não lhe retirar esta bênção, caso contrário De’s retira-nos as nossas.

O que o midrash nos está a insinuar é que a bênção que Isaac deu a Esav deve ser respeitada. Por um lado, Isaac abençoou Esav para ele viver pela sua espada (quer dizer, que não seria vencido pela espada), e, por outro lado, Isaac abençoou Iaacov e fê-lo herdar a terra que De’s prometeu a Abraham. Agora bem: Se Iaacov enfrentar Esav, uma das bênçãos deixa de se cumprir: Se Iaacov ganhar, então Esav perde o seu poder militar e deste modo toda a sua autoestima cai. Por outro lado, também não pode deixar de se cumprir o que foi dito a Iaacov sobre a terra prometida a Abraham. É por isso que De’s quer evitar esta situação, e como Israel tem a possibilidade de entrar por outro lado, ordena-lhe que não provoque nem incite Esav.

Outro midrash diz-nos que o motivo pelo qual De’s faz questão de não enfrentarmos Esav é que Esav tem um grande mérito, que é o respeito ao seu pai.

Um terceiro midrash conta-nos que De’s quis recompensar Esav pela atitude que teve com Iaacov quando se reencontrou com ele, que não lhe fez mal, não o enfrentou, não se aproveitou da sua fraqueza nem fez uso ou exibiu a sua força. Ofereceu-se para lhe organizar uma escolta de proteção para o acompanhar e chama-o meu irmão. É por isso que agora De’s impede que Israel faça mal a Esav, e exige-lhe que o trate como um irmão.

Parasha Nitzavim

O Pacto com o Povo de Israel

Retirado do livro Más allá del versículo, do rabino Eliahu Birnbaum

Todos vós estais hoje presentes perante o Eterno, vosso De’s: os vossos chefes, os vossos anciãos e os vossos oficiais de justiça, com todos os homens de Israel, as vossas crianças, as vossas mulheres e os estrangeiros que estão no teu acampamento, desde o cortador de árvores até ao aguadeiro, para entrarem no Pacto com o Eterno teu De’s e no juramento com o qual o Eterno se compromete contigo hoje. Com isso te consagra hoje como povo Seu, sendo Ele o teu De’s, como te tinha jurado, a ti, aos teus pais e a Abraão, Isaac e Yaacov. Mas não somente convosco celebro este Pacto, e sim também com os que não estão presentes hoje aqui.  (Deuteronómio, 29, 9-15)

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