Olim Bnei Menashe deixam o Centro de Absorção para os novos lares em Beit Shean

As famílias Bnei Menashe que imigraram recentemente para Israel vindas da Índia deixaram o centro de absorção da Shavei Israel em Kfar Hasidim para se mudarem para os seus novos apartamentos em Beit Shean, cidade localizada no norte de Israel. Os novos imigrantes permanecem em Kfar Hasidim durante aproximadamente três meses, aproveitando este tempo para estudar hebraico, aprender mais sobre a tradição judaica e sobre a vida em Israel e para se prepararem para a sua conversão formal ao judaísmo.

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Descendentes de judeus chineses retornaram ao judaísmo

Cinco jovens chinesas, descendentes da comunidade judaica de Kaifeng, na China, completaram o processo de conversão em Jerusalém. Todas nasceram e viveram em Kaifeng, uma cidade no centro da província de Hanan, no sudoeste de Pequim, e são descendentes de uma comunidade judaica que prosperou na região durante mais de mil anos.

Li Changjin, Li Jing, Gao Yichen, Yue Ting y Li Yuan fizeram o seu processo de conversão na Shavei Israel, organização sem fins de lucro que as acompanhou durante dois anos.

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Proselitismo e Judaísmo – Noções de Judaísmo

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

 

Proselitismo ou não?

É sabido que o judaísmo não é uma religião proselitista. Muito pelo contrário, faz todo esforço para desencorajar potenciais candidatos.

Mas é importante entendermos a razão – ou as razões – para esse comportamento.

Por um lado, é verdade que as leis do judaísmo são explicitamente destinada aos judeus, por outro lado, existem algumas mensagens universais do judaísmo que são válidas e necessárias para toda a humanidade. Tanto o cristianismo quanto o islamismo nasceram da semente do judaísmo, embora tenham, em grande parte, cruelmente distorcido as mensagens, pregando a “necessidade” de espalhar sementes em todos os lugares, de modo que ninguém seja excluído da possibilidade de ser parte de suas religiões. E assim, nos perguntamos por que o judaísmo não fez o mesmo? Poderíamos, inclusive, dizer que, talvez, se tivesse feito não teria sido cruelmente perseguido por estas duas religiões.

 

Patriarcas

A verdade é que, desde do início remoto da revelação divina aos nossos patriarcas já era sentida a necessidade de proclamar esta mensagem. Como o verso em Gênesis (12: 5) diz: “e tomou Avram a Sarai, sua mulher, e Lot seu sobrinho, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que tinham feito em Haran”. Nossos sábios explicam que essas “almas” eram, na verdade, prosélitos.

Mais tarde (12:8), é dito que ele “construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor”. A expressão ‘invocou’, se refere ao público interessado, do qual ensinou sobre o nome divino, ou seja, explicou os caminhos do Senhor e como praticar a justiça e a lei, como é dito sobre Avraham (18:19) “Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo”, que são dois pontos que o Senhor aprecia, como diz o Salmo 33 (5): “Ame a justiça e a retidão”. E mesmo os habitantes cananeus o reconheceram, como disseram (Gênesis 23:6). “príncipe poderoso és no meio de nós”. O mesmo aconteceu com seus filhos, Itzhak (Gênesis 26:25) e Iaacov (35: 7), que construiram altares para proclamar o caminho do Senhor a todos os interessados.

 

Um Novo Caminho

Mas o patriarca Iaacov começa um novo caminho, pois, no final, consegue construir uma casa, uma família em que todos seguem o caminho certo, e, portanto, repensa o caminho que deve, então, percorrer. Este é o significado da expressão (Gênesis 33:20) “E levantou ali um altar, e chamou-lhe: D’us, o D’us de Israel”, o que significa que a divindade já está “vinculada” a uma determinada família, a família de Iaacov.

Mais tarde, quando o povo de Israel saiu do Egito, muitos outros sairam com eles, como o verso (Êxodo 12:38) “uma grande multidão saiu com eles”. Alguns apenas aproveitaram a oportunidade para escapar da escravidão egípcia, mas muitos sentiram uma atração especial pelo Povo de Israel. Alguns, inclusive, devem ter alcançado a Terra de Israel, embora pareça que a grande maioria acabou não sobrevivendo o deserto, durante os longos quarenta anos.

Além disso, um povo, os Quenites, filhos de Itró, sogro de Moshé, seguiu fielmente o povo de Israel e se estabeleceram na Terra Prometida (ver Juízes 4:11) e continuaram com eles até a destruição do primeiro Templo, como podemos ver a profecia (Jr 35) que trata de sua lealdade inabalável.

E ainda mais tarde, o Rei Shlomó se casou com princesas de todo o mundo, colocando-se em perigo espiritual, pois pensou que sua influência seria suficientemente forte para fazer com que essas princesas compreendessem as verdades do judaísmo, mas estava errado, pois, embora, de fato, fosse suficientemente forte, tais assuntos ainda não tinha atingido a maturidade para tornar-se acessíveis, sem o perigo de sofrer nenhuma influência.

 

Desintegração do Paganismo

No final do Segundo Templo começou um período de desintegração da cultura pagã no Império Romano, e muitas pessoas se sentm atraídos pelo judaísmo. A nação dos edomitas, que viviam no sul de Israel, foi conquistada e muitos dos edomitas se converteram (não sabemos como e com que grau de força) para o judaísmo, e um deles foi o avô do Rei Herodes. Outras tribos semitas, vizinhos de Israel, também se converteram. O Talmud critica essa prática na dinastia dos Hasmoneus, quando pensavam que, certamente, dessa forma levantariam a honra de seu povo.

Os judeus que viviam fora das fronteiras da Terra Santa e estabeleceram colônias, com suas sinagogas e instituições e, assim, estiveram com ainda mais contato com muitos gregos e romanos. Quando, mais tarde, o cristianismo se espalhou, aqueles que haviam se convertido, foram os primeiros a se mudar para a nova religião, que era muito menos exigente em termos de mandamentos práticos.

 

Os Prosélitos e a Lepra

O Talmud diz, no Tratado de Kidushin que os conversos são difíceis para Israel como a lepra.

Esse comentário recebeu várias interpretações talmúdicas. Dado o contexto da época, é bom entender que os sábios eram contra a conversão, em muitos casos, por conveniência e não por convicção, e em outros casos, até mesmo forçados. Em parte, poderiam, assim, justificar o comportamento de alguns judeus que mal recebiam a chegada de pessoas que queriam entrar na sinagoga. O prosélito, diz o Talmud, são como a lepra!

Por isso, é importante compreender este significado exato.

Uma explicação diz que por causa que os convertidos não tinham muita experiência no cumprimento adequado do judaísmo, poderiam dar mau exemplo para os outros judeus. Outra explicação diz que pelo fato de que existem 36 lugares na Torá que se adverte a não causar nenhum dano ao converso, é muito difícil cumprir este mandamento corretamente, e são, portanto, difícil como a lepra. A terceira opinião diz que a razão que o povo foi para a Diáspora, foi precisamente para recolher seguidores entre todos os povos e convertê-los, e enquanto não o fazemos, não podemos ir para casa. Há também uma opinião que, ao contrário da primeira, argumenta que os conversos cumprem de maneira tão dedicada os cumprimento e os mandamentos, que envergonham assim os outros judeus. A interpretação final diz que uma das condições para que a Presença Divina habite entre nós é a de que o povo de Israel esteja organizado de acordo com suas famílias básicas, os descendentes das doze tribos originais.

Cada uma dessas interpretações é incompleta e apresenta uma visão muito parcial e, assim, é muito mais fácil compreender esta situação, juntando todas as facetas fornecidas, na forma mais adequada.

 

Integração no Povo

É claro que a mensagem da Torá tem dois níveis, um nacional e um universal, e, que é nosso dever, como entenderam os Patriarcas, ensinar o caminho do Senhor para todo o mundo. Eu questiono se é correto ou não incentivar indivíduos a integrar o povo de Israel e deixar o povo do qual pertencem, pois vimos opiniões conflitantes: alguns dizem que todos devem encontrar seu caminho dentro de seu próprio povo e outros dizem que devem se juntar ao povo de Israel. Por isso, a opinão de que devemos recolher as almas dos prosélitos que estão espalhadas entre os povos da diáspora, não é aceita por todos os sábios.

O Talmud diz, algumas páginas adiante, que o prosélito não faz parte de Israel enquanto não se casar com uma judia ou uma mulher, quando se case com um judeu. Mas se se casarem, ainda não estão integrados na congregação (ou “Call”, como era chamado na Catalunha), e refere-se ao último tema que vimos. Muitas vezes, há uma tendência de se manter entre “pessoas conhecidas” com outros que também fizeram o caminho para a verdade e finalmente encontraram a Torá de Israel. Acreditam que poderão causar um desequilíbrio ao se casar com alguém de raízes judaicas e preferem encontrar companhia com outros convertidos. Este é um erro.

Este é um outro fator, muito importante hoje em dia, que são as almas perdidas. Como podemos ver, ao longo da história judaica, muitos Filhos de Israel foram forçados a se converter a outras religiões. Mas de acordo com a Halachá Judaica, estes permaneceram em seu status anterior, e assim também, seus filhos. Podemos perder o fio da genealogia na família, mas certamente não, o perdão do Criador. E quando chegar a hora, a alma retornará ao seio do povo, mesmo que tenha que percorrer todo o mundo.

Portanto, é evidente que o Judaísmo não pode fechar suas portas para os recém-chegados, pelo contrário, deve tê-las bem abertas para receber todos aqueles que se perderam nas estradas do mundo, buscando constantemente o Caminho do Senhor.

A coexistência entre os judeus e os conversos na Sefarad Medieval

Os pogroms de 1391

Por cem anos, 1391-1492, conviveram juntos, nos reinos hispânicos, judeus e convertidos.

Em 1391, durante os graves tumultos anti-semitas que varreram as comunidades judaicas na maior parte da Península Ibérica e Baleares, inúmeros judeus haviam abraçado, principalmente contra a sua vontade, a religião católica para escapar da morte. De qualquer forma, havia um equilíbrio de interesses conflitantes em tais conversões. Por um lado, permitia os judeus escaparem do jugo haláchico (das leis judaicas) que os impedia de se comportarem como seus vizinhos cristãos, e por outro lado, de continuarem se sentindo um povo considerado imortal e com características extraordinárias.spanish_inquisition

Mesmo assim, alguns textos rabínicos da época criticavam a “libertinagem” que existia em certas “aljamas” judaicas e que foram a razão que acabou trazendo as calamidades de morte e conversões forçadas. Aqueles que eram a favor deste tipo de “libertinagem” se sentiam muito confortáveis em seu novo status, como cristãos, e até mesmo chegavam ao ponto de “trabalhar” para que seus parentes e conterrâneos também o aceitasse.

Isso explica porque muitos rabinos contemporâneos da calamidade de 1391, descrevem os “conversos” como, pessoas que não podem ser confiáveis, mesmo quando parece que estão dispostos a continuar cumprindo secretamente o judaísmo. Assim se pode ler no livro “Responsa” de Rivash (Rabbi Yitshac bar Sheshet) e no Rashbats (Rabbi Shimon ben Tzemach Duran) que se referem, em muitas de suas respostas haláchicas, aos problemas jurídicos causados pelos Conversos ou pelo contatos dos judeus com eles.
Relaxamento gradual

Do ponto de vista dos Conversos, poderíamos dizer que muitos deles se sentiam encurralados por circunstâncias adversas, especialmente quando chegamos à segunda e terceira geração, os chamados “anussim arelim”, ou convertidos sem circuncisão, que não podiam ser acusados de ‘folga’ ou ‘traição’. Estes sentiam completamente a fé judaica e procuravam praticar alguns ritos judaicos proibidos no momento. Cumpriam em segredo da melhor forma possível, e ao sair se comportavam como cristãos. Contudo o cumprimento vai relaxando-se gradualmente, por medo, falta de prática ou mesmo, assimilação pura.

A armadilha é quase absoluta, uma vez que não estava ao seu alcance um possível retorno à comunidade judaica, a não ser fugir para outro país, geralmente o norte da África, onde podiam retornar oficialmente à sua fé ancestral. Esta opção possuía altos e baixos: a princípio deveria estar no pensamento de todos aqueles que sucumbiram à pressão cristã e foram batizados contra a vontade. Em seguida, foram desanimando, ao se acostumar com uma vida bífida entre a igreja e a sinagoga. Mais uma vez, um século depois, despertou-se a necessidade de escapar para soltar a corda inquisitorial de seus pescoços.
Laços de família

O mais interessante, na minha opinião, é o contato que manteve-se entre os convertidos e os judeus, muitas vezes familiares diretos: irmãos, primos, pais ou filhos, alguns de joelhos diante dos ídolos dos cristãos em igrejas e outros envolvidos no talit, balançando-se enquanto rezavam na sinagoga. Não foi apenas o contato econômico e comercial, mas um contato com a família que despertou as suspeitas dos vizinhos cristãos sobre a sinceridade de sua conversão ao cristianismo.

Como poderiam viver sem enlouquecer aquelas famílias com tamanha divisão, com uma parede religiosa e cultural (ou pior ainda) crescente entre os seus membros? Em que casos os judeus rezavam o “Cadish” (oração pelos mortos) pelo batizado de seu parente próximo? Como muitos Romeos e Julietas (ou Yosefos e Blancas) mantiveram-se na clandestinidade, apesar da “traição” religiosa e cultural de um dos dois? Existem livros que registram estes dramas familiares?
Perguntas haláchicas

Surgem perguntas haláchicas. O vinho, por exemplo. Como bem sabemos, o judeu não pode consumir o vinho dos gentios, nem um vinho judeu que tenha sido tocado por um não-judeu, chamado de “vinho da libação”. O que dizer sobre o vinho que tenha sido tocada por um Converso? Este segue sendo apto para tocar ou o vinho torna-se um “vinho da libação”?

Isso depende do nível de fidelidade dos Conversos, se os seus laços com o judaísmo permaneceram firmes apesar das suas limitações forçadas pelas circunstâncias, o seu vinho ainda será aceito. Mas se está se afastando, gradualmente, do cumprimento dos mandamentos e adotando a vida cristã, considerada uma idolatria pelo judaísmo e entre em contato com o vinho, este se transforma em “vinho da libação”. Aqui entra em jogo a impressão que este deixa a comunidade judaica através de seu comportamento, alguns poderiam prejudicar a boa reputação dos outros ou, inversamente, a lealdade de alguns pode melhorar a imagem de um subgrupo aos olhos dos rabinos e das comunidades.

Essa situação perdurou por um século, até que, com a publicação do Decreto de Granada, os conversos são privados do contato com os judeus e assim devem decidir definitivamente se preservam estes laços culturais e religiosos no subsolo solitário ou abandonam tudo se assimilando completamente na sociedade cristã. Mas esta é outra história!