Machon Milton

Machon Milton, o Ulpan Guiur de língua inglesa que a Shavei Israel abriu em Jerusalém junto com o Rabbinical Council of America (RCA), sob os auspícios do Rabinato Chefe de Israel.

No início de Fevereiro tivemos uma grande celebração, pois a equipa da Shavei Israel juntou-se a vários rabinos e professores para cumprimentar dez estudantes de várias partes do mundo que têm algo importante em comum: todos eles escolheram aderir à fé judaica e são os primeiros alunos do novo instituto Machon Milton, o Ulpan Guiur (curso para a conversão ao judaismo) de língua inglesa que a Shavei Israel abriu em Jerusalém, junto com o Rabbinical Council of America (RCA), sob os auspícios do Rabinato Chefe de Israel.

O RCA [uma das maiores organizações mundiais de rabinos ortodoxos] dirigiu durante muitos anos um curso de conversão em inglês em Jerusalém, mas o mesmo foi encerrado há cerca de 12 anos e não tinham aberto mais nenhum até agora.

E assim, foi com toda a pompa e circunstância que a turma de dez alunos iniciou o seu curso.

Estiveram presentes, além da equipa da Shavei Israel, liderada pelo seu fundador e presidente Michael Freund, o rabino Moshe Weller, chefe do Departamento de Conversão do Rabinato, o rabino Reuven Tradburks, diretor da secção para a região de Israel do RCA, Louis Lipsky, coordenador sênior de planeamento de tarefas e suporte financeiro da Autoridade de Conversão e o rabino Michoel Zylberman, diretor dos Tribunais de Conversão do RCA.

Também estiveram presentes o rabino Aaron Goldscheider e a sra. Dafna Siegman, professores do novo programa, e os rabinos Shmuel Goldin e Aaron Poston.

Yosef e Bruria: uma jornada de retorno

A Shavei Israel tem o prazer de vos apresentar Yosef Mendez e Bruria Brito, da Venezuela, estudantes do nosso Machon Miriam, instituto de conversão em idioma espanhol.  Bruria e Yosef, casados ​​há quase oito anos, estão prestes a se casar novamente — desta vez de acordo com todos os preceitos da tradição judaica, pois terão completado a sua jornada rumo ao judaísmo. Esta é a sua história:

— Eu sou o Luis Mendez (Yosef) e esta é a minha esposa, Francys (Bruria) Brito.  Somos venezuelanos e começámos a estudar judaísmo na Venezuela em uma comunidade de sefarditas.  Lá encontrámos pessoas que eram candidatas à conversão, junto com judeus.

Começámos a estudar a halacha (lei judaica) e a porção semanal da Torá, até que, finalmente, decidimos que também queríamos fazer parte do povo judeu, por opção. No entanto, não foi e não tem sido  assim tão simples. Escolher esse caminho não é uma decisão da noite para o dia ou mesmo de um ano. Foram anos de estudo e preparação, enquanto procurávamos a oportunidade de concluir a conversão.

Apesar dos obstáculos que enfrentamos há mais de 6 anos, tudo nos ajudou a ter a certeza do que queremos enquanto casal. Que a Torá, o judaísmo, as mitsvot (mandamentos) e Israel fazem parte da nossa vida do dia a dia.

Decidimos ir para a Argentina para encontrar uma comunidade mais sólida, já que a Venezuela estava passando por um processo que dificultava a vida judaica lá.  Na Argentina, poderíamos estar em uma comunidade, sermos reconhecidos e ao mesmo tempo praticar, estudar e prepararmo-nos para concluir o processo de conversão.

Agora estamos em Israel há um ano.  Na Argentina, entrámos em contato com a Shavei Israel para que nos ajudassem na conclusão do processo de conversão.  Agora estamos infinitamente gratos à Shavei Israel, que esteve connosco a cada passo do caminho: no processo de estudo, desde as primeiras entrevistas, antes do Beit Din (tribunal de conversão), até quando finalmente chegámos ao Beit Din. O tempo todo nos sentimos seguros e muito gratos à Shavei Israel por todo o apoio que eles nos deram. Não dá para nomear cada uma das coisas pelas quais estamos gratos; é impossível listá-las.

Há apenas uma pequena etapa para concluir: apenas um brit milah e o dia mais esperado das nossas vidas: o dia em que faremos a imersão em um mikve e emergiremos como membros a 100% do povo judeu e, se De’s quiser, casaremos em uma cerimónia judaica. — 

Jerusalém: A Shavei Israel abre um novo instituto com aulas em inglês para facilitar o processo de conversão.

«Os Tribunais Rabínicos de Conversão do RCA nos Estados Unidos têm o padrão mais alto da conversão. Acreditamos que a Shavei Israel apresenta a mesma alta qualidade nos seus programas de conversão e estamos ansiosos por esta parceria…»

Esta é a notícia sobre a Shavei Israel que saiu no jornal online Israel National News no passado dia 13/01. Aqui fica a nossa tradução do artigo, pois temos muito gosto (e orgulho! 😉 ) em partilhar esta boa notícia convosco:

A Shavei Israel e o Rabbinical Council of America (RCA) [Conselho Rabínico dos Estados Unidos, uma das maiores organizações mundiais de rabinos ortodoxos] vão abrir em Jerusalém um instituto de conversão com aulas em inglês.

A organização sem fins lucrativos Shavei Israel, com sede em Jerusalém, em parceria com o Rabbinical Council of America (RCA) vai abrir em Jerusalém um novo instituto de conversão em inglês. O instituto, chamado Machon Milton, operará sob os auspícios do Rabinato de Israel e preparará candidatos para o processo de conversão.

O fundador e diretor da Shavei Israel, Michael Freund, disse que a sua organização e o RCA estão abrindo o instituto para ir ao encontro da crescente necessidade e procura por ele, já que existem poucas opções atualmente em Jerusalém para falantes de inglês que desejam se converter formalmente ao judaísmo. O instituto recebeu esse nome em memória do falecido avô de Freund, Milton Freund, que era um importante sionista e líder judeu.

Há já 15 anos que a Shavei Israel opera o Machon Miriam, um instituto de conversão único que dá aulas preparatórias em italiano, português e espanhol, e agora decidiu oferecer uma opção semelhante para falantes de inglês.

– Achámos que era o próximo passo lógico: Abrir um instituto em língua inglesa que proporcionasse um ambiente caloroso, solidário e acolhedor para aqueles que desejam vincular seu destino com o povo de Israel ou retornar às suas raízes – disse Freund.

– Sendo a principal organização rabínica dos Estados Unidos, o RCA era o parceiro perfeito para este empreendimento, e estamos exultantes por caminharmos de mãos dadas com ele nesta importante iniciativa- acrescentou Freund.

Freund e o diretor da secção para a região de Israel do RCA, o Rabino Reuven Tradburks, falaram sobre esta ideia já há vários anos, mas só recentemente se convenceram de que tinha chegado o momento certo para iniciar o programa.

– Agora que passei um tempo considerável com a equipa da Shavei Israel, estou ainda mais convencido do benefício que é para nós sermos parceiros desta organização – , disse ele. – Os funcionários são eficientes, eficazes e, o que é mais importante: Trabalham para o bem do povo judeu e para aqueles que desejam juntar-se ao povo judeu. Há muita preocupação, muitos sorrisos e calor.

O rabino Mark Dratch, vice-presidente executivo do RCA, disse: -Os Tribunais Rabínicos de Conversão do RCA nos Estados Unidos têm o padrão mais alto da conversão. Acreditamos que a Shavei Israel apresenta a mesma alta qualidade nos seus programas de conversão e estamos ansiosos por esta parceria com o RCA na ajuda às pessoas que procuram fazer parte do povo judeu.

Olim Bnei Menashe deixam o Centro de Absorção para os novos lares em Beit Shean

As famílias Bnei Menashe que imigraram recentemente para Israel vindas da Índia deixaram o centro de absorção da Shavei Israel em Kfar Hasidim para se mudarem para os seus novos apartamentos em Beit Shean, cidade localizada no norte de Israel. Os novos imigrantes permanecem em Kfar Hasidim durante aproximadamente três meses, aproveitando este tempo para estudar hebraico, aprender mais sobre a tradição judaica e sobre a vida em Israel e para se prepararem para a sua conversão formal ao judaísmo.

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Descendentes de judeus chineses retornaram ao judaísmo

Cinco jovens chinesas, descendentes da comunidade judaica de Kaifeng, na China, completaram o processo de conversão em Jerusalém. Todas nasceram e viveram em Kaifeng, uma cidade no centro da província de Hanan, no sudoeste de Pequim, e são descendentes de uma comunidade judaica que prosperou na região durante mais de mil anos.

Li Changjin, Li Jing, Gao Yichen, Yue Ting y Li Yuan fizeram o seu processo de conversão na Shavei Israel, organização sem fins de lucro que as acompanhou durante dois anos.

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Proselitismo e Judaísmo – Noções de Judaísmo

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

 

Proselitismo ou não?

É sabido que o judaísmo não é uma religião proselitista. Muito pelo contrário, faz todo esforço para desencorajar potenciais candidatos.

Mas é importante entendermos a razão – ou as razões – para esse comportamento.

Por um lado, é verdade que as leis do judaísmo são explicitamente destinada aos judeus, por outro lado, existem algumas mensagens universais do judaísmo que são válidas e necessárias para toda a humanidade. Tanto o cristianismo quanto o islamismo nasceram da semente do judaísmo, embora tenham, em grande parte, cruelmente distorcido as mensagens, pregando a “necessidade” de espalhar sementes em todos os lugares, de modo que ninguém seja excluído da possibilidade de ser parte de suas religiões. E assim, nos perguntamos por que o judaísmo não fez o mesmo? Poderíamos, inclusive, dizer que, talvez, se tivesse feito não teria sido cruelmente perseguido por estas duas religiões.

 

Patriarcas

A verdade é que, desde do início remoto da revelação divina aos nossos patriarcas já era sentida a necessidade de proclamar esta mensagem. Como o verso em Gênesis (12: 5) diz: “e tomou Avram a Sarai, sua mulher, e Lot seu sobrinho, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que tinham feito em Haran”. Nossos sábios explicam que essas “almas” eram, na verdade, prosélitos.

Mais tarde (12:8), é dito que ele “construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor”. A expressão ‘invocou’, se refere ao público interessado, do qual ensinou sobre o nome divino, ou seja, explicou os caminhos do Senhor e como praticar a justiça e a lei, como é dito sobre Avraham (18:19) “Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo”, que são dois pontos que o Senhor aprecia, como diz o Salmo 33 (5): “Ame a justiça e a retidão”. E mesmo os habitantes cananeus o reconheceram, como disseram (Gênesis 23:6). “príncipe poderoso és no meio de nós”. O mesmo aconteceu com seus filhos, Itzhak (Gênesis 26:25) e Iaacov (35: 7), que construiram altares para proclamar o caminho do Senhor a todos os interessados.

 

Um Novo Caminho

Mas o patriarca Iaacov começa um novo caminho, pois, no final, consegue construir uma casa, uma família em que todos seguem o caminho certo, e, portanto, repensa o caminho que deve, então, percorrer. Este é o significado da expressão (Gênesis 33:20) “E levantou ali um altar, e chamou-lhe: D’us, o D’us de Israel”, o que significa que a divindade já está “vinculada” a uma determinada família, a família de Iaacov.

Mais tarde, quando o povo de Israel saiu do Egito, muitos outros sairam com eles, como o verso (Êxodo 12:38) “uma grande multidão saiu com eles”. Alguns apenas aproveitaram a oportunidade para escapar da escravidão egípcia, mas muitos sentiram uma atração especial pelo Povo de Israel. Alguns, inclusive, devem ter alcançado a Terra de Israel, embora pareça que a grande maioria acabou não sobrevivendo o deserto, durante os longos quarenta anos.

Além disso, um povo, os Quenites, filhos de Itró, sogro de Moshé, seguiu fielmente o povo de Israel e se estabeleceram na Terra Prometida (ver Juízes 4:11) e continuaram com eles até a destruição do primeiro Templo, como podemos ver a profecia (Jr 35) que trata de sua lealdade inabalável.

E ainda mais tarde, o Rei Shlomó se casou com princesas de todo o mundo, colocando-se em perigo espiritual, pois pensou que sua influência seria suficientemente forte para fazer com que essas princesas compreendessem as verdades do judaísmo, mas estava errado, pois, embora, de fato, fosse suficientemente forte, tais assuntos ainda não tinha atingido a maturidade para tornar-se acessíveis, sem o perigo de sofrer nenhuma influência.

 

Desintegração do Paganismo

No final do Segundo Templo começou um período de desintegração da cultura pagã no Império Romano, e muitas pessoas se sentm atraídos pelo judaísmo. A nação dos edomitas, que viviam no sul de Israel, foi conquistada e muitos dos edomitas se converteram (não sabemos como e com que grau de força) para o judaísmo, e um deles foi o avô do Rei Herodes. Outras tribos semitas, vizinhos de Israel, também se converteram. O Talmud critica essa prática na dinastia dos Hasmoneus, quando pensavam que, certamente, dessa forma levantariam a honra de seu povo.

Os judeus que viviam fora das fronteiras da Terra Santa e estabeleceram colônias, com suas sinagogas e instituições e, assim, estiveram com ainda mais contato com muitos gregos e romanos. Quando, mais tarde, o cristianismo se espalhou, aqueles que haviam se convertido, foram os primeiros a se mudar para a nova religião, que era muito menos exigente em termos de mandamentos práticos.

 

Os Prosélitos e a Lepra

O Talmud diz, no Tratado de Kidushin que os conversos são difíceis para Israel como a lepra.

Esse comentário recebeu várias interpretações talmúdicas. Dado o contexto da época, é bom entender que os sábios eram contra a conversão, em muitos casos, por conveniência e não por convicção, e em outros casos, até mesmo forçados. Em parte, poderiam, assim, justificar o comportamento de alguns judeus que mal recebiam a chegada de pessoas que queriam entrar na sinagoga. O prosélito, diz o Talmud, são como a lepra!

Por isso, é importante compreender este significado exato.

Uma explicação diz que por causa que os convertidos não tinham muita experiência no cumprimento adequado do judaísmo, poderiam dar mau exemplo para os outros judeus. Outra explicação diz que pelo fato de que existem 36 lugares na Torá que se adverte a não causar nenhum dano ao converso, é muito difícil cumprir este mandamento corretamente, e são, portanto, difícil como a lepra. A terceira opinião diz que a razão que o povo foi para a Diáspora, foi precisamente para recolher seguidores entre todos os povos e convertê-los, e enquanto não o fazemos, não podemos ir para casa. Há também uma opinião que, ao contrário da primeira, argumenta que os conversos cumprem de maneira tão dedicada os cumprimento e os mandamentos, que envergonham assim os outros judeus. A interpretação final diz que uma das condições para que a Presença Divina habite entre nós é a de que o povo de Israel esteja organizado de acordo com suas famílias básicas, os descendentes das doze tribos originais.

Cada uma dessas interpretações é incompleta e apresenta uma visão muito parcial e, assim, é muito mais fácil compreender esta situação, juntando todas as facetas fornecidas, na forma mais adequada.

 

Integração no Povo

É claro que a mensagem da Torá tem dois níveis, um nacional e um universal, e, que é nosso dever, como entenderam os Patriarcas, ensinar o caminho do Senhor para todo o mundo. Eu questiono se é correto ou não incentivar indivíduos a integrar o povo de Israel e deixar o povo do qual pertencem, pois vimos opiniões conflitantes: alguns dizem que todos devem encontrar seu caminho dentro de seu próprio povo e outros dizem que devem se juntar ao povo de Israel. Por isso, a opinão de que devemos recolher as almas dos prosélitos que estão espalhadas entre os povos da diáspora, não é aceita por todos os sábios.

O Talmud diz, algumas páginas adiante, que o prosélito não faz parte de Israel enquanto não se casar com uma judia ou uma mulher, quando se case com um judeu. Mas se se casarem, ainda não estão integrados na congregação (ou “Call”, como era chamado na Catalunha), e refere-se ao último tema que vimos. Muitas vezes, há uma tendência de se manter entre “pessoas conhecidas” com outros que também fizeram o caminho para a verdade e finalmente encontraram a Torá de Israel. Acreditam que poderão causar um desequilíbrio ao se casar com alguém de raízes judaicas e preferem encontrar companhia com outros convertidos. Este é um erro.

Este é um outro fator, muito importante hoje em dia, que são as almas perdidas. Como podemos ver, ao longo da história judaica, muitos Filhos de Israel foram forçados a se converter a outras religiões. Mas de acordo com a Halachá Judaica, estes permaneceram em seu status anterior, e assim também, seus filhos. Podemos perder o fio da genealogia na família, mas certamente não, o perdão do Criador. E quando chegar a hora, a alma retornará ao seio do povo, mesmo que tenha que percorrer todo o mundo.

Portanto, é evidente que o Judaísmo não pode fechar suas portas para os recém-chegados, pelo contrário, deve tê-las bem abertas para receber todos aqueles que se perderam nas estradas do mundo, buscando constantemente o Caminho do Senhor.