Perfil Bnei Anussim: Rachel Souza Lima – do Brasil à Beersheva

Menos de um mês antes da chegada programada em Israel de Rachel Souza Lima, na última etapa de sua longa jornada ao judaísmo, uma guerra começou com o Hamas na Faixa de Gaza. Ela nunca tinha estado antes em Israel e, então, ficou preocupada com seus trê filhos,  que chegavam junto com ela.

“Mas eu sabia que Israel estava bem protegido, com um grande sistema de segurança”, lembra Rachel. “Acima de tudo, D’us nos protege sempre. Sabia que estaríamos a salvo aqui.”

Rachel, de 39 anos, e três de seus quatro filhos – Hillel de 20 anos, Binyamin de 14 anos e Sarah, de 10 anos – chegaram em setembro de 2014 (Stefani, 24 anos, é casada e não veio com a família).

A Operação “Margem Protetora” de 51 dias terminou alguns dias antes de sua chegada. Como a vida voltou ao normal, a vida da família Souza começou de novo… de diversas maneiras.

Rachel cresceu em Lucélia (São Paulo), no Brasil, em uma família de Bnei Anousim – descendentes de judeus que foram forçados a se esconder ou obrigados a se converter ao catolicismo há 500 anos. Muitos escaparam da Europa para o novo mundo nos navios dos grandes exploradores. Mas a Inquisição seguiu também a esses judeus, e, como seus irmãos do “velho país”, suas vidas passaram a ser nas escondidas.

Agora, com a ajuda da Shavei Israel, Rachel e seus filhos voltaram ao judaísmo. Rachel estudou no Machon Miriam, o Instituto de Conversão e Retorno da Shavei Israel, em espanhol, italiano e português. Seu filho mais velho estuda na Yeshivat HaKotel na Cidade Velha de Jerusalém. Os dois filhos mais novos ainda estão aprendendo o hebraico.

Mas a maior – e mais inesperada – mudança para Rachel foi seu casamento, no dia 14 de julho, com Meir Yehuda Lima.

Seguem abaixo algumas fotos do casamento.

 


Como Rachel, Meir é de uma família de Bnei Anussim do Brasil que recentemente descobriu suas raízes judaicas. Meir, 51, trabalhou no Brasil instalando equipamentos de incêndio. Agora, já em Israel há cinco anos, está procurando um emprego em agricultura. Após o casamento, a família mudou-se para Beersheva, onde existem mais oportunidades para trabalhar a terra.

O casamento de Rachel e Meir foi um evento modesto na sinagoga Tov Lehodot LaHashem em Beersheva. Oitenta pessoas participaram. “Foi uma bela cerimônia religiosa”, diz Rachel.

Rachel começou a observar o Shabat no Brasil, mesmo antes de sua conversão. “Não trabalhávamos, fazíamos uma refeição especial com Chalá, orávamos e cantávamos canções judaicas”, diz ela. “Sempre que podíamos, comíamos comida kosher. Fazíamos tudo com entusiasmo, amor e alegria.”

Rachel diz que a maioria de seus amigos e colegas aceitaram o fato de ela não trabalhar mais no Shabat e nas festividades, assim como também que seus filhos não participariam das festividades não-judaicas da escola. “Não experimentei nenhum anti-semitismo como conseqüência d nossa observância,” diz.

“Israel”, ela diz, “superou minhas expectativas. É muito melhor do que eu imaginava!”. O que não é surpreendente. “As notícias só mostravam Israel em conflito. Mas não desisti do meu sonho de me mudar para cá.”

Rachel, Meir e as crianças estão, neste momento, nos estágios finais de realizar a Aliá. “Israel é um país maravilhoso. Estar aqui é muito gratificante. Temos tudo o que precisamos aqui para cumprir as mitzvot [mandamentos]”, acrescenta.

Rachel diz que seu hebraico não é tão bom (“eu preciso estudar mais”), mas depois de quase dois anos no país, seus filhos são quase fluentes. “Estamos integrando-nos gradualmente”, diz ela. “Temos amigos israelenses que nos ajudaram muito.”

A maior ajuda veio da Shavei Israel, que apoiou Rachel e sua família com estipêndios mensais por mais de um ano, já que eles têm navegado pelo complicado processo de conversão e imigração.

“Muchas gracias!”, ela diz em Espanhol e “Toda rabá”, em Hebraico, ambos querendo dizer “muito obrigado”.

Obrigado, Raquel, pela sua firmeza, sua determinação em fazer parte do povo judeu. Agradecemos aos partidários da Shavei Israel que tornaram possível trazer mais judeus, dos cantos mais distantes do mundo, de volta a sua raíz e para Israel. Se você estiver interessado em fazer parte dessa história e ajudar mais “Rachels” a retornarem, visite nosso e faça uma doação.

“Podemos fazer uma diferença real”, diz Rachel, “dando um bom exemplo, com muita fé em D’us, para então sermos uma luz para as nações com força, coragem e bondade. Esse é o cumprimento dos mandamentos que nos foram dados pelo nosso D’us e por Moisés, de abençoada memória “.

Shavei Israel manda livros para o Brasil!

O Museu Judaico do Rio de Janeiro é conhecido por sua coleção de 69 Menorot e objetos rituais judaicos desenhados pelo artista, nascido na Rússia e residente do Rio Janeiro, Joseph Feldman. O pequeno museu – o único no Brasil até o novo museu em São Paulo ter sido inaugurado este ano – tem sido uma parada obrigatória para turistas judeus e moradores locais (o Rio tem uma população judaica de 30.000 residentes, de um total de 95.000 em todo o país).

Mas a equipe do museu não soube como reagir quando perguntamos sobre a comunidade de Bnei Anussim do Brasil.

Os Bnei Anousim (ou marranos) chegaram ao Brasil provenientes de Portugal há cerca de 500 anos atrás, fugindo do longo braço da Inquisição. Eles se estabeleceram na cidade do Recife, participando do Kahal Zur, a sinagoga mais antiga das Américas, em 1636.

Hoje existem pelo menos 30 diferentes comunidades Bnei Anussim espalhadas por todo o Brasil, umas com apenas algumas dezenas de membros, outras com várias centenas. Existem sinagogas improvisadas ​​e Mikvês (banhos rituais). O número de brasileiros com raízes judaicas escondidas poderia chegar a cerca de 40 por cento da população brasileira.

Mas o Museu Judaico no Rio documenta, principalmente, a história judaica mais recente, a partir do início do século 20. Os visitantes que querem saber mais sobre o passado dos Bnei Anussim do Brasil – ou mesmo Bnei Anussim brasileiros que questionam sua própria herança judaica – deixavam o museu sem uma resposta satisfatória.

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“Você tem raízes judaicas?” – em português

Os funcionários do museu contataram a Shavei Israel no início deste ano. Haviam escutado sobre o livro da Shavei Israel “Você tem raízes judaicas?”, agora disponível em Português, assim como o original em espanhol. Pediram então algumas cópias para o museu.

Enviamos 6 livros para que tenham em mão e possam compartilhar com os visitantes.

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Sidur de Shabat em Português

“Você tem raízes judaicas?” não foi o único material impresso que viajou de Israel para o Brasil este ano. Os membros da comunidade Bnei Anussim Beit Shorashim em Natal, a capital litorânea do estado brasileiro Rio Grande do Norte, no nordeste do país, pediram algumas cópias do Sidur (livro de orações) em português da Shavei Israel.

Verificamos e descobrimos que estávamos quase sem estoque –
possuíamos somente dois dos nossos Sidurim de Shabat, dos quais devidamente despachamos. Mas isso não é suficiente para os 150 Bnei Anussim de Natal.

Gostaríamos de enviar mais Sidurim para Natal e outras comunidades de Bnei Anussim no Brasil. Por favor, ajude-nos a produzir uma nova leva de Sidurim. Caso tenha interesse em ajudar, mande um e-mail para spanish@shavei.org.

Uma versão eBook do livro Você tem raízes judaicas?” pode ser baixada gratuitamente neste link.

Em breve: uma nova livraria interativa no site da Shavei Israel, onde será possível encontrar todas as nossas publicações.

Minha vida e esperança na Shavei Israel

Meu nome é Paulo Roberto da Silva. Tenho 40 anos de idade e sou da cidade de Belém, Estado do Pará, Brasil, onde desde 1981 freqüento uma das sinagogas da comunidade judaica, Sinagoga Eshel Abraham, de rito sefaradita.

Sou nascido numa família oficialmente católica, embora fosse uma família não-religiosa e avessa à maioria das tradições cristãs.

Apesar de ter nascido em família católica desde criança convivia com famílias judias, e adquiri amizade com crianças judias, já que nesse período morava no bairro de Campinas, bairro que na época concentrava grande parte da colônia judaica local bem como a referida sinagoga. Em face disto não é de se estranhar que meus amigos de infância fossem todos judeus, e que a maioria de meus vizinhos também o fossem, inclusive o então rabino da comunidade, Rabino Abraham Hamú Z”L, que mantinha inclusive uma relação de vizinhança muito cordial e amistosa com a minha família.

Meus avós, nesse tempo, compravam carne do açougue israelita que localizava-se a menos de cem metros de nossa casa, e que muito embora o valor da carne fosse mais elevado, eles davam preferência dadas as qualidades sanitárias serem melhores que a dos açougues comuns.

Apesar de ter apenas amigos judeus na infância posso afirmar com exatidão que em nada eles me influenciaram em termos religiosos, uma vez que não discutíamos e nem conversávamos sobre religião, muito menos sobre judaísmo.

Quando completei onze anos de idade, muito a contragosto dos meus avós, fui matriculado numa escola católica pelos meus tios, por se tratar de uma das melhores escolas da cidade e porque eles pensavam em me dar uma boa educação.

Dentre as disciplinas do colégio havia a de Ensino Religioso, e à medida que eu participava das aulas começou a surgir uma curiosidade natural sobre o povo judeu, ao passo que os dogmas do catolicismo não estavam me despertando nenhum interesse.

Ao longo das aulas de Ensino Religioso, fomos instruídos da necessidade de confirmar nossa fé cristã através da Primeira Comunhão, e que para isso seria necessário apresentar a certidão de batismo. Nesse ponto já surgia o primeiro paradoxo, como eu poderia confirmar fidelidade a uma fé que eu não dava crédito e não me despertava interesse? Era uma grande mentira isso tudo.

Ao comunicar aos meus avós as exigências do colégio, fiquei então ciente de que não havia recebido sacramentos quando criança, portanto não teria que confirmar nenhuma fé. Isso foi um grande alívio para mim. Não ter feito o batismo católico não era de todo uma surpresa, já que meus avós eram avessos à fé cristã e nada me foi passado. Inclusive quando do falecimento de meu avô materno uma das providências feitas foi a de retirar todos os símbolos e paramentos cristãs do velório, tais como cruzes, mortalha, velas e incensário.

Uma vez que eu não iria confirmar votos cristãs no colégio fui então dispensado das aulas religiosas, no entanto, mesmo com a dispensa continuei a ler as histórias sobre o povo judeu contidas na Bíblia, o que me encantava cada vez mais.

A medida que o tempo avançava menos me encontrava na fé cristã e menos ainda conseguia considerar validade divina em seus dogmas, principalmente porque percebia muitas divergências com os escritos contidos na Bíblia.

Em 1981, então com treze anos de idade, movido cada vez mais pelo fascínio e encanto das histórias bíblicas, e pela curiosidade natural sobre o povo judeu, onde eu tentava entender o que era a perseguição e discriminação que tantos falavam, pedi aos meus vizinhos se eu poderia conhecer a sinagoga que eles freqüentavam.

Fui atendido sem problemas no meu pedido, e assim na primeira noite de Pessach de 1981 visitei pela primeira vez a Sinagoga Eshel Abraham. Na Sinagoga fui bem recebido, tanto pelos meus amigos quando pelos demais freqüentadores.

Nessa visita quem ficou surpreso foi o Rabino Hamú, que uma vez recobrado do susto convidou-se para sentar ao seu lado e me explicou resumidamente alguns detalhes sobre aquela festa, seu significado, importância e tradições.

Fiquei encantado com a liturgia, era diferente de tudo que já havia visto. Os Cânticos eram numa cadência alegre, as pessoas participavam ativamente do serviço religioso, e podia-se perceber a magia da fé pairando no ambiente, a Shechiná brilhava no olhar das pessoas. Enfim, tudo me encantou de imediato.

Após o Arvit fui convidado para o Seder na casa de meus vizinhos, os quais me explicaram mais detalhadamente sobre o que era tal festa, suas tradições e costumes, reforçando assim aquilo que o rabino há havia me explicado.

A partir daquele Pessach tornei-me um freqüentador assíduo da Sinagoga, e também passei a estudar com mais intensidade, dedicação e fervor sobre as tradições, doutrinas, dogmas e histórias da fé judaica, bem como sobre a cultura e história do povo judeu.

Com o tempo, passei a conhecer melhor a importância da Torah para o povo judeu e para a humanidade, suas contribuições aos diversos sistemas legislativos mundiais, bem como a influência que suas Mitsvot exerceram sobre os ideais e regras de justiça ao longo dos séculos e países por onde o povo judeu se disseminou.

Além de procurar estudar as Parashiot da Torah, também procurei me dedicar a estudar as datas festivas hebraicas e sua importância para a cultura e tradição judaica, bem como seu significado, desde as datas mais alegres como Rosh Hashaná, Pessach, Shavuot, Sucot, Tu Bishvat, como as tristes ou reflexivas tais como Tishá B’Av, Iamin Noraim e Iom Kipur.

Desta forma, crescia cada vez mais um sentimento puro e sincero de amor e respeito pelo judaísmo, onde a fé judaica me completava cada vez mais, de uma maneira diferente e inovadora em relação ao que sentia pelo cristianismo, o qual não me despertava interesse algum.

Em 1982, me conscientizei da necessidade de aprender pelo menos o essencial do hebraico para que pudesse acompanhar as Tefilot, as quais eram dirigidas em Sidurim e Machzorim escritos no hebraico litúrgico.

Assim, com a chegada de um more designado pelo Beit Chabad para atender a comunidade tentei dialogar para que este me ensinasse, porém, fui informado que não poderia receber aulas, uma vez que não possuía origem judaica. De início fiquei abatido com tal situação, pois a recusa mostrava-se puramente discriminatória. Entretanto, mesmo amargurado não desisti de meus objetivos.

Ao verificar alguns Sidurim da Sinagoga, encontrei alguns que eram escritos em hebraico com transliteração. Com esse Sidur identifiquei cada fonema e letra do alfabeto hebraico, memorizei as letras e comecei a treinar a leitura, até que chegasse o momento que eu pudesse acompanhar a leitura no Sidur ou no Machzor durante as Tefilot. Completados dezessete anos eu já me sentia em condições de fé e convicção a comparecer perante um Bet Din e tentar dissuadir os Dayanim a aceitar meu pedido de conversão ao judaísmo.

Minha meta era estar perante um Bet Din ortodoxo, com autoridade válida perante a Halachá e que fosse habilitado a fornecer a Teudah apropriada para esse caso. Porém a realidade brasileira era totalmente confrontante com a Halachá, principalmente quanto às exigências talmúdicas e do Shulchan Aruch de Rabi Yossef Caro, uma vez que aqui no país em tais processos eram cobrados valores altos, que variavam entre 5000 e 10000 dólares, valores estes extremamente elevados, principalmente para um estudante provindo de uma família humilde.

Diante dessa realidade, achei melhor estudar e me definir numa carreira profissional, para então voltar a buscar um processo oficial de conversão ao judaísmo.

E assim foi, cursei uma universidade, graduei-me e pós-graduei-me, nunca abandonei meu desígnio, continuando a comparecer à Sinagoga, apesar de uma freqüência menor, já que tive que ocupar-me muito mais com os estudos profissionais. Hoje sou graduado em Ciências Biológicas e pós-graduado em Agronomia.

E 2006 tomei ciência dos trabalhos da Shavei Israel em Portugal e no nordeste brasileiro, em referência aos Bnei Anussim, constatei tratar-se de uma instituição séria que exerce um importante trabalho principalmente no nordeste do país.

Como forma de tentar encontrar alguma razão específica para esse trabalho e também para entender minhas origens, tratei de realizar um estudo genealógico de minha família pelo lado materno.

Tudo o que consegui descobrir foi que minha tataravô materna Ana de Oliveira, era nascida na cidade de Quixeramobim, interior do Ceará, nordeste brasileiro, e que esta cidade foi a única do Ceará a sofrer visitação dos oficiais do Santo Ofício da Inquisição durante o século XVIII, quando percorreram algumas localidades interioranas do nordeste em busca de cristãos-novos judaizantes, e que essa região pode ter sido um dos redutos do esconderijo dos descendentes de Mosheh de Oliveira, um dos fundadores da Sinagoga Kahal Zur Israel, Primeira Sinagoga das Américas, que funcionou na cidade de Recife, Pernambuco, no século XVII.

No entanto, essas informações são de pouca relevância, a medida que não se tem como verificar toda a árvore genealógica de minha origem materna, uma vez que os dados obtidos em cemitério, a cerca de Ana de Oliveira, contam ter sido ela filha de Domingos de Sá Cruz e mãe desconhecida, inviabilizando assim, uma pesquisa genealógica mais precisa e consistente.

No que se refere a costumes “marranos” na família, tudo que pude verificar foram alguns como não consumir carne com sangue ou mal-passada, não consumir leite com carne, acendimento de velas ao pôr-do-sol, além de inversão dos sobrenomes nas mulheres casadas, para prevalecer o sobrenome materno. Porém, por serem costumes já disseminados pela região não se tem como determinar a verdadeira origem da família.

Independente dos dados genealógicos ou da pesquisa dos costumes familiares, tudo que posso afirmar é que são verdadeiras e convictas tanto minha vontade, quanto meu desejo de assumir uma vida verdadeiramente judaica e direcionada pela Torah e Talmud, onde creio plenamente na Unicidade de D-us e nos 13 princípios da fé judaica, como prescreveu Maimônides, e tendo como meta única e sincera a de servir a Hashem de coração e verdade cumprindo suas 613 Mitsvot e santificando o Shabat.

Sendo assim, venho pedir sua atenção no sentido a ajudar-me num possível processo de conversão ao judaísmo, auxiliando-me a participar de seus programas de estudo e direcionando-me para instituições religiosas ou autoridades rabínicas que possam me instruir de forma correta e dentro dos padrões da Halachá.

Grupos retornam ao judaísmo

Matéria publicada no Jornal do Commercio (Recife/PE), Cidades, edição de 17/2/2008
Link: http://jc.uol.com.br/jornal/2008/02/17/not_270221.php

 
downloadQuarenta e cinco famílias de Pernambuco e da Paraíba se dedicam aos estudos de filosofia e da lei judaica, para resgatar a prática cultural e religiosa

Trinta famílias de Pernambuco e 15 da Paraíba que descobriram suas origens judaicas se preparam para regressar ao judaísmo, com ajuda da organização Shavei Israel (Retorno a Israel). Elas participam de um curso, duas vezes por semana, na sede da Federação Israelita, na Torre, Zona Oeste do Recife, onde aprendem filosofia e lei judaica, para resgatar a prática cultural e religiosa.

As aulas são conduzidas pelo rabino Eliezer Sabba, representante do Shavei Israel no Brasil. “Não faço conversão, apenas ensino o judaísmo”, esclarece o líder comunitário. Segundo ele, os dois lugares indicados para a conversão são Israel e Estados Unidos da América. “O retorno ao judaísmo exige muito estudo e prática”, diz ele.

Do amanhecer ao anoitecer, a pessoa deve obedecer aos ensinamentos. Isso se refere desde ao modo de se vestir aos alimentos que podem ser ingeridos. “O retorno não é só religioso, o trabalho leva ao resgate de um povo”, afirma Eliezer Sabba. No curso, o grupo estuda a fé judaica, festas, calendário, patriarcas, guerras, conflitos em Israel e o significado do retorno.

Conforme o líder comunitário, a população de origem judaica no Brasil é estimada em 12 milhões de habitantes, distribuídos nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte (os principais), Ceará, Sertão da Bahia e Norte de Minas Gerais. Os primeiros moradores se estabeleceram há 500 anos, fugindo da Inquisição em Portugal e na Espanha, porque não queriam se converter ao cristianismo.

“Muitos fugiram para o Sertão porque era mais fácil manter as práticas judaicas. Embora a Inquisição também tenha chegado ao Brasil, pois há cristãos-novos julgados em Portugal por praticar o judaísmo no Brasil, a perseguição era menor”, comenta o rabino. A busca por trabalho, diz ele, também teria motivado a vinda ao território brasileiro, um País novo.

O reconhecimento de pessoas de origem judaica leva em consideração uma série de fatores. Um deles é o sobrenome de família, geralmente associado a flores, árvores ou ao local onde viviam (Matos e Selva, no interior do Estado, e da Costa, no litoral). “Mas o nome é só uma indicação. Há famílias com esses sobrenomes sem nenhuma ligação com judaísmo”, ressalta Eliezer Sabba.

Bezerra, diz ele, identifica cristão-novo (judeus convertidos à fé cristã). No Sertão do Ceará há o caso de uma família com esse sobrenome cujos casamentos eram feitos só entre primos. “O que eles queriam preservar no Brasil? É assim que a gente vai buscando as origens”, diz o rabino. Outro costume mantido no interior é a forma de enterrar os mortos, vestido numa mortalha e direto na terra.

“Conversei com pessoas que não comiam carne de porco, mas não sabiam explicar o motivo. Outras aprenderam com a família a acender velas toda sexta-feira para o anjo da guarda, sem fazer vinculação com o sábado dos judeus.” De acordo com o líder comunitário, nessa época o judaísmo era mantido em segredo nas famílias. Anjo da guarda era uma forma de disfarce para garantir o costume judeu.

Eliezer Sabba coordena uma comunidade no Orkut para discutir o assunto (Gente da Nação) e pretende, ainda este ano, disponibilizar as aulas de judaísmo pela internet. “Seria ensino a distância, para as pessoas interessadas no retorno ao judaísmo, porque não posso visitar as cidades do interior com freqüência.” Falta providenciar uma filmadora para gravar as aulas.

Em Pernambuco, foram identificadas famílias de origem judaica no Recife, Caruaru, Brejo da Madre de Deus e Vitória de Santo Antão. Da Paraíba, participam do curso famílias de João Pessoa e Campina Grande. Em breve, o rabino visitará o Rio Grande do Norte. Ele atua em Pernambuco há cinco meses.

História da Rainha Esther em Literatura de Cordel

 

Quem poderia imaginar! A história de Purim contada em prosa e verso na literatura de cordel do nordeste brasileiro? Essa realmente me pegou de surpresa.

Mas o que é em realidade a literatura de cordel? O velho Aurélio diz o seguinte: Romanceiro popular nordestino, em grande parte contido em folhetos pobremente impressos e expostos à venda pendurados em cordel, nas feiras e mercados. (Dicionário Aurélio Buarque de Holanda).

Trazida pelos portugueses que aportavam por volta de 1850 em terras tropicais, com o passar dos anos, essa literatura foi aos poucos se afirmando especialmente pelo seu baixo custo e hoje é encontrada praticamente em estados do nordeste como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia.

Muitas vezes repleto de um belo tom humorístico e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região, a literatura dos livretos pendurados em cordas tipo barbante, daí o nome Literatura de Cordel, contagia a população nordestina e principalmente os turistas que por ali andam. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades, etc.

Pensando bem, a história da Rainha Esther é sem dúvida um belo tema para um bom poeta da literatura de cordel desenvolver. Ela foi uma heroína do povo judeu, com coragem e muita determinação enfrentou a possível morte ao apresentar-se diante do Rei sem ter sido autorizada com o único intuito de salvar o seu povo do decreto perverso do ministro Haman.

Acrescentaria ainda um outro ponto importante. Talvez pela conotação de libertação e pela facilidade de identificação com os exilados que viviam na antiga Pérsia, Purim e sobretudo o jejum de Esther, foram enormemente populares entre os Bnei Anussim. Não há dúvida que os conversos ibéricos viam Esther como a libertadora do povo judeu. Vale lembrar, que a rainha Esther conseguiu ajudar seu povo justamente quando este se encontrava na clandestinidade, ocultando sua própria identidade judaica. O que, em outros contextos, poderia apresentar um desafio à normatividade judaica, exatamente o fato de sua clandestinidade, é que despertou nos Bnei Anussim, um alto grau de identificação com esta Festa.

No Ha-La- ESTHERpid número 109 de 1942, o jornal organizado e elaborado para os então descobertos criptojudeus nas montanhas do norte de Portugal pelo idealizador da Obra do Resgate, Capitão Arthur Carlos de Barros Basto, encontramos um artigo de autoria de José A. Pereira Gabriel no qual ele escreve: “Sejamos como Mordechai; não tenhamos receio de nos dizermos judeus, pois a nossa lei, o nosso ideal, é de todos o mais perfeito, e o que moralmente a todos se impõe. Não tenhamos receio de divulgar a nossa crença religiosa… isto é admirável!”.

Exatamente por isso a Festa de Purim é sem dúvida uma das mais conhecidas e preservadas pelos Bnei Anussim durante séculos.

Mas o que faria uma poeta de literatura de cordel se interessar por essa história e como ele a conhecia?

O despertar dos Bnei Anussim pelo mundo é um fato consumado hoje em dia. No Brasil, e principalmente no nordeste, historiadores e pesquisadores afirmam que a presença de seus descentes é numerosa já que um percentual respeitável dos brancos portugueses que vieram para colonizar o país eram cristãos-novos que escondiam sua verdadeira fé, eram portanto, criptojudeus. Seus descendentes estão por aí e com certeza muitos deles enraizados como trovadores, compositores e poetas da literatura de cordel.

Assim, já estou mais tranqüilo e na verdade não tão surpreso de encontrar a História da Rainha Esther em Literatura de Cordel.

E com vocês… a “História da Rainha Ester” do Poeta da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Arievaldo Viana Lima.

Supremo Ser Incriado
Santo Deus Onipotente
Manda teus raios de luz
Ilumina a minha mente
Para transformar em versos
Uma história comovente
Falo da vida de Ester
Que na Bíblia está descrita
Era uma judia virtuosa
E extremamente bonita
Por obra e graça divina
Teve venturosa dita

Foi durante o cativeiro
Do grande povo Judeu
Um rei chamado Assuero
Naqueles tempos viveu
E com o nome de Xerxes
Na História apareceu.

O rei Assuero tinha
Pelo costume pagão
Um harém com muitas musas
As mais belas da nação
Mas era a rainha Vasti
Dona do seu coração.

Porém a rainha Vasti
Caiu no seu desagrado

Mardoqueu disse à sobrinha:
– Não revele a sua vida!

– Pois nosso povo é cativo
E vive na opressão
Talvez o rei não a queira
Vendo a sua condição
É melhor guardar segredo
Sobre seu povo e nação.

Não pretendo alongar-me,
Porém vos digo o que sei:
Mardoqueu era versado
Na ciência e na Lei
Trabalhava no palácio
Era empregado do rei.

Mardoqueu um dia soube
Que dois guardas do portão
Tramavam secretamente
Perversa conspiração
Eram Bagatã e Tares
Homens de mau coração.

Tramavam matar o rei
E Mardoqueu descobriu
A conversa dos dois homens
Ele sem querer ouviu
Foi avisar a Ester
E ela ao rei preveniu.

Assuero indignado
Com esta conspiração
Mandou ligeiro prender
Os dois guardas do portão
Eles descobriram tudo
Quando os pôs em confissão

Os dois guardas receberam
Um castigo exemplar
Provada a sua traição
O rei os manda enforcar
Depois mandou os escribas
Em seus anais registrar.

Mardoqueu perante o rei
Subiu muito de conceito
Deu-lhe o rei um alto posto
Por ser honrado e direito
Por isso era invejado
Por Aman, um mau sujeito.

Este Aman de quem vos falo
Era o Primeiro Ministro
Um dos homens mais perversos

Sem ele próprio chamar
Por um decreto real
Manda na hora enforcar.

Deixemos aqui Ester
Lamentando pesarosa
Vamos tratar de Aman
Criatura orgulhosa
E saber o que tramava
Esta cobra venenosa.

Disse ele a Assuero:
– Há um povo no reinado
Que tem um costume estranho
Não cumpre nenhum mandado
Que fira algum mandamento
Por seu Deus determinado.

– Constitui um mau exemplo
Para outros povos e assim
Considero que este povo
Viver conosco é ruim
Eu quero a tua licença
Porque quer dar-lhes fim.

Lavrou-se então o decreto
Do extermínio judeu
Aman pegou uma cópia
E em praça pública leu
Somente por ter inveja
Da glória de Mardoqueu.

Naquela noite Assuero
Não podendo dormir mais
Mandou chamar seus escribas
Para lerem os editais
Entre estes documentos
Encontravam-se os Anais.

O leitor sabe que o rei
Foi salvo de um atentado
Por dois porteiros teria
Sido ele assassinado
Se não fosse Mardoqueu
Ter o caso desvendado.

Pergunta então Assuero
Depois que o escriba leu
Os anais onde constavam
Os feitos de Mardoqueu:
– Me diga qual foi o prêmio
Que este homem recebeu?

E pelas ruas de Susa
Foi Mardoqueu aclamado
Vestindo as roupas reais
Num bom cavalo montado
E pelo ministro Aman
O ginete era puxado.

O leitor deve lembrar
Que Ester, a bela rainha
Já sabia do decreto
E qual a sorte mesquinha
Destinada a seu povo
Porém o medo a detinha.

Há dias que ela esperava
Uma oportunidade
Para falar com o rei
Contar-lhe toda a verdade
E, em favor de seu povo
Implorar-lhe a piedade.

Mas o tempo ia passando
Como o rei não a chamou
A dura pena de morte
Decidida ela enfrentou
Foi à presença do rei
Lá chegando se curvou.

Disse o rei: – Minha querida
A lei não é para ti
Não temas, pois não pretendo
Fazer qualquer mal a si
Diga-me logo o que queres
Porque tu vieste aqui?

Disse ela: – Majestade
Viva em paz, a governar
O motivo que me trouxe
É que vim te convidar
Para um singelo banquete
Que pretendo preparar.

Este banquete eu vou dar
Na noite de amanhã
Quero apenas que convides
O nosso ministro Aman
Espero que não me faltes
Espero com grande afã.

Disse o rei: – Vá sossegada
Por certo, não faltarei
Ao banquete que darás
Como sem falta eu irei
E o Primeiro Ministro
Em breve convidarei.

Pois embora fosse bela
Não cumpriu um seu mandado
Vasti, durante um banquete
Não quis ficar a seu lado.
Com isto o Rei Assuero
Bastante se enfureceu
Mandou buscar outras moças
E por fim ele escolheu
Ester, a bela judia
Sobrinha de Mardoqueu.

Porque os seus conselheiros
Consideraram uma ofensa
A bela rainha Vasti
Não vir a sua presença
Perdeu a rainha o posto
Foi esta a dura sentença.

Ester era flor mais bela
Filha do povo judeu
Porém perdeu os seus pais
Logo depois que nasceu
Foi viver na companhia
De seu tio Mardoqueu.

Dentre as mulheres mais belas
Ester foi a escolhida Pra ser a nova Rainha
Pelo rei foi preferida
De quem se teve registro
Tramava contra os judeus
Um plano mau e sinistro.

Por força de um decreto
Queria que o povo inteiro
Se ajoelhasse a seus pés
Sendo ele um embusteiro
Queria ser adorado
Igual ao Deus Verdadeiro.

Isso era um grande martírio
Para a raça dos judeus
Porque só dobram os joelhos
Em adoração a Deus
Fato que desperta a ira
Dos pagãos e dos ateus.

O Ministro indignou-se
Com todo o povo judeu
Porque não obedeciam
Aquele decreto seu
Pensava em aniquilar
A raça de Mardoqueu.

Mandou baixar um Edito
Marcando a hora e o dia
Para o povo ajoelhar-se
Porém Aman não sabia
Que a bela rainha Ester
Era uma princesa judia.

Mardoqueu leu o decreto
Gelou de medo e pavor
Comunicou a Ester
Que Aman, em seu furor
Queria exterminar
A raça do Redentor.

– Querida Ester, disse ele
Venho triste lhe contar
Que o Primeiro Ministro
Jura por Marduk e Isthar
Que o nosso povo judeu
Decidiu eliminar.

– Esse Decreto já foi
Pelo rei sancionado
Armou para nós a forca
O dia já está marcado
Matará todo judeu
Que não ver ajoelhado.

– Meu tio, responde Ester
Eu nada posso evitar
Pois quem se apresenta ao rei
– Nenhum prêmio, majestade…
Responde o escriba ao rei
Então Assuero disse:
– Agora compensarei
O grande favor prestado,
Gratidão é uma lei!

No outro dia Aman
Foi ao Palácio enredar
Quando Assuero o viu
Tratou de lhe perguntar:
– Que deve ser feito ao homem
Que o rei pretende honrar?

Pensando que era pra si
Aquela grande honraria
Aman disse: – Majestade
Eis então o que eu faria
Com minhas roupas reais
Este homem eu vestiria

Depois o faria montar
Um cavalo ajaezado
Com os arreios de ouro
E o brasão do reinado
Por alguém muito importante
Ele seria puxado.

E nas ruas da cidade
O guia deve bradar
Assim o rei Assuero
Manda agora publicar:
– Este é um homem de bem
Que o rei pretende honrar!

– Muito bem, diz Assuero
Bonito plano, este seu
Mande selar meu cavalo
Da forma que concebeu
E nele faça montar
Nosso amigo Mardoqueu.

Aman ficou constrangido
Mas resolveu perguntar
Qual o homem, majestade
Que o cavalo irá guiar
Disse o rei: – És tu, Aman
Quem o deve anunciar.

Aman saiu se mordendo
Foi o cavalo arrear
Depois mandou Mardoqueu
Sobre o mesmo se montar
Mas intimamente dizia
Em breve irei me vingar.

Ester não disse mais nada
Tratou de se retirar
Chamou as suas criadas
Foi depressa preparar
O banquete que em breve
Ela haveria de dar.

No outro dia Aman
Pelo rei foi convidado
Porém, como ignorava
O que estava preparado
Compareceu orgulhoso
Bastante lisonjeado.

Na presença do ministro
Assuero perguntou
Diz-me agora, ó rainha
Por que razão me chamou?
Então Ester decidida
Por esta forma falou:

– Majestade eu tenho a honra
De ser a tua consorte
Porém a mão do destino
Quer turvar a minha sorte
Porque o meu próprio povo
Está condenado à morte!

Diz o rei: – Quem concebeu
Este plano tão malvado?
Por que motivo o teu povo
À morte foi condenado?
Disse ela: Foi Aman
Ele é o grande culpado!

Pois este homem se julga
Acima do próprio Deus
Quer que todos se ajoelhem
E cumpram os desígnios seus
Por isso ele planeja
Exterminar os judeus.

Quando ela disse aquilo
Aman não pôde falar
Tremia ali de pavor
Sem puder se explicar
E o rei indignado
O mandou encarcerar.

No outro dia Aman
À morte foi condenado
Na forca que ele havia
Pra Mardoqueu preparado
Por um capricho da sorte
Foi nela própria enforcado.

 

A Exposição sobre os Criptojudeus está de volta ao Brasil

Pelo segundo ano consecutivo Shavei Israel realiza no Brasil a Exposição “Criptojudeus – Uma chama que a Inquisição nunca conseguiu apagar”.

Como parte da programação deste ano, estive na cidade de Porto Alegre no último dia 16 de junho onde proferi a palestra de abertura da Exposição naquela capital.
A Shavei Israel trabalha com parceiros neste projeto, e nesta capital o nosso parceiro foi o Instituto Cultural Judaico Marc Chagall que presidido pela Professora Ieda Gutfreind, organizou, divulgou e presidiCriptojudeus- a chama que a Inquisição nunca conseguiu apagau o evento.

Na noite de abertura o publico presente estava composto por membros do Ishuv porto-alegrense, representantes de Bnei Anussim e o público em geral. O lugar escolhido para a exposição não poderia ter sido melhor, um prédio no centro da cidade de Porto Alegre que funciona até hoje uma agencia dos correios e que é um centro cultural para exposições diversas denominado Memorial do Rio Grande do Sul.
Os painéis expositores foram expostos na sua devida ordem e aí estiveram até o dia 27 de junho, quando a Exposição foi encerrada.

Tive a oportunidade de conhecer um grande número de pessoas, desde Diretores e Presidentes de instituições comunitárias à simples marranos que estavam ali na busca de uma resposta para suas dúvidas. Eram pessoas entusiasmadas e com muita sede de conhecimento e durante quase duas horas, após a explanação que fiz sobre a Exposição, as perguntas não cessaram e tive, ao final, que pedir licença pois o lugar estava fechando as portas e teríamos que nos retirar.

Como é uma exposição itinerante, seguimos viagem para a próxima parada. Após uma breve estadia em São Paulo, chegamos a Curitiba a capital do Estado do Paraná onde seria realizada a segunda e para mim, última etapa da Exposição. Meir Fucsman, diretor Administrativo da organização já se encontra no Brasil onde no dia 15 de julho fará a abertura da Exposição em Recife e no dia 4 de agosto em São Paulo, quarta e última capital programada para esse ano. Nesta Capital a exposição será realizada no Centro de Cultura Judaica, no Sumaré.

Um detalhe a parte de nossa estadia em Curitiba foi o grande prazer de ter reencontrado a família Zugman. Convidado para um delicioso churrasco kasher em sua Chácara, Ari, Noemia, Sr. Saul e demais familiares me proporcionaram momentos de descontração e prazer num lugar que mais parecia o paraíso pela belíssima vista a beira de um grande lago, verdadeiro paraíso.

Interessante frisar a conversa que tive com o senhor Saul Zugman, pai do Ari que nos disse possuir uma propriedade a algumas horas de distância da capital, e que a teria comprado de um senhor de engenho e que lá teria encontrado uma construção que ele diz ser uma mikve. Impressionado quis conhecer o lugar mais devido ao escasso tempo que tínhamos, a visita ficou para uma outra oportunidade. É sabido que um grande números dos senhores de engenho e dos donatários de terras brasileiras na época da colonização, eram cristãos-novos.

Mas voltando a Exposição, o nosso parceiro nesta capital foi o Instituto Cultural Judaico-Brasileiro Bernardo Schulman e nosso contato foi seu próprio presidente o Sr. Boris Sitnik, pessoa simpaticíssima e que nos proporcionou momentos de muitas alegrias e satisfação, seja durante o evento, ou seja quando ao final deste, nos convidou para um jantar e bate-papo num restaurante onde devido as minhas restrições alimentícias não tivemos muitas opções no cardápio, o que não prejudicou em modo algum, pelo contrário, só valorizou o descontraído e gostoso encontro que ele e sua esposa me proporcionaram.

A abertura da Exposição foi um evento interno, para a comunidade e alguns convidados especiais na sede do Centro Israelita do Paraná, e contou com cerca de 80 pessoas, e contou com a presença do presidente da Federação paranaense, o Sr. Isaac Baril, do Rabino Mendi Stolik do Beit Chabad local, diversos professores bem como estudiosos e interessados no tema. Assim como em Porto Alegre, os Bnei Anussim também se fizeram representar e impressionou-me bastante o fato deles levarem uma vida segundo os preceitos judaicos apesar das dificuldades que encontram para serem reconhecidos e aceitos como descendentes dos cristãos-novos, também reconhecem a necessidade de uma conversão.

A Exposição em Curitiba terá ainda uma segunda fase que acontecerá a partir do dia 4 de julho no Haal da Secretaria de Cultura do Estado com o patrocínio do Governo do Estado do Paraná e ficará aberta ao público em geral para visitação até o dia 18 de julho.

Na certeza do dever cumprido, pois assim nos sentimos quando estávamos retornando a Israel, já estamos novamente na ativa no escritório da Shavei Israel a disposição de todos.