Apoiando a Israel

Num mês dramático para Israel e todos os que o apoiam, um evento extremamente marcante e especial ocorreu.

Do outro lado do Oceano, num estudio em Manhattan, um apresentador popular de radio e televisão fez um anúncio que pode ser considerado um verdadeiro marco na batalha pela verdade.

Falando para milhões de espectadores e leais ouvintes, Glenn Beck declarou que está organizando um evento denominado “Restaurando a Coragem”, que irá acontecer na capital de Israel no próximo mês de agosto.

O objetivo é simples: reunir a maior quantidade possível de pessoas de diferentes religiões para mostrar seu apoio a Israel e ao povo judeu.

“Creio firmemente que estão me pedindo para apoiar Jerusalém”, disse Beck, sabendo que muitos tem tido a oportunidade ao longo da história de apoiar o povo judeu. Ele próprio, várias vezes tem tido esta oportunidade, porém tem falhado.

“Eu escolho”, disse, “apoiar e ser contado”!

É exatamente o que você deve estar se perguntando, apoiar à Israel, o que tem a ver com coragem? Não tem muitos de nós que o fazem constantemente? O que tem de novidade nisso então?

Quando o Estado Judeu se encontra sob ataque internacional cada vez maior, e é constantemente representado de forma injusta pelos maiores meios de comunicação, essa mensagem de Beck é tão renovadora como inspiradora.

Ele não se deixa intimidar pelas elites, muitas das quais estão adotando a narrativa palestina e árabe daquilo que ocorre no Oriente Médio.

Beck observa diretamente através da obscura noção de justiça, e sem hesitar ressalta a desconcertante recusa que prevalece na mídia global de reconhecer a ameaça que representa o islamismo extremo para a civilização ocidental.

E isso é o que torna “Restaurando a Coragem” em um evento tão importante. Apesar de muitos dos detalhes ainda serem desconhecidos, certamente será mais que uma simples concentração ou encontro. Promete ser uma expressão de fé, um chamado a desafiar o pensamento prevalecente de que D-us e o mal são termos puramente subjetivos, abertos a diferentes interpretações.

Hoje em dia, é preciso coragem, muita mesmo, para parar e declarar que Israel e o Ocidente estão certos, são justos, e morais, e que nossos inimigos estão simplesmente equivocados.

Temos que nos animar e desafiar nossos líderes, nossa nação e a nós mesmos, para escutar o chamado do destino Divino e reconhecer a justiça de nossa causa.

Durante muito tempo, os israelitas tem sido maltratados e desprezados pela opinião crítica, tanto que muitos passam a acreditar e interiorizar o que dizem, ao ponto de se tornarem acusadores e os próprios agressores.

Mantras e slogans tais como “a solução dos dois estados” se converteram num estandarte, e todos os que são contra esta idéia são rapidamente rotulados de extremistas.

O evento de Beck este verão, nos oferece, a todos, a oportunidade de recobrar nosso conhecimento e reclamar a verdade.

Como ele descreveu: “As coisas em Israel ficarão mal… é só uma questão de tempo”.

“Atacarão o centro de nossa fé, nossa fé comum, e isto significa: Jerusalém. E não será mediante balas ou bombas” afirmou, “mas com a solução de dois estados, que o mundo inteiro não poderá chegar a Jerusalém nem a cidade velha”.

O momento da chegada desta mensagem não poderia ser mais crucial.

A ameaça palestina de declarar um estado unilateral e tentar obter o reconhecimento da ONU em setembro pode ser sentido no ar, assim como a possibilidade da terceira intifada. O Hamas, se uniu ao governo palestino, o Iran continua com seus esforços para construir armas nucleares.

E apesar da confusão que reina no mundo árabe, Israel encontra-se sob pressão cada vez maior para realizar concessões em momentos de uma grande incerteza.

Caso tenha êxito, “Restaurando a Coragem” será uma benção para o assediado Estado Judeu, e proverá uma tão necessitada porção de apoio e alento.

Conclamando as pessoas a unirem-se a ele, Beck invocou valores cruciais como a fé, dizendo que cada pessoa será finalmente e sem dúvida alguma, chamada a dar conta de suas ações diante do Criador.

E lembrou sinceramente aos americanos e demais que não podem ficar alheios e à margem e não fazer nada diante do mal. “Israel”, ele deixou claro, “é sim importante e me importa”! E esta é uma mensagem que ele ajudará a difundir.

Agora, sei o que provavelmente muitos de vocês estão pensando: Glenn Beck, não é o excêntrico provedor de teorías de conspiração, extravagantes afirmações e grande conservadorismo? O que é que Israel e o Povo Judeu podem ganhar com seu respaldo? A resposta é: muito. Não tem que estar de acordo com Beck em tudo, nem na maioria das coisas para ver o quanto é inerente e avassaladora a sua última iniciativa.

Para um país que não tem tantos amigos no mundo, Israel deveria agradecer a cada um que deseja apoiá-lo, inclusive se não são necessariamente da mesma opinião. Será particularmente interesante ver como as organizações judaicas americanas pensam sobro tudo isso. No passado, vários grupos liberais judaicos tem denunciado a Beck, já que pouco têm em comum a nível político.

Como seria fácil para o anfitrião da televisão dizer a si mesmo: “depois de como me trataram os judeus, por que deveria falar a favor deles?

Porém, ao colocar-se a cima das críticas, a personalidade da Fox News nos dá uma lição de como comportar-nos e não perder de vista o que realmente importa.

Sendo uma pessoa de fé, me sentí especialmente comovido quando Beck leu ao vivo no libro de Rut.

Foi notória sua emoção ao ler a declaração de Rut a moabita a sua sogra Naomí: “aonde fores eu irei, e aonde ficares eu ficarei também; teu povo será meu povo e teu D-us será meu D-us”. Isto, disse Beck, o ajudou a tomar a decisão de apoiar ao povo judeu.

A mim, pessoalmente, sua declaração lembrou-me de um versículo do livro Bereshit (12:3) onde D-us promete a Abraham e através dele a toda a humanidade: “Abençoarei a todos os que te abençoarem, e os que te amaldiçoarem amaldiçoarei”,

Note como não existe um meio termo aqui. A cada pessoa é apresentada uma clara e inequívoca escolha: abençoar aos descendentes de Abraham, os judeus, ou amaldiçoá-los.

Glenn Beck valentemente elegeu abençoar a Israel, e mediante isto unir os judeus, cristão e demais a declarar-se a favor do Estado Judeu.

Espero que sejam muitos, os que repondam a seu importante chamado.

A vida de um marrano: Samuel Nuñez Ribiero

Fonte: www.chabad.org.br

 Contaremos aqui a história de uma famosa família de Marranos, cerca de duzentos anos após a expulsão da Espanha e Portugal.

Os Marranos daqueles países, vivendo em constante terror, tinham apenas uma esperança: escapar para algum país amigo para jogar fora aquele odioso disfarce e viverem abertamente como judeus.

Assim ocorria com a família Nunez. Durante muitas gerações, esta família mantivera sua fé judaica em segredo, e alguns membros da família tiveram morte violenta nas mãos da Inquisição. (Clara Nunez foi queimada em Sevilha, Espanha, em 1632, e no mesmo ano Isabel e Helen Nunez também foram condenadas à morte por sua lealdade à fé judaica). Um ramo da família, que vivia em Portugal, estava entre as mais conhecidas famílias nobres. Embora vivessem quase 250 anos depois da Expulsão da Espanha e Portugal, esta família ainda observava secretamente a religião judaica. Era liderada por Samuel Nunez, nascido em Portugal, e que se tornara um famoso médico. Fora nomeado Médico da Corte do Rei de Portugal. Além dos serviços que prestava à família real, toda a nobreza considerava um privilégio ser atendido por ele. O Dr. Nunez não era requisitado apenas como profissional, como também era convidado a todos os eventos sociais importantes. Além disso, quando ele organizava um banquete ou um baile em seu lindo palácio sobre o Rio Tejo, a elite da sociedade lisboeta estava entre seus convidados.

O Dr. Nunez ainda era jovem quando atingiu o auge do seu sucesso profissional e nos círculos sociais. Isso naturalmente provocou inveja entre os seus competidores, e a Inquisição deu a eles uma excelente oportunidade de tentar prejudicá-lo.

Embora na superfície o Dr. Nunez fosse um católico tão bom quanto qualquer outro cristão que freqüentasse a igreja, os líderes da Inquisição registraram os avisos dados pelos inimigos do médico. Eles conseguiram infiltrar um “agente” na casa da família Nunez, disfarçado de criado, para informar sobre o que acontecia no círculo familiar.

Finalmente o agente relatou que a família Nunez estava definitivamente praticando a religião judaica em segredo, pois todos os sábados, eles se recolhiam a uma sinagoga nos subterrâneos do palácio, onde jogavam fora o disfarce de cristãos e rezavam como verdadeiros judeus.

Embora os líderes da Inquisição conseguissem prender toda a família Nunez e colocá-la na prisão, sua alegria durou pouco, pois o Dr. Nunez era muito popular e tinha amigos influentes entre a nobreza. Estes convenceram o rei a libertar Dr. Nunez e sua família da prisão e permitir que se instalassem novamente no palácio como Médico da Corte.

Geralmente o rei era completamente influenciado por seu “padre confessor” – um sacerdote católico, mas nesse caso ele não lhe contou sua decisão (apoiado por toda a família real), dando ordens para que a família Nunez fosse libertada imediatamente e pudesse voltar à sua residência às margens do Tejo.

Havia uma condição, porém, que empanava a alegria da família Nunez durante sua libertação – dois funcionários da Inquisição deveriam residir com a família para certificar que eles não praticavam a religião judaica. Isso, obviamente, fez o Dr. Nunez planejar uma fuga. Mas como conseguir isso sob os olhos sempre vigilantes dos inquisidores?

O Dr. Nunez teve uma idéia ousada e brilhante. Organizou um banquete e convidou todas as pessoas importantes da cidade. Entre essas havia muitos funcionários de altos cargos que, embora suspeitassem dele no tocante à fé, ficaram felizes em aceitar o convite para o banquete, pois era considerado um privilégio estar presente.

O banquete terminou e o baile estava no auge quando o Dr. Nunez mandou a orquestra parar e fez a seguinte declaração chocante:

“Meus amigos! Tenho uma bela surpresa para vocês! Estão todos convidados a embarcarem em meu iate, que foi preparado para o vosso prazer. As diversões da noite continuarão ali, com o Capitão ao vosso serviço. Por aqui, Senhoras e Cavalheiros!”

Com estas palavras, Dr. Nunez saiu da sala, e todos os convidados o seguiram alegremente, deliciados com a surpresa.

Todos apanharam seus casacos e, conversando com animação, embarcaram no iate que balançava suavemente no embarcadouro do palácio.

O que os convidados não sabiam era que uma surpresa não muito agradável os esperava. Somente uma hora depois do embarque, eles perceberam que o iate estava se movendo! E a julgar pela velocidade, não era um iate, mas um barco enorme. Sim, eles estavam navegando para longe da costa de Portugal a toda velocidade, rumando para as praias mais amigáveis da Inglaterra. Bem, amigáveis para a família Nunez. O médico arranjara cada detalhe com a ajuda dos seus parentes, os Mendez, um dos quais tinha se casado com a filha de Nunez. Este conseguira vender em segredo parte de suas propriedades e outros bens, e tinha transferido o dinheiro para a Inglaterra através de mensageiros secretos. Assim ele conseguiu contratar um capitão britânico para levar seu barco ao Rio Tejo na noite do banquete, preparado para receber muitos passageiros.

O Dr. Nunez assegurou aos convidados que, assim que chegassem à costa inglesa, o barco voltaria imediatamente com eles para Portugal. Quanto ao Dr. Nunez, os convidados tinham de admitir que não era sua culpa o fato de ser obrigado pela Inquisição a deixar o país que estiveram tão pronto a aceitar seus serviços e seu conhecimento, mas não lhe permitira que ele e a família vivessem segundo sua fé e consciência.

Conforme fora arranjado com antecedência, a família Nunez foi transferida para outro barco que estava deixando a Inglaterra com outros marranos a caminho da Geórgia, na América, para estabelecer uma colônia. No verão de 1733, os Marranos, liderados pela família Nunez, chegaram a Savaná, na Geórgia. Foram calorosamente recebidos pelo governador inglês, James Oglethorpe, um homem tolerante e compreensivo.

Quando os administradores do território em Londres souberam que Oglethorpe tinha doado terra aos refugiados judeus, e que eles construíram casas e estavam bem estabelecidos, enviaram um protesto indignado ao Governador, dizendo: “Não queremos que a nova terra se torne uma colônia judaica!”
O Governador, porém, era um homem justo que percebera como tinha sorte de contar com refugiados tão valiosos. O Dr, Nunez certamente seria útil naquelas vastidões semi-desertas, pois poucos profissionais se aventuravam a viver naquele país pioneiro. Os outros refugiados, também, tinham levado seus ofícios e riquezas com eles, mas mesmo que não tivessem, o bondoso Governador não tinha intenção de fazer os recém-chegados sofrerem perseguição no novo país. Eles já tinham sofrido bastante em suas terras de origem.

Quando os administradores em Londres continuaram a insistir com Oglethorpe para expulsar os colonos judeus, ele fingiu levar a ordem em consideração. Porém os registros daqueles tempos, ainda preservados em Savaná, demonstram que não apenas ele não expulsou os judeus, como ao contrário, concedeu-lhes ainda mais terras e privilégios.

A História nos conta que o Dr. Nunez e sua família mais tarde se mudaram para Charleston, na Carolina do Sul. Porém alguns membros da família permaneceram em Savaná, cultivando as seis ricas propriedades que receberam do Governador Oglethorpe, pelos valiosos serviços prestados à colônia pela família Nunez. Posteriormente, o genro do Dr. Samuel Nunez mudou-se para Nova York e se tornou o líder espiritual da recém-fundada comunidade portuguesa. Um descendente deste ramo da família do Dr. Samuel Nunez Ribeiro foi prefeito de Nova York, Dr. Manuel Mordechai Noah, idealizador de um dos projetos de estabelecer uma colônia judaica na América.

Com certeza concordaremos que a família daquele nobre e corajoso médico, temente a D’us, Dr. Samuel Nunez Ribeiro, merece um local de destaque na História Judaica.

Sopa Fria

Se você perguntar a alguém saindo da igreja num domingo: “Você acredita em D’us?” a pessoa ficará chocada. “Que espécie de pergunta é essa? É claro que acredito!” Se você perguntar: “Você se considera religioso?” qual será a resposta? “Certamente. É por isso que estou aqui!”

Se você for a uma mesquita numa sexta-feira e perguntar a qualquer pessoa lá: “Você acredita em D’us?” qual será a resposta? “Com toda a certeza.”

“Você se considera religioso?” “Bem, é óbvio.”

Isso é normal. Essas conversas fazem sentido.

Agora vá a uma sinagoga em Yom Kipur. Pergunte ao judeu sentado na sinagoga em Yom Kipur, jejuando: “Você acredita em D’us?”

Você não vai conseguir uma resposta direta. “Hum, depende do que você quer dizer com “D’us”. Isso se ele for do tipo filosófico. Caso contrário ele simplesmente dirá: “O que eu sou? Um rabino? Não sei.”

Então pergunte: “Você se considera religioso?” Você já perguntou a um judeu americano se ele é religioso? Eles começam a rir. E garantem a você que são tudo, menos religiosos.

“Está brincando? Sabe o que eu como no café da manhã?”

Então cada um deles vai dizer: “Tive um avô, pelo lado da minha mãe, que era um homem religioso… Mas eu…?”

Então você faz aquela que parece uma pergunta lógica. “Então por que está aqui?”

Por algum motivo, este judeu, que não acredita em D’us e é muito não-religioso, olhará para você como se você fosse louco e dirá: “O que quer dizer? É Yom Kipur!”

Isso não é normal.

Vamos analisar por um momento. O que este judeu na verdade está dizendo?

Você perguntou se ele acredita em D’us e ele disse “Não”. Ou “Quando eu era mais jovem, costumava acreditar.” Ou então: “Quando ficar mais velho, começarei a acreditar.”

“Então você não acredita em D’us?”

“Não.”
“Você é religioso?”
“De maneira alguma.”
“Então por que está aqui?”
“Porque é Yom Kipur!”

O que ele está dizendo é: “Por que estou aqui? Porque D’us deseja que um judeu esteja na sinagoga em Yom Kipur. Então onde mais eu poderia estar?”

Então você diz: “Mas você não acredita em D’us.”

Ele diz; “E daí?” e ele não entende o seu problema.

Ele está dizendo: “Hoje é Yom Kipur mesmo que eu não tenha um calendário. Esta é uma sinagoga mesmo que eu não goste dela. Sou um judeu mesmo que não seja religioso, e D’us é D’us mesmo quando eu não acredito nele. Então qual é o seu problema?”

Ora, isso pode ser desconsiderado, e infelizmente muitos de nós o desconsideramos, como pura hipocrisia. Dizemos: “Você não acredita em D’us e não é religioso – não vá à sinagoga. Não venha aqui apenas para mostrar o quanto é judeu.”

O Rebe de Lubavitch tinha uma abordagem diferente. Esta insanidade é que nos torna judeus. É isso que mostra como somos especiais em nosso relacionamento com D’us. Isso se chama verdade. Não se trata de mim. Não quero ser religioso. Não quero acreditar em D’us. Não quero ouvir falar disso. Mas Ele me quer aqui, portanto aqui estou.

O mesmo acontece em Pêssach. Todo judeu se senta para um Sêder. Pergunte ao judeu médio num Sêder: “Você acredita em D’us?” Resposta: “Deixe-me em paz”. Mais uma pergunta: “Você é religioso?” Ele engasga com a matsá, rindo. “Então você está celebrando o Êxodo do Egito há 3.300 anos?” Resposta: “A história não é para mim…” As perguntas seguem… “Então por que está aqui?” seguido de “Onde eu deveria estar? É Pêssach!” É isso que é tão magnífico sobre o judeu.images (1)

Se Mashiach chegar agora, e quiser julgar, o que ele vai encontrar? Sopa fria?

Agora vamos colocar tudo no contexto. Há mais três mil e trezentos anos D’us nos perguntou se queríamos casar com Ele. Tivemos uma cerimônia de casamento extraordinária, com fabulosos efeitos especiais – fomos prometidos. Após o casamento Ele disse: “Tenho algumas coisas que gostaria que você cuidasse para Mim, por favor… Voltarei logo.” Ele não foi mais visto desde então. Durante mais de três mil e trezentos anos. Ele tem enviado mensageiros, mensagens, cartões postais… você sabe, escrevendo nos muros… mas não ouvimos uma palavra Dele durante todo esse tempo.

Imagine, um casal se casa, e o homem diz à esposa: “Você faria alguma coisa para eu comer, por favor? Volto logo.” Ela começa a preparar. O sujeito volta 3.300 anos depois, entra em casa, vai até a mesa, direto para a sua cadeira favorita, senta-se e saboreia a sopa que está sobre a mesa. A sopa está fria.

Qual será sua reação?

Se ele for um homem sábio, não reclamará. Em vez disso vai pensar que é um milagre a casa ainda estar ali, que sua mesa e cadeira favorita ainda estejam ali. Ficará encantado ao ver uma tigela de sopa à sua frente. A sopa está fria? Bem, sim, após 3.300 anos, a sopa pode esfriar.

Agora estamos esperando Mashiach. O Rebe apresentou essa noção radical de que Mashiach está para chegar agora. O que a torna tão radical? Significa que ele vai chegar sem um aviso de duas semanas. Sempre pensamos que haveria algum aviso, para que pudéssemos nos recompor antes que ele venha. Mashiach, chegando agora? Mas agora eu não estou pronto. Não quero ser julgado da maneira que sou. Preciso de um pouco de antecedência. Um pouco mais de tempo…

Se Mashiach chegar agora, e quiser julgar, o que ele vai encontrar? Sopa fria?

Se Mashiach vier agora, diz o Rebe, ele encontrará um povo judeu incrivelmente saudável. Após 3.300 anos estamos preocupados em sermos judeus, o que significa que estamos preocupados com o nosso relacionamento com D’us.

Sim, se Mashiach chegar hoje, ele encontrará nossa sopa fria. Sofremos com a ansiedade da separação. Sofremos de uma perda de conexão com nossos ancestrais. Sofremos de uma perda de conexão até mesmo com nossa família próxima. A sopa está fria. A sopa está muito fria. Mas de quem é a culpa? E quem recebe o crédito pelo fato de que há sopa, afinal?

Somos um milagre. Tudo que precisamos é entrar nele. Nós somos a cura. Não apenas para nós mesmos, mas também para o mundo inteiro. Através de nós a cura é holística, é natural, é orgânica. Nosso relacionamento com D’us é orgânico. Não é uma religião que praticamos – trata-se de nós, quem nós somos, é isso que somos.

Portanto o Rebe nos diz que a maneira de ir é direto para D’us. Pule todos os passos, pule a Cabalá, vá direto até D’us e fique em contato com o seu objetivo. O objetivo não é cabalístico. O objetivo é pessoal. D’us precisa que você cumpra uma mitsvá. Ele enviou você a este mundo para ser quem você é, porque somente você pode fazer este tipo de mitsvá. Sim, as mitsvot são as mesmas para todos nós. Mas quando você a cumpre, é diferente, porque é holística. É com suas emoções, com seus problemas passados, com sua origem familiar, com seu conhecimento e com sua ignorância. Tudo que vem junto torna a sua mitsvá holisticamente única.

Portanto, que Mashiach venha agora e nos encontre aqui com nossa sopa fria, porque não temos nada para nos envergonhar. Somos realmente incríveis. Quando D’us decidiu casar conosco, Ele sabia que estava realmente fazendo um bom negócio.

Kidush Hashem

 

Em memória das almas santas e puras do

Rabino Ehud Fogel e sua esposa Ruth

e dos filhos Yoav, Elad e Hadassa

Assassinados em Itamar

לזכרם לעילוי נשמתם של הקדושים והטהורים

הרב אהוד פוגל הי”ד ורעיתו רות הי”ד

וילדיהם יואב, אלעד והדס הי”ד

שנטבחו באיתמר יע”א

 

“Porquanto te ordeno hoje que ames a Adonai teu D’us, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Adonai teu D’us te abençoe na terra a qual entras a possuir.”

(Devarim 30:16).

Um dos textos áureos da sagrada Torá nos orienta a amar a D’us e que no seguimento de suas leis viveremos e multiplicaremos. Mas, quando vemos que se ocorre justamente o contrário? Quando em lugar de viver morremos em nome de D’us, o que seria isso? Existiria alguma mitzvá (mandamento) de morrer em nome de D’us e da Torá?

Recentemente, no dia 11 de março 2011 (6 de Adar b), uma família foi vitimada por atentado no assentamento Itamar no centro norte de Israel. Cinco integrantes da família Fogel morreram a golpes de faca por terroristas palestinos. Não que houvera um motivo aparente, se é que há algum motivo que justifique a barbárie, apenas morreram por serem judeus. Tampouco é a primeira vez na história que judeus são executados por diferanças étnicas. Progrom, inquisição e shoá já fazem parte de nosso calendário nos dias de memória de suas vítimas, de forma que tais atos já se tornaram parte da rotina do povo judeu. Todo aquele que entrega sua vida em defesa da fé e do povo judeu ou morre em atentados e progroms santificam o Nome de D’us, mitzvá shel kidush Hashem.

Rambam, Rabi Moshe ben-Maimon, trás em seu livro Mishnê Torá, nas leis básicas da Torá, capítulo 5 lei 1, que toda a casa de Israel deve santificar o nome de D’us e não profaná-lo, com está escrito: “E não profanareis o meu Santo Nome, para que Eu seja santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o D-us que vos santifico” (Vaicrá22:32). Como pode ser que alguém ao mesmo tempo pode cumprir esses dois mandamentos de não profanar e de santificar o nome de D’us? O cumprimento de mandamentos (shabat, kashrut, taharat mishpacha, etc.) é uma forma de santificação do Nome Divino. O Não cumprimento destes é uma forma de profanação. Assim, um mandamento positivo santifica o nome de D’us e um mandamento negativo profana, chas vehalila (D-us nos livre). Contudo há uma situação em que o cumprimento do mandamento de Kidush Hashem não depende do cumprimento de outro.

Explica Rambam: no caso em que se levanta um não judeu para forçá-lo a infringir qualquer dos mandamentos da Torá, ou caso contrário, tal judeu deverá infringir o mandamento e preservar sua vida, como está escrito: “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Eterno” (18:5). E se preferiu neste caso sacrificar sua vida terá que prestar contas com D’us.

A alma de todo judeu é uma ferramenta de santificação do nome de D’us. O fato de somente existir faz de cada um cornetas que anunciam Sua majestade, o qual é feito por meio do cumprimento de mitzvot. Portanto, devemos sempre preservar nossas vidas para que tais cornetas sigam soando. Por isso os sábios estipularam uma halachá onde proíbe que se coloque em risco a própria vida.

Contudo, há uma situação onde o mandamento toma a posição inversa. Tráz a Guemará (Sanhedrim 72a) que há três mandamentos os quais se está obrigado a deixar-se morrer e não infringir-los, são eles: idolatria, relações sexuais ilícitas e assassinato. Ora, se a Torá nos ensina a viver pelos mandamentos como agora deveríamos morrer por eles? Este é o caso, não raro, singular no judaísmo onde se morre por D’us e esta morte é o nível mais alto de Kidush Hashem.

Como vimos antes a alma de todo judeu é uma ferramenta de santificação. Se esta alma morre já não se pode santificar a D’us, ou seja, cumprir mitzvot. Justamente estes três pecados estão em um nível tão baixo que quem os comete automaticamente mata sua própria alma. Isso porque estes vão em contra a essência da Torá. Divididos em três esferas distintas, cada pecado incorre à aniquilação da vida e ao propósito da Torá.

  • Assassinato por si só expressa a aniquilação da vida. Tirar a vida de alguém, mesmo que para salvar a sua própria, demonstra a desvalorização pelo outro. Afinal, quem disse que sua vida tem mais valor que a do outro ou poderá cumprir mais mitzvot que o outro? “… Para que vivas, e te multipliques…” quem comete assassinato impede em dobro a possibilidade de vida e de multiplicar-se.
  • Relação sexual ilícita é uma forma de morte social. Ir-se contra o modo natural e indicado pela Torá de procriação é impedir que a vida flua como se deve. O impedimento da continuidade da vida é uma forma lenta de se matar uma sociedade. A pureza familiar e chupa (matrimônio) não somente mantém o desenvolvimento do povo judeu mas também o protege, como no caso em que Bilan (Balão) trocou sua maldição por uma bênção ao ver a disposição das tentas de Israel, a qual não permitia que estas tivessem suas portas frente umas às outras.
  • Idolatria expressa a morte espiritual de cada judeu. A razão para que alguém peque e mantenha sua vida é para que siga cumprindo mandamentos. A prática de idolatria torna sem sentido essa expressão. Como poderia alguém ter em mente salvar sua vida para seguir servindo a D’us se o mais importante mandamento e base da toda a Torá (“E amarás o Senhor teu D’us com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com todas as tuas forças” – Devarim 6:8) não o cumpriu? Quando um judeu pratica idolatria ele mata sua própria alma e renega a Torá, como escreve Rambam:

“Todo aquele que pratica avodá zará (idolatria) apostata toda a Torá, todos os profetas e tudo que se decretou desde o princípio até o fim dos tempos, como está escrito: ‘desde o dia que o SENHOR ordenou até as vossas gerações’”

(Leis à idolatria cap.2:4)

Todo aquele que entrega sua vida em nome da Torá, morre em defesa do povo judeu ou é assassinado por sua condição judaica cumpre a mitzvá de Kidush Hashem, e sua recompensa é o mundo vindouro. Além do mais, seu grau é o mais elevado na esfera espiritual “resplandecendo à sombra das asas da Shechiná de D’us” (Melamed Zechut, Rav Aharon R. Charney), como nos ensina chazal (sábios de bendita memória) que “nenhuma criatura pode estar ao seu lado” (Pessachim 50).

Nos ensina a Guemará (Avodá Zará 10) que o mundo vindouro pode ser comprado no decorrer de muitos anos ou em um instante. Kidush Hashem tem como sua recompensa imediata o Olam haba (mundo vindouro). Explica Rav Itzhak Hotner (Medo de Itzhak – Promessas 25:13,14) que o mundo das almas não é suficiente para recompensar quem entregou seu corpo e sua alma, porque aí não existe corpo. Apenas com a ressurreição dos mortos e o então Olam Habá que se pode recompensar pois ai terá corpo e vida; cumprindo a lei de midá negued midá (medida por medida).

Esperamos poder santificar o Nome Divino com nossas vidas e não com nossa morte. Às famílias que tiveram parentes mortos em defesa de Israel, atentados e progroms segue nossos votos de consolo e recordo das memórias das almas santas e puras. Que D’us abençoe e console todas as famílias das vítimas em guerras, atentados e perseguições.

Santificação e Moralidade

Parashiot: Acharei Mot – Kedoshim

As vezes nos perguntamos de que forma as mitzvot santificam as atividades humanas. Esta parashá nos ensina que se o homem de Israel deseja ser santo, deve imitar a Deus, e podmeos encontrá-Lo em nosso interior ou exterior, a nível transcendental. Acreditar em Deus exige que o homem aspire desenvolver valores elevados e absolutos representados por Deus, que é o fator metafísico superior ao homem.

 

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O Surgimento dos Judeus Ocultos de Turquia

Recentemente, numa pequena sinagoga de New Jersey, uma tragédia judaica de mais de três séculos, chegou a um tão esperado fim.

De pé diante de um tribunal rabínico, um “judeu oculto” da Turquia encerrou um ciclo histórico emergindo das sombras do passado e regressando formalmente ao povo judeu.

O jovem em questão, que agora tem o nome hebraico de Ari, é um membro dos “Donmeh”, uma comunidade de milhares de pessoas que são descendentes dos seguidores do falso messias Shabetai Tzvi.

Pode até soar raro, e inclusive exagerado, porém, depois de tantos anos, ainda existem pessoas que acreditam que ele voltará a redimir a Israel.

No século XVII, Tzvi irrompeu em cena no judaísmo, aumentando as esperanças de redenção e eletrizando os judeus em todo o mundo. Dotado de um enorme carisma, percorria várias comunidades judaicas e prometia que a tão esperada liberação do exílio estava ocorrendo.

Porém sua carreira messiânica chegou a um repentino final quando o Sultão otomano lhe determinou que fizesse uma escolha extrema: converter-se ao islamismo ou morrer pela espada. O futuro reclamante do trono do Rei David deixou de lado o heroísmo e se converteu em um mulçumano, junShabbatai6to com 300 famílias que se encontravam entre seus mais fiéis seguidores.

Apesar de aparentemente praticarem o Islam, os Donmeh (também conhecidos como os Maaminim, palavra hebraica que significa “crentes”), no entanto continuavam, em segredo, observando uma forma mística de judaísmo.

Estudiosos como Gershom Scholem, escreveram extensamente sobre os Donmeh, e Marc David Baer, da Universidade de California, publicou recentemente um novo e importante estudo acerca deles.

Até o dia de hoje, alguns destes “shabtainos” preservam diversos costumes judaicos, como a celebração das festas, o estudo do Zohar e, inclusive, recitam porções do livro de Salmos todos os dias. E seguem os “18 Mandamentos” impostos a eles por Shabtai Tzvi, que inclui uma proibição absoluta de casamentos mistos.

Durante muitos anos, concentraram-se na cidade grega de Salonica, até que foram expulsos para a Turquia em 1923/24, como parte dos intercâmbios populacionais entre os dois países. Este capítulo doloroso de sua história resultou ser uma benção disfarçada, porque os salvou da má sorte que tiveram os judeus da Grécia, onde a maioria deles foram assassinados pelos nazistas.

Porém, apesar da conversão dos Donmeh ao islamismo e o transcurso de mais de 300 anos, ainda são vistos com receio pelos muçulmanos turcos, e são alvos frequentes da imprensa do país, que os acusa de ser parte de uma conspiração sionista internacional.

Assim que não nos surpreende que os Donmeh se encolheram e essencialmente, passaram a clandestinidade, levando, na realidade, uma vida dupla para sobreviver. Mesmo que muitos deles tenham se assimilado na sociedade turca, milhares ainda vivem em cidades importantes como Istambul e Esmirna.

Há cerca de dois anos, em uma visita a Istambul, reuni-me com alguns membros da geração mais jovem dos Donmeh, incluindo Ari. Devido ao atual estado das relações diplomáticas turco-israelenses, não posso divulgar detalhes sobre eles para não identificá-los, apenas dizer que todos expressaram uma profunda vontade de retornar ao judaísmo.

Quando os conheci no lobby de um pequeno hotel, Ari, em particular, parecia especialmenete nervoso. Ficava constantemente observando o lugar, a princípio parecia ter medo de ser visto com um judeu de Israel que usava uma kipá.

Contou-me sobre os maus tratos que suportaram os Donmeh nos meios de comunicação turcos, e disse: “Estou cansado de ocultar-me e estou cansado de fingir. Quer ser um judeu, quero voltar ao meu povo”.

Quando o sondei a respeito de seus conhecimentos judaicos, me surpreendeu ver o quanto era versado sobre vários conceitos cabalísticos. E não me refiro a pseudo Cabala praticada por Madonna e outros em Hollywood, mas sim a real Cabala.

Mais tarde, Ari me levou para dar uma volta na cidade, mostrou-me o cemitério Donmeh e outros lugares fundamentais para a vida oculta da comunidade. Com uma evidente sensação de frustração, explicou que a comunidade judaica da Turquia não se aproximava da questão Donmeh, temerosa da reação que isto poderia provocar.

“Estou prisioneiro entre dois mundos”, disse. “Os turcos me veem como um judeu, porém os judeus não me aceitam”.

Porém, tudo isso mudou há algumas semanas, quando Ari deu o valente passo de viajar ao Estados Unidos para submeter-se ao retorno ao judaísmo. Depois que os rabinos examinaram seu caso, levando em conta o fato de que seus antepassados haviam se casado exclusivamente entre eles, deram as boas vindas a Ari de volta ao seu povo.

Falando comigo pouco depois, Ari não pode conter suas emoções: “É um milagre, agora sou um judeu ‘oficial’, depois de todos estes anos!” No sábado seguinte, foi honrado numa sinagoga em Nova Yorque com a mitzvá de carrager a Torá diante da congregação. Abraçou o Sefer com força e amorosamente em seus braços, carregando-o como a um bebe recém nascido, enquanto lágrimas de alegria e alívio corriam por sua face.

Ari não é o único. Existem muitos outros jovens Donmeh que também tentam encontrar seu caminho de regersso, e o povo judeu tem que ajudá-los. Independentemente dos erros que seus antepassados tenham cometido, os Donmeh de hoje se agarraram a sua herança judaica e a mantiveram viva. Àqueles que desejam recuperar suas raízes temos o dever de possibilitar que o façam.

Bem vindo novamente ao nosso povo, Ari, e que teu retorno abra o caminho para outros Donmeh.

O Povo e a Terra – Um Mistério Divino

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Lech Lechá

 

Quando Abraão, o patriarca maior de todos os judeus, recebeu seu chamado Divino, o primeiro comando foi sair de onde estava e o segundo ir para a terra que o Eterno lhe mostraria. Inevitavelmente, a cada geração dos seus descendentes, esta mesma voz ecoa: “Sai e vai, sai e vai, sai e vai !”

Parece que há sempre uma diáspora e, ao mesmo tempo, uma constante necessidade de retorno para um lugar já antes escolhido e estabelecido por D’us.

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