Por que sou eu?

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Toldot

Rabino Hanan Porat
Rabino Hanan Porat

Este comentário é extraído dos escritos de um “gigante” moderno, o Rabino Hanan Porat, de abençoada memória, em suas publicações “Meat Min Haor” (Pouco da Luz).

As quatro mulheres que construíram o Povo de Israel, Sarah, Rivká, Raquel e Lea, foram certamente “mulheres corajosas”, no sentido mais profundo da palavra. Mas parece que, dentre todas, especialmente a segunda, Rivká, se destaca por seus esforços para construir o Povo.

Sua personalidade dinâmica reflete desde sua juventude, tanto na sua virtude benfeitora ao dar de beber aos dez camelos sedentos e cansados de uma viagem de mais de 650 quilômetros através do deserto, como também na resposta decidida ao pai, quando a pergunta de maneira capciosa (Gênesis 25:58):

“Você irá com este homem?” E ela responde: “Eu vou!”

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A Visita dos Anjos

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Comentários sobre a Porção Semanal da Torá – Vayerá

 

Quando Abraham, sentado na entrada de sua tenda, esperava visitantes para poder, desta maneira, cumprir a mitzvah de Guemilat Chesed, apareceram três indivíduos. Abraham correu para acolhê-los e entretê-los da forma mais hospitaleira. Estes “visitantes” eram, na verdade, Malachim (anjos) enviados por D’us para realizar missões especiais neste mundo. Um deles disse a Abraham que, dentro um ano, sua esposa Sarah teria um filho. Sarah, que já tinha quase 90 anos na época, riu ao ouvir a surpreendente notícia. Foi então, repreendida por D’us por esta pequena demonstração de dúvida. Ela devia ter acreditado completamente na promessa de D’us. Por que foi tão difícil de acreditar? Existe algo que Ele não possa fazer? Antes de se retirarem, um segundo Malach cumpriu sua missão, curando Abraham do desconforto causado pela circuncisão.

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O Assassinato de uma Sonhadora

Karen-Yemima-Mosquera-terror-victim-10.2014-300x300Um terrorista árabe assassinou a Karen Yemima Mosquera, uma convertida proveniente do Equador, mas não conseguiu destruir todos os seus sonhos.

Por Sara Yoheved Rigler

Karen Mosquera, que nasceu em uma família cristã, no Equador, tinha 17 anos quando sua pesquisa genealógica revelou que o lado de sua mãe era descendente de “conversos”, judeus espanhóis que haviam se convertido ao cristianismo no século XV, durante a Inquisição.

“Ela nunca aceitou os ensinamentos da igreja”, diz Yael Barros, uma brasileira, a melhor amiga de Karen no programa de estudos judaicos da Cidade Velha de Jerusalém. Yael está sentada em seu quarto, ao lado da cama que costumava ser de Karen, até ser assassinada em um ataque terrorista em uma das estações de trem em Jerusalém. Um terrorista árabe acelerou com seu carro em alta velocidade em direção a uma multidão de pedestres, matando um bebê de três meses de idade e ferindo gravemente Karen de 22 anos de idade.

downloadEla lutou contra o anjo da morte por quatro dias.

“Qualquer outra pessoa teria morrido com o impacto”, atesta Sabrina, uma prima de Karen que a viu com seus terríveis ferimentos na UTI do hospital. “Mas Karen Yemima esteve extremamente determinada. Ela lutou contra o anjo da morte por quatro dias”. No domingo 26 de outubro, Karen sucumbiu aos ferimentos, e naquela mesma noite foi enterrada no Monte das Oliveiras.

“Karen Yemima não sentia que os ensinamentos da Igreja eram verdadeiros”, diz a amiga Yael. “Ela me disse que quando começou a estudar a Torá e as Mitsvot, tudo começou a fazer sentido para ela. E estava muito feliz por poder estudar a Torá, como nunca esteve antes em sua vida.”

Converter-se ao judaísmo no Equador é um processo extremamente árduo. Não há tribunais de conversão e há muito poucos de estudos judaicos, especialmente em sua cidade natal, Guayaquil. Mas Karen sempre sonhou em ir para Israel.

Como era uma jovem muito inteligente, aos 18 anos, recebeu uma bolsa de estudos integral para a Universidade de Guayaquil, e, embora passasse o dia estudando psicologia, ela permanecia acordada durante a maior parte da noite estudando o Judaísmo, pela Internet. Através de uma amiga judia, Karen conheceu, on-line, o Rabino israelense, Gabriel Geiber, que também falava espanhol. Profundamente impressionado com o interesse intenso que Karen possuía, o Rabino Geiber começou a lhe ensinar através do computador. Karen começou a cumprir as Mitsvot, rezar as orações judaicas, fazer as bênçãos sobre os alimentos e vestir-se modestamente.

Sua mãe e sua irmã mais nova seguiram o exemplo. Como muitos descendentes de cristãos-novos, a mãe de Karen, Cecilia Rosa, observava alguns costumes que só mais tarde descobriu que eram judaicos. Por exemplo, Cecilia Rosa cobriu os espelhos da casa, quando um familiar faleceu, e de acordo com um antigo costume sefardita, quando cortava as unhas ou o cabelo, os queimava ao invés de descartá-los no lixo.

Às vezes, Cecilia Rosa acordava no meio da noite e Karen estava estudando Torá. Em uma ocasião ela a ouviu rogando a D’us: “Leve-me para Israel! Este é o meu país! É aí que eu vou me casar e ter filhos, e é aí que eu vou morrer e ser enterrada”.

Há cerca de um ano e meio, Cecilia Rosa sonhou duas vezes que sua filha Karen viajava para Israel. Em seus sonhos, ela viu um avião com a palavra “Israel” estampado na lateral e Karen puxando uma mala de rodinhas em direção ao avião. Com grande emoção, contou a Karen sobre seu sonho e acrescentou: “Eu quero lhe comprar roupas recatadas o suficiente para você usar em Israel.”

Esse foi o estímulo que Karen precisava. Apesar de estar inscrita em seu terceiro ano da faculdade, Karen disse: “Mãe, eu estou indo agora cancelar minha inscrição na faculdade e viajar para Israel.” Logo depois conseguiu chegar em Jerusalém, aonde o Rav Geiber conseguiu um alojamento e a oportunidade de ela estudar na instituição Machon Roni, localizada na Cidade Velha de Jerusalém. Como sua melhor amiga Yael lembra com admiração: “Ela era tão corajosa. Deixou tudo, sua família, seus estudos e chegou, sozinha, até aqui”.

Yemima-MosqueraAs portas do céu estão abertas

Durante um ano, Karen estudou o Judaísmo enquanto trabalhava limpando casas. Dessa forma pode economizar dinheiro para trazer sua família para Israel, que era outro de seus sonhos. E, de fato, sua família realmente viajou para Israel, mas em uma viagem que não seria paga pela poupança de Karen, mas pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel, que ajuda as famílias das vítimas do terrorismo a estarem presentes no funeral de seus entes queridos.

Cinco meses atrás, Karen se converteu, oficialmente, ao judaísmo, adotando o nome hebraico de, Yemima. Como Yael explica: “Quando uma pessoa entra no Mikve, as portas do céu se abrem. Karen Yemima naquele dia voltou tão animada ao quarto, ‘Agora eu posso pedir o que quiser! As portas do céu estão abertas!’. Era uma jovem tão alegre.”

Naquele dia, Karen Yemima publicou, orgulhosa, em sua página do Facebook: “Obrigado Hashem pelo dia em que vim para Israel! Pude ver um dos meus sonhos se tornar realidade. E eu espero estar aqui por muito tempo. Espero que minha família possa compartilhar comigo essa nova vida. Obrigado Hashem por nunca me deixar sozinha e seguir me dando forças a cada dia”.

“Karen Yemima era um exemplo para as outras meninas”, atesta Yael. Lembra de um dia em que o de estudantes caminhava junto pelo centro de Jerusalém. Tinhamos comprado sucos para tomar e enquanto corriamos para pegar o ônibus, as outras meninas murmuraram a bênção sobre o suco, antes de beber. Karen Yemima foi a única que parou no meio da calçada, fechou os olhos e deu graças a D’us com dedicação integral.”

Quando Karen Yemima e Yael tinham uma tarde livre, geralmente davam um passeio pela Cidade Velha de Jerusalém em direção ao Monte Sião. Lá elas se sentavam e observavam a paisagem: o antigo cemitério judeu no Monte das Oliveiras, onde estão enterrados inúmeros sábios judeus. Um dia, Karen Yemima exclamou: “Yael, quero morar aqui, casar aqui, ter meus filhos aqui. E eu quero morrer aqui. E eu sei que é impossível, mas podemos sonhar, certo? Meu sonho é ser enterrada no Monte das Oliveiras, porque quando o Messias vier, eu vou ser a primeiro a levantar-se para ir ao Templo Sagrado. Você pode imaginar o que seria isso?”.

Na quarta-feira 22 de outubro, Karen Yemima terminou seu serviço em uma casa e dirigia-se a uma aula de Torá. Ela desceu do trem na estação de trem de Givat HaTachmoshet e, inesperadamente, Abdel-Rahman Shaloudi, 21, que recentemente havia deixado uma prisão israelense onde havia cumprido pena por acusações de terrorismo, lançou seu carro contra uma multidão de passageiros do trem. Atropelou Karen Yemima, deixando-a gravemente ferida, matou um bebê de três meses e feriu muitas pessoas.

O terrorista destruiu o sonho de Karen Yemima de se casar e ter filhos, mas lamentavelmente seu sonho de morrer em Israel e ser enterrada no Monte das Oliveiras se tornou realidade nesta semana.

Retirado e traduzido do site Aishlatino.com

O oitavo dos dez testes de Abraham: o Brit Milá – Circuncisão

Comentário sobre a Porção Semanal de Lech Lechá

 

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Quando Abrão tinha noventa e nove anos, foi ordenado a se circuncisar. Ele recebeu esta Mitzvá antes do nascimento de Yitzchak, pois D’us queria que Yitzchak nascesse sagrado.

D’us então diz a Abrão: “Enquanto você não está circuncidado, você está imperfeito. Ao realizar o Brit Milá você obterá um novo grau de santidade e então estará acima das leis da natureza. Durante vinte gerações Eu Esperei para que você se circuncisasse, caso você se recuse, devolverei o mundo ao nada.”
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Naomi Orkisa – de uma fazenda de cogumelos à um consultório odontológico

Durante o dia, ela trabalha em uma fazenda de cogumelos em uma colina nos arredores de Jerusalém. À noite, ela sonha com uma nova carreira: uma profissão em que não precise se inclinar tanto, como o faz nos campos.

Naomi Orkisa é uma das jovens e ambiciosas mulheres das quais a Shavei Israel está ajudando com os estudos no programa para auxiliares de consultório dentário e higienistas da escola odontológica do Hospital Hadassah. Naomi pertence a comunidade Bnei Moshe, uma pequena comunidade no Peru, fundada por dois irmãos católicos da cidade de Cajamarca, que, após terem lido e estudado a Torá, decidiram, em 1958, abraçar o judaísmo. A maioria da comunidade Bnei Moshe, desde então, se converteu ao judaísmo sob os auspícios do Rabinato Chefe de Israel e muitos, se mudaram para Israel.

Naomi cresceu em um lar muito pobre no Peru. A família fez o seu melhor para enfrentar às despesas através da venda de água – posuíam um poço no jardim e, já que não havia encanamento na área em que viviam, a água era uma mercadoria valiosa.

Desde que imigrou para Israel com sua família em 2004, Naomi, agora com 30 anos, tem sido responsável por cuidar de seus pais idosos, enquanto que, ao mesmo tempo, cuida de seu próprio filho. Agora que seu filho tem idade suficiente para ir para a escola, Naomi finalmente tem a oportunidade de melhorar a sua situação: tornar-se uma assistente dentária é um bilhete para fora da pobreza que a tem acompanhado por toda sua vida.

Mas dedicar tempo para assistir às aulas e estudar deixa muito menos tempo para se dedicar ao seu trabalho na fazenda de cogumelos. Isso significa uma queda significativa em seu salário (que chega a até 70%). E portanto nós da Shavei nos oferecemos para ajudá-la.

Temos corrido atrás de doadores que têm nos ajudado a realizar o sonho de Naomi e outras mulheres que também têm buscado uma vida mulher dentro de seu povo e habitando a Terra de Israel.

Esperamos conseguir continuar ajudando a estas fortes guerreiras a realizar seus sonhos!

O Arco-íris e os cuidados com o Brit (Pacto)

noajTrecho retirado do livro “Anatomia da Alma”

O arco-íris, como pacto, é outro símbolo que se refere ao cuidado com o Brit. Como vimos, a Torá nos reflete a história da humanidade. Ao analisar a história de Noé e o Dilúvio, podemos ver como esta reflete a batalha contra a imoralidade universal (Gênesis 6-9).

As almas da geração do Dilúvio estiveram imersas em imoralidade. Praticavam adultério, homossexualidade, masturbação e bestialidade (Bereshit Rabah 6:5). O constante menosprezo do sêmen sagrado invocou julgamentos espirituais terríveis, até o ponto em que a humanidade teve que ser eliminada.

A punição desta geração foi “de acordo com seu crime”. O principal pecado da geração do Dilúvio foi a emissão do sêmen em vão. O Talmud diz que aquele que emite sêmen em vão é considerado como se estivesse trazendo o dilúvio ao mundo (Nida 13a). Podemos entender isso melhor quando constatamos o fato de que uma única descarga de sêmen contém várias centenas de milhões de espermatozóides, dos quais, cada um e um, com o potencial de fertilizar o óvulo feminino e assim, gerar vida! Esta semente está “viva” e possue o poder de gerar vida, de modo que qualquer emissão em vão é, na verdade, um desperdício de vida – assim como um dilúvio que gera (D’us nos livre) perda de vidas.

Noé foi o único homem daquela geração considerado digno de ser salvo do dilúvio que D’us trouxe ao mundo. Foi a única figura bíblica entitulada de Tzadik. Porque o Tzadik é alguém que mantém sua aliança, e Noé, foi o único que cuidou de seu Brit, de sua aliança, numa geração imoral.

Para escapar do dilúvio, Noé teve que construir uma arca para proteger a si e sua família, juntamente com, pelo menos, dois animais de cada espécie. Rebe Nachman ensina que a palavra hebraica para “arca” é teivah, que também pode ser traduzido como “palavra”. A “palavra” era, na verdade, a oração de Noé. Essencialmente, foi a “palavra” da oração, a maneira mais sagrada e eficaz de usar a fala humana, que protegeu os que estavam na Arca do dilúvio destrutivo (Likutey Moharan I, 14:10).

Vemos então que a única opção de salvação que teve Noé, como Tzadik desta geração, foi dirigir suas orações a D’us. O Tzadik, como vimos, é assim chamado porque mantém sua aliança. Isto permite que a pessoa se conecte com a “Malchut” (reinado), que representa o poder da fala, e, assim, fortalecer a oração e direcioná-la da maneira mais adequada. Foi através de suas orações que Noé foi capaz de se salvar da destruição do Dilúvio. Como Tzadik, soube fortalecer suas orações para também pode salvar sua família.

Ao sair da arca, depois do dilúvio, Noé foi dominado pela visão da destruição do mundo. Pediu, então, a D’us que “prometesse” nunca mais trazer o dilúvio sobre a terra. Como prova desta promessa, D’us criou para Noé o sinal do arco-íris que serviria como um lembrete deste pacto.

Quando D’us cria esta aliança, Ele o faz esperando que, em troca de sua proteção, o homem cumpra com sua parte e respeite a moralidade humana. Mas logo em seguida, Cham, o filho mais novo de Noé, comente uma tremenda transgressão sexual. E então, Noé o amaldiçoou duramente, dizendo: (Gênesis 9:18-29), “Um escravo será”.

Cham, o filho de Noé, transgrediu o pacto através da mesma força que tinha lhe permitido sobreviver, por mérito de seu pai – o Brit. Cham é também a palavra hebraica para “Quente”, indicando o “sangue quente da luxúria” que arrasta as pessoas (Tikuney Zohar 18, 37a). Por causa deste “calor” selvagem da transgressão e por haver se tornado um escravo de seus desejos, Cham foi amaldiçoado com a escravidão. E este é o destino que espera aquele que não controla sua luxúria.

Trazendo esses conceitos para uma aplicação mais prática, o Rebe Nachman ensina que o Brit de Noé e o Brit de Abraham têm muito em comum: o arco-íris, que simboliza o Brit de D’us com Noé, é chamado de keshet, que também é traduzido como “Arco”. O Pacto de Abraham também é chamado de Keshet HaBrit, a “Arca da Aliança”; e faz alusão ao Britquando este é usado com pureza. O órgão no qual está o Brit é visto como um arco e o sêmen, como a flecha (Zohar III, 272a; Likutey Moharan I, 29: 6). Ao cuidar do Brit, se obtêm o poder de uma oração eficaz; ao corrigir este Brit, a pessoa pode-se tornar um “arqueiro”, atingindo precisamente o “alvo” com suas orações, da maneira mais eficaz (Likutey Moharan II, 83:1).

A oração é afetada pelo Brit pois Zeir Anpin corresponde a voz e a Malchut (Zohar II, 230b). Yesod, que é uma manifestação de Zeir Anpin representa o Brit, que a Malchut recebe do Yesod. Portanto, todo aquele que guardo o Brit, retifica sua voz e dá o poder a fala, a oração. Por outro lado, aquele que degrada seu Brit danifica sua voz, perdendo o sentido da oração. Sendo assim, prejudicando o Brit se diminue o poder da oração (Likutey Moharan I, 27 6; ibid II, 1:10).

Isso também alude ao fato de que a traqueia é suportada por seis anéis de cartilagem. Yesod é a sexta Sefirah de Zeir Anpin. Assim, através da degradação do Yesod, o “sexto” aspecto de Zeir Anpin, a voz, é danificado.

Vimos que o sêmen provem de todo o corpo. Rebe Nachman ensina que aquele que guarda a aliança será merecedor de sentir em todo o seu corpo, a doçura de suas orações. Todos os seus ossos sentirão essa doçura, como cantou o Rei Davi (Salmos 35:10), “Todos os meus ossos dirão: ‘Oh Deus, quem é como tu’ ‘”. E assim, suas orações serão como flechas atingindo o alvo com precisão, justiça e verdade (Likutey Moharan I, 50: 1).

Abraham Sutton, Chaim Krame