O Que é um Milagre?

Comentários sobre a Porção Semanal de Beshalach

Desde os tempos remotos, as histórias sobre os milagres despertam grande interesse. Em nossa parashá ocorrem dois dos milagres mais interessantes e conhecidos: a separação das águas do Mar Vermelho e a provisão do “maná” (comida que D-us fez chover diariamente ao povo de Israel durante os quarenta anos que permaneceram no deserto).

O primeiro milagre, o da abertura do Mar Vermelho, foi um milagre momentâneo e único; D-us converteu o mar em terra seca para que o povo Judeu pudesse atravessá-lo e salvar-se da ameaça egípcia.

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O Fracasso Histórico dos Primogênitos

Comentários sobre a Porção Semanal de Toldot

“Certa vez, Yaacov havia cozido um guisado e Esav veio do campo, e ele estava cansado. E Esav disse a Yaacov: ‘Enche minha boca, rogo-te, dessa coisa vermelha, pois estou cansado’… E Yaacov disse: ‘Vende, tão claro como o dia, tua primogenitura para mim’. E Esav disse: ‘Eis que caminho para a morte; de que me servirá a primogenitura’? E Yaacov disse: ‘Então jura-me, de forma clara como o dia’. E jurou-lhe, e vendeu sua primogenitura a Yaacov. E Yaacov deu a Esav pão e o cozido de lentilhas; e ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi; e Esav desprezou a primogenitura”.

(Gênesis 25, 29-34)

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O Dilema Moral e a Experiência Religiosa

Comentário sobre a Porção Semanal Vaierá

“Depois destes acontecimentos, D-us submeteu Abrahão a um teste. E disse-lhe: ‘Abrahão!’ E disse: ‘Eis-me aqui’. E disse: ‘Toma, rogo, teu filho, teu único, a quem amas, a Itzchak, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali como oferta de elevação, sobre um dos montes que te direi”.

(Gênesis 22, 1-2)

 

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O Homem e a Fé no Mundo Moderno

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Itrô

 

Nesta parashá nos encontramos pela primeira vez com os Dez Mandamentos. Dez Mandamentos que foram entregues ao povo de Israel como parte de seus preceitos morais e religiosos. O primeiro dos Dez Mandamentos afirma que o conhecimento de D-us é simultâneo a negação dos ídolos.

D-us “se apresenta” neste primeiro mandamento diante do povo de Israel ensinando o preceito da fé no Criador. Sua apresentação é clara e concisa: “Eu sou teu D-us… que te tirei da terra do Egito…”. D-us se apresenta como o D-us da história, um D-us que é consciente do que acontece com seu povo e não está alheio a sua situação.

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Por que Israel ignora os judeus da China?

A mais importante competição esportiva do mundo, terá início em poucas semanas, mas Israel já está cometendo um erro olímpico.

Os próximos Jogos Olímpicos que acontecerão no verão de 2008 na China, brindarão novamente ao Estado Judeu a oportunidade de destacar-se no cenário mundial.

Como de costume a delegação participará da cerimônia de abertura, marchando orgulhosamente no Estádio Nacional de Beijing agitando a bandeira azul e branca diante de todo o público presente. Este, é sem dúvida, um momento que definitivamente chama a atenção e toca o coração de todos os judeus do mundo.

Este ano, terá também um outro propósito, de demonstrar a muitos cidadãos chineses que ainda não se interaram, o quanto vem melhorando as relações entre Beijing e Jerusalém desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1992.

Porém, diferentemente de outros anos em que Israel e seus atletas aproveitavam os Jogos Olímpicos para demonstrar as comunidades locais sua solidariedade e irmandade, nenhum gesto como esse está na pauta para os próximos jogos. Infelizmente, Israel está dando as costas para os judeus chineses.

Sim, você está lendo corretamente. Existem de fato judeus na China, herdeiros de um antigo e valioso patrimônio que data de mais de 1000 anos. Os primeiros judeus, acredita-se que se afirmaram na capital da China Imperial, Kaifeng, ao longo da praia do rio Amarelo, durante a Dinastia Song.

Durante dois séculos, os chineses deram aos seus judeus uma confortável estadia, livre de perseguições, característica marcante em distintas comunidades judaicas da diáspora.

Em 1163, os judeus de Kaifeng construíram uma belíssima sinagoga, que foi conseqüentemente renovada e reconstruída numerosas vezes. Em seu apogeu, durante a Dinastia Ming (1364-1644), os judeus de Kaifeng eram em torno de 5000 pessoas.

No entanto, por volta de 1800, uma grande onda de assimilação e matrimônios mistos apagaram todos os vestígios de judaísmo na China. Após o falecimento do último rabino da comunidade, durante a primeira metade do século XIX, o judaísmo de Kaifeng praticamente desapareceu.

Mas esse não é o final da história. Contrariando todas as probabilidades, os judeus de Kaifeng conseguiram preservar sua identidade judaica, transmitindo o pouco que sabiam aos seus descendentes.

Hoje em dia, ainda existem centenas de pessoas na cidade, que podem ser claramente identificadas como descendentes da comunidade judaica. Entretanto, a política do governo israelense ao longo dos anos tem sido essencialmente ignorar os descendentes de judeus de Kaifeng, receando que o governo chinês não veja de forma positiva tal contato.
Por não ser um grupo oficialmente reconhecido como minoria na sociedade multicultural da China, e por não ser, o judaísmo, a religião oficial do país, a questão específica sobre o status dos judeus de Kaifeng é uma pergunta sensível para Beijing. Devido também as emergentes relações econômicas, culturais e turísticas entre ambas nações, Israel prefere não ingressar no delicado assunto.

Conseqüentemente, a Embaixada de Israel em Beijing não mantêm relações com a comunidade de Kaifeng, nem faz nenhum esforço para contatá-los. Representantes da comunidade não são convidados para participar do ato anual em celebração ao Iom Haatzmaut nem a nenhuma outra das atividades da Embaixada.

Apesar da existência de vários programas educacionais de intercâmbio entre China e Israel, o governo israelense não vem realizando nenhum esforço para permitir que a comunidade judaica de Kaifeng possa participar dos mesmos.

De fato, muitos membros da comunidade, comentaram-me recentemente , que não lembram quando foi a última vez que tiveram contato com alguém de Israel.

Este triste desenvolvimento dos fatos, pode e deve ser corrigido. Israel não tem razão nenhuma para virar-lhes as costas. Muitos desses judeus de Kaifeng, estão realmente interessados em aprender mais acerca de sua herança e cultura.

China sempre tratou seus judeus de forma amável e cortez, e não existe razão alguma para acreditarmos que as coisas mudaram. Israel pode e deve estender a mão aos judeus chineses, ao mesmo tempo que supostamente estará respeitando as sensibilidades do governo chinês. A atmosfera internacional que provêem os Jogos Olímpicos, é uma excelente oportunidade para que Israel realize este significativo passo em conjunto com o governo da China.

No passado, os Jogos Olímpicos serviram como momento de reunião. Em 2000, nos jogos de verão de Sydnei na Austrália, Israel e os atletas locais participaram de uma série de eventos organizados pela comunidade judaica local. Eventos tais como, alojamento dos atletas em Shabat e a gravação de uma placa em recordação dos atletas judeus que foram assassinados durante os Jogos de Munique em 1972.

Similarmente, em 2002, nos jogos de inverno na cidade de Salt Lake, Utah, Israel e os atletas judeus participaram de duas recepções oficiais organizadas pelos judeus de Utah.

Por que os representantes israelenses não podem realizar gestos similares, durante os próximos jogos, com os remanescentes dos judeus de Kaifeng? Os judeus chineses podem ser uma importante ponte cultural entre os dois países, fortalecendo nosso sentido de passado dividido e futuro em comum.

Os judeus de Kaifeng representam a união viva de ambas civilizações, e sua contínua existência não é apenas um testemunho do poder da memória do judaísmo, senão também dos laços de amizade que tem existido entre China e o povo judeu por mais de 1000 anos. É chagada a hora de Israel deixar de ignorá-los.

Esperamos, que nos Jogos Olímpicos do mês que vem, os atletas israelenses ganhem e tragam para casa inúmeras medalhas, honrando a si mesmos e a todos nós. Porém creio que não haveria uma honra maior para eles, se renovassem os laços entre o Estado de Israel e os judeus de Kaifeng.

 

Um judeu encontra bondade na Polônia

As vezes, uma viagem ao passado nos brinda uma melhor compreensão do futuro.

Em recente viagem pelos intermináveis caminhos de campos verdes e montanhas arborizadas do sudeste da Polônia, foi fácil deixar-se levar pelo belo cenário.

Os belíssimos campos repletos de paisagens viva e de uma linda brisa nos dizem que a primavera ainda não chegou por essa tão fértil e frondosa terra.

Porém, logo impulsivamente, chega o inevitável, quando a memória do acontecido há algum tempo, rapidamente parece captar a impressionante paisagem.

A caminho de Kanczuga , uma pequena aldeia entre Rzeszow y Przemysl, onde vivem cerca de 3000 pessoas programei uma pequena parada. É um pequeno ponto no mapa, porém um importante lugar na história de minha família.

Antes do Holocausto, aproximadamente 40% da população de Kanczuga era judaica, e tem quem opine que este percentual era ainda maior. Até o dia de hoje, o símbolo oficial da municipalidade tem uma estrela de David no centro, como se fosse um reconhecimento oficial sobre o rol que tiveram os judeus na vida comunitária do município, ao longo dos séculos.

Entretanto, nada ficou visível que possa relatar acerca do passado, a não ser a memória.

Em 1942, os judeus de Kanczuga foram rodeados pela polícia nazista e polonesa. Depois de serem agrupados na Grande Sinagoga, foram levados ao alto da colina onde ficava o cemitério judaico e foram sistematicamente assassinados. A população local, celebrou o fato com um piquenique e um brinde em honra aos policiais, quando os assassinos começaram a disparar.

Toda a vitalidade e o verde que me rodeava, desapareceram repentinamente, enquanto pensava sobre o que havia ocorrido com meus familiares.

Utilizando um mapa e informações que recolhi na internet, localizei um pequeno edifício que em algum momento serviu de sinagoga. Ali dentro, 7 ou 8 operários poloneses trabalhavam na demolição da estrutura interna do lugar que seria transformado num ponto comercial. Pilhas de escombros estavam espalhados por toda a área e grandes buracos no teto faziam visíveis as paredes originais de ladrilho da casa de oração.

Enquanto caminhava pela desordem, não pude deixar de observar os olhos exclamativos dos operários me observando, olhavam para a kipá em minha cabeça e depois olhavam para mim novamente. Sem me preocupar, continuei caminhando pela obra tirando fotos e recitando uma oração, capítulos dos salmos, e me perguntei se este era verdadeiramente o lugar onde meus ancestrais entregaram seus corações ao criador.

Bastante emocionado, senti a necessidade de contar aos operários o que foi este lugar naquela época. Por alguma estranha razão, queria que eles soubessem que este lugar foi um recinto sagrado.

Um dos homens parecia falar um pouco de inglês, e eu tentei explicar-lhe que neste prédio funcionava uma sinagoga antes da guerra, e que minha família vivia nesta região. Ele sorriu um pouco incomodado, antes de ir-se, e me fez pensar que motivo eu teria para me preocupar em dizer-lhe o que disse.

Porém, após alguns minutos, quando me preparava para ir embora, esse mesmo trabalhador aproximou-se de mim pelas costas e bateu no meu ombro. Virei-me, sem estar seguro do que me esperava, ele me entregou umas folhas amarelas, rasgadas e empoeiradas.

Imediatamente, reconheci o texto em hebraico, e não estava acreditando no que tinha em minhas mãos, eram páginas de um Sidur (livro de orações judaicas), que estavam jogadas por mais de sessenta anos. Comecei a tremer só de pensar o que havia acontecido ao último judeu que esteve com aquele Sidur em suas mãos, durante a terrível época dos assassinatos realizados pelos nazistas.

Homens adultos não deveriam chorar, e principalmente na frente de outros. Porém não pude evitar e as lágrimas começaram a fluir. Os operários me rodearam, e mostraram as paredes e o teto, indicando que haviam encontrado estas folhas quando demoliam o edifício internamente.

Enquanto um me dava uns tapinhas nas costas tentando me consolar, os outros foram ao outro quarto. Não demorou muito, e um a um, retornavam trazendo montantes de folhas em hebraico. Sessões do Talmud, páginas da Mishné Torá de Maimônides, porções do Pentateuco e de serviços das grandes festas. Relíquias do judaísmo de Kanczuga, mas que agora estavam reduzidas a simples fragmentos escondidos entre as ruínas.

Um dos operários foi buscar mais e mais folhas, as quais eu as trouxe para serem enterradas numa guenizá como manda a tradição.

Os homens não pediram nada em troca, e quando chegou o momento de ir-me, nos demos as mãos. O capataz, prometeu juntar todas as páginas adicionais que fossem encontradas para que me fossem enviadas através de um contato local.

Nessa mesma tarde, após assistir a uma cerimônia de reinauguração do cemitério judaico local, me sentei com o prefeito de Kanczuga, Jacek Solek, em seu escritório.

No último ano, por iniciativa própria e com os recursos da própria municipalidade, Solek construiu um memorial aos judeus de Kanczuga no lugar da cova em comum, onde foram enterrados os judeus assassinados pelos nazistas e seus seguidores.

Quando contei ao prefeito sobre minha visita a sinagoga, só então percebi que não havia nenhuma placa, nenhum cartaz, nada que indicasse que em determinada época aquele prédio havia sido uma sinagoga.

Assim, sem ponderar muito, pedi-lhe que fizesse algo a respeito, educada porém firmemente me expressando, pois era importante que os residentes soubessem que num passado remoto houve presença judaica naquele lugar. O prefeito prometeu corrigir a situação, assegurando-me que o assunto seria tratado imediatamente. Então finalizamos a conversa.

Em menos de 24 horas depois, quando já me encontrava em Israel, recebi notícias da Polônia que relatavam que na última reunião da prefeitura de Kanczuga naquela mesma manhã, o prefeito recebeu aprovação para colocar um anúncio na sinagoga.

Quão bom seria se nossos próprios prefeitos em Israel atuassem de forma tão rápida e eficiente no tocante as inquietudes judaicas, pensei. Seguramente, o anti-semitismo é ainda freqüente na Polônia. Notei como muitas pessoas, jovens e adultos, nas cidades e pequenos povoados, apontavam para a kipá em minha cabeça e riam dizendo “xydowski” (judeu em polonês) uns aos outros. E não é difícil de ver pintura anti-semita nas paredes das ruas.

Mas assim mesmo, como fui testemunha em minha recente visita, também existem bons poloneses. Gente que sinceramente se arrependeram do que fizeram aos judeus em sua terra, e que desejam corrigir os erros da melhor forma possível. E pessoas que são verdadeiramente boas e que querem apenas fazer o bem.

Isto, não nos vai fazer esquecer nem por um momento o terrível passado, nem pode ser assim. A memória do Holocausto e as vítimas sempre viverão conosco até o fim dos dias, e não podemos perdoar aqueles que participaram no massacre, seja como executores ou como cúmplices.

Porém, assim como o prefeito e o operário de Kanczuga demonstraram, não devemos perder a oportunidade de criar uma relação com os polacos de bom coração. Fazendo isto, podemos pelo menos, corrigir algumas das injustiças históricas que foram cometidas aos nossos ancestrais, seja através da recuperação de objetos valiosos sentimentalmente ou através da preservação de lugares de interesse e importância para os judeus.

A vontade existe e o desejo também. Não apenas em Kanczuga, mas também em outros lugares como Warsaw, Krakow, Wroclaw e Lodz. Que vergonha seria deixar passar essa oportunidade.