Quirguistão

A história do assentamento judaico no Quirguistão remonta ao século 6 d.e.c, quando, de acordo com o site BukharianJews.com, evidências arqueológicas descobertas pela Academia de Ciência Quirguiz sugerem que os comerciantes judeus Cázaros começaram a visitar o território do Quirguistão.

Na tradição do Quirguistão, o site explica, o termo dzeet (judeu) é encontrado pela primeira vez no poema épico nacional Quirguiz, “Manas”, que remonta ao século 10 d.e.c, e que provavelmente incorpora tradições anteriores. O Manas menciona várias cidades com comunidades judaicas consideráveis, entre elas Samarcanda, Bukhara e Bagdá, assim como vários lugares do Oriente Médio, incluindo Jerusalém, que é descrito no poema como uma “cidade sagrada para os judeus”.

Uma seção inteira do poema é dedicada aos “tempos do Rei Salomão” (Sulaimandyn Tushunda). Várias lendas populares do Quirguistão referem-se a uma alta montanha de 130 metros, perto da cidade de Osh chamada de “trono do Rei Salomão.” Os judeus locais comparavam a montanha ao Monte Sião.

De acordo com a tradição do Quirguistão, Adão é considerado o pai da costura e tecelagem, Noé – da arquitetura e carpintaria, David – da metalurgia, e Abraão – dos barbeiros. Na região de Suzak no Quirguistão, há uma aldeia chamada Safar – possivelmente uma variante de “Sefarad” – pelos judeus de origem sefardita.
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Pathans (Índia)

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Uma hipotética imagem dos Pathans no Muro das Lamentações retirada do site do Dr. Navras Aafreedi

Na aldeia de Malihabad, a 25 quilômetros da cidade indiana de Lucknow, 650 Pathans afirmam ser descendentes da tribo perdida de Efraim, expulsos pelos assírios há mais de 2.000 anos atrás. A história é potencialmente inflamatória: os Pathans – também chamado de Pashtuns ou Afridis – tornarem-se um grande componente do Talibã Afegão, e representam cerca de 15 milhões de pessoas na Índia, Afeganistão, Paquistão e algumas partes do Irã. O grupo é também referido como Bani-Israel.

Existem várias fonte que discutem a história dos Pathans. O Dr. Navras Jaat Aafreedi, Professor Assistente na Universidade Gautam Buddha em Greater Noida e um membro da comunidade, realizou uma pesquisa sobre os Pashtuns indianos e apresenta suas descobertas. Seu extenso blog e seu website oferecem muito mais detalhes, assim como fotos.

Dr. Aafreedi também escreveu sobre os Pathans em um blog que criou, focado na comunidade de Malihabad e sugere as raízes do nome tribal Afridi (nome do qual Aafreedi é derivado).

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A pervertida e o hipócrita

Comentários sobre a Parashá NasoW9831

Povo De Profetas

Normalmente, lemos a parashá de Naso logo após Shavuot. Uma coincidência, é claro, mas estamos acostumados com o fato de haverem poucas coincidências no judaísmo.

Acabamos de comemorar a entrega da Torá, no qual todo o povo em conjunto, especialmente unidos entre si, testemunham algo muito especial. Não é mais um profeta que ouve as palavras de D’us em um evento particular: o povo todo tornou-se um Povo de Profetas, uma vez que todos nós ouvimos. É verdade que nem todos ouviram as mesmas coisas, pois ainda havia diferenças entre aqueles mais preparados e os menos preparados, mas ainda assim tornaram-se profetas.

Este povo deve iniciar agora o caminho à sua terra natal, até a Terra que o Criador jurou a seus pais lhes conceder. A estrada pode ser longa ou curta: eles mesmos decidirão, com o seu comportamento, suas reações, com sua preparação. Continue reading “A pervertida e o hipócrita”

O cuidado pessoal de D’us por cada um de nós

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Yitro

Chegamos a esta parashá com um dos legados mais importantes que o judaísmo deu à humanidade. São apresentados na Parashat Yitro os Dez Mandamentos para o povo de Israel.

Curiosamente, o compêndio conhecido como “dez mandamentos” começa com uma frase completamente estranha para um “mandamento”: “Eu sou o seu D`s”, e nos explica “que te tirei da terra do Egito, da casa de escravidão”. D`s é, dessa forma, apresentado para cada um de nós, semeando a fé e a fidelidade em nossos pensamentos e condutas, antes dos preceitos que nos passaria mais tarde. O estilo em que o Criador se apresenta ao seu povo marca uma diferença essencial entre o judaísmo e a maioria das outras religiões. O D`s que se apresenta neste primeiro mandamento não é uma divindade prescindente, que criou o mundo e recolheu-se a sua realidade transcendental, nem é um D`s cujas atitudes nos lembram as de um homem, vingativo e ansioso pela proeminência. A Torá nos apresenta aqui um D`s pessoal, direto, que acompanha e participa da vida de cada homem. Para Este D’s a Criação é um processo contínuo, que se renova a cada momento e em cada ato se manifesta em uma combinação harmoniosa entre a palavra divina e as ações humanas.

A apresentação do Criador não faz nenhuma menção à criação do céu e da terra, porque os dados não acrescentam em nada para a relação individual de um homem com o seu D`s. O D’s que tirou o povo do Egito, e os redimiu da escravidão, é um D’us participativo, que supervisiona a vida de cada um, que não ignora Sua responsabilidade e se envolve na história.

No final do texto deste comando está a base para o compromisso e a autoridade. Não há doutrina religiosa sem um sistema vertical de regulamentação com origem em sua fé. O D`s que reivindica sua participação na vida do homem individual deixa na mão do homem a decisão de aceitar ou rejeitar a sua realidade. O homem pode aceitar os ensinamentos e as doutrinas que são oferecidas, ou rejeitar, mas deve ser coerente com as suas próprias decisões, uma vez que gozava de liberdade absoluta no momento da escolha. D`s requer um compromisso absoluto de nós, baseado exclusivamente no exercício responsável de nossa liberdade de escolha!

Uma tribo perdida que não é mais perdida

Em 24 de dezembro, enquanto a companhia aérea Uzbekistan Airways descia sobre Tel Aviv, mais de 50 pares de olhos olhavam para fora das janelas do avião, ansiosos para ter um vislumbre de sua nova casa.

Por mais de 27 séculos, seus ancestrais perambularam no exílio, sonhando com o dia que, apesar das probabilidades, poderiam voltar. E agora, essa ambição tão antiga se tornou realidade quando, 53 novos imigrantes da comunidade de Bnei Menashe do nordeste da Índia, chegou ao aeroporto Ben Gurion.

“Quem disse que nós não vivemos em uma época de milagres?” Os Bnei Menashe são descendentes da tribo de Menashe, uma das dez tribos perdidas de Israel que foram exilados pelo império assírio em 722 a.e.c. Apesar de terem sido excluídos do povo judeu por muitos séculos, os Bnei Menashe permaneceram fiéis à sua herança, teimosamente agarrados à fé de seus antepassados. Eles observaram o Shabat e mantiveram a alimentação kosher, realizaram as festividades, praticaram os rituais de sacrifícios e até discutiram bastante entre eles assim como os judeus têm feito desde tempos longínquos.

Na verdade, os Bnei Menashe nunca esqueceram quem eram e de onde vieram, e seus sonhos de retornar.

Esta lealdade está sendo recompensada neste momento quando, a odisseia extraordinária termina e eles voltam para a terra de seus ancestrais, a terra de Israel. Continue reading “Uma tribo perdida que não é mais perdida”

Os judeus de Kaifeng – uma entrevista com Michael Freund

05/12/2012

Judeu de Kaifeng no Kotel Hamaaravi em JerusalémEsta nova era da internet e do YouTube, diversas vezes traz itens interessantes que nos chamam a atenção, muitos dos quais nos deixam querendo saber mais sobre o assunto. E assim foi para mim, depois de assistir a um vídeo sobre a chegada de sete jovens judeus de Kaifeng, China, que retornaram para a terra natal de seus ancestrais, Israel. Eles foram calorosamente recebidos no Aeroporto Ben-Gurion por quatro mulheres de Kaifeng, que já tinham vindo para Israel em 2006 com o objetivo de viver como judeus na terra de seus antepassados.

Meu desejo de saber mais sobre os judeus de Kaifeng me colocou em contato com a organização Shavei Israel e com seu fundador e diretor, Michael Freund.

Michael fez aliá para Israel em 1995 e atuou como Vice-Diretor de Comunicação e Planejamento Político no Gabinete do então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Foi quando uma carta sincera chegou a sua mesa de um dos Bnei Menashe, na Índia, que afirmava ser descendente de uma tribo perdida de Israel, e isso o colocou em contato com os membros de sua comunidade. Ele sentiu a sinceridade e o desejo de fazer parte de Israel vindo daquela comunidade, e isso o levou para a pesquisa que incutiu nele uma determinação. Ajudar não só os Bnei Menashe, mas também muitos outros que possuem ramificações genéticas do povo judeu nos distintos lugares que chegaram como resultado de nossa turbulenta história.

Michael dedicou-se a um novo caminho na vida, e se jogou na estrada em 1999, para fazer contato e aprender mais sobre, essa parte perdida do povo. Queria também saber se poderia ajudá-los a redescobrir as raízes e a encontrar seus caminhos de volta para a Terra de Israel. Assim a Shavei Israel foi criada e, sua ampla agenda, trouxe Michael para Kaifeng.
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Nos passos do exército czarista

Finlândia

Sinagoga em Helsinque

 

Os Cantonistas que vieram para a terra das renas, decidiram ficar e estabelecer uma comunidade judaica, que existe até hoje. Na Segunda Guerra Mundial, lutaram ao lado dos nazistas contra os Aliados.

A história da comunidade judaica na Finlândia, a comunidade mais ao norte da Europa, é emocionante – apesar de ser uma das comunidades mais jovens e menores no continente.

Quando você quer conhecer uma comunidade judaica na Diáspora e compreender a sua natureza, uma das questões-chave é, quais são as raízes dos primeiros judeus que se instalaram lá. Não é o mesmo, uma comunidade de judeus que se estabeleceram após a destruição do Segundo Templo com a de judeus que vieram com expulsão da Espanha, e com uma comunidade que começa com sobreviventes do Holocausto. Não é o mesmo uma comunidade cujos membros vêm de Aleppo, na Síria, com uma comunidade de pessoas da Rússia e da Polônia. A origem da comunidade judaica finlandesa é “cantonista” – soldados judeus que serviram no exército russo, e que, com sua libertação foram autorizados a se instalar no país no século XIX.

 

Finlândia

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