Por que Israel ignora os judeus da China?

A mais importante competição esportiva do mundo, terá início em poucas semanas, mas Israel já está cometendo um erro olímpico.

Os próximos Jogos Olímpicos que acontecerão no verão de 2008 na China, brindarão novamente ao Estado Judeu a oportunidade de destacar-se no cenário mundial.

Como de costume a delegação participará da cerimônia de abertura, marchando orgulhosamente no Estádio Nacional de Beijing agitando a bandeira azul e branca diante de todo o público presente. Este, é sem dúvida, um momento que definitivamente chama a atenção e toca o coração de todos os judeus do mundo.

Este ano, terá também um outro propósito, de demonstrar a muitos cidadãos chineses que ainda não se interaram, o quanto vem melhorando as relações entre Beijing e Jerusalém desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1992.

Porém, diferentemente de outros anos em que Israel e seus atletas aproveitavam os Jogos Olímpicos para demonstrar as comunidades locais sua solidariedade e irmandade, nenhum gesto como esse está na pauta para os próximos jogos. Infelizmente, Israel está dando as costas para os judeus chineses.

Sim, você está lendo corretamente. Existem de fato judeus na China, herdeiros de um antigo e valioso patrimônio que data de mais de 1000 anos. Os primeiros judeus, acredita-se que se afirmaram na capital da China Imperial, Kaifeng, ao longo da praia do rio Amarelo, durante a Dinastia Song.

Durante dois séculos, os chineses deram aos seus judeus uma confortável estadia, livre de perseguições, característica marcante em distintas comunidades judaicas da diáspora.

Em 1163, os judeus de Kaifeng construíram uma belíssima sinagoga, que foi conseqüentemente renovada e reconstruída numerosas vezes. Em seu apogeu, durante a Dinastia Ming (1364-1644), os judeus de Kaifeng eram em torno de 5000 pessoas.

No entanto, por volta de 1800, uma grande onda de assimilação e matrimônios mistos apagaram todos os vestígios de judaísmo na China. Após o falecimento do último rabino da comunidade, durante a primeira metade do século XIX, o judaísmo de Kaifeng praticamente desapareceu.

Mas esse não é o final da história. Contrariando todas as probabilidades, os judeus de Kaifeng conseguiram preservar sua identidade judaica, transmitindo o pouco que sabiam aos seus descendentes.

Hoje em dia, ainda existem centenas de pessoas na cidade, que podem ser claramente identificadas como descendentes da comunidade judaica. Entretanto, a política do governo israelense ao longo dos anos tem sido essencialmente ignorar os descendentes de judeus de Kaifeng, receando que o governo chinês não veja de forma positiva tal contato.
Por não ser um grupo oficialmente reconhecido como minoria na sociedade multicultural da China, e por não ser, o judaísmo, a religião oficial do país, a questão específica sobre o status dos judeus de Kaifeng é uma pergunta sensível para Beijing. Devido também as emergentes relações econômicas, culturais e turísticas entre ambas nações, Israel prefere não ingressar no delicado assunto.

Conseqüentemente, a Embaixada de Israel em Beijing não mantêm relações com a comunidade de Kaifeng, nem faz nenhum esforço para contatá-los. Representantes da comunidade não são convidados para participar do ato anual em celebração ao Iom Haatzmaut nem a nenhuma outra das atividades da Embaixada.

Apesar da existência de vários programas educacionais de intercâmbio entre China e Israel, o governo israelense não vem realizando nenhum esforço para permitir que a comunidade judaica de Kaifeng possa participar dos mesmos.

De fato, muitos membros da comunidade, comentaram-me recentemente , que não lembram quando foi a última vez que tiveram contato com alguém de Israel.

Este triste desenvolvimento dos fatos, pode e deve ser corrigido. Israel não tem razão nenhuma para virar-lhes as costas. Muitos desses judeus de Kaifeng, estão realmente interessados em aprender mais acerca de sua herança e cultura.

China sempre tratou seus judeus de forma amável e cortez, e não existe razão alguma para acreditarmos que as coisas mudaram. Israel pode e deve estender a mão aos judeus chineses, ao mesmo tempo que supostamente estará respeitando as sensibilidades do governo chinês. A atmosfera internacional que provêem os Jogos Olímpicos, é uma excelente oportunidade para que Israel realize este significativo passo em conjunto com o governo da China.

No passado, os Jogos Olímpicos serviram como momento de reunião. Em 2000, nos jogos de verão de Sydnei na Austrália, Israel e os atletas locais participaram de uma série de eventos organizados pela comunidade judaica local. Eventos tais como, alojamento dos atletas em Shabat e a gravação de uma placa em recordação dos atletas judeus que foram assassinados durante os Jogos de Munique em 1972.

Similarmente, em 2002, nos jogos de inverno na cidade de Salt Lake, Utah, Israel e os atletas judeus participaram de duas recepções oficiais organizadas pelos judeus de Utah.

Por que os representantes israelenses não podem realizar gestos similares, durante os próximos jogos, com os remanescentes dos judeus de Kaifeng? Os judeus chineses podem ser uma importante ponte cultural entre os dois países, fortalecendo nosso sentido de passado dividido e futuro em comum.

Os judeus de Kaifeng representam a união viva de ambas civilizações, e sua contínua existência não é apenas um testemunho do poder da memória do judaísmo, senão também dos laços de amizade que tem existido entre China e o povo judeu por mais de 1000 anos. É chagada a hora de Israel deixar de ignorá-los.

Esperamos, que nos Jogos Olímpicos do mês que vem, os atletas israelenses ganhem e tragam para casa inúmeras medalhas, honrando a si mesmos e a todos nós. Porém creio que não haveria uma honra maior para eles, se renovassem os laços entre o Estado de Israel e os judeus de Kaifeng.

 

Um judeu encontra bondade na Polônia

As vezes, uma viagem ao passado nos brinda uma melhor compreensão do futuro.

Em recente viagem pelos intermináveis caminhos de campos verdes e montanhas arborizadas do sudeste da Polônia, foi fácil deixar-se levar pelo belo cenário.

Os belíssimos campos repletos de paisagens viva e de uma linda brisa nos dizem que a primavera ainda não chegou por essa tão fértil e frondosa terra.

Porém, logo impulsivamente, chega o inevitável, quando a memória do acontecido há algum tempo, rapidamente parece captar a impressionante paisagem.

A caminho de Kanczuga , uma pequena aldeia entre Rzeszow y Przemysl, onde vivem cerca de 3000 pessoas programei uma pequena parada. É um pequeno ponto no mapa, porém um importante lugar na história de minha família.

Antes do Holocausto, aproximadamente 40% da população de Kanczuga era judaica, e tem quem opine que este percentual era ainda maior. Até o dia de hoje, o símbolo oficial da municipalidade tem uma estrela de David no centro, como se fosse um reconhecimento oficial sobre o rol que tiveram os judeus na vida comunitária do município, ao longo dos séculos.

Entretanto, nada ficou visível que possa relatar acerca do passado, a não ser a memória.

Em 1942, os judeus de Kanczuga foram rodeados pela polícia nazista e polonesa. Depois de serem agrupados na Grande Sinagoga, foram levados ao alto da colina onde ficava o cemitério judaico e foram sistematicamente assassinados. A população local, celebrou o fato com um piquenique e um brinde em honra aos policiais, quando os assassinos começaram a disparar.

Toda a vitalidade e o verde que me rodeava, desapareceram repentinamente, enquanto pensava sobre o que havia ocorrido com meus familiares.

Utilizando um mapa e informações que recolhi na internet, localizei um pequeno edifício que em algum momento serviu de sinagoga. Ali dentro, 7 ou 8 operários poloneses trabalhavam na demolição da estrutura interna do lugar que seria transformado num ponto comercial. Pilhas de escombros estavam espalhados por toda a área e grandes buracos no teto faziam visíveis as paredes originais de ladrilho da casa de oração.

Enquanto caminhava pela desordem, não pude deixar de observar os olhos exclamativos dos operários me observando, olhavam para a kipá em minha cabeça e depois olhavam para mim novamente. Sem me preocupar, continuei caminhando pela obra tirando fotos e recitando uma oração, capítulos dos salmos, e me perguntei se este era verdadeiramente o lugar onde meus ancestrais entregaram seus corações ao criador.

Bastante emocionado, senti a necessidade de contar aos operários o que foi este lugar naquela época. Por alguma estranha razão, queria que eles soubessem que este lugar foi um recinto sagrado.

Um dos homens parecia falar um pouco de inglês, e eu tentei explicar-lhe que neste prédio funcionava uma sinagoga antes da guerra, e que minha família vivia nesta região. Ele sorriu um pouco incomodado, antes de ir-se, e me fez pensar que motivo eu teria para me preocupar em dizer-lhe o que disse.

Porém, após alguns minutos, quando me preparava para ir embora, esse mesmo trabalhador aproximou-se de mim pelas costas e bateu no meu ombro. Virei-me, sem estar seguro do que me esperava, ele me entregou umas folhas amarelas, rasgadas e empoeiradas.

Imediatamente, reconheci o texto em hebraico, e não estava acreditando no que tinha em minhas mãos, eram páginas de um Sidur (livro de orações judaicas), que estavam jogadas por mais de sessenta anos. Comecei a tremer só de pensar o que havia acontecido ao último judeu que esteve com aquele Sidur em suas mãos, durante a terrível época dos assassinatos realizados pelos nazistas.

Homens adultos não deveriam chorar, e principalmente na frente de outros. Porém não pude evitar e as lágrimas começaram a fluir. Os operários me rodearam, e mostraram as paredes e o teto, indicando que haviam encontrado estas folhas quando demoliam o edifício internamente.

Enquanto um me dava uns tapinhas nas costas tentando me consolar, os outros foram ao outro quarto. Não demorou muito, e um a um, retornavam trazendo montantes de folhas em hebraico. Sessões do Talmud, páginas da Mishné Torá de Maimônides, porções do Pentateuco e de serviços das grandes festas. Relíquias do judaísmo de Kanczuga, mas que agora estavam reduzidas a simples fragmentos escondidos entre as ruínas.

Um dos operários foi buscar mais e mais folhas, as quais eu as trouxe para serem enterradas numa guenizá como manda a tradição.

Os homens não pediram nada em troca, e quando chegou o momento de ir-me, nos demos as mãos. O capataz, prometeu juntar todas as páginas adicionais que fossem encontradas para que me fossem enviadas através de um contato local.

Nessa mesma tarde, após assistir a uma cerimônia de reinauguração do cemitério judaico local, me sentei com o prefeito de Kanczuga, Jacek Solek, em seu escritório.

No último ano, por iniciativa própria e com os recursos da própria municipalidade, Solek construiu um memorial aos judeus de Kanczuga no lugar da cova em comum, onde foram enterrados os judeus assassinados pelos nazistas e seus seguidores.

Quando contei ao prefeito sobre minha visita a sinagoga, só então percebi que não havia nenhuma placa, nenhum cartaz, nada que indicasse que em determinada época aquele prédio havia sido uma sinagoga.

Assim, sem ponderar muito, pedi-lhe que fizesse algo a respeito, educada porém firmemente me expressando, pois era importante que os residentes soubessem que num passado remoto houve presença judaica naquele lugar. O prefeito prometeu corrigir a situação, assegurando-me que o assunto seria tratado imediatamente. Então finalizamos a conversa.

Em menos de 24 horas depois, quando já me encontrava em Israel, recebi notícias da Polônia que relatavam que na última reunião da prefeitura de Kanczuga naquela mesma manhã, o prefeito recebeu aprovação para colocar um anúncio na sinagoga.

Quão bom seria se nossos próprios prefeitos em Israel atuassem de forma tão rápida e eficiente no tocante as inquietudes judaicas, pensei. Seguramente, o anti-semitismo é ainda freqüente na Polônia. Notei como muitas pessoas, jovens e adultos, nas cidades e pequenos povoados, apontavam para a kipá em minha cabeça e riam dizendo “xydowski” (judeu em polonês) uns aos outros. E não é difícil de ver pintura anti-semita nas paredes das ruas.

Mas assim mesmo, como fui testemunha em minha recente visita, também existem bons poloneses. Gente que sinceramente se arrependeram do que fizeram aos judeus em sua terra, e que desejam corrigir os erros da melhor forma possível. E pessoas que são verdadeiramente boas e que querem apenas fazer o bem.

Isto, não nos vai fazer esquecer nem por um momento o terrível passado, nem pode ser assim. A memória do Holocausto e as vítimas sempre viverão conosco até o fim dos dias, e não podemos perdoar aqueles que participaram no massacre, seja como executores ou como cúmplices.

Porém, assim como o prefeito e o operário de Kanczuga demonstraram, não devemos perder a oportunidade de criar uma relação com os polacos de bom coração. Fazendo isto, podemos pelo menos, corrigir algumas das injustiças históricas que foram cometidas aos nossos ancestrais, seja através da recuperação de objetos valiosos sentimentalmente ou através da preservação de lugares de interesse e importância para os judeus.

A vontade existe e o desejo também. Não apenas em Kanczuga, mas também em outros lugares como Warsaw, Krakow, Wroclaw e Lodz. Que vergonha seria deixar passar essa oportunidade.

Testemunho Ocular: “e voltarão juntos formando uma grande multidão”

Addis Ababa – Etiopia
São cerca da 11 horas da noite, em uma noite de maio em Addis Ababa e grandes partes da capital da Etiópia se encontra completamente escura, resultado dos cortes de luz que vem aumentando nos últimos meses.

Soldados e policiais patrulham as ruas em frente à Embaixada Israelense com metralhadoras kalatchnikov penduradas no pescoço. Enquanto controlam o tráfego que vem de ambas direções, um grande ônibus pára antes de estacionar na empoeirada via pública.

Quando seu ruidoso motor parecer descansar, oficiais israelenses revisam uma enorme quantidade de papeis, enquanto preparam os eventuais passageiros com destino ao aeroporto. De lá tomarão um vôo da Ethiopian Airlines com o objetivo de realizar a viagem milenar de regresso à terra de seus ancestrais à Terra de Israel.

Enquanto isso, dentro de um complexo vizinho, 42 Falash Mura (descendentes de judeus etíopes que se converteram ao cristianismo no início do século XIX), se sentam pacientemente e tranqüilamente em bancos de madeira, esperando para subir ao ônibus. Suas feições delatam uma silenciosa dignidade, mas não muito mais do que isso. Não existem suspiros emocionados ou qualquer reação do tipo emocional.

Apenas Yossi, uma criança encantadora de três anos com um contagioso sorriso, desafia todo esse ambiente, e parece perceber a importância do passo que está prestes a dar.

Há dez dias, Yossi e os outros chegaram a Addis Ababa após dois dias de viagem, desde Gondar, ao norte da Etiópia. Após recuperarem-se da longa viagem, passaram por um intensivo mini seminário organizado pelos funcionários israelenses, com o objetivo de familiarizá-los dos distintos aspectos da aliah.

Este grupo, que conta com 38 adultos, duas crianças e dois bebes, é o penúltimo grupo de Falash Mura que o governo de Israel planeja trazer ao Estado Judeu. Conforme informações dos funcionários do governo, outros 300 Falash Mura, aproximadamente, serão trazidos a Israel no fim de junho, e depois a operação estará encerrada.

Os funcionários da embaixada, já começaram a procurar emprego em outros lugares, pois existem os rumores da redução do quadro de empregados. É o fim de uma era, disse um oficial, acrescentando orgulhosamente que a antiga comunidade judaica da Etiópia encontrou finalmente o caminho de volta a sua casa.

Ativistas israelenses e norte americanos não concordam e dizem que ainda existem 8700 Falash Mura na região de Gondar. Eles acusam o governo israelense de querer encerrar o processo rapidamente sem avaliar devidamente essas pessoas. Eles ameaçam seguir pressionando até que o último membro dos Falash Mura que queira retornar ao judaísmo e ao povo judeu, tenha êxito e lhe seja permitido a aliah.

Porém estas disputas, parecem estar longe da mente daqueles presentes hoje em Addis Ababa, pois estes potenciais imigrantes caminham ao ônibus após terem recebido o visto de entrada dos funcionários israelenses.

Mesmo os mais cínicos observadores não podem deixar de ser influenciados por sua paciência e passividade, ao mesmo tempo em que deixam para trás tudo o que conhecem para enfrentar, no melhor estilo Abraham Avinu, o incerto futuro que os espera.

Quando chegam ao aeroporto, descem do ônibus, ajudando uns aos outros calmamente. Uma mãe carrega seu bebe, e o balança suavemente de um lado para o outro até que ele pega num sono profundo.

Uma senhora de idade, com muita dificuldade para ver e caminhar, é ajudada por dois jovens até o terminal de embarque.

Atrás dela, um homem com muletas tenta seguir o grupo, cada passo que dá com dificuldade, o aproxima mais a Jerusalém.

Vendo esta cena diante de meus olhos, o versículo de Jeremias (Cap. 31) me vem rapidamente à mente: “e os reunirei dos mais distantes confins da terra, e com eles trarei o cego e o coxo, a mãe e seu filho; e voltarão juntos formando uma grande multidão”.

De fato, é fácil imaginar que assim talvez tenha sido o êxodo do Egito, ao mesmo tempo em que estes remanescentes do judaísmo etíope retornam à terra prometida, escrevendo um novo capítulo na história.

Existem aqueles que vêem os Falash Mura como emigrantes com dificuldades econômicas, ou como, inclusive, gente que se aproveita do sonho sionista. E assim, dizem os críticos, sua motivação é simplesmente para elevar o nível de vida e escapar-se para o Ocidente. Porém, todo o cinismo do mundo não pode negar o fato dessas preciosas almas, estes “judeus perdidos” estarem, finalmente, regressando a sua gente e a sua terra.

É notório dizer, porém, que outro país faria semelhante esforço? No momento em que os Estados Unidos estão apertando o cerco por causa da imigração mexicana, França e Espanha combatem as ondas de imigração do Norte da África, o pequeno Estado de Israel cruza desertos para trazer de volta milhares de africanos como cidadãos com todos os direitos.

À medida que avançam e cruzam pelos guardas do aeroporto etíope, com seus poucos pertences à mão, não podemos deixar de ver na realização de seu sonho, a concretização do nosso também.

Uma vassoura e uma bandeira

Não sou psiquiatra, porém parece que Israel desensolveu um grave caso de esquizofrenia ao cumprir 60 anos.

Pode-se sentir os impulsos contraditórios no trabalho quando muitos israelenses se perguntam si devem celebrar os numerosos lucros, lamentar suas perdas ou uma combinação de ambas.

Parece existir milhares de razões para o sofrimento e a lamentação, desde os vários escândalos de corrupção nos quais estão envolvidas figuras políticas, o último caso de abuso de crianças que comoveu o país tem um semana ou a falta de valores judaicos e sionistas.

Além desses, pode-se agregar o contínuo ataque de mísseis que sofre Sderot, a crescente ameaça nuclear por parte do Iran e a preparação bélica do Hizbola na fronteira norte do país. Diante desta realidade, não nos surpreende que muitos prefiram se esconder debaixo da cama até que passe essa tormenta.

Honestamente, é difícil culpá-los.

Mas entretanto, existe o outro lado da moeda. Observe os grandes triunfos de Israel em campos como computação e agricultura, dizem os otimistas. Nossa abilidade de sobreviver em um ambiente hostil, é por si só um grande lucro, dizem.

Eles também têm razão. Então, como devemos nos sentir: aterrorizados ou emocionados; tristes ou contentes ? Ou talvez uma mistura de ambos? Esta pergunta só nos mostra a falta de contexto e perspectiva histórica.

Além do mais, para o ser humano, sessenta anos podem representar uma grande parte de sua vida sobre a terra. Porém, para uma nação, é tão somente um insignificante período, um mero episódio ou intervalo em sua história.

Apesar de tudo, observem o que nós, o povo judeu, temos conseguido desde 1948.

Temos trazido milhões de imigrantes de todo o mundo, temos feito florecer o deserto, e temos construído um país livre apesar de estarmos rodeados de tiranias, e tudo isso feito em menos tempo do que foi preciso para a construção da Torre de Pisa (177 anos), a Grande Muralha da China (séculos), ou inclusive a Catedral Nacional de Washington (83 anos). Pensando bem, não está tão mal assim, não é mesmo ?

Considerem, por exemplo, aonde se encontrava a grande potencia mundial de hoje em dia, Estados Unidos, aos seus 60 anos de existência.

Naqueles tempos, em 1836, grande parte do continente norteamericano não tinha sido anexada, enquanto que o estado de Arkansas se convertia no vigésimo quinto estado a aderir-se a União.

Os americanos que viviam na periferia enfrentavam frequentes ataques indígenas e sentiam muita insegurança. Em maio desse mesmo ano, indígenas comanches assassinaram cinco membros de uma família no Texas e depois sequestraram sua filha de 9 anos, que mais tarde foi forçada a casar-se com o líder tribal. Vinte e cinco anos passariam até o seu resgate.

E ainda, supostamente, teve lugar a batalha de Alamo, aonde as tropas mexicanas massacraram centenas de valentes defensores americanos no Texas, incluindo o herói popular Davey Crockett.

Tais incidentes, seguramente, diminuiram o ânimo nacional.

Inclusive a democracia americana tentava sobreviver por esses dias, enquanto que a disputa sobre a escravidão começava a surgir. Em 1836, a Casa de Representantes rompeu todos os códigos éticos, quando legislou a nada popular “lei do silêncio”, como forma de reprimir o debate sobre este assunto tão controverso.

Entretanto, apesar dos grandes desafios que os Estados Unidos enfrentavam nesse momento, seu otimismo não cesou pois compreendiam, perfeitamente, tudo o que haviam conseguido desde que a nação fora estabelecida.

De fato, em seu discurso anual no Congresso, em dezembro desse ano, o então presidente Andrew Jackson começou dizendo: “é uma grande alegria poder felicitá-los pela grande prosperidade em nosso amado país”.

“Sem motivos internos ou externos que façam diminuir nossa confiança com respeito ao futuro” continuou, “a condição geral de nossos assuntos podem perfeitamente outorgar-nos orgulho nacional”.

Esta também dever ser nossa forma de ver as coisas no momento em que celebramos o sexagésimo aniversário de Israel e enfrentamos o futuro.

Seguramente, ainda existem muitas coisas para melhorar. Ignorância sobre o judaísmo, pobreza, desemprego, crueldade e desilusão. Porém, isto não debe impedir-nos de apreciar o fato de que temos um Estado Judeu, apesar de todos estes problemas.

Uma comovente história sobre o Rebe chassídico de Sadigora, Rabi Abraham Iacov Friedman, bendita seja sua memória, conta que quando os nazistas tomaram Viena, aonde o Rebe vivia, tentaram humilhar aos judeus forçando-os a lavar as ruas da cidade enquanto os austríacos os ridicularizavam.

Os soldados alemãs entregaram ao Rebe uma vassoura, porém enquanto o mesmo limpava recitava uma oração silenciosa: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de limpar as ruas da Terra de Israel”.

Depois, os nazistas lhe deram uma grande bandeira e o forçaram a pendurá-la no alto de um grande edifício. Nesse momento o Rebe rezou: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de pendurar a bandeira de Israel no alto de um grande edifíco na Terra de Israel”.

Após ter sobrevivido a guerra, o Rebe estava determinado a realizar seu desejo. E assim, cada ano, no dia da Independência, ele se levantava cedo, tomava uma vassoura e começava a limpar as ruas de Tel Aviv em agradecimento a Deus por ter lhe respondido as suas orações. E depois, o rabino, já avançado em idade, subia ao teto da Grande Sinagoga de Tel Aviv e pendurava uma bandeira de Israel, muito orgulhosamente, para que todos a vissem.

É por isso que na próxima vez que estejam deprimidos, perguntando-se que será deste país e de seus líderes, lembrem-se do Rebe de Sadigora, com uma vassoura na mão e uma bandeira na outra, e um coração cheio de gratidão a Deus pelo milagre que representa o Estado de Israel.

O Milagre de Israel

Esta semana, Israel e o judaísmo mundial festejam Iom Haatsmaut, o 60°. Aniversário da Independência do Estado de Israel.

Orações especiais serão recitadas, festas serão organizadas, e o povo judeu agradecerá a Deus por ter-nos feito retornar a nossa terra após 2000 anos de exílio.

Nossa tendência é considerar segura e concreta a existência do Estado, e geralmente não apreciamos o quanto somos abençoados por viver este momento da história quando o Estado de Israel voltou a ser restaurado em nossa antiga terra.

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Vida Nova para 18 (Chai) casais de Olim da Índia

Restavam ainda alguns últimos preparativos, a faixa preparada no último momento acabava de chegar, a tinta ainda fresca, mas precisava ser pendurada rapidamente na fachada da Grande Sinagoga de Jerusalém já que em mais alguns minutos os convidados começariam a chegar.

Esse pequeno atraso, entretanto não tirou nem um pouco o brilho do evento ímpar e especial, realizado no fim da tarde de ontem (02/03) na Grande Sinagoga de Jerusalém. O casamento de 18 casais de olim chadashim da tribo Bnei Menashé da Índia que fizeram aliah nos últimos meses, foi um acontecimento que marcou e marcará por muito tempo, as vidas dos noivos e também daqueles que tiveram o privilégio de participar do evento.

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Jovens polacos redescobrem suas raízes judaicas

Seminario de Shavei Israel en Polonia

Haaretz, 24 de Febrero 2008

LODZ – Antes de saber sobre suas raízes judaicas, Pinchas Zlotosvsky da Polônia era um skinhead com um intransigente desprezo pelos judeus. Foi o que disse este judeu ultra-ortodoxo ao jornal Haaretz no último fim de semana, durante a Conferência Anual da Shavei Israel para os “judeus escondidos”, ocorrida na cidade de Lodz, Polônia.

A transição na vida de Zlotosvsky ocorreu logo após sua mãe ter lhe dito que provinha de uma família judaica. “Seus pais”, disse, “a mandaram a um monastério quando era pequena para que pudesse sobreviver ao holocausto”.

Pinchas ficou sabendo também, que todos os seus parentes foram assassinados.

“Descobri que sou judeu de acordo com a lei judaica. Não pude olhar-me no espelho durante uma semana inteira quando deparei-me com esta realidade”, ele lembra. Após ter-se recuperado dessa comoção, vem passando os últimos anos redescobrindo suas raízes judaicas. Por isso mesmo, vem se tornando uma pessoa ativa dentro da comunidade judaica.

O retorno ao judaísmo de Zlotosvsky é o fato comum e dominante em muitos dos participantes da conferência, na qual foi restaurada o Conselho Rabínico da Polônia pela primeira vez desde 1930. Da cerimônia participaram o Rabino Chefe de Israel, Yona Metzger, e o Rabino Chefe da Polônia, Michael Schudrich.

Oficialmente sabe-se que havia cerca de 3 milhões de judeus polacos antes da Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, os números oficiais dizem que existem apenas 4000 judeus vivendo na Polônia, porém a realidade é que – pela halachá (lei judaica) – os números são provavelmente mais altos.

A discrepância surge devido ao fato de que milhares de judeus que sobreviveram a guerra, preferem não revelar sua identidade judaica com receio de perseguições anti-semitas da população.

De fato, existiram pogroms contra os judeus após a guerra, enquanto que as autoridades ignoram os linchamentos e assassinatos, e inclusive, algumas vezes, fizeram parte da matança de pessoas que lograram sobreviver à fúria nazista.

Outra porção significativa da população judaica consiste de pessoas como a mãe de Pinchas Zlotosvsky, que foram enviados aos monastérios para serem criadas como cristãos. Apesar dos esforços realizados por organizações judaicas para localizar estas pessoas, nem todos foram encontrados e muitos permanecem cristãos. Uma das razões para tal, é que muitas das famílias adotivas preferiram não revelar a seus filhos a verdade acerca de sua origem.

O anti-semitismo ainda prevalece na Polônia, conforme afirmam os rabinos de Lodz, Varsóvia, Cracóvia, Breslau e outras partes do país e que estiveram na conferência. Porém em paralelo, dizem haver uma nova aceitação do tema entre os judeus, especialmente nas grandes cidades. Esta atmosfera de abertura, dizem os rabinos, impulsiona a vários “judeus escondidos” a buscarem suas raízes.

A Organização de Michael Freund é verdadeiramente conhecida por seus esforços para localizar pessoas provenientes das 10 tribos perdidas espalhadas pelas remotas partes do mundo. A conferência, da qual participaram 150 polacos, homens e mulheres entre 18 e 40 anos, é parte dos esforços da organização para localizar “judeus escondidos” na Polônia.

Michael Freund, presidente da Organização Shavei Israel, disse: “A vida judaica na Polônia vem se fortalece ultimamente à medida que muitos jovens polacos descobrem a ascendência judaica de sua família, que até agora, permanecera escondida por medo de perseguições nazistas e comunistas”.