Os Conversos de San Nicandro

Pelo mundo tudo, na próxima semana, os ‘chifres’ de carneiro de Rosh Hashaná (início do Ano Novo Judaico) chamarão os judeus fiéis para os Dez Dias de Penitência que terminam com o famoso jejum de Yom Kipur. Mas nenhuma oração será mais fervorosa do que a dos 80 e tantos ex-católicos de San Nicandro, Itália.

A conversão de San Nicandro começou há quase 20 anos com o pálido de olhos escuros, Donato Manduzio. Invalidado por estilhaços na Primeira Guerra Mundial, Donato esteve de cama por anos em um colchão de palha miserável num quarto de sótão. No começo, chorou amargamente por não poder mais participar da vida cotidiana de sua cidade natal, San Nicandro Garganico (pop. 20.000). Mas, aos poucos, os sons das mulheres que cantam enquanto carregam água em vasos de cobre sobre suas cabeças, os gritos dos ‘chapéus-pretos’ que dirigem as mulas, o martelar dos sapateiros nas pequenas lojas escuras (Donato tinha sido um sapateiro) deixaram de ser uma atração para Donato. Ele não ouvia mais nada disso de seu quarto, pois, agora, estava muito ocupado lendo a Bíblia. Continue reading “Os Conversos de San Nicandro”

A Luz de Jerusalém

western_wall_candles_hanukkahHoje, judeus do mundo todo completam um ciclo de acendimento de velas que, começou faz uma semana com uma vela e aumentando de forma gradual, termina hoje com 8 velas, finalizando assim, os 8 dias de Chanuka.

A festa comemora a incrível batalha do pequeno exercito hebreu de Jerusalém, liderados pelos Hashmonaim, contra o poderoso Império Grego. E o simbólico milagre do pequeno frasco de óleo encontrado entre os escombros do Templo, o único intocado, que deveria ser suficiente para acender por um dia o candelabro que iluminava o local mais santo do Templo, e assim, o local mais santo para a religião judaica, e durou por oito dias, tempo suficiente para conseguir mais óleo.

Não havia me caído a ficha, que estou morando na esquina do local aonde toda essa historia aconteceu. Ate que essa semana, vi um pai acendendo a vela com o filho nas ruas aqui de Jerusalém e estava contando a historia de Chanuka a seu filho e então disse “isso aconteceu com nossos tatataravos aqui mesmo, em Jerusalém”. Foi quando percebi. Há cerca de 2200 anos, nessa mesma época, neste mesmo local, tentaram impor aos judeus como eles deveriam ser, que costumes deveriam seguir, quais os procedimentos tomar, o que era certo e o que era errado. E por não aceitarmos, por querermos seguir a religião de nossos pais, nos atacaram, invadiram nosso templo e pela espada tentaram nos forçar a aceitar suas crenças!
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Semana Janusz Korczak em Munique!

Pere Bonnin abriu a Janusz Korczak Week em Munique. Falou sobre o xuetes de Mallorca e sua identidade judaica.

Munich, 18 – Com uma conferência intitulada «Die xuetes von Mallorca und ihre jüdische Identität im Spiegel der sephardischen Geschichte» (chuetas de Mallorca e sua identidade judaica em paralelo a história sefaradita), o escritor e jornalista Pere Bonnin inaugurou em Munique, berço do nazismo, o Seminário Internacional da Academia Janusz Korczak que auxilia adultos entre 18 a 35 anos provenientes de Alemanha, Israel e Rússia.

Particularmente emocionante, a sessão inaugural aberta ao público, foi o momento em que os participantes se levantaram para honrar os quinze judeus mártires do judaísmo enquanto escutavam os sobrenomes malditos de seus descendentes Mallorquinos. Depois de nomeá-los um por um, Bonnin disse que, embora a Inquisição havia reivindicado seus corpos não conseguiram aniquilar a idéia: David melech Israel Chai VeKaim (David, rei de Israel, existe e vive).

Sa Pobla escritor explicou suas experiências como um membro de um grupo discriminado e traçou a história do judaísmo em Mallorca e de várias outras perseguições realizadas pelo imperador romano Teodósio, nascido em Coca (Segóvia), na época visigótica por Sisebuto, na época muçulmana pelos Almóades e na era cristã com o pogrom de 1391, durante o reinado de Joana I de Aragão.

A situação dos judeus Mallorquinos piorou após o pogrom e, mais tarde por causa dos convertidos em decorrência do compromisso de Casp (1412), que introduziu a Casa de Castela castelhano aos reinos catalães. Em 1414 os Trastámaras impuseram as ordens de Ayllón, também conhecidas como “ordenações Dona Catalina” (Catarina de Lancaster, viúva de Henrique III de Castela e avó de Isabel Católica). Isto significava uma “morte legal” aos judeus, deixando-os sem proteção e direitos, expostos à calúnia e atrocidades que forçavam sua conversão. Então, em 1435, desapareceu antes da crescente Mallorca judeus pela emigração ou conversão em massa de seus usuários. O líder nazista Himmler foi inspirado precisamente por esses tipos de informação para criar as leis de Nuremberg.

A Inquisição espanhola, liderada pelo Padre Alonso de Espina em 1460 para perseguir os conversos judaizantes, foi introduzida nos países catalães com uma forte oposição por parte das autoridades, que consideravam uma interferência externa. Este órgão político e religioso reprimiu e levou ao martírio muitos convertidos que se recusaram a renunciar à sua identidade e prosseguiu com a discriminação judaica dos descendentes dos quinze condenados no Auto de Fé de 1691.

Bonnin explicou que os chuetas de Mallorca, através da Shavei Israel, foram reconhecidos em 2011 como judeus genuínos para o “Beit Din” (tribunal rabínico) ortodoxo de Israel e terminou sua apresentação com a frase ” Israel – Jacob – foi e será sempre nosso pai porque ele dormiu.”.

Recuperando um dia perdido na Historia Judaica!

Hoje é o dia em que já estávamos preparados por tanto tempo. O dia que tinha me deixado acordada tantas e tantas noite. O dia em que finalmente podíamos recuperar a Historia Judaica de uma pequena aldeia escondido nas montanhas que servem como um observatório ao Rio Duero, que separa a Espanha de Portugal. A bela Villa de Fermoselle. Berço dos meus ancestrais por 550 anos antes de migrar para outras partes do mundo. Os judeus viviam lá como praticantes, então, como cripto-judeus, e, finalmente, por centenas de anos como católicos romanos.

Por razões que nunca vou saber, eu era descendente eleita para retornar às tradições de nossos pais e voltar ao mesmo tempo, aos meus ancestrais para recuperar seu passado judaico. Eu tinha vivido nesta bela aldeia, neste canto no noroeste da Espanha em busca dessas raízes diversas e eu andava pelas ruas tão familiares para mim, muitas vezes. Em cada um desses casos, as paredes me contavam coisas, uma voz muito baixa, cada vez me fornecendo um novo segredo. As paredes procederam cuidadosamente para ter certeza de que eu era digna de receber seus segredos.
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Bat Chen, uma Bat Menashe, conhece a Arik de Israel e um Bar Mitzvah acontece em Jerusalém!!

Bat Chen, Benayahu y Arik
Bat Chen, Benayahu y Arik

Ele gosta de hambúrgueres e ‘shnitzel’ (peito de frango empanado em hebraico), e ela prefere uma comida picante. Ele é um Sabra (nascido em Israel) que cresceu em um pequeno ‘moshav’ perto da cidade de Beit Shemesh, e ela passou seus primeiros 20 anos de vida no remoto estado de Manipur, na Índia e, apenas sonhava com uma vida na Terra de Israel. Mas quando finalmente fez aliá com sua família em 1999, não demorou muito até que ela conheceu a Arik.

O resto é uma história de amor ‘isro-indiana’, e muito judaica, de uma união de dois mundos muito diferentes, mas pertencentes a um mesmo povo. A Shavei Israel tem sido uma parte integrante na família Itzchak já há muitos anos. Através da ajuda da Shavei Israel, Bat Chen está estudando para ser assistente dentária em um programa no hospital Hadassah. Seu marido Arik é diretor da conta bancária da Shavei Israel no Banco Leumi. Assim sendo, quando a família comemorou o Bar Mitzvah de seu filho mais velho, Benayahu, a Shavei Israel estava lá para comemorar junto com eles.

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Cozinha Kosher em uma Pequena Aldeia na Polônia!

WP_000858-300x225Numa praça ao ar livre, no mesmo lugar aonde existia uma sinagoga no povoado polonês de Tarnowskie Gory, duas jovens judias orgulhosamente lideraram um workshop sobre comida kosher e culinária judaica. As senhoritas – Naomi Berenstein e Deborah Saleh – são duas das três moradoras da aposta da Shavei Israel na Polônia, Be’er Miriam, que consiste em um apartamento que também funciona como um centro cultural judaico na cidade de Katowice. O projeto foi inaugurado este último verão sob os auspícios da Shavei Israel e seu emissário para na região, o rabino Yehoshua Ellis.

Tarnowskie Gory fica a uma hora de trem de Katowice e faz parte da área metropolitana da Silésia, uma área que possui 5 milhões de habitantes. O tema do workshop foi o festival “colagem de culturas” em que o Be’er Miriam foi convidado para representar a comunidade judaica da região.
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O Bar-Mitzva de uma criança de 16 anos

A história de Karol deveria transmitir para nós uma grande confiança na eternidade do Povo de Israel.1381962_10151742744891630_972878118_n

Lentamente e de uma maneira um pouco desconfiada, Karol começou a recitar a bênção de antes da leitura da Torá. É possível perceber um pouco de nervosismo em sua voz quando pronuncia as palavras em hebraico, plenamente consciente da solenidade da ocasião.

Com seus pais e irmãos o assistindo com evidente orgulho, e com a comunidade o apoiando com amor e alegria, Karol passou por este sublime rito em que se tornou um adulto, assim como o resto dos jovens judeus o fazem, por todo o mundo.

Só que este não foi um Bar-Mitzva comum. Continue reading “O Bar-Mitzva de uma criança de 16 anos”