Parashat Ekev

Ser ou Ter – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

  • O que é a Tefilá (Oração)?
  • É a expressão dos meus sentimentos para com De’s?
  • Então porque tem horários e textos fixos? Deveria ser completamente espontânea, quando eu precisasse e com as minhas próprias palavras.

Para entender a essência da Tefilá, devemos saber que, para o judaísmo, a fé não é um sentimento espontâneo, nem uma questão de acreditar ou não acreditar.

A fé é a força, a disciplina e o caminho para descobrir De’s. Uma arte que cada um deve desenvolver segundo o seu potencial espiritual.

A Tefilá é o instrumento da fé que nos desperta da rotina e nos faz ver a manifestação Divina nas coisas naturais.

A natureza é um conjunto de milagres, de manifestações de De’s que sucedem periodicamente.

Por acaso a aurora e o crepúsculo deixam de ser um milagre só porque se repetem diariamente?

O judeu entende que não, e todos os dias, de manhã e à noite, abençoa e reconhece a intervenção divina no nascer e no pôr do sol, observando nestes fenómenos naturais a perfeita harmonia que Ele impõe no Seu universo.

A prática constante destes exercícios capacita o judeu para descobrir De’s nas coisas de todos os dias.

Certa vez, o neto de Rabi Baruch estava a brincar às escondidas com outro menino. Escondeu-se e permaneceu no seu esconderijo durante um longo tempo, acreditando que o seu amigo procuraria por ele.

Por fim saiu e comprovou que o seu amigo se tinha ido embora sem ter procurado por ele, de modo que se tinha escondido em vão. Então correu para o escritório do seu avô e, entre lágrimas, queixou-se do seu amigo.

Depois de ouvir a história, Rabi Baruch rompeu em pranto e disse: – Também De’s diz Eu oculto-Me, e não há quem Me procure.

De’s esconde-se à espera que O descubramos, que O admitamos na nossa vida.

E quando percebemos que Ele se oculta, já O começamos a descobrir.

Mas para isso precisamos de poder dispor de tempo diariamente para poder meditar neste assunto. Infelizmente, a rotina louca na qual vivemos não nos deixa tempo para o que é verdadeiramente importante. O nosso trabalho ou a necessidade de sustento às vezes impede-nos de nos podermos dedicar àquilo que é mais importante.

Ser ou ter. O grande dilema. Dedico-me ao meu enriquecimento interior ou ao meu enriquecimento material? Somos valorizados pelo que somos ou pelo que temos?

Uma vez, um famoso rabino que vivia muito modestamente recebeu na sua casa a visita de uma das pessoas mais ricas da Europa, que se encontrava de passagem por essa cidade. O rabino era um erudito de renome, e a sua sabedoria era tão conhecida, que o milionário não quis deixar de aproveitar a oportunidade de o conhecer. Ao entrar na casa do rabino, ficou muito surpreendido ao ver que se tratava de apenas um cómodo, bastante escuro e com poucos móveis. Depois de conversar com o rabino e de se deleitar com a sua sabedoria, não pôde deixar de lhe perguntar: –  Rabino, o senhor é um dos maiores eruditos da nossa época. Porque vive de uma maneira tão precária? Porque não se muda para uma casa melhor, mais bonita, mas de acordo com aquilo que o senhor merece? – O rabino preferiu evitar responder naquele momento, mas prometeu responder no próximo encontro, que seria no quarto de hotel onde o rico visitante estava a hospedado.

Passados poucos dias, o ilustre rabino apresenta-se no hotel, e o rico convida-o a entrar no seu quarto. Aquele quarto, como todos os daquela época e naquela pequena cidade, era um quarto pequeno, com uma cama e um armário, sem casa de banho privativa. O rabino franziu o sobrolho e, espantado, perguntou ao milionário: – Diga-me, bom homem, como uma pessoa como o senhor pode viver num lugar tão precário como este? O senhor fala de mim, mas eu, para além da cama e do armário, tenho mesa e cadeiras, e para além disso, tenho casa de banho privativa… – A resposta daquele homem tão importante não se fez esperar:

– Rabino, acho estranha a sua pergunta. O senhor bem sabe que eu me encontro de passagem por este lugar. Não me incomoda hospedar-me num quarto assim durante a minha curta estadia por aqui. – O rabino sorriu e respondeu:

– Eu sabia que uma pessoa inteligente como o senhor iria estar de acordo comigo. Eu penso exatamente como o senhor, e é por isso que vivo onde vivo. Eu também estou de passagem por este mundo, que é apenas um corredor para o mundo verdadeiro. É por isso que não quero dedicar todas as minhas forças e o meu dinheiro a um lugar onde estou de passagem.

Depois de um tempo, o rabino encontrava-se de visita à cidade onde vivia aquele abastado homem, que, com muito gosto, o convidou a conhecer a sua casa. Ao entrar no magnífico palácio, o rabino deteve-se a observar as grandes obras de arte e os maravilhosos detalhes decorativos tão valiosos, mas, de repente, voltou-se para o seu anfitrião e ficou a olhar atentamente para ele, como se nada existisse ao seu redor. O milionário olhou para ele e disse: – Que se passa, Rabino? Viu algo de que não gostou? Então o senhor não me ensinou que tudo isto não é importante, e que estamos de passagem pela vida? – O rabino respondeu:

– Continuo a pensar o mesmo. Não mudei o meu ponto de vista. Só que, ao entrar na sua mansão, eram tantas as coisas belas para observar, que deixei de lhe prestar atenção a si, ao que o senhor é, e dediquei-me a prestar atenção ao que o senhor tem. Quando reparei nisso, pensei que deve ser muito triste convidar alguém, e o convidado, em vez de prestar atenção ao seu anfitrião, se dedicar àquilo que este tem. Por isso interrompi essa postura tonta e dediquei-me ao senhor, como se nada mais existisse. Mas quando as pessoas vêm visitar-me à minha humilde casa, não tenho dúvidas de que o fazem porque é a mim que valorizam. Na minha casa não há nada para ver, mas quando vêm visitar o senhor no seu palácio, é realmente a si que querem visitar? É a si que desejam ver? Ou às suas posses?

O ser humano não transcende na vida pelo cargo ao qual chegou na sua passagem pelo mundo. O Homem não se realiza como tal por acumular mais riquezas ou nobreza. Devemos dedicar tempo e esforço ao nosso enriquecimento inteletual, ao nosso crescimento espiritual, pois é isso o que verdadeiramente perdura.

Assim como o corpinho de um bebé é pequeno e precisa de cuidados e de alimentação, a alma, ao vir ao mundo, também é pequena e precisa de cuidados e alimento. O bebé é alimentado com leite, depois purés de legumes e depois carnes, mas a alma não se alimenta de sanduíches nem de batatas fritas. Se não alimentarmos o bebé, ele não crescerá, ficará doente e morrerá. Do mesmo modo, se não alimentarmos a alma, ela não cresce, não se desenvolve, fica doente e morre.

Como alimentamos a alma? A alma alimenta-se das mitzvot (preceitos). Ao cumprirmo-las, não só a alimentamos e a fazemos crescer, como conseguimos transcender na vida. A alma é o que fica quando o corpo se vai.

Para expressar isto numa fórmula matemática poderíamos afirmar: Alma = Eu – O meu corpo.

Mas se nunca nos dedicarmos ao cuidado ou nutrição da nossa alma, então, muito antes do corpo morrer, a alma que estava dentro dele já terá morrido. A alma não é um ser que vive incondicionalmente. A alma também morre, desaparece. Por isso devemos cuidá-la, dedicar-lhe tempo. Não é necessário que seja todo o tempo das nossas vidas, mas pelo menos que seja um pouco…

É melhor viver de um modo mais simples do ponto de vista material, reduzindo um pouco mais os luxos, para poder dedicar mais tempo à parte espiritual. Por tanto, tenhamos um momento diariamente para a nossa alma, preocupemo-nos por crescer todos os dias, assistindo a algum curso de judaísmo, meia hora por dia. Diminuamos um pouco a nossa dedicação àquilo que é material e enchamos a nossa alma de conteúdo, tal como diz o ditado «Não há pobre mais pobre do que o pobre em sabedoria e conhecimento».

VOLUNTÁRIA DA SHAVEI ISRAEL VIAJOU PARA A POLÓNIA

Shosh Chovav, voluntária da Shavei Israel, passou recentemente dois meses na Polónia, ensinando hebraico e tradições judaicas à comunidade judaica local. Shosh partilhou connosco algumas fotografias das atividades que tiveram lugar em Lodz durante estes dois intensos meses: Aulas de hebraico para crianças, oficinas, encontros inspiradores com jovens israelitas que se encontravam em turismo na cidade, reuniões com os líderes comunitários com o objetivo de melhorar o trabalho educativo e de divulgação na comunidade, e uma emocionante cerimónia de afixação de uma mezuzá em casa do presidente da comunidade. 

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PERFIL PESSOAL: ANGEL JOSELITO LOMBEIDA TOLEDO, DO EQUADOR

Trabalhamos com muitas comunidades de todo o mundo, e, de vez em quando, viremos apresentar-vos

algumas das pessoas locais que se disponibilizam como representantes voluntários. Essas pessoas

generosas ajudam-nos a organizar as nossas atividades da melhor maneira possível e a alcançar mais

pessoas nas suas respetivas regiões. Uma dessas pessoas é Angel Joselito ( Yosef ) Lombeida Toledo, de Guayaquil, no Ecuador.

A comunidade Beit Toldot está composta por aproximadamente dez famílias que decidiram reaproximar-se das suas raízes judaicas sob supervisão do rabino Shimon Yehoshua, emissário da Shavei Israel na Colômbia.

Os Bnei Anussim de Guayaquil vivem uma vida tradicional judaica e empregam todos os esforços para cumprir a Torá e os mandamentos, para aprender o Talmud e outros textos sagrados, celebrar as festividades judaicas e fortalecer a sua ligação com a Terra de Israel.

Angel era uma destas pessoas e tornou-se interessado em judaísmo depois de ler um artigo sobre o fenómeno e de saber que os seus antepassados eram de Espanha e que eram, de facto, descendentes de judeus. Angel começou a investigar as suas raízes e conseguiu converter-se em Barranquilla, juntamente com a sua família.

Graças ao apoio da Shavei Israel, Angel teve a oportunidade de visitar a Colômbia e estudar na comunidade Beit Hillel, em Bogotá, onde adquiriu muita experiência e conhecimentos. Presentemente está a trabalhar arduamente para melhorar a vida judaica na sua cidade natal e e manter a ligação com a Shavei Israel.  

– Esta é a oportunidade de os Bnei Anussim regressarem às suas raízes e se reunirem com o seu passado através da preparação e da perseverança da vida em comunidade. – Disse Angel.

Parashat Bechucotai

As bênçãos – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Em primeiro lugar, temos que analisar se todas estas coisas boas que nos são  prometidas são milagre ou são algo natural. Quer dizer, é normal a natureza comportar-se assim tão bem, ou não?

Nachmánides defende que a Torá está a falar de uma época milagrosa. A natureza geralmente não se comporta assim.

No entanto, para rabi Simcha Cohen, no seu livro Meshech Chochmá, não se trata de uma época milagrosa, mas sim esse é o estado normal da natureza. De’s criou a natureza para que ela funcione bem (chuvas boas e a seu tempo e não inundações, furacões ou desastres), mas, quando o ser humano não anda no bom caminho, então a natureza não se comporta como se deveria comportar. Os milagres existem para que não nos esqueçamos de que a natureza não é tudo, mas sim que há Alguém que está acima dela, que é quem a criou e quem a controla.

É possível que Nachmánides e Meshech Chochmá se não se contradigam, e que na realidade estejam a dizer o mesmo, apenas de ângulos diferentes. O milagre acontece quando as coisas deixam de agir como costumavam fazê-lo e passam a agir de uma maneira mais benéfica no momento em que se necessita. Hoje em dia (devido ao nosso estado atual), a natureza comporta-se como se comporta, e não vemos todas as coisas boas que a Torá nos anuncia aqui. No entanto, quando o povo se comportar da maneira correta, então a natureza deixará de agir assim e será muito mais benéfica.

O mais provável é que a Torá, quando fala de todas estas bênçãos no caso de nos mantermos fiéis à Torá, se refira a todo o povo e não a casos particulares. Prova disso é que a Torá expressa esta ideia no plural e não no singular.

No que diz respeito a quais são os requisitos para que nos aconteçam estas coisas boas, seria propício analisar outras passagens da Torá, onde ela nos fala de coisas parecidas, quer dizer, do bem-estar no caso de andarmos pelo caminho dos preceitos.

Isto acontece na parashá Ekev (Deuteronômio capítulo 7), em Ki Tissá (Deuteronômio capítulo 28) e no Shemá (Deuteronômio capítulo 11). Nas duas primeiras, a Torá fala-nos de efetuar os preceitos; não nos diz nada acerca da intenção, do pensamento ou do sentimento que devem acompanhar esses preceitos. No Shemá, fala-nos específica e claramente de fazermos as coisas sinceramente e com o coração. Mas, se observarmos com maior profundidade, notaremos que, na realidade, tanto em Ekev como em Ki Tissá a Torá também nos fala acerca da intenção sincera. Tal como diz o comentarista Seforno, em Vaikrá 26:3, o termo hebraico shamor— cuidar — refere-se também a cuidar de realizar os preceitos da maneira mais correta, e isto obviamente inclui um pensamento e um sentimento corretos.

Em conclusão, vê-se claramente que sempre que a Torá nos fala de uma recompensa por ter cumprido os preceitos, não se refere a cumpri-los de forma automática, sem reparar no sentido e na mensagem dos mesmos.

Porque não nos promete a Torá o bem maior, quer dizer, o mundo vindouro? Para responder a esta pergunta recorreremos às palavras de Rambam na introdução ao Perek Chelek: No entanto, o significado dos benefícios e das desditas que estão escritas na Torá é o seguinte: Ele assegura-te que se cumprires esses preceitos, ajudar-te-á a poder praticar os mandamentos de forma íntegra, retirando do teu caminho todo o tipo de obstáculos que te impeça de os realizar, já que é impossível ao Homem cumprir os preceitos[na sua integridade] estando doente, com fome ou com sede, como também não em época de guerra ou perseguições, portanto, De’s assegura que afastará todas estas coisas e nos manterá sãos e tranquilos para que, deste modo [possamos realizar os preceitos e] alcançar um conhecimento pleno, tornando-nos então meritórios do mundo vindouro.

Portanto, o objetivo desta recompensa pelo cumprimento dos preceitos não é atingir a abundância terrena ou desfrutar de uma vida longa e saudável; todas estas recompensas são um meio para poder cumprir a Torá plenamente.

Algo similar é expresso em Hilchot Teshuvá, capítulo 9.

Que quer dizer que “De’s andará entre nós”? Encontramos um texto similar a este, que nos fala metaforicamente de que De’s “andava” entre os homens. Refiro-me ao princípio do livro de Génesis (3: 8), quando a Torá nos fala do Jardim do Éden. Ali diz-nos que ouviram a voz do Criador, que andava no meio do jardim. Quer dizer, aqui diz-nos que, se cumprimos bem todos os preceitos, então vamos atingir um nível tão alto como o de Adão quando estava no Jardim do Éden.

E é precisamente este o objetivo da saída do Egito, quer dizer, deixar de servir e de ser escravos deste mundo. Dessa maneira atingiremos um nível superior, e então este mundo servir-nos-á a nós, como um meio para nos tornarmos meritórios da vida eterna.

Uma vez que atinjamos esse nível superior, então chegaremos ao nível de compreender que De’s é o centro da nossa vida. A isto se refere a Torá quando diz: Eu serei para vós De’s. \lsdpriority47

Emissário da Shavei Israel visita a comunidade Beit Toldot, do Equador

A comunidade Beit Toldot está localizada na cidade de Guaiaquil, no Equador, e está composta por aproximadamente dez famílias que decidiram reaproximar-se das suas raízes judaicas sob supervisão do rabino Shimon Yehoshua, emissário da Shavei Israel na Colômbia. Este recente Shabat foi muito especial para eles graças à visita pessoal do rabino ao Equador, numa altura em que os judeus de todo o mundo se começam a preparar para Pesach. 

Os Bnei Anussim de Guaiaquil vivem uma vida tradicional judaica e empregam todos os esforços para cumprir a Torá e os mandamentos, para aprender o Talmud e outros textos sagrados, celebrar as festividades judaicas e fortalecer a sua ligação com a Terra de Israel. Durante a visita do rabino Yehoshua, foram colocadas mezuzot em várias casas. 

Os membros da comunidade Beit Toldot reunem-se regularmente para realizar orações comunitárias, Shabat, festividades, celebrações e também aulas semanais. Temos muito gosto em partilhar consigo alguns momentos de uma visita recente do rabino Yehoshua a Guaiaquil, bem como momentos na vida nesta florescente comunidade.

Parashat Metzorá

Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Metzorá (A Lepra?)

Como é sabido, os sábios de Israel relacionam a doença bíblica de Tzaraat (mal traduzida por lepra) com o falar mal: o Lashon Hará (falar mal do seu próximo), Rechilut (fofoquice), falar desenvergonhadamente, etc.

Rambam explica-o assim: a doença de Tzaraat refere-se a vários temas. Alguns tinham a ver com a pele do ser humano que se tornava branca, outras vezes tinha a ver com a queda do pêlo, fosse no couro cabeludo ou na barba. Os efeitos causados pela infeção nas roupas ou nas casas, onde apareciam manchas de cor, recebiam o mesmo nome.

Estas manchas ou mudanças, fossem no corpo do ser humano ou no seu cabelo, no seu vestuário ou na sua casa, não eram uma doença natural ou conhecida nos nossos dias, mas sim algo milagroso, cujo objetivo era advertir o povo para não cair em falatórios e para controlar a sua fala, pois esta pode destruir um indivíduo.

É por isso que quando uma pessoa falava mal de outra, as paredes da sua casa mudavam de cor, infetando-se com umas manchas. Se o indivíduo se arrependesse, então a casa voltava ao normal. Senão, os utensílios de couro da casa também se infetavam e apareciam manchas. Se, apesar disto, a pessoa continuasse na sua maldade, então o seu próprio vestuário começava a ganhar manchas de Tzaraat. Se se arrependesse, então tudo voltava ao normal. Senão, era a sua própria pele que mudava de cor e desta maneira o indivíduo ficava infetado de Tzaraat. Nesse caso era separado do povo até ao ponto de não poder conversar com ninguém, e tinha que ficar só.

Aquele que causasse que as pessoas se afastassem do seu próximo com os seus falatórios, era agora quem ficava afastado dos outros. Tal como fez aos demais, agora acontecer-lhe-á o mesmo.

Isto é o que De’s enfatiza quando nos diz que recordemos o que De’s fez a Miriam quando ela falou de mais acerca do seu irmão Moshé. Apesar de Miriam ser vários anos mais velha que Moshé, e de ter sido ela que salvou Moshé das mãos dos Egípcios que o iam matar, e apesar de não ter falado mal de Moshé, mas sim de apenas ter considerado Moshé no mesmo nível dos outros profetas, e apesar de Moshé não ter ficado incomodado por isso, De’s castigou Miriam com Tzaraat. A conclusão à que deveríamos chegar é a de que se isto aconteceu com Miriam, quanto mais cuidado temos que ter nós de não falar mal do nosso próximo.

Por tanto, é apropriado que quem quiser andar nos caminhos de De’s se afaste daquelas pessoas que nas suas reuniões falam mal dos outros ou criticam os seus semelhantes, para que deste modo não fique preso nas malhas destes falatórios e seja passível de castigo. Porque as pessoas vulgares costumam começar por falar de assuntos sem importância e logo passam a falar mal das pessoas justas e boas, e deste modo costumam criticar todo o mundo, inclusive os profetas, põem em causa a palavra destes mensageiros de De’s, e acabarão por falar mal de De’s e por renegar Dele.

No entanto a maneira de falar de uma pessoa justa e piedosa é abundante em palavras de Torá e sabedoria, com cuidado de não agredir ou magoar os outros.

Isto é o que Rambam escreve sobre este assunto no seu cometário a Pirkei Avot:

            Capítulo 1 Mishná 16

            Shimón seu filho diz: Todos os meus dias me eduquei entre os sábios e não encontrei       nada melhor para o corpo do que o silêncio. O principal não é o estudo, mas sim a ação            [ou seja, levar o estudo à prática quotidiana], e todo aquele que se excede em palavras,        carrega para si uma transgressão.

“Todo aquele que se excede em palavras, carrega para si uma transgressão.”

Afirmou o sábio [rei Salomão]: Da multidão de palavras, não se ausenta a transgressão. O motivo disto é devido a que quando a pessoa acrescenta comentários, certamente cairá em transgressão, pois é impossível que nos seus acrescentos não haja algo que não seja apropriado dizer [e que estava a mais]. A melhor prova de que alguém é sábio é que fala pouco, e o melhor indício de que alguém é insensato é falar em demasia [Refere-se a que se for possível dizer algo que possa ser perfeitamente compreensível utilizando duas ou três palavras, não deve fazer um grande discurso para dizer a mesma coisa], como está dito: A voz do insensato [vem acompanhada] da multidão de palavras e já disseram os sábios “Ser breve é a característica dos sábios” e foi dito no livro Hamidot: Um dos sábios mantinha-se bastante calado, porque não falava nem uma palavra que não fosse digna de ser dita, por tanto falava bastante pouco. E foi questionado: Qual é a causa dos teus assíduos silêncios? E respondeu: Analisei todos os diálogos e encontrei que se dividem em quatro categorias:

A primeira é completamente nociva, sem proveito algum, tal como as maldições das pessoas ou palavrões e coisas desse estilo, que quem as diz comete uma grande estupidez.

A segunda tem um prejuízo por um lado e um benefício por outro, como sejam os elogios às pessoas. Por um lado o elogiado [e os que escutam] aprendem o que é bom fazer, mas, por outro lado, esse elogio é algo que vai encolerizar o inimigo daquele indivíduo, e tentará prejudicá-lo. Por esse motivo, é preferível abster-se deste tipo de diálogos.

A terceira são aquelas coisas que não têm nenhum proveito nem nenhum dano, como é o caso da maioria dos diálogos das pessoas comuns, [como por exemplo] como foi construída tal parede, ou como foi construído o portão, o descrever a beleza da casa de fulano, ou a quantidade de torres de tal cidade, e coisas desse estilo. Apesar de todas estas coisas estarem dentro da categoria das coisas permitidas [de falar], isso não quer dizer que tenham algum proveito.

A quarta categoria contém aqueles diálogos cujo conteúdo é útil na sua totalidade, como as conversas sobre temas de sabedoria, de boas qualidades, ou das necessidades básicas do ser humano, como as necessárias para nos mantermos com vida e preservarmos [a nossa saúde]. Sobre estes assuntos é sim permitido falar.

Cada vez que escuto [ou participo de uma conversa], analiso-a. Se corresponderem à quarta categoria então converso, mas se pertence a alguma das outras três categorias, então fico calado.

Disseram os sábios de musar [ética]: este homem é digno de imitar.

E eu digo que a fala, de acordo com a Torá, se divide em cinco géneros: 1) Os que são um preceito, 2) Os que fomos advertidos [para não falar], 3) Desprezíveis, 4) Desejados e 5) Permitidos.

Na primeira categoria, os que são um preceito, incluem-se a leitura da Torá e o seu estudo, que é um preceito específico, como foi dito “E falarás delas” (Deut. 6:7), até ao ponto que [a sua importância] foi equiparada à de todos os preceitos [em conjunto].

A segunda categoria, as coisas que nos estão vedadas de falar, como o falso testemunho, a mentira, falatórios, maldições, palavrões e maledicências, tal como a Torá nos adverte em vários versículos.

A terceira classe refere-se às [conversas] desprezíveis, que não têm nenhum proveito para a alma do Homem, nem bom, nem mau. Como a maioria das coisas que as pessoas contam acerca do que aconteceu, ou quais eram os costumes de tal rei no seu palácio, ou qual foi o motivo da morte de fulano, ou como enriqueceu sicrano. Este tipo de diálogos foram chamados pelos sábios “Conversas vãs” e os piedosos esforçam-se por evitar este tipo de conversa. Conta-se acerca de Rab, aluno de Rabi Chiá, que nunca teve conversas vãs na sua vida. A esta categoria também pertencem aquelas conversas onde algum valor importante é desprezado, ou alguma baixa qualidade, seja moral ou racional, é enaltecida.

A quarta categoria pertence aos diálogos desejados, quer dizer, quando se fala acerca da importância [e elogio] de alguma boa qualidade, tanto das racionais como das morais, ou, pelo contrário, denegrir as más qualidades dos dois tipos [tanto as racionais como as morais]. Incentivar o espírito na direção das [coisas] elevadas, seja através de relatos e cantos, ou igualmente evitar, através desses mesmos meios, a baixeza. Do mesmo modo, elogiar as pessoas importantes e exaltar as suas boas qualidades, para serem imitados pelas demais pessoas. Igualmente menosprezar [a atitude de] os malvados, para que as suas ações sejam desprezadas aos olhos das pessoas e se afastem deles e não queiram imitá-los.

A quinta categoria, as conversas permitidas, refere-se às coisas que são lícitas falar para o seu comércio e manutenção, alimentos e bebidas, vestuário e demais coisas necessárias para a sua subsistência, tudo isto é permitido.

No entanto, esta categoria não é nem desejada nem desprezada. Se desejar pode falar sobre estes assuntos o quanto quiser, ou, se assim preferir, pode não falar nada destes assuntos.

Nesta categoria [enquadram-se] as pessoas que são elogiadas por fugir a este tipo de conversa. Os sábios do Musar já advertiram de não ter este tipo de conversa em abundância, mas quanto às conversas que se enquadram na categoria das vedadas (a segunda categoria), ou das desprezíveis (a terceira categoria), não é necessária advertência alguma, onde se impõe guardar um absoluto silêncio. [E não falar de coisas que estão proibidas]. Ao contrário, os diálogos cujo tema são preceitos (a primeira categoria), ou os desejados (a quarta categoria), se a pessoa pudesse falar deles todo o dia, seria o ideal.

No entanto há que ter cuidado com duas coisas: a primeira, que os seus atos sejam coerentes com as suas palavras, tal como disseram: “Belas são as palavras que saem da boca de quem as pratica.”, a isto se referiram ao dizer: “Não é a prédica o essencial, mas sim a prática.” e os sábios elogiavam quem lhes ensinava as boas qualidades dizendo: “Prega, pois tu és digno de pregar.” e disse o rei David: “Regozijai-vos no Eterno, ó justos. O elogio é belo para os justos.” (Sal. 23:1)

A segunda é ser breve, quer dizer, que se esforce em poder dizer muitas coisas com poucas palavras e não ao contrário. Isto é o que disseram os sábios: “Constantemente deve o mestre ensinar aos seus alunos o caminho sintético”.

É preciso que saibas que as canções, qualquer que seja a língua, devem ser selecionadas de acordo com a classificação de categorias que mencionamos no que diz respeito às conversas. Esclareço este ponto apesar de ser evidente, pois tenho visto anciãos e pessoas piedosas, pessoas de [muita] Torá, que, nos festejos, como nos casamentos ou parecidos, quando se quer entoar uma canção, [em honra dos homenageados] se as canções forem em qualquer língua [sem ser em hebraico], apesar do tema da canção ser a valentia ou a generosidade, e nesse caso se enquadrar na quarta categoria (dos desejados), ou [se o tema da canção for] acerca das virtudes do vinho, são [do mesmo modo] recusadas terminantemente. Mas se a canção for em hebraico, são aceites independentemente do conteúdo da canção, apesar de se tratar de coisas enquadradas na segunda categoria, do que nos está vedado, ou na terceira categoria, das desprezíveis. [Sem dúvida agir assim, ou seja, aceitar ou rejeitar as canções segundo a língua, independentemente do seu conteúdo] é um total disparate, porque não é a língua [o que as qualifica ou desqualifica], mas sim o conteúdo, pois se o seu conteúdo é bom, então deve dizê-lo, em qualquer língua que seja, e se a intenção da canção for algo desprezível, independentemente da língua, não deve entoá-la.

Mais um esclarecimento tenho para acrescentar acerca deste ponto, e é que, se houver duas canções, cujo tema em ambas seja aumentar a paixão e enaltecê-la, e se se agradará muito [às pessoas com esta canção], apesar de ser uma baixeza que se insere na categoria dos diálogos desprezíveis, pois inculca e incentiva uma baixa qualidade, tal como mencionei no quarto capítulo da introdução ao Pirkei Avot; se uma dessas duas canções é noutra língua qualquer e a outra em hebraico, ouvi-la em hebraico é uma afronta mais grave para a Torá, devido ao carácter exemplar do idioma hebraico, o qual não é digno utilizar senão para coisas elevadas. [A coisa] é pior, se acrescentarem versículos da Torá ou do Cântico dos Cânticos para esse tipo de canções, em cujo caso, já sai do grupo dos diálogos desprezíveis para se qualificar na categoria dos diálogos vedados. Pois a Torá proíbe que se faça com as profecias qualquer tipo de cantos [ou “slogans”] baixos para coisas desprezíveis.

Como já mencionei que o assunto da maledicência [Lashon Hará] entra dentro da categoria das conversas vedadas, vi oportuno esclarecer este tema, e recordar algumas coisas das que foram ditas a esse respeito. Pois o ser humano ignora que se trata da transgressão mais grave entre o Homem e o seu próximo, que se comete frequentemente. Ainda para mais tendo em conta o que disseram os sábios, que nenhuma pessoa está limpa do pó [quer dizer, não da calúnia em si mas de algo que ainda não chega a ser calúnia, mas está muito perto de o ser] da maledicência  (Avak Lashon Hará), e quem me dera que se pudesse salvar da maledicência em si.

A maledicência [Lashon Hará] é quando se relatam os erros ou defeitos de um indivíduo, ou desprezar a qualquer judeu, através de qualquer tipo de humilhação, apesar de na verdade o humilhado realmente ter esse defeito que foi relatado. Pois a maledicência não se trata de dizer sobre uma pessoa coisas que não sejam verdade, pois [quando não é verdade] isto denomina-se calúnia, [Motzí shem rá al chaveró –  tirar mau nome ao seu companheiro] mas a maledicência é humilhar um indivíduo, mesmo que com coisas que são verdade. Tanto quem diz [a maledicência] como quem ouve, estão a cometer uma transgressão. Disseram os sábios: “São três os que a maledicência mata: quem diz, quem escuta e aquele de quem se diz [o defeito].” Mais ainda disseram: “Quem escuta a maledicência peca mais do que quem a diz.”

O pó da maledicência é [por exemplo] falar dos defeitos de uma pessoa sem os especificar. Assim disse o rei Salomão, com respeito a este assunto: às vezes a pessoa transmite aos outros sem reparar algum defeito de um companheiro, sendo outra a sua intenção: “Como um louco que lança tochas acesas, setas e morte, assim é o homem que engana o próximo e diz: ‘Mas não o fiz eu na brincadeira?’ (Prov. 26:18-19) [Existe um relato no qual] um dos alunos de Rabí enalteceu em público um livro que o próprio autor lhe mostrou. E admoestou Rabí a ação de enaltecer em público o autor desse livro dizendo-lhe: “Afasta-te da maledicência.” O que lhe quis dizer [Rabí ao seu aluno, foi] tu provocas um dano [ao autor] ao elogiá-lo em público, pois entre os assistentes certamente se encontram pessoas que gostam [desse autor] e pessoas que o detestam, e então, aqueles que o criticam, ao ouvir os teus elogios, deverão sublinhar também os defeitos e os erros [desse autor]. Isto é o ponto ideal de afastamento da maledicência.

E o que a Mishná expressa: “A sentença sobre os nossos antepassados não foi selada senão pela [transgressão] da maledicência. Quer dizer, no acontecimento dos espiões que Moisés enviou para espiar a Terra de Israel, sobre os que foi dito: “E trouxeram as humilhações da terra” (Num. 13:32), disseram os sábios “Se os que não disseram calúnias, senão somente contra as árvores e contra as pedras, foram submetidos a semelhante castigo, aquele que fala dos defeitos do seu próximo, quanto mais grave será [o castigo]!” E assim se expressou a Toseftá [conjunto de dizeres dos sábios da época da Mishná, que não foram compilados na Mishná, mas sim na Toseftá – que literalmente quer dizer “acrescentados”]. Três coisas o Homem tem que pagar neste mundo e não tem parte no mundo vindouro: Idolatria, relações sexuais proibidas e assassinato, e a [gravidade da] maledicência [equipara-se] aos três juntos.” e disseram no Talmud: “Quando fizeram idolatria [o bezerro de ouro], foi utilizado o adjetivo ‘grande’, tal como diz: ‘Cometeu este povo um pecado grande’ (Ex. 32:31) e sobre as relações sexuais proibidas também foi utilizado o adjetivo ‘grande’, como disse [José]: ‘Como farei um mal tão grande?’ (Gen. 39:9) e no que diz respeito ao assassinato, também foi utilizado o adjetivo ‘grande’, como disse [Caim]: ‘Grande é a minha dor para poder carregá-la’ (Gen. 4:13). Mas quanto à maledicência, utilizou-se a palavra ‘grandes’ [no plural], querendo dizer que é equiparável às três juntas, é o que diz: ‘Uma língua que fala coisas grandes’ (Sal. 12:4). Muito falaram os sábios acerca do pecado da maledicência, e o mais grave que disseram sobre este tema: “Todo aquele que conta maledicências, renega dos princípios básicos do judaísmo, como está escrito: ‘A nossa língua faremos poderosa, nossos lábios estão connosco, quem é senhor sobre nós?’ (Sal. 12:5)

Apesar de me ter estendido bastante, referi-te apenas uma parte de tudo o que disseram no que diz respeito a este pecado; para que a pessoa se afaste com todas as suas forças, e tente permanecer em silêncio, refiro-me a esta terceira categoria de diálogos [Os desprezíveis].

Existe uma sensação palpável de anti-semitismo na Polônia, de acordo com um de seus principais rabinos.

Crédito de la foto: BOZENA NITKA.

Yehoshua Ellis, o rabino chefe de Katowice, vive na Polônia desde 2010 como emissário do Shavei Israel. Ele se mudou para Warsaw, há três anos, onde também atua como chefe da missão rabínica para os cemitérios judeus na Polônia e como assistente rabino-chefe rabínica de Varsóvia, Michael Schudrich.

Ele disse que desde que as tensões começaram a aumentar entre Israel e a Polônia na sexta-feira passada, a comunidade polonesa sentiu que a grama foi pisoteada.

“Há uma citação famosa que quando dois elefantes lutam, a grama sofre”, disse Ellis ao The Jerusalem Post. “Os judeus da Polônia são a erva nessa luta”.

Ellis explicou que muitos poloneses obscurecem a linha entre Israel e os judeus. “A linha entre israelenses e judeus não é tão grande, se ela existe, e nós estamos vendo mais declarações anti-semitas desde sexta-feira, o que poderia levar a ações.”

Última sexta-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi citado na mídia israelense como tendo dito que “os polacos cooperou com os alemães” durante o Holocausto. Embora mais tarde ele emitiu um esclarecimento que ele não estava se referindo à nação polonesa ea todos os poloneses, Polônia determinada no domingo que o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki não participar da reunião de líderes da República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia de Visegrad. O encontro acontece em Israel. Na segunda-feira, a delegação polonesa se retirou completamente.

Ellis disse que, embora a principal mídia polonesa relatou sobre a situação no que ele considera uma forma profissional, comentários sobre artigos e comentários são surpreendentemente “grande” e “extrema”.

“Em geral, toda vez que há um artigo sobre qualquer coisa judaica, você tem comentários muito desagradáveis ​​sobre os judeus”, disse Ellis. “Mas ainda mais quando você tem um artigo sobre israelenses, judeus israelenses, difamando a Polônia.”

A situação causou ainda mais tensão interna dentro da comunidade judaica polonesa, porque os judeus poloneses, explicou ele, “têm identidades múltiplas e concorrentes

Ele contou como uma mulher, que havia se reconectado recentemente com seu passado judaico, entrou em contato com ele na sexta-feira e perguntou: “O que devo dizer aos meus filhos? Onde nós caímos nesta linha?

“Isso pode ser uma briga entre Israel e a Polônia, mas parece uma luta entre o mundo judeu e o mundo não-judeu polonês aqui, e isso cria um corte nas identidades judaicas de muitas pessoas”, disse Ellis, observando que a situação é ainda mais surpreendente porque a Polônia tende a ter uma das menores taxas de incidentes anti-semitas.

“Não consigo me lembrar de um ato de violência física anti-semita que aconteceu aqui há muito tempo”, disse Ellis. “Eu realmente amo Varsóvia, é uma cidade muito especial, embora realmente não haja muitos judeus, é uma cidade muito judaica.

Ninguém realmente sabe quantos judeus vivem na Polônia. As estatísticas variam entre cerca de 5.000 e cerca de 50.000.

“Ninguém sabe contar aos judeus da Polônia”, explicou Ellis.

Isso ocorre porque há muitas pessoas que são judias de acordo com a lei judaica, mas não sabem que são judias; seus pais poderiam tê-los entregue durante o Holocausto ou escondido sua identidade por razões de segurança. Há pessoas que se identificam como judias, mas cujas raízes judaicas são, como Ellis as descreve, “escuras ou fracas”. Há pessoas que se identificam como judias, mas certamente não são judias, e existem vários convertidos.

“É uma mistura estranha”, disse Ellis com uma risada.

A comunidade de Varsóvia é muito ativa. Todas as noites, de acordo com Ellis, estão disponíveis duas ou três atividades judaicas diferentes organizadas por Hillel, Chabad, o Museu Judaico, B’nai B’rith, Maccabi ou o JCC.

Após a declaração do recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, de que “os poloneses bebem anti-semitismo do leite materno”, Ellis disse que os rabinos locais têm “tentado apagar os incêndios”.

Schudrich publicou uma carta hoje em que criticava Katz e disse que sua declaração “ofende os judeus poloneses que fazem parte dessa sociedade.

Ellis lembrou que esta não é a primeira vez que as relações entre Israel e a Polônia se estenderam. No início de 2018, a Polônia promulgou uma lei que dizia: “Quem alegar que a nação polonesa é responsável ou co-responsável por crimes nazistas cometidos pelo Terceiro Reich … estará sujeito a uma multa ou prisão de até três anos”. Esta lei levou a um aumento das tensões entre os dois países.

“A relação entre poloneses e judeus é imensamente complexa”, disse Ellis, observando que ele considera o valor central dos judeus como a verdade, enquanto os poloneses se concentram nos valores de Deus, honra e pátria, declarações impressas em suas bandeiras militares e parafernália oficial ..

“As duas nações têm valores fundamentais muito diferentes e somos obrigados a ter conflitos”, disse ele. “Nós só queremos que isso acabe em breve.