Quem é o Sábio?

Comentários da Porção Semanal de Yitro

 

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Na Parasha de Yitro somos testemunhas de um fenômeno extraordinário.

Por um lado, temos Moshe, que está prestes a receber a Torá das “mãos” do Criador, a Torá, que é a ciência das ciências, a sabedoria das sabedorias, a Torá que possui tudo escrito ou implícito. A mesma Torá, que os anjos do céu não quiseram deixá-la em mãos humanas por sua grande santidade, por seu alto grau de perfeição.

E este é Moshe, que se torna o mestre de todo Israel, a ponto de receber o título de “Rabeinu” = “nosso mestre”, que, se encontra uma montanha obstruindo sua passagem a Lei, a Torá, é capaz de perfurar a montanha. Moshe, eis que, ao chegar Yitro seu sogro, que não pertence ao povo de Israel, está disposto a obter o seu conselho. Continue reading “Quem é o Sábio?”

A pervertida e o hipócrita

Comentários sobre a Parashá NasoW9831

Povo De Profetas

Normalmente, lemos a parashá de Naso logo após Shavuot. Uma coincidência, é claro, mas estamos acostumados com o fato de haverem poucas coincidências no judaísmo.

Acabamos de comemorar a entrega da Torá, no qual todo o povo em conjunto, especialmente unidos entre si, testemunham algo muito especial. Não é mais um profeta que ouve as palavras de D’us em um evento particular: o povo todo tornou-se um Povo de Profetas, uma vez que todos nós ouvimos. É verdade que nem todos ouviram as mesmas coisas, pois ainda havia diferenças entre aqueles mais preparados e os menos preparados, mas ainda assim tornaram-se profetas.

Este povo deve iniciar agora o caminho à sua terra natal, até a Terra que o Criador jurou a seus pais lhes conceder. A estrada pode ser longa ou curta: eles mesmos decidirão, com o seu comportamento, suas reações, com sua preparação. Continue reading “A pervertida e o hipócrita”

O cuidado pessoal de D’us por cada um de nós

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Yitro

Chegamos a esta parashá com um dos legados mais importantes que o judaísmo deu à humanidade. São apresentados na Parashat Yitro os Dez Mandamentos para o povo de Israel.

Curiosamente, o compêndio conhecido como “dez mandamentos” começa com uma frase completamente estranha para um “mandamento”: “Eu sou o seu D`s”, e nos explica “que te tirei da terra do Egito, da casa de escravidão”. D`s é, dessa forma, apresentado para cada um de nós, semeando a fé e a fidelidade em nossos pensamentos e condutas, antes dos preceitos que nos passaria mais tarde. O estilo em que o Criador se apresenta ao seu povo marca uma diferença essencial entre o judaísmo e a maioria das outras religiões. O D`s que se apresenta neste primeiro mandamento não é uma divindade prescindente, que criou o mundo e recolheu-se a sua realidade transcendental, nem é um D`s cujas atitudes nos lembram as de um homem, vingativo e ansioso pela proeminência. A Torá nos apresenta aqui um D`s pessoal, direto, que acompanha e participa da vida de cada homem. Para Este D’s a Criação é um processo contínuo, que se renova a cada momento e em cada ato se manifesta em uma combinação harmoniosa entre a palavra divina e as ações humanas.

A apresentação do Criador não faz nenhuma menção à criação do céu e da terra, porque os dados não acrescentam em nada para a relação individual de um homem com o seu D`s. O D’s que tirou o povo do Egito, e os redimiu da escravidão, é um D’us participativo, que supervisiona a vida de cada um, que não ignora Sua responsabilidade e se envolve na história.

No final do texto deste comando está a base para o compromisso e a autoridade. Não há doutrina religiosa sem um sistema vertical de regulamentação com origem em sua fé. O D`s que reivindica sua participação na vida do homem individual deixa na mão do homem a decisão de aceitar ou rejeitar a sua realidade. O homem pode aceitar os ensinamentos e as doutrinas que são oferecidas, ou rejeitar, mas deve ser coerente com as suas próprias decisões, uma vez que gozava de liberdade absoluta no momento da escolha. D`s requer um compromisso absoluto de nós, baseado exclusivamente no exercício responsável de nossa liberdade de escolha!

O que dizemos, expressa o que somos

Comentário sobre a Porção Semanal de Metzorá

Em poucas ocasiões a Torá estabelece uma relação linear de casualidade entre ação cometida e castigo recebido. Esta parashá nos relata sobre uma epidemia de certa variedade não muito clássica da lepra, conhecida em hebraico como “tsara’at”, que ataca quem incorre na calúnia ou injúria (Lashon Hará).

“Tsara’at”, não é uma patologia física e sim espiritual; é a manifestação exterior de desvios íntimos do indivíduo, de índole moral e espiritual. O indivíduo que faz calunia ou injuria está afetando e debilitando o conjunto da sociedade, a espalhar o gérmen de um mal que leva em seu próprio interior. Continue reading “O que dizemos, expressa o que somos”

O Simbolismo das Vestimentas

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Tetzavê

 

A Torá dedica mais de quarenta versículos a descrição das vestimentas ordenadas a Moshe para prover como “vestimentas sagradas” aos sacerdotes. Em nossa parashá lemos uma descrição detalhada de tais vestimentas e dos materiais a serem usados para sua confecção. O aparato dos sacerdotes no Templo é descrito com o maior cuidado. As vestimentas eram suntuosas, segundo diz o versículo: “para sua dignidade e esplendor” Por que eram tão importantes as roupas do Sumo Sacerdote? Continue reading “O Simbolismo das Vestimentas”

O Refinamento dos Impulsos na Guerra

Parashat Ki Tetse

 

Na Torá três parashiot, incluindo esta, se referem aos atos do exército hebraico em circunstâncias de guerra.

O momento da guerra é um momento de emergência e pode manchar, repentinamente, todo o trabalho que foi feito durante muitos anos para educar ao povo no tocante a moral e valores humanos. A guerra converte aos homens em feras selvagens, sedentos de sangue e luta, impregnados de pecados e perversão.

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Santificação e Moralidade

Parashiot: Acharei Mot – Kedoshim

As vezes nos perguntamos de que forma as mitzvot santificam as atividades humanas. Esta parashá nos ensina que se o homem de Israel deseja ser santo, deve imitar a Deus, e podmeos encontrá-Lo em nosso interior ou exterior, a nível transcendental. Acreditar em Deus exige que o homem aspire desenvolver valores elevados e absolutos representados por Deus, que é o fator metafísico superior ao homem.

 

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