Responsabilidade dos Adultos

Comentário sobre a Porção Semanal de Torá Emor

 

Avisar aos maiores sobre os menores

No início deste Parashá, a Torá usa uma expressão especial: “Diga aos sacerdotes, filhos de Aharon, e lhes diga”. Se trata de uma redundância imperdoável na Língua Portuguesa. Mesmo no hebraico bíblico, que não economiza nas redundâncias, esta parece especialmente estranha.

Isso fez com que os comentaristas aplicassem um significado especial, já no Midrash, e reafirmado pelo grande comentarista Rashi: Esta redundância nos ensina “a alertar os maiores sobre os menores.”18_10_2010_003101

O significado desta frase é que, recai aos adultos a responsabilidade de educarem seus filhos. Isto é óbvio, uma vez que todos entendem que os adultos devem educar as crianças. A obrigação de “ser frutífero e multiplicar-se”, como orienta a Torá no primeiro capítulo do Gênesis, não se limita a dar à luz a uma criança, e, em seguida, deixá-la crescer selvagem. Os pais têm a obrigação de educar seus filhos, para incutir nestes, valores e, ajudá-los a descobrir os poderes e as qualidades que possuem.

Este comando inclui a obrigação de avisar as crianças quando elas desviam do caminho certo, sempre com boas palavras para que estas estejam dispostas a aceitar as instruções paternais. Os pais devem se tornar bons conselheiros dos quais os filhos estão sempre dispostos a ir quando têm problemas ou dúvidas.

Portanto, é evidente que os pais são responsáveis pela educação dos filhos. Por que, então, se repete esta obrigação neste contexto?
Continue reading “Responsabilidade dos Adultos”

Como Viver com a Cabeça Alta?

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Acharê Mot-Kedoshim

 

Esta Parashá nos ensina uma fórmula, recomendada pelo judaísmo, para manter sempre viva a esperança, para que o homem não se submeta a rotina. Sobre cada pessoa do Povo de Israel recai o preceito de contar quarenta e nove dias, desde a segunda noite de Pessach até Shavuot, para, então, dirigir-se ao Templo, e apresentar as oferendas chamadas de Bikurim.

A contagem do Omer, as sete semanas entre Pessach e Shavuot, possuem, por um lado, um significado prático relacionado com a agricultura: o término destas sete semanas coincide com o momento da colheita, e, é por isso que em Shavuot, as premissas, “Bikurim” em hebraico, são oferecidas no Templo. Por outro lado, a contagem do Omer conecta e vincula a festa de Pessach com a festa de Shavuot, a saída do Egito com a entrega da Torá: “Sefirat HaOmer” é, portanto, o símbolo do processo inevitável que transcorre da liberdade física para a liberdade espiritual.

Aqui aprendemos que a redenção espiritual não pode, jamais, ser instantânea. É necessário passar por quarenta e nove dias, para que sua necessidade seja clara. Um povo não pode viver sem uma identidade cultural, sem uma moral, sem leis, sem preceitos, sem normas, sem uma consciência coletiva, elementos estes que não vêm acompanhados a liberdade física, e sim, exigem uma maior elaboração interior.

A redenção, simbolizada atualmente pela vinda do Mashiach, é permanentemente uma meta a ser alcançada, um processo a ser concluído. Como expressa o Rabino Charlap, “é mais importante a atitude baseada na esperança na vinda do Mashiach, do que a própria vinda”. Pois a redenção é construída, antes de mais nada, pela intensidade de fé que conduze a vida de cada um.

A contagem do Omer, assim como a espera pela redenção, são símbolos que orientam a pessoa em sua vida física e espiritual. O homem judeu deve sempre viver com sua cabeça para cima e os olhos olhando para frente, visando o futuro. A obrigação religiosa de contar cada dia durante um período de sete semanas nos educa a necessidade de ter esta mesma atitude com relação ao futuro. A esperança com a qual invocamos a chegada do Mashiach é um elemento que manifesta nossa perspectativa em direção ao futuro de nosso povo, e, da humanidade em geral.

Conselhos sobre as Relações Conjugais

 

Comentário sobre a Porção Semanal de Torá – Tazriá e Metsorá

 

Relações Conjugais

No final da Parashá Metsorá, no capítulo 15 do livro de Vaicrá (Levítico), são explicadas as leis da Torá relativas às relações conjugais.

Na realidade, o primeiro mandamento que aparece na Torá é o de “fecundais e multiplicai-vos”, já no primeiro capítulo, que abrange, obviamente, todas as leis relacionadas com esta reprodução, que serão especificadas em outros capítulos da Torá Escrita e na Torá Oral.

Não é nenhuma novidade que tanto homens quanto mulheres buscam o prazer nessas relações, nem é necessário que encará-las como sendo algo proibido. Ao contrário, todos os mandamentos divinos, mesmo sem possuir um fundamento ou razão que justifiquem o prazer, devem ser cumpridos com alegria e satisfação, pois estamos cumprindo com a vontade do Criador. Recebemos, inclusive, mandamentos como o de ter “Prazer no Shabat”, ou as “bênçãos para situações de prazer”. O jugo que nos foi imposto pelo Criador não deve ser cruel nem difícil, e, sim, pelo contrário, é destinado a nos levar ao maior prazer possível.

Mas o prazer não é o ponto, e sim, o cumprimento dessa vontade divina. E quando se confunde a ordem, a se prioriza o prazer a missão, os problemas começam.
Continue reading “Conselhos sobre as Relações Conjugais”

Comia Seu Pão!

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Vaicrá

 

Tópicos desatualizados?

A maior parte do Livro de Vaicrá (Levítico) é dedicado aos sacrifícios oferecidos no Tabernáculo. O livro aparece logo após a longa descrição da construção do Tabernáculo, como consta na segunda parte do livro de Shemot (Êxodo). A pergunta que muitas pessoas fazem ao ler estes capítulos é a seguinte: “Qual a necessidade de estudar todas estas questões hoje, quando já estamos cerca de dois mil anos sem um templo ou mesmo, sem realizar sacrifícios?” “Não seria melhor deixá-los de lado e nos dedicarmos a estudar questões mais atuais?”

Outros questionam de maneira mais ‘picante’: “Necessitaremos novamente de todo este conhecimento para a construção do Terceiro Templo, ou será um Templo sem sacrifícios de animais?” “As associações de defesa aos animais nos permitirão restabelecer um serviço no Templo, do qual vários touros têm suas gargantas cortadas, diariamente?” “E os vegetarianos – são obrigados a comer o sacrifício de Pessach, uma vez ao ano?”
Continue reading “Comia Seu Pão!”

A Personalidade do Povo

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Bechukotai

 

A Tribo de Educadores122420136318 (1)

O Livro de Vayicrá vem a ser a essência do povo de Israel, sua personalidade mais íntima. Neste vimos os mandamentos relacionados com o Tabernáculo, que é o centro de nossa existência, os sacerdotes e os levitas, que são os responsáveis pela execução das funções mais importantes e mais delicadas: a educação, a justiça e a reabilitação do Povo.

Muitos acreditam que os sacrifícios eram apenas cumprir com os rituais, ofertas trazidas por aqueles que tinham algum pedido ou qualquer expiação, e isso era suficiente para receberem o favor do Criador. O Profeta Shmuel (Samuel) teve o cuidado de explicar ao Rei Shaul (Saul), que todo aquele que utiliza os sacrifícios como “mágica” para apagar os pecados, não é mais do que um rebelde, pois significa que continuará como antes, com os mesmos defeitos não corrigidos e sem esperança. Continue reading “A Personalidade do Povo”

A Nudez da Terra

Comentários sobre a porção semanal da Torá de Metsorá

 

Identidade Nacionalshutterstock_israel-ref-g

Estamos nos preparando para Pessach, na qual lembramos a nossa libertação da escravidão no Egito e nossa independência nacional. Na verdade, é o momento em que surgimos no mapa das nações.

Até este momento, não éramos mais do que um conglomerado de tribos, escravizados pela superpotência egípcia. Não tinhamos nenhuma identidade nacional.

O que aconteceu no Egito? Como isso influencia a formação de nossa identidade nacional? Estas são questões muito importantes que, encontramos algumas respostas nos livros do Maharal de Praga, escritos há quase quinhentos anos atrás. Estão, especialmente, no livro ‘Gvurot Hashem’ (Os Poderes do Criador). Continue reading “A Nudez da Terra”

A Cura das Almas

Comentário sobre a porção semanal da Torá de Vayicrá

 

A razão para os sacrifícios no Templo14959M

Nossos Sábios indicam que, desde o primeiro homem, Adão, protótipo do gênero humano, se ofereciam sacrifícios ao Criador. No casa de Adão, quando ele se conscientizou de sua criação, como aprendemos no tratado de Chulin (60a) e no Yalcut Shim’oni, a partir de um versículo do Salmos (69:32). Assim como seus dois filhos, sendo que, um foi aceito, enquanto que o outro foi rejeitado, provocando uma inveja mortal. Depois deles, Noach (Noé) também faz um sacrifício ao Criador ao deixar a Arca, onde permaneceu preso durante o Dilúvio (8:20).

Encontramos outros sacrifícios na Torá até chegarmos aos Patriarcas, que construíram, no total, sete altares, indicando em alguns deles que serviam para “invocar o Seu nome”(cf.12:8). Esta expressão nos mostra que Avraham envolvia as pessoas a sua volta e não se contentava com uma ação particular. Continue reading “A Cura das Almas”