Redenção Material e Espiritual

A redenção de Israel do Egito é a raíz de todas as redenções, e é a base da existência de Israel até o presente, e é através desta que conquistaram o mérito de receber a Torá e entrar na terra de Israel. Sendo assim fomos instruídos a lembrá-la duas vezes por dia, de modo que nossos sábios acrescentaram esta lembrança às preces de Shacharit e Arvit. Deste modo, lembramos também no Birkat Hamazon (agradecimento após as refeições) e em outras orações.

Continue reading “Redenção Material e Espiritual”

O Mishkan

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Pekudei

 

imagesParasha Pekudei é a última de uma série de Parashiot que descrevem todos os detalhes da construção do Mishkan! Mishkan este, que seria usado como a Casa da Presença Divina neste mundo até que os Filhos de Israel chegassem neste lugar que estamos hoje – Jerusalém – e construíssem o Beit Hamikdash.

Continue reading “O Mishkan”

As quatro etapas

Comentários sobre a Porção Semanal da Torá – Vayakhel

Pelo Rabino Yehoshua Ellis
imagesEsta Parashá apresenta algumas distinções. Geralmente esta vem acompanhada com a sequencia, a Parashá Pikudei, finalizando o Livro de Shemot.

Em Vayakhel é apresentado a lista de contribuições de Bnei Israel, os filhos de Israel, para a construção do Tabernáculo. É dada especial atenção aqui a extraordinária generosidade das pessoas neste episódio.

Continue reading “As quatro etapas”

O Ungido

Comentários sobre a porção semanal da Torá – Ki Tissá
Óleo 1

O Óleo de Unção

A porção de Ki Tissá (Êxodo 30:11 – 34:35) inclui muitos temas, todos muito interessantes, e, entre estes está, certamente o mais famoso, a história do Bezerro de Ouro. Mas a Parashá também apresenta outros temas menos conhecidos, dos quais convêm ter um conhecimento mais extenso.

Entre estes temas está a questão do Óleo de Unção. No capítulo 30, versículos 22-33, a Torá descreve o método de preparação deste óleo, no qual vários outros ingredientes eram misturados com o óleo, tais como a canela, a mirra e etc.

A preparação era muito difícil uma vez que os ingredientes deveriam ser cozidos sem queimar o óleo, por isso o Talmud oferece várias possibilidades de como cozinhá-los, como, por exemplo, na água retirando logo em seguida e, então, adicionando o óleo, mantendo a água com óleo sobre o fogo lento até que a água se evaporar, deixando apenas o óleo impregnado às essências.

Este óleo estava destinado – como está escrito na Torá – a ungir: o Tabernáculo, cada uma de suas peças, e os sacerdotes (Cohanim) que serviriam nele. No capítulo 40 do livro de Shemot (Êxodo), e, em seguida, no capítulo 8 do livro Vaicrá (Levítico) está a descrição da unção dos Cohanim. A maneira de untá-los, que não aparece na Torá Escrita, mas sim, somente, na Torá Oral, era feita na forma da letra grega χ (“chi”), tal como uma lâmina, a frente dos Cohanim. O Salmo 133 menciona de maneira indireta a unção de Aharon, descrevendo as gotas de óleo que desciam pela sua barba, e explicam nossos sábios que, milagrosamente, ficaram como duas pérolas brilhantes no final de sua barba e cada vez que se banhavaestas se escondiam nas profundezas de sua barba e voltavam a sair quando se secava.

Portanto, o capítulo 4 do livro Vaicrá, trata do Sacerdote Ungido, que ao cometer um erro deveria oferecer um sacrifício especial “Chatat”.
Ungido

É hora de dizer que a palavra hebraica para “ungido” é מָשִׁיחַ (“Mashiach”), que os gregos transcreveram como “Messias”. A tradução grega de “ungido” é χριστός, transcrito ao português como “cristo”.

A Torá em nossa Parashá (Shemot 30: 32-33) estritamente proíbe usar o óleo da unção para qualquer uso profano, sob pena de “Caret” (remoção do Povo). E nossos sábios ensinam que este óleo foi mantido no Templo para servir mais tarde para ungir o Rei David, uma vez que seu papel sociopolítico estava intimamente ligado com o espiritual, nível este que o Rei Saul não alcançou. Em teoria, um novo rei da mesma dinastia não precisaria ser ungido, e deveria ser feito somente no caso de haver alguma disputa sobre a sucessão do reinado, como aconteceu com o Rei Shlomo, que teve seu reinado contestado por Adoniyá.

A razão básica está na profecia de Yaakov, no Livro de Bereshit (Gênesis 49:10), quando é afirmado que a haste permanecerá na tribo de Yehudá. Saul era da tribo de Biniamim, e reinou somente pois havia uma necessidade temporária do povo. Contudo, o reinado ‘pertence’ à tribo de Yehudá, e quando chegou o momento de David reinar, este então foi ungido pelo profeta Samuel. Isso não impede a David de, enquanto vivia Shaul e mesmo depois de sua morte, referir-se ao Rei Saul – repetindo uma e outra vez – como “Messias”, o “Ungido do Senhor” (veja Shmuel 1, 24: 6;26, 11; 26:23. Shmuel 2, 1:14, e outros mais).
Seres Humanos

Tanto no caso de David quanto de Saul, se trata de seres humanos que não alcançaram o nível de profetas, embora tenham chegado muito perto. O livro dos Salmos não é profético, mas sim, ‘inspirado’ pela “Ruach-Hacódesh” (Espírito de Santidade), um grau abaixo da profecia. E assim também os livros do Rei Shlomo e o resto dos livros de Ketuvim, que formam a terceira parte do Tanach (acrônimo de Torá, Neviim e Ketuvim).

Portanto, devemos entender que o conceito de “ungido” e “Messias” não significa em nenhum momento que este tenha atingido o grau de profecia. Se as citações acima não foram suficientes, mencionemos um versículo do profeta Yeshayáhu (Isaías 45:1), onde está escrito: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita…”. Este personagem, Ciro, era o rei que estava destinado por D’us para permitir o retorno do povo de Israel à sua terra natal depois de setenta anos de exílio. Mas este tampouco era um profeta ou dotava de qualquer dom ou milagres sobrenaturais.

Assim, em todos as citações do Tanach em que esta palavra aparece, esta deve ser entendida como o “rei ungido”, seja através do óleo da unção, ou, através de outro modo.
O Falso Rei

Como então os cristãos interpretaram este conceito de uma maneira tão diferente? Certamente começa com a suposição de que o judeu de Nazaré do qual deificaram tornou-se o “Rei dos Judeus”, como dizem que escreveram, em tom de escárnio, INRI: “Iesvs Nazarenvs Rex Ivdaeorvm” quando, na verdade, nunca foi rei. Não somente pois não assumiu nem a coroa e nem o trono, mas também porque não possuía um reinado, um território nacional, instituições nacionais, e etc. Não é suficiente a declaração de seus seguidores, que tentaram assim como o fizeram muitos outros aspirantes a coroa ao longo da história, e em diferentes países, que, por maior a quantidade de seguidores que possuíam, por nunca haverem consolidado um reinado não podem ser considerados ‘reis’. O próprio Rei David, apesar de ter sido ungido pelo profeta Samuel, continuo se referindo ao Rei Saul como “Messias do Senhor”, sendo que ele era o único que governava o país. Somente quando consolidou seu reinado, é que foi capaz de usar este atributo, em alguns Salmos, ao se referir a si próprio (por exemplo, 89:39, e em outros sete lugares).

Logo em seguida, os cristãos agregaram a sua crença que este tal nazareno era “filho de deus” e profeta, apesar de a profecia ter sido extinguida cerca de quatro anos antes do início do Segundo Templo. Em relação a ser “filho de deus”, isto diz respeito, na verdade, a um verso no livro de Shemot (Êxodo 4:22), que afirma que todo o povo de Israel é filho de D’us, os filhos primogênitos, e este nazareno como judeu, poderia ser assim considerado assim como o resto dos judeus. Os pagãos entenderam a sua própria maneira, como Aquiles que era filho da deusa Tétis, e outros muitos heróis gregos e romanos que acreditavam ser filhos de diferentes deuses, e assim, o nazareno foi também considerado o filho do D’us dos judeus.
Forças Sobrenaturais

Houve também, ao longo da história do Povo de Israel, muitas pessoas que fizeram ‘milagres’. O milagre é o resultado de uma conexão especial com forças sobrenaturais, que pode ser positiva, divina, ou negativa, resultado do pecado. A Torá proíbe a prática de uma série de magias e feitiçarias com as quais é possível alcançar um resultado ‘milagroso’, mas proibido. Quem está conectado com o Criador pode acessar um nível sobrenatural e, consequentemente, suas ações também serão sobrenaturais. Isso, como dissemos, ocorreu muitas vezes no Povo de Israel com pessoas que não necessariamente eram profetas, pois temos conhecimento de que ainda na época do final do Segundo Templo, os sábios praticavam tais milagres como ressuscitar mortos, mas não por isso eram considerados profetas.
A Introdução de Maimônides

O grande sábio Maimônides de Córdoba, no seu prefácio ao capítulo ‘Chelek’ do tratado de Sanhedrin, resume o tema do “Messias” a quem seguimos esperando, com estas palavras:

” A era do “Messias” acontecerá quando Israel recuperar o seu reinado e voltar para a Terra de Israel, e o rei será muito poderoso, e o palácio será em Sion, e irá tornar-se muito famoso e conhecido em todo o mundo, muito mais do que o Rei Shlomo, e todos farão as pazes com ele, e todas as nações o servirão por sua grande justiça e as maravilhas que irá fazer, e todos aqueles que se opõem a ele serão destruídos pelo Criador e entregues em sua mão. E todos os versos apontam para o seu sucesso e nosso sucesso com ele. Mas isso não significa que mudará algo no mundo, uma vez que tudo seguirá as mesmas leis naturais que temos agora, apenas que, o reino (independência) voltará a Israel, e assim os nossos sábios dizem: “não há diferença entre os nossos tempos e o tempo messiânico a não ser o jugo das nações” – (que não será sob o jugo dos outros). E nesta era messiânica existirá ricos e pobres, fortes e fracos, mas a economia será mais acessível, e com pouco trabalho se alcançará muito, e, nesse sentido afirmaram que “no futuro, a Terra de Israel produzirá pão e seda”, sendo que as pessoas dirão quando encontrar algo pronto e preparado “ele encontrou o pão cozido e a comida pronta”, mas ainda haverá trabalho, já que os ‘estrangeiros serão seus agricultores e seus viticultores’, para que as pessoas entendam que continuará existindo o plantio e a colheita. Por isso, o Sábio repreendeu a seu aluno que não entendeu o exemplo e levou-o ao pé da letra, e respondeu de acordo com a sua capacidade intelectual, mas sua resposta não foi completa, e sim “respondeu ao tolo segundo a sua estupidez”.”

“E a grande vantagem deste momento será o descanso do trabalho para as nações, que nos impede de cumprir os mandamentos, e a sabedoria irá aumentar, como foi dito “e a terra se preencherá de sabedoria”, e, eventualmente, terminarão a guerras, como foi dito “uma nação não levantará a espada sobre a outra”, e poderemos nos complementar para alcançar o Mundo Vindouro. E este Messias morrerá e então reinará seu filho depois dele, e depois seu neto, como consta na profecia “não descansará e nem morrerá antes de garantir a justiça na terra” e seu reinado irá durar muito tempo, e a vida das pessoas também durará mais, porque quando não há mais preocupações e dores, a vida é mais longa, e assim não será estranho que esta durará milhares de anos…”

Como vemos, tudo isso está longe das falsas crenças cristãs e é muito importante conhecer o assunto mais profundamente e não se deixar enganar por palavras e citações de alguns versos cujo significado real desconhecem, e interpretam da maneira que quere.

Já estamos muito próximos da época de Mashiach, observando como a sabedoria tem se difundido por toda a terra e como a vida tem se tornado mais fácil, embora a fase de reconhecer Israel e a nossa sabedoria ainda esteja um pouco distante do ideal, mas isso também poderá mudar de um dia para o outro, como já aconteceu antes e depois da Guerra dos Seis Dias. Continuamos, portanto, à espera da vinda do verdadeiro Messias, de acordo as instruções do Maimônides, que pode acontecer a qualquer momento.

O que é um templo, se não uma concessão de D´us às necessidades do homem?

Comentários sobre a Porção Semanal de Tetzavê
Pelo Rabino Eliahu Birnbaum

 

holding house representing home ownership

Não é irrelevante, mesmo em nosso tempo, quando carecemos do Beit Hamikdash, estudar as precisões “toratísticas” sobre a construção e a operação do santuário. O conceito judaico daquilo que deveria ser um santuário é irredutivelmente relacionado ao conceito hebreu de casa: um local que se oferece aquilo que se possui, e que se consagra o espaço como ele é. Apesar da distância histórica e, portanto, psicológica, que nos separa do Tabernáculo e todas as leis relativas a oferendas e sacrifícios, é possível – e até necessário – aprender sobre o Tabernáculo, o santuário construído pelos nossos antepassados no deserto, com todos seus inúmeros ensinamentos e valores que permanecem válidos de maneira intacta até os dias de hoje. Não menos do que um ponto central de oferendas rituais, o Mishkan foi a fundação da memória do Povo. Um centro espiritual cujo propósito e missão era manter viva a consciência do Povo de Israel, respeitando os compromissos e obrigações adquiridos aos pés do Monte Sinai.

O Tabernáculo é um santuário carregado pelo povo para todos os lados. Não é D’us que precisa dele, mas sim, os homens. São eles que o construíram como uma linha direta de comunicação entre o puramente espiritual com a existência cotidiana, o humano, a existência temporal. De alguma forma, o Tabernáculo é uma concessão de D’us à natureza do homem. É o que o Redentor fornece ao homem, que com todas suas fraquezas, necessita um elemento material para lembrar suas funções transcendentais.

O Tabernáculo inclui, por sua vez, quase todos os elementos que fazem de um espaço fechado, um lar. Uma mesa, uma caixa (ou armário), uma pia, um lustre… Tudo, com a exceção das camas ou de qualquer outro objeto no qual possa-se se apoiar. Estes seriam móveis “incomuns” na casa e no santuário de D’us. Tal similaridade tende a revelar que cada casa, e cada lar, deve e pode – na concepção judaica – ser equiparada a um santuário. O “Baal Habait ” (proprietário) deve tentar garantir que sua casa tenha o devido grau de pureza, espiritualidade, propensão à justiça, etc., que se encontrava no Tabernáculo, no templo de Jerusalém. Inversamente, esta comparação material entre o santuário e o lar demonstra que o homem pode e deve sentir-se no Tabernáculo, como se estivesse na sua própria casa.

A falta de camas, ou de itens similares, no Mishkan, demonstra que a visita de cada homem no Tabernáculo deve ser sempre algo novo. O dinamismo e a mudança são as únicas evidências aceitáveis frente às expectativas perfeccionistas de renovação espiritual permanente, que inspira a Torá. A cama, o lugar onde o homem dorme, representa o fixo e o imutável, enquanto que, o Tabernáculo, deve ser um lugar de permanente renovação espiritual para o homem judeu.

Hoje em dia, sem o Mishkan e o Mikdash, não possuímos nenhum lugar no qual a santidade possa ser atribuída ao nosso compromisso diário com o Criador. Ao invés disso, instituímos o “Beit HaKnesset” (lugar de congregação), um pequeno santuário em que expressamos as funções que uma vez aceitamos em prol de um destino mais importante. O Beit HaKnesset tem para nós – como um local de oração, estudo e reflexão – este mesmo significado. Um lugar onde, mesmo sem nenhuma oportunidade de descansar, o homem se sente em casa.

Ajuda ao próximo

Comentários sobre a Porção Semanal da Torá – Mishpatim

 

ANIMAIS

burro-perdido-300x225

No capítulo 23, versículos 4 e 5, encontramos um assunto que desperta nosso interesse. Ambos os versos falam sobre animais. A primeira fala de um boi ou um jumento que foram perdidos, e a Torá nos diz para devolvê-los aos seus donos. O segundo verso fala também de um burro que caiu com o peso de sua carga, e a Torá obriga-nos a ajudar a descarregar o burro, de modo que o animal não sofra.

Continue reading “Ajuda ao próximo”