A serpente de cobre

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Chukat

 

Dez vezesbraznegv

Já passaram quase 40 anos de exílio no deserto. Durante todo este tempo, testamos a paciência de nossos líderes e de nosso Criador. “Me testaram dez vezes” se queixava o Criador quarenta anos antes, no pecado dos espiões. O número dez é o número da multiplicidade, já não são mais unidades, agora são dezenas de provas.

Mas, finalmente, depois de uma longa espera, chegou a ordem de partida e os filhos de Israel, convertidos em Povo, já com leis nacionais estabelecidas pelo próprio Criador e, entregues por nosso líder Moshe, já se dirigiam para a Terra Prometida.

Mesmo esta fase não é fácil e, uma vez que, por causa do pecado dos espiões, nosso caminho pelo sul foi fechado não há escolha a não ser desviar em direção a nossos primos distantes, os edomitas, os amonitas e os moavitas. Para não invadir suas propriedades, a opção era entrar pelo deserto da Síria, um deserto enorme e cruel, onde ninguém se atrevia a entrar. Continue reading “A serpente de cobre”

Oficina Família

Comentário sobre a porção da Torá de Nassô

 

A mal orientadafamilly

A Parasha Naso possui um longo parágrafo que trata da Sotá, geralmente traduzida como “a mulher rebelde”.

Se trata de uma mulher casada que estabelece uma relação com outro homem. Entretanto não sabemos exatamente de que relação se trata, se é uma relação amistosa, cultural, social, terapêutica, amorosa, de um relacionamento, etc.

Qual deve ser a reação do marido? Que ‘direitos’ tem o marido ao se tratar das relações de sua esposa? E o contrário, se o marido está tendo relações sexuais com outras mulheres, o que acontece? Continue reading “Oficina Família”

Testemunho para Israel

Comentários sobre a porção semanal da Torá de Bamidbar

 

Treze que são um

Nesta parashá nos deparamos com o censo dos filhos de Israel, cada um se referindo a sua respectiva tribo, de acordo com as doze tribos. Bem, na verdade seriam treze, pois a de Yosef é dividida em dois: Menashe e Efraim. De qualquer maneira, sendo que a de Levi está sempre separada do resto das tribos, podemos ainda considerar a contagem das Doze Tribos.

Os Sábios fornecem um significado supremo de singularidade, uma vez que existem quatro tribos das duas concubinas (de Yakov), além das outras oito tribos descendentes de Rachel e Lea, sem contar a de Levi que vem separadamente. Juntando as letras “guemátricas” que representam os números 1, 8 e 4, forma a palavra “echad”, que significa “Um”. Desta maneira, todas essas tribos unidas se cria a maior unidade, como está escrito em Crônicas I (17:21) (também em Samuel II 7:23) “Quem é como o teu povo Israel, UMA nação na terra”, significando tanto “única” como “unida” ou “unificada”.

Nossos Sábios, em outro nível, comparam estes versos com o famoso verso do Shemá Israel (Deuteronômio 6:4) “Ouve, ó Israel, o Senhor é nosso D´s, o Senhor é Um”, dizendo que como o Criador é Um e Único nos Céus, o povo de Israel é Um e Único na terra, pela missão especial que D´us lhes confiou e pela predisposição do povo em cumpri-la.

 

Cresçam e se multipliquem

Isso se torna possível precisamente por causa do censo.

No censo se descobre que cada um dos membros da tribo guardou, estritamente, as regras e as relações familiares da maneira mais adequada para cumprir o primeiro mandamento da Torá: “Cresçam e se multipliquem” (Gênesis 1:27).

Este comando não deve e não pode ser entendido como um acasalamento simples como visto no mundo animal. É algo muito mais especial. No início do quinto capítulo do Gênesis (5:3) vemos que Adão gerou seu filho em sua ´imagem e semelhança´, um termo que nos lembra do primeiro capítulo (Gênesis 1:26-27) em que diz que o Criador criou o homem ´à sua imagem e semelhança´.

O que significa esta expressão? Sem entrar em detalhes, explica-se no início do livro de Maimônides, “Guia dos Perplexos”, o significado exato dos dois substantivos ‘imagem’ e ‘semelhança’, que devemos entender que não se trata simplesmente de acasalar-se, mas buscar criar (pro-criar) mais descendentes, assim como o Criador nos criou com qualidades que nem sempre são fáceis ou realizáveis.

Transmissão da condição

O Livro de Kuzari explica as palavras de nossos sábios (Talmud, Eruvin 18b – e consulte o Guia dos Perplexos, Parte 1, Capítulo 7), que Adão não conseguiu em todos os seus filhos a procriação desejada e apenas em Hevel e Shet, as alcançou, enquanto que o resto de seus filhos não chegaram a esta condição. Isto significa que quando não estamos adequadamente preparados para cumprir com este mandamento podemos realmente causar mais mal do que bem. De qualquer forma, a partir da entrega da Torá no Monte Sinai chegamos a um nível especial, uma condição que permite que todos os nossos descendentes já estejam na condição desejada, sem exigir muito esforço dos pais, pois a condição se tornou hereditária.

Mas herança não é suficiente, é claro. É sempre necessário uma predisposição, conforme especificado pelo Rabino Moshe ben Nachman (Nachmanides) em seu livro “A Epístola da Santidade” (Igeret Hacódesh), que lista as condições e explica as atitudes adequadas para que a procriação seja através de um benefício real, segundo as ordens do Criador nos Seus comandos.

Testemunho para Israel

Ao fazer o censo de todo o povo, a Torá nos mostra que todos, cada um deles, soube como executar esta missão especial de procriação, tornando-se assim, como consta no Livro dos Salmos (122:4) “As tribos de Y-A, testemunho pata Israel”, isto é, que o próprio Criador atestou a veracidade de que tinham se cumprido as condições corretamente e assima, tornaram-se um povo de profetas, o povo do Criador!

Devemos notar que dentro do Povo também havia divisões: a tribo de Levi, a tribo de Judá, etc. Estas divisões não queriam dizer que uns eram mais importantes que outros e que alguns podiam não ter qualquer importância.

Não! Simplesmente existem diferentes missões, e enquanto uma tribo está mais preparada para uma função a outra está para outra. Portanto, cada tribo estava localizada em um lugar especial em torno do Tabernáculo. Alguns leste, alguns sul, oeste e norte. E em cada um dos lados havia também uma ordem: meio, direita e esquerda. Nossos sábios nos dizem que ao chegar à Terra de Israel, as tribos receberam sua herança de acordo com estas posições.

A Torá também nos diz que, três vezes por ano, deve-se reunir todas as tribos no Tabernáculo, ou no Templo que se seguiu, para tornarem-se um só povo e agradecer e adorar o Criador. Nas três peregrinações, Pessach, Shavuot e Sucot, todos se uniam, se misturavam, como o próprio Salmo 122 relata, e assim, juntos, se apresentaram diante do Criador, para louvá-lo e adorá-lo. Estas reuniões anuais eram muito importante para renovar a sensação de que, durante os quarenta anos no deserto em que percebiam por fricção e cotidiano, como é necessária a identidade tribal, que também não podiam substituir a identidade nacional, e encontrar nela sua localização específica.

De qualquer forma, parece que em um determinado momento da história, no final do Primeiro Templo e no princípio do Segundo, a distinção tribal desapareceu. As pessoas já não tinham mais conhecimento de sua identidade tribal. Desapareceram no tempo de Senaqueribe a maioria das dez tribos do norte, embora grupos valiosos de cada uma das tribos haviam se refugiado no reino do sul e, portanto, quando as Dez Tribos foram exiladas e perdidas, estas deixaram “cópias” de cada uma misturadas nas tribos de Judá e Benjamin. E assim, em seguida, ao longo do período do Segundo Templo começaram a chamar todo o povo pelo nome de ‘Judeu’, isto é, da tribo de Judá.

Este foi um grande passo para a unidade desejada, mas ainda precisamos restabelecer os laços fraternos com todos e cada um, dos diferentes grupos que compõem o atual caleidoscópio do Povo de Israel.

Só então, juntos, poderemos corretamente agradecer e adorar o Criador!

A pervertida e o hipócrita

Comentários sobre a Parashá NasoW9831

Povo De Profetas

Normalmente, lemos a parashá de Naso logo após Shavuot. Uma coincidência, é claro, mas estamos acostumados com o fato de haverem poucas coincidências no judaísmo.

Acabamos de comemorar a entrega da Torá, no qual todo o povo em conjunto, especialmente unidos entre si, testemunham algo muito especial. Não é mais um profeta que ouve as palavras de D’us em um evento particular: o povo todo tornou-se um Povo de Profetas, uma vez que todos nós ouvimos. É verdade que nem todos ouviram as mesmas coisas, pois ainda havia diferenças entre aqueles mais preparados e os menos preparados, mas ainda assim tornaram-se profetas.

Este povo deve iniciar agora o caminho à sua terra natal, até a Terra que o Criador jurou a seus pais lhes conceder. A estrada pode ser longa ou curta: eles mesmos decidirão, com o seu comportamento, suas reações, com sua preparação. Continue reading “A pervertida e o hipócrita”