Pureza

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Chukat

 

Na parashá desta semana nos deparamos com a complicada mitzvá da vaca vermelha, o animal cujas cinzas deveriam ser usadas para purificar aqueles que se encontravam em um estado de impureza, por várias razões, incluindo o luto por um parente próximo.

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Por que a rebelião de Korach fracassou?

No fundo, a crítica de Korach foi justa e representava forças democráticas difíceis de ignorar: “E se congregaram contra Moshe e contra Aharon, e lhes disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor?” (Números 16: 3)

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Opiniões subjetivas para um valor objetivo

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Shelach Lechá

 

Nesta porção da Torá é decretado que o Povo de Israel viveria quarenta anos no deserto. Durante os eventos no deserto vem à tona – muito claramente – a regra que define quem viverá em liberdade e quem não.De qualquer modo, é nesta parashá da Torá que se determina o futuro de toda uma geração que morreria no deserto, e quem seriam aqueles que viveriam para entrar na Terra de Israel.

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Do lamento nasce o problema

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Behaalotecha

 

 

Nesta Parashá a Torá nos mostra as diversas frustrações do Povo de Israel, pelas quais protesta e reclama diante de D’us. Em um desses casos, o povo vive uma sensação de “vazio”, sem que haja qualquer razão em particular. E a percepção deste vazio que provoca um lamento que se torna um fim em si. A Torá nos diz, neste caso, que D’us responde, incediando o acampamento. O outro caso é bem diferente.

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A diferença entre paz e shalom

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Nassô

 

“O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”. Esta é a bênção que a Torá instrui sair da boca dos Cohanim, os sacerdotes, para todo o povo de Israel.

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Os Espiões de Moisés

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Bamidbar

 

Esta parashá nos apresenta um dos acontecimentos mais dramáticos e decisivos que aconteceram aos nossos patriarcas no deserto, em seu caminho desde Egito a terra prometida. O trajeto entre o Monte Sinai e Eretz Israel deveria durar alguns dias apenas. O povo saiu do Egito acompanhado pela nuvem Divina e através de grandes milagres se encaminhava para Ertz Israel.

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Adultos

Comentário sobre a Porção Semanal de Chukat

 

 

“Déja Vu”

Na porção da Torá de Chukat, nos deparamos com dois eventos que apontam a mesma direção. A “pedra” e a “cobra de cobre”.

Ao ler sobre o evento da pedra, quando Moshe a golpeia para que saia água pura, e assim saciar a sede do povo, sentimos um lampejo de “déjà vu” (sensação de já haver passado por esta situação).

Na verdade, já no capítulo 17 de Êxodo, na porção da Torá de Beshalach, o povo protesta contra a falta de água e Moshe recebe a ordem divina de golpear uma pedra com seu cajado, para assim, fazer sair água. Este manacial os acompanhou durante toda a longa jornada de quarenta anos no deserto.

Este pedido de água foi acompanhado por uma questão séria: “Está o Senhor conosco, ou não” (Id. 17: 7). O povo havia pensado que o Criador poderia haver-los abandonado, por não fornecer a água necessária para seus sustentos. É como a continuação do protesto do qual lemos no capítulo que antecede este pedido, (Êxodo 16: 3). “Nos trouxeram a este deserto para matar a toda esta congregação, de fome”. Trata-se de uma falta de confiança que nasce e nutre-se, obviamente, da falta de familiaridade, ou da experiência, com os caminhos do Criador. A única solução é deixá-los experimentar esses caminhos divinos.
Aprendizagem a Longo-Prazo

Durante os quarenta anos que permanecerão no deserto, passrão por uma longa experiência no deserto, e uma difícil aprendizagem. O Criador onipresente e onisciente os acompanha. Observa seus atos e pensamentos, reagindo imediatamente, como reagiu a profanação dos filhos de Aharon, do recém-inaugurado Tabernáculo.

Mas não quer ensinar-lhes com portentosos milagres súbitos, e sim através de um milagre que se repete uma e outra vez, todos os dias, exceto no Shabat. No qual, experimentavam cada um, pessoalmente, confiando em que “amanhã vamos ter o nosso Maná, assim como tivemos hoje”.

Quarenta anos se passaram quando chegamos na Parashá de Chukat. E, novamente, o episódio com a pedra, se repete.

Nossos sábios nos dizem que o manancial surgiu há quarenta anos, e suportou todos os anos de exílio pelo grande mérito de Miryam. O mérito das mulheres que enviam seus maridos para estudar até tarde da noite, esperando por eles com amor, entendendo que a bênção da casa depende do estudo da Torá. E o estudo da Torá depende deles, como seus alunos. Como disse o grande Rabi Akiva, “tudo o que tenho e que vocês podem ter, é mérito da minha esposa Rachel (que lhe permitiu estudar por muitos anos).” É a água que sacia a sede de sabedoria. Quando Miryam morre, o manancial seca, e o povo deve voltar a trabalhar para conseguir sua água.

 
Parecido, mas não idêntico

O povo protesta, como havia feito quarenta anos antes, e Moshe recebe uma resposta muito semelhante a aquela que recebeu pela primeira vez. Parecida, mas não idêntica. “Agarre seu cajado, reuna o povo, você e seu irmão Aharon, e falai à pedra perante seus olhos, e assim, lhes darão suas águas; e da água que retirarais da pedra, darais de beber à congregação e aos seus animais” (Bamidbar 20: 8).

Moshe se equivoca e, ao invés de “falar” com a pedra, ele a golpeia, assim como havia feito, com sucesso, na última vez. ‘Se pede para agarrar meu cajado, deve ser para golpear’ e não leva em consideração que se passaram quarenta anos. Supõe-se que neste momento tiveram tempo para amadurecer, já haviam se tornado “adultos”.

O golpe que pode, ou não, ser dado a criança, deve ser acompanhado de explicações, em nome de sua educação. Deve ser suave, sem raiva ou vingança, sempre mostrando o amor que está por trás disso. Deve ser realizado com a mão esquerda, a mais fraca. Acontece quando não há mais outras opções e não existe mais remédio. Ocorre em porções mínimas e, raramente. E em uma certa idade, já está proibido golpear, e a única coisa que conta é o ensinamento oral, as explicações.

Sim, o cajado deve estar presentes, para fazer lembrar o quão sério é o problema. Mas não para bater. Somos adultos.

 

 

Olhar em seus olhos

Sobre a questão da serpente, o ensinamento aqui é muito mais profundo.

Se aventuraram no grande deserto da Síria, local inóspito e cruel. Têm sede e temem as feras do deserto. E então, protestam.

Aparecem as cobras venenosos ou ‘ardentes’ (“serafim” – no hebraico), como chama a Torá. O que, ou quem, são essas cobras? Sabemos: cobra é igual a ‘Yetzer HaRá’, a inclinação má. Cobras aparecem e mordem as pessoas, e as pessoas morrem dessas mordidas.

Como sempre, vêm de encontro a Moshe para que interceda com o Criador e assim, possa salvá-los.

Mas desta vez, a reação de D’us é muito diferente. Ele diz a Moshe para preparar uma cobra de cobre e posicioná-la no topo do mastro, de modo que as pessoas a vejam e assim, se curem.

Que tipo de mágica é essa? Acrescentemos que, antes de dar a nossa explicação, deste episódio que os farmacêuticos retiraram a idéia do famoso símbolo da enfermagem: uma cobra enrolada em uma vara ou em um copo. É verdade que a versão grega explica dizendo que, do veneno de cobra são extraídos os concentrados que são a base das drogas farmacêuticas, mas nós apresentamos uma versão diferente.

Responde o Criador para o povo: “Basta de pedir magia, ajuda milagrosa para resolver seus problemas”. Agora são adultos.

Levante a cobra e a encare nos olhos. Reconheça o problema, onde nasceu, como se alimenta, como cresce. Olhe-a nos olhos e lute com ela. Agora vocês são adultos. Têm força. Não tenham medo: não é nada mais do que uma cobra. Assim como a serpente que Moshe agarrou pela cauda e esta transformou-se em vara na sua mão.

 

 

 
De Mal à Bom

A ‘inclinação para o mal’ é ruim porque a usamos mal. Deixamos nos levar por instintos mal-educados. Se aprendemos a usar essa mesma inclinação no caminho certo, esta, torna-se, automaticamente, uma “boa inclinação”. Se aprender a educar seus instintos, eles irão parar de incomodar e tornar-se-ão seu melhor aliado, sua maior ajuda, uma vez que o Criador lhe presenteou com este, para que os use, mas para usá-lo corretamente, é claro.

Vícios tornam-se virtudes. As virtudes são polidas e refinadas. O trabalho é difícil, sem dúvida. Talvez seja uma das principais tarefas que temos em nossa vida, ou talvez apenas a preparação necessária para levar a cabo uma missão muito mais importante. Ou talvez, ambos ao mesmo tempo.

Somos adultos, e exigimos dos adultos que trabalhem sobre si próprios para resolverem seus problemas. Podemos aconselhar, podemos fornecer os meios e as condições, mas o trabalho são os próprios adultos que devem fazer.

Somos adultos e aprendemos a confiar no Criador. Aprendemos a melhorar nossas habilidades e usá-las corretamente. Há falhas, sempre existem, “um homem justo cai sete vezes, e se levanta” (Provérbios 24:16). Os ímpios caem e se desesperam, enquanto que o justo se levanta, limpa a poeira da queda e retorna ao trabalho, sem nunca, nunca, perder a esperança.