Parashat Emor

Parashá Emor
Aquele que amaldiçoou – Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

A Torá fala-nos de diferentes tipos de maldições:
• Aquele que amaldiçoa os juízes ou De’s
• Aquele que amaldiçoa o príncipe (ou o governante)
• Aquele que amaldiçoa um sábio
• Aquele que amaldiçoa os seus pais
• Aquele que amaldiçoa o surdo

Deste último tipo de maldição, aprendemos que o motivo de não amaldiçoar não é só a honra da pessoa que ouve a maldição; trata-se de um ato mau por si só, que inclui o sentimento de ódio, vingança e maldade.
Voltando ao nosso caso: O que é que realmente aconteceu ali?
A primeira coisa que notamos é que este indivíduo que amaldiçoou não era considerado judeu, pois a Torá diz-nos que ele era filho de uma judia, não nos diz que ele era judeu. Vemos que a Torá evita deliberadamente designar este indivíduo como judeu. Também podemos concluir que se tratava de um adulto e não de uma criança. A prova é que ele é castigado, e sabemos que a Torá não castiga menores de idade.
É-nos dito que o seu pai era egípcio, quer dizer, converso. Saiu com o povo de Israel do Egito, estava presente no monte Sinai e lá, ao aceitar a Torá, converteu-se ao judaísmo.
A pergunta seria então: se se converteu, porque o continuamos a chamar egípcio? Continuamos a chamá-lo egípcio porque um egípcio que se converte, apesar de recaírem sobre ele todos os preceitos, obrigações e benefícios do judaísmo, ainda não pode fazer parte da congregação de Israel, até à terceira geração. Quer dizer que não se pode casar com uma judia mas sim apenas com uma conversa, e apenas os seus netos se poderão casar com uma judia.
Como é possível então que um egípcio converso case com uma judia e tenha filhos? Neste caso, eles já tinham casado antes de saber que isso era proibido, por isso é que tiveram filhos. No entanto, a partir de agora, o filho é considerado a segunda geração. Ele também quis casar com uma judia, mas não lho permitiram, porque agora a Torá já tinha sido entregue e essa proibição já estava em vigor. Então começou a discussão, foram a tribunal, que também deu o seu parecer negativo, e ele saiu amaldiçoando.
Porque é necessário esperar até à terceira geração para poder casar com uma judia? O motivo é que as más qualidades não desaparecem nos filhos. Este é um exemplo tangível desta situação, pois a maldição era algo muito normal entre os filhos dos egípcios.
O povo de Israel comportou-se apropriadamente ao impedir o filho da israelita de se casar. O povo agiu tal como De’s lhe tinha ordenado.
Apesar deste indivíduo ter agredido e batido, não foram todos atrás dele para o linchar, mas sim apanharam-no e levaram-no a tribunal. Quer dizer, não tomaram a lei pelas suas próprias mãos.
Vemos que o levam para fora do acampamento. Porquê? Porque através da sua maneira de falar, vemos que este filho do egípcio está fora do povo do ponto de vista espiritual, pelo que também estará fora de forma física. Amaldiçoar como este indivíduo o fez era algo muito desprezível para o povo.
A Torá não tem reparos em nos dizer a que tribo pertencia, pois apesar da tribo de Dan não ser uma das tribos mais destacadas pela sua grandeza e religiosidade, não permaneceram indiferentes. Agiram e não deixaram passar o incidente em branco.
A Torá esclarece-nos que o converso recebe a mesma pena dada a um judeu de nascimento. Isto é algo que já sabemos: todo aquele que se converte passa a ser como todos os judeus, mas neste caso os juízes tinham dúvidas sobre se ele era considerado judeu ou não.
Se aquele que amaldiçoasse a De’s o fizesse sem testemunhas, então a sua alma carregaria o castigo, quer dizer, De’s ocupar-se-ia do castigo. Mas se acontecesse perante testemunhas que pudessem confirmar o que foi dito, então eram os juízes que se encarregavam do castigo: pena capital. É por isso que o versículo nos diz: O homem que amaldiçoar o seu De’s carregará com a culpa e seguidamente diz-nos Quem amaldiçoar o nome do Eterno, morrer, morrerá. Um versículo refere-se a quando não há testemunhas, e o outro a quando há testemunhas.
Depois da pena ser executada, a pessoa era pendurada, mas por pouco tempo, pois, por outro lado, temos um versículo que diz para não deixar um condenado pendurado até à tarde: Maldição de De’s é o pendurado. Isto também se pode entender como que o facto de o deixar pendurado iria causar que as pessoas falassem mais e se perguntassem o porquê daquela pessoa estar pendurada, e então outra pessoa, para explicar, iria repetir a maldição dita pelo primeiro.
Outro motivo tem a ver com o facto de De’s ter criado o ser humano à Sua imagem e semelhança, por isso, o facto de permanecer pendurado é um desprezo ao seu status de ser criado à imagem e semelhança de De’s.
Porquê De’s, junto com este assunto das maldições, nos fala também da pena para o assassino?
A relação entre estes dois casos é que, assim como quem mata outro ser humano está a desprezar a imagem divina com que esse indivíduo foi criado, igualmente, aquele que amaldiçoa está a desprezar a imagem divina com que o ser humano foi criado. Como? Uma das coisas mais claras que nos diferenciam dos animais é a capacidade da fala que o género humano tem, e essa supremacia está a ser utilizada para o mal e contra De’s, ou seja, quem amaldiçoa é muito mal agradecido.
Em resumo, quem amaldiçoa a De’s faz três coisas más: 1) Utiliza uma das qualidades mais supremas do ser humano para coisas baixas; 2) É mal agradecido e 3) Renega de De’s. É por isso que esta pessoa é pendurada, pois a imagem divina com a qual foi criada foi em vão e não lhe ficou nada dela.
Daqui se vê que todo aquele que não respeita ou estima o seu próximo está de certa maneira a desprezar também a De’s, que o criou à Sua imagem e semelhança (salvo em casos especiais, onde a própria Torá nos sublinha que quem age de determinada maneira, é desprezado pelo próprio De’s.)
Porquê todo este acontecimento é relatado aqui? Todo o contexto desta parashá refere-se a assuntos de kedushá (santidade), e o contrário a isto é profanar o nome de De’s, quer dizer, tornar profano algo que é santo e elevado. Amaldiçoar a De’s é algo muito grave porque despreza o que há de mais sagrado. O que a Torá considera elevado, a pessoa torna baixo. Em hebraico, o termo “klalá” (maldição) vem de “kal” (leve) quer dizer, algo que é grave, para a pessoa que amaldiçoa é leve.
Como se chegou a isto? Chegou-se a isto, porque a mãe casou com um egípcio. A Torá adverte-nos para não fazermos todas as coisas más que os egípcios faziam, e todas essas coisas estão detalhadas nas parashot Acharei Mot e Kedoshim. Na parashá Emor, a Torá fala-nos de sermos santos, pois estamos frente a De’s.
É por isso que diz: Santificar-me-ei dentro dos filhos de Israel, e este indivíduo faz precisamente o contrário, e fá-lo dentro do povo dos filhos de Israel.
Este individuo foi: 1) Desavergonhado; 2) Violento; 3) Grosseiro; 4) Desprezou De’s; 5) Renegou de De’s.
Todas estas coisas eram típicas da sociedade egípcia. É por isso que a Torá nos dá tantos detalhes sobre este acontecimento.
Vemos um exemplo disto no faraó, que era a cabeça da civilização egípcia. O faraó foi mal agradecido, pois não reconheceu o que Yosef fez quando salvou todo o Egito da fome. Falava com falta de respeito e arrogância: quando Moisés lhe falou em nome de De’s, o faraó respondeu-lhe: “Quem é De’s para que eu lhe obedeça? Não penso enviar os filhos de Israel!” Também foi cruel e violento, tendo mandado matar todos os bebés recém-nascidos.

Desfasagem Parashiot

Perguntas:

O que são parashiot?

Quem as instituiu?

Quando começamos a ler a Torá?

Por que às vezes lemos uma Parashá em Israel e outra diferente na Diáspora?

O que acontece se um dia festivo coincide com Shabat?

Parashá traduz-se como o “caso”, “tema” ou porção” da Torá a estudar. É uma divisão do texto da Torá em partes, para facilitar a leitura da mesma. Cada parshá tem como nome a expressão ou palavra com a qual começa. Por exemplo, a Parshá Vaikrá tem esse nome porque começa assim: Vaikrá El Moshe vaidaber HaShem elav …(E o Eterno chamou Moisés e falou Hashem com ele…).

Cada parashá, por sua vez, é dividida em partes chamadas “aliot” (plural de “aliá”, que literalmente significa “subida”). Essas partes são chamadas aliot porque, para a leitura de cada parte, na sinagoga, é chamado um homem diferente, que sai fisicamente do lugar onde está sentado e se desloca (“sobe”) para o lugar onde está a Torá, para a “ler.” (Entre aspas, porque na verdade há na sinagoga um leitor de Torá, que lerá por ele.)

A Torá, no mundo judaico, é lida publicamente por partes: a cada semana corresponde uma parashah, e a leitura pública, na sinagoga, é feita todas as segundas, quintas e Shabat. Nas segundas e quintas é lida a primeira aliá da parashá, e no Shabat é lida a parashah completa.

Segundo o Talmud, este sistema de leitura foi estabelecido pelo escriba Esdras, após o retorno do exílio na Babilônia. Este sistema acontece em todas as sinagogas do mundo. A divisão por parashiot faz com que o mundo judaico se conecte, já que todos nós lemos a mesma parte pré-definida a cada semana, por ordem, de tal modo que, no final do ano, temos a Torá completa lida por inteiro.

Quando isso acontece, ou seja, quando chegamos ao fim da Torá, celebra-se uma festa, que é a festa de Simchat Torá. Nesta festa celebra-se o final de um ciclo de leitura e o começo de outro. Lê-se a última parashá, que é VeZot HaBerachá, e a primeira aliá da primeira parashá da Torá, que é Bereshit (que significa, precisamente, “no principio”, e nos relata o principio da Criação, sendo também precisamente o princípio da Torá).

Mas há exceções a este sistema de leitura: quando uma das três festas chamadas Shalosh Regalim (Pessach, Shavuot e Sucot) coincide com Shabat, lê-se a parte correspondente à festa, e não aquela que seria “normal” ler naquele Shabat, de acordo com a ordem das Parashiot. Por exemplo, este ano (5779), o primeiro dia de Pessach coincidiu com Shabat, pelo que, em vez de se ler a parashá Acharei Mot (que seria o normal, porque a anterior foi Metzorá), leu-se a parte correspondente à festa de Pesach, que se encontra na parashá Beshalach. Quando isso acontece, a leitura normal é retomada no Shabat seguinte. Neste caso, foi lida então Acharei Mot.

Por outro lado, devido à lentidão das comunicações e à ausência de tecnologia que existia no mundo antigo, os nossos sábios determinaram que fora de Israel, na diáspora, estas três festas (Pessach, Shavuot e Sucot) fossem celebradas com dois dias festivos consecutivos, e não apenas um como em Israel, para evitar que, por algum erro de cálculo, alguma comunidade isolada corresse o risco de se enganar no dia e celebrar o Yom Tov (dia festivo) no dia errado. Isto é, para cada feriado ordenado pela Torá, os sábios acrescentaram mais um dia para a diáspora.

Por esta razão, e embora, como eu disse, todo o mundo judaico leia as mesmas parashiot ao mesmo tempo, quando na diáspora o segundo dos dois dias festivos consecutivos coincide com Shabat, há um  desfasamento entre Israel e o resto do mundo judaico em relação à leitura da Torá.

Este ano, esse desfasamento ocorre esta semana, quando na diáspora estarão a ler Acharei Mot, enquanto em Israel já estaremos a ler Kedoshim. (Porque quando lemos Ajarei Mot em Israel, na diáspora leram a leitura do oitavo dia de Pessach, que não existe em Israel, porque em Israel apenas se celebram 7 dias de Pessach.)

Outra particularidade da organização da leitura da Torá em parashiot é o fato de existirem parashiot que podem ser lidas juntas. (Mejubarot). As razões para o estabelecimento desses “pares” de parashiot são complexas e estão fora do âmbito deste texto, mas pode dizer-se, para simplificar, que esses pares foram estabelecidos porque as semanas do ano não seriam suficientes para ler a Torá inteira, devido à própria duração do ano judaico e ao facto de que quando uma festa coincide com Shabat, não se lê a parashá correspondente ao Shabat mas  sim a da festa, como vimos anteriormente.

Graças à existência destas parashiot mejubarot, as leituras de Israel e da Diáspora serão igualadas novamente em agosto, (no 2º dia do mês hebraico de Av), quando as Parashiot Matot e Masei forem lidas juntas na diáspora. A partir desse dia, até novo desfasamento, estaremos novamente todos juntos.

Mas em pensamento estamos sempre! A nossa Torá une o povo de Israel no seu espírito e na sua devoção, mesmo que a sua leitura esteja temporariamente desfasada. É curioso pensar que, no que diz respeito à leitura da Torá, pode considerar-se que Israel, em certos momentos, está à frente no tempo, vivendo de certa maneira no futuro. Quem viajar da Diáspora para Israel numa dessas semanas e regressar ao seu país no Shabat seguinte, sentirá essa “viagem no tempo”, porque, quando regressar e ouvir novamente a mesma parashá, sentirá que viajar para Israel é como viajar para o futuro.

Shabat Shalom desde Israel,

Rabino Elisha Salas

Parasha Acharei mot

Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

VeChai baEm– E viverão com elas

Há uma frase na Parashá que passa despercebida, mas que é a base de tudo o que foi escrito até aqui: “E cuidareis as Minhas leis (mishpatim) e os meus caminhos (chucot), que o homem fará para viver com elas, Eu sou o Senhor

Perguntas:

  • A que leis e a que caminhos se refere?
  • A que se refere quando diz que vai viver com elas?
  • O que quer dizer “cuidareis“?

Respostas:

Mishpatim são as leis, são ordens que me indicam o que fazer e o que não fazer. Chucot são os caminhos ou princípios por onde nos devemos encaminhar, tal como diz o versículo: bechucotai telechu – nas Minhas chucot andarão.

Cuidareis refere-se a prestar atenção e cuidar para fazê-lo bem e não de forma automática.

A Torá não é um livro de leis sem sentido. Existe um princípio, uma ideia que é o fio condutor de todos os preceitos. O princípio ao qual nos referimos neste caso é viver com elas.

Podemos analisar isto em três categorias diferentes:

  1. Como um princípio básico da Torá,
  2. Como um detalhe de uma lei, ou
  3. Como um ensinamento: A preservação da vida antecede o cumprimento dos preceitos.

Se alguém corre risco de morte, deve transgredir imediatamente os preceitos que forem necessários e salvar-se. Ou se um não judeu obrigar um judeu a transgredir um preceito sob ameaça de morte, o judeu (salvo muito raras exceções) deve transgredir e salvar-se, pois está escrito e viverás com elas, não está escrito morrerás com elas.

O sentido profundo de tudo isto é que as leis da Torá não são violentas mas sim fruto da misericórdia, da bondade e da harmonia.

Como vemos, a Torá não exige demasiado do homem, nem espera que ele entregue a sua vida por qualquer preceito ou ordem; ao contrário, o objetivo é dirigi-lo pelo caminho que lhe assegure a manutenção da vida, tanto física como espiritual, da melhor maneira possível.

Parashat Mishpatim

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Enviarei o meu anjo diante de vós

Eis que enviarei um anjo diante de ti, para te cuidar no caminho e trazer-te ao lugar que designei para ti. A ele obedecerás e a sua voz escutarás. Não te rebeles contra ele porque não o perdoará, já que o Meu Nome está nele. Mas se escutares a sua voz e cumprires os seus mandamentos, Eu serei inimigo dos teus inimigos oprimirei os teus opressores (…) Não te inclinarás perante o seus deuses, nem os servirás nem farás como eles fazem. Destrui-los-ás totalmente e as suas estátuas destruirás (…) E enviarei a Tzirá diante de vós e expulsará os povos jiví, cnaani e jití (…) Não pactuarás com eles nem com os seus deuses e não habitarão na tua terra, não aconteça que te façam pecar contra Mim, tentando-te a que sirvas os seus deuses.

A função do anjo é guiar o povo pelo caminho e conduzi-lo à Terra de Israel. Em princípio, este anjo apenas os iria guiar pelo caminho, mas ao terem feito o bezerro de ouro, agora o anjo não só lhes indicará o caminho, mas também será ele a aplicar a justiça, quer dizer, estarão nas mãos dele. No entanto, pelo mérito de Moisés, De’s continuou com o povo. É por isso que quando Moisés morre, vem um anjo, que é o anjo que Yehoshua vê.

A ideia é deixar bem claro que é De’s (através de um anjo) quem os conduz. Para que não pensem que são eles mesmos que farão as coisas e que lutarão e semearão o medo entre os inimigos, mas sim De’s.

O homem precisa de grandes exércitos para vencer. De’s não precisa disso. Fá-lo com a Tzirá, que são abelhas, pequenos insetos. Talvez se trate da vespa assassina de abelhas asiáticas (Vespa Simillima Xanthoptera). Esta vespa causa na atualidade uma média de 108 mortes por ano, devido ao choque anafilático que o seu veneno causa nos seres humanos.

Tal como foram enviados gafanhotos ao Egito, agora serão enviadas vespas aos povos de Canaã.
Por outro lado, o motivo pelo qual será a De’s a lutar por eles é porque De’s não quer que o povo se torne demasiado agressivo e belicista, afundado em guerras, ou, talvez, porque não quer que se cansem das guerras e façam a paz e convivam com os outros povos idólatras e malvados aos Seus olhos. Estes são os motivos pelos quais é De’s quem se encarregará dos inimigos e eles terão apenas uma pequena participação. As guerras são vencidas graças à ajuda de De’s. Às vezes será graças a um milagre manifesto e outras será através de uma influência de De’s menos exteriorizada.

Existe outro perigo latente, que é a assimilação dos filhos de Israel com os povos cananitas. É por isso que De’s quer evitar que se relacionem com eles ou que aprendam com eles. Esse é o motivo pelo qual lhes prescreve agora todas estas leis:

1 — Para se afastarem e se diferenciarem dos idólatras, e
2 — Para servir a De’s

Parashat Yitro

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Anochí HaShem

O primeiro versículo dos Dez Mandamentos começa assim: Eu sou o Senhor teu De’s, que te tirou da Terra do Egito, de casa da servidão.

Este versículo tem duas partes: A primeira é Eu Sou e a segunda é te tirou do Egito.

A pergunta que o Midrash faz é: Para que vem esta segunda parte?

Há quem diga que é a explicação de Anochí, quer dizer, é para quem pergunta quem é Anochí.

Isto está de acordo com Rabí Yehuda Halevi (Kusari). Para ele, se queres saber quem é HaShem, tens que saber HaShem é quem te tirou do Egito, é quem fez todos aqueles milagres.

Ramban (Nachmánides) diz, sobre Anochí, que se realmente queres saber quem é Anochí, tens que observar as Suas obras, e a Sua maior obra é a Criação. No Egito vimos os milagres, e estes milagres falam-me de um Criador que controla a natureza e altera-a quando quer. Portanto, quem é HaShem? Ele é Bore Olam, o Criador do Mundo e quem controla a natureza.

Rambam (Maimónides) define-O de uma maneira completamente diferente destas duas definições anteriores, e diz que o versículo não vem explicar quem é Anochí, sendo Anochí o próprio preceito, quer dizer, saber que De’s existe e é o soberano de tudo, que controla tudo e que tudo Lhe pertence, tal como mencionado no Sefer HaMitzvot. E como explica a continuação do versículo? Rambam defende, tal como explicado no Midrash, (Shemot Rabba secção 29:3): “Tirei-te para isto”, para tomares HaShem como teu De’s, teu Senhor. Por isso depois diz Mi beit avadim, quer dizer, antes eram escravos do faraó, agora são servidores de HaShem. Por outras palavras, De’s “obriga-nos” a receber a Sua Malchut, a reconhecer que Ele é o Rei, e se perguntarmos “Porque tenho que aceitar isso?” – Porque Ele te tirou do Egito; agora és dEle. Ele adquiriu-te.

Foi para isso que nos tirou do Egito (Para servir De’s neste monte): Para deixarmos de ser escravos do faraó ou de qualquer outra coisa deste mundo, e sermos servos de De’s, que é o mais sublime, e, dessa maneira, estarmos elevados por sobre todas as coisas deste mundo.

E porque diz Elokecha (teu De’s), e não Elokim (De’s)? Seria melhor utilizar o termo mais geral. Porque utilizar um termo tão particular?

Existem duas possíveis respostas a esta pergunta:
1) É como se De’s nos dissesse: “Tu viste tudo o que fiz, tu eras escravo, sobre ti recai mais do que sobre os outros a obrigação de aceitar Kol Malchut Shamaim, reconhecer que Ele é soberano.
2) Porque tirou apenas o povo judeu e não outros povos.

Parashat Beshalaj-Lições para aprender

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Lições para aprender

De’s fê-los voltar para que assim o faraó saísse em sua perseguição. Dessa maneira, depois de De’s lutar contra o faraó e o derrotar, o povo de Israel estaria totalmente libertado do Egito, pois já não teria que regressar ao fim de três dias como Moisés tinha dito ao faraó.

Continue reading “Parashat Beshalaj-Lições para aprender”

Parashat Bo

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

A conceção de De’s do faraó

Moisés apresenta-se perante o faraó e diz-lhe que Hashem, Eloke Israel o enviou, porque sabe que o faraó não iria perceber se ele dissesse somente Hashem.

O faraó entende que força (Elokim) é que os judeus chamam Hashem.

O faraó disse: “Quem é o Eterno para que eu o escute e envie Israel? Não conheço o Eterno, nem deixarei sair Israel”. Quer dizer, ele recusa três coisas: 1) Que De’s existe 2) Que De’s fala e 3) Que temos que servir a De’s.

Moisés diz-lhe que é obrigatório servir Hashem nosso De’s, e diz-lhe também que se não o servirem, De’s pode zangar-se com eles.

Continue reading “Parashat Bo”