O Homem e a Fé no Mundo Moderno

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Itrô

 

Nesta parashá nos encontramos pela primeira vez com os Dez Mandamentos. Dez Mandamentos que foram entregues ao povo de Israel como parte de seus preceitos morais e religiosos. O primeiro dos Dez Mandamentos afirma que o conhecimento de D-us é simultâneo a negação dos ídolos.

D-us “se apresenta” neste primeiro mandamento diante do povo de Israel ensinando o preceito da fé no Criador. Sua apresentação é clara e concisa: “Eu sou teu D-us… que te tirei da terra do Egito…”. D-us se apresenta como o D-us da história, um D-us que é consciente do que acontece com seu povo e não está alheio a sua situação.

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Uma vassoura e uma bandeira

Não sou psiquiatra, porém parece que Israel desensolveu um grave caso de esquizofrenia ao cumprir 60 anos.

Pode-se sentir os impulsos contraditórios no trabalho quando muitos israelenses se perguntam si devem celebrar os numerosos lucros, lamentar suas perdas ou uma combinação de ambas.

Parece existir milhares de razões para o sofrimento e a lamentação, desde os vários escândalos de corrupção nos quais estão envolvidas figuras políticas, o último caso de abuso de crianças que comoveu o país tem um semana ou a falta de valores judaicos e sionistas.

Além desses, pode-se agregar o contínuo ataque de mísseis que sofre Sderot, a crescente ameaça nuclear por parte do Iran e a preparação bélica do Hizbola na fronteira norte do país. Diante desta realidade, não nos surpreende que muitos prefiram se esconder debaixo da cama até que passe essa tormenta.

Honestamente, é difícil culpá-los.

Mas entretanto, existe o outro lado da moeda. Observe os grandes triunfos de Israel em campos como computação e agricultura, dizem os otimistas. Nossa abilidade de sobreviver em um ambiente hostil, é por si só um grande lucro, dizem.

Eles também têm razão. Então, como devemos nos sentir: aterrorizados ou emocionados; tristes ou contentes ? Ou talvez uma mistura de ambos? Esta pergunta só nos mostra a falta de contexto e perspectiva histórica.

Além do mais, para o ser humano, sessenta anos podem representar uma grande parte de sua vida sobre a terra. Porém, para uma nação, é tão somente um insignificante período, um mero episódio ou intervalo em sua história.

Apesar de tudo, observem o que nós, o povo judeu, temos conseguido desde 1948.

Temos trazido milhões de imigrantes de todo o mundo, temos feito florecer o deserto, e temos construído um país livre apesar de estarmos rodeados de tiranias, e tudo isso feito em menos tempo do que foi preciso para a construção da Torre de Pisa (177 anos), a Grande Muralha da China (séculos), ou inclusive a Catedral Nacional de Washington (83 anos). Pensando bem, não está tão mal assim, não é mesmo ?

Considerem, por exemplo, aonde se encontrava a grande potencia mundial de hoje em dia, Estados Unidos, aos seus 60 anos de existência.

Naqueles tempos, em 1836, grande parte do continente norteamericano não tinha sido anexada, enquanto que o estado de Arkansas se convertia no vigésimo quinto estado a aderir-se a União.

Os americanos que viviam na periferia enfrentavam frequentes ataques indígenas e sentiam muita insegurança. Em maio desse mesmo ano, indígenas comanches assassinaram cinco membros de uma família no Texas e depois sequestraram sua filha de 9 anos, que mais tarde foi forçada a casar-se com o líder tribal. Vinte e cinco anos passariam até o seu resgate.

E ainda, supostamente, teve lugar a batalha de Alamo, aonde as tropas mexicanas massacraram centenas de valentes defensores americanos no Texas, incluindo o herói popular Davey Crockett.

Tais incidentes, seguramente, diminuiram o ânimo nacional.

Inclusive a democracia americana tentava sobreviver por esses dias, enquanto que a disputa sobre a escravidão começava a surgir. Em 1836, a Casa de Representantes rompeu todos os códigos éticos, quando legislou a nada popular “lei do silêncio”, como forma de reprimir o debate sobre este assunto tão controverso.

Entretanto, apesar dos grandes desafios que os Estados Unidos enfrentavam nesse momento, seu otimismo não cesou pois compreendiam, perfeitamente, tudo o que haviam conseguido desde que a nação fora estabelecida.

De fato, em seu discurso anual no Congresso, em dezembro desse ano, o então presidente Andrew Jackson começou dizendo: “é uma grande alegria poder felicitá-los pela grande prosperidade em nosso amado país”.

“Sem motivos internos ou externos que façam diminuir nossa confiança com respeito ao futuro” continuou, “a condição geral de nossos assuntos podem perfeitamente outorgar-nos orgulho nacional”.

Esta também dever ser nossa forma de ver as coisas no momento em que celebramos o sexagésimo aniversário de Israel e enfrentamos o futuro.

Seguramente, ainda existem muitas coisas para melhorar. Ignorância sobre o judaísmo, pobreza, desemprego, crueldade e desilusão. Porém, isto não debe impedir-nos de apreciar o fato de que temos um Estado Judeu, apesar de todos estes problemas.

Uma comovente história sobre o Rebe chassídico de Sadigora, Rabi Abraham Iacov Friedman, bendita seja sua memória, conta que quando os nazistas tomaram Viena, aonde o Rebe vivia, tentaram humilhar aos judeus forçando-os a lavar as ruas da cidade enquanto os austríacos os ridicularizavam.

Os soldados alemãs entregaram ao Rebe uma vassoura, porém enquanto o mesmo limpava recitava uma oração silenciosa: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de limpar as ruas da Terra de Israel”.

Depois, os nazistas lhe deram uma grande bandeira e o forçaram a pendurá-la no alto de um grande edifício. Nesse momento o Rebe rezou: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de pendurar a bandeira de Israel no alto de um grande edifíco na Terra de Israel”.

Após ter sobrevivido a guerra, o Rebe estava determinado a realizar seu desejo. E assim, cada ano, no dia da Independência, ele se levantava cedo, tomava uma vassoura e começava a limpar as ruas de Tel Aviv em agradecimento a Deus por ter lhe respondido as suas orações. E depois, o rabino, já avançado em idade, subia ao teto da Grande Sinagoga de Tel Aviv e pendurava uma bandeira de Israel, muito orgulhosamente, para que todos a vissem.

É por isso que na próxima vez que estejam deprimidos, perguntando-se que será deste país e de seus líderes, lembrem-se do Rebe de Sadigora, com uma vassoura na mão e uma bandeira na outra, e um coração cheio de gratidão a Deus pelo milagre que representa o Estado de Israel.

O Milagre de Israel

Esta semana, Israel e o judaísmo mundial festejam Iom Haatsmaut, o 60°. Aniversário da Independência do Estado de Israel.

Orações especiais serão recitadas, festas serão organizadas, e o povo judeu agradecerá a Deus por ter-nos feito retornar a nossa terra após 2000 anos de exílio.

Nossa tendência é considerar segura e concreta a existência do Estado, e geralmente não apreciamos o quanto somos abençoados por viver este momento da história quando o Estado de Israel voltou a ser restaurado em nossa antiga terra.

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O que aconteceu com o “espírito de Entebe”?

Era uma vez, e realmente parece que aconteceu há muito tempo atrás, havia um Estado de Israel, o qual sabia atuar de forma decisiva para assim proteger seus cidadãos e castigar a seus inimigos.

Eu sei estimado leitor, que pode ser difícil para você acreditar, principalmente pelos recentes acontecimentos. Além do mais, Israel tem passado grande parte da última década ocupada em retroceder, rendendo-se ao terrorismo e deixando vastos territórios sob o controle palestino.

O cabo Guilad Shalit, passou o último ano no cativeiro em Gaza, em mãos palestinas. Já os residentes de Sderot e do Neguev ocidental esquivam-se de foguetes “Kassamim” diariamente. É por isso, que é fácil esquecer palavras como heroísmo, ousadia, e valentia, as quais, então, simbolizaram a forma na qual enfrentou nosso governo, o terrorismo.

Nenhuma destas qualidades, entretanto, apareceram recentemente na cúpula de Sharm el-Sheikh. Nela, o Primeiro Ministro Ehud Olmert aproveitou a oportunidade para garantir concessões e mais concessões a inútil e cada vez mais irrelevante Autoridade Palestina, na pessoa do Presidente Mahmoud Abas.

Após aceitar transferir centenas de milhões de dólares ao regime de Abas, e a fortalecer guerrilheiros do braço armado do Fatah, os quais são leais e ele (Abas), o Premier apresentou ao Presidente da Autoridade Palestina uma inesperada surpresa de despedida.

“Como um gesto de boa vontade aos Palestinos”, Olmert declarou: “decidi apresentar uma proposta, na próxima reunião de gabinete, para libertar 250 prisioneiros do Fatah, que não tenham sangue nas mãos”.

Em seguida, no tocante a resolução e recente determinação israelense, o primier insistiu que os terroristas do Fatah seriam libertados, somente si “firmarem acordos de não voltarem a converter-se em terroristas”. Ufffa! E eu que pensei que seriam liberados sem receber nada em troca.

Aparentemente, o Primeiro Ministro não se deu conta que se pode casar a liberação dos terroristas palestinos com a possível liberdade de Guilad Shalit, ou pelo menos, condicionar ou seguir avançando na frente diplomática em troca do retorno do cabo Shalit ao seu lar.

Em vez disso, o fato de que um jovem judeu israelense tenha sido seqüestrado a cerca de 12 meses por um grupo de assassinos, enquanto servia a seu país, foi tratado com desgosto e monotonia, em vez de um característico e fundamental princípio ético.

Vendo a lamentável atuação do Primeiro Ministro, é possível que lembremos o aniversário de um evento muito importante, o qual comemora três décadas esta semana. Este fato nos oferece uma recordação, justa e precisa, acerca de como devemos combater o terrorismo.

Fazem 31 anos, em 27 de junho de 1976, homens armados pertencentes a Frente Popular para a Libertação da Palestina (OLP), junto a alguns cúmplices alemães, seqüestraram o vôo 139 da Air France. Depois desviaram o vôo para a Líbia e em seguida para a cidade de Entebe em Uganda de Idi Amin.

Enquanto o mundo observava, os terroristas continuaram separando os passageiros judeus e israelenses, ameaçando matá-los caso prisioneiros palestinos seguissem sendo retidos em celas israelenses e não fossem libertados.

Entretanto, Israel não costumava ceder diante das exigências terroristas. Nenhuma cúpula internacional foi convocada em Sharm el-Sheikh, nenhum “gesto” foi dado aos terroristas, tão pouco nenhum imposto foi transferido aos seus cofres.

Em vez disso, Israel desencadeou devidamente, uma incursão militar no dia 4 de julho de 1976, libertando praticamente a todos os cativos e levando a situação a um repentino e dramático fim.

De uma só vez, Israel realçou seu rol de soberano e defensor dos judeus em qualquer lugar do mundo. Uma geração completa foi inspirada a acreditar que o povo judeu estava determinado a defender-se não importando as conseqüências.

O Resgate em Entebbe, foi assim, um poderoso símbolo para todo o mundo livre. O mesmo mostrou que com um pouco de coragem e iniciativa, e uma bela dose de força militar, o sinistro terror internacional pode ser derrotado.

Durante Anos, foi o “espírito de Entebbe” que guiou este país, e impediu aos nossos inimigos, sequer, pensar que os judeus e os israelenses eram presa fácil.

Olhando para atrás, é difícil acreditar a transformação ocorrida desde então. Em apenas três décadas, Israel deixou de ser um país que liberta reféns para ser um país que liberta terroristas.

Em vez de negar a negociação com os “meninos maus”, lhes oferecemos concessões unilaterais sem receber nada em troca.

Nos tempos de hoje, devemos tentar reviver o “espírito de Entebe” e inculcá-lo em nossa nação. As vidas judaicas, naquele tempo, eram consideradas o suficientemente preciosas, a tal ponto de correr o risco de receber uma condenação internacional em troca de salvar aos judeus em lugares distantes. Isto deve voltar a converter-se em um pilar da política israelense com respeito à segurança.

Abstendo-se de tomar as iniciativas necessárias para autoproteger-se, temendo qual seria a reação do mundo, Israel está efetivamente dando mais importância à opinião pública internacional do que as vidas e ao bem-estar de seus cidadãos. Este cálculo, não é apenas imoral, mas também é míope e perigoso.

Assim como Entebe demonstrou, o triunfo sobre os terroristas não provem quando um cede diante deles, senão quando os mesmos são forçados a render-se.

Somente recuperando o espírito de triunfo e fortaleza contraído em Entebe, e defendendo-nos de nossos inimigos, poderá Israel dissuadir aos terroristas de não cometerem mais atrocidades.

Quão mais brevemente nosso governo adote este básico enfoque, mais seguros estaremos.

Prêmio “O Sionista do Ano”

O Movimento de Libertação Nacional do Povo Judeu está passando por maus momentos.

Seja pra que lado for, o Sionismo e seus valores estão em queda. A Aliah está diminuindo, assentar na terra santa já não está em moda, e as instituições sionistas clássicas sofrem ataques por promover o aspecto judaico do estado.

Recentemente, o Ministro de Absorção anunciou que uma irrisória soma de 19700 pessoas escolheram imigrar para Israel em 2007, representado um total diminuto de dois décimos de 1% dos judeus da Diáspora. Este percentual é o menor dos últimos 20 anos.

O governo de Israel nunca esteve tão impotente para enfrentar um ataque externo e inclusive temas básicos e fundamentais como a unidade de Jerusalém são temas de controvérsia política mais do que de consenso popular.

De fato, inclusive o “mui” amigo de Israel na Comunidade Internacional, o Primeiro Ministro Ehud Olmert, afirmou ao jornal Jerusalém Post, que devemos nos acostumar a ver o futuro do país em base aos limites fronteiriços de 67, e Jerusalém dividida.

Foguetes seguem caindo em Sderot e no Neguev, Iran continua enriquecendo urânio e nossos líderes parecem não se importar com nada.

Até mesmo no que diz respeito à criatividade, o Sionismo está perdendo terreno, a mídia israelense e os campos universitários se tornaram celeiros do pós-sionismo radical. O editor do maior jornal israelense em hebraico, alega que Israel foi “violada” política e diplomaticamente e que praticamente ninguém se incomoda com o fato.

Entretanto, na Universidade Hebraica de Jerusalém, um estudante graduado recebeu honrarias por uma pesquisa que fez, na qual conclui que os soldados israelenses são racistas porque não violam as mulheres palestinas (Jornal Makor Rishon, 23 de dezembro).

Será que estamos enlouquecendo?

Parece até que John Adams, um dos fundadores dos Estados Unidos, não estava tão errado quando questionou a resistência do poder nas sociedades livres. “A democracia nunca dura muito”, escreveu, “rapidamente é desperdiçada, fica exausta e se auto-elimina. Nunca existiu uma democracia que não tenha cometido suicídio”, disse Adams.

Porém, esta não tem porque ser nossa realidade. Apesar de que tantas coisas se encontram mal ao nosso redor, o mais importante é centrarmos nas coisas boas desse país e celebrar os frutos do Sionismo.

Em vez de nos curvarmos ao cinismo e de nos prostrarmos à derrota, devemos redobrar nossos esforços por alentar o ideal sionista de Israel e de sua juventude, promovendo valores básicos como amor pelo país, patriotismo e orgulho judaico, que devem se tornar prioridade máxima, particularmente porque estes princípios são essenciais para Israel e seu futuro.

Se uma recente pesquisa for correta, e ela afirma que um terço da juventude israelense está pensando em viver no exterior, então algo saiu terrivelmente errado na forma com que nós, enquanto uma sociedade, inculcamos algumas de nossas opiniões mais básicas e fundamentais.

Eventualmente, que existem várias formas de mudar isso, desde revisar o sistema de educação, reenfatizar os símbolos nacionais, até transformar o discurso público.

Entretanto, existe uma idéia relativamente simples e direta, que pode ter um impacto mais imediato e direto: que Israel comece a repartir prêmios ao “sionista do ano”.

É verdade, que já temos o Prêmio Israel, que é entregue no Dia da Independência em uma cerimônia televisionada e conta com a participação de distintas figuras políticas. Porém o Prêmio Israel, como declara o seu próprio site oficial, tem por objetivo premiar aqueles que “tenham demonstrado excelência e tenham inovado em seu campo de trabalho ou que tenham realizado uma contribuição exclusiva à sociedade israelense”. Isto pode incluir artistas, cientistas e especialistas acadêmicos, todos eles importantes e merecem um destacável reconhecimento. Porém, o Prêmio falha por não ressaltar excepcionais e relevantes realizações de verdadeiro Sionismo e isto é um erro que deve ser corrigido.

Se o que uma nação decide honrar, demonstra uma grande mensagem com respeito aos seus valores, então o que podemos dizer do fato de não rendermos nenhum tributo à ideologia que fez surgir o estado de Israel?

Com a entrega do prêmio “o sionista do ano” a indivíduos, organizações ou comunidades, Israel transmitirá importantes mensagens direcionadas a contínua vitalidade do Sionismo e de sua importância vital para o futuro do país.

Isso permitirá ao jovem compreender que nossa sociedade e nossas instituições nacionais dão grande valor não apenas aos benefícios na área de alta tecnologia, mas também, em áreas tais como o serviço público.

A Broadway tem os Prêmios “Tony”, Hollywood tem o “Oscar” e a televisão o “Emmy”, é tempo de Jerusalém começar a distribuir o “Prêmio Herzl”.