Parashat Itró

O Homem e a fé no mundo moderno.

«E disse De’s estas palavras: “Eu sou o Eterno teu De’s, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás esculturas nem imagens do que há acima nos céus nem abaixo na terra nem nas águas debaixo da terra.”»

(Êxodo, 20.2-4) 

Nesta parashá encontramo-nos pela primeira vez com os Dez Mandamentos, que foram entregues ao povo de Israel como parte dos seus preceitos morais e religiosos. O primeiro dos Dez Manda

mentos refere-se à fé em De’s. Este primeiro mandamento afirma que o conhecimento de De’s é simultaneamente a negação dos ídolos.

De’s “apresenta-se” neste primeiro mandamento perante o povo de Israel, ensinando o preceito da fé em De’s. A sua apresentação é clara e concisa. “Eu sou o teu De’s, que te tirou da terra do Egito…” De’s apresenta-se como o De’s da História, um De’s pessoal, que é consciente do que acontece com o seu povo e não é alheio à sua situação.

Muitas personalidades tentaram definir o que é a fé. Mas apesar de se tratar de um conceito antigo, cada geração tenta defini-lo para o adequar às necessidades específicas do seu tempo.

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Seder Tu BiShvat

Estamos quase em Tu biShvat, e temos um “miminho” para vocês;

Tu biShvat é já amanhã 30 de Janeiro depois do pôr do sol, e o Rabino Elisha Salas, emissário da Shavei Israel para Espanha e Portugal, disponibilizou o texto do Seder que utilizou no ano passado com os seus alunos portugueses e a comunidade de Belmonte!

Para quem não tem… Aqui está ele!

Disfrutem e depois partilhem connosco como foi o vosso Seder!

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Os segredos da Teshuvá – pelo Rabino Jonathan Sacks

Se paramos para pensar, de onde é que a civilização ocidental tirou a idéia de que as pessoas podem mudar? Não é uma idéia óbvia. Grandes culturas simplesmente não pensavam assim. Os gregos, por exemplo, acreditavam que somos o que somos, e não podemos mudar este fato. Eles acreditavam que caráter é destino, e o personagem em si é algo com que nascemos, embora seja necessária muita coragem para atingir nosso potencial. Pessoas nascem heróis, não se tornam heróis. Platão acreditava que alguns seres humanos eram de ouro, outros de prata e outros de bronze. Aristóteles acreditava que alguns nascem para governar e outros para serem governados.

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Artigo escrito por uma descendente dos anussim de Portugal

“Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe.
Aonde fores irei, onde ficares ficarei!
O teu povo será o meu povo e o teu D-us será o meu D-us.”
(Rute 1:16)

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Esta histórica e famosa frase de Rute, personagem principal do livro bíblico que leva seu nome, normalmente é citada nas cerimônias de conversão ao judaísmo e aludida como um exemplo de fé e desprendimento de uma jovem gentia cuja bondade para com sua sogra seguiu-se exemplar.

Poucas vezes, contudo, Rute é citada como uma das grandes sionistas da antiguidade. Mas esta é, sem dúvida, uma faceta primordial de sua identidade, cujo DNA esteve presente no maior estadista judeu de todos os tempos, o inesquecível Rei David.

Das palavras de Rute a sua sogra Naomi (ou Noemi), é sempre inspirador o teor de fervor religioso da afirmação “o teu D’us será o meu De’s”, principalmente vindo de uma vida oriunda de uma cultura pagã e politeísta. Surpreendente, porém, é afirmação que a antecede: “O teu povo será o meu povo”. O que Rute realmente quis dizer aí?

Parece que esta grande mulher tinha muito mais conhecimentos judaicos do que se imagina. Uma das peculiaridades da fé judaica é exatamente que ela não inclui só uma religião no sentido habitual, onde se manifesta a crença em D’us e a decisão de obedecer as suas regras. Ser judeu é também fazer parte de um povo cuja identidade possui um diferencial dentre todas as nações da terra.

Há quem diga que a grande causa do antissemitismo através da história foi a afirmação judaica de povo escolhido, dando a conotação de preferido ou especial com relação aos outros povos. Uma observação atenta das Sagradas Escrituras, no entanto, nos dá a convicção de que esta escolha não foi discriminatória e sim imbuída de uma carga de responsabilidades muito maior do que qualquer outra nação da terra jamais possuiu. Ser um reino sacerdotal, um povo sagrado, com a missão de levar a palavra Divina para toda a humanidade, através de um comportamento exemplar, esta tarefa certamente nenhum antissemita, em qualquer momento, iria querer tomar para si. E mesmo Israel não conseguiu cumpri-la e sofreu duramente por isso, nas muitas diásporas e perseguições que sofreu. Mas isso é ser povo judeu ou, em última análise, povo de D’us. E Rute fez esta opção.

Este caráter sionista na personalidade de Rute trouxe para ela e para a sua herança familiar um resultado extraordinário. Ao unir-se à tribo de Yehudá quando se casou com o ancião Boaz, Rute consolidou a sua inserção no povo de Israel, gerando uma descendência política e profética de grande proeminência no passado e no futuro. Aos seus progênitos caberia a unificação dos israelitas sob um governo terreno de inspirações Divinas. Este é o reino dravídico, que não só se consolidou há mais de três mil anos, mas será estabelecido derradeiramente nos dias do Mashiach, que ainda está por se manifestar.

Como uma boa sionista, Rute olhou para Sião com olhos espirituais e fez a sua aliá sem hesitar, apesar das condições financeiras desfavoráveis, não só dela e de sua sogra, mas também para os pobres em Israel. “Não importa”, ela deixou subentendido para Naomi, “eu quero fazer parte deste povo e quero estar no lugar que lhe pertence, quaisquer que sejam as circunstâncias ou dificuldades. Posso trabalhar e o ‘Nosso’ D’us há de nos abençoar…” E não deu outra: Rute laborou no lugar certo e achou graça aos olhos de um certo Boaz, homem justo, íntegro e de muitas posses, com quem ela se uniu e prosperou, enfim.

Ser sionista requer ação. Um bom discurso sionista que não implique em uma atitude prática pró-Israel cai num vazio que acaba por negar-se a si mesmo. Israel, a terra, está intimamente ligada a Israel, o povo, e vice-versa. Um não existe sem o outro e um existe para o outro porque esta foi a escolha Divina. Por isso é que em nossos dias, quando os judeus começaram a voltar em massa para Israel, vemos os milagres se sucedendo, desde o deserto florescer até o destaque israelense nas mais altas tecnologias mundiais. Um exílio foi profetizado, mas também o foi um retorno e uma restauração e é isto o que está acontecendo hoje: o povo escolhido na terra que lhe foi dada gera bênçãos intelectualmente inexplicáveis.

E um bom sionista moderno há de reconhecer isto, valorizar e defender Eretz israel e para ela apontar e a ela retornar. E como Rute não temeu, assim o sionista moderno não precisa temer. E certamente colherá os frutos de sua decisão.

 

Pela jornalista Cláudia Boffa, descendente dos anussim de Portugal, natural do Brasil.

Entenda a Eternidade

Por Isaac Aboud
montanas-arena-300x187Nossa mente limitada e finita tem dificuldade de entender o que é a eternidade. Tentemos ilustrar com a seguinte parábola: imaginem um monte de areia em que a cada mil anos um pássaro vem e leva consigo um grão no bico. Esta não é a eternidade, pois a areia vai acabar eventualmente, mas a eternidade não acaba. Agora podemos ter uma pequena idéia do tópico. É para isso que fomos criados, para a eternidade, por isso é tão difícil para nos compreendermos a morte, pois nossa alma é eterna.

Nesse sentido, se pensarmos que o prazer no mundo vindouro será estático, milhares de anos do mesmo prazer, estamos totalmente errados. Não é assim! Se trata de um prazer constantemente renovado e melhorado. Como será este prazer? Se recolher todas as alegrias de todos os seres humanos e as concentrar em um instante, ainda não atingirá o prazer do Paraíso. Se coletarmos todos os prazeres dos seres humanos, desde o primeiro homem e, adicionarmos todas as alegrias de todos os seres humanos que ainda viverão, ainda não atingiríamos um prazer momentâneo no Paraíso.

Alguns pensam que a Torá exige da pessoa viver sua vida em razão do mundo vindouro. Erro grave! Cuidar da Torá é prazeroso, também, nesta vida! Temos uma festividade a se celebrar a cada semana, com o sábado (Shabat). As leis da pureza familiar nos salvam do tédio e do desgosto. As leis restritivas de nosso discurso e fala, nos tornam pessoas melhores. O estudo da Torá é uma delícia. A Torá, no final das contas, quer o bem do indivíduo, tanto nesta vida quanto no mundo vindouro, uma alegria completa!

Baseado nas palavras do R. Pincus, de abençoada memória, assim como de outras fontes.