Dia do Holocausto, Yom HaShoah

Texto da autoria de Edith Blaustein, professora na escola de conversão da Shavei Israel, Machon Miriam.

A Shoah, ou Shoá, ou Sho’ah, é o termo hebraico pelo qual se conhece o holocausto judaico, e que literalmente significa catástrofe, e refere-se ao extermínio dos judeus ocorrido no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Durante esse período (1939-1945), os nazis perseguiram e assassinaram seis milhões de judeus por serem considerados de uma raça inferior à dos alemães, de raça ariana. Junto com os judeus, também outros coletivos como ciganos, socialistas, homossexuais ou pessoas com deficiência foram perseguidos e assassinados pelo mesmo motivo.

O partido nazi, liderado por Adolf Hitler, tinha como base a ideia do antissemitismo e considerava os judeus uma raça inferior, razão pela qual foram primeiramente segregados e excluídos da sociedade.

O ódio aos judeus alimentava-se de publicações antissemitas que ajudavam a divulgar estas ideias, os discursos de Hitler focados no mesmo assunto e a criação de organizações e associações antissemitas.

A partir de 1933, após a chegada ao poder do partido nazi na Alemanha, foram postas em prática uma série de leis e ações contra os judeus. Em 1939 contabilizavam-se até 1.400 leis contra o coletivo judeu, entre elas as Leis de Nuremberga, que, por exemplo, proibiam as pessoas judias de casarem ou terem relações com alemães de raça ariana e, em termos gerais, privavam os judeus dos direitos de um cidadão alemão. Com o objetivo de entorpecer a vida dos judeus, foram impostas outras leis, como a obrigatoriedade da demissão de todos os jornalistas judeus, para assegurar um jornalismo “puro”.

Leis discriminatórias, racistas, humilhantes, desumanizadoras, e que tinham como objetivo final a aniquilação da população judaica, o que chamavam a “Solução Final”. Devido a esta repressão, mais de 30.000 judeus emigraram da Alemanha em 1933, número que subiu para cerca de 200.000 em 1938.

Em 1938 e 1939, com a invasão da Áustria e da Polónia pela Alemanha, começaram a ser efetuadas deportações de judeus a campos de concentração e de trabalhos forçados como  Mauthausen, Treblinka, etc., transformando-se estes campos de extermínio numa base de experiências que acabariam por definir o Holocausto.

A primeira deportação massiva produziu-se em outubro de 1939, quando 16.000 judeus de origem polaca foram abandonados na fronteira com a Polónia, e isto deu lugar à Noite de Cristal, que acabou com a detenção de 30.000 judeus e a morte de outros 10.000. Isto considera-se o início do Holocausto. A partir daqui, a dureza e os maus tratos para com os judeus foram extremos.

Em 1939, tornou-se obrigatório usar o emblema com a estrela de David amarela e proibiu-se aos judeus viverem com os não-judeus. Foi assim que se começaram a criar os guetos, que isolavam a população judaica.

A partir de 1941, aumentou consideravelmente o número de judeus assassinados às mãos dos alemães nazis. O extermínio estava a ser posto em prática e era o centro da política levada a cabo. Primeiro foram fuzilamentos massivos, e depois as câmaras de gás e camionetas de gás foram dos métodos mais empregues, que permitiam matar um grande número de judeus num curto prazo: Podiam estar numa câmara de gás até 2.500 pessoas, e umas 50 em camionetas, onde eram gaseadas durante trajetos.

No campo de concentração de Auschwitz-Birkenau mataram os primeiros judeus com as câmaras de gás que ali instalaram, a pesar de os primeiros gaseados terem sido prisioneiros de guerra soviéticos. Calcula-se que foram assassinados entre um milhão e um milhão e meio de judeus em Auschwitz, já que este era o maior campo de concentração e o que teve mais prisioneiros mortos.

O genocídio dos judeus desta forma mecanizada e massiva que caracteriza o Holocausto, junto com o assassinato também massivo e metódico de outros coletivos sociais considerados “indesejáveis”, exterminou seis milhões de judeus, o que significa dois terços da população judaica mundial da época, metade dos quais eram polacos.

Tratou-se do maior crime de assassinato massivo da História da Humanidade. Pelo altíssimo número de vítimas e pelo carácter metódico das técnicas utilizadas para a morte, o Holocausto é único no seu horror.

Em Israel, comemora-se anualmente o Dia do Holocausto (Yom HaShoah), no dia 27 de Nisan, dia estabelecido por lei pelo parlamento israelita em 1959. É um dia solene, em memória das vítimas. Às 10:00 da manhã tocam sirenes, e todos, seja onde for que estiverem, se colocam de pé, em sinal de profundo respeito. Organizam-se eventos solenes sobre o assunto e a rádio e a televisão transmitem documentários e filmes alusivos.

Já chegaram! – O primeiro voo da Operação Menashe aterrou, com 82 imigrantes da Índia.

Já chegaram!

O primeiro de dois voos de imigrantes Bnei Menashe chegou ao aeroporto israelita Ben Gurion na semana passada. Oitenta e dois membros da comunidade Bnei Menashe chegaram a Israel provenientes do estado indiano de Manipur, depois de uma viagem extenuante de vários dias, de carro, de comboio e de avião.

À espera do grupo no aeroporto encontravam-se membros da equipa da Shavei Israel, que tornou possível esta viagem de aliá, bem como jornalistas, estudantes da ieshiva Ma’alot (onde muitos Bnei Menashe já estudam e servem no IDF) e o grupo Keep Olim in Israel. Continue reading “Já chegaram! – O primeiro voo da Operação Menashe aterrou, com 82 imigrantes da Índia.”

O judeu que lutou contra a censura da Inquisição

Manuscrito raro de um judeu italiano: requerimento raivoso do judeu de Ferrara para as autoridades da Inquisição requerindo que o fim da censura de seus livros impressos.

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Esta biblioteca judaica de 400 anos sobreviveu de Hitler à Inquisição

Traduzido livremente do artigo de Cnaan Liphshiz, publicado no site do Times of Israel

 

Aberta ao público poucas vezes por ano, a Lifvraria Ets Haim, de Amsterdam, possui um tesouro de textos que exibem uma celebração cultural do intelectualismo

AMSTERDAM (JTA) – A livraria Ets Haim é a biblioteca judaica mais antiga do mundo. Como tal, não é estranha a supostas perspectivas de destruição iminente.

Fundada em 1616 por judeus que fugiram da perseguição católicana Espanha e em Portugal, a biblioteca de três quartos fica ao lado da majestosa sinagoga portuguesa de Amsterdam, no centro da capital holandesa.

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A grandeza de Israel

Escrito por Tzivia Kusminsky nas vésperas do Yom Hatzmaut de 60 anos do Estado de Israel, em 2011

 

Ontem à noite, a emocionante celebração de Yom Hazicaron teve lugar por todo Israel e, possivelmente, em vários lugares na diáspora.

Soldados valentes e vítimas inocentes de ataques terroristas foram lembrados e suas memórias, foram abençoadas. E sentada em minha casa, no Yishuv Dolev, senti querer compartilhar vários dos pensamentos que me ocorreram.

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Israel celebra seu Primeiro Dia da Aliá!

O momento não foi intencional, mas há uma certa presciência ao fato de que no próprio dia das controversas eleições norte-americanas da semana passada, Israel comemorou seu primeiro “Dia da Aliá”, enfatizando a unidade e um senso compartilhado de propósito.

O mais novo feriado no calendário nacional de Israel, instituído pelo Knesset (parlamento israelense) em junho deste ano, tem como significado reconhecer a importância da Aliá para Israel, junto com as contribuições cruciais que os novos imigrantes fizeram no desenvolvimento do Estado Judaico.

Em todo o país, na última terça-feira, 8 de novembro, as escolas realizaram aulas sobre a imigração para Israel, o Knesset organizou reuniões especiais e cerimônias aconteceram na sede do Chefe das Forças de Defesa de Israel e nos escritórios da Polícia de Israel.

O dia terminou com uma reunião no Centro Internacional de Convenções de Jerusalém com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman e a ministra da Imigração e Absorção Sofa Landver, assim como o presidente da Agência Judaica, Natan Sharansky. Os três últimos, sendo, também, imigrantes.

“Assim como eu, centenas de milhares de olim [imigrantes] chegam a Israel todos os anos por causa da mesma sensação de conexão com a pátria”, disse Landver ao Jerusalem Post. “Estou orgulhosa e animada que pela primeira vez, um dia para marcar a Aliá está sendo celebrado em Israel.”

A Shavei Israel em particular aprecia a instituição do Dia da Aliá.

Desde a fundação da organização, temos nos dedicado a promover uma verdadeira reunião internacional dos exilados. Nosso trabalho com comunidades judaicas na Índia, China, Europa e Américas ajudou milhares de judeus a se reconectar com sua herança e sua pátria.

E ainda não terminamos.

Vamos fazer o Dia da Aliá ser real para ainda mais judeus ao redor do mundo. Neste exato momento, 700 Bnei Menashe estão esperando para fazer a aliá. (Visite esta página para fazer sua doação e ajudá-los)

O primeiro-ministro Netanyahu resumiu o significado do dia. Aliá é “o propósito básico do Estado judeu e a realização das profecias bíblicas”, disse. “O povo judeu está retornando à Terra de Israel e construindo nela o Estado de Israel. Este é um grande feriado para todos os cidadãos israelenses, novos e velhos.”

Artigo escrito por uma descendente dos anussim de Portugal

“Não insistas comigo que te deixe e que não mais te acompanhe.
Aonde fores irei, onde ficares ficarei!
O teu povo será o meu povo e o teu D-us será o meu D-us.”
(Rute 1:16)

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Esta histórica e famosa frase de Rute, personagem principal do livro bíblico que leva seu nome, normalmente é citada nas cerimônias de conversão ao judaísmo e aludida como um exemplo de fé e desprendimento de uma jovem gentia cuja bondade para com sua sogra seguiu-se exemplar.

Poucas vezes, contudo, Rute é citada como uma das grandes sionistas da antiguidade. Mas esta é, sem dúvida, uma faceta primordial de sua identidade, cujo DNA esteve presente no maior estadista judeu de todos os tempos, o inesquecível Rei David.

Das palavras de Rute a sua sogra Naomi (ou Noemi), é sempre inspirador o teor de fervor religioso da afirmação “o teu D’us será o meu De’s”, principalmente vindo de uma vida oriunda de uma cultura pagã e politeísta. Surpreendente, porém, é afirmação que a antecede: “O teu povo será o meu povo”. O que Rute realmente quis dizer aí?

Parece que esta grande mulher tinha muito mais conhecimentos judaicos do que se imagina. Uma das peculiaridades da fé judaica é exatamente que ela não inclui só uma religião no sentido habitual, onde se manifesta a crença em D’us e a decisão de obedecer as suas regras. Ser judeu é também fazer parte de um povo cuja identidade possui um diferencial dentre todas as nações da terra.

Há quem diga que a grande causa do antissemitismo através da história foi a afirmação judaica de povo escolhido, dando a conotação de preferido ou especial com relação aos outros povos. Uma observação atenta das Sagradas Escrituras, no entanto, nos dá a convicção de que esta escolha não foi discriminatória e sim imbuída de uma carga de responsabilidades muito maior do que qualquer outra nação da terra jamais possuiu. Ser um reino sacerdotal, um povo sagrado, com a missão de levar a palavra Divina para toda a humanidade, através de um comportamento exemplar, esta tarefa certamente nenhum antissemita, em qualquer momento, iria querer tomar para si. E mesmo Israel não conseguiu cumpri-la e sofreu duramente por isso, nas muitas diásporas e perseguições que sofreu. Mas isso é ser povo judeu ou, em última análise, povo de D’us. E Rute fez esta opção.

Este caráter sionista na personalidade de Rute trouxe para ela e para a sua herança familiar um resultado extraordinário. Ao unir-se à tribo de Yehudá quando se casou com o ancião Boaz, Rute consolidou a sua inserção no povo de Israel, gerando uma descendência política e profética de grande proeminência no passado e no futuro. Aos seus progênitos caberia a unificação dos israelitas sob um governo terreno de inspirações Divinas. Este é o reino dravídico, que não só se consolidou há mais de três mil anos, mas será estabelecido derradeiramente nos dias do Mashiach, que ainda está por se manifestar.

Como uma boa sionista, Rute olhou para Sião com olhos espirituais e fez a sua aliá sem hesitar, apesar das condições financeiras desfavoráveis, não só dela e de sua sogra, mas também para os pobres em Israel. “Não importa”, ela deixou subentendido para Naomi, “eu quero fazer parte deste povo e quero estar no lugar que lhe pertence, quaisquer que sejam as circunstâncias ou dificuldades. Posso trabalhar e o ‘Nosso’ D’us há de nos abençoar…” E não deu outra: Rute laborou no lugar certo e achou graça aos olhos de um certo Boaz, homem justo, íntegro e de muitas posses, com quem ela se uniu e prosperou, enfim.

Ser sionista requer ação. Um bom discurso sionista que não implique em uma atitude prática pró-Israel cai num vazio que acaba por negar-se a si mesmo. Israel, a terra, está intimamente ligada a Israel, o povo, e vice-versa. Um não existe sem o outro e um existe para o outro porque esta foi a escolha Divina. Por isso é que em nossos dias, quando os judeus começaram a voltar em massa para Israel, vemos os milagres se sucedendo, desde o deserto florescer até o destaque israelense nas mais altas tecnologias mundiais. Um exílio foi profetizado, mas também o foi um retorno e uma restauração e é isto o que está acontecendo hoje: o povo escolhido na terra que lhe foi dada gera bênçãos intelectualmente inexplicáveis.

E um bom sionista moderno há de reconhecer isto, valorizar e defender Eretz israel e para ela apontar e a ela retornar. E como Rute não temeu, assim o sionista moderno não precisa temer. E certamente colherá os frutos de sua decisão.

 

Pela jornalista Cláudia Boffa, descendente dos anussim de Portugal, natural do Brasil.