RABINO DE SHAVEI ISRAEL VIAJE A GILGAL

Shavei Israel: Este feriado da Páscoa, Rabi Elisha Salas de Shavei Israel e sua esposa Avigail viajaram para o Kibbutz Gilgal e compartilharam conosco algumas fotos e belas histórias.

… Lembram-se do vídeo que o rabino Elisha Salas fez desde Gilgal? Pois é, ficámos a dever-vos as fotografias e os vídeos da visita, onde se podem ver as paisagens e os locais mais representativos da região.

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Desfasagem Parashiot

Perguntas:

O que são parashiot?

Quem as instituiu?

Quando começamos a ler a Torá?

Por que às vezes lemos uma Parashá em Israel e outra diferente na Diáspora?

O que acontece se um dia festivo coincide com Shabat?

Parashá traduz-se como o “caso”, “tema” ou porção” da Torá a estudar. É uma divisão do texto da Torá em partes, para facilitar a leitura da mesma. Cada parshá tem como nome a expressão ou palavra com a qual começa. Por exemplo, a Parshá Vaikrá tem esse nome porque começa assim: Vaikrá El Moshe vaidaber HaShem elav …(E o Eterno chamou Moisés e falou Hashem com ele…).

Cada parashá, por sua vez, é dividida em partes chamadas “aliot” (plural de “aliá”, que literalmente significa “subida”). Essas partes são chamadas aliot porque, para a leitura de cada parte, na sinagoga, é chamado um homem diferente, que sai fisicamente do lugar onde está sentado e se desloca (“sobe”) para o lugar onde está a Torá, para a “ler.” (Entre aspas, porque na verdade há na sinagoga um leitor de Torá, que lerá por ele.)

A Torá, no mundo judaico, é lida publicamente por partes: a cada semana corresponde uma parashah, e a leitura pública, na sinagoga, é feita todas as segundas, quintas e Shabat. Nas segundas e quintas é lida a primeira aliá da parashá, e no Shabat é lida a parashah completa.

Segundo o Talmud, este sistema de leitura foi estabelecido pelo escriba Esdras, após o retorno do exílio na Babilônia. Este sistema acontece em todas as sinagogas do mundo. A divisão por parashiot faz com que o mundo judaico se conecte, já que todos nós lemos a mesma parte pré-definida a cada semana, por ordem, de tal modo que, no final do ano, temos a Torá completa lida por inteiro.

Quando isso acontece, ou seja, quando chegamos ao fim da Torá, celebra-se uma festa, que é a festa de Simchat Torá. Nesta festa celebra-se o final de um ciclo de leitura e o começo de outro. Lê-se a última parashá, que é VeZot HaBerachá, e a primeira aliá da primeira parashá da Torá, que é Bereshit (que significa, precisamente, “no principio”, e nos relata o principio da Criação, sendo também precisamente o princípio da Torá).

Mas há exceções a este sistema de leitura: quando uma das três festas chamadas Shalosh Regalim (Pessach, Shavuot e Sucot) coincide com Shabat, lê-se a parte correspondente à festa, e não aquela que seria “normal” ler naquele Shabat, de acordo com a ordem das Parashiot. Por exemplo, este ano (5779), o primeiro dia de Pessach coincidiu com Shabat, pelo que, em vez de se ler a parashá Acharei Mot (que seria o normal, porque a anterior foi Metzorá), leu-se a parte correspondente à festa de Pesach, que se encontra na parashá Beshalach. Quando isso acontece, a leitura normal é retomada no Shabat seguinte. Neste caso, foi lida então Acharei Mot.

Por outro lado, devido à lentidão das comunicações e à ausência de tecnologia que existia no mundo antigo, os nossos sábios determinaram que fora de Israel, na diáspora, estas três festas (Pessach, Shavuot e Sucot) fossem celebradas com dois dias festivos consecutivos, e não apenas um como em Israel, para evitar que, por algum erro de cálculo, alguma comunidade isolada corresse o risco de se enganar no dia e celebrar o Yom Tov (dia festivo) no dia errado. Isto é, para cada feriado ordenado pela Torá, os sábios acrescentaram mais um dia para a diáspora.

Por esta razão, e embora, como eu disse, todo o mundo judaico leia as mesmas parashiot ao mesmo tempo, quando na diáspora o segundo dos dois dias festivos consecutivos coincide com Shabat, há um  desfasamento entre Israel e o resto do mundo judaico em relação à leitura da Torá.

Este ano, esse desfasamento ocorre esta semana, quando na diáspora estarão a ler Acharei Mot, enquanto em Israel já estaremos a ler Kedoshim. (Porque quando lemos Ajarei Mot em Israel, na diáspora leram a leitura do oitavo dia de Pessach, que não existe em Israel, porque em Israel apenas se celebram 7 dias de Pessach.)

Outra particularidade da organização da leitura da Torá em parashiot é o fato de existirem parashiot que podem ser lidas juntas. (Mejubarot). As razões para o estabelecimento desses “pares” de parashiot são complexas e estão fora do âmbito deste texto, mas pode dizer-se, para simplificar, que esses pares foram estabelecidos porque as semanas do ano não seriam suficientes para ler a Torá inteira, devido à própria duração do ano judaico e ao facto de que quando uma festa coincide com Shabat, não se lê a parashá correspondente ao Shabat mas  sim a da festa, como vimos anteriormente.

Graças à existência destas parashiot mejubarot, as leituras de Israel e da Diáspora serão igualadas novamente em agosto, (no 2º dia do mês hebraico de Av), quando as Parashiot Matot e Masei forem lidas juntas na diáspora. A partir desse dia, até novo desfasamento, estaremos novamente todos juntos.

Mas em pensamento estamos sempre! A nossa Torá une o povo de Israel no seu espírito e na sua devoção, mesmo que a sua leitura esteja temporariamente desfasada. É curioso pensar que, no que diz respeito à leitura da Torá, pode considerar-se que Israel, em certos momentos, está à frente no tempo, vivendo de certa maneira no futuro. Quem viajar da Diáspora para Israel numa dessas semanas e regressar ao seu país no Shabat seguinte, sentirá essa “viagem no tempo”, porque, quando regressar e ouvir novamente a mesma parashá, sentirá que viajar para Israel é como viajar para o futuro.

Shabat Shalom desde Israel,

Rabino Elisha Salas

Dia do Holocausto, Yom HaShoah

Texto da autoria de Edith Blaustein, professora na escola de conversão da Shavei Israel, Machon Miriam.

A Shoah, ou Shoá, ou Sho’ah, é o termo hebraico pelo qual se conhece o holocausto judaico, e que literalmente significa catástrofe, e refere-se ao extermínio dos judeus ocorrido no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Durante esse período (1939-1945), os nazis perseguiram e assassinaram seis milhões de judeus por serem considerados de uma raça inferior à dos alemães, de raça ariana. Junto com os judeus, também outros coletivos como ciganos, socialistas, homossexuais ou pessoas com deficiência foram perseguidos e assassinados pelo mesmo motivo.

O partido nazi, liderado por Adolf Hitler, tinha como base a ideia do antissemitismo e considerava os judeus uma raça inferior, razão pela qual foram primeiramente segregados e excluídos da sociedade.

O ódio aos judeus alimentava-se de publicações antissemitas que ajudavam a divulgar estas ideias, os discursos de Hitler focados no mesmo assunto e a criação de organizações e associações antissemitas.

A partir de 1933, após a chegada ao poder do partido nazi na Alemanha, foram postas em prática uma série de leis e ações contra os judeus. Em 1939 contabilizavam-se até 1.400 leis contra o coletivo judeu, entre elas as Leis de Nuremberga, que, por exemplo, proibiam as pessoas judias de casarem ou terem relações com alemães de raça ariana e, em termos gerais, privavam os judeus dos direitos de um cidadão alemão. Com o objetivo de entorpecer a vida dos judeus, foram impostas outras leis, como a obrigatoriedade da demissão de todos os jornalistas judeus, para assegurar um jornalismo “puro”.

Leis discriminatórias, racistas, humilhantes, desumanizadoras, e que tinham como objetivo final a aniquilação da população judaica, o que chamavam a “Solução Final”. Devido a esta repressão, mais de 30.000 judeus emigraram da Alemanha em 1933, número que subiu para cerca de 200.000 em 1938.

Em 1938 e 1939, com a invasão da Áustria e da Polónia pela Alemanha, começaram a ser efetuadas deportações de judeus a campos de concentração e de trabalhos forçados como  Mauthausen, Treblinka, etc., transformando-se estes campos de extermínio numa base de experiências que acabariam por definir o Holocausto.

A primeira deportação massiva produziu-se em outubro de 1939, quando 16.000 judeus de origem polaca foram abandonados na fronteira com a Polónia, e isto deu lugar à Noite de Cristal, que acabou com a detenção de 30.000 judeus e a morte de outros 10.000. Isto considera-se o início do Holocausto. A partir daqui, a dureza e os maus tratos para com os judeus foram extremos.

Em 1939, tornou-se obrigatório usar o emblema com a estrela de David amarela e proibiu-se aos judeus viverem com os não-judeus. Foi assim que se começaram a criar os guetos, que isolavam a população judaica.

A partir de 1941, aumentou consideravelmente o número de judeus assassinados às mãos dos alemães nazis. O extermínio estava a ser posto em prática e era o centro da política levada a cabo. Primeiro foram fuzilamentos massivos, e depois as câmaras de gás e camionetas de gás foram dos métodos mais empregues, que permitiam matar um grande número de judeus num curto prazo: Podiam estar numa câmara de gás até 2.500 pessoas, e umas 50 em camionetas, onde eram gaseadas durante trajetos.

No campo de concentração de Auschwitz-Birkenau mataram os primeiros judeus com as câmaras de gás que ali instalaram, a pesar de os primeiros gaseados terem sido prisioneiros de guerra soviéticos. Calcula-se que foram assassinados entre um milhão e um milhão e meio de judeus em Auschwitz, já que este era o maior campo de concentração e o que teve mais prisioneiros mortos.

O genocídio dos judeus desta forma mecanizada e massiva que caracteriza o Holocausto, junto com o assassinato também massivo e metódico de outros coletivos sociais considerados “indesejáveis”, exterminou seis milhões de judeus, o que significa dois terços da população judaica mundial da época, metade dos quais eram polacos.

Tratou-se do maior crime de assassinato massivo da História da Humanidade. Pelo altíssimo número de vítimas e pelo carácter metódico das técnicas utilizadas para a morte, o Holocausto é único no seu horror.

Em Israel, comemora-se anualmente o Dia do Holocausto (Yom HaShoah), no dia 27 de Nisan, dia estabelecido por lei pelo parlamento israelita em 1959. É um dia solene, em memória das vítimas. Às 10:00 da manhã tocam sirenes, e todos, seja onde for que estiverem, se colocam de pé, em sinal de profundo respeito. Organizam-se eventos solenes sobre o assunto e a rádio e a televisão transmitem documentários e filmes alusivos.

AS COMUNIDADES DA SHAVEI ISRAEL CELEBRAM PESACH

Comunidades judaicas de todo o mundo partilharam connosco mais fotografias dos seus preparativos para o seder de Pesach e das suas férias de Col HaMoed (dias intermédios entre os dias festivos). Aqui ficam alguns momentos da festa de Pesach de diferentes países e continentes.

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