Parem de arruinar a memória do Holocausto

No mês de janeiro passado foi o 67° aniversário da libertação de Aushwitz pela Divisão Rifle n° 322 da armada vermelha nos nebulosos dias da Segunda Guerra Mundial.yellowstar

Esta epopeia, permitiu ao mundo vislumbrar a potencial obscuridade da alma humana, quando os soldados soviéticos se enfrentaram cara a cara com a irrefutável depravação do genocídio alemão contra o povo judeu. Continue reading “Parem de arruinar a memória do Holocausto”

Por acaso Israel se importa com a Diáspora?

Pelo ritmo frenético com que os eventos acontecem no Oriente Médio, não surpreende que a mídia israelense seja uma das mais vibrantes e emocionantes. Dificilmente passa uma hora sem crise, seja diplomática, política ou de segurança nacional. Tensões sociais, a ruptura regiliosa-secular e inclusive o nível da água no Kineret (Mar da Galiléia), fornecem aos jornalistas uma vasta quantidade de material. De fato, a idéia de um “círculo de notícias sereno” nessa parte do mundo soa mais como um entusiasmo messiânico do que como um inocente lamento jornalístico.

Mais uma prova da importância do Brit Milá

Um enxerto da pele do prepúcio no lugar das pálpebras, realizado no hospital Kaplan, próximo a Tel Aviv, em Israel, salvou a visão de um bebê que havia nascido com um grave defeito nos olhos e corria o risco de ficar cego. A idéia foi do cirurgião Asher Milstein, especialista em ocuplástica, que decidiu realizar a operação exatamente oito dias após o nascimento do bebê, na data em que, segundo a tradição judaica, é feita a circuncisão em crianças do sexo masculino. Como o bebê, que havia nascido sem pálpebras, é de familia religiosa, era importante respeitar a tradição.images (2)

Em entrevista à BBC Brasil, Milstein explicou que a pele do prepúcio tem textura e espessura “idênticas” à pele das pálpebras e que ambas são as peles mais finas do corpo humano.

“A pele do prepúcio também é altamente adequada para esse tipo de operação, pois cresce de forma compatível ao crescimento do corpo”, acrescentou o cirurgião. O bebê, cujo nome não foi divulgado, nasceu no hospital Kaplan há cerca de 5 semanas.

A ausência de pálpebras, considerada um defeito raro, faz com que seja impossível fechar os olhos, provocando o ressecamento da córnea, que por sua vez leva à cegueira. Milstein diz que, inicialmente, considerou a possibilidade de enxertar pele retirada da região que fica atrás das orelhas — técnica geralmente utilizada em casos semelhantes.

No entanto, o bebê também apresentou um problema na região do nariz e pode vir a necessitar daquela porção de pele e de cartilagem para uma cirurgia futura. Por isso, o médico tomou a decisão inédita de utilizar a pele do prepúcio do próprio bebê, que seria retirada na circuncisão.

Milstein disse que consultou a literatura médica e encontrou apenas um precedente de utilização da pele do prepúcio para uma operação na região dos olhos, que ocorreu no Egito, há vários anos.

Depois da operação, os olhos do bebê israelense ficaram fechados por três semanas. Após a retirada dos curativos, a equipe médica constatou que o bebê enxerga normalmente. O médico afirmou que o sucesso da operação demonstra que a pele do prepúcio pode ser utilizada amplamente na área da cirurgia plástica, “inclusive em casos de homens adultos”.

Segundo Milstein, a manutenção do prepúcio “não é necessária” e em casos de ferimento, essa pele pode ser utilizada para cobrir áreas danificadas no corpo do próprIo paciente.

“Devemos ter a mente aberta para ideias novas”, disse o Dr. Asher Milstein.

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Conheça um pouco mais sobre o Brit Miláh

Fonte: www.chabad.org

O que é
O Brit Milá é um preceito positivo da Torá na qual D’us ordena realizar a circuncisão de todo menino judeu. É um dos rituais mais sagrados e como é efetuado sem a consciência da criança, significa um ato de fé acima da lógica, mantido através das gerações; é sinônimo de uma aliança viva e eterna entre o homem e D’us.

O primeiro
Brit Milá é o sinal especial que tem distinguido o judeu dentre as nações, desde quando o patriarca Avraham circuncidou a si mesmo e a todos os de sua casa, por ordem Divina, na idade de 99 anos.

Quando Yishmael, o primeiro filho de Avraham, fez o Brit milá, já possuía 13 anos, estava completamente capacitado a compreender este mandamento. Estava orgulhoso de sua decisão em submeter-se racionalmente a um preceito de D’us. Sua aceitação do Brit Milá estava limitada à razão.

Yitschac, por outro lado, nasceu um ano após ter sido ordenado a Avraham fazer o Brit e foi circuncidado com apenas oito dias, um bebê sem o desenvolvimento intelectual.

Lei Judaica
Pela Halachá, Lei Judaica, um judeu deve circuncidar seu filho no oitavo dia após o nascimento, quando sua faculdade da razão ainda não está desenvolvida. Isto significa que um judeu está ligado e comprometido com D’us o mais cedo possível, de um modo absoluto e abrangente, que transcende sua razão e percepção.

Shalom Zachor
Na primeira sexta-feira após o nascimento de um filho, é feita uma cerimônia conhecida pelo nome de Shalom Zachor, traduzido como boas vindas e agradecimento a D’us pelo nascimento do bebê. Recebe na verdade esta designação por ser no Shabat, (também conhecido como Shalom, paz), quando nos reunimos para saudar o recém-nascido (Zachor).

Costuma-se convidar amigos para celebrar a chegada do novo membro logo após a refeição de Shabat à noite, quando então servem-se alimentos e bebidas além do prato essencial desta noite: grão-de-bico, conhecido como arbis ou nahit, que simboliza luto. Por que luto em uma ocasião tão festiva?

Para lamentar o fato de que ao nascer, a criança esqueceu a Torá que estava aprendendo no útero materno. Este aprendizado inicial da Torá lhe dá, mais tarde, a capacidade de adquirir o conhecimento e a sabedoria de D’us, por si mesma.

O dia do Brit Milá
O Brit é executado no oitavo dia subsequente ao nascimento da criança. Por exemplo, se a criança nasceu no domingo (do pôr-do-sol de sábado até o pôr-do-sol de domingo) o Brit é realizado no domingo seguinte. Isto se aplica mesmo quando o oitavo dia cai num Shabat ou em algum Yom Tov (desde que o nascimento tenha sido de parto normal —caso tenha sido de cesariana, o Brit é adiado para o dia seguinte).

A circuncisão é realizada através de um “Mohel”, homem temente a D’us, cumpridor dos preceitos judaicos e versado na prática da circuncisão, conforme as leis da Torá.

É o Mohel que decide se a criança está apta ou não a ser circuncidada. Se decidir que ela não está fisicamente capacitada a se submeter à circuncisão no tempo prescrito, por estar com icterícia, se encontrar abaixo do peso mínimo exigido (kg) ou algum outro problema, o Brit é adiado. Uma vez atrasada a cerimônia, ela não poderá ter lugar num Shabat ou em um Yom Tov, mas deverá ser realizada na primeira oportunidade.

Sempre que praticável, o Brit deve ser realizado pela manhã como sinal de nossa urgência em cumprir uma mitsvá, a vontade de D’us. Nunca deve ser realizado à noite.

Não se costuma convidar as pessoas para o Brit, mas simplesmente informá-las sobre a hora e o local, pois não seria apropriado que elas declinassem de um convite para um evento, no qual Eliyáhu, o profeta, estará presente.

O Profeta Eliyáhu
Na cerimônia de cada Brit Milá o Profeta Eliyáhu é uma visita ilustre que traz muita honra.

Há muito tempo, um dos reis de Israel, influenciado por maus conselheiros, aboliu a cerimônia da circuncisão. Eliyáhu, que vivia naquela época, clamou então a D’us relatando que o povo de Israel havia abandonado Sua valiosa aliança. A partir de então, D’us o instruiu a estar presente e a testemunhar todas as circuncisões. Por esta razão uma cadeira especial é designada em honra ao Profeta Eliyáhu, em cada Brit Milá.

O Mohel
Embora a Torá aponte o pai para circuncidar seu filho, o Brit é geralmente feito por um Mohel, pois a maioria dos pais não está qualificada para executar tal ato. O homem escolhido para fazer o Brit deve ser observante e temente a D’us, e estar adequadamente habilitado e treinado. A circuncisão realizada através de um cirurgião judeu, mas que não seja um Mohel, adulterará inteiramente o significado do Brit Milá, pois este ato é o elo espiritual que liga a criança a D’us.

Sandec, Kvater e outras honras
Juntamente com o Mohel, o Sandec, a pessoa que segura a criança durante a circuncisão, deve ser alguém de grande estima da família e da comunidade.

O dia do Brit Milá é visto como uma festa para o Sandec, tal como para o pai e o Mohel. Geralmente, um casal (de noivos ou casados) é escolhido para servir de Kvater (aqueles que trazem a criança para o aposento onde o Brit terá lugar).

A mulher toma a criança dos braços da mãe e por sua vez a entrega ao homem que a levará para o aposento. Ele ou ainda outro homem coloca então a criança sobre a cadeira reservada ao Profeta Eliyáhu. A tradição nos diz que ao dar a honra de ser Kvater a um casal ainda sem filhos, confere-se a este uma bênção especial para que se torne fértil e tenha seus próprios filhos.

Em seguida, o pai coloca o bebê no colo do Sandec. Depois que o Mohel executa a circuncisão, mais dois homens podem receber honras especiais: um, a de segurar a criança, enquanto o outro recita a bênção e a prece especial onde em seguida é anunciado a todos o nome judaico da criança. Na refeição que se segue é costume acender velas em honra da Simchá, porém, nenhuma bênção especial é recitada.

No Bircat Hamazon, Bênção de Graças recitada após uma seudat mitsvá, refeição festiva, vários pedidos são acrescentados para o bem-estar do nenê recém circuncidado, por seus pais, o Sandec e o Mohel.

Através do Brit Milá um menino se identifica como judeu logo no início de sua vida e permanece, por toda ela, ligado à sua Fonte.

Sopa Fria

Se você perguntar a alguém saindo da igreja num domingo: “Você acredita em D’us?” a pessoa ficará chocada. “Que espécie de pergunta é essa? É claro que acredito!” Se você perguntar: “Você se considera religioso?” qual será a resposta? “Certamente. É por isso que estou aqui!”

Se você for a uma mesquita numa sexta-feira e perguntar a qualquer pessoa lá: “Você acredita em D’us?” qual será a resposta? “Com toda a certeza.”

“Você se considera religioso?” “Bem, é óbvio.”

Isso é normal. Essas conversas fazem sentido.

Agora vá a uma sinagoga em Yom Kipur. Pergunte ao judeu sentado na sinagoga em Yom Kipur, jejuando: “Você acredita em D’us?”

Você não vai conseguir uma resposta direta. “Hum, depende do que você quer dizer com “D’us”. Isso se ele for do tipo filosófico. Caso contrário ele simplesmente dirá: “O que eu sou? Um rabino? Não sei.”

Então pergunte: “Você se considera religioso?” Você já perguntou a um judeu americano se ele é religioso? Eles começam a rir. E garantem a você que são tudo, menos religiosos.

“Está brincando? Sabe o que eu como no café da manhã?”

Então cada um deles vai dizer: “Tive um avô, pelo lado da minha mãe, que era um homem religioso… Mas eu…?”

Então você faz aquela que parece uma pergunta lógica. “Então por que está aqui?”

Por algum motivo, este judeu, que não acredita em D’us e é muito não-religioso, olhará para você como se você fosse louco e dirá: “O que quer dizer? É Yom Kipur!”

Isso não é normal.

Vamos analisar por um momento. O que este judeu na verdade está dizendo?

Você perguntou se ele acredita em D’us e ele disse “Não”. Ou “Quando eu era mais jovem, costumava acreditar.” Ou então: “Quando ficar mais velho, começarei a acreditar.”

“Então você não acredita em D’us?”

“Não.”
“Você é religioso?”
“De maneira alguma.”
“Então por que está aqui?”
“Porque é Yom Kipur!”

O que ele está dizendo é: “Por que estou aqui? Porque D’us deseja que um judeu esteja na sinagoga em Yom Kipur. Então onde mais eu poderia estar?”

Então você diz: “Mas você não acredita em D’us.”

Ele diz; “E daí?” e ele não entende o seu problema.

Ele está dizendo: “Hoje é Yom Kipur mesmo que eu não tenha um calendário. Esta é uma sinagoga mesmo que eu não goste dela. Sou um judeu mesmo que não seja religioso, e D’us é D’us mesmo quando eu não acredito nele. Então qual é o seu problema?”

Ora, isso pode ser desconsiderado, e infelizmente muitos de nós o desconsideramos, como pura hipocrisia. Dizemos: “Você não acredita em D’us e não é religioso – não vá à sinagoga. Não venha aqui apenas para mostrar o quanto é judeu.”

O Rebe de Lubavitch tinha uma abordagem diferente. Esta insanidade é que nos torna judeus. É isso que mostra como somos especiais em nosso relacionamento com D’us. Isso se chama verdade. Não se trata de mim. Não quero ser religioso. Não quero acreditar em D’us. Não quero ouvir falar disso. Mas Ele me quer aqui, portanto aqui estou.

O mesmo acontece em Pêssach. Todo judeu se senta para um Sêder. Pergunte ao judeu médio num Sêder: “Você acredita em D’us?” Resposta: “Deixe-me em paz”. Mais uma pergunta: “Você é religioso?” Ele engasga com a matsá, rindo. “Então você está celebrando o Êxodo do Egito há 3.300 anos?” Resposta: “A história não é para mim…” As perguntas seguem… “Então por que está aqui?” seguido de “Onde eu deveria estar? É Pêssach!” É isso que é tão magnífico sobre o judeu.images (1)

Se Mashiach chegar agora, e quiser julgar, o que ele vai encontrar? Sopa fria?

Agora vamos colocar tudo no contexto. Há mais três mil e trezentos anos D’us nos perguntou se queríamos casar com Ele. Tivemos uma cerimônia de casamento extraordinária, com fabulosos efeitos especiais – fomos prometidos. Após o casamento Ele disse: “Tenho algumas coisas que gostaria que você cuidasse para Mim, por favor… Voltarei logo.” Ele não foi mais visto desde então. Durante mais de três mil e trezentos anos. Ele tem enviado mensageiros, mensagens, cartões postais… você sabe, escrevendo nos muros… mas não ouvimos uma palavra Dele durante todo esse tempo.

Imagine, um casal se casa, e o homem diz à esposa: “Você faria alguma coisa para eu comer, por favor? Volto logo.” Ela começa a preparar. O sujeito volta 3.300 anos depois, entra em casa, vai até a mesa, direto para a sua cadeira favorita, senta-se e saboreia a sopa que está sobre a mesa. A sopa está fria.

Qual será sua reação?

Se ele for um homem sábio, não reclamará. Em vez disso vai pensar que é um milagre a casa ainda estar ali, que sua mesa e cadeira favorita ainda estejam ali. Ficará encantado ao ver uma tigela de sopa à sua frente. A sopa está fria? Bem, sim, após 3.300 anos, a sopa pode esfriar.

Agora estamos esperando Mashiach. O Rebe apresentou essa noção radical de que Mashiach está para chegar agora. O que a torna tão radical? Significa que ele vai chegar sem um aviso de duas semanas. Sempre pensamos que haveria algum aviso, para que pudéssemos nos recompor antes que ele venha. Mashiach, chegando agora? Mas agora eu não estou pronto. Não quero ser julgado da maneira que sou. Preciso de um pouco de antecedência. Um pouco mais de tempo…

Se Mashiach chegar agora, e quiser julgar, o que ele vai encontrar? Sopa fria?

Se Mashiach vier agora, diz o Rebe, ele encontrará um povo judeu incrivelmente saudável. Após 3.300 anos estamos preocupados em sermos judeus, o que significa que estamos preocupados com o nosso relacionamento com D’us.

Sim, se Mashiach chegar hoje, ele encontrará nossa sopa fria. Sofremos com a ansiedade da separação. Sofremos de uma perda de conexão com nossos ancestrais. Sofremos de uma perda de conexão até mesmo com nossa família próxima. A sopa está fria. A sopa está muito fria. Mas de quem é a culpa? E quem recebe o crédito pelo fato de que há sopa, afinal?

Somos um milagre. Tudo que precisamos é entrar nele. Nós somos a cura. Não apenas para nós mesmos, mas também para o mundo inteiro. Através de nós a cura é holística, é natural, é orgânica. Nosso relacionamento com D’us é orgânico. Não é uma religião que praticamos – trata-se de nós, quem nós somos, é isso que somos.

Portanto o Rebe nos diz que a maneira de ir é direto para D’us. Pule todos os passos, pule a Cabalá, vá direto até D’us e fique em contato com o seu objetivo. O objetivo não é cabalístico. O objetivo é pessoal. D’us precisa que você cumpra uma mitsvá. Ele enviou você a este mundo para ser quem você é, porque somente você pode fazer este tipo de mitsvá. Sim, as mitsvot são as mesmas para todos nós. Mas quando você a cumpre, é diferente, porque é holística. É com suas emoções, com seus problemas passados, com sua origem familiar, com seu conhecimento e com sua ignorância. Tudo que vem junto torna a sua mitsvá holisticamente única.

Portanto, que Mashiach venha agora e nos encontre aqui com nossa sopa fria, porque não temos nada para nos envergonhar. Somos realmente incríveis. Quando D’us decidiu casar conosco, Ele sabia que estava realmente fazendo um bom negócio.

Kidush Hashem

 

Em memória das almas santas e puras do

Rabino Ehud Fogel e sua esposa Ruth

e dos filhos Yoav, Elad e Hadassa

Assassinados em Itamar

לזכרם לעילוי נשמתם של הקדושים והטהורים

הרב אהוד פוגל הי”ד ורעיתו רות הי”ד

וילדיהם יואב, אלעד והדס הי”ד

שנטבחו באיתמר יע”א

 

“Porquanto te ordeno hoje que ames a Adonai teu D’us, que andes nos seus caminhos, e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas, e te multipliques, e o Adonai teu D’us te abençoe na terra a qual entras a possuir.”

(Devarim 30:16).

Um dos textos áureos da sagrada Torá nos orienta a amar a D’us e que no seguimento de suas leis viveremos e multiplicaremos. Mas, quando vemos que se ocorre justamente o contrário? Quando em lugar de viver morremos em nome de D’us, o que seria isso? Existiria alguma mitzvá (mandamento) de morrer em nome de D’us e da Torá?

Recentemente, no dia 11 de março 2011 (6 de Adar b), uma família foi vitimada por atentado no assentamento Itamar no centro norte de Israel. Cinco integrantes da família Fogel morreram a golpes de faca por terroristas palestinos. Não que houvera um motivo aparente, se é que há algum motivo que justifique a barbárie, apenas morreram por serem judeus. Tampouco é a primeira vez na história que judeus são executados por diferanças étnicas. Progrom, inquisição e shoá já fazem parte de nosso calendário nos dias de memória de suas vítimas, de forma que tais atos já se tornaram parte da rotina do povo judeu. Todo aquele que entrega sua vida em defesa da fé e do povo judeu ou morre em atentados e progroms santificam o Nome de D’us, mitzvá shel kidush Hashem.

Rambam, Rabi Moshe ben-Maimon, trás em seu livro Mishnê Torá, nas leis básicas da Torá, capítulo 5 lei 1, que toda a casa de Israel deve santificar o nome de D’us e não profaná-lo, com está escrito: “E não profanareis o meu Santo Nome, para que Eu seja santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o D-us que vos santifico” (Vaicrá22:32). Como pode ser que alguém ao mesmo tempo pode cumprir esses dois mandamentos de não profanar e de santificar o nome de D’us? O cumprimento de mandamentos (shabat, kashrut, taharat mishpacha, etc.) é uma forma de santificação do Nome Divino. O Não cumprimento destes é uma forma de profanação. Assim, um mandamento positivo santifica o nome de D’us e um mandamento negativo profana, chas vehalila (D-us nos livre). Contudo há uma situação em que o cumprimento do mandamento de Kidush Hashem não depende do cumprimento de outro.

Explica Rambam: no caso em que se levanta um não judeu para forçá-lo a infringir qualquer dos mandamentos da Torá, ou caso contrário, tal judeu deverá infringir o mandamento e preservar sua vida, como está escrito: “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o Eterno” (18:5). E se preferiu neste caso sacrificar sua vida terá que prestar contas com D’us.

A alma de todo judeu é uma ferramenta de santificação do nome de D’us. O fato de somente existir faz de cada um cornetas que anunciam Sua majestade, o qual é feito por meio do cumprimento de mitzvot. Portanto, devemos sempre preservar nossas vidas para que tais cornetas sigam soando. Por isso os sábios estipularam uma halachá onde proíbe que se coloque em risco a própria vida.

Contudo, há uma situação onde o mandamento toma a posição inversa. Tráz a Guemará (Sanhedrim 72a) que há três mandamentos os quais se está obrigado a deixar-se morrer e não infringir-los, são eles: idolatria, relações sexuais ilícitas e assassinato. Ora, se a Torá nos ensina a viver pelos mandamentos como agora deveríamos morrer por eles? Este é o caso, não raro, singular no judaísmo onde se morre por D’us e esta morte é o nível mais alto de Kidush Hashem.

Como vimos antes a alma de todo judeu é uma ferramenta de santificação. Se esta alma morre já não se pode santificar a D’us, ou seja, cumprir mitzvot. Justamente estes três pecados estão em um nível tão baixo que quem os comete automaticamente mata sua própria alma. Isso porque estes vão em contra a essência da Torá. Divididos em três esferas distintas, cada pecado incorre à aniquilação da vida e ao propósito da Torá.

  • Assassinato por si só expressa a aniquilação da vida. Tirar a vida de alguém, mesmo que para salvar a sua própria, demonstra a desvalorização pelo outro. Afinal, quem disse que sua vida tem mais valor que a do outro ou poderá cumprir mais mitzvot que o outro? “… Para que vivas, e te multipliques…” quem comete assassinato impede em dobro a possibilidade de vida e de multiplicar-se.
  • Relação sexual ilícita é uma forma de morte social. Ir-se contra o modo natural e indicado pela Torá de procriação é impedir que a vida flua como se deve. O impedimento da continuidade da vida é uma forma lenta de se matar uma sociedade. A pureza familiar e chupa (matrimônio) não somente mantém o desenvolvimento do povo judeu mas também o protege, como no caso em que Bilan (Balão) trocou sua maldição por uma bênção ao ver a disposição das tentas de Israel, a qual não permitia que estas tivessem suas portas frente umas às outras.
  • Idolatria expressa a morte espiritual de cada judeu. A razão para que alguém peque e mantenha sua vida é para que siga cumprindo mandamentos. A prática de idolatria torna sem sentido essa expressão. Como poderia alguém ter em mente salvar sua vida para seguir servindo a D’us se o mais importante mandamento e base da toda a Torá (“E amarás o Senhor teu D’us com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com todas as tuas forças” – Devarim 6:8) não o cumpriu? Quando um judeu pratica idolatria ele mata sua própria alma e renega a Torá, como escreve Rambam:

“Todo aquele que pratica avodá zará (idolatria) apostata toda a Torá, todos os profetas e tudo que se decretou desde o princípio até o fim dos tempos, como está escrito: ‘desde o dia que o SENHOR ordenou até as vossas gerações’”

(Leis à idolatria cap.2:4)

Todo aquele que entrega sua vida em nome da Torá, morre em defesa do povo judeu ou é assassinado por sua condição judaica cumpre a mitzvá de Kidush Hashem, e sua recompensa é o mundo vindouro. Além do mais, seu grau é o mais elevado na esfera espiritual “resplandecendo à sombra das asas da Shechiná de D’us” (Melamed Zechut, Rav Aharon R. Charney), como nos ensina chazal (sábios de bendita memória) que “nenhuma criatura pode estar ao seu lado” (Pessachim 50).

Nos ensina a Guemará (Avodá Zará 10) que o mundo vindouro pode ser comprado no decorrer de muitos anos ou em um instante. Kidush Hashem tem como sua recompensa imediata o Olam haba (mundo vindouro). Explica Rav Itzhak Hotner (Medo de Itzhak – Promessas 25:13,14) que o mundo das almas não é suficiente para recompensar quem entregou seu corpo e sua alma, porque aí não existe corpo. Apenas com a ressurreição dos mortos e o então Olam Habá que se pode recompensar pois ai terá corpo e vida; cumprindo a lei de midá negued midá (medida por medida).

Esperamos poder santificar o Nome Divino com nossas vidas e não com nossa morte. Às famílias que tiveram parentes mortos em defesa de Israel, atentados e progroms segue nossos votos de consolo e recordo das memórias das almas santas e puras. Que D’us abençoe e console todas as famílias das vítimas em guerras, atentados e perseguições.

Uma vassoura e uma bandeira

Não sou psiquiatra, porém parece que Israel desensolveu um grave caso de esquizofrenia ao cumprir 60 anos.

Pode-se sentir os impulsos contraditórios no trabalho quando muitos israelenses se perguntam si devem celebrar os numerosos lucros, lamentar suas perdas ou uma combinação de ambas.

Parece existir milhares de razões para o sofrimento e a lamentação, desde os vários escândalos de corrupção nos quais estão envolvidas figuras políticas, o último caso de abuso de crianças que comoveu o país tem um semana ou a falta de valores judaicos e sionistas.

Além desses, pode-se agregar o contínuo ataque de mísseis que sofre Sderot, a crescente ameaça nuclear por parte do Iran e a preparação bélica do Hizbola na fronteira norte do país. Diante desta realidade, não nos surpreende que muitos prefiram se esconder debaixo da cama até que passe essa tormenta.

Honestamente, é difícil culpá-los.

Mas entretanto, existe o outro lado da moeda. Observe os grandes triunfos de Israel em campos como computação e agricultura, dizem os otimistas. Nossa abilidade de sobreviver em um ambiente hostil, é por si só um grande lucro, dizem.

Eles também têm razão. Então, como devemos nos sentir: aterrorizados ou emocionados; tristes ou contentes ? Ou talvez uma mistura de ambos? Esta pergunta só nos mostra a falta de contexto e perspectiva histórica.

Além do mais, para o ser humano, sessenta anos podem representar uma grande parte de sua vida sobre a terra. Porém, para uma nação, é tão somente um insignificante período, um mero episódio ou intervalo em sua história.

Apesar de tudo, observem o que nós, o povo judeu, temos conseguido desde 1948.

Temos trazido milhões de imigrantes de todo o mundo, temos feito florecer o deserto, e temos construído um país livre apesar de estarmos rodeados de tiranias, e tudo isso feito em menos tempo do que foi preciso para a construção da Torre de Pisa (177 anos), a Grande Muralha da China (séculos), ou inclusive a Catedral Nacional de Washington (83 anos). Pensando bem, não está tão mal assim, não é mesmo ?

Considerem, por exemplo, aonde se encontrava a grande potencia mundial de hoje em dia, Estados Unidos, aos seus 60 anos de existência.

Naqueles tempos, em 1836, grande parte do continente norteamericano não tinha sido anexada, enquanto que o estado de Arkansas se convertia no vigésimo quinto estado a aderir-se a União.

Os americanos que viviam na periferia enfrentavam frequentes ataques indígenas e sentiam muita insegurança. Em maio desse mesmo ano, indígenas comanches assassinaram cinco membros de uma família no Texas e depois sequestraram sua filha de 9 anos, que mais tarde foi forçada a casar-se com o líder tribal. Vinte e cinco anos passariam até o seu resgate.

E ainda, supostamente, teve lugar a batalha de Alamo, aonde as tropas mexicanas massacraram centenas de valentes defensores americanos no Texas, incluindo o herói popular Davey Crockett.

Tais incidentes, seguramente, diminuiram o ânimo nacional.

Inclusive a democracia americana tentava sobreviver por esses dias, enquanto que a disputa sobre a escravidão começava a surgir. Em 1836, a Casa de Representantes rompeu todos os códigos éticos, quando legislou a nada popular “lei do silêncio”, como forma de reprimir o debate sobre este assunto tão controverso.

Entretanto, apesar dos grandes desafios que os Estados Unidos enfrentavam nesse momento, seu otimismo não cesou pois compreendiam, perfeitamente, tudo o que haviam conseguido desde que a nação fora estabelecida.

De fato, em seu discurso anual no Congresso, em dezembro desse ano, o então presidente Andrew Jackson começou dizendo: “é uma grande alegria poder felicitá-los pela grande prosperidade em nosso amado país”.

“Sem motivos internos ou externos que façam diminuir nossa confiança com respeito ao futuro” continuou, “a condição geral de nossos assuntos podem perfeitamente outorgar-nos orgulho nacional”.

Esta também dever ser nossa forma de ver as coisas no momento em que celebramos o sexagésimo aniversário de Israel e enfrentamos o futuro.

Seguramente, ainda existem muitas coisas para melhorar. Ignorância sobre o judaísmo, pobreza, desemprego, crueldade e desilusão. Porém, isto não debe impedir-nos de apreciar o fato de que temos um Estado Judeu, apesar de todos estes problemas.

Uma comovente história sobre o Rebe chassídico de Sadigora, Rabi Abraham Iacov Friedman, bendita seja sua memória, conta que quando os nazistas tomaram Viena, aonde o Rebe vivia, tentaram humilhar aos judeus forçando-os a lavar as ruas da cidade enquanto os austríacos os ridicularizavam.

Os soldados alemãs entregaram ao Rebe uma vassoura, porém enquanto o mesmo limpava recitava uma oração silenciosa: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de limpar as ruas da Terra de Israel”.

Depois, os nazistas lhe deram uma grande bandeira e o forçaram a pendurá-la no alto de um grande edifício. Nesse momento o Rebe rezou: “Senhor do Universo, permita-me ter a honra de pendurar a bandeira de Israel no alto de um grande edifíco na Terra de Israel”.

Após ter sobrevivido a guerra, o Rebe estava determinado a realizar seu desejo. E assim, cada ano, no dia da Independência, ele se levantava cedo, tomava uma vassoura e começava a limpar as ruas de Tel Aviv em agradecimento a Deus por ter lhe respondido as suas orações. E depois, o rabino, já avançado em idade, subia ao teto da Grande Sinagoga de Tel Aviv e pendurava uma bandeira de Israel, muito orgulhosamente, para que todos a vissem.

É por isso que na próxima vez que estejam deprimidos, perguntando-se que será deste país e de seus líderes, lembrem-se do Rebe de Sadigora, com uma vassoura na mão e uma bandeira na outra, e um coração cheio de gratidão a Deus pelo milagre que representa o Estado de Israel.

O Milagre de Israel

Esta semana, Israel e o judaísmo mundial festejam Iom Haatsmaut, o 60°. Aniversário da Independência do Estado de Israel.

Orações especiais serão recitadas, festas serão organizadas, e o povo judeu agradecerá a Deus por ter-nos feito retornar a nossa terra após 2000 anos de exílio.

Nossa tendência é considerar segura e concreta a existência do Estado, e geralmente não apreciamos o quanto somos abençoados por viver este momento da história quando o Estado de Israel voltou a ser restaurado em nossa antiga terra.

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