A virtude de Israel

Este artigo irá explicar qual é a virtude de Israel e o por quê de sermos o povo escolhido.

Será que recebemos a Torá e então nos tornamos o povo escolhido ou, justamente por ser o povo escolhido, recebimos a Torá?

A resposta a esta pergunta está nas bênçãos matutinas “…Quem nos escolheu dentre todos os povos e nos deu Sua Torá…”, ou seja, primeiro nos escolheu e, em seguida, nos deu a Torá.

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A relação da Unidade Judaica com a festa de Rosh Hashana, de acordo com a Chassidut

Rosh Hashaná é conhecido por muitos conceitos, desde “Yom HaDin” (o dia do julgamento) ao Primeiro dos ’10 dias de Teshuvá’ (retorno a D’us), como também o Dia da Criação – dos primeiros seres humanos. Mas qual seria sua principal essência?

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Kina antiga de Tisha be’Av descoberta

Kinot são poemas tristes ou “cantos fúnebres” que tradicionalmente são recitados no jejum de Tisha B’Av para lamentar a destruição dos templos sagrados de Jerusalém e outras tragédias que aconteceram nesta época, no decorrer da história judaica. Uma kina antiga da comunidade judaica medieval de Castela, na Espanha, foi recentemente descoberta. A kina é escrita em um lindo e poético hebraico. Disponibilizamos abaixo também, uma tradução para o espanhol.

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49 Anos Reconstruindo Jerusalém!

“E percorreram por toda a terra, e retornaram, ao final de nove meses e vinte dias, a Jerusalém” (Samuel 2 24:8)

A principio o verso do profeta Shmuel (Samuel) discorre sobre os emissários encarregados de realizar um censo do Povo de Israel na época do reinado de David, e que, depois de nove meses e 20 dias, percorrendo toda a terra e contando cada um e um do povo de Israel, enfim, retornaram a capital, a Jerusalém.

Contudo, existe outra maneira de interpretar este verso, como uma profecia de Shmuel sobre os dias que anteciparão a Redenção.

Em 1967, no dia 28 de Iyar, o pequeno exército de Israel vencendo uma guerra histórica contra 6 países árabes, alcança o lugar mais santo do judaísmo e liberta Yerushalaim!

Embora celebramos Yom Yerushalaim (o Dia de Jerusalém) na própria data hebraica da libertação, o dia seguinte – o 29 de Iyar -, seria também propício a comemoração, pois foi finalmente o primeiro dia em que Yerushalaim pertencia, novamente, aos judeus. Assim como em Purim celebramos o dia depois da vitória (“os dias em que repousaram de guerrar com seus inimigos” (Esther 9:22)).

Caso antecipemos 9 meses e 20 dias (como na profecia de Shmuel) de Yom Yerushalaim, alcançaremoso dia9 de Av, o dia em que nos enlutamos pela destruição dos dois templos de Jerusalém e como resultado, a expulsão dos judeus da cidade.

Sabemos, da profecia de Yeshayahu (Isaías 66:10), que:

“Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por ela, vós todos os que a amais; enchei-vos por ela de alegria, todos os que por ela se enlutaram”.

Se alegrarão por Jerusalém todos aqueles que por ela se enlutaram! Aqueles sentiram a falta de Jerusalém enquanto estiveram no exílio, se alegrarão ao vê-la novamente nas épocas de redenção!

E assim, entendemos a profecia que trouxemos acima, de Shmuel, da seguinte maneira:

“E (após) percorrerem por toda a terra (pelos quatro cantos do mundo), retornaram, ao final de nove meses e vinte(após terem sentido o luto de Jerusalém em 9 beAv), no Dia de Jerusalém! (o dia que seria conhecido como o Dia de Jerusalém!)”

A relação entre o luto por Jerusalém e a alegria por sua reconstrução, está profundamente conectada! O Talmud explica a profecia acima de Yeshayahu com o famoso dito “Todo aquele que se enluta por Jerusalém, terá o mérito de ver a alegria de Jerusalém!”.

O grande Rabino Kook explica porque o Talmud escreve que aqueles que se enlutam por Jerusalém terão mértio de ver sua alegria e não sua reconstrução – como faria mais sentido no contexto. O Rabino Kook responde que somente aquele que de verdade sentiu a falta de Jerusalém, entendeu sua importância para o Povo Judeu e se aprofundou na necessidade do povo de estar essencialmente conectado com este lugar santo, poderá sentir alegria, comemorando, assim, a construção de Yerushalaim. Pois ver, muitos verão a cidade ser reconstruída (como hoje em dia, o mundo todo vê) mas, infelizmente, não todos se alegrarão e agradecerão a D’s por este grande milagre!

E assim é.

Há 49 anos, de uma maneira totalmente impressionante, Israel venceu uma guerra contra 6 países árabes que preparavam aquilo que seria o segundo grande genocídio do povo judeu em menos de 30 anos.

De maneira milagrosa, o exército de Israel não somente venceu a guerra, como o fez em somente 6 dias, impondo de maneira decisiva a soberania sobre o território e mostrando a todos seus vizinhos – e todo o mundo – que os Filhos de Israel haviam voltado para nunca mais sair.

Evocando uma guerra bíblica, Israel ainda conseguiu garantir um cordão de segurança tanto no norte quanto ao Sul (Golan e Sinai) além de recuperar as cidades santas e históricas de Hevron e a cidade velha de Jerusalém! Finalmente, voltavamos a casa!

Em 1948, os judeus voltavam a Israel, quando ninguém podia entender como um povo praticamente aniquilado podia ter forças de se reerguer e revitalizar um sonho bíblico. O mundo estava em choque, mas entendia que era temporário, como sempre havia sido com os judeus no exílio.

Mas, em 1967, quando voltamos a Cidade Velha de Jerusalém de uma maneira tão milagrosa, o mundo ficou abismado. As profecias dos judeus estavam de verdade se realizando! Os cristãos e os muçulmanos tiveram que sofrer reformas internas dentro de suas ideologias, porque algo estava muito errado no que estava acontecendo.

1967 foi um marco histórico para a humanidade e todos ainda estão tentando entender por que. Mas nós sabemos que arrancar a soberania de Jerusalém dos judeus não representa ao mundo uma “justiça internacional com base na resolução 478 da ONU”. Trata-se de uma tentativa de se auto convencer que, o que está acontencendo com o Povo de Israel não é verdadeiro, que não estão voltando, que suas profecias não estão acontecendo.

E é por isso que nossos sábios definem o exílio do Povo de Israel como um “Chilul Hashem” – uma profanação do Nome Divino. Pois todo o momento em que os judeus estão fracos e dispersos entre as nações, isso dá espaço para outros pensamentos e religões que profanam o Nome de D’s. Mas quando os judeus voltam para sua casa e começam a reconstrui-la, isso é “Kidush Hashem” – Santificação do Nome Divino -. Pois, o mundo começa a perceber que existe somente duas opções, celebrar com o Povo de Israel o começo da redenção, ou guerrear até o ultimo momento tentando provar (a si mesmos) que se trata de mais uma coincidência do destino.

Que saibamos nos alegrar e agradecer a D’s por haver nascido nessa geração, na geração da vitória e não da derrota, da vida e não da morte, da Redenção e nao do Exílio!!

CONFIRA O VÍDEO DA RECONQUISTA DE JERUSALÉM:

Proselitismo e Judaísmo – Noções de Judaísmo

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

 

Proselitismo ou não?

É sabido que o judaísmo não é uma religião proselitista. Muito pelo contrário, faz todo esforço para desencorajar potenciais candidatos.

Mas é importante entendermos a razão – ou as razões – para esse comportamento.

Por um lado, é verdade que as leis do judaísmo são explicitamente destinada aos judeus, por outro lado, existem algumas mensagens universais do judaísmo que são válidas e necessárias para toda a humanidade. Tanto o cristianismo quanto o islamismo nasceram da semente do judaísmo, embora tenham, em grande parte, cruelmente distorcido as mensagens, pregando a “necessidade” de espalhar sementes em todos os lugares, de modo que ninguém seja excluído da possibilidade de ser parte de suas religiões. E assim, nos perguntamos por que o judaísmo não fez o mesmo? Poderíamos, inclusive, dizer que, talvez, se tivesse feito não teria sido cruelmente perseguido por estas duas religiões.

 

Patriarcas

A verdade é que, desde do início remoto da revelação divina aos nossos patriarcas já era sentida a necessidade de proclamar esta mensagem. Como o verso em Gênesis (12: 5) diz: “e tomou Avram a Sarai, sua mulher, e Lot seu sobrinho, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que tinham feito em Haran”. Nossos sábios explicam que essas “almas” eram, na verdade, prosélitos.

Mais tarde (12:8), é dito que ele “construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor”. A expressão ‘invocou’, se refere ao público interessado, do qual ensinou sobre o nome divino, ou seja, explicou os caminhos do Senhor e como praticar a justiça e a lei, como é dito sobre Avraham (18:19) “Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo”, que são dois pontos que o Senhor aprecia, como diz o Salmo 33 (5): “Ame a justiça e a retidão”. E mesmo os habitantes cananeus o reconheceram, como disseram (Gênesis 23:6). “príncipe poderoso és no meio de nós”. O mesmo aconteceu com seus filhos, Itzhak (Gênesis 26:25) e Iaacov (35: 7), que construiram altares para proclamar o caminho do Senhor a todos os interessados.

 

Um Novo Caminho

Mas o patriarca Iaacov começa um novo caminho, pois, no final, consegue construir uma casa, uma família em que todos seguem o caminho certo, e, portanto, repensa o caminho que deve, então, percorrer. Este é o significado da expressão (Gênesis 33:20) “E levantou ali um altar, e chamou-lhe: D’us, o D’us de Israel”, o que significa que a divindade já está “vinculada” a uma determinada família, a família de Iaacov.

Mais tarde, quando o povo de Israel saiu do Egito, muitos outros sairam com eles, como o verso (Êxodo 12:38) “uma grande multidão saiu com eles”. Alguns apenas aproveitaram a oportunidade para escapar da escravidão egípcia, mas muitos sentiram uma atração especial pelo Povo de Israel. Alguns, inclusive, devem ter alcançado a Terra de Israel, embora pareça que a grande maioria acabou não sobrevivendo o deserto, durante os longos quarenta anos.

Além disso, um povo, os Quenites, filhos de Itró, sogro de Moshé, seguiu fielmente o povo de Israel e se estabeleceram na Terra Prometida (ver Juízes 4:11) e continuaram com eles até a destruição do primeiro Templo, como podemos ver a profecia (Jr 35) que trata de sua lealdade inabalável.

E ainda mais tarde, o Rei Shlomó se casou com princesas de todo o mundo, colocando-se em perigo espiritual, pois pensou que sua influência seria suficientemente forte para fazer com que essas princesas compreendessem as verdades do judaísmo, mas estava errado, pois, embora, de fato, fosse suficientemente forte, tais assuntos ainda não tinha atingido a maturidade para tornar-se acessíveis, sem o perigo de sofrer nenhuma influência.

 

Desintegração do Paganismo

No final do Segundo Templo começou um período de desintegração da cultura pagã no Império Romano, e muitas pessoas se sentm atraídos pelo judaísmo. A nação dos edomitas, que viviam no sul de Israel, foi conquistada e muitos dos edomitas se converteram (não sabemos como e com que grau de força) para o judaísmo, e um deles foi o avô do Rei Herodes. Outras tribos semitas, vizinhos de Israel, também se converteram. O Talmud critica essa prática na dinastia dos Hasmoneus, quando pensavam que, certamente, dessa forma levantariam a honra de seu povo.

Os judeus que viviam fora das fronteiras da Terra Santa e estabeleceram colônias, com suas sinagogas e instituições e, assim, estiveram com ainda mais contato com muitos gregos e romanos. Quando, mais tarde, o cristianismo se espalhou, aqueles que haviam se convertido, foram os primeiros a se mudar para a nova religião, que era muito menos exigente em termos de mandamentos práticos.

 

Os Prosélitos e a Lepra

O Talmud diz, no Tratado de Kidushin que os conversos são difíceis para Israel como a lepra.

Esse comentário recebeu várias interpretações talmúdicas. Dado o contexto da época, é bom entender que os sábios eram contra a conversão, em muitos casos, por conveniência e não por convicção, e em outros casos, até mesmo forçados. Em parte, poderiam, assim, justificar o comportamento de alguns judeus que mal recebiam a chegada de pessoas que queriam entrar na sinagoga. O prosélito, diz o Talmud, são como a lepra!

Por isso, é importante compreender este significado exato.

Uma explicação diz que por causa que os convertidos não tinham muita experiência no cumprimento adequado do judaísmo, poderiam dar mau exemplo para os outros judeus. Outra explicação diz que pelo fato de que existem 36 lugares na Torá que se adverte a não causar nenhum dano ao converso, é muito difícil cumprir este mandamento corretamente, e são, portanto, difícil como a lepra. A terceira opinião diz que a razão que o povo foi para a Diáspora, foi precisamente para recolher seguidores entre todos os povos e convertê-los, e enquanto não o fazemos, não podemos ir para casa. Há também uma opinião que, ao contrário da primeira, argumenta que os conversos cumprem de maneira tão dedicada os cumprimento e os mandamentos, que envergonham assim os outros judeus. A interpretação final diz que uma das condições para que a Presença Divina habite entre nós é a de que o povo de Israel esteja organizado de acordo com suas famílias básicas, os descendentes das doze tribos originais.

Cada uma dessas interpretações é incompleta e apresenta uma visão muito parcial e, assim, é muito mais fácil compreender esta situação, juntando todas as facetas fornecidas, na forma mais adequada.

 

Integração no Povo

É claro que a mensagem da Torá tem dois níveis, um nacional e um universal, e, que é nosso dever, como entenderam os Patriarcas, ensinar o caminho do Senhor para todo o mundo. Eu questiono se é correto ou não incentivar indivíduos a integrar o povo de Israel e deixar o povo do qual pertencem, pois vimos opiniões conflitantes: alguns dizem que todos devem encontrar seu caminho dentro de seu próprio povo e outros dizem que devem se juntar ao povo de Israel. Por isso, a opinão de que devemos recolher as almas dos prosélitos que estão espalhadas entre os povos da diáspora, não é aceita por todos os sábios.

O Talmud diz, algumas páginas adiante, que o prosélito não faz parte de Israel enquanto não se casar com uma judia ou uma mulher, quando se case com um judeu. Mas se se casarem, ainda não estão integrados na congregação (ou “Call”, como era chamado na Catalunha), e refere-se ao último tema que vimos. Muitas vezes, há uma tendência de se manter entre “pessoas conhecidas” com outros que também fizeram o caminho para a verdade e finalmente encontraram a Torá de Israel. Acreditam que poderão causar um desequilíbrio ao se casar com alguém de raízes judaicas e preferem encontrar companhia com outros convertidos. Este é um erro.

Este é um outro fator, muito importante hoje em dia, que são as almas perdidas. Como podemos ver, ao longo da história judaica, muitos Filhos de Israel foram forçados a se converter a outras religiões. Mas de acordo com a Halachá Judaica, estes permaneceram em seu status anterior, e assim também, seus filhos. Podemos perder o fio da genealogia na família, mas certamente não, o perdão do Criador. E quando chegar a hora, a alma retornará ao seio do povo, mesmo que tenha que percorrer todo o mundo.

Portanto, é evidente que o Judaísmo não pode fechar suas portas para os recém-chegados, pelo contrário, deve tê-las bem abertas para receber todos aqueles que se perderam nas estradas do mundo, buscando constantemente o Caminho do Senhor.

Liberdade

Comentário sobre a Festa de Pessach

Pelo Rabino Nissan ben Avraham

 
Será que entendemos?

Nossos sábios nos garantem que a Torá é a nossa verdadeira liberdade.cego-surdo-mudo

É estranho dizer algo assim, quando sabemos que a Torá está repleta de mandamentos – 613, de acordo com a computação tradicional. Praticamente não nos permite nenhum tempo “livre”. Como podemos dizer que, precisamente a Torá, é a nossa liberdade?

A resposta clássica é q “você não entende o que realmente significa ser livre”. E isso pode irritar ainda mais…

Mas talvez seja verdade …
Sem desenvolvimento

O que significa “ser livre”? Poder fazer o que bem quisermos?

Eu, por exemplo, não sou livre para tocar guitarra ou piano… Já que não estudei música e não desenvolvi as qualidades que provavelmente não me faltaram, as desperdicei. Se eu tivesse estudado música, e tivesse passado horas e horas me esforçando, através de práticas e repetições intermináveis ​​para dominar as técnicas, seria agora livre para desenhar belas melodias de piano ou guitarra.

Os verdadeiros guitarristas e pianistas, e ainda mais os violinistas, devem passar muitas horas estudando e praticando para poderem alcançar essa liberdade de tocar belas melodias.

E quantas outras qualidades e habilidades eu possuo? Quantas destas foram devidamente desenvolvidas? É possível dizer que um homem cego não é livre para não ver a paisagem? É possível dizer que um mudo não é livre para falar? Não faz qualquer sentido! Quem não pode ou não sabe usar suas habilidades, não pode ser considerado livre ao usá-la, ou deixar de fazê-lo. A conclusão é simples:

Eu não sou livre!

Somente quando desenvolver minhas habilidades, poderei dizer propriamente que sou livre para usá-las ou deixar de usá-las.

Mesmo em questões que acreditamos não haver nenhum problema como, pensar, por exemplo, certamente estamos longe do certo. Existe uma técnica chamada “lógica”, que é a de pensar corretamente e a qual, muitos, não sabem usá-la corretamente.

Mesmo memorizar nossos estudos não somos completamente capazes: “estudamos para esquecer”, disse o Maharal de Praga, há 400 anos atrás. E isso não é nada bom.
Liberdade para ser bom

E agora, devemos considerar que estes são apenas “instrumentos” para desenvolver aquilo que realmente nos interessa: as virtudes e a nossa conexão com o Criador.

Não têmos o conhecimento necessário para desenvolver nossas virtudes. Não é suficiente “querer ser bom”, mas devemos querer aprender o que significa exatamente ser bom em tal situação e como ser em quaisquer outra. Quando todos são amigáveis, não é difícil ser bom com eles. O problema é quando são pessoas estúpidas ou mesmo não amigáveis, que desprezam sua bondade. O que você faz nessas situações? Você tem o conhecimento necessário para seguir sendo bom nestas condições?

No livro de Provérbios, lemos que a Torá nos ensina todas estas técnicas, e também as virtudes; no estudo da Torá – a Escrita, juntamente com a Oral – aprendemos o verdadeiro significado de ser bom. E como esta “bondade” é subdividida em muitas outras virtudes, cada qual para um caso diferente: para pobres e para ricos, vivos e mortos, doentes e o casal que se casar em algumas semanas, e etc.

Bondade, é claro, é apenas uma das muitas virtudes. Qual destas podemos esquecer ou menosprezar? Quando podemos dizer que “somos livres” para usar-las, ou não usar-las?
A Escravidão

Agora temos de tentar entender o que a “escravidão” significa. Existem diferentes tipos de escravidão, mesmo hoje.

Em primeiro lugar, está a ignorância. Um ignorante é um escravo trancado em um calabouço escuro, acorrentado à parede incapaz de se mover, apoiado de quatro sobre seus “cotovelos”. Não sabe a diferença entre o bem e o mal, a luz e a escuridão. Aqueles que “escolhem” viver na ignorância enganam a si mesmos, como se em seus anos de vida, não tivessem tido nenhuma meta que o Criador não tenha imposto.

Depois, há a família ou as pressões sociais. Nós coagem através de uma série de imposições com as quais não nos sentimos conectados. Embora sejam coisas boas, realmente. Mas nós não as escolhemos, seja porque não as entendemos ainda, ou porque nos incomoda que as imponham sobre nós.

A rotina é uma escravidão cruel. Não ser capaz de decidir a qualquer dado momento se devemos ir em frente ou se devemos voltar. Tornamo-nos escravos de alguns tipos de comportamento, sem nem mesmo sentir que se tratam de problemas sérios. Somente quando a rotina é sujeita a testes de validade podemos dizer que se trata de um instrumento positivo e necessário.

Quando a rotina chega a um extremo de “vício”, já está doente e vai precisar da ajuda de especialistas, medicação e tratamento especial para se livrar desta.
Os Tempos

Sem querer dizer que os tempos nos limitam ou nos escravizam, podemos dizer que existem momentos ideais para determinadas atividades. No período em que digerimos a comida após uma boa refeição, não é o melhor memento para se exercitar. O clima seco e quente não é o mais adequado para o plantio de uma árvore. Tudo tem seu tempo adequado, aque com as melhores condições, com melhores chances de sucesso.

A Torá nos ensina a santificar o tempo. Quando entendemos que este é o melhor momento para uma determinada atividade, e que, dentro de alguns poucos minutos, já não poderemos mais obtê-lo, o tempo se torna ouro puro.

Conhecem isso, muito bem, todos aqueles que estiveram frentes às portas da morte, percebendo que, de repente, lhes havia terminado o tempo. Nesta vida temos a oportunidade de agir, de fazer as coisas. Aquilo que o Criador nos impõe. Quando terminar este tempo, já não poderemos mais fazê-lo.

E em algumas épocas do ano, estão os momentos ideais para obter algum conhecimento ou capacidade que, em outro momentos, pode ser muito mais difícil, ou mesmo, impossível, de alcançar. Temos um tempo de alegria, na festa de Sucot. E temos, também, um tempo de liberdade.
A Época da Liberdade

Há 3328 anos atrás, as tribos dos filhos de Israel sairam da escravidão do Egito para se tornar um povo livre. Sua liberdade começou no próprio desejo de ser livre e querer aprender a desenvolver suas qualidades, assim como o fazemos nas sete semanas do Omer, que acontecem de Pessach à Shavuot. Estas são semanas mágicas nas quais podemos alcançar os melhores resultados com menores esforços, seguindo instruções milenares que já se mostraram eficazes.

A Festa de Pessach é chamada de “época da nossa liberdade”. E agora entendemos que não se trata, somente, de uma liberdade física, mas também, intelectual e espiritual. Nestes dias nos é mais fácil se livrar de todas essas amarras que tem nos impedido de progredir ou nos estancado no mesmo lugar.

A época propícia para se livrar dos grilhões da rotina, da opressão da coerção social ou da ignorância. Um tempo precioso que não deve ser desperdiçado e sim utilizado para iniciar o processo de liberação de nossa escravidão pessoal.

E nacional. O povo de Israel está sujeito a uma série de pressões internacionais, além de seus próprios problemas de ‘escravidão’ para as rotinas, preconceitos, falsas “tradições” medievais que, como dizem nossos sábios, temos a obrigação de erradicar de dentro de nós.

Precisamos urgentemente de um processo de libertação da ignorância nacional em assuntos espirituais. O estudo da Torá deve atingir o nível nacional. Não somente que mais pessoas, indivíduos, estudem a sagrada Torá, mas que seja feito a nível nacional. Que as questões políticas sejam analisadas de acordo com os critérios da Torá, através de uma visão divina.

Não têmos tempo a perder!

Boas pessoas com boas notícias – Noções de judaísmo

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

Muitas vezes nos perguntamos: de quem é a culpa por todo o mal que existe no mundo? Quem é o responsável?

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Primeira resposta

Uma possível resposta é aquela que afasta de nós todas as responsabilidades e afirma que tudo está nas mãos do Criador, e, se algo de ruim acontece é porque assim Ele o quis, pois se Ele não quisesse, obviamente, não aconteceria. Portanto, nunca será possível acusar alguém de mau comportamento, nunca poderemos punir ninguém por qualquer crime, pois: tudo está nas mãos do Criador.

Quando uma resposta assim (não no judaísmo, D’s nos livre!) chega a um nível exagerado, fica proibido visitar os médicos ou mesmo o valor de uma oração, que é negada para uma pessoa que “tem transgredido a vontade do Criador”. Se pecou, que pague com a doença que D ‘lhe enviou. Quando se arrependa ou quando corrija seu comportamento, Aquele Mesmo que lhe enviou a doença, lhe vai curar. De acordo com este ponto de vista (errado!), quem reza para a saúde de uma pessoa pode ser considerado um “intrometido em assuntos divinos”, como se não estivesse confiando no julgamento do Supremo Tribunal Celestial”.
Segunda resposta

Outra resposta, quase que oposta, sustenta que o homem é o único responsável pelos seus atos. O Criador não está envolvido nestas questões (se aceitam a existência do ‘Criador’, uma vez que muitos dos que apóiam este ponto de vista são ateus, agnósticos). Em algumas versões se acrescenta a responsabilidade da sociedade, da família e a educação que recebeu, mas afinal de contas é tudo a nível humano. A razão teológica que contribui para essa visão é que, ‘se não fôssemos responsáveis ​​por nossas ações, como poderiamos, então, sermos punidos ou recompensados?

Quando esta segunda resposta é levada ao seu fim herético, considera-se que D’s abandonou o mundo. Ele criou um mundo redondo, como uma bola, e chutou para longe. “Como lhe pode importar o que os humanos fazem?!”, “Ele tem coisas mais importantes para fazer”.

Assim, acreditavam alguns filósofos gregos, e outros tantos tipos de idólatras, que precisavam convocar “deuses” mais jovens, uma vez que o Criador e Ser Supremo não podia (através da falsa teoria teológica) ouvir o que acontece no mundo. Neste ponto, eles não têm escolha, a não ser mudar de disco e afirmar que o Criador não se importa com o que fazemos, pois somos demasiadamente insignificantes para sermos premiados ou castigados.
A Terceira resposta

Há uma terceira resposta, é claro, que conecta as últimas duas.

É claro que nós somos responsáveis ​​por nossas ações, e que o Criador não quer intervir, durante o tempo que dure nossa prova neste mundo. Apenas em alguns casos excepcionais, os chamados “milagres”, notamos uma intervenção divina limitada em tempo e lugar. Certamente nos envia “avisos” para que corrijamos nosso mau comportamento antes que seja tarde demais, ao que muitos consideram erroneamente como se tratando de “punições”. Em muitos poucos casos a “punição” é irrevogável. Quando o aviso é ignorado, ele pode vir a receber uma punição chegando a um fim que não deveria ter acontecido.

Se alguém está doente, isso pode significar na prática que tem se comportado mal. Mas o nosso Criador quer precisamente que intervenhamos, para orar por ele, quer que chamemos o médico, e que realize uma cirurgia para curá-lo, caso necessário.
Não somos carrascos

E se alguma coisa deve ser inquestionável, é o fato de que não podemos ser “carrascos” de ninguém. Não estou falando sobre auto-defesa ou algo parecido, mas sim sobre a justiça com as próprias mãos, sobre punir alguém pois decidimos que este merece. Isto é severamente proibido. Já fazem mais de dois mil anos que não temos juízes que, de acordo com a Torá, podem condenar alguém a um castigo corporal.

O nosso papel é muito diferente. Há um versículo no livro de Devarim (22:8), que afirma: “Quando você construir uma casa nova, faça um parapeito em torno do terraço, para que não traga sobre a sua casa a culpa pelo derramamento de sangue inocente, caso caia o que está caindo do terraço.”

A expressão bíblica “o que está caindo” significa que, se alguém cai, seguramente merece. É evidente que fez algo de errado e deve receber sua punição. Mas você não deve ser o carrasco. “não traga sangue sobre a sua casa”. Você deve impedir que isto aconteça em sua casa.

Na verdade, você deve evitar que isso aconteça de qualquer maneira. Quando o “o que está caindo” ver que você é tão cuidadoso, tão alerta a ponto de não deixar acontecer qualquer acidente em sua volta, as pessoas estarão mais propensas a refletir e perceber os erros que têm cometido. Caso saibamos qual é o seu mau comportamento, devemos ajudá-lo a corrigir. E quando não sabemos a razão exata, o nosso dever é ajudá-lo a sair de uma situação de perigo, dando-lhe outra chance de corrigir seus erros.
Advertências divinas

No livro dos Reis (1, 08:35) um verso muito interessante (mal traduzido em muitas versões): “Quando fechem os céus e a não tenha chuva pelos pecados contra você, orem neste lugar e agradeçam seu nome, e abandonem seus pecados, quando você lhes responder.” A falta de chuva era um aviso para corrigir, mas desapareceu mesmo antes de que tenham corrigido. O fato de responder às suas orações, dando-lhes a chuva que necessitam, já é por si só um motivo de arrependimento pelos pecados e assim, os abandonem.

Há vários exemplos no Tanach que demonstram esse princípio (Juízes cf. 3: 1-2; 1 Reis 13: 1-10; etc.). Avisos divinos não são para coagir ou forçar um comportamento particular. Nos permitem uma completa liberdade de comportamento, por isso, continuamos a ser responsáveis ​​por nossas ações, e ainda assim o Criador está interessado em nós, enviando-nos um aviso para corrigir nosso comportamento.

E, assim, deve ser entendido que aconteceu em Sedom (Sodoma), no capítulo 14 de Gênesis. Chegaram quatro reis da Mesopotâmia e arrasaram o lugar. Isso deve ser entendido como um aviso divino que seu comportamento estava errado. Mas eles preferem reconstruir a cidade com os mesmos fundamentos errados e após outros vinte e quatro anos, sem ter corrigido as falhas e ter, inclusive, piorado o comportamento, e, então, as cidades pecaminosos do Vale foram definitivamente arrasadas.

 

Boas pessoas com boas notícias

Um ditado talmúdico diz que o Criador traz ao mundo coisas boas através de pessoas boas e coisas ruins através dos ímpios. Não apenas, obviamente, quando os ímpios cometem crimes premeditados, mas mesmo quando se acredita estarem atuando corretamente, ao julgar de outras pessoas. Se alguém se torna o carrasco de outra pessoa, demonstra assim que é uma pessoa má.

Nós nos dedicamos em fazer somente o bem, como a Torá nos ensina, através das leis do Shulchan Aruch.

E, por isso, evitamos até mesmo contar uma má notícia para as pessoas, como vemos no livro de Shmuel (2 Samuel 18:27) que diz: “Disse mais a sentinela: Vejo o correr do primeiro, que parece ser o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Então disse o rei: Este é homem de bem, e virá com boas novas.” Se você é uma pessoa boa, você não pode trazer más notícias, e se traz más notícias, não é uma boa pessoa, como vemos alguns capítulos antes deste episódio (2 Samuel, 4: 10-11), com a notícia da morte do Rei Saul e de Ish-Bóshet.