Parasha da Semana – Emor

O Caos e a Havdalá

A primeira parte da Parasha Emor é um compêndio que narra o papel dos sacerdotes e as suas obrigações. A segunda parte enumera todas as festas bíblicas: Pesach, Shavuot, Rosh Hashaná (embora estes dois últimos não sejam chamados por estes nomes) e Sucot. Além disso, explica como devemos celebrá-las.

É de notar que, no decurso da Parasha, é mencionado várias vezes que o povo de Israel não deve recorrer a espíritos e adivinhos. Os exegetas interpretam que a falta de autoridades (pais, anciãos) é o que leva as pessoas a recorrer a esses espíritos ou adivinhos. Ou seja, em tempos de caos, de falta de limites claros, o Homem procura respostas para as suas incertezas no lugar errado. Isto está intimamente relacionado com a própria essência da criação do mundo. Quando De’s criou o mundo, ele estava num estado de caos (tohu vabohu). O Altíssimo dá ao Homem a capacidade de diferenciar (havdalá) o caos e, a partir daí, ser uma força criativa no mundo.

Em todo o livro de Levítico, é aos Cohanim que De’s confere a distinção entre o puro e o impuro, o sagrado e o profano, os animais permitidos e os não permitidos, os relacionamentos permitidos e os proibidos. Sem limites e distinções claramente estabelecidos, corremos o risco de voltar ao caos ou, como a Parasha nos alerta, de virem a existir pessoas que procuram respostas em espíritos falsos ou adivinhos.

No Shabat, vivemos «um tempo fora do tempo». Quando este acaba, a cerimónia de Havdalah permite-nos estabelecer limites, por isso abençoamos esse momento agradecendo: «Bendito sejas Tu, nosso De’s, Rei do universo, que estabeleces uma distinção entre o sagrado e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e as nações, e entre o sétimo dia e os seis dias de trabalho.»

Para os mais pequenos

Logo após a destruição do Segundo Templo, durante os dias do Omer mencionados na parashá, (contamos 50 dias desde o segundo dia de Pesach até à festa de Shavuot), aconteceu uma coisa muito triste: uma terrível doença matou, um a seguir ao outro, os 24.000 alunos de Rabi Akiva. Infelizmente, apesar dos ensinamentos do seu grande professor, eles sentiam desprezo uns pelos outros e não se respeitavam. É por isso que os nossos sábios determinaram que aqueles dias seriam de luto: não há festas e é costume não cortar o cabelo nem fazer a barba. Estes dias terminam no 33º dia do Omer. Como em todos os momentos de arrependimento e correção dos nossos atos, a união, o respeito mútuo e o amor ao próximo são importantes. Estamos numa etapa de preparação para alcançar o cume espiritual, a festa de Shavuot, o dia da entrega da Torá, que ordena a quem a recebe ser bom para com De’s e, em especial, para com o próximo.

Edith Blaustein