O Surgimento dos Judeus Ocultos de Turquia

Recentemente, numa pequena sinagoga de New Jersey, uma tragédia judaica de mais de três séculos, chegou a um tão esperado fim.

De pé diante de um tribunal rabínico, um “judeu oculto” da Turquia encerrou um ciclo histórico emergindo das sombras do passado e regressando formalmente ao povo judeu.

O jovem em questão, que agora tem o nome hebraico de Ari, é um membro dos “Donmeh”, uma comunidade de milhares de pessoas que são descendentes dos seguidores do falso messias Shabetai Tzvi.

Pode até soar raro, e inclusive exagerado, porém, depois de tantos anos, ainda existem pessoas que acreditam que ele voltará a redimir a Israel.

No século XVII, Tzvi irrompeu em cena no judaísmo, aumentando as esperanças de redenção e eletrizando os judeus em todo o mundo. Dotado de um enorme carisma, percorria várias comunidades judaicas e prometia que a tão esperada liberação do exílio estava ocorrendo.

Porém sua carreira messiânica chegou a um repentino final quando o Sultão otomano lhe determinou que fizesse uma escolha extrema: converter-se ao islamismo ou morrer pela espada. O futuro reclamante do trono do Rei David deixou de lado o heroísmo e se converteu em um mulçumano, junShabbatai6to com 300 famílias que se encontravam entre seus mais fiéis seguidores.

Apesar de aparentemente praticarem o Islam, os Donmeh (também conhecidos como os Maaminim, palavra hebraica que significa “crentes”), no entanto continuavam, em segredo, observando uma forma mística de judaísmo.

Estudiosos como Gershom Scholem, escreveram extensamente sobre os Donmeh, e Marc David Baer, da Universidade de California, publicou recentemente um novo e importante estudo acerca deles.

Até o dia de hoje, alguns destes “shabtainos” preservam diversos costumes judaicos, como a celebração das festas, o estudo do Zohar e, inclusive, recitam porções do livro de Salmos todos os dias. E seguem os “18 Mandamentos” impostos a eles por Shabtai Tzvi, que inclui uma proibição absoluta de casamentos mistos.

Durante muitos anos, concentraram-se na cidade grega de Salonica, até que foram expulsos para a Turquia em 1923/24, como parte dos intercâmbios populacionais entre os dois países. Este capítulo doloroso de sua história resultou ser uma benção disfarçada, porque os salvou da má sorte que tiveram os judeus da Grécia, onde a maioria deles foram assassinados pelos nazistas.

Porém, apesar da conversão dos Donmeh ao islamismo e o transcurso de mais de 300 anos, ainda são vistos com receio pelos muçulmanos turcos, e são alvos frequentes da imprensa do país, que os acusa de ser parte de uma conspiração sionista internacional.

Assim que não nos surpreende que os Donmeh se encolheram e essencialmente, passaram a clandestinidade, levando, na realidade, uma vida dupla para sobreviver. Mesmo que muitos deles tenham se assimilado na sociedade turca, milhares ainda vivem em cidades importantes como Istambul e Esmirna.

Há cerca de dois anos, em uma visita a Istambul, reuni-me com alguns membros da geração mais jovem dos Donmeh, incluindo Ari. Devido ao atual estado das relações diplomáticas turco-israelenses, não posso divulgar detalhes sobre eles para não identificá-los, apenas dizer que todos expressaram uma profunda vontade de retornar ao judaísmo.

Quando os conheci no lobby de um pequeno hotel, Ari, em particular, parecia especialmenete nervoso. Ficava constantemente observando o lugar, a princípio parecia ter medo de ser visto com um judeu de Israel que usava uma kipá.

Contou-me sobre os maus tratos que suportaram os Donmeh nos meios de comunicação turcos, e disse: “Estou cansado de ocultar-me e estou cansado de fingir. Quer ser um judeu, quero voltar ao meu povo”.

Quando o sondei a respeito de seus conhecimentos judaicos, me surpreendeu ver o quanto era versado sobre vários conceitos cabalísticos. E não me refiro a pseudo Cabala praticada por Madonna e outros em Hollywood, mas sim a real Cabala.

Mais tarde, Ari me levou para dar uma volta na cidade, mostrou-me o cemitério Donmeh e outros lugares fundamentais para a vida oculta da comunidade. Com uma evidente sensação de frustração, explicou que a comunidade judaica da Turquia não se aproximava da questão Donmeh, temerosa da reação que isto poderia provocar.

“Estou prisioneiro entre dois mundos”, disse. “Os turcos me veem como um judeu, porém os judeus não me aceitam”.

Porém, tudo isso mudou há algumas semanas, quando Ari deu o valente passo de viajar ao Estados Unidos para submeter-se ao retorno ao judaísmo. Depois que os rabinos examinaram seu caso, levando em conta o fato de que seus antepassados haviam se casado exclusivamente entre eles, deram as boas vindas a Ari de volta ao seu povo.

Falando comigo pouco depois, Ari não pode conter suas emoções: “É um milagre, agora sou um judeu ‘oficial’, depois de todos estes anos!” No sábado seguinte, foi honrado numa sinagoga em Nova Yorque com a mitzvá de carrager a Torá diante da congregação. Abraçou o Sefer com força e amorosamente em seus braços, carregando-o como a um bebe recém nascido, enquanto lágrimas de alegria e alívio corriam por sua face.

Ari não é o único. Existem muitos outros jovens Donmeh que também tentam encontrar seu caminho de regersso, e o povo judeu tem que ajudá-los. Independentemente dos erros que seus antepassados tenham cometido, os Donmeh de hoje se agarraram a sua herança judaica e a mantiveram viva. Àqueles que desejam recuperar suas raízes temos o dever de possibilitar que o façam.

Bem vindo novamente ao nosso povo, Ari, e que teu retorno abra o caminho para outros Donmeh.

Tragam os Bnei Menashê de Volta para Casa, à Israel!

Num lugar muito distante, no noroeste da Índia, vivem milhares de homens e mulheres que desejam juntar-se ao povo judeu.

Dispersos pelos estados de Mizoram e Manipur, respeitam a lei judaica, observam o Shabat e as festividades e inclusive rezam em hebraico, com seus rostos e seus sonhos em direção a Sion.

Conhecidos como Bnei Menashê, traçam sua ancestralidade até a tribo de Menashê, uma das dez tribos perdidas que foram exiladas da Terra de Israel pelo Império Assírio cerca de 2700 anos atrás.

Apesar de vagarem há muitos séculos, os Bnei Menashê se apegam a sua tradição judaica e preservam seus costumes. Nunca esqueceram quem eram nem de onde vieram e principalmente, para onde sonham retornar um dia.

Em 2005, o Rabino Chefe de Israel  Sefaradita, Rabino Shelomo Amar, reconheceu formalmente aos Bnei Anussim como “descendentes de Israel” e alentou seu retorno à Israel e ao Povo Judeu.

Durante a última década, mais de 1700 membros da comunidade fizeram aliá graças a Shavei Israel, organização que presido.

Todos eles tem feito conversão formal no Rabinato Chefe, para afastar qualquer dúvida sobre seu estatus pessoal, e recebem a cidadania israelense.

Porém, outros 7232 ainda permanecem na Índia, esperando anciosamente sua oportunidade para fazer aliá. Chegou o momento de por um fim a essa espera.

Durante o último ano, tenho realizado um intensivo trabalho junto ao governo israelense a favor dos Bnei Menashê, sou otimista e acredito que o fim está próximo.

Ambos, o Rabinato Chefe e o Ministro do Interior, Eli Yishai, vem expressando seu apoio para trazer os remanescentes da comunidade à Israel. Tudo o que é preciso agora, é que o governo israelense tome a valente e histórica decisão de reunir a tribo perdida ao nosso povo.

Os Bnei Menashê serão cidadãos leais e bons judeus. Eles são amáveis e delicados, com fortes valores familiares e uma grande fé na Torá. Praticamente todos são religiosos, e contam com um grande compromisso sionista.

Apenas 4% dos imigrantes Bnei Menashê dependem de subsídio do estado, ou seja, menos da metade do percentual de israelenses veteranos que recebem o subsídio. São trabalhadores e sérios, e a chegada de milhares deles será uma verdadeira benção para o Estado Judeu.

Muitos membros da comunidade em Israel tem recebido ordenação rabínica e hoje em dia trabalham em atividade de divulgação, enquanto que outros são escribas e têm produzido formosas Meguilot Esther (Rolos do Livro de Esther).

Dezenas de outros Bnei Menashê tem servido como combatentes em unidades de elite do exército, arriascando suas vidas para defender o país.

Simplesmente, nos fortalecem a nível quantitativo e qualitativo, bem como demográfico e espiritual.

E mais ainda, os Bnei Menashê são parte de uma grande familia judaica, e devemos a seus ancestrais assim como a nós mesmos, trazê-los de volta para casa.

De acordo com a tradição, logo que seus antepassados foram expulsos da Terra de Israel, os Bnei Menashê, escaparam para a China, antes de chegarem e se estabelecerem no que hoje é o noroeste da Índia, onde continuaram praticando o judaísmo bíblico. Isto inclui respeitar o Shabat e as leis de pureza familiar, circuncisão no oitavo dia depois do nascimento, matrimônio levirato e ritos de sacrifícios muito parecidos aos de Israel.

Esta não é a primeira vez que uma tribo perdida é encontrada. Tome, por exemplo, o caso dos judeus etíopes, cuja aliá foi um milagre moderno. Quando o Rabinato Chefe determinou em 1973 que eram judeus, a decisão foi baseada em parte na crença de que os etíopes eram descendentes da tribo perdida de Dan.

Desde então, dezenas de milhares de etíopes tem chegado a Israel, reforçando o país e agregando-lhe população judía que fortalece a demografia. Não existe razão alguma para que os Bnei Menashê sejam tratados de forma diferente.

Recentemente, o Comitê de Imigração, Absorção e Assuntos da Diáspora do Knesset (Parlamento) Israel, emitiu uma decisão histórica conclamando ao governo de Israel a trazer de volta para casa os Bnei Menashê que ainda ficaram na Índia.

Estive presente e fui testemunho na sessão do Comitê, e fiquei encantado quando o presidente do mesmo, o parlamentarista Danny Danón, declarou que “é dever e responsabilidade do governo israelense trazer o resto dos Bnei Menashê de volta para casa o mais breve possível”.

Não importa o ângulo que observamos, a história dos Bnei Menashê é o testemunho do poder da memória judaica, a inextinguível chama judaica que mora muito profundamente no coração de cada um de nós.

Israel, com certeza, enfrenta muitos desafíos, e o governo encontra-se ocupado lutando em várias frentes: diplomáticas, políticas e de segurança.

Porém, chegou o momento de por fim a esta saga de dispersão de 2700 anos.

Chegou o momento dos filhos de Menashê regressarem a sua casa. Chegou o momento de trazer aos Bnei Menashê à Israel.

Por que Israel ignora os judeus da China?

A mais importante competição esportiva do mundo, terá início em poucas semanas, mas Israel já está cometendo um erro olímpico.

Os próximos Jogos Olímpicos que acontecerão no verão de 2008 na China, brindarão novamente ao Estado Judeu a oportunidade de destacar-se no cenário mundial.

Como de costume a delegação participará da cerimônia de abertura, marchando orgulhosamente no Estádio Nacional de Beijing agitando a bandeira azul e branca diante de todo o público presente. Este, é sem dúvida, um momento que definitivamente chama a atenção e toca o coração de todos os judeus do mundo.

Este ano, terá também um outro propósito, de demonstrar a muitos cidadãos chineses que ainda não se interaram, o quanto vem melhorando as relações entre Beijing e Jerusalém desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1992.

Porém, diferentemente de outros anos em que Israel e seus atletas aproveitavam os Jogos Olímpicos para demonstrar as comunidades locais sua solidariedade e irmandade, nenhum gesto como esse está na pauta para os próximos jogos. Infelizmente, Israel está dando as costas para os judeus chineses.

Sim, você está lendo corretamente. Existem de fato judeus na China, herdeiros de um antigo e valioso patrimônio que data de mais de 1000 anos. Os primeiros judeus, acredita-se que se afirmaram na capital da China Imperial, Kaifeng, ao longo da praia do rio Amarelo, durante a Dinastia Song.

Durante dois séculos, os chineses deram aos seus judeus uma confortável estadia, livre de perseguições, característica marcante em distintas comunidades judaicas da diáspora.

Em 1163, os judeus de Kaifeng construíram uma belíssima sinagoga, que foi conseqüentemente renovada e reconstruída numerosas vezes. Em seu apogeu, durante a Dinastia Ming (1364-1644), os judeus de Kaifeng eram em torno de 5000 pessoas.

No entanto, por volta de 1800, uma grande onda de assimilação e matrimônios mistos apagaram todos os vestígios de judaísmo na China. Após o falecimento do último rabino da comunidade, durante a primeira metade do século XIX, o judaísmo de Kaifeng praticamente desapareceu.

Mas esse não é o final da história. Contrariando todas as probabilidades, os judeus de Kaifeng conseguiram preservar sua identidade judaica, transmitindo o pouco que sabiam aos seus descendentes.

Hoje em dia, ainda existem centenas de pessoas na cidade, que podem ser claramente identificadas como descendentes da comunidade judaica. Entretanto, a política do governo israelense ao longo dos anos tem sido essencialmente ignorar os descendentes de judeus de Kaifeng, receando que o governo chinês não veja de forma positiva tal contato.
Por não ser um grupo oficialmente reconhecido como minoria na sociedade multicultural da China, e por não ser, o judaísmo, a religião oficial do país, a questão específica sobre o status dos judeus de Kaifeng é uma pergunta sensível para Beijing. Devido também as emergentes relações econômicas, culturais e turísticas entre ambas nações, Israel prefere não ingressar no delicado assunto.

Conseqüentemente, a Embaixada de Israel em Beijing não mantêm relações com a comunidade de Kaifeng, nem faz nenhum esforço para contatá-los. Representantes da comunidade não são convidados para participar do ato anual em celebração ao Iom Haatzmaut nem a nenhuma outra das atividades da Embaixada.

Apesar da existência de vários programas educacionais de intercâmbio entre China e Israel, o governo israelense não vem realizando nenhum esforço para permitir que a comunidade judaica de Kaifeng possa participar dos mesmos.

De fato, muitos membros da comunidade, comentaram-me recentemente , que não lembram quando foi a última vez que tiveram contato com alguém de Israel.

Este triste desenvolvimento dos fatos, pode e deve ser corrigido. Israel não tem razão nenhuma para virar-lhes as costas. Muitos desses judeus de Kaifeng, estão realmente interessados em aprender mais acerca de sua herança e cultura.

China sempre tratou seus judeus de forma amável e cortez, e não existe razão alguma para acreditarmos que as coisas mudaram. Israel pode e deve estender a mão aos judeus chineses, ao mesmo tempo que supostamente estará respeitando as sensibilidades do governo chinês. A atmosfera internacional que provêem os Jogos Olímpicos, é uma excelente oportunidade para que Israel realize este significativo passo em conjunto com o governo da China.

No passado, os Jogos Olímpicos serviram como momento de reunião. Em 2000, nos jogos de verão de Sydnei na Austrália, Israel e os atletas locais participaram de uma série de eventos organizados pela comunidade judaica local. Eventos tais como, alojamento dos atletas em Shabat e a gravação de uma placa em recordação dos atletas judeus que foram assassinados durante os Jogos de Munique em 1972.

Similarmente, em 2002, nos jogos de inverno na cidade de Salt Lake, Utah, Israel e os atletas judeus participaram de duas recepções oficiais organizadas pelos judeus de Utah.

Por que os representantes israelenses não podem realizar gestos similares, durante os próximos jogos, com os remanescentes dos judeus de Kaifeng? Os judeus chineses podem ser uma importante ponte cultural entre os dois países, fortalecendo nosso sentido de passado dividido e futuro em comum.

Os judeus de Kaifeng representam a união viva de ambas civilizações, e sua contínua existência não é apenas um testemunho do poder da memória do judaísmo, senão também dos laços de amizade que tem existido entre China e o povo judeu por mais de 1000 anos. É chagada a hora de Israel deixar de ignorá-los.

Esperamos, que nos Jogos Olímpicos do mês que vem, os atletas israelenses ganhem e tragam para casa inúmeras medalhas, honrando a si mesmos e a todos nós. Porém creio que não haveria uma honra maior para eles, se renovassem os laços entre o Estado de Israel e os judeus de Kaifeng.

 

Testemunho Ocular: “e voltarão juntos formando uma grande multidão”

Addis Ababa – Etiopia
São cerca da 11 horas da noite, em uma noite de maio em Addis Ababa e grandes partes da capital da Etiópia se encontra completamente escura, resultado dos cortes de luz que vem aumentando nos últimos meses.

Soldados e policiais patrulham as ruas em frente à Embaixada Israelense com metralhadoras kalatchnikov penduradas no pescoço. Enquanto controlam o tráfego que vem de ambas direções, um grande ônibus pára antes de estacionar na empoeirada via pública.

Quando seu ruidoso motor parecer descansar, oficiais israelenses revisam uma enorme quantidade de papeis, enquanto preparam os eventuais passageiros com destino ao aeroporto. De lá tomarão um vôo da Ethiopian Airlines com o objetivo de realizar a viagem milenar de regresso à terra de seus ancestrais à Terra de Israel.

Enquanto isso, dentro de um complexo vizinho, 42 Falash Mura (descendentes de judeus etíopes que se converteram ao cristianismo no início do século XIX), se sentam pacientemente e tranqüilamente em bancos de madeira, esperando para subir ao ônibus. Suas feições delatam uma silenciosa dignidade, mas não muito mais do que isso. Não existem suspiros emocionados ou qualquer reação do tipo emocional.

Apenas Yossi, uma criança encantadora de três anos com um contagioso sorriso, desafia todo esse ambiente, e parece perceber a importância do passo que está prestes a dar.

Há dez dias, Yossi e os outros chegaram a Addis Ababa após dois dias de viagem, desde Gondar, ao norte da Etiópia. Após recuperarem-se da longa viagem, passaram por um intensivo mini seminário organizado pelos funcionários israelenses, com o objetivo de familiarizá-los dos distintos aspectos da aliah.

Este grupo, que conta com 38 adultos, duas crianças e dois bebes, é o penúltimo grupo de Falash Mura que o governo de Israel planeja trazer ao Estado Judeu. Conforme informações dos funcionários do governo, outros 300 Falash Mura, aproximadamente, serão trazidos a Israel no fim de junho, e depois a operação estará encerrada.

Os funcionários da embaixada, já começaram a procurar emprego em outros lugares, pois existem os rumores da redução do quadro de empregados. É o fim de uma era, disse um oficial, acrescentando orgulhosamente que a antiga comunidade judaica da Etiópia encontrou finalmente o caminho de volta a sua casa.

Ativistas israelenses e norte americanos não concordam e dizem que ainda existem 8700 Falash Mura na região de Gondar. Eles acusam o governo israelense de querer encerrar o processo rapidamente sem avaliar devidamente essas pessoas. Eles ameaçam seguir pressionando até que o último membro dos Falash Mura que queira retornar ao judaísmo e ao povo judeu, tenha êxito e lhe seja permitido a aliah.

Porém estas disputas, parecem estar longe da mente daqueles presentes hoje em Addis Ababa, pois estes potenciais imigrantes caminham ao ônibus após terem recebido o visto de entrada dos funcionários israelenses.

Mesmo os mais cínicos observadores não podem deixar de ser influenciados por sua paciência e passividade, ao mesmo tempo em que deixam para trás tudo o que conhecem para enfrentar, no melhor estilo Abraham Avinu, o incerto futuro que os espera.

Quando chegam ao aeroporto, descem do ônibus, ajudando uns aos outros calmamente. Uma mãe carrega seu bebe, e o balança suavemente de um lado para o outro até que ele pega num sono profundo.

Uma senhora de idade, com muita dificuldade para ver e caminhar, é ajudada por dois jovens até o terminal de embarque.

Atrás dela, um homem com muletas tenta seguir o grupo, cada passo que dá com dificuldade, o aproxima mais a Jerusalém.

Vendo esta cena diante de meus olhos, o versículo de Jeremias (Cap. 31) me vem rapidamente à mente: “e os reunirei dos mais distantes confins da terra, e com eles trarei o cego e o coxo, a mãe e seu filho; e voltarão juntos formando uma grande multidão”.

De fato, é fácil imaginar que assim talvez tenha sido o êxodo do Egito, ao mesmo tempo em que estes remanescentes do judaísmo etíope retornam à terra prometida, escrevendo um novo capítulo na história.

Existem aqueles que vêem os Falash Mura como emigrantes com dificuldades econômicas, ou como, inclusive, gente que se aproveita do sonho sionista. E assim, dizem os críticos, sua motivação é simplesmente para elevar o nível de vida e escapar-se para o Ocidente. Porém, todo o cinismo do mundo não pode negar o fato dessas preciosas almas, estes “judeus perdidos” estarem, finalmente, regressando a sua gente e a sua terra.

É notório dizer, porém, que outro país faria semelhante esforço? No momento em que os Estados Unidos estão apertando o cerco por causa da imigração mexicana, França e Espanha combatem as ondas de imigração do Norte da África, o pequeno Estado de Israel cruza desertos para trazer de volta milhares de africanos como cidadãos com todos os direitos.

À medida que avançam e cruzam pelos guardas do aeroporto etíope, com seus poucos pertences à mão, não podemos deixar de ver na realização de seu sonho, a concretização do nosso também.

Vida Nova para 18 (Chai) casais de Olim da Índia

Restavam ainda alguns últimos preparativos, a faixa preparada no último momento acabava de chegar, a tinta ainda fresca, mas precisava ser pendurada rapidamente na fachada da Grande Sinagoga de Jerusalém já que em mais alguns minutos os convidados começariam a chegar.

Esse pequeno atraso, entretanto não tirou nem um pouco o brilho do evento ímpar e especial, realizado no fim da tarde de ontem (02/03) na Grande Sinagoga de Jerusalém. O casamento de 18 casais de olim chadashim da tribo Bnei Menashé da Índia que fizeram aliah nos últimos meses, foi um acontecimento que marcou e marcará por muito tempo, as vidas dos noivos e também daqueles que tiveram o privilégio de participar do evento.

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Jovens polacos redescobrem suas raízes judaicas

Seminario de Shavei Israel en Polonia

Haaretz, 24 de Febrero 2008

LODZ – Antes de saber sobre suas raízes judaicas, Pinchas Zlotosvsky da Polônia era um skinhead com um intransigente desprezo pelos judeus. Foi o que disse este judeu ultra-ortodoxo ao jornal Haaretz no último fim de semana, durante a Conferência Anual da Shavei Israel para os “judeus escondidos”, ocorrida na cidade de Lodz, Polônia.

A transição na vida de Zlotosvsky ocorreu logo após sua mãe ter lhe dito que provinha de uma família judaica. “Seus pais”, disse, “a mandaram a um monastério quando era pequena para que pudesse sobreviver ao holocausto”.

Pinchas ficou sabendo também, que todos os seus parentes foram assassinados.

“Descobri que sou judeu de acordo com a lei judaica. Não pude olhar-me no espelho durante uma semana inteira quando deparei-me com esta realidade”, ele lembra. Após ter-se recuperado dessa comoção, vem passando os últimos anos redescobrindo suas raízes judaicas. Por isso mesmo, vem se tornando uma pessoa ativa dentro da comunidade judaica.

O retorno ao judaísmo de Zlotosvsky é o fato comum e dominante em muitos dos participantes da conferência, na qual foi restaurada o Conselho Rabínico da Polônia pela primeira vez desde 1930. Da cerimônia participaram o Rabino Chefe de Israel, Yona Metzger, e o Rabino Chefe da Polônia, Michael Schudrich.

Oficialmente sabe-se que havia cerca de 3 milhões de judeus polacos antes da Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, os números oficiais dizem que existem apenas 4000 judeus vivendo na Polônia, porém a realidade é que – pela halachá (lei judaica) – os números são provavelmente mais altos.

A discrepância surge devido ao fato de que milhares de judeus que sobreviveram a guerra, preferem não revelar sua identidade judaica com receio de perseguições anti-semitas da população.

De fato, existiram pogroms contra os judeus após a guerra, enquanto que as autoridades ignoram os linchamentos e assassinatos, e inclusive, algumas vezes, fizeram parte da matança de pessoas que lograram sobreviver à fúria nazista.

Outra porção significativa da população judaica consiste de pessoas como a mãe de Pinchas Zlotosvsky, que foram enviados aos monastérios para serem criadas como cristãos. Apesar dos esforços realizados por organizações judaicas para localizar estas pessoas, nem todos foram encontrados e muitos permanecem cristãos. Uma das razões para tal, é que muitas das famílias adotivas preferiram não revelar a seus filhos a verdade acerca de sua origem.

O anti-semitismo ainda prevalece na Polônia, conforme afirmam os rabinos de Lodz, Varsóvia, Cracóvia, Breslau e outras partes do país e que estiveram na conferência. Porém em paralelo, dizem haver uma nova aceitação do tema entre os judeus, especialmente nas grandes cidades. Esta atmosfera de abertura, dizem os rabinos, impulsiona a vários “judeus escondidos” a buscarem suas raízes.

A Organização de Michael Freund é verdadeiramente conhecida por seus esforços para localizar pessoas provenientes das 10 tribos perdidas espalhadas pelas remotas partes do mundo. A conferência, da qual participaram 150 polacos, homens e mulheres entre 18 e 40 anos, é parte dos esforços da organização para localizar “judeus escondidos” na Polônia.

Michael Freund, presidente da Organização Shavei Israel, disse: “A vida judaica na Polônia vem se fortalece ultimamente à medida que muitos jovens polacos descobrem a ascendência judaica de sua família, que até agora, permanecera escondida por medo de perseguições nazistas e comunistas”.

Os novos rechaçados da Russia

sobotnikim-english-fixed-301013_fAgora vou contar-lhes uma história tão absurda e incoerente que deve fazer o sangue ferver. Durante os últimos quatro anos, milhares de judeus russos foram impossibilitados de fazer aliá e se encontrarem com seus parentes no Estado judeu.

Pais e filhos são forçados a viverem separados devido a manobras burocráticas e irmãos são divididos por uma loucura do governo.

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