Estudantes do Machon Miriam ganham Mezuzot em uma competição

Na Espanha e Portugal existem espaços vazios no canto superior direito dos batentes da porta, ao entrar nas casas. Estas são as posições onde um dia, as Mezuzot foram colocadas, sinalizando que a casa pertencia a uma família judia.

Nos últimos 500 anos, as Mezuzot desapareceram, principalmente porque os judeus, de todos os países de língua espanhola foram expulsos ou forçados a se converter ao catolicismo. Estes judeus são conhecidos como Bnei Anussim, vivendo sua vida judaica em segredo, longe dos olhos curiosos da Inquisição e seus executores.

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Perfil Aliá Bnei Menashe: Itzkhak Fanai – O Carpinteiro Cantante

Já ouviu falar sobre o carpinteiro cantante? Seu nome é Itzkhak Fanai e, junto com sua esposa e filho, estará fazendo Aliá (para Israel) no início de 2017.

Itzkhak é um dos 100 Bnei Menashe que imigrará do estado indiano de Mizoram no próximo ano com a ajuda de Shavei Israel. Conversamos com Itzkhak para conhecer mais sobre sua vida na Índia e escutar sobre suas expectativas em chegar a Israel.

Aizawl, a capital de arranha-céus de Mizoram
Aizawl, a capital de arranha-céus de Mizoram

Itzkhak, 30, recebeu este seu apelido através de uma combinação de sua profissão e seu treinamento religioso. Durante o dia, constrói estantes e armários. Nos finais de semana, é um cantor na sinagoga de Bnei Menashe em Aizawl, a capital conhecida como a “Hong Kong de Mizoram” (pelos seus arranha-céus surpreendentes no meio da Índia rural).

Como muitos Bnei Menashe, Itzkhak aproximou-se do judaísmo quando era adolescente, quando sua família descobriu suas raízes Bnei Menashe.

“Fiquei realmente espantado… e surpreso”, diz ele. Itzkhak ainda tem membros da família que não se juntaram à comunidade e que ele diz que “não entendem” a decisão de sua família de manter o Shabat, o kosher e as leis da pureza da família.

Felizmente, Itzhkak acrescenta que nunca foi discriminado quando abraçou o judaísmo e nunca experimentou nenhum anti-semitismo na Índia. O maior problema que a comunidade enfrenta atualmente, é o fato de não haver um shochet (ritual matadouro) em Aizawl – significando que não há carne kosher disponível.

Itzkhak espera continuar com sua atual profissão em Israel, assim que aprender o hebraico, mas está aberto a “qualquer trabalho decente que posso encontrar se surgir a necessidade.” Seus principais objetivos são “ser bom pai, fazer minha família feliz e cuidar do bem-estar de minha família, religiosamente e economicamente. Vou tentar o meu melhor para ser uma pessoa útil para a comunidade e para Israel. Estou pronto para ajudar os outros e para servir a nação judaica”.

Ele certamente já demonstrou isso na Índia: em 2013, Itzkhak participou do nosso seminário para os amigos da Shavei Israel em Sikkim, na Índia. Depois deste encontro passou a ensinar o hebraico e o judaísmo a outros Bnei Menashe.

Não é de surpreender, então, que seus talentos e dedicação estão sendo reconhecidos agora, colocando sua família no alto da última lista de Aliá. “Eu estive esperando para fazer Aliá por quase dez anos”, diz ele. “Foi difícil ver outros Bnei Menashe fazerem Aliá enquanto nós tivemos que ficar para trás. Mas a Shavei Israel nos deu esperança.”

Ele está muito animado com a possibilidade de “observar o Shabat e as festas judaicas, ‘pacificamente'” em Israel, além de “conhecer e rezar no Kotel” (o Muro Ocidental).

Caso você visite Nazareth, onde a família Fanai estará vivendo, e ouvir um carpinteiro praticando sua Chazanut (habilidades cantoriais), enquanto martelando as unhas, certifique-se de dizer olá. Pois, trata-se, sem dúvida, de Itzkhak Fanai.

Nada pode parar a Reuven: Soldado retorna à ativa após ser ferido por franco-atirador

Retirado do site Mako, um perfil de Reuven Tonung, soldado Bnei Menashe.

 
Já escrevemos sobre os Bnei Menashe, cuja identidade judaica foi reconhecida apenas nos últimos anos. Os Bnei Menashe têm vivido na Índia e [com a ajuda de organizações como a Shavei Israel] começaram a imigrar em grande número, nos últimos anos. Muitos deles servem em posições-chave no exército.

Um deles é o sargento-maior Reuven Tonung, suboficial da unidade de Kometz, encarregado de manter a cerca de fronteira.

reuven-tonung-1Tonung tem servido nas FDI (Forças de Defesa de Israel) por cerca de dez anos, e mesmo um ferimento sério causado por um sniper (franco atirador) não o dissuadiu de sua dedicação.

Tonung, um dos primeiros imigrantes da tribo de Menashe, chegou à Israel em 1998. Hoje vive em Kiryat Arba. Depois do ensino médio, ele estudou engenharia prática. Foi recrutado para uma posição de mecânico de automóveis e, em seguida, mudou de curso para estudos de sistemas de alerta.

Em 2008, vários meses depois de se juntar à unidade de Kometz, Tonung foi ferido na linha de serviço. Enquanto servia ao lado do Batalhão de Reconhecimento, Givati, ele foi atingido por um atirador enquanto tentava fechar a cerca de segurança em Gaza. No final de um longo processo de reabilitação de oito meses, durante o qual sua mão estava paralisada, ele decidiu voltar para sua unidade e continuar com o mesmo trabalho.

“As pessoas me diziam que eu era louco. Me ofereceram trocar de unidade, mas eu recusei. Disse que terminaria meu serviço corretamente, e no final decidi continuar e seguir carreira”, diz ele.

Desde que retornou à unidade, Tonung participou em todas as operações em Gaza – incluindo Chumbo Fundido, Pilar de Defesa e Margem Protetora. Em 2009, ele também foi premiado com uma recomendação do Presidente no Dia da Independência. Ocasionalmente, quando retorna ao mesmo lugar na cerca, ele lembra dos momentos dramáticos – mas continua trabalhando.

“Sempre quando me aproximo da cerca, tenho medo”, explica. “Mas quando começo a trabalhar fico mais relaxado. Entre dez a quinze minutos de trabalho, já estou bem. Você se acostuma com isso. Mesmo se ouvimos tiros, nos esfriamos e tentamos entender o que está acontecendo. O outro lado está sempre esperando por nós, eles sabem que estamos no caminho, e que  vamos chegar lá.”

Perfil Bnei Anussim: Rachel Souza Lima – do Brasil à Beersheva

Menos de um mês antes da chegada programada em Israel de Rachel Souza Lima, na última etapa de sua longa jornada ao judaísmo, uma guerra começou com o Hamas na Faixa de Gaza. Ela nunca tinha estado antes em Israel e, então, ficou preocupada com seus trê filhos,  que chegavam junto com ela.

“Mas eu sabia que Israel estava bem protegido, com um grande sistema de segurança”, lembra Rachel. “Acima de tudo, D’us nos protege sempre. Sabia que estaríamos a salvo aqui.”

Rachel, de 39 anos, e três de seus quatro filhos – Hillel de 20 anos, Binyamin de 14 anos e Sarah, de 10 anos – chegaram em setembro de 2014 (Stefani, 24 anos, é casada e não veio com a família).

A Operação “Margem Protetora” de 51 dias terminou alguns dias antes de sua chegada. Como a vida voltou ao normal, a vida da família Souza começou de novo… de diversas maneiras.

Rachel cresceu em Lucélia (São Paulo), no Brasil, em uma família de Bnei Anousim – descendentes de judeus que foram forçados a se esconder ou obrigados a se converter ao catolicismo há 500 anos. Muitos escaparam da Europa para o novo mundo nos navios dos grandes exploradores. Mas a Inquisição seguiu também a esses judeus, e, como seus irmãos do “velho país”, suas vidas passaram a ser nas escondidas.

Agora, com a ajuda da Shavei Israel, Rachel e seus filhos voltaram ao judaísmo. Rachel estudou no Machon Miriam, o Instituto de Conversão e Retorno da Shavei Israel, em espanhol, italiano e português. Seu filho mais velho estuda na Yeshivat HaKotel na Cidade Velha de Jerusalém. Os dois filhos mais novos ainda estão aprendendo o hebraico.

Mas a maior – e mais inesperada – mudança para Rachel foi seu casamento, no dia 14 de julho, com Meir Yehuda Lima.

Seguem abaixo algumas fotos do casamento.

 


Como Rachel, Meir é de uma família de Bnei Anussim do Brasil que recentemente descobriu suas raízes judaicas. Meir, 51, trabalhou no Brasil instalando equipamentos de incêndio. Agora, já em Israel há cinco anos, está procurando um emprego em agricultura. Após o casamento, a família mudou-se para Beersheva, onde existem mais oportunidades para trabalhar a terra.

O casamento de Rachel e Meir foi um evento modesto na sinagoga Tov Lehodot LaHashem em Beersheva. Oitenta pessoas participaram. “Foi uma bela cerimônia religiosa”, diz Rachel.

Rachel começou a observar o Shabat no Brasil, mesmo antes de sua conversão. “Não trabalhávamos, fazíamos uma refeição especial com Chalá, orávamos e cantávamos canções judaicas”, diz ela. “Sempre que podíamos, comíamos comida kosher. Fazíamos tudo com entusiasmo, amor e alegria.”

Rachel diz que a maioria de seus amigos e colegas aceitaram o fato de ela não trabalhar mais no Shabat e nas festividades, assim como também que seus filhos não participariam das festividades não-judaicas da escola. “Não experimentei nenhum anti-semitismo como conseqüência d nossa observância,” diz.

“Israel”, ela diz, “superou minhas expectativas. É muito melhor do que eu imaginava!”. O que não é surpreendente. “As notícias só mostravam Israel em conflito. Mas não desisti do meu sonho de me mudar para cá.”

Rachel, Meir e as crianças estão, neste momento, nos estágios finais de realizar a Aliá. “Israel é um país maravilhoso. Estar aqui é muito gratificante. Temos tudo o que precisamos aqui para cumprir as mitzvot [mandamentos]”, acrescenta.

Rachel diz que seu hebraico não é tão bom (“eu preciso estudar mais”), mas depois de quase dois anos no país, seus filhos são quase fluentes. “Estamos integrando-nos gradualmente”, diz ela. “Temos amigos israelenses que nos ajudaram muito.”

A maior ajuda veio da Shavei Israel, que apoiou Rachel e sua família com estipêndios mensais por mais de um ano, já que eles têm navegado pelo complicado processo de conversão e imigração.

“Muchas gracias!”, ela diz em Espanhol e “Toda rabá”, em Hebraico, ambos querendo dizer “muito obrigado”.

Obrigado, Raquel, pela sua firmeza, sua determinação em fazer parte do povo judeu. Agradecemos aos partidários da Shavei Israel que tornaram possível trazer mais judeus, dos cantos mais distantes do mundo, de volta a sua raíz e para Israel. Se você estiver interessado em fazer parte dessa história e ajudar mais “Rachels” a retornarem, visite nosso e faça uma doação.

“Podemos fazer uma diferença real”, diz Rachel, “dando um bom exemplo, com muita fé em D’us, para então sermos uma luz para as nações com força, coragem e bondade. Esse é o cumprimento dos mandamentos que nos foram dados pelo nosso D’us e por Moisés, de abençoada memória “.

BEM-VINDA À CASA ABIGAIL: a portuguesa que descobriu seu judaísmo

Abigail (Marina) Erlich estava programada para se apresentar diante do tribunal de conversão rabínica para, enfim, voltar formalmente ao judaísmo quando, no último momento, revelou ao Rabino Elisha Salas – emissário da Shavei Israel para Portugal e guia pessoal em vários anos de estudo  – que acreditava já ser judia.

“Eu sempre soube no meu coração que era judia, mas não tinha nenhuma prova, então nunca comentei a ninguém”, diz Abigail. Mas pouco antes de concluir seu processo de conversão, decidiu compartilhar sua história.

Quando era criança, a avó de Abigail lhe havia comentado que ela era judia. Mas os pais de Abigail eram fortes comunistas e nada queriam com a religião. Abigail cresceu completamente secular. “Sempre que o assunto vinha à tona, meus pais faziam o melhor para suprimir esta identidade”, diz ela.

Mas depois de Abigail estudar a Torá e a lei judaica por dois anos com o Rabino Salas, ela entendeu que, se sua avó era judia, ela também era.

A família de Abigail emigrou da Argentina para Portugal. Abigail contatou o gabinete do Rabino-Chefe de Buenos Aires, que localizou a sepultura da avó de Abigail em um dos cemitérios judaicos da cidade.

Esta foi a prova que precisava.

Abigail já havia reservado a passagem para Israel, onde ocorreria a conversão, então, mesmo assim, viajou – celebrando assim seu novo/velho status de “membro do povo judeu”. A corte rabínica, inclusive lhe forneceu a oportunidade de contar sua comovente história, e assim, receber sua bênção.

Marina-1Abigail é apenas um dos vários alunos do Rabino Salas em Portugal que optaram por se converter ao judaísmo nos últimos anos. Abigail vive em Belmonte, onde o Rabino Salas está baseado.

Quando perguntamos a Abigail de que maneira sua vida seria diferente a partir de agora, ela foi rápida em responder: “agora posso me casar!”. Abigail já estava participando dos serviços e celebrava as festas judaicas. Agora sua comunidade estará buscando fora de Portugal um partido adequado para Abigail.

Mazel tov, Abigail. É bom tê-la conosco novamente!

Fé, valor e descobrimento: de El Salvador à Jerusalem

Tudo começou em 1982, quando Yael e a mãe de Elisheva Franco ajudaram a abrir uma nova escola em El Salvador. A chamaram de, “Jerusalém”. A mãe das irmãs Franco não sabia nada sobre a tradição judaica e a escola era, somente, “uma escola secular normal”, conta Yael Franco.

Dez anos mais tarde, Yael e mãe de Elisheva chegaram a Israel com uma bolsa da Embaixada de Israel para estudar Educação em Haifa. Uma vez mais, não houve uma relação aberta com o judaísmo. “Ela sentia uma conexão com Israel, mas não sabia o por quê”, continua Yael.

Hoje em dia, toda a família Franco pratica um judaísmo tradicional. O irmão mais velho, Eliyahu, fundou a sinagoga Beit Israel, em San Salvador, a capital do país, e toda a família Franco passaram a ser seus membros fundadores.

Yael e Elisheva agora tomaram o passo seguinte: após a conversão formal ao judaísmo, no ano passado, ambos fizeram Aliyá para Israel.

Quando perguntamos a Yael, a que ela atribui tais mudanças impressionantes na sua vida e nas vidas de seus familiares, ela simplesmente diz: “Sinto como se D’us estivesse guiando nossa família, sem que percebamos. Pouco a pouco começamos a fazer as coisas. Primeiro foi o nome da escola, e então nossa mãe veio visitar Israel. Temos cumprido o Shabat, mesmo antes de termos qualquer conexão judaica”.

Histórias assim, geralmente, acontecem com Bnei Anussim de Espanha, Portugal e América Latina, quando uma herança judaica escondida surge dos lugares mais inesperados – como uma premonição espontânea de chamar uma escola de “Jerusalém”, no coração da América Central, há mais de 12 mil quilómetros da capital histórica do povo judeu.

Os Bnei Anussim são descendentes de judeus que foram forçados a se esconder ou forçados a se converter ao catolicismo há 500 anos. Muitos escaparam da Europa para o Novo Mundo em navios dos grandes exploradores, e estabeleceram-se em El Salvador, Colômbia e Chile. Mas a Inquisição seguiu estes judeus que, assim como seus irmãos que permanecerem nos países de origem, passaram à clandestinidade.

A Shavei Israel reuniu-se recentemente com quatro jovens de El Salvador, que estão agora em Israel nos vários estágios de conversão e Aliyá, estudando em paralelo, em Midrashot (seminários) e Ulpanim de hebraico na área de Jerusalém (uma quinta jovem, Aliza, não estava disponível para uma entrevista).

Rachel, 27, estudou comunicação em El Salvador e espera continuar nesse campo em Israel – talvez até mesmo tornar-se uma jornalista. “Eu sei Inglês e Espanhol, o que me abre muitas oportunidades”, diz ela. “Agora estou estudando o hebraico”.

O lado materno de Rachel chegou a El Salvador da Espanha e seu pai emigrou da Turquia. “Não sei se eram judeus, mas realmente não importa”, diz ela. “Logo no início, o que eu mais queria saber era sobre o judaísmo. Eu era “estranha” – a única entre meus amigos cristãos que não acreditava em Jesus”.

Enquanto estava na faculdade, Rachel fez amizade com alguns estudantes judeus. “Um dia eu estava caminhando para casa, e suspirei dizendo: ‘D’us, quero Lhe encontrar!’. Uma semana depois, um dos meus amigos judeus me convidou para visitar sua comunidade no Shabat. Eu não sabia nada sobre judaísmo ou sobre o Shabat. Mas fui. Cantamos os salmos e chorei: ‘D’us, eu Lhe encontrei!’. A partir daquele dia, nunca perdi um Shabat.”

Sonia, 28, encontrou seu caminho para a comunidade judaica de San Salvador através da única livraria judaica na cidade. Ela também não havia crescido como judia. “Mas eu sempre gostei de ler e minha família costumava dizer que os judeus eram o povo escolhido. Fui, então, para a livraria buscar mais informações. A mulher que trabalha lá me colocou em contato com a comunidade judaica”, conta.

Sonia estudou o trabalho social na universidade por um ano mas, “tive que deixar [os estudos] para trabalhar.” Trabalhava numa fábrica, na área de controle de qualidade. Agora em Israel, ela diz que gostaria de voltar aos seus estudos de trabalho social. “Acredito que existe um grande potencial aqui para ajudar outros com necessidade, especialmente em espanhol”, diz ela.

As irmãs Franco, são dez anos maiores do que Rachel e Sonia, e Yael Franco tem um filho de 13 anos, Joshua (Yehoshua), que chegou a Israel com ela. “Tudo veio do céu no momento certo”, diz Yael. “O pai de Yehoshua concordou em deixá-lo sair de El Salvador”.

Yehoshua fez o Brit Milá, quando era um bebê, mas o que é surpreendente é que seu tio, Eliyahu, não judeu e futuro líder da comunidade Beit Israel, assim como outros parentes do sexo masculino, também foram circuncidados quando eram jovens – “algo muito incomum em El Salvador”, conta Yael, “mas foi o que aconteceu na família Franco”. “Nunca comemos carne de porco, o que também é muito estranho para a América Central”, diz Yael. “E as mulheres sempre usavam saias. Nossos pais disseram que era uma coisa moral, mas nunca explicaram o por quê. Eu não acho que eles sabiam. Essa era a tradição.”

Os Franco eram ativos na igreja evangélica – seu pai era um líder religioso da comunidade, quando começou a ter dúvidas sobre o cristianismo. “Começamos a fazer muitas perguntas e, finalmente, decidimos que a igreja não era a verdade”, diz Elisheva. A medida que os discursos de seu pai começaram a divergir daquilo que os paroquianos esperavam “ele e toda a família foram expulsos”, conta Elisheva.

Somente quando deixaram a igreja, que chegaram a conhecer o judaísmo. Elisheva acrescenta: “Quando meu irmão fundou o Beit Israel, nossos velhos amigos ficaram muito irritados. Foram chamados de hereges e cortaram todo o contato. Foi a única vez que experimentamos qualquer espécie de anti-semitismo”.

Na verdade, El Salvador tem sido extraordinariamente gentil com os judeus. Quando falamos com Eliyahu Franco em 2013, ele disse que não era incomum ver uma Maguen David (estrela de David) ou uma Menorá usada como um elemento de design em um cartaz, um ônibus ou em frente a uma loja. Além do mais, Franco contou que usava seu Kipá (solidéu) abertamente na rua e, “as pessoas se aproximam de mim para dizer ue ‘amam os judeus'”.

Shabbat em Beit Israel é uma experiência incrível, explica Rachel. “Todo mundo vem para a sinagoga antes do Shabat e dorme lá. Todos trazemos e compartilhamos comida. Não há nem mesmo tempo para uma pausa na tarde de Shabat com tantas atividades e aulas! Assim é todos os sábados.”

Por Rachel quer abandonar uma comunidade tão inclusiva como esta?

“Não há nenhum outro lugar como Israel”, responde rapidamente. “Há algo especial aqui do qual eu faço parte. Já não posso mais pensar em viver em um lugar diferente. Sinto que tenho uma ‘conexão de alma’ aqui”.

Elisheva e Yael ambos trabalharam no “Jerusalem”, a escola de sua mãe, que finalmente começou a incluir aulas de história e tradição judaica. Depois de nove anos na comunidade Beit Yisrael, sabiam que era hora de seguir em frente. Viajaram primeiro para os EUA, onde as conversões ortodoxas foram feitas, e depois para Israel.

Elisheva diz que gostaria de escrever um livro sobre suas experiências. “Eu o chamaria de ‘A vida é um presente'”, diz. “Toda vez que temos um teste na vida, há, também, um propósito. Cada respiração que tomamos, cada olhar, cada fala, é um presente de D’us. Nem sempre é evidente.”

Elisheva espera que depois de aprender o suficiente, possa tornar-se uma professora de estudos judaicos para outros imigrantes de língua hispânica.

Elisheva, Yael, Sonia e Rachel chegaram em Israel – e em Jerusalém, em particular – em um momento difícil, durante a luta do país contra o terrorismo. Perguntamos-lhes se sentem medo.

Yael-Elisheva-and-Rachel-prepare-for-Shabbat
“Você está brincando?” perguntou Elisheva quase rindo. “Você não sabe o que se sente em El Salvador. Setenta pessoas são mortas a cada semana. É terrível. Me sinto muito mais segura em Israel.”

Sonia concorda. “Sinto-me segura aqui, porque estou perto de D’us.”

“É como uma grande família aqui e você nunca está sozinho”, acrescenta Elisheva. “Embora às vezes sejamos muito diferentes, as pessoas estão juntas, unidas.”

Yael e Elisheva tem uma mensagem para a comunidade em El Salvador: “Não nos esquecemos. Podemos ter sido as pioneiras, mas vamos ajudá-los a vir também.”

Yael enfatiza que ela é “grata pela atenção que a Shavei Israel nos deu, através do envio do [emissários da Shavei Israel] Rabino Daniel Tuito e o Rabino Yitzhak Aboud, que nos ajudaram a realizar o sonho de voltar a Eretz Israel [a terra de Israel] e recitar em nossa própria terra, o ‘Shema Israel Hashem Elokeinu, Hashem Echad‘”.

A Shavei Israel apoiou Yael, Elisheva, Rachel, Sonia e Aliza desde o início e continuará apoiando em suas novas vidas em Israel. Caso deseje ajudar a Shavei Israel com a comunidade de El Salvador e outras comunidades de Bnei Anussim na América Central e do Sul, por favor visite nossa página de doações.

“O processo que passamos é complicado e nem sempre é fácil”, conclui Rachel. “Mas D’us está sempre conosco. Ele escuta nossas orações. A minha alma está sempre procurando a verdade, para encontrar a D’us. Quero transmitir emuná – fé – da minha vida, e que possamos lutar pelo que é certo. Sei que D’us me ajudou.”

Uma História de Amor em Belmonte, Portugal!

Uma aristocrata romana certa vez provocou o Rabino Yossi Ben Ḥalafta, um dos sábios mais importantes da época da Mishna, com uma pergunta capciosa.

“Em quantos dias D’us criou o mundo?”, perguntou.

“Em seis,” o rabino respondeu.

“E o que D’us tem feito desde então?”, continuou questionando.

“Combinando casais para se casarem”, respondeo o Rabino Yossi.

“Apenas isso?”, disse a romana confrontando o rabino com desdém. “Eu mesmo posso fazer isso. Lhe demonstrarei como o faço, tão rapidamente”.

A história continua no Midrash, em Bereshit Rabba (68:4), e é relatado que, naquela noite, a mulher romana começou a formar casais entre seus escravos. Mil de seus escravos do sexo masculino foram juntados com mil escravas do sexo femenino. Contudo, pela manhã, um escravo apareceu com a cabeça esmagada, outra havia perdido um olho, enquanto que uma terceira cambaleava por causa de uma perna quebrada.

O Rabino Yossi que havia previsto exatamente tal resultado, disse à nobre romana: “Pode parecer fácil para você, mas para D’us, é tão difícil quanto abrir o Yam Suf (Mar Vermelho).”

D’us, que deveria estar assistindo ao recente Shabaton, tão especial, que foi realizado em Belmonte Portugal, demonstrou mais uma vez Sua habilidade de juntar casais, mesmo nas situações mais improváveis.

No último mês de maio, o emissário da Shavei Israel para Portugal, o Rabino Elisha Salas recebeu um Shabaton na cidade de Belmonte, hospedando 120 judeus chassídicos de Nova Iorque no hotel que recentemente se tornou kosher, o Har Sinai Hotel (confira nosso artigo sobre o Shabaton, clicando aqui). O Rabino Isroel Nachum de Safed organizou a expedição que o Rabino Salas apelidou de “uma experiência extraordinária e única em Portugal.”

Deve ser isso que sentiram, também, Chunie Reinhold e Ruth Rodrigo.

Chunie, 29, foi um dos Chassidim que visitaram Belmonte e Ruth, 22, é uma judia local de Belmonte, que se preocupou em proporcionar uma verdadeira hospitalidade portuguesa aos visitantes. Ambos começaram a conversar … e conversar… e assim passaram grande parte do fim de semana.

Chunie voou de volta para Nova Iorque com o grupo, mas sabia que já havia sido afetado. Uma semana depois, voltou para Belmonte e após alguns dias, propôs casamento a Ruth. Sua família, em seguida, voou de Nova Iorque para conhecer Ruth e sua família.

O casamento acontecerá em Setembro, em Nova Iorque. Ruth se mudará aos EUA para ficar com seu novo marido.

 

Quando a mulher romana descobriu, há 2.000 anos, o quão desafiador pode ser juntar casais apropriados, ela convocou o Rabino Yossi novamente à seu palácio e lhe disse: “Seu D’us é único e sua Torá é verdadeira, agradável e louvável”. “Você respondeu com sabedoria!”.

Mazel tov ao mais novo casal de noivos, Chunie e Ruth!

Apresentamos algumas fotos abaixo:

Shiduch1-Belmonte Shiduch2 Shiduch3 Shiduch5 Shiduch6 Shiduch7