Por que não o chamamos de Chaim Colombo?!

2054862_wa-300x284Em outubro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Manhattan, como fazem todos os anos, para celebrar o legado de Cristóvão Colombo, descobridor do Novo Mundo. Com pompa e cerimônia, manifestantes lotaram a Quinta Avenida, enchendo-na com uma série de fantasias, carros alegóricos coloridos e música animada, como parte do desfile do Dia de Colombo, realizado em Nova Iorque desde 1929.

Políticos locais e dignitários participaram, bem como pessoas de toda a área metropolitana, no que se tornou uma saudação popular ao patrimônio do país ítalo-americana.

Agora, no entanto, novas evidências convincentes sugerem que eles comemoraram a coisa errada por todo o tempo. Colombo, ao que parece, não era nem italiano nem espanhol e nem Português. Era – acredite ou não – um judeu.

Esta é, pelo menos, a conclusão a que chegou Estelle Irizarry, professora da Georgetown University em Washington, que estudou a gramática linguagem e sintaxe de Colombo em mais de 100 cartas restauradas, diários e documentos que escrevia.

Inconsistências na sua ortografia juntamente com numerosos erros gramaticais levaram Irizarry a crer que nem catalão e nem espanhol eram a língua nativa do grande navegador que veio de Aragão, no nordeste da Espanha.

Mas ela também encontrou no seu estilo e pontuação algo que correspondia com a do ladino, dialeto judeu-espanhol falado por judeus da Espanha. E, junto com outros aspectos de seus escritos, levou-a a concluir que Colombo era um judeu ou um converso (um judeu convertido ao cristianismo) que tentou esconder sua identidade.

Se Irizarry estiver certa, então talvez seja mais correto se referir ao homem apelidado de Almirante do Mar Oceano como Chaim, em vez de Cristóvão Colombo.

Antes de rir disso como apenas mais um exemplo de suposições banais, é interessante notar que o mistério por trás das origens de Colombo têm sido objeto de debate por muito tempo, e os historiadores continuam a discordar sobre os fatos mais básicos de sua vida.

O próprio Colombo era vago ao se tratar sobre sua herança, dizendo aos que perguntavam: “Vine de nada” – “. Eu vim do nada”. Como resultado, pesquisadores sugeriram diversas teses com as de que era filho de um genovês tecelão, filho ilegítimo de um duque Português ou mesmo um membro de uma família nobre grega.

Mas um grande número de estudiosos espanhóis, como Jose Erugo, C. Garcia de la Riega, Otero Sanchez e Nicholas Dias Perez, todos postularam que Colombo era um marrano, o termo depreciativo para os judeus convertidos à força ao catolicismo.

Os defensores desta teoria adicional incluindo o falecido caçador de nazistas Simon Weisenthal, cujo o livro de 1973 ”Sails of Hope” (‘Velas da Esperança , em português) argumentam que a viagem de Colombo de 1492 foi motivada por um desejo de encontrar uma nova pátria para os judeus na luz da sua expulsão da Espanha.

Diga o que quiser, mas as evidências são intrigantes. Columbo adotou o sobrenome espanhol Colon, que era comum entre os judeus na época. Após a sua morte, ele deixou parte de seu legado para um judeu convertido em Lisboa, e seu filho Fernando afirmou em uma biografia de seu pai que os seus antepassados “eram do sangue real de Jerusalém.”

A partida de Colombo em sua viagem à América coincidiu com o ultimato dado aos judeus da Espanha para deixar o reino para sempre, e os judeus e conversos apareciam entre os seus apoiadores financeiros, bem como de sua tripulação. Como o historiador Cecil Roth, notou em seu livro ‘The Jewish Contribution to Civilization’ (‘A Contribuição Judaica para a Civilização’, em português) é incontestável que o grande explorador tinha uma relação com a sociedade judaica e que os judeus eram intimamente associados com a sua investida desde o início.

Estes incluíram Luis de Santangel, descendente de judeus convertidos que forneceu a maior parte dos fundos para fazer a viagem, assim como Don Isaac Abravanel, o rabino famoso e financiador real.

Curiosamente, Roth observa ainda que quando Colombo chegou à América, “a terra foi avistada pela primeira vez pelo marinheiro marrano Rodrigo de Triana, e Luis de Torres, o intérprete, que tinha sido batizado apenas alguns dias antes da expedição, foi o primeiro europeu a pisar no Novo Mundo.”

Agora, você pode estar se perguntando: será que isso faz alguma diferença? Sera que alguém realmente se importa se Colombo era judeu em segredo? Acho que a resposta é um sim definitivo. Isso é mais do que apenas uma questão de curiosidade histórica. É um ponto de orgulho, e mais um exemplo convincente de como os judeus têm ajudado ao longo da história em fazer do mundo um lugar melhor.

Apesar de Colombo nunca ter descoberto a passagem para a Ásia que estava procurando, descobriu um mundo novo e expandiu as fronteiras do pensamento da humanidade, além de sua compreensão sobre o mundo. E a colonização que veio na sua esteira, finalmente abriu o caminho para o nascimento da América, com tudo de bom que tem acarretado.

Naturalmente, nós podemos nunca saber ao certo se Colombo era, de fato, um judeu. Mas certamente há fragmentos de evidência o suficiente para sustentar tal teoria, e para justificar a afirmação de que ele era de fato um dos “nossos”.

Então, ao invés de deixá-lo para os espanhóis, italianos e outros, reivindicar esta celebridade histórica, eu acho que é hora de Israel e os judeus do mundo fazê-lo também. Homenagens e exposições em museus devem ser organizadas e deve ser feito um esforço para destacar a origem judaica de Colombo.

Para um momento em que o anti-semitismo na América está em ascensão, e Washington está pressionando Israel a fazer concessões perigosas, seria bom lembrá-los da dívida que têm com aqueles que querem difamar.

50 Anos do Falecimento do “Dreyfus Português”

Foi um dos grandes historiadores judeus, Cecil Roth, quem denominou ao Capitão do exército português, Arthur Carlos de Barros Basto, o “Dreyfus português”.Basto-238x300

Para entender melhor sua história de vida e porque foi assim denominado por um historiador de renome mundial, passaremos a conhecer melhor quem foi este judeu convertido, de família anussita (convertidos à força) e que este ano, 2011, fazem 50 anos de seu falecimento.

Possivelmente seu nome não seja tão familiar, porém, sua história merece ser relatada, por tratar-se de uma memória de tenaz velentia e heroísmo e seu último capítulo está ainda por ser escrito.

Entretanto, por um certo prisma, a história de Barros Basto é inclusive mais fascinante, já que diferentemente de seu homólogo francês, ele ainda não recebeu a exoneração e a acolhida que tanto merece. De fato, fazem mais de sete décadas que o exército português decidiu expulsar o Capitão Barros Basto retirando-lhe suas insignias, considerando esta medida “boa e positiva” e sem justificar nada além disso.

A verdade do incidente é, entretanto, muito mais inquietante.

O Capitão Barros Basto, era um dos descendentes de judeus cujos ancestrais foram forçados a se converter ao catolicismo durante a época da Inquisição em portugal. Conforme seus biógrafos, Dr. Elia Mea e o jornalista Inácio Steinhardt, Barros Basto era um soldado condecorado que dirigiu uma companhia de infantaria na Primeira Guerra Mundial, lutou nas trincheiras de Flandes e participou da ofensiva aliada para a libertação da Bélgica.

Depois de voltar da guerra, decidiu abraçar a fé de seus antepassados, fazendo formalmente, perante um tribunal rabínico no Marrocos espanhol, em dezembro de 1920, sua conversão.

Instalado na cidade portuguesa do Porto, casado com uma judia da comunidade de Lisboa, Barros Basto lançou-se em uma campanha pública para convencer a outros anussim que se apresentaram depois de séculos de clandestinidade, a retornarem a seu povo. O valente herói de guerra viajou por vilarejos nas zonas urbanas e rurais, em seu uniforme militar, já que mesmo após a guerra continuou servindo sua pátria, realizando os serviços judaicos essenciais e tentando inspirar os anussim para que seguissem seu exemplo.

Teve grande êxito ao construir a formosa Sinagoga Mekor Chaim, que existe até hoje na cidade do Porto, e abriu uma Yeshivá que funcionou por nove anos, onde ensinava a jovens anussim suas raízes e heranças. Barros Basto editou por mais de três décadas o memorável jornal que ele denominou Ha-Lapid (O Facho, como ele próprio o traduziu), e que foi o responsável pela divulgação para o mundo judaico de todo esse seu trabalho, de toda a sua obra, a “Obra do Resgate”.

Porém, sua aberta identificação com o judaísmo e as milhares de pessoas a quem inspirou, tornaram-se o seu grande problema e esta sua postura nada comum naqueles dias, não foi vista, segundo os historiadores, com bons olhos pelo governo português e as autoridades da Igreja de então. Eles tentaram sufocar seu movimento vitorioso, acusando-o injustamente de libertinagem moral.

Um processo judicial civil foi aberto contra Barros Basto, tendo sido o caso encerrado em 1937, por falta de evidências. Entretanto, nesse mesmo ano, o Ministro da Defesa português abriu um inquerito militar que culminou com a expulsão do herói de guerra português, Capitão Arthur Carlos de Barros Basto, do exército, humilhando-o injustamente e dando um ponto final aos seus esforços de trazer de volta para o judaísmo milhares de anussim portugueses.

Barros Basto, morreu no ano de 1961 a exatamente cinquenta anos atrás, na pobreza e tristeza total.

Assim, enquanto Alfred Dreyfus foi eventualmente perdoado em 1899 e reintegrado ao exército francês em 1906 com todas as honras, o Capitão Barros Basto foi enterrado sem rever suas insígnias, e o que é pior, até hoje, a injustiça ainda não foi corrigida.

Cerca de cinco anos atrás, estivemos a frente de uma campanha pública e massiva, para tentar persuadir o governo português de limpar o nome do Capitão Barros Basto.

Reuni com o embaixador de Portugal em Tel Aviv de então, fiz uma petição para que seu governo reconheça a inocência de Barros Basto e peça desculpa pelo mal que causou a sua família e ao povo judeu.

Petições similares foram enviadas ao governo português e seus representantes no exterior. Organização judaicas, entre elas a “Conference of Presidents”, “Orthodox Union” e “Religions Zionists of America” envolveram-se naquela campanha, escrevendo ao embaixador português em Wshington sobre o caso.

Um congressista americano, Gary Ackerman, membro do comitê de relações internacionais de então, também involveu-se, insistindo com os portugueses para que resolvam o caso do “Dreyfus Português”.

Infelizmente, todo esse esforço não obteve nenhum resultado concreto, e a mancha sobre o nome desse nobre homem ainda não foi retirada.

Por tanto, este ano, quando completam-se cinquenta anos de seu falecimento, precisamos retomar nossa campanha e fazer ainda mais pressão para que o governo português tome a decisão correta.

O Capitão Barros Basto arriscou sua carreira e sua reputação em nome de seu povo, o povo judeu. O mínimo que podemos fazer é ristituir a dignidade que lhe foi arrancada tão injustamente.

Exigidas desculpas à família de oficial expulso

O director da Organização Shavei Israel – que auxilia qualquer pessoa com raízes judaicas a reassumir esta religião – apelou ontem ao Governo português para “corrigir a injustiça” cometida com o capitão Barros Basto, expulso do Exército em 1943.

“Gostávamos que o Governo pedisse desculpas à família de Barros Basto e esperamos que em breve seja feita justiça”, disse Michael Freund, que está no Porto para participar até domingo no 1º Congresso dos Marranos.

Em 1943,download o Ministério da Defesa, citando razões não especificadas de “bom e bem-estar”, revogou a patente de oficial a Barros Basto e retirou-o do serviço das Forças Armadas, levando os historiadores a chamá-lo “Dreyfus português” (oficial francês que foi injustamente acusado e condenado por traição em 1894).

Artur de Barros Basto, que conseguiu edificar a sinagoga judaica que existe no Porto, é considerado “o apóstolo dos Marranos” – descendentes de judeus cujos antepassados foram forçados a converter- se ao cristianismo para permanecer em Portugal no reinado de D. Manuel II.

Barros Basto dedicou-se à missão de encorajar os marranos, ou “cristãos-novos”, a “sair do armário” e abertamente voltar a assumir a condição de judeu, fundando em 1938, um ano antes do início da II Guerra Mundial, a sinagoga do Porto.

Michael Freund lembrou ainda que a sua organização já enceta esforços há cerca de dois anos para que o Governo português honre Barros Basto, cujo trabalho de despertar de consciências dos judeus é hoje seguido. “Resgatar” aos “cristãos-novos” a sua identidade judaica é o grande objectivo deste 1º Congresso.

FUNDAMENTALMENTE FREUND: O Abarbanel e o retorno dos Bnei Anussim

2268014623Esta semana marca o aniversário da morte de uma das maiores figuras judaicas dos últimos cinco séculos, um homem do qual seus ensinamentos e seu serviço comunitário foram tão impressionantes que, apesar de haverem passado muitas gerações, ele continua a se destacar nos anais de nosso povo.

Foi no dia 29 de Tishrei do ano de 5269, no calendário hebraico (ou seja, 1508 no gregoriano), que Isaac Abarbanel, rabino, exegeta e financista real, devolveu sua alma para o Criador, após uma extraordinária e turbulenta carreira.

Ao recordar esta figura heróica, cujas obras bíblicas e comentários filosóficos ainda são estudados hoje, vale destacar uma previsão profética que teve ao reiterar, por várias vezes, o que agora está finalmente acontecendo diante dos nossos olhos: o retorno dos Bnei Anussim espanhóis e portugueses, ou judeus convertidos à força, para o povo de Israel.

Abarbanel, como é conhecido, nasceu em 1437 e cresceu em Lisboa, Portugal, onde provou ser um estudante prodigioso, escrevendo tratados judaicos filosóficos complexos quando ainda era um jovem. Seu intelecto e vasto conhecimento em vários assuntos chamou a atenção do rei Português Alfonso V, que o nomeou tesoureiro da monarquia.

Em 1483, após a morte do rei, Abarbanel escutou sobre uma trama que estava sendo planejada contra ele e fugiu para a Espanha, onde reconstruiu sua vida e novamente foi cortejado pela realeza. O erudito-estadista ajudou o rei Ferdinando e rainha Isabella a financiar a Guerra do Granada, que culminou com a derrota e expulsão dos mouros muçulmanos da Península Ibérica, após sete séculos de ocupação.

Mas pouco tempo depois, os monarcas espanhóis divulgaram um édito infame de expulsão que, em 1492, resolveu “obrigar os ditos judeus e judias de nosso reinado de partir e nunca mais voltar”;

Abarbanel perdeu algum tempo tentando revogar este decreto, exigindo da realeza reverter o curso, mas esta recusou terminantemente.

Na introdução ao seu comentário sobre o Livro de Reis, que terminou pouco depois de deixar a Espanha, Abarbanel descreve, de maneira comovente, o desastre que se abateu sobre os judeus espanhóis.

“No nono ano do reinado do rei da Espanha”, escreveu ele, “que coincide com o ano judaico 5252, o rei emitiu um decreto que obrigava os judeus a escolher entre a conversão ou a expulsão das terras de Espanha, Sicília, Maiorca e Sardenha. Quando os judeus ouviram este edital, eles imediatamente gritaram e rasgaram suas roupas em luto, temendo por suas vidas”.

“E 300.000 deles deixou a Espanha”, continuou ele, “jovens e velhos, mulheres e crianças. Todos saíram, naquele dia fatídico, exausto, das terras do rei e com o espírito de D’us antes deles viajaram por todas as direções.”

O exílio dos judeus espanhol era um assunto que ele voltou para inúmeras vezes ao longo de sua extensa obra.

Como uma testemunha ocular da destruição que se abateu sobre os judeus espanhóis, Abarbanel também estava bem ciente da situação dos Bnei Anussim (hebraico para “a descendência dos que foram coagidos”), a quem os historiadores referem-se pelo termo depreciativo “marranos” e que foram obrigados a ficar para trás quando os judeus partiram.

Com grande paixão, afirmou em sua exegese bíblica que, apesar das tribulações que suportaram, aqueles forçados a se converter um dia retornariam ao povo judeu das profundezas de exílio, espiritual e física.

Por exemplo, em seu comentário ao capítulo 20 do livro de Ezequiel, Abarbanel afirma que o recebimento de exilados incluirá não só aqueles que fazem parte da comunidade de Israel, mas também aqueles que foram “obrigados a abandonar a fé”, ” todas as ovelhas de D’us “devem voltar ao rebanho”.

“In the End of Days”, escreveu ele, “o profeta previu que D’us iria despertar os corações dos Anussim, assim como seus desejos em voltar para Ele.”

Da mesma forma, quando ele expõe no capítulo 30 de Deuteronômio, Abarbanel é igualmente inflexível, afirmando que um tempo virá quando os Anussim “irão retornar a D’us ecom seu coração … E quando eles retornam a D’us e segui-Lo … todos de acordo com a sua status e sua habilidade, ele promete que o D’us exaltado vai trazê-los de perto dele. ”

Tenha em mente que ele escreveu estas palavras logo após todo seu mundo, e sua própria comunidade, desabar.

Como resultado da expulsão, a judiaria espanhola e toda a sua glória foram destruídas, espalhadas pelos quatro cantos, por decreto cruel, e os Anussim haviam sido deixados para trás, aparentemente fadada a desaparecer.

Mas Abarbanel estava convencido, com base em sua leitura das Escrituras, que, independentemente de quão impossível possa parecer, os Anussim não se perderiam do povo judeu nas profundezas do exílio.

Mesmo que esta grande pessoa não viveu para ver seu prognóstico ser concretizado, ele faleceu em Veneza apenas 16 anos depois de haver sido expulso de Espanha. Suas previsões estão agora se tornando realidade, como um número crescente de Bnei Anussim, em todo o mundo, que se comunicam em espanhol e português, e estão retornando às suas raízes.

Por mais exagerado que possa parecer, os descendentes das vítimas das conversões forçadas e da Inquisição estão a emergir das sombras da história, batendo na nossa porta coletiva e procurando serem recebidos de volta dentro de nós.

A Shavei Israel, organização que presido, tem trabalhado com os Bnei Anussim por quase 15 anos, e eu acredito que nós temos uma responsabilidade histórica para alcançá-los e facilitar seu regresso.

Séculos atrás, a Igreja Católica dedicou enormes recursos para afastá-los do povo judeu, e quase conseguiu.

Nossa tarefa agora deve ser o de alcançá-los com a mesma determinação e facilitar seu regresso, assim como Abarbanel preveu..

Este artigo foi publicado originalmente no The Jerusalem Post.

O Assassinato de uma Sonhadora

Karen-Yemima-Mosquera-terror-victim-10.2014-300x300Um terrorista árabe assassinou a Karen Yemima Mosquera, uma convertida proveniente do Equador, mas não conseguiu destruir todos os seus sonhos.

Por Sara Yoheved Rigler

Karen Mosquera, que nasceu em uma família cristã, no Equador, tinha 17 anos quando sua pesquisa genealógica revelou que o lado de sua mãe era descendente de “conversos”, judeus espanhóis que haviam se convertido ao cristianismo no século XV, durante a Inquisição.

“Ela nunca aceitou os ensinamentos da igreja”, diz Yael Barros, uma brasileira, a melhor amiga de Karen no programa de estudos judaicos da Cidade Velha de Jerusalém. Yael está sentada em seu quarto, ao lado da cama que costumava ser de Karen, até ser assassinada em um ataque terrorista em uma das estações de trem em Jerusalém. Um terrorista árabe acelerou com seu carro em alta velocidade em direção a uma multidão de pedestres, matando um bebê de três meses de idade e ferindo gravemente Karen de 22 anos de idade.

downloadEla lutou contra o anjo da morte por quatro dias.

“Qualquer outra pessoa teria morrido com o impacto”, atesta Sabrina, uma prima de Karen que a viu com seus terríveis ferimentos na UTI do hospital. “Mas Karen Yemima esteve extremamente determinada. Ela lutou contra o anjo da morte por quatro dias”. No domingo 26 de outubro, Karen sucumbiu aos ferimentos, e naquela mesma noite foi enterrada no Monte das Oliveiras.

“Karen Yemima não sentia que os ensinamentos da Igreja eram verdadeiros”, diz a amiga Yael. “Ela me disse que quando começou a estudar a Torá e as Mitsvot, tudo começou a fazer sentido para ela. E estava muito feliz por poder estudar a Torá, como nunca esteve antes em sua vida.”

Converter-se ao judaísmo no Equador é um processo extremamente árduo. Não há tribunais de conversão e há muito poucos de estudos judaicos, especialmente em sua cidade natal, Guayaquil. Mas Karen sempre sonhou em ir para Israel.

Como era uma jovem muito inteligente, aos 18 anos, recebeu uma bolsa de estudos integral para a Universidade de Guayaquil, e, embora passasse o dia estudando psicologia, ela permanecia acordada durante a maior parte da noite estudando o Judaísmo, pela Internet. Através de uma amiga judia, Karen conheceu, on-line, o Rabino israelense, Gabriel Geiber, que também falava espanhol. Profundamente impressionado com o interesse intenso que Karen possuía, o Rabino Geiber começou a lhe ensinar através do computador. Karen começou a cumprir as Mitsvot, rezar as orações judaicas, fazer as bênçãos sobre os alimentos e vestir-se modestamente.

Sua mãe e sua irmã mais nova seguiram o exemplo. Como muitos descendentes de cristãos-novos, a mãe de Karen, Cecilia Rosa, observava alguns costumes que só mais tarde descobriu que eram judaicos. Por exemplo, Cecilia Rosa cobriu os espelhos da casa, quando um familiar faleceu, e de acordo com um antigo costume sefardita, quando cortava as unhas ou o cabelo, os queimava ao invés de descartá-los no lixo.

Às vezes, Cecilia Rosa acordava no meio da noite e Karen estava estudando Torá. Em uma ocasião ela a ouviu rogando a D’us: “Leve-me para Israel! Este é o meu país! É aí que eu vou me casar e ter filhos, e é aí que eu vou morrer e ser enterrada”.

Há cerca de um ano e meio, Cecilia Rosa sonhou duas vezes que sua filha Karen viajava para Israel. Em seus sonhos, ela viu um avião com a palavra “Israel” estampado na lateral e Karen puxando uma mala de rodinhas em direção ao avião. Com grande emoção, contou a Karen sobre seu sonho e acrescentou: “Eu quero lhe comprar roupas recatadas o suficiente para você usar em Israel.”

Esse foi o estímulo que Karen precisava. Apesar de estar inscrita em seu terceiro ano da faculdade, Karen disse: “Mãe, eu estou indo agora cancelar minha inscrição na faculdade e viajar para Israel.” Logo depois conseguiu chegar em Jerusalém, aonde o Rav Geiber conseguiu um alojamento e a oportunidade de ela estudar na instituição Machon Roni, localizada na Cidade Velha de Jerusalém. Como sua melhor amiga Yael lembra com admiração: “Ela era tão corajosa. Deixou tudo, sua família, seus estudos e chegou, sozinha, até aqui”.

Yemima-MosqueraAs portas do céu estão abertas

Durante um ano, Karen estudou o Judaísmo enquanto trabalhava limpando casas. Dessa forma pode economizar dinheiro para trazer sua família para Israel, que era outro de seus sonhos. E, de fato, sua família realmente viajou para Israel, mas em uma viagem que não seria paga pela poupança de Karen, mas pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel, que ajuda as famílias das vítimas do terrorismo a estarem presentes no funeral de seus entes queridos.

Cinco meses atrás, Karen se converteu, oficialmente, ao judaísmo, adotando o nome hebraico de, Yemima. Como Yael explica: “Quando uma pessoa entra no Mikve, as portas do céu se abrem. Karen Yemima naquele dia voltou tão animada ao quarto, ‘Agora eu posso pedir o que quiser! As portas do céu estão abertas!’. Era uma jovem tão alegre.”

Naquele dia, Karen Yemima publicou, orgulhosa, em sua página do Facebook: “Obrigado Hashem pelo dia em que vim para Israel! Pude ver um dos meus sonhos se tornar realidade. E eu espero estar aqui por muito tempo. Espero que minha família possa compartilhar comigo essa nova vida. Obrigado Hashem por nunca me deixar sozinha e seguir me dando forças a cada dia”.

“Karen Yemima era um exemplo para as outras meninas”, atesta Yael. Lembra de um dia em que o de estudantes caminhava junto pelo centro de Jerusalém. Tinhamos comprado sucos para tomar e enquanto corriamos para pegar o ônibus, as outras meninas murmuraram a bênção sobre o suco, antes de beber. Karen Yemima foi a única que parou no meio da calçada, fechou os olhos e deu graças a D’us com dedicação integral.”

Quando Karen Yemima e Yael tinham uma tarde livre, geralmente davam um passeio pela Cidade Velha de Jerusalém em direção ao Monte Sião. Lá elas se sentavam e observavam a paisagem: o antigo cemitério judeu no Monte das Oliveiras, onde estão enterrados inúmeros sábios judeus. Um dia, Karen Yemima exclamou: “Yael, quero morar aqui, casar aqui, ter meus filhos aqui. E eu quero morrer aqui. E eu sei que é impossível, mas podemos sonhar, certo? Meu sonho é ser enterrada no Monte das Oliveiras, porque quando o Messias vier, eu vou ser a primeiro a levantar-se para ir ao Templo Sagrado. Você pode imaginar o que seria isso?”.

Na quarta-feira 22 de outubro, Karen Yemima terminou seu serviço em uma casa e dirigia-se a uma aula de Torá. Ela desceu do trem na estação de trem de Givat HaTachmoshet e, inesperadamente, Abdel-Rahman Shaloudi, 21, que recentemente havia deixado uma prisão israelense onde havia cumprido pena por acusações de terrorismo, lançou seu carro contra uma multidão de passageiros do trem. Atropelou Karen Yemima, deixando-a gravemente ferida, matou um bebê de três meses e feriu muitas pessoas.

O terrorista destruiu o sonho de Karen Yemima de se casar e ter filhos, mas lamentavelmente seu sonho de morrer em Israel e ser enterrada no Monte das Oliveiras se tornou realidade nesta semana.

Retirado e traduzido do site Aishlatino.com

Rabi Yossef Caro, autor do Shulchan Aruch

Rabi Yossef Caro foi um dos mais influentes sábios em toda a história judaica. Orgulho e glória da comunidade sefardita mundial, é o celebrado autor do Shulchan Aruch, Código da Lei Judaica.

A obra, que influenciou o povo judeu na sua totalidade, é o texto jurídico sobre o judaísmo – fonte primária de consulta nas dúvidas ou questões sobre as leis da Torá. Sempre que se deve tomar uma decisão concernente a qualquer dos mandamentos Divinos – suas ordens e proibições – a palavra final reside no Shulchan Aruch. Continue reading “Rabi Yossef Caro, autor do Shulchan Aruch”

Exército: Petição pela reabilitação de Barros Basto ultrapassa as mil assinaturas

Porto, 28 nov (Lusa) – A petição online da organização internacional Shavei Israel pela celeridade no processo do capitão Barros Basto já ultrapassou as mil assinaturas, depois de a atriz Daniela Ruah se ter identificado como parente e apelado à participação.
“Só faltam algumas centenas de assinaturas. Este homem foi meu tio bisavô e acredito que esta petição é importante”, assim escreveu sábado a atriz na sua conta do twitter.

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