O Livro “Raízes Judaicas” da Shavei Israel bate recordes!O Livro “Raízes Judaicas” da Shavei Israel bate recordes!O Livro “Raízes Judaicas” da Shavei Israel bate recordes!

כריכהQuando a Shavei Israel anunciou, na semana passada, a publicação de seu novo livro em espanhol, “Você Tem Raízes Judaicas?”, era esperado que algumas centenas de pessoas solicitassem o download gratuito da versão digital para eBook. Mas, já nas primeira 48 horas, tantas pessoas acessaram o site para poder receber sua cópia, que o site especial que montamos para esta finalidade deixou de funcionar.

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Com a cidadania espanhola para os judeus sefaraditas, Israel precisa dar as boas vindas aos Bnei Anussim!

Bnei-Anousim-in-Palma-de-Mallorca-271x300Em algum lugar nas profundezas do submundo, o rei espanhol Ferdinando e sua esposa, a rainha Isabella estão, seguramente, queimando de raiva. Cinco longos séculos após estes monarcas cruéis expulsarem os judeus do país em 1492, a Espanha finalmente aprovou uma lei oferecendo a cidadania aos seus descendentes, estendendo assim a mão para as milhões de pessoas em todo o mundo, que possuem alguma ascendência judaica sefaradita.

Israel precisa tomar nota desta evolução importante e histórica, pois cabe ao Estado Judeu fazer o mesmo.

Em uma sessão realizada no dia 11 de junho, a Câmara Baixa do parlamento espanhol ratificou formalmente o projeto de lei que deverá preparar o caminho para milhares de judeus sefaraditas, da América do Sul a Turquia, e além, que devem apresentar os pedidos de nacionalidade espanhola, uma vez que, esta, entre em vigor em Outubro deste ano.

Mesmo antes da aprovação da lei, de acordo com o jornal espanhol El Pais, houve “um dilúvio de consultas nos consulados da Espanha” por judeus, no que diz respeito à possibilidade da obtenção de um passaporte espanhol.

A jogada de Madrid acontece depois da lei aprovada no início deste ano, pelo vizinho, Portugal, que, em 1497 forçou os judeus a se converterem e os expulsou do país.

Claro que, o que faz deste avanço algo tão decididamente irônico é que esta expulsão aconteceu, em parte, porque a Espanha queria todos os bens dos judeus, e agora os estão acolhendo de volta, pela mesma razão.

No entanto, independentemente de suas motivações, os governos de Madrid e Lisboa devem ser elogiados pelo gesto. Estes são movimentos momentosos, que significam que medidas concretas estão finalmente sendo tomadas para resolver as injustiças que foram cometidas com os judeus da Península Ibérica, no século 15.

Tais gestos acontecem justo em um momento de crescente anti-semitismo por toda a Europa, e, portanto, é refrescante ver Estados europeus fazendo esforços para acolher os judeus de maneira tão aberta.

Esperamos que estes movimentos possam enviar um sinal forte a outros países do continente, ressaltando a forte conexão histórica da Europa com o povo judeu, que remonta a muitos séculos.

Não precisamos lembrar que esta não é a primeira vez na história que uma nação europeia readmite os judeus em seus territórios após haver-lhes banido.

Durante o reinado de Eduardo I, os judeus da Inglaterra foram expulsos no dia 18 de Julho de 1290, (Tishá Be Av, no calendário hebraico), e foram oficialmente autorizados a regressar em 1656 sob os auspícios de Oliver Cromwell.

No início do século 14, ao longo de, pouco menos, de duas décadas, a França expulsou seus habitantes judeus, readmitindo-los mais tarde e voltando a expulsá-los uma vez mais.

Demorou séculos para a Espanha anular o Édito de Expulsão, que foi formalmente rescindido em 16 de dezembro de 1968, ou seja, 476 anos mais tarde. Fora disso, a Espanha tem feito muito pouco, de fato, (até o momento) para reconciliar-se com seu passado judaico.

A Era de Ouro dos judeus espanhóis, suas contribuições para a arte espanhola, para a civilização e para a cultura, são muito negligenciados no sistema educacional espanhol, como também o é a expulsão de 1492 e todos os esforços brutais da Inquisição para caçar os cripto-judeus. As sinagogas judaicas e suas estruturas, bem como artefatos religiosos que foram confiscados quando os judeus foram forçados a sair, ainda devem ser devolvido à propriedade judaica.

Ao invés disso, nos últimos anos, a Espanha tem focado seus esforços principalmente na direção do turismo e do comércio, tais como, incentivando a criação de uma rede de “Juderías”, ou bairros judeus, por todo o país para recorrer aos turistas judeus.

Não há dúvida que existe uma racionalidade econômica também por trás desta nova lei da cidadania.

A Espanha tem sofrido enormemente desde o início da crise financeira global em 2008. A sua taxa de desemprego atual é superior a 22 por cento, e um número crescente de jovens estão emigrando do país.

A perspectiva de forjar, novamente, uma conexão com as, potencialmente, milhões de pessoas de ascendência sefaradita, e as possíveis consequencias que poderia trazer como o aumento do investimento e do turismo, certamente não foi ignorado pelos tomadores de decisão em Madrid quando consideraram aprovar este projeto de lei da cidadania.

Na sequência desta decisão espanhola, o governo israelense deve embarcar em uma nova abordagem estratégica quando se trata dos Bnei Anussim, os descendentes de todos estes judeus espanhóis e portugueses que foram obrigados a se converter ao catolicismo nos séculos 14 e 15.

Correndo um grande risco entres estes e suas famílias, muitos dos Bnei Anussim continuaram a praticar o judaísmo, em segredo, apesar da Inquisição. Passando, assim, cuidadosamente, sua identidade judaica de uma geração a outra. Seus descendentes podem ser encontrados em todos os cantos do mundo, principalmente em países de língua espanhola e portuguesa, e o número estimados de pessoas bate a casa dos milhões.

No Shavei Israel, a organização que presido, têmos visto, nos últimos anos, um grande aumento no número de Bnei Anussim querendo reafirmar ou recuperar sua identidade judaica. Estes nos contatam de lugares tão distantes como o norte de Portugal, Chile, El Salvador, Sicília e Colômbia .

Os Bnei Anussim são nossos irmãos e, não por culpa própria, seus antepassados foram arrancados de nós, sob coação. Nós devemos isso a eles, e a nós mesmos, fortalecendo os laços entre nós e os trazendo de volta para o povo judeu, o máximo que pudermos.

Devem ser tomadas medidas para resolver as inúmeras questões burocráticas e religiosas que se interpõem no caminho de retorno para os Bnei Anussim, para que as portas de Israel, possam, finalmente, se abrir para eles.

Afinal, se a Espanha, que expulsou seus antepassados, está buscando formas de conciliar-se com os descendentes destes judeus ibéricos, não será o momento de Israel fazer o mesmo?

Este artigo foi publicado originalmente no The Jewish Week.

Jornalistas buscam a Shavei Israel para obter conhecimento sobre a Lei Espanhola

Spanish passportJornalistas buscando conhecimento numa nova lei aprovada semana passada na Espanha, que concede direito de cidadania para os Bnei Anussim – descendentes de pessoas que foram forçadas a se converter ao catolicismo há 500 anos – procuram a Shavei Israel. Três artigos publicados no The Jerusalem Post e no JTA citam a opinião do presidente da Shavei Israel, Michael Freund, sobre a nova legislação espanhola, no qual ele afirma se tratar de uma tentativa de corrigir os decretos draconianas e frequentemente assassinos da Inquisição, que começaram em 1492.

No artigo do The Jerusalem Post, Freund diz que este passo na Espanha deve inspirar o governo israelense a se conectar mais com os Bnei Anussim. “Eu acho que a decisão da Espanha deve ser uma chamada para o governo israelense “acordar” e embarcar numa nova abordagem estratégica e, assim, chegar nos Bnei Anussim. Um número crescente [de Bnei Anussim] estão buscando reforçar suas identidades judaicas, recuperar suas raízes e voltar para o nosso povo. É vital que Israel tome medidas que reforcem esta ligação.”

No artigo do JTA, Freund urge ao governo israelense “seguir o exemplo ibérico e reconhecer os descendentes dos judeus sefaraditas ibéricos”.

No segundo artigo publicado no The Jerusalem Post, Freund compara a lei espanhola com uma lei aprovada, anteriormente, em Portugal, da qual chamou-a de “mais amigável” (pois para receber a cidadania espanhola, os Bnei Anussim devem demonstrar um alto conhecimento de espanhol ou de sua vertente hebraica, o Ladino, bem como demonstrar familiaridade com a cultura da Espanha e seu sistema constitucional. A lei portuguesa não inclui todas estas condições).

No entanto, Freund diz: “Tal atitude deve ser elogiada. É “refrescante” ver os países europeus demonstrando um esforço para acolher os judeus de maneira tão aberta. Esperamos que possam, assim, enviar um sinal forte para outros países no continente e sublinhar como a conexão histórica da Europa com o povo judeu remonta, realmente, a muitos séculos.”

Êxodo na era moderna: a notável história das comunidades judaicas emergentes de El Salvador

IMG_1874-300x225Todos as tardes de sexta-feira, um êxodo extraordinário da era moderna, acontece em San Salvador. Entre 50 e 60 pessoas percorrem seu caminho de ônibus ou carro (nunca caminhando pois é muito perigoso!) para a Beit Israel, a sinagoga na capital de El Salvador. Trazem consigo uma variedade de lanches, refeições e sobremesas, além das mudas de roupas para o fim de semana.

Quando chegam, colocam a comida na chapa quente, que está ligada a relógios especiais e extendem colchões no chão para se preparar para o fim de semana na única sinagoga que possui a comunidade de San Salvador. Eles comem juntos, rezam juntos e construíram uma comunidade extraordinariamente coesa em poucos anos. Acrescente a isso, a primeira micvê kosher do país, que, foi inaugurada no último Chanukah, dentro do complexo da Beit Israel.
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Anusim em El Salvador: muito mais do que comunidades emergentes

DSC_0916Quando junto com Margalit, minha esposa decidimos ir passar um tempo, em El Salvador, onde meu filho vive com sua família, a primeira coisa que ela me perguntou foi se naquele país da América Central havia judeus. Sei, por experiência própria, o que significa ficar longe por um tempo considerável de sua comunidade, mesmo tão pequena como a minha. Algo tinha escutado da Shavei Israel sobre a existência de salvadorenhos Anussim, então escrevi ao Rabino Eliahu Birnbaum. Ele foi quem enviou uma carta ao Eliyahu Franco, presidente da Federação das Comunidades Sefaraditas de El Salvador. Ainda não havia deixado Mallorca e já tinha uma resposta do país dos vulcões e lagos: eles estavam encantados com a minha visita e, enquanto me acolhessem como um membro temporário de suas comunidades, me convidaram para compartilhar minha experiência pessoal e dos chuetas de Mallorca.

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Semana Janusz Korczak em Munique!

Pere Bonnin abriu a Janusz Korczak Week em Munique. Falou sobre o xuetes de Mallorca e sua identidade judaica.

Munich, 18 – Com uma conferência intitulada «Die xuetes von Mallorca und ihre jüdische Identität im Spiegel der sephardischen Geschichte» (chuetas de Mallorca e sua identidade judaica em paralelo a história sefaradita), o escritor e jornalista Pere Bonnin inaugurou em Munique, berço do nazismo, o Seminário Internacional da Academia Janusz Korczak que auxilia adultos entre 18 a 35 anos provenientes de Alemanha, Israel e Rússia.

Particularmente emocionante, a sessão inaugural aberta ao público, foi o momento em que os participantes se levantaram para honrar os quinze judeus mártires do judaísmo enquanto escutavam os sobrenomes malditos de seus descendentes Mallorquinos. Depois de nomeá-los um por um, Bonnin disse que, embora a Inquisição havia reivindicado seus corpos não conseguiram aniquilar a idéia: David melech Israel Chai VeKaim (David, rei de Israel, existe e vive).

Sa Pobla escritor explicou suas experiências como um membro de um grupo discriminado e traçou a história do judaísmo em Mallorca e de várias outras perseguições realizadas pelo imperador romano Teodósio, nascido em Coca (Segóvia), na época visigótica por Sisebuto, na época muçulmana pelos Almóades e na era cristã com o pogrom de 1391, durante o reinado de Joana I de Aragão.

A situação dos judeus Mallorquinos piorou após o pogrom e, mais tarde por causa dos convertidos em decorrência do compromisso de Casp (1412), que introduziu a Casa de Castela castelhano aos reinos catalães. Em 1414 os Trastámaras impuseram as ordens de Ayllón, também conhecidas como “ordenações Dona Catalina” (Catarina de Lancaster, viúva de Henrique III de Castela e avó de Isabel Católica). Isto significava uma “morte legal” aos judeus, deixando-os sem proteção e direitos, expostos à calúnia e atrocidades que forçavam sua conversão. Então, em 1435, desapareceu antes da crescente Mallorca judeus pela emigração ou conversão em massa de seus usuários. O líder nazista Himmler foi inspirado precisamente por esses tipos de informação para criar as leis de Nuremberg.

A Inquisição espanhola, liderada pelo Padre Alonso de Espina em 1460 para perseguir os conversos judaizantes, foi introduzida nos países catalães com uma forte oposição por parte das autoridades, que consideravam uma interferência externa. Este órgão político e religioso reprimiu e levou ao martírio muitos convertidos que se recusaram a renunciar à sua identidade e prosseguiu com a discriminação judaica dos descendentes dos quinze condenados no Auto de Fé de 1691.

Bonnin explicou que os chuetas de Mallorca, através da Shavei Israel, foram reconhecidos em 2011 como judeus genuínos para o “Beit Din” (tribunal rabínico) ortodoxo de Israel e terminou sua apresentação com a frase ” Israel – Jacob – foi e será sempre nosso pai porque ele dormiu.”.

A vida de um marrano: Samuel Nuñez Ribiero

Fonte: www.chabad.org.br

 Contaremos aqui a história de uma famosa família de Marranos, cerca de duzentos anos após a expulsão da Espanha e Portugal.

Os Marranos daqueles países, vivendo em constante terror, tinham apenas uma esperança: escapar para algum país amigo para jogar fora aquele odioso disfarce e viverem abertamente como judeus.

Assim ocorria com a família Nunez. Durante muitas gerações, esta família mantivera sua fé judaica em segredo, e alguns membros da família tiveram morte violenta nas mãos da Inquisição. (Clara Nunez foi queimada em Sevilha, Espanha, em 1632, e no mesmo ano Isabel e Helen Nunez também foram condenadas à morte por sua lealdade à fé judaica). Um ramo da família, que vivia em Portugal, estava entre as mais conhecidas famílias nobres. Embora vivessem quase 250 anos depois da Expulsão da Espanha e Portugal, esta família ainda observava secretamente a religião judaica. Era liderada por Samuel Nunez, nascido em Portugal, e que se tornara um famoso médico. Fora nomeado Médico da Corte do Rei de Portugal. Além dos serviços que prestava à família real, toda a nobreza considerava um privilégio ser atendido por ele. O Dr. Nunez não era requisitado apenas como profissional, como também era convidado a todos os eventos sociais importantes. Além disso, quando ele organizava um banquete ou um baile em seu lindo palácio sobre o Rio Tejo, a elite da sociedade lisboeta estava entre seus convidados.

O Dr. Nunez ainda era jovem quando atingiu o auge do seu sucesso profissional e nos círculos sociais. Isso naturalmente provocou inveja entre os seus competidores, e a Inquisição deu a eles uma excelente oportunidade de tentar prejudicá-lo.

Embora na superfície o Dr. Nunez fosse um católico tão bom quanto qualquer outro cristão que freqüentasse a igreja, os líderes da Inquisição registraram os avisos dados pelos inimigos do médico. Eles conseguiram infiltrar um “agente” na casa da família Nunez, disfarçado de criado, para informar sobre o que acontecia no círculo familiar.

Finalmente o agente relatou que a família Nunez estava definitivamente praticando a religião judaica em segredo, pois todos os sábados, eles se recolhiam a uma sinagoga nos subterrâneos do palácio, onde jogavam fora o disfarce de cristãos e rezavam como verdadeiros judeus.

Embora os líderes da Inquisição conseguissem prender toda a família Nunez e colocá-la na prisão, sua alegria durou pouco, pois o Dr. Nunez era muito popular e tinha amigos influentes entre a nobreza. Estes convenceram o rei a libertar Dr. Nunez e sua família da prisão e permitir que se instalassem novamente no palácio como Médico da Corte.

Geralmente o rei era completamente influenciado por seu “padre confessor” – um sacerdote católico, mas nesse caso ele não lhe contou sua decisão (apoiado por toda a família real), dando ordens para que a família Nunez fosse libertada imediatamente e pudesse voltar à sua residência às margens do Tejo.

Havia uma condição, porém, que empanava a alegria da família Nunez durante sua libertação – dois funcionários da Inquisição deveriam residir com a família para certificar que eles não praticavam a religião judaica. Isso, obviamente, fez o Dr. Nunez planejar uma fuga. Mas como conseguir isso sob os olhos sempre vigilantes dos inquisidores?

O Dr. Nunez teve uma idéia ousada e brilhante. Organizou um banquete e convidou todas as pessoas importantes da cidade. Entre essas havia muitos funcionários de altos cargos que, embora suspeitassem dele no tocante à fé, ficaram felizes em aceitar o convite para o banquete, pois era considerado um privilégio estar presente.

O banquete terminou e o baile estava no auge quando o Dr. Nunez mandou a orquestra parar e fez a seguinte declaração chocante:

“Meus amigos! Tenho uma bela surpresa para vocês! Estão todos convidados a embarcarem em meu iate, que foi preparado para o vosso prazer. As diversões da noite continuarão ali, com o Capitão ao vosso serviço. Por aqui, Senhoras e Cavalheiros!”

Com estas palavras, Dr. Nunez saiu da sala, e todos os convidados o seguiram alegremente, deliciados com a surpresa.

Todos apanharam seus casacos e, conversando com animação, embarcaram no iate que balançava suavemente no embarcadouro do palácio.

O que os convidados não sabiam era que uma surpresa não muito agradável os esperava. Somente uma hora depois do embarque, eles perceberam que o iate estava se movendo! E a julgar pela velocidade, não era um iate, mas um barco enorme. Sim, eles estavam navegando para longe da costa de Portugal a toda velocidade, rumando para as praias mais amigáveis da Inglaterra. Bem, amigáveis para a família Nunez. O médico arranjara cada detalhe com a ajuda dos seus parentes, os Mendez, um dos quais tinha se casado com a filha de Nunez. Este conseguira vender em segredo parte de suas propriedades e outros bens, e tinha transferido o dinheiro para a Inglaterra através de mensageiros secretos. Assim ele conseguiu contratar um capitão britânico para levar seu barco ao Rio Tejo na noite do banquete, preparado para receber muitos passageiros.

O Dr. Nunez assegurou aos convidados que, assim que chegassem à costa inglesa, o barco voltaria imediatamente com eles para Portugal. Quanto ao Dr. Nunez, os convidados tinham de admitir que não era sua culpa o fato de ser obrigado pela Inquisição a deixar o país que estiveram tão pronto a aceitar seus serviços e seu conhecimento, mas não lhe permitira que ele e a família vivessem segundo sua fé e consciência.

Conforme fora arranjado com antecedência, a família Nunez foi transferida para outro barco que estava deixando a Inglaterra com outros marranos a caminho da Geórgia, na América, para estabelecer uma colônia. No verão de 1733, os Marranos, liderados pela família Nunez, chegaram a Savaná, na Geórgia. Foram calorosamente recebidos pelo governador inglês, James Oglethorpe, um homem tolerante e compreensivo.

Quando os administradores do território em Londres souberam que Oglethorpe tinha doado terra aos refugiados judeus, e que eles construíram casas e estavam bem estabelecidos, enviaram um protesto indignado ao Governador, dizendo: “Não queremos que a nova terra se torne uma colônia judaica!”
O Governador, porém, era um homem justo que percebera como tinha sorte de contar com refugiados tão valiosos. O Dr, Nunez certamente seria útil naquelas vastidões semi-desertas, pois poucos profissionais se aventuravam a viver naquele país pioneiro. Os outros refugiados, também, tinham levado seus ofícios e riquezas com eles, mas mesmo que não tivessem, o bondoso Governador não tinha intenção de fazer os recém-chegados sofrerem perseguição no novo país. Eles já tinham sofrido bastante em suas terras de origem.

Quando os administradores em Londres continuaram a insistir com Oglethorpe para expulsar os colonos judeus, ele fingiu levar a ordem em consideração. Porém os registros daqueles tempos, ainda preservados em Savaná, demonstram que não apenas ele não expulsou os judeus, como ao contrário, concedeu-lhes ainda mais terras e privilégios.

A História nos conta que o Dr. Nunez e sua família mais tarde se mudaram para Charleston, na Carolina do Sul. Porém alguns membros da família permaneceram em Savaná, cultivando as seis ricas propriedades que receberam do Governador Oglethorpe, pelos valiosos serviços prestados à colônia pela família Nunez. Posteriormente, o genro do Dr. Samuel Nunez mudou-se para Nova York e se tornou o líder espiritual da recém-fundada comunidade portuguesa. Um descendente deste ramo da família do Dr. Samuel Nunez Ribeiro foi prefeito de Nova York, Dr. Manuel Mordechai Noah, idealizador de um dos projetos de estabelecer uma colônia judaica na América.

Com certeza concordaremos que a família daquele nobre e corajoso médico, temente a D’us, Dr. Samuel Nunez Ribeiro, merece um local de destaque na História Judaica.