Anusim em El Salvador: muito mais do que comunidades emergentes

DSC_0916Quando junto com Margalit, minha esposa decidimos ir passar um tempo, em El Salvador, onde meu filho vive com sua família, a primeira coisa que ela me perguntou foi se naquele país da América Central havia judeus. Sei, por experiência própria, o que significa ficar longe por um tempo considerável de sua comunidade, mesmo tão pequena como a minha. Algo tinha escutado da Shavei Israel sobre a existência de salvadorenhos Anussim, então escrevi ao Rabino Eliahu Birnbaum. Ele foi quem enviou uma carta ao Eliyahu Franco, presidente da Federação das Comunidades Sefaraditas de El Salvador. Ainda não havia deixado Mallorca e já tinha uma resposta do país dos vulcões e lagos: eles estavam encantados com a minha visita e, enquanto me acolhessem como um membro temporário de suas comunidades, me convidaram para compartilhar minha experiência pessoal e dos chuetas de Mallorca.

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Semana Janusz Korczak em Munique!

Pere Bonnin abriu a Janusz Korczak Week em Munique. Falou sobre o xuetes de Mallorca e sua identidade judaica.

Munich, 18 – Com uma conferência intitulada «Die xuetes von Mallorca und ihre jüdische Identität im Spiegel der sephardischen Geschichte» (chuetas de Mallorca e sua identidade judaica em paralelo a história sefaradita), o escritor e jornalista Pere Bonnin inaugurou em Munique, berço do nazismo, o Seminário Internacional da Academia Janusz Korczak que auxilia adultos entre 18 a 35 anos provenientes de Alemanha, Israel e Rússia.

Particularmente emocionante, a sessão inaugural aberta ao público, foi o momento em que os participantes se levantaram para honrar os quinze judeus mártires do judaísmo enquanto escutavam os sobrenomes malditos de seus descendentes Mallorquinos. Depois de nomeá-los um por um, Bonnin disse que, embora a Inquisição havia reivindicado seus corpos não conseguiram aniquilar a idéia: David melech Israel Chai VeKaim (David, rei de Israel, existe e vive).

Sa Pobla escritor explicou suas experiências como um membro de um grupo discriminado e traçou a história do judaísmo em Mallorca e de várias outras perseguições realizadas pelo imperador romano Teodósio, nascido em Coca (Segóvia), na época visigótica por Sisebuto, na época muçulmana pelos Almóades e na era cristã com o pogrom de 1391, durante o reinado de Joana I de Aragão.

A situação dos judeus Mallorquinos piorou após o pogrom e, mais tarde por causa dos convertidos em decorrência do compromisso de Casp (1412), que introduziu a Casa de Castela castelhano aos reinos catalães. Em 1414 os Trastámaras impuseram as ordens de Ayllón, também conhecidas como “ordenações Dona Catalina” (Catarina de Lancaster, viúva de Henrique III de Castela e avó de Isabel Católica). Isto significava uma “morte legal” aos judeus, deixando-os sem proteção e direitos, expostos à calúnia e atrocidades que forçavam sua conversão. Então, em 1435, desapareceu antes da crescente Mallorca judeus pela emigração ou conversão em massa de seus usuários. O líder nazista Himmler foi inspirado precisamente por esses tipos de informação para criar as leis de Nuremberg.

A Inquisição espanhola, liderada pelo Padre Alonso de Espina em 1460 para perseguir os conversos judaizantes, foi introduzida nos países catalães com uma forte oposição por parte das autoridades, que consideravam uma interferência externa. Este órgão político e religioso reprimiu e levou ao martírio muitos convertidos que se recusaram a renunciar à sua identidade e prosseguiu com a discriminação judaica dos descendentes dos quinze condenados no Auto de Fé de 1691.

Bonnin explicou que os chuetas de Mallorca, através da Shavei Israel, foram reconhecidos em 2011 como judeus genuínos para o “Beit Din” (tribunal rabínico) ortodoxo de Israel e terminou sua apresentação com a frase ” Israel – Jacob – foi e será sempre nosso pai porque ele dormiu.”.

A vida de um marrano: Samuel Nuñez Ribiero

Fonte: www.chabad.org.br

 Contaremos aqui a história de uma famosa família de Marranos, cerca de duzentos anos após a expulsão da Espanha e Portugal.

Os Marranos daqueles países, vivendo em constante terror, tinham apenas uma esperança: escapar para algum país amigo para jogar fora aquele odioso disfarce e viverem abertamente como judeus.

Assim ocorria com a família Nunez. Durante muitas gerações, esta família mantivera sua fé judaica em segredo, e alguns membros da família tiveram morte violenta nas mãos da Inquisição. (Clara Nunez foi queimada em Sevilha, Espanha, em 1632, e no mesmo ano Isabel e Helen Nunez também foram condenadas à morte por sua lealdade à fé judaica). Um ramo da família, que vivia em Portugal, estava entre as mais conhecidas famílias nobres. Embora vivessem quase 250 anos depois da Expulsão da Espanha e Portugal, esta família ainda observava secretamente a religião judaica. Era liderada por Samuel Nunez, nascido em Portugal, e que se tornara um famoso médico. Fora nomeado Médico da Corte do Rei de Portugal. Além dos serviços que prestava à família real, toda a nobreza considerava um privilégio ser atendido por ele. O Dr. Nunez não era requisitado apenas como profissional, como também era convidado a todos os eventos sociais importantes. Além disso, quando ele organizava um banquete ou um baile em seu lindo palácio sobre o Rio Tejo, a elite da sociedade lisboeta estava entre seus convidados.

O Dr. Nunez ainda era jovem quando atingiu o auge do seu sucesso profissional e nos círculos sociais. Isso naturalmente provocou inveja entre os seus competidores, e a Inquisição deu a eles uma excelente oportunidade de tentar prejudicá-lo.

Embora na superfície o Dr. Nunez fosse um católico tão bom quanto qualquer outro cristão que freqüentasse a igreja, os líderes da Inquisição registraram os avisos dados pelos inimigos do médico. Eles conseguiram infiltrar um “agente” na casa da família Nunez, disfarçado de criado, para informar sobre o que acontecia no círculo familiar.

Finalmente o agente relatou que a família Nunez estava definitivamente praticando a religião judaica em segredo, pois todos os sábados, eles se recolhiam a uma sinagoga nos subterrâneos do palácio, onde jogavam fora o disfarce de cristãos e rezavam como verdadeiros judeus.

Embora os líderes da Inquisição conseguissem prender toda a família Nunez e colocá-la na prisão, sua alegria durou pouco, pois o Dr. Nunez era muito popular e tinha amigos influentes entre a nobreza. Estes convenceram o rei a libertar Dr. Nunez e sua família da prisão e permitir que se instalassem novamente no palácio como Médico da Corte.

Geralmente o rei era completamente influenciado por seu “padre confessor” – um sacerdote católico, mas nesse caso ele não lhe contou sua decisão (apoiado por toda a família real), dando ordens para que a família Nunez fosse libertada imediatamente e pudesse voltar à sua residência às margens do Tejo.

Havia uma condição, porém, que empanava a alegria da família Nunez durante sua libertação – dois funcionários da Inquisição deveriam residir com a família para certificar que eles não praticavam a religião judaica. Isso, obviamente, fez o Dr. Nunez planejar uma fuga. Mas como conseguir isso sob os olhos sempre vigilantes dos inquisidores?

O Dr. Nunez teve uma idéia ousada e brilhante. Organizou um banquete e convidou todas as pessoas importantes da cidade. Entre essas havia muitos funcionários de altos cargos que, embora suspeitassem dele no tocante à fé, ficaram felizes em aceitar o convite para o banquete, pois era considerado um privilégio estar presente.

O banquete terminou e o baile estava no auge quando o Dr. Nunez mandou a orquestra parar e fez a seguinte declaração chocante:

“Meus amigos! Tenho uma bela surpresa para vocês! Estão todos convidados a embarcarem em meu iate, que foi preparado para o vosso prazer. As diversões da noite continuarão ali, com o Capitão ao vosso serviço. Por aqui, Senhoras e Cavalheiros!”

Com estas palavras, Dr. Nunez saiu da sala, e todos os convidados o seguiram alegremente, deliciados com a surpresa.

Todos apanharam seus casacos e, conversando com animação, embarcaram no iate que balançava suavemente no embarcadouro do palácio.

O que os convidados não sabiam era que uma surpresa não muito agradável os esperava. Somente uma hora depois do embarque, eles perceberam que o iate estava se movendo! E a julgar pela velocidade, não era um iate, mas um barco enorme. Sim, eles estavam navegando para longe da costa de Portugal a toda velocidade, rumando para as praias mais amigáveis da Inglaterra. Bem, amigáveis para a família Nunez. O médico arranjara cada detalhe com a ajuda dos seus parentes, os Mendez, um dos quais tinha se casado com a filha de Nunez. Este conseguira vender em segredo parte de suas propriedades e outros bens, e tinha transferido o dinheiro para a Inglaterra através de mensageiros secretos. Assim ele conseguiu contratar um capitão britânico para levar seu barco ao Rio Tejo na noite do banquete, preparado para receber muitos passageiros.

O Dr. Nunez assegurou aos convidados que, assim que chegassem à costa inglesa, o barco voltaria imediatamente com eles para Portugal. Quanto ao Dr. Nunez, os convidados tinham de admitir que não era sua culpa o fato de ser obrigado pela Inquisição a deixar o país que estiveram tão pronto a aceitar seus serviços e seu conhecimento, mas não lhe permitira que ele e a família vivessem segundo sua fé e consciência.

Conforme fora arranjado com antecedência, a família Nunez foi transferida para outro barco que estava deixando a Inglaterra com outros marranos a caminho da Geórgia, na América, para estabelecer uma colônia. No verão de 1733, os Marranos, liderados pela família Nunez, chegaram a Savaná, na Geórgia. Foram calorosamente recebidos pelo governador inglês, James Oglethorpe, um homem tolerante e compreensivo.

Quando os administradores do território em Londres souberam que Oglethorpe tinha doado terra aos refugiados judeus, e que eles construíram casas e estavam bem estabelecidos, enviaram um protesto indignado ao Governador, dizendo: “Não queremos que a nova terra se torne uma colônia judaica!”
O Governador, porém, era um homem justo que percebera como tinha sorte de contar com refugiados tão valiosos. O Dr, Nunez certamente seria útil naquelas vastidões semi-desertas, pois poucos profissionais se aventuravam a viver naquele país pioneiro. Os outros refugiados, também, tinham levado seus ofícios e riquezas com eles, mas mesmo que não tivessem, o bondoso Governador não tinha intenção de fazer os recém-chegados sofrerem perseguição no novo país. Eles já tinham sofrido bastante em suas terras de origem.

Quando os administradores em Londres continuaram a insistir com Oglethorpe para expulsar os colonos judeus, ele fingiu levar a ordem em consideração. Porém os registros daqueles tempos, ainda preservados em Savaná, demonstram que não apenas ele não expulsou os judeus, como ao contrário, concedeu-lhes ainda mais terras e privilégios.

A História nos conta que o Dr. Nunez e sua família mais tarde se mudaram para Charleston, na Carolina do Sul. Porém alguns membros da família permaneceram em Savaná, cultivando as seis ricas propriedades que receberam do Governador Oglethorpe, pelos valiosos serviços prestados à colônia pela família Nunez. Posteriormente, o genro do Dr. Samuel Nunez mudou-se para Nova York e se tornou o líder espiritual da recém-fundada comunidade portuguesa. Um descendente deste ramo da família do Dr. Samuel Nunez Ribeiro foi prefeito de Nova York, Dr. Manuel Mordechai Noah, idealizador de um dos projetos de estabelecer uma colônia judaica na América.

Com certeza concordaremos que a família daquele nobre e corajoso médico, temente a D’us, Dr. Samuel Nunez Ribeiro, merece um local de destaque na História Judaica.

O Grande Pecado do Vaticano

Aqui vamos nós outra vez! A cada tantos anos, aparentemente, uma nova controvérsia surge quando o Papa João Paulo II atua para conferir santidade à outra figura histórica manchada pelo anti-semitismo.

Aparentemente indiferente aos efeitos que tais atos podem ter sobre o já tenso estado das relações católico-judaicas, o Vaticano segue adiante e celebra estes duvidosos modelos de conduta, ignorando o fato de que a sua piedade estava deturpada pelo preconceito.

O último homenageado de Roma é uma freira alemã do século XIX chamada Anna Katerina Emmerick, que alegava ter tido uma série de visões sobre a morte de Jesus. No início deste mês o papa decidiu beatificá-la, a última etapa antes de conceder a santidade.
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