Presidente da Shavei Israel: a Rainha Esther inspirou os judeus Anussim a preservarem sua fé

Fonte: JerusalemOnline

Em uma entrevista exclusiva com o JerusalemOnline, o presidente da Shavei Israel Michael Freund falou sobre a importância da história de Purim para os judeus Anussim que foram forçados a se converter ao catolicismo após a Inquisição espanhola, assim como seus descendentes.

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Um novo Beit HaMidrash em El Salvador

A comunidade de Bnei Anussim de El Salvador abre um novo Beit Midrash (casa de estudos judaicos), oferecendo opções de estudo e orações em duas sessões diárias. O centro de estudo está localizado na Sinagoga Beit Israel na capital, San Salvador.

Os participantes da sessão matutina estudam os conceitos básicos de oração por duas horas. Na sessão da tarde, a maior de todas, estudam Halachá (lei judaica) e Parashat HaShavua (porção semanal da Torá). Nesta sessão, também têm a oportunidade de rezar Minchá (reza vespertina) e Maariv (reza noturna).

As sessões diárias são apenas para homens. Na quarta-feira à noite acontece uma classe geral da qual as mulheres também podem participar.

O Beit Midrash é chamado Porat Yosef, como a famosa Yeshiva sefardita de Jerusalém.

Aqui nós apresentamos um pequeno vídeo do Beit Hamidrash em ação:

A primeira Sinagoga de Palermo em 500 Anos a ser inaugurada em Sicilia

Mais de 500 anos após a expulsão dos judeus da Sicília, a pequena comunidade judaica de Palermo deve comemorar a abertura da sua primeira sinagoga desde a Inquisição espanhola.

Em uma cerimônia que acontecerá na quinta-feira, 12 de janeiro de 2017, o Arcebispo de Palermo, Corrado Lorefice, transferirá oficialmente para a comunidade judaica uma instalação de propriedade da igreja e o mosteiro de São Nicolau Tolentino, que foi construída sobre as ruínas do Grande sinagoga de Palermo.

A data para a entrega também é significativa: o prazo para a expulsão de todos judeus da Itália (por ordem da Rainha Isabel I de Castela e do Rei Fernando de Aragão), 12 de janeiro de 1493.

“Desde que aprendi sobre a história da Sicília, meu objetivo foi estabelecer as bases para o estabelecimento da primeira comunidade judaica em Palermo em mais de cinco séculos”, disse o presidente da Shavei Israel, Michael Freund. “Isso é o que torna tão importante a cerimônia desta semana: vamos estabelecer, juntamente com o ISSE [Instituto Siciliano de Estudos Judaicos], a primeira sinagoga de Palermo e casa de estudo judaica, desde a expulsão. Estou muito comovido que esta, estará localizada ao lado de onde a Grande Sinagoga de Palermo uma vez esteve e eu sou grato ao arcebispo de Palermo por ter a visão e a coragem de fazer um grande gesto de reconciliação para com o povo judeu”.

A comunidade judaica local em Palermo é pequena, contando apenas com 60-7o pessoas, mas tem um líder dinâmico, o emissário da Shavei Israel, Rabino Pinhas Punturello, que será, agora, também, o rabino da nova sinagoga.

“É um milagre que depois de mais de 500 anos ainda haja pessoas em Sicília que orgulhosamente se agarram às suas raízes judaicas, testemunhando o fato de que nem a expulsão e nem a Inquisição foram capazes de extinguir a eterna centelha judaica de seus corações”, Freund disse. “Com a ajuda de D’us, os sons das rezas do Shabat e as orações judaicas voltarão a ser ouvidas nas ruas de Palermo”.

A abertura da nova sinagoga na Sicília tem recebido ampla cobertura da mídia. Aqui estão alguns dos artigos:

Jerusalem Post

Time of Israel

Israel National News

The Yeshiva World

Na foto acima: o Arcebispo de Palermo Corrado Lorefice (à esquerda) com o emissário da Shavei Israel para a Sicília, o Rabino Pinhas Punturello (à direita).

Conferência questiona: Existem Bnei Anussim em Goa, Índia?

A história dos Bnei Anussim em Goa, na região sul da Índia, é geralmente ofuscada pelas maiores comunidades judaicas na Índia: os Benei Israel, os Cochin e os Baghdadi (para não mencionar os Bnei Menashe, com os quais a Shavei Israel tem trabalhado de perto).

Uma conferência na semana passada preocupou-se corrigir isso.

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O Renascimento do Histórico Judaísmo Italiano

Não é surpreendente ouvir que a vida judaica na Itália constitui um rico capítulo dentro da história judaica, através dos tempos. Podemos facilmente captar a sua dimensão mencionando, somente, luminares como Leone Ebreo (Don Yehuda Abarbanel), o célebre pensador medieval; Rabi Moshe Chaim Luzzatto, o estudioso e cabalista cujos escritos continuam a brilhar no pensamento judeu; ou Primo Levi, o judeu italiano que sobreviveu ao Holocausto e relacionou esta experiência com a lucidez do mundo. Mas quantas vezes ouvimos sobre os descendentes de uma comunidade que foi destruída e seu povo expulso, cerca de quinhentos anos antes de começarem a retornar à sua identidade religiosa? É exatamente isso que tem acontecido com os judeus italianos na Sicília – a ilha do sul da Itália que já foi um emirado árabe – mesmo que, não tenha qualquer comunidade judaica organizada.

Como parte das atividades dos “Dias Europeus da Cultura Judaica”, trezentas pessoas, entre estas descendentes de Bnei Anussim, reuniram-se em Palermo, na Sicília, no dia 18 de setembro, para celebrar a cultura judaica. A iniciativa italiana ocorreu em mais de 70 localidades, este ano com o tema, “línguas hebraicas e dialetos.” Em Palermo as atividades foram divididas entre visitas a sítios judaicos, música e uma conferência na qual o emissário da Shavei Israel para o Sul da Itália e Sicília, o Rabino Pinchas Punturello, participou juntamente com vários palestrantes, no campo da linguística hebraica com suas manifestações na Itália. Veja as fotos aqui.

As visitas cobriram a área da Guidecca, o Arquivo Histórico Comunal e o Palácio Marchesi, enquanto que para o encerramento das atividades, o conjunto Tahev Shir realizou um concerto centrado na música sefardita e asquenazita. Os eventos foram organizados pela Shavei Israel em coordenação com o município e organizações culturais locais. Veja as fotos aqui.

Através dessas atividades, os descendentes de judeus que foram forçados a adotar o catolicismo tiveram a oportunidade de se reconectar com suas raízes judaicas. Seus antepassados, embora forçados a abandonar o judaísmo, mantiveram secretamente uma aparência de sua identidade judaica, apesar do terror e da opressão que a Inquisição representava. Nos últimos anos, tanto no sul da Itália quanto na Sicília, muitos estão tomando o caminho de volta para suas raízes.

“O retorno do povo judeu é um testemunho notável do poder da memória coletiva judaica, juntamente com nosso dever histórico e moral de chegar até eles, recebendo-os de volta para o povo judeu”, afirma Michael Freund, presidente da Shavei Israel, a principal organização que trabalha com os Bnei Anussim na Itália e no mundo.

Traçando brevemente a história do judeu siciliano, este provavelmente data dos anos anteriores à destruição do Segundo Templo e do exílio judaico. Embora saibamos que após a destruição do Templo muitos judeus chegaram como escravos, ao longo dos séculos, a comunidade floresceu, apesar de múltiplas perseguições e execuções de, inclusive, grandes rabinos e eruditos. No século XIV e sob a pressão do regime espanhol a situação deteriorou-se de tal forma que os guetos foram estabelecidos, e para aqueles relutantes em abraçar o cristianismo em suas vidas diárias, tornou-se uma situação terrível, atingindo o seu pico com a expulsão definitiva dos judeus (52 comunidades em toda a Sicília ). Esta expulsão datada de 1510, estima que cerca de 37.000 judeus foram expulsos. Aqueles que permaneceram foram convertidos a força, com o olho ubíquo da Inquisição sempre vigilante de qualquer atividade religiosa ilegal entre os judeus italianos.

Muitos se mudaram para regiões italianas vizinhas como Nápoles e Calábria, assim como muitos judeus espanhóis fizeram, entre eles o renomado Don Isaac Abarbanel, erudito e empresário que tinha servido como ministro na Espanha. A Inquisição no sul da Itália durou até o século 17 e possivelmente até mais tarde, queimando Bnei Anussim e seus descendentes. Ainda assim, não pôde impedir que a identidade judaica fosse transmitida de geração em geração, tornando possível que hoje, alguns desses descendentes, estejam lentamente empreendendo o caminho de retorno às suas raízes judaicas.

“A celebração da cultura judaica de Palermo enfatiza a força do espírito judaico e o fato tocante de perceber mais uma vez como, nem mesmo a expulsão e a Inquisição, conseguiram extinguir a eterna centelha judaica”, conclui Freund.

Como os judeus guardavam o Purim durante os tempos da Inquisição?

Apesar da perseguição implacável, os judeus encontraram uma maneira de observar o Purim durante a Inquisição espanhola.

Em 1391, massacres anti-judaicos varreram a Espanha, fazendo com que judeus fossem obrigados a escolher entre se converter ao cristianismo ou serem assassinados. Cerca de 20.000 judeus espanhóis se tornaram cristãos durante este período e muitos mais continuaram a converter ao longo do século 15, sob coerção. No entanto, muitos desses judeus que foram convertidos sob a espada continuaram a praticar o judaísmo em segredo. Isso perturbou muito os espanhóis, que viram que muitos judeus “escondidos” continuavam a fazer parte dos altos escalões da sociedade espanhola, como já eram desde a Idade de Ouro da Espanha muçulmana.marranos-300x261

Deste modo, em 1492, a rainha Isabel e D. Fernando expulsaram do seu reino todos aqueles judeus acusados de seguirem praticando a fé judaica. Em um primeiro momento, a Inquisição espanhola foi criada para caçar os judeus que continuavam a praticar sua fé em segredo. Cerca de 165.000 judeus fugiram da Espanha, 50.000 foram batizados e algo como 20.000 morrem, tentando deixar a Espanha em 1492. Enquanto isso, 31,912 “hereges” foram queimados nas fogueiras da Espanha, e outros 17.659 foram queimados em efígie – ou seja, simbolicamente, substituídos por um boneco de pano. Para os judeus secretos, conhecidos como “Anussim” – conversos ou marranos – que viviam sob o jugo da Inquisição e, portanto, em constante medo de que seriam descobertos, a festa de Purim tinha um significado especial, já que a Rainha Esther também foi forçado a praticar o judaísmo em segredo.

Para os Anussim da Espanha, Portugal e América Latina, Purim não era um dia de festa com crianças fazendo barulho e adultos consumindo álcool. Pois, se celebrassem desta forma, seriam descobertos pela Inquisição. Ao invés disso, os Anussim, que corriam perigo de vida, jejuavam por três dias, assim como a Rainha Ester jejuou quando os judeus da Pérsia foram ameaçados de aniquilação.

Como resultado, a Inquisição utilizou o Jejum de Esther como um indicador de judeus engajando-se em atividades religiosas “proibidas”. Além disso, um jejum de três dias não era considerado saudável. De acordo com Gabriel de Granada, um garoto de 13 anos de idade, interrogado pela Inquisição no México em 1643, as mulheres de sua família dividiam os três dias de jejum entre elas. Leonor de Pina, que foi preso pela Inquisição portuguesa em 1619, registrou que suas filhas jejuavam por três dias, durante o dia, enquanto durante a noite, comiam. Contudo, quando comiam, se abstinham de comer carne.

Estudiosos dos Anussim sustentam a idéia de que os judeus secretos de Espanha, Portugal e América Latina viram no jejum particular de três dias como um substituto para as Mitzvot públicas de: ler a Megilá na sinagoga e enviar presentes com comida para familiares e amigos – sendo estas ações que chamavam a atenção da Inquisição. O professor Moshe Orfali da Universidade Bar Ilan afirma que os Anussim jejuavam, muitas vezes, como uma forma de demonstrar o seu remorso por serem forçados a violar a Torá.

Curiosamente, os Anussim também transformaram a rainha Esther em “Santa Esther,” como um meio de disfarçar sua fé judaica durante a Inquisição. Os Anussim frequentemente ofereciam todas as suas orações para esta “santa”. Assim, mesmo que os Anussim hajam perdido muito de sua herança judaica ao longo dos séculos, eles nunca esqueceram a Rainha Esther, ou as palavras da Megilá que proclamam: “E esses dias de Purim nunca deixarão os judeus, e sua lembrança jamais será perdida entre seus descendentes”.

 

Por: Rachel Avraham, traduzido do site UnitedWithIsrael.org

O Papa Lunático e a Disputa com os Judeus

A Disputa de TortosaFOTO-Concilio

Na segunda metade do século XIV, viajava pela Europa um frade dominicano, nascido em Valência, que era conhecido por seu antissemitismo virulento. Uma de suas expressões favoritas era “batismo ou morte” baseada no terrível desastre de 1391 onde se expandiu por Castela e Aragão uma terrível onda de ataques contra as comunidades judaicas, muitas dessas comunidades judaicas espanholas desapareceram, seja porque seus habitantes morreram ou porque foram forçados a se converter ao cristianismo, ou mesmo, por ambos motivos.

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