“Oculto: os judeus secretos da Espanha”- a estréia musical em Jerusalém

Recentemente, Sharon Katz e Avital Macales, da Comunidade de Performance Feminina de Jerusalém, apresentaram um lindo musical “Oculto: os judeus secretos da Espanha” baseado no romance “A Família Aguilar” do rabino Marcus Lehmann e contando uma história de judeus da Espanha o que preferiu permanecer no país após a infame expulsão nos anos da Inquisição e manter sua identidade judaica em segredo.

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Ocultos: Os judeus espanhóis secretos

O musical histórico sobre Bnei Anussim

Recentemente tem havido um grande interesse na história dos Bnei Anussim — descendentes dos judeus convertidos pela força ao catolicismo no tempo da Inquisição Espanhola. De facto, este interesse tem aumentado tanto que se reflete em muitas esferas, particularmente nas artes. Um belíssimo exemplo disso é o novo musical histórico baseado no livro The Family Aguilar (A Família Aguilar), do rabino Marcus Lehmann.

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Guarda, Portugal – Notas de viagem.

Aqui temos um excerto de um texto de Nora Goldfinger, que tem estado a viajar por vários locais de interesse judaico em Espanha e Portugal e aceitou partilhar a sua experiência connosco.
Sabe-se que os judeus chegaram pela primeira vez a Espanha há muitos séculos. Encontram-se provas deste facto nos antigos manuscritos do Mar Morto (Manuscritos de Qumram), que mencionam a presença Judaica em Espanha.
Em Portugal, os primeiros imigrantes judeus apareceram na região da Beira somente no fim do século XIII, sendo a Guarda a primeira cidade a aceitá-los.
Trancoso, Covilhã e Castelo Branco aceitaram-nos no século XIV devido ao ambiente de antissemitismo existente na época em Espanha e à crescente imigração depois do édito de expulsão de 1492.

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A Circuncisão

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham

 

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Cumprimento Clandestino

Os Anussim e seus descendentes, que tinham sido forçados a se converter ao cristianismo, queriam continuar cumprindo, o quanto possível, os mandamentos do judaísmo. Mas era claro que isso os deixava em uma clara situação de perigo, uma vez que continuar praticando o judaísmo era considerado heresia para os cristãos. Vemos nesta situação que, claramente, os cristãos acreditavam que os mandamentos da Torá já não possuem nenhum valor, seja para eles próprios ou para os descendentes dos judeus. Isso desde a fundação da religião, como é possível identificar com Paulo de Tarso em suas epístolas, que declararam (em mais de uma ocasião) que o cristianismo foi baseado unicamente na fé no “nazareno” e não em conformidade com as leis divinas.

Deste modo, os Anussim deveriam tomar muito cuidado para não serem vistos praticando os mandamentos do judaísmo, sendo obrigados a pratica-lo secretamente. Com isso demonstravam, para si mesmos e ao Criador, que a “conversão” que tinham feito não era voluntária, mas sim, forçada. Esta situação acabou sendo muito importante para eles, já que o remorso os atormentava quando consideravam que deveriam ter lutado, ou deveriam ter deixado ser mortos, pelo amor ao Criador. Como poderiam ter trocada a sua herança, a presente e a celestial, por uma religião que não era nada mais que uma cópia malfeita de sua própria religião?

Arriscaram o máximo que puderam, guardando o Shabat através de todos os tipos de desculpas para não trabalhar neste dia, ou indo para o trabalho, mas sem se esforçar muito durante todo o dia. Tendiam a não comer nada proibido pela Torá, mas sendo a carne de porco – proibida pela Torá – um dos alimentos preferidos dos cristãos, não tiveram escolha a não ser comprar a carne deste animal no mercado, ao olhar de todos os outros consumidores. Contudo, em seguida, quando chegavam em casa, davam a carne aos cachorros. Quem não viu a famosa pintura do pintor russo Moshe Maimon representando uma família de ‘conversos’, jantando na noite de Pessach no porão de sua casa, quando de repente são surpreendidos por inquisidores?
Mandamento Perigoso

Mas era claro que um dos mandamentos era, especialmente, muito perigoso de cumprir pois, para este, não era possível encontrar qualquer desculpa. Um mandamento que ficava gravado para a eternidade e deste não era possível se livrar. Este mandamento é a circuncisão.

Nosso patriarca Avraham assinou uma aliança com o Criador, como lemos no capítulo 17 do Gênesis, no qual se comprometia, em nome próprio e de seus descendentes, em cumprir com esse mandamento. Treze vezes aparece a palavra “pacto” neste capítulo, e, portanto, no judaísmo não se diz “circuncisão”, mas sim “brit milá” – “o pacto da circuncisão” ou, simplesmente, “Brit” – “pacto”: ‘já foi o Brit desta criança? ’, ‘vamos para um Brit.’, e etc.

Oito dias após o nascimento, um especialista chamado “mohel” verifica a saúde do bebê para evitar qualquer complicação e cumpre com a obrigação, em nome do pai da criança, de cortar o prepúcio.

A operação possui três condições, uma vez que é necessário cortar o prepúcio, que tem duas camadas, uma mais espessa e outra mais fina, presa à carne. A grossa é cortada com uma faca, enquanto que com as unhas o mohel separa a fina da carne. Finalmente, se desinfeta a ferida chupando o sangue, cuspindo-o em um recipiente. Em seguida, ele passa uma pomada para facilitar a cura rápida.
O Pacto em Nossa Carne

No judaísmo, ele é chamado de “Pacto assinado em nossa carne”, sendo uma marca em todo judeu homem. O Midrash conta sobre o Rei David, que ao estar sempre ansioso em manter um contato estreito com o Criador, se sentia mal ao ir ao banheiro, por desta maneira se sentir longe dos mandamentos. Até que, então, se lembrava da circuncisão e se alegrava deste mandamento que sempre lhe acompanhava em todos os momentos, em todos os lugares e em todas as circunstâncias.

Assim entendemos a imensa importância deste mandamento. Além disso, vemos no capítulo acima, que se trata de uma condição para herdar a terra de Israel, de acordo com a promessa do Criador aos patriarcas. Deste modo, vemos que o povo de Israel, ao deixar o Egito, teve de circuncidar todos aqueles em cativeiro não o haviam feito ainda, como atesta o livro de Josué (Josué 5:5) dizendo que, depois de quarenta anos no deserto (no qual, mais uma vez, eles não poderiam cumprir o mandamento por causa das condições ambientais adversas) ao atravessar o rio Yarden (Jordão) tiveram de circuncidar todos os homens, como está escrito no versículo 3.

Até mesmo o nosso maior profeta, Moshe, teve que aprender a importância deste mandamento. Ele estava a caminho de Midian para o Egito, para ajudar, urgentemente, seus irmãos que morreriam pelo trabalho forçado que egípcios lhes ordenavam. Com isso, ele acreditava que a urgência da sua missão permitia que esperasse até o final da viagem para circuncidar o seu filho recém-nascido que o acompanhava, juntamente com sua esposa Tsipora. Mas o Criador não “via” daquela maneira, pois as condições para herdar a terra de Israel dependiam deste mandamento. Moshe não poderia deixar de cumprir este mandamento, independente das inúmeras desculpas que tivesse neste momento: seja por não poder fazer no deserto, não queria seguir viagem até que cicatrizasse a ferida do bebé, e etc. O livro de Shemot (Êxodo 4: 24-26) conta que este estranho episódio na vida de Moshe, colocou, inclusive o pr[oprio Moshe em perigo caso não circuncidasse seu filho no tempo certo.

Não é de se admirar que os conversos tivessem um grande desejo de cumprir este mandamento, mas o medo de serem descobertos por alguém, que os delataria à Inquisição, os impedia de pratica-lo.

Somente quando já haviam perdido a esperança, quando j[a tivessem sido presos por qualquer outro motivo e soubessem que seriam mortos em breve, se esforçavam além das expectativas, cumprindo o mandamento nas situações mais precárias das prisões inquisitoriais e causando sua própria morte prematura.

Seus descendentes, hoje, já não têm esse problema, é claro. Graças a D’us, não há proibição que impede qualquer pessoa interessada na circuncisão, embora, é claro, deva ser feito da maneira certa, que nem sempre coincide com a intervenção que é feita em um hospital. Não é conveniente fazê-lo sem o assessoramento de um rabino perfeitamente competente e autorizado, uma vez que existem muitos detalhes não especificados aqui e que devem ser realizados corretamente para que o Brit seja válido.

A circuncisão é um mandamento que se deve cumprir com muita alegria, ao compreender nosso papel como participantes da aliança entre o Criador e o Povo de Israel. Se realiza um banquete no qual participam parentes e amigos que aparecem para comemorar que o bebê, ou a pessoa, tenha “entrado no Pacto de Avraham”.